
O próximo disco dos Dodos, Time To Die só ia sair em Setembro, mas a net já o pariu. Não é que seja fácil de encontrar, mas quem procura sempre se destorrenta.
Ainda só ouvi uma vez e vou evitar ouvir tão depressa, a capa é para Outono, quando sair vai vender mais, e para já duvido que voltem a tocar no meu bairro, como no Inverno passado:
hugthedj, The Dodos “Men” + “Fools” live@ Salão Brasil – Coimbra 05-12-08
a coisa correu tão bem que fiz mais de 2gb de fotos e consegui aproveitar estas:








Agora que por todo o lado nos incentivam a lavar as mãos com um zelo nunca antes visto, e nos explicam pacientemente, e com recurso a grafismos detalhados, que somos ignorantes no que respeita à técnica elaborada que essa lavagem exige, parece haver um abismo cada vez maior entre a preocupação daqueles que assumem de forma tão altruísta a tarefa de preocupar-se, e a populaça, que incautamente teima em continuar a ir ao cinema, à praia, a andar de autocarro e a tossir sem lavar as mãos em seguida. Avisam-nos que a pandemia vem a caminho, que em breve chegará em força a Portugal, e é de temer que, num país em que ainda se vêem tantos inspeccionar o conteúdo das narinas em público e escarrar estrepitosamente nas ruas, a coisa possa vir a assumir proporções gigantescas. E apesar de tudo, a vida continua sem sobressaltos maiores do que aqueles que provocam a ubíqua crise e a morte do Michael Jackson. Explicam-nos que as grandes empresas delinearam planos de contingência para superar as baixas quando as houver (por quarentena e não por óbito, tranquilizem-se), e que os carregamentos de tamiflu (aquele que foi produzido em grande escala para uma epidemia que não chegou a concretizar-se) haverão de chegar. E talvez alguém venha a lembrar-se de relançar no mercado essas máscaras de bico de pássaro que os venezianos celebrizaram nos tempos da peste negra, e na qual escondiam especiarias para dissipar o cheiro da morte, já que se acreditava que os vapores traziam a doença. Quando a gripe afinal chegar, e com ela se adensar a nuvem negra da crise, havemos de tomar refúgio na quarentena a que nos condenarão, quietos e silenciosos, cada um na sua toca, e limitaremos todo o contacto com o exterior ao abastecimento que faremos na farmácia e no supermercado, equipados com máscara e ansiosos por chegar a casa e lavar, com escrúpulo, as mãos que tocaram o mundo lá de fora.








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