Escolas secundárias: O «ranking» do Aventar

Ano após ano, a comunicação social apresenta-nos resultados completamente falaciosos do panorama das nossas escolas secundárias. Quem vir esses «rankings» chega à conclusão de que se vive o melhor dos mundos nas escolas privadas e o «inferno na terra» nas escolas públicas. São «rankings» que ignoram a componente sócio-económica dos alunos que compõem cada escola. São «rankings» que ignoram também a localização de cada escola – estar situada no litoral ou no interior não é despiciendo. São «rankings» que ignoram ainda o número de alunos que cada escola leva a exame – nuns casos, 50; noutros casos, 500.
Bastava deslocar os alunos de uma escola privada para uma pública, e vice-versa, e os resultados seriam exactamente o oposto. Uma escola em 400.º lugar no «ranking» pode fazer um trabalho melhor do que uma escola classificada nos 10 primeiros lugares.
Como não é possível transferir os alunos, o Aventar decidiu elaborar o seu próprio «ranking» das escolas secundárias em 2009. Partindo das Classificações de Exame em cada escola, decidimos acrescentar uma variável sócio-económica e uma outra relacionada com o número de alunos que cada escola levou a exame. Estas variáveis destinam-se a corrigir as assimetrias regionais e económicas que se verificam no nosso país e a dimensão de cada estabelecimento de ensino.
Essas duas variáveis traduzem-se da seguinte forma no nosso «ranking»:

– bonificação de 20 pontos (em 200) para as escolas públicas dos distritos do interior do país;
– bonificação de 10 pontos (em 200) para as escolas públicas dos distritos do litoral do país (excepto Lisboa e Porto)
– bonificação de 10 pontos (em 200) para as escolas privadas do interior do país;
– bonificação de 5 pontos (em 200) por cada 100 exames realizados para todas as escolas.

Tendo em conta estes valores, obviamente subjectivos (mas tão subjectivos como a lista que a comunicação social anualmente publica), o «ranking» do Aventar é o seguinte:

1 – Escola Secundária Alves Martins (PUB, Viseu) – 215,69
2 – Escola Secundária Jaime Moniz (PUB, Madeira) – 196,37
3 – Externato Ribadouro (PRI, Porto) – 183,58
4 – Escola Secundária Garcia de Orta (PUB, Porto) – 182,14
5 – Escola Secundária Carlos Amarante (PUB, Braga) – 181,41
6 – Escola Secundária Gabriel Pereira (PUB, Évora) – 176,25
7 – Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo (PUB, Leiria) – 176,28
8 – Escola Secundária Domingos Sequeira (PUB, Leiria) 174,54
9 – Escola Secundária de S. João do Estoril (PUB, Lisboa) – 172,46
10 – Escola Secundária Eça de Queirós – Póvoa (PUB, Porto) 171,53
11 – Escola Secundária de Raúl Proença (PUB, Leiria) – 171,11
12 – Escola Secundária Vergílio Ferreira (PUB, Lisboa) – 173,56
13 – Escola Secundária Infanta D. Maria (PUB, Coimbra) 171,69
14 – Escola Secundária Leal da Câmara – Sintra (PUB, Lisboa) – 171,10
15 – Escola Secundária Santa Maria de Sintra – Sintra (PUB, Lisboa) – 170,84
16 – Escola Secundária D. Maria II (PUB, Braga) – 170, 20
17 – Colégio Nossa Senhora do Rosário (PRI, Porto) – 169,83
18 – Escola Secundária de José Gomes Ferreira (PUB, Lisboa) – 168,78
19 – Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (PUB, Santarém) – 167,17
20 – Escola Secundária Sebastião e Silva – Oeiras (PUB, Lisboa) 165,40
21 – Escola Secundária Poeta António Aleixo – Portimão (PUB, Faro) – 164,04
22 – Escola Secundária Camilo Castelo Branco (PUB, Vila REal) – 165,16
23 – Colégio Luso-Francês (PRI, Porto) – 163,17
24 – Escola Secundária da Amadora (PUB, Lisboa) – 162,97
25 – Escola Salesiana do Estoril (PRI, Lisboa) – 162,51

(continua)

A assistir lesionado também não pode ser

a assistir

Já chegou a assistência ao Sabrosa com a Hungria, não já?

VERGONHA!

.
A ENERGÚMENA MAITÊ PROENÇA
.
.

.
Circula uma petição a exigir um pedido de desculpa aos Portugueses. ASSINE-A!

.
JM
.

QUADRA DO DIA

Portugal da bancarrota
Com toda a corja bandalha
Nem c’os santos a ajudar
Vais ganhar esta batalha.

CALINADAS E CALINADINHAS

“MAIS CASOS QUE VAI HAVER” e não “MAIS CASOS QUE VÃO HAVER” (Brrrrrr).

“NÃO PRECISAM DE SER ESTUDADAS” e não “NÃO PRECISAM DE SEREM ESTUDADAS” (Brr).

A escola pública autónoma

Reforçar a autonomia da escola pública face ao Ministério da Educação e dos Sindicatos é o grande salto em frente para a qualidade.

Há cinco anos que são conhecidos “rankings” das escolas segundo determinados parâmetros. É já possível tirar conclusões quanto à capacidade da maioria das escolas públicas. Temos escolas que se classificam sistematicamente nas primeiras cem, as que se classificam nas primeiras duzentas e as que se classificam nas primeiras 500.

Estas escolas dão todas as garantias para receberem com sucesso, plena autonomia de meios financeiros, técnicos e humanos. Se os burocratas se sentirem muito incomodados por virem fugir das suas garras de uma só vez, tantas escolas, pode avançar-se por modelos em que no primeiro se integrem as primeiras cem, a seguir as segundas cem e por aí fora.

A autonomia é que cria as condições para uma verdadeira escola competitiva, não só a nível dos objectivos que venha a acordar com o Ministério, mas tambem porque as melhoras, reconhecidas, serão mais procuradas.

Estarão criadas as condições para que os professores sejam pagos segundo uma avaliação por objectivos, sem divisões artificiais na carreira e sem burocracias que só dificultam, e que dão pretextos para que sindicalistas e políticos se degladiem à custa dos professores e dos alunos.

Para quem quer que a escola patine, então é fazer de conta que são os sindicalistas e os burocratas é que são os verdadeiros actores da Educação, ou então baralhar e dar de novo e propor o cheque ensino para uma suposta liberdade de escolha.

Porque os que podem escolher já o fazem como atesta a existência das escolas privadas ! E pior, o factor dinheiro nem é o preponderante na escolha. Resta-nos elevar o nível do ensino em todo o país, segundo as características do lugar onde a escola funciona.

Maitê Proença de Saia Justa e agora numa camisa de forças

Conheço algo sobre o Brasil e os brasileiros. Não tudo, o Brasil é um continente, não é um país. Já vi de tudo. De pessoas muito inteligentes, cultas, até muito ignorantes e uns tantos estúpidos. Daqueles que já trazem o carimbo a quilómetros de distância. Lá como cá. É natural que em cerca de 180 milhões haja mais parvos que nos nossos 10 milhões. Maitê Proença é gira mas deve fazer parte do lote de alguns milhões de parvos que por lá existem.

O caso do vídeo onde a actriz e escritora fraquinha, muito fraquinha, goza com os portugueses e Portugal é uma irrelevância, que não merece muita atenção. Nem será caso para nos espantarmos. Os portugueses há muito que são alvo de anedotas por parte dos brasileiros. Algo que não espanta. Faz parte dos preconceitos. Como nós os temos, aliás. A maior parte dos portugueses vê os brasileiros como completamente estúpidos e burros.

A própria Maitê colobora para essa ideia, ao cometer erros absurdos, demonstrando que não fez os trabalhos de casa e fala do que não sabe.

 

P.S. Consta que um grupo de tugas indignados começou a inundar de mensagens o site / blog da actriz, onde Maitê fez questão de dizer que não quis ofender “Portugau” e os “portuguezess”. Deve ter sido bem tramado porque há muito que o site está em baixo. É caso para dizer que depois do programa “Saia justa”, a senhora, no que a Portugal diz respeito, ficou numa camisa de forças.

Quando o céu de Moscovo ficou diferente

moscovo_ceu_1310

Estão a ver a imagem acima? Olhem outra vez. Analisem, observem muito bem. Especulem… Uma nave extra-terrestre? O escudo anti-mísseis EUA / Rússia? O buraco onde Fátima Felgueiras se vai enfiar depois destas autárquicas?

Antes de começarem com as teorias da conspiração ou previsões de que é desta que os extra-terrestre cheguem ao nosso planeta, fiquem a saber que os meteorologistas da Rússia explicam o fenómeno do ponto de vista científico.

Várias frentes de ar passaram por Moscovo recentemente, incluindo uma frente de ar proveniente do Ártico, e o Sol estava a incidir de oeste, e assim se produziu o efeito óptico”.

Pronto, tudo explicado. Tudo? Não, numa pequena aldeia podem juntar-se todos os adeptos da conspiração que lutam, agora e sempre, contra os invasores. Apenas temem que o céu lhes caia na cabeça.

Veja o vídeo:

O menino, quer dizer, o cromo, é um democrata e tanto. Mesmo não permitindo comentários às suas postas, quanto mais não seja para lhe explicar alguns pormenores, coisas sem importância: a bandeira, menino, não significa que seja monárquico (que não sou) mas representa, como noutros blogues, o Condado Portucalense. Mas devemos ser comprensivos, é fruto da derrota. Mas isso também passa ó supostamente.
Quanto ao mais, é melhor o menino ler ISTO e já agora ISTO, ISTO, ISTO.

https://aventar.eu/2009/10/13/196923/

Quente e Seco

O mês de Setembro de 2009 foi o mais seco dos últimos 22 anos, em Portugal continental, sendo o 9º mais seco desde o início dos registos, em 1931.

A quantidade de precipitação registada no mês, no continente, situou-se bastante abaixo dos valores médios de 1971-2000, com uma expressão de 18% em relação ao respectivo valor médio, classificando-se, assim, Setembro como seco a muito seco na grande generalidade do Continente, com uma única excepção para o Baixo Alentejo. Em termos mensais, o mês registou uma quantidade de precipitação, em relação ao valor médio (1971-2000), inferior a 60% em quase todo o território, sendo mesmo inferior a 10% na região Norte e parte do Centro. Somente no Baixo Alentejo este parâmetro se situou acima do respectivo valor médio.

Setembro caracterizou-se por valores médios de temperatura máxima do ar superiores aos valores normais, 1971-2000, em todo o território do Continente, com uma anomalia de + 1,6ºC. A temperatura mínima situou-se muito próxima dos valores normais, com uma anomalia de + 0,1ºC e a temperatura média também acima dos valores normais com uma anomalia de + 0,8ºC.

No final de Setembro mantém-se a situação de seca meteorológica, com agravamento em relação ao mês anterior, com a totalidade do território continental em situação de seca meteorológica, sendo que 43% se encontrava em situação de seca severa, 3% em seca extrema , 44% em seca moderada e 10% em seca fraca. (Fonte: Inst. de Meteorologia)

Nada de muito preocupante como se pode constatar, até porque 54% do território encontra-se apenas em seca moderada e fraca. Há que ver as coisas sempre pelo lado positivo, não é verdade? Em pleno Outubro, há pessoas a fazer praia! Mais grave ainda, é ouvir conversas de rua em que as pessoas acham que isto (o tempo) deveria sempre assim, porque o frio e a chuva são muito desagradáveis!!! Pode ser que a preocupação apareça no mesmo momento em que as torneiras lá de casa deixem de pingar…

A máquina do tempo: ainda a palavra – no princípio era o trabalho

A máquina do tempo: ainda a palavra – no princípio era o trabalho

http://comps.fotosearch.com/bigcomps/ECC/ECC115/01020259.jpg

Hoje, não vou estar com meias medidas: vamos fazer uma viagem de algumas centenas de milhares de anos. Vamos até aos alvores do Paleolítico inferior. Abordando o interessante tema da origem e evolução da poesia, o filósofo e antropólogo britânico George Derwent Thomson (1903-1987), publicou em 1945 um estudo a que deu o título de «Marxism and Poetry» (com uma edição portuguesa, da Teorema, em 1977 – «Marxismo e Poesia»). O ensaio analisa a questão de uma óptica onde se integram a sociologia, a antropologia e a linguística. Baseia-se, principalmente, em estudos de campo feitos pelo autor e na recolha de testemunhos de sociedades primitivas, já que a poesia produzida por esse tipo de sociedades não pode ser estudada em espécimes escritos; a sua natureza oral antecede em muitos milhares de anos a escrita e o conceito de literatura. Como Thomson diz, a poesia representa um tipo especial de palavra – se queremos estudar a sua origem, temos de a procurar na origem da palavra e isto, em última análise, significa estudar a origem do homem, pois a palavra constitui um dos traços distintivos mais importantes do homem.
Na realidade, ainda que o aparecimento do homem não esteja ainda cabalmente explicado e localizado no tempo, há um ponto em que os investigadores estão de acordo – o homem diferencia-se dos outros primatas através de duas características principais: pelo uso sistemático de utensílios especializados e pela palavra. De uma forma mais geral, os primatas diferem dos vertebrados inferiores por serem capazes de permanecer de pé e de usar as extremidades anteriores como mãos.
Ter-se-ão desenvolvido e evolucionado a partir de condições particulares do meio e que determinaram um progressivo aperfeiçoamento da região do cérebro que comanda os órgãos motores. Animais florestais, a vida nas árvores, exigiu-lhes agilidade, rigorosa coordenação da vista e do tacto (visão binocular e um delicado controlo muscular). Desenvolvidas as mãos, elas colocaram ao cérebro uma gama de novos problemas, recebendo em troca um mundo de novas possibilidades. Desde a origem, portanto, existiu sempre uma total ligação entre a mão e o cérebro.
Por seu turno, o homem difere dos outros primatas evoluídos, por conseguir não só colocar-se de pé, mas andar erecto, usando só os membros inferiores. Há quem defenda que esta aptidão se desenvolveu em consequência de um despovoamento arborícola que o forçou a instalar-se no solo. Seja isto verdade ou não, o importante é ele ter operado uma completa divisão, uma especialização, entre as funções das mãos e as dos pés. Os dedos grandes dos pés perderam a preensabilidade; os dedos das mãos atingiram um elevado grau de destreza, desconhecida entre os demais primatas superiores – gorilas e chimpanzés, por exemplo, podem manipular troncos e pedras e usá-las como armas ou ferramentas, mas só as mãos humanas conseguem transformar esses materiais em utensílios especializados.
Esta terá sido uma etapa decisiva, pois marcou o início de um novo sistema de vida – o homem, agora equipado com utensilagem, lançou-se na produção dos seus meios de subsistência, em vez de pura e simplesmente deles se apropriar – cavou a terra, plantou-a, regou-a, colheu, moeu os grãos, fez o pão. De utente passivo da natureza, passou a controlá-la e, nessa luta por dominá-la, apercebeu-se de que ela se regia por leis próprias, independentes da sua vontade. Apreendendo o sentido dessas leis naturais, deixou de ser escravo da natureza, passou a ser seu amo.
Necessitando de encontrar uma explicação para o universo, concebia-o como coisa que pudesse ser transformada por actos arbitrários da vontade – terá surgido a magia como técnica ilusória compensadora da falência da técnica real; ou digamos antes que é a técnica real apresentada sob um aspecto subjectivo. O acto mágico é a tentativa que os homens fazem para impor a sua vontade ao meio, imitando o processo natural que querem desencadear – se querem chuva, executam uma dança em que imitam o movimento das nuvens adensando-se, o ruído do trovão, o raio que cai…
Nos estádios iniciais, o trabalho de produção era colectivo. As mãos da comunidade trabalhavam em conjunto e, o emprego de utensílios, motivou um novo meio de comunicação. A gama de gritos animais é limitada. No homem, porém, esses gritos tornaram-se articulados, foram elaborados e sistematizados como meios de coordenação dos movimentos do grupo. Por isso, quando inventou os utensílios, o homem inventou a palavra. Mais uma vez se verifica a ligação entre a mão e o cérebro.
Quando vemos uma criança a tentar manejar pela primeira vez um pequeno martelo, podemos imaginar o grande esforço mental que as tentativas iniciais para usar um utensílio devem ter custado ao homem. Tal como as crianças na orquestra do infantário, o grupo trabalhava em comum e cada movimento da mão ou do pé, cada golpe sobre uma pedra ou sobre uma vara era ritmado por um recitativo mais ou menos inarticulado que todos cantavam em uníssono. Sem esse acompanhamento vocal o trabalho não poderia ser executado. A palavra terá, pois, surgido como elemento essencial da produção colectiva.
À medida que a habilidade foi evoluindo, o acompanhamento vocal ritmador foi deixando de constituir uma necessidade psíquica. Os elementos do grupo foram sendo capazes de trabalhar individualmente. Mas o aparelho colectivo sobreviveu sob a forma de uma repetição executada antes do início da tarefa concreta – uma dança através da qual os trabalhadores reproduziam os movimentos colectivos que anteriormente eram indissociáveis da tarefa propriamente dita. É aquilo a que os antropólogos chamam «dança mimética» e que ainda hoje se pratica entre as tribos primitivas.
Entretanto, a palavra desenvolveu-se – de acompanhamento directo do emprego de utensílios, na origem, transformou-se em linguagem tal como hoje a conhecemos – um meio de comunicação, consciente e articulado, entre os indivíduos. Sobreviveu na dança mimética e, enquanto parte falada, manteve a função mágica. Assim, em todas as línguas, encontramos dois modos de conceber a palavra – a «palavra corrente», o meio de comunicação quotidiano entre os homens, e a «palavra poética», material mais expressivo e mais apropriado aos actos colectivos do rito fantástico, rítmico e mágico.
Tentei aqui sintetizar, reproduzindo o sentido, o raciocínio de Thomson. Se o seu raciocínio é correcto, isso significa que a linguagem poética é essencialmente mais primitiva do que a palavra corrente, na medida em que preserva em elevado grau as qualidades de ritmo, de melodia, de fantasia, inerentes à palavra enquanto tal. Sendo apenas uma hipótese, apoia-se no que se conhece das sociedades primitivas – verificamos que a diferenciação entre a palavra poética e a palavra corrente é relativamente incompleta.
Thomson estabelece, pois, uma íntima ligação entre colectividade, trabalho e poesia. É uma tese que vem colidir com os que querem que a poesia se situe num plano isolado (e superior) da realidade objectiva; esta teoria vincula a palavra poética, desde a sua mais remota origem, às tarefas concretas do quotidiano, nomeadamente ao trabalho.
Isto permite-nos tirar muitas conclusões e a minha adesão a esta teoria é tudo menos inocente. Como noutras viagens da minha máquina teremos ocasião de comprovar.

Coimbra não vota em traidores

Era uma vez um concelho chamado Coimbra onde reinava Carlos Encarnação. A concorrência directa chamada PS achou que não o iria destronar, e andou andou andou para encontrar alguém que fosse perder com ele.

Mas também havia um vice-reinador de seu nome Pina Prata que se tinha desentendido com o reinador-mor, sendo por ele demitido dos seus poderes, e se preparava para afrontar nos votos do povo o que perdera em votos no seu partido.

O partido chamado PS acabou por ir buscar um doutor à universidade. Ora neste concelho o povo tinha um ancestral segredo: quando dizia senhordoutor, pensava filhodaputa. Coisas de uma velha luta de classes entre o povo e os doutores, que nem mesmo um ainda jovem partido de esquerda percebe.

Como o desentendido Pina Prata  se intrometia, traindo e fazendo-se a uma campanha desabrida, ainda  nasceram esperanças nas hostes oposicionistas de penetrar pelas tropas adversárias assim rompidas.

Sucedeu então que Coimbra não votou no traidor, e votou no senhor que já reinara oito anos.

Ficou tudo como dantes, mas pelo menos vou gramar com menos ranchos (essa coisa do António Ferro promovida a muito antiga quando ainda é só velha), reformando-se o mais inacreditável vereador da cultura das autarquias nacionais de todo o sempre, espero.

E somos todos muito felizes.

Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido. Salgado Zenha

continuação daqui

«Quem ironicamente tudo percebera – e digo ironicamente a pensar no que viria a acontecer, dez anos depois, em 1985 – foi Salgado Zenha que, apesar do importante trabalho que desenvolvia no Ministério da Justiça, passou a dar maior importância às actividades do Partido Socialista. Mas a sua total lealdade para com o sempre ausente Mário Soares era um raro exemplo nas relações entre os dirigentes socialistas . Não fosse isso e teria facilmente sido ele a liderar o Partido Socialista. É que, com algumas raras excepções, entre os quais me conto, os principais quadros de então estariam com Zenha se assim ele o desejasse. Este apercebera-se durante o Congresso da manobra do PCP, sendo bastante expressiva a cerimónia de encerramento do I Congresso, em que Soares e Serra de pé cantam o hino do Partido de mãos dadas ao ar, com um Zenha «carrancudo» sentado entre ambos. Convencido de que chegara a altura de travar o avanço dos comunistas, e enquanto Soares em Moscovo se esforçava por estabelecer com as autoridades soviéticas relações tão cordiais quanto possível, passa ao ataque empenhando, pela primeira vez, a bandeira da resistência contra o sonho bolchevique. No dia 6 de Janeiro publicaria um artigo no «Diário de Notícias» contra a «unicidade sindical», decretada pelo então Secretário de Estado Carlos Carvalhas, que Zenha afirma ser inconstitucional. A firmeza com que foi lançada esta inesperada oposição do PS provocaria o abandono de Manuel Serra e mudaria o rumo dos acontecimentos em Portugal. Salvaria o país da ditadura que estava na forja sem qualquer reacção até então das forças democráticas e salvaria Mário Soares de vir a desempenhar o papel de Kerensky que Henry Kissinger lhe preconizara em Outubro de 1974.
Foi o grande herói socialista e aquele que, um dia, feitas todas as análises e escritas todas as memórias, os Socialistas portugueses recordarão como, provavelmente, a sua maior figura do século XX. Mas disso falarei mais à frente quando, com total candura, também explicarei os pontos que me levaram a dele discordar em várias ocasiões. Mas como diria Mário Mesquita, em 1976, “ao fim destes dois anos de excessos vários e alguma anarquia, Salgado Zenha, pela sua visão englobante e nacional, credita-se como um dos nossos raros homens de Estado. O que não é, necessariamente, boa sina, porque o Estado ainda está por fazer e os portugueses nem sempre perdoam aos que fogem à bitola comum.»

Parece que o povo não vota nos supérfluos BE e PP porque na hora da verdade ele é:

“vamos lá votar a sério, que aqui trata-se do alcatrão da minha rua”,

acha RCP.

Assim fala o povo de Gondomar a Oeiras.

A máquina do tempo: «Salgalhadas na Lusolândia» ou como nada há de mais sério do que o humor

Hoje, a nossa máquina viaja até ao território da ficção. «Salgalhadas na Lusolândia»? Mais um título roubado? Não, desta vez, a minha cleptomania que tem vindo a agravar-se nos últimos tempos, não me atacou. Desta vez, não se trata de um furto, mas sim de uma citação, da transcrição pura e simples do título de uma novela do amigo José Luís Félix, um romancista outsider. Edita as suas obras em pequenas tiragens, funcionando à margem do mercado convencional. Isto porque as editoras (por razões compreensíveis) apenas publicam livros de autores muito conhecidos e comerciais – o que gera um círculo vicioso de dinâmica fácil de entender: não se é publicado porque não se é conhecido e não se é conhecido…

Há uns meses, José Luís Félix, lançou uma novela – «Salgalhadas na Lusolândia». Por «salgalhada» entenda-se confusão, mistura de coisas, mixórdia, trapalhada… Tudo coisas impossíveis de acontecer em Portugal, mas que na Lusolândia, um país imaginário (mas fácil de imaginar), se desenrolam a alta velocidade. Vou só dar algumas pistas.

Carlos Manuel, um alto funcionário da polícia secreta, uma espécie de Pepe Carvalho, vê-se envolvido numa trama de espionagem internacional. As personagens vão surgindo em catadupa – o primeiro-ministro Aristóteles, o político que implementou o Acelerex e o Melhorex, a veterana socialite Titi Canecas, o jovem Cristino Reinado, um ídolo do futebol e muitas outras. Carlos Manuel anda enquerençado até mais não poder pela Professora Maria Adelaide Rodrigues, uma assessora de informática da polícia. Uma assessora boazona, entenda-se. E essa fixação não vai facilitar nada um límpido discernimento por parte do alto funcionário, porque a Maria Adelaide (Milai para os amigos) faz mais parte do problema do que da solução.

Tudo começa quando a polícia secreta seguia um vendedor de tapetes, com turbante e tudo, e com uma grande pinta de terrorista. Será que o homem apenas vende tapetes, como afirma, ou anda a engendrar alguma tramóia contra a civilização ocidental? As coisas complicam-se com o envolvimento da CIATICA nas investigações, dado que se descobriu que os fundamentalistas da Alta Queda também estão envolvidos.

Através da CNN, o presidente da grande super-potência, o Cheap Valium faz uma comunicação ao mundo, sentado solenemente na Sala Esdrúxula, em plena Casa Preta. Na Lusolândia, o Berloque Sinistro entra também na dança denunciando estranhas cumplicidades… Há muita acção, perseguições vertiginosas através do Eixo Sudoeste – Far West, escutas comprometedoras e gravações das câmaras de videovigilância… Enfim, tudo coisas que só podem ocorrer em países imaginários como a Lusolândia.

José Luís Félix cria um retábulo delirante que merece a pena ser lido. Por isso, não revelo o enredo da história, limito-me a referir alguns aspectos da narrativa, sem vos dar pistas quanto ao seu percurso e desfecho. Se conseguirem encontrar o livro, não hesitem, comprem-no. E quando acabarem de o ler, depois de se terem rido, dirão. «O que vale é que isto é tudo fantasia». Ou não será?

Se o PS agora tem mais votos…

2083833, do que nas legislativas onde teve 2077695, dá que pelo menos 6138 votantes do PS, neste Domingo,  não gostaram do governo anterior, no outro Domingo.

Claro que podem ser familiares de candidatos, amantes e simples interessados na manutenção do emprego. A proximidade entre o eleitor e o candidato. Simpatias, sinergias, a admiração pelo serviços prestados pelo autarca.

Mas também pode ser outro afastamento – e contando a diferença no número total de eleitores que votou, pode mesmo ser.

O interesse das fontes no jornalismo

Se os jornalistas não fizerem o seu trabalho de investigação, cruzando fontes e confirmar o “material” que lhes foi oferecido, estão sempre a fazer um trabalho encomendado. As fontes não estão interessadas em repor a verdade ou em denunciar situações de abuso. A ser assim não precisavam de serem protegidas. Davam a cara.

Há centrais de informação ligadas a interesses instalados muito poderosos, que fazem publicar “notícias” que lhes servem para manter esse poder, afastando adversários . Nessa perpesctiva, certo jornalismo de que o “Independente” foi líder, objectivamente, ajuda a que as corporações se mantenham e se perpetuem no poder. Ao contrário do que querem fazer crer, que se tratam de uma espécie de lutadores pela liberdade, são exactamente o contrário, dando voz ao que há de pior na vida pública .

Publicar notícias sem qualquer contacto pessoal ou telefónico tive várias experiências . Numa delas a jornalista, quando confrontada com documentos que provavam o contrário do que tinha publicado, diz-me “nós não sabemos quando é verdade ou mentira”. Mas nem um contacto prévio fez.

Noutro caso, os jornalistas, se assim lhes podemos chamar, ficaram muito surpreendidos quando perceberam que o projecto de que me acusavam nem sequer estava sob a minha accção, nada tinha a ver com o assunto, e nem havia pessoas comigo ligadas envolvidas, em tal concurso.

Mas ninguem tem dinheiro para manter acções em tribunal contra estes senhores, a não ser quem lhes paga, esses sim ricos e poderosos.

Lembrei-me agora disto ao ver e ouvir aquele “Prós e Contras” em que foram os jornalistas que se queimaram. Foi bom ver e ouvir como se fabricam notícias .

Claro, que a médio prazo quem pratica este tipo de jornalismo miserável, tem o lindo enterro que o “Independente” teve.

E a Justiça que não temos em Portugal tambem ajuda !

Melhoramentos

O Isac Caetano já aqui chamou a atenção por mais de uma vez para a generalizada manipulação de imagens no Photoshop sem que a maioria de quem as consome (nós todos) saiba que houve manipulação. Volta e meia, quem manipula, ou por desequilíbrio próprio ou porque a isso é obrigado(a) por quem lhe paga, exagera na manipulação e dá bronca. Desta vez aconteceu isso mesmo com a imagem de uma modelo de Ralph Lauren, a quem aconteceu esta bizarria: Ralph Lauren Cintura de vespa, braços e pernas escanzelados e uma cabeça maior do que a pélvis. Agora vejam a mesma rapariga, tal como ela é realmente:

O porta-voz da marca pediu desculpas e assumiu que a marca é responsável pela manipulação. Claro que a marca não se comprometeu a não efectuar manipulações futuramente, nem seria realista esperá-lo, quando todas as imagens publicitárias que nos chegam foram “melhoradas”. Creio que está na hora de deixarmos de usar seres humanos para promover as grandes marcas. Os seres humanos, como se sabe, são inevitavelmente imperfeitos e nunca dispensarão uma correcção mais ou menos profunda. As mulheres nunca são suficientemente magras, os homens raramente têm músculos bem definidos, ambos tendem a acumular gorduras inestéticas. Está na hora de abrir caminho aos homens e mulheres do futuro, os virtuais. Perfeitamente delineados, dourados por um sol também ele virtual, simétricos, esbeltíssimos, o sonho de qualquer Ralph Lauren.

Liberdade de escolha nas escolas? Teria a sua piada…

Por causa dos «rankings», que abordei ontem, o Insurgente propõe que os pais possam livremente escolher a escola para os seus filhos, seja pública ou privada.
Isso significa, se quisermos ser coerentes, que as escolas privadas têm de aceitar os alunos que lá quiserem estudar.
Não consigo esconder que acharia uma certa piada aos putos do Bairro do Aleixo a entrarem, todos contentes, pelo Colégio de Nossa Senhora do Rosário adentro. Sim, porque a liberdade, quando nasce, é para todos…

Por falar em democracia a mais

o PND/Madeira, que  levou na cara por denunciar as inaugurações jardinistas, elegeu um vereador no Funchal. Não tinha.

Afrontar compensa. O BE, por exemplo, ainda não tem.

Autárquicas – Maia – Uma estrondosa vitória

Análise mais demorada merece a Maia. Sim, porque esta cidade é minha!

As eleições de 2009 tiveram uma diferença muito importante em relação a 2001 e 2005. Ao contrário destas, o povo não saiu de casa com vontade de castigar o PS. As contas com o Governo já se encontravam saldadas. Isto fez-se notar particularmente na onda “rosa” que varreu o país. Em termos nacionais, é evidente que o PSD sofreu perdas muito importantes de votos, o que se traduziu em reduções de mandatos e de presidências de câmara.

Foi um PSD ferido o que se apresentou nestas eleições, e as urnas confirmaram algo que é evidente: O PSD está doente.

No entanto, em munícipios onde o PSD tem gerido com competência reconhecida, a “setinha” aguentou-se bem. Na Área Metropolitana do Porto são disso exemplos Porto, Gaia e também a Maia.

A Maia é um municipio com uma população sociológicamente de esquerda, onde, nas eleições autárquicas, ganha sistemáticamente a direita. No entanto, é óbvio que em termos autárquicos a diferença esquerda/direita é inexistente, sendo a Maia igualmente um bom exemplo disso.

Parece cada vez mais claro que em municipios em que o povo se identifica com as pessoas, o partido é indiferente. Note-se que até a capital portuguesa do rodeo elege uma presidente do único partido assumidamente anti-rodeos (o BE mantém Salvaterra de Magos, com maioria absoluta). E são esses os municípios mais independentes da popularidade dos seus respectivos partidos.

Posto isto, tenho que reconhecer que na Maia há um fenómeno “Salvaterra”. O PSD é fortemente minoritário em eleições legislativas. No entanto, nas autárquicas, esmaga. Em 27 de Setembro, o PSD tem 29%. Em 12 de Outubro, o PSD fica com 58. As pessoas da Maia gostam dos protagonistas do PSD.

É evidente que também há o reverso da medalha, que facilita. As pessoas da Maia não gostam dos protagonistas do PS. Veja-se que Mário Gouveia, candidato pelo PS à câmara que era presidente da junta de Milheirós, conseguiu, em Milheirós, a “proeza” de ter uma votação para a câmara inferior à alcançada nas autárquicas de 2005 pelo PS liderado por Jorge Catarino, resultado ao qual não será certamente alheio um mandato na junta globalmente fraco e com episódios demonstradores de uma total falta de carácter, como no caso da propaganda que financiou com o orçamento da junta (que fica a anos-luz de poder ser considerada publicidade institucional). Isto quando Jorge Catarino enfrentou umas eleições marcadas por um acentuado voto de castigo ao PS. No entanto, esta incapacidade do PS seduzir o eleitorado está intimamente ligada à absoluta inexistência na sua militância de quadros à altura do desafio de tomar as rédeas do municipio. Por vezes até penso que quando Cavaco Silva se estava a referir à boa moeda expulsa pela má, fenómeno palpável nos aparelhos partidários, se estava a referir ao PS da Maia. Especialmente no que tange ao candidato, a fraqueza do PS foi embaraçosa e, sinceramente, durmo melhor de noite por saber que a câmara não é presidida por Mário Gouveia.

Olhando para a Maia, para o PSD, para os candidatos e para os resultados, torna-se evidente que o PSD de Bragança Fernandes é muito mais do que o mero PSD da direita conservadora que a oposição tenta retratar. Aliás, em bom rigor, não se nota que o PSD Maia tenha alguma ideologia senão o interesse dos maiatos. Existe claramente uma coligação do PSD com os maiatos, e vice-versa. Esta estrutura que abrange o universo dos militantes do PSD Maia bem que se podia apresentar a eleições com a sigla PPV, PCTP-MRPP, PTP, PND, PPM ou até POUS, que teria exactamente o mesmo resultado. O povo da Maia quer estas pessoas à frente dos seus destinos, o que é revelado pela enorme penetração deste PSD na sociedade civil e nas elites maiatas. Chego ao ponto de desconfiar que o PSD Maia tem imensos militantes que não são fieis ao PSD nacional quando é este que entra na disputa e que apenas lá militam porque é a única forma de poderem influenciar a vida pública maiata.

Alegar que estes resultados só são possíveis graças a maquinações propagandísticas, por muito que possa fazer corar o FMS e que este não desdenhe os louros, é uma interpretação fantasiosa do voto expresso pelo eleitorado, digna de quem continua a recusar-se aprender com os seus próprios erros. Se há situação que ficou demonstrada mais uma vez nestas autárquicas é  que o poder da “propaganda” vinda do “poder” é limitado quando confrontado com gestões incompetentes ou protagonistas pouco dignos de confiança. Para além dos exemplos nacionais óbvios, Mário Gouveia e Susana Pinheiro que o digam.

Ora, quando assim é, está tudo dito. Os maiatos votaram, e votaram bem. Ganharam os melhores.

Uma última nota para dizer que Bragança Fernandes melhorou o “score” de Vieira de Carvalho em 2001, o que poderá ajudar este executivo a libertar-se de alguns fantasmas que pudessem subsistir. No reverso da medalha, Mário Gouveia conseguiu piorar em quase 5% o “score” de Jorge Catarino contra Vieira de Carvalho em 2001. Parece pouco,  mas dava para eleger o quarto vereador.

O meu tio Alfredo Prior eleito em Longroiva

O meu tio Alfredo, ainda não eram 20 horas e já me telefonava a dizer-me que tinha ganho. Diz à família que ganhei, continuo presidente da Junta e que não consigo livrar-me disto, mesmo que eu faça ver que com 80 anos isto já não é para mim. E eu, na conversa mole de há 30 anos, mas tio tem que ser, o tio é quem melhor conhece a freguesia, tem tempo para ir às courelas e tratar das suas coisas, afinal quem é que fica no seu lugar ?

A verdade é que o meu tio Alfredo, poeta popular, músico e “entretainer” popular, que toca três instrumentos sem saber uma nota de música que seja, 1.60 m de altura e 60 kilos de peso, é um autarca como já não há mais. É presidente da Junta porque para ele política é dar o exemplo,é gostar das pessoas, ajudar quem precisa, ser a voz dos que não a têm, sujeitar-se a pedir aos poderosos o que é necessário para a sua freguesia e para a sua gente, ele que não precisa, nos anos sessenta foi de assalto para França, com um rancho de filhos atrás.

Não vai ao médico, mesmo quando é preciso não vai, há dez anos começou a ver mal, foi ao médico, julgava que lhe davam uns óculos, em vez dos óculos deram-lhe injecções nos olhos, melhorou, mas nunca mais.

Há cinco anos, em dia de chuva, ía ele no seu carro com a mulher para a Meda, foi albarroado por um carro que perdeu a mão e o atingiu em cheio. Três mortes, as duas mulheres do outro carro e a minha tia. Telefonei para o Hospital, o melhor era não pensar mais no meu tio, ía a caminho do Porto muito mal, já operado à boca e ao maxilar para poder respirar, mas muitas contusões internas, enfim é a vida.

No outro dia de manhã, já os familiares o encontraram pior que estragado porque lhe queriam dar de beber por uma palhinha o que, para ele, isso sim era matá-lo. Ele bem sabia o que é que os “francius” diziam de quem assoprava na palhinha, nem morto. Dois dias depois estava melhor, precisava só de lhe comporem a boca e de lhe ajeitarem o externo e uma vértebras, partidas e fora do sítio. Coisa pouca, dizia o meu tio, meio palavras, meio escrita, em verso claro!

E eu para o médico, mas sr dr. o homem tem a idade que tem, aguenta-se?

São assim os vencedores!

IGREJA-ELEIÇÕES

IGREJA DA  POLÍTICA E POLÍTICA DA IGREJA

 Há pessoas crentes, inteligentes e cultas. Simplesmente, em meu entender, não foi a cultura, mas outra razão qualquer, que gerou e enraizou a crença. A verdadeira cultura é, habitualmente, um obstáculo e remete muito mais para o antagonismo do que para o agonismo da fé. A Igreja tem homens inteligentes, não podemos negá-lo, embora minados de contradições que, na minha opinião, resultam de uma estrutura anquilosada e de uma hierarquia fundamentalista que impõe, pela inércia das ideias paralíticas e pela força do poder temporal a que sempre esteve ligada, uma mensagem que nada tem a ver com a do verdadeiro Cristo nem com a libertação do Homem.

 Antes pelo contrário, explora e expande todos aqueles conceitos arcaicos que sempre contribuíram fortemente para a exploração e a repressão, liderando sofismaticamente a luta pelos fracos, no terreno fértil de uma humanidade sofredora, aterrorizada e inculta, vítima maior desse mesmo poder que sustenta e sempre sustentou a Igreja.

 Entre a mentalidade e a “verdade” de monsenhores que acreditam tanto no que dizem, como eu, entre as habilidades retóricas, os rendilhados e emaranhados raciocínios de homens inteligentes, entre as palavras de homens bons, palavras, no entanto, não alheias a uma incapacidade de definição e de posicionamento quanto à etiopatogenia dos males da humanidade, entre tudo isto, repito, e a reflexão, a coragem, a lucidez, a clareza e a serenidade vai um abismo.

 A Igreja católica, essa portentosa catedral multinacional, historicamente enrodilhada num mar de escândalos e de obscuras e complexas ligações, adquiriu tal poder que já nem se importa que o produto que fabrica seja o antídoto de tudo aquilo que pretende proclamar.

PSD: A Demissão Aguardada

A Dr.ª. Manuela Ferreira Leite conseguiu um milagre.

Perante um Partido Socialista desgastado por casos como o Freeport, a Guarda ou a Independente, a braços com uma crise económica sem precedentes e ferido pela batalha presidencial, sem esquecer os Professores e a Função Pública em guerra com o governo, seria de esperar, no mínimo, uma vitória tangencial nas legislativas e uma vitória clara nas autárquicas. Nos últimos anos, nenhum líder do PSD teve um clima eleitoral tão favorável.

Porém, o PSD perdeu as legislativas e não ganhou as autárquicas. Ora, só resta uma saída à actual liderança do PSD: a demissão e consequente marcação de eleições internas. Tudo o resto, todos os outros cenários propostos, são tretas para mero entretenimento interno e gozo externo

PSD: A Demissão Aguardada

A Dr.ª. Manuela Ferreira Leite conseguiu um milagre.

Perante um Partido Socialista desgastado por casos como o Freeport, a Guarda ou a Independente, a braços com uma crise económica sem precedentes e ferido pela batalha presidencial, sem esquecer os Professores e a Função Pública em guerra com o governo, seria de esperar, no mínimo, uma vitória tangencial nas legislativas e uma vitória clara nas autárquicas. Nos últimos anos, nenhum líder do PSD teve um clima eleitoral tão favorável.

Porém, o PSD perdeu as legislativas e não ganhou as autárquicas. Ora, só resta uma saída à actual liderança do PSD: a demissão e consequente marcação de eleições internas. Tudo o resto, todos os outros cenários propostos, são tretas para mero entretenimento interno e gozo externo

Autarquicas 2009 – Os "meus" concelhos (Porto, Trofa e Setúbal)

Começando no Porto, concelho onde de tudo me fazem para me retirar tempo para “bloggar”, pouco terei a acrescentar aos rios de tinta que já se dirigem para montante.

É evidente que Rui Rio é um dos melhores presidentes de câmara do país atualmente. Tomou muitas decisões controversas, e por isso ganha. A curva descendente do Porto não é obra de Rui Rio. É bem anterior. No entanto, em face disto, Rui Rio tomou várias decisões polémicas. Concordo com algumas, discordo de outras.

E pergunto: qual é o autarca que, no seu perfeito juízo, tem coragem para tomar decisões controversas? Não dúvido que, estivesse Rio quieto em muitos dos domínios em que tocou, e a sua maioria seria ainda mais confortável.

Prezo ainda a tónica de seriedade que Rui Rio introduziu na política autárquica. A gestão da CMP é transparente como nunca e os interesses que à volta dela aviltam degladiam-se, agora, segundo a lei da concorrência, ao invés da do compadrio. Isto marca uma diferença significativa em relação aos seus antecessores recentes. Rui Rio conquistou-me logo no inicio, no momento em que decide enfrentar os obscuros interesses ligados ao Futebol Clube do Porto e ao sector imobiliário. Percebi logo que se tratava de um homem de coragem e com elevada ética. Sem dúvida um sério candidato a primeiro-ministro. Graças a Rui Rio, o Porto tem um pouco mais de Porto, e um pouco menos de Palermo. Como lamento o facto de ele não ser de esquerda…

Quanto a Elisa Ferreira, nem considerei como muito relevante o facto de ser eurodeputada. Até penso que devia ser um ponto positivo, porque conquistando o Porto, sofreria um enorme revés salarial, o que considerei salutar. No entanto, fez uma campanha péssima. Pessoalmente, deixei de a ouvir depois do lamentável debate televisivo. Por mero acaso, os meus olhos cruzaram-se, posteriormente, com a solução que ela propunha para o Bairro do Aleixo: a solução judicial. Nem comento tamanha demagogia/populismo. Estando o prémio de cromo do ano atribuído, atríbuo-lhe a medalha de lata. Para condizer com o bairro (alusão às fracas instalações, porque a população genéricamente considerada merece-me todo o respeito).

A grande surpresa da noite veio da Trofa, cidade que herdei da minha mãe. Desta não estava mesmo à espera. Quando, no desenrolar da noite eleitoral, me contaram, mandei o meu interlocutor “pastar”, por se estar a aproveitar de uma situação de acesso privilegiado às fontes para gozar com a minha ignorância. No entanto, horas depois, o STAPE confirmava a hecatombe do PSD.

Conhecendo um pouco a autarquia, abri os jornais para perceber se já havia acontecido algum fenómeno parecido com os suicidios em massa da France Telecom, mas se aconteceu, os jornais ainda não se aperceberam.

Foi, efectivamente, uma enorme surpresa para mim. No entanto, indaguei melhor sobre os motivos de tal hecatombe e parece que Joana Lima, que até aqui apenas governava o munícipio “de facto” que é a concelhia da Trofa do PS, conseguiu aproveitar o facto de ser deputada para ter uma  disponibilidade inexcedivel durante os ultimos 4 anos. Todos os sectores da sociedade trofense cruzaram-se com Joana Lima nos últimos 4 anos. Mesmo em termos de trabalho de vereação, começou a instalar-se um “a Joana resolve” na Trofa. Cavalgando a onda socialista que varreu o país nestas eleições autárquicas, a deputada destrona, com um trabalho aparentemente cheio de mérito, o PSD. Vejamos se consegue ser tão boa presidente de câmara como candidata.

Quanto à maravilhosa Setúbal, herdada do meu pai, também temos novidades. Em 2001, o PS, na pessoa de Máta Cáceres, foi despedido pelos Setubalenses com justa causa. Uma gestão autárquica atroz que, inclusivamente, tornou necessária a intervenção do Governo para garantir a solvabilidade da autarquia, atirou o PS para mínimos históricos. Em 2005, um pouco recomposto, o PS atinge os 21%, ainda atrás do PSD (o que, para quem conhece Setúbal, é um estrondoso insulto ao PS). 2009 traz-nos, agora, duas novidades: o PS inverte posições com o PSD e, com 29%, torna-se a segunda força mais votada. A CDU, que cai de 40% para 38%, alcança uma maioria absoluta que lhe havia fugido em 2005. Provavelmente, a mais pequena maioria absoluta do país. Tudo graças a um trambolhão do PSD, de 25% para 14%, que o recoloca em níveis mais consentâneos com aquela que, históricamente, é a sua votação típica.

Resta a Maia, a cidade que um filho meu herdaria de mim. Também aqui há alguns elementos surpreendentes. Fica para um outro post.

Marco e Felgueiras: Não aos caciques

O povo de Marco de Canaveses e Felgueiras disse claramente que não queria mais caciques. No caso do Marco, não foi uma surpresa. Manuel Moreira, que fez um bom primeiro mandato, garantiu a maioria absoluta e teve vida para um Avelino Ferreira Torres que não chegou aos 30%. Há 4 anos, foi para Amarante, agora regressou ao Marco e o povo cansou-se. Ferreira Torres é passado.
A surpresa mesmo veio de Felgueiras. O PSD subiu de 29 para 48% e garantiu a maioria absoluta. A troca de votos com Fátima Felgueiras parece ter sido directa, porque a candidata desceu de 47 para 25%. O espanto no concelho parece que foi geral – afinal, em 2005, Fátima vinha de uma fuga ao Brasil, graças a uma chamada amiga de Lopes da Mota, e ganhou folgadamente. 4 anos depois, é o adeus definitivo.
Mais um concelho que quis dizer não ao caciquismo. E o distrito do Porto duplamente de Parabéns.

Pum! Pum! Pum!

Nem tenho palavras: dasss! Ao fim de 6 meses e depois de duas semanas de doidos com o Aventar a vir abaixo por excesso de visitantes, eis a grande surpresa:

São 22h. O Blasfémias (eterno líder da blogosfera lusa) conta 6.274 visitas, o 31 da Armada conta 6.193, o Abrupto leva 4.156 e o Aventar já conta 7.929!!!

Ou seja, somos o blogue de política mais lido em Portugal. Já era uma ameaça, agora é uma certeza.

Aos leitores, o nosso OBRIGADO!

Matosinhos: A mãozinha venceu o coração

Tenho uma forte ligação a Matosinhos e esta eleição era para mim muito especial.
Estou em crer que todos aqueles que votaram em Narciso Miranda votaram com o coração. Narciso fez de Matosinhos aquilo que é hoje – tornou-o a primeira cidade de habitação cooperativa do país e um concelho muito atractivo para as empresas e para a população. Um concelho moderno, desenvolvido e onde é bom viver.
No entanto, cometeu um erro: não quis afrontar o PS há 4 anos e deixou o caminho aberto para Guilherme Pinto, que fora seu vereador durante muitos anos. Resutado: Guilherme Pinto impôs-se, mostrou competência, fez esquecer Narciso e, quando este regressou, foi encarado como o produto de um passado a que não se quer voltar, por melhor que esse passado tenha sido. Se tivesse concorrido na altura, teria ganho numa evolução natural de duas décadas.
Quanto ao PSD, que em 2005 chegara aos 30%, desta vez apresentou José Guilherme Aguiar e ficou-se pelos 17. Os matosinhenses não gostam muito de pára-quedistas.

Contos Proibidos: Memórias de um PS desconhecido. Frank Carlucci e o Partido Comunista

continuação daqui

«Ignorando por completo as gravíssimas declarações do então chefe do COPCON, Otelo Saraiva de Carvalho, Carlucci rapidamente perceberia a lógica da «Revolução». O velho amigo dos americanos, Costa Gomes, então Presidente da República, tinha caido na mão dos comunistas, Vasco Gonçalves era mais radical do que o próprio Álvaro Cunhal, os militares estavam ansiosos por protagonsimo e, na sua ignorância política e vaidade revolucionária, pendiam mais para o PCP, Partido que, com o apoio soviético, mais condições tinham para os aliciar. O Embaixador era um liberal de centro-direita e nada tinha, ainda hoje, de socialista. Mas compreendeu, para desespero injustificado de Sá Carneiro, que nem o então PPD, nem a Direita democrática (pág. 64)