Uma história de TERROR!

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Carlos Paz

BES / NovoBanco – Algo está PROFUNDAMENTE ERRADO!
Não pode ser SÓ incompetência. Não é possível!

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Para percebermos um pouco do que se está a passar (é impossível perceber tudo – é tão mau que não existe NENHUMA explicação plausível, aceitável, credível, etc…) vale a pena revisitarmos um pouco a história de tudo o que se passou:

A – Período BES/GES

1) Sob a direção de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi, José Manuel Espírito Santo, Ricardo Abecassis, Fernando Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, António Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral e Amílcar Morais Pires, entre outros, o Grupo Espírito Santo (GES) fez uma gestão de tal forma desastrada de todos os seus investimentos que entrou em processo de colapso financeiro;
2) O referido colapso financeiro foi sendo escondido ao longo dos anos através de uma série de operações que drenaram os fundos do BES para o GES;
3) Este processo correu SEMPRE sem que a supervisão do Banco de Portugal (BdP), dirigida primeiro por Vitor Constâncio e depois por Carlos Costa, se apercebesse do que quer que seja daquilo que se estava a passar (desvios massivos de dinheiro do BES e dos seus Clientes para esconder os PÉSSIMOS resultados de Gestão do GES);
4) Depois de totalmente destruído o GES, o BES estava perto da falência, numa altura em que todos no mercado falavam disso (auditores, jornalistas, comentadores, etc…), MENOS o regulador/supervisor (Carlos Costa e o seu BdP);
5) Em último estertor os supracitados gestores do GES/BES, com a anuência de Carlos Costa e do BdP, promoveram um processo de aumento de capital do BES – recordemos que Banco estava tecnicamente falido, mas estava a ser protegido pela INCOMPETÊNCIA (para bem da nossa sanidade mental coletiva enquanto Nação, vamos acreditar que nessa época os atos e as decisões decorreram SÓ de pura incompetência) de regulação e supervisão do BdP;
6) Este processo de aumento de capital de um Banco que estava FALIDO teve o alto patrocínio do Banco de Portugal (de Carlos Costa), da CMVM (de Carlos Tavares), do poder político (Cavaco Silva e Maria Luis Albuquerque) e de diversos jornalistas e comentadores (como Marcelo Rebelo de Sousa, amigo e visita de casa da “família”);
7) Nesta altura Carlos Costa (e o BdP) já se tinha apercebido de indícios de Gestão Danosa no BES (em favor do GES e de amigos) mas não tinha coragem para afastar Ricardo Salgado e a sua clique da Administração do Banco – nessa altura Carlos Costa pede (e paga com o NOSSO dinheiro) diversos pareceres jurídicos para provarem que NÃO podia afastar Ricardo Salgado, tendo no entanto a maioria dos jurisconsultos consultados optado por referir que Carlos Costa, se quisesse, podia MESMO afastar Ricardo Salgado;
8) A Administração do BES apercebeu-se que já NADA seria possível fazer para salvar o Banco (BES) tendo havido alguém (ainda se espera um esclarecimento das autoridades judiciais) que promoveu uma imensa purga de fundos, numa única semana, que arruinou definitivamente o Banco;
9) Apercebendo-se tarde, demasiado tarde, do ENORME problema que tinha entre mãos, Carlos Costa afasta finalmente Ricardo Salgado que nomeia para seu substituto o seu próprio braço direito (Amilcar Morais Pires, Administrador Financeiro do BES) que estava envolvido em TODO o processo e, aparentemente (continuamos a aguardar esclarecimentos das autoridades judiciais), em TODAS as decisões;
10) O Banco entra numa espiral negativa e no final da semana fatídica da purga de fundos (nunca esclarecida pelas autoridades judiciais), Carlos Costa é finalmente obrigado a agir (o BdP já não podia continuar a fingir que não percebia o que se estava a passar);
11) Carlos Costa que tinha feito parte da equipa de Durão Barroso em Bruxelas, recorre às autoridades Europeias e promove a montagem, com o patrocínio (ou o comando, nunca o saberemos) da Comissão Europeia e do BCE, de uma operação de “resolução bancária” para o BES;
12) Convém aqui recordar que, apesar de ser este o modelo definido pela TROIKA para os problemas dos Bancos Europeus, este tipo de solução foi ensaiada no BES e NUNCA mais voltou a ser usada em lado nenhum da Europa (mesmo no BANIF em que o “nome” foi o mesmo, a operação foi muito distinta). [Read more…]

Vamos todos morar para o sótão!

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Pedro Guimarães

Em 2017, VAMOS TODOS MORAR PARA O SÓTÃO!
(e alugar as nossas casas a turistas).

Não, a sério.
Em 2017 desejo que a chamada “economia de partilha” vá para o raio que a parta. Que se proíba pura e simplesmente o Alojamento Local em espaços licenciados para habitação (aka fuck the neighbours licenciamento zero). E já agora, que apareça aí algum político com cojones que diga aos fundos imobiliários que quem manda aqui somos nós.
Quanto à UBER que se proíba também, mas só depois de correrem com todos os taxistas corruptos – ANTRAL incluída. Até lá, fazem falta. Mas não por muito tempo; esperemos, pois não faz sentido um sistema que funciona para os utilizadores mas continua a ser precário para condutores – e 25% evasivo face ao fisco.

E quando estiver tudo limpinho no sector dos transportes e da habitação, que se promova uma reflexão em torno do que é isto de viver numa sociedade de embalagens plásticas. E chegado esse momento, que decidamos então em dar o primeiro passo e ser o primeiro país do mundo a proibir toda e qualquer embalagem não biodegradável em circulação comercial.

E que todos os que exercem a violência e a intolerância, todos os que poluem os nossos rios e florestas, todos os que ignoram os ensinamentos da ecologia, todos os que levam o cão a fazer cócó e não apanharam o presente mais do que 3 vezes na vida, quero que todos, mas mesmo todos, sem excepção, sejam obrigados a passar um ano a fazer voluntariado no IPO.

Era só isso.

p.s.- a foto é tirada nas ruinosas e extremamente caras ruínas de uma tal Escola Afonso Domingues, assunto para outras conversas.

Fartos de sermos tratados como estúpidos

Ricardo J. Rodrigues

Foi hoje escolhida a palavra do ano. Durante semanas, as redações receberam comunicados de uma votação online promovida por um grupo editorial e, esta manhã, os resultados foram anunciados numa conferência de imprensa. Vários meios deslocaram jornalistas, fotógrafos e repórteres de imagem para o evento. À hora de almoço, as televisões reuniram comentadores em estúdio para debater o assunto. Aquela podia ser uma notícia, sim, mas no máximo uma breve. Para a maioria dos cidadãos, a escolha de ‘geringonça’ para palavra do ano tem pouco interesse. Se calhar não tem mesmo interesse nenhum. Mas este é um exemplo que mostra tudo o que se passa de mal com o jornalismo de hoje.

‘Geringonça’, recorde-se, foi a expressão utilizada pelo cronista Vasco Pulido Valente para definir o acordo parlamentar da esquerda. É uma palavra com uma conotação negativa e, se um cronista podia utilizá-la, os jornalistas nunca poderiam fazê-lo. O trabalho dos jornalistas é fornecer aos cidadãos a informação rigorosa de que estes precisam – para poderem formar, esclarecidamente, a sua própria opinião. No entanto, os informadores passaram a utilizá-la despudoradamente, condicionando assim os leitores. E não podemos deixar de pensar nisto quando vemos que as pessoas que deixaram de confiar na imprensa, que não encontram hoje utilidade no que leem, que pensam que os jornalistas deixaram de ser os representantes dos cidadãos e passaram a ser representantes do sistema. Com esta ‘geringonça’, lhes damos razão. [Read more…]

A Lisboa das pessoas

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Pedro Guimarães

Sejamos realistas: para o peão lisboeta que vive fora do chiado, especialmente o mais incapacitado, a estrada é a opção que menos riscos apresenta à locomoção: Se por um lado há o risco de acabar debaixo de um carro, por outro, a perspectiva de caminhar numa superfície livre de obstáculos, lixo, embalagens de toda a espécie, entulho e dejectos caninos, parece infinitamente mais atractiva.

Quando rescindir com a MEO é o Cabo das Tormentas

Li pela net inúmeros relatos, com vários anos, relativos ao comportamento da MEO quando um cliente tenta rescindir o contrato. Apesar desta área estar cada vez mais sujeita à concorrência, a MEO mantém as mesmas atitudes de falta de respeito para com os seus clientes, ignorando que o cliente que está a perder neste momento pode regressar um dia se for tratado com lisura.
Ontem, a MEO começou por recusar-se a receber o equipamento numa das suas lojas – telefone fixo, MEO BOX, router, etc. – com a alegação de que o contrato ainda não fora rescindido.
Pedi então para rescindir, mas não podia ser – tinha de ligar o 16200. Seguiu-se então uma chamada superior a 40 minutos em que tive de falar com várias pessoas. Mesmo depois de dizer que já não estava a usufruir de qualquer serviço da MEO, que tinha ali os equipamentos para entregar, que já tinha instalados os serviços de uma outra operadora, a MEO continuou a fazer-me novas propostas contratuais, novos descontos, novos pacotes.
Quando finalmente consegui convencer a MEO de que ia mesmo rescindir e nada queria negociar, foi-me dito que a rescisão só teria efeito daqui a 15 dias, algo que a lei não prevê. A lei prevê um máximo de 15 dias, mas a MEO assume logo à partida que serão esses 15 dias e não menos. Para poder facturá-los, claro. Mesmo sabendo que já não tenho o serviço, que se recusou a receber os equipamentos, que há outras operadoras que rescindem no momento exacto em que tal é pedido.
Estes senhores não percebem que, se eu quiser voltar à MEO daqui a 2 anos, não o farei porque me lembrarei da forma lamentável como me trataram? Estes senhores são burros?

E a personalidade do ano de 2016 é…

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Do ódio a Mário Soares

José Luiz Sarmento Ferreira

Escreve Fernanda Câncio que se a alguém se deve a democracia portuguesa, é a Mário Soares. É uma opinião, naturalmente; e é, como todas as opiniões, uma opinião de que é possível discordar. Mas quem discordar desta opinião coloca-se na difícil situação de alvitrar um nome, ou vários, que constituam uma alternativa mais plausível. Poderão argumentar, e com razão, que o que temos em Portugal não é uma democracia perfeita. Mas que democracia o é? E, se é difícil encontrar um outro nome ao qual se possa atribuir igual responsabilidade pelo actual regime, não é difícil encontrar dúzias de nomes igualmente plausíveis que podem ser responsabilizados pelas suas imperfeições.

E contudo o ódio a Mário Soares está aí, ubíquo e tonitroante, e todos nos damos conta dele. Não sei se são muitos os que odeiam Mário Soares; sei que o odeiam com tal intensidade que parecem muitos, talvez mesmo a maioria dos portugueses.

Não será este o caso, certamente; a gratidão tem por hábito ser mais discreta que o ódio; mas talvez haja interesse em saber quem o odeia, e porquê.

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Soares é fixe? A História fará o seu julgamento.

Rui Naldinho

soaresSoares foi um personagem controverso, por vezes até polémico. Isso é indesmentível. Mas, ao mesmo tempo, alguém incontornável na história da nossa democracia. Menorizar o seu contributo para a liberdade que hoje desfrutamos como povo, é no mínimo, não ter memória. E um povo sem memória não tem História.
É verdade que Soares foi o grito de liberdade que por vezes se confundiu com a vaidade. O tribuno republicano e maçon, que por vezes se comportou como um monarca. Um bonacheirão que por vezes tinha tiques de arrogância. Mas isso não pode diminuí-lo como o personagem mais importante na construção da nossa democracia.

O carácter de Soares era por vezes errático e as opiniões dividem-se a seu respeito. Há quem veja nele alguém que não olhou a meios para atingir os seus fins, mas também há quem veja nele o pai do regime político no qual ainda hoje vivemos.

Contrariamente aos seus mais fervorosos detractores, eu considero que o seu maior pecado foi o ter “mandado engavetar o socialismo”. Aí, de facto, ele borrou a pintura, e mostrou que tinha uma agenda diferente da que alardeava.

Mas, Mário Soares faz jus a frase de Ortega e Gasset, quando o filósofo espanhol afirmava: “O Homem é ele e a sua circunstância.”

Comecemos pelo princípio da nossa democracia e algumas das situações mais polémicas do percurso do velho antifascista

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Os lesados do BES e os lesados do ME

Santana Castilho*

Sem direito a perguntas, logo sem a maçada de dizer quem paga, quem assume as garantias e se o milagre agrava ou não as contas públicas, António Costa anunciou, em conferência de imprensa, a solução do decantado problema dos lesados do BES. Perito que é em dar boas novas e virar páginas, quando o vi numa escolinha, pronto para a mensagem de Natal, admiti, por momentos, que ia anunciar a solução para os lesados do ME. Qual quê!
Em 30 de Novembro último, o Ministério da Educação tornou pública a intenção de abrir um concurso para integrar nos quadros os docentes com um mínimo de vinte anos de serviço e cinco ou mais contratos a termo resolutivo, celebrados nos últimos seis anos. São estes e muitos outros, precários de uma vida, os lesados do ME, um ministério que vive há anos fora da lei, explorando miseravelmente quem o serve e concebendo maliciosamente soluções que iludem, sem resolver. É disto que trata a proposta, glosada com as coreografias governamentais e sindicais habituais e o pesadelo de sempre.
São duros os meus qualificativos? Que é, senão déspota, quem exige aos outros um contrato estável ao cabo de três anos de serviço, mas permite vinte para si e, ainda assim, os armadilha com requisitos desprezíveis? Que é, senão desprezível, a subtileza de persistir em considerar que os contratos anuais e sucessivos tenham que ser no mesmo grupo de recrutamento? Que é, senão iníquo, ardiloso e inconstitucional, deixar para trás docentes com maior antiguidade, só porque já foram vítimas de injustiças anteriores? Que é, senão inaceitável, a utilização abusiva de milhares de contratos de serviço de duração temporária, ano após ano, que violam o Direito da União Europeia (Diretiva 1999/70/CE), como, aliás, foi reconhecido pelo respectivo Tribunal de Justiça?
Desde há muito que os concursos de professores geram injustiças e criam castas, por via de sucessivas mudanças de regras, donde a ponderação da iniquidade desapareceu. Tudo indica que assim será, uma vez mais, com alguma coisa a mudar para que tudo continue na mesma, tónica aliás dominante da actual aposta na Educação. [Read more…]

Natal

Rui Naldinho

Alegrai-vos, apesar de tudo! Porque é Natal…

Os crentes festejam este dia, que no calendário litúrgico é atribuído o nascimento do menino Jesus. Nem o pagão descrente resiste a este cenário mítico do Natal, emprestando nessa noite igual a tantas outras, a sua emotividade aos familiares e amigos.

mesa de natal

Chego a casa horas antes da ceia do Natal, entro porta a dentro e reparo numa sala cheia de um consumismo inadequado aos tempos que correm. As crianças vão brincando diante da árvore iluminada de cores pisca-pisca, sobre um chão decorado com embrulhos enlaçados.  Algures, numa parede ao fundo arde um lume brando sem cessar, diante dos meus olhos transeuntes lacrimejados de chamas. Ao centro, há uma mesa com deliciosas iguarias confeccionadas pelos nossos ancestrais costumes. Intuo eu que serão degustadas à vez, numa sequência de ritos até que o cansaço nos esmoreça.

Porque é Natal… [Read more…]

Feliz Natal


Quando penso em canções de Natal, não consigo abandonar estas duas. Uma delas, a dos Killers, um grupo muito ligado à história do Aventar; e a outra de alguém que admiro muitíssimo, Shane MacGowan,o vocalista dos Pogues.
Trago sempre estas canções neste dia, é possível que me esteja a tornar repetitivo. Já pareço o nosso João Mendes com o seu Passos Coelho (estou a brincar, meu querido, o teu trabalho é valioso e alguém tem de o fazer, eu só não o faço porque nunca gostei lá muito de bater em mortos).
A verdade é que gosto muito do Natal. Mesmo sendo um ateu empedernido e detestando esta sociedade de consumo globalizada em que o mundo se tornou. Enfim, o ser humano é feito de contradições. Quando se tem crianças em casa, vemos a realidade de forma diferente ou, pelo menos, tentamos.
Neste dia em que, ao fim de 45 anos, estou pela primeira vez sem o meu pai, desejo um Feliz Natal a todos.

«Apesar das garantias de António Costa, a factura dos lesados do BES chegará aos contribuintes»

Triunfante, o primeiro-ministro António Costa anunciou que tinha chegado a um acordo com os lesados do BES. Dizendo uma frase que tem sido muito repetida nos últimos anos: não haverá custos para os contribuintes.
Como é óbvio, haverá. E não interessa se se chama Passos Coelho ou António Costa, PS ou PSD, BCP, BES ou Banif. No fim, são sempre os contribuintes que pagam os dislates dos Bancos.
Neste caso, então, as coisas já são feitas de tal forma às claras que o Governo nem tenta esconder.
Repare-se: os lesados recebem de imediato 75% do valor que investiram no BES. E a partir daí será um tal de Fundo de Indemnizações que irá tentará recuperar em Tribunal esse dinheiro. Em Tribunal. Correndo o risco de as decisões serem desfavoráveis, de se prolongarem no tempo durante anos e de simplesmente não haver dinheiro que permita recuperar o dinheiro pago aos lesados. O Estado, claro, é o fiador e chegar-se-á frente se as coisas correrem mal. São só 268 milhões, coisa pouca.
Para defender a solução magicada pelo seu amigo, o extraordinário Diogo Lacerda Machado, o primeiro-ministro socorreu-se no Parlamento de um estudo da Universidade Católica. Curiosamente, o que esse estudo diz é precisamente o contrário: que são poucas as hipóteses de esta solução não contar para as contas do Estado e que o melhor é contar com esse dinheiro para o défice. «Apesar das garantias de António Costa, directa ou indirectamente a factura dos lesados do BES chegará aos contribuintes».
Que é como quem diz, mudam as moscas que nos governam, mas a merda, essa, continua a ser a mesma.

O PS começou a provocar a Esquerda

A histriónica Heloísa Apolónia foi muito clara: o PS violou o acordo com a Esquerda ao baixar a TSU para as empresas, uma diminuição que afinal vai chegar aos 1,25%.
Mesmo sabendo que não passa de retórica, porque a anódina deputada ecológica fará o que o PCP mandar, a verdade é que os sinais não são propriamente positivos quando é assumido, sem rodeios, que havia um acordo para a Legislatura e que o Governo não está a cumpri-lo deliberadamente.
O deliberadamente sou eu que o digo e vem no seguimento de uma teoria que não abandono. António Costa vai começar a provocar a Esquerda e, a partir daqui, vai esticar a corda até ao limite. Ao ponto de provocar eleições antecipadas quando estiver convicto de que vence com Maioria Absoluta e de que não precisa para nada dos seus actuais parceiros.
Se estiver enganado, cá estarei para assumi-lo, mas não me parece. António Costa não é de confiança, tem a traição no sangue e, devido à forma como joga, é extremamente perigoso. Repare-se na forma como ele começa a provocar a Esquerda através do Salário Mínimo ao mesmo tempo que, reduzindo a TSU, encosta também a Direita.
A Esquerda que não caia na ratoeira, porque é o que ele quer.

Mais um poema para os betinhos do CDS

A imagem que ilustrava este post e que caricaturava o sr. Dr. Albino Almeida com um preservativo no nariz (inspirado na caricatura que António fez do Papa João Paulo II em 1992) foi retirado por exigência do próprio  sob ameaça de recorrer a Tribunal

Ele é preservativos nas escolas. Ele é contracepção e aborto no 5.º ano. Ele é aulas de Educação Sexual. O pobre ex-Pai da Nação (obrigado, Jorge) deve estar a dar voltas no túmulo perante tais afrontas. Em sentido figurado, claro. Todos desejamos longa vida ao Presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia.
Felizmente para ele, que agora já não tem filhos na escola, há um Partido chamado CDS que defende a sua herança.
O próximo passo, ao que parece, é o de propor a abstinência sexual nas escolas.
Não podemos negar coerência aos coisinhos. Realmente, contra gravidezes indesejadas, há poucos remédios mais eficazes do que a abstinência, até porque sempre fica mais barato do que distribuir preservativos – e todos conhecemos a preocupação deles com a Dívida Pública.
É a abstinência e a masturbação. Têm ambas o mesmo efeito, mas vá-se lá saber por quê, da segunda ainda não se lembraram os 5 amigos do CDS (há mais?).

Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! —
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosamente gente humana que vive como os cães
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!
(Fernando Pessoa)

A menina que ficou sem recreio por não saber a tabuada dos 7

A Leonor, à excepção de uma fraca caligrafia, é uma aluna exemplar do 3.º ano de uma escola básica do concelho de Gondomar. Tem um comportamento excelente, Muito Bom em todas as disciplinas e presença assídua no «Quadro de Honra», «Quadro de Distinção» ou lá como chamam a essa coisa parva de distinguir uns alunos em detrimento de outros em função de números.
Num determinado dia de Dezembro, a Leonor ficou sem recreio. Porque na aula desse dia não soube dizer de cor a tabuada dos 7. E ficou a escrevê-la no caderno durante todo o intervalo de meia hora.
A Leonor está na escola, como todos os meninos da sua idade, das 9 até às 17.30. Frequentemente, ou seja, quase todos os dias, leva TPC que lhe dão para mais uma hora. Quando acaba de fazer os trabalhos que pelos vistos a professora não foi capaz de ensinar durante um dia de mais de 8 horas, está na altura de jantar. E logo a seguir, de dormir.
A Leonor tem 8 anos. É uma criança. Tem direito a brincar. A ser feliz. A fazer um intervalo de 30 minutos numa incrível jornada superior a 8 horas.
Mas uma coisa é certa. Se ainda houver instâncias superiores conscientes no sistema de ensino português, a Leonor não voltará a ser alvo de uma medida destas, que não tem qualquer fundamentação pedagógica.
Infelizmente, o mesmo não se poderá dizer de muitas outras crianças. Essas, porque não têm a sorte da Leonor, continuarão a ser vítimas de quem pensa que dar aulas hoje é como dar aulas há 50 anos.

A mentira dos rankings das escolas

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Fiz há uns anos o meu próprio ranking das escolas. Com critérios geográficos e sócio-económicos, coloquei em primeiro lugar uma escola pública do distrito de Viseu.
Um outro ranking, promovido pela Universidade do Porto, chegava à conclusão de que os melhores alunos da instituição tinham vindo maioritariamente de escolas públicas. Dois exemplos na cidade do Porto separados por menos de um quilómetro: do Colégio do Rosário, transitaram 56 alunos para a Universidade do Porto, mas 3 anos depois, apenas 4 alunos estavam entre os melhores 10% da instituição. Da Escola Secundária Garcia de Orta, mesmo ao lado, entraram na Universidade 114 alunos e, desses, 14 faziam parte dos melhores 10% ao fim de 3 anos.
Mais recentemente, o Ministério da Educação introduziu nos dados indicadores estatísticos, como o perfil sócio-económico, que, mais uma vez, colocavam as escolas públicas nos primeiros lugares.
Comparar escolas públicas e privadas é simplesmente ridículo, porque são realidades completamente diferentes. Da mesma forma que comparar escolas públicas entre si é igualmente ridículo. Porque são também realidades muitas distintas.
É apenas um exemplo. Uma das melhores escolas públicas, a Infanta D. Maria, de Coimbra, está em 35.º lugar no ranking. A escolaridade média dos pais dos seus alunos é de cerca de 15 anos, ou seja, ensino superior. A percentagem de alunos que não precisam de apoios do Estado (Acção Social Escolar) é superior a 90%.
Agora vamos à Escola Secundária de Resende, no distrito de Viseu. [Read more…]

O topete dos pais apressados do PISA

Santana Castilho*

Guterres tomou posse como Secretário-Geral da ONU. Ronaldo arrebatou outra Bola de Ouro. Cada família portuguesa vai gastar neste Natal 359 euros, diz a Deloitte, e Marcelo vai beijar as 207 crianças que nasceram ontem, prognostico eu. Que importa que no mesmo dia tenham morrido 284 portugueses? Que importa que a Der Spiegel diga que Ronaldo subtraiu 150 milhões ao fisco? Que importa que as contas da Deloitte sejam o resultado de uma média que junta os gastos obscenos de poucas famílias aos gastos miseráveis de dois milhões de pobres? Que importa tudo isso e quem sou eu para contrariar a euforia deste nosso modo bipolar de viver? Mas a festa dos pais apressados dos resultados do PISA, essa, tenho que a contraditar.

Quando toca a hora de colher louros, é enternecedor ver ex-ministros, que se digladiaram e reclamaram autores de teses opostas, aceitarem que as suas políticas, juntas, produziram bons resultados. O paradoxo talvez se resolva se trocarmos as premissas da equação. Se em vez do “graças a Lurdes Rodrigues” ou do “graças a Nuno Crato”, dos prosélitos, tentarmos os bem mais certos “apesar de Lurdes Rodrigues” e “apesar de Nuno Crato”.

Ambos escreveram artigos sobre os resultados do TIMMS e do PISA (DN de 7/12). Antes de se porem em bicos de pés, qual casal modelo, pais apressados do sucesso alheio, eles que humilharam, acusaram, denegriram e prejudicaram os professores como ninguém, tiveram o topete de lhes tecer, agora, rasgados elogios. Que pouco decoro! [Read more…]

Deixaste-nos, Laura

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Ana Barros

Relembro, agora, a primeira vez que nos encontrámos. já lá vão longínquos 30 anos.
as duas “velhotas” numa turma de garot@s, uma a aprender, outra a re_aprender, alemão.
tu a aprendê-lo porque, na altura, querias ler Nietzsche no original para as tuas provas na universidade; eras assistente estagiária. eu, porque, à falta do que fazer, queria ocupar algum do meu tempo a relembrar uma língua que sempre me cativou.
foi instantânea a empatia que se criou entre nós. assim foi durante este tempo todo. e eu sempre a admirar a mulher brilhante que eras.
fui às estantes procurar os teus livros. no meio do caos, encontrei o “Variações sobre o entre-dois” e o “Alteridades feridas”, os marcantes dois volumes do teu “Diário de uma mulher católica a caminho da descrença” e o “Ajudas-me a morrer?“. neste último, releio a tua dedicatória: “Para a Ana Paula, a amiga de todas as ocasiões”. tenho consciência que o não fui. poderia ter sido muito mais presente e nunca te pedi desculpa por isso.
sentia já a tua falta durante estes anos em que tanto sofreste; neste momento, sinto que foi a libertação que te chegou na forma que nos (os outros) dói mais.
descansa, agora, em paz e em liberdade total, minha amiga.

Memórias submersas

Rita Matos Gomes
©Grete Stern

©Grete Stern

chegou-me à pouco a lembrança, e tomou-me de assalto.
foi talvez pela hora, final de dia, mas chegou pelo cheiro.
era um momento só meu, e de paz total.
tinha todo um ritual preliminar.
primeiro, era o abrir da janela. os adultos insistiam, era primordial.
a seguir, tirava-se de dentro da gaveta do armarinho a caixa dos fósforos.
previamente tinha de vir um dos primos mais velhos, eles só quem detinha o poder e a altura necessária.
então, riscava-se o fósforo, e numa operação demorada tentava-se convencer o velho esquentador teimoso e senil que tinha que acender. muitos fósforos eram necessários .
eu gostava de ficar com esse papel, na ousadia de ficar raspando o pauzinho na caixa, até que ele explodisse numa alegria de chama.
depois, punha-se a tampa metálica e pesada no fundo da banheira de esmalte, com pés de animal em cima de esfera. [Read more…]

Expresso meu, Expresso meu! Há alguém mais SPIN do que eu?

Rui Naldinho

terminalO inefável Spin do Dr. Passos Coelho na estação televisiva SIC descobriu há dias; vejam lá, só agora se lembrou deste assunto; que o novo Terminal Ferroviário do Barreiro será mais uma daquelas obras sem qualquer interesse para a economia nacional. Apenas servirá os interesses de alguns privados! Eu sempre apreciei a verdade e a coerência das pessoas, mesmo as que não partilham das mesmas ideias cá do rapaz. Mas fico sempre intrigado com certos silêncios e tempos de espera, e logo quando são assuntos de Estado que atravessam várias legislaturas.

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Falemos de refugiados

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Helena Ferro de Gouveia

No mundo quase perfeito de Freiburg, uma pequena cidade estudantil alemã conhecida pelo seu activismo anti-nuclear e pro direitos civis, uma jovem estudante de medicina de 19 anos foi violada e assassinada.
Maria era voluntária, como muitos outros universitários, num centro de acolhimento a refugiados e estes eram a sua causa.
Maria nasceu no seio de uma família culta, o pai é jurista , consultor da Comissão Europeia, e um dos autores da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
A jovem foi morta por um afegão de 17 anos, que chegou à Alemanha como menor não acompanhado.

Este crime suscitou de imediato uma tentativa de aproveitamento político pela extrema-direita. Tentativa que fracassou por três motivos: o comportamento responsável dos media alemães no tratamento deste caso (faça-se uma análise da linguagem utilizada e descobre-se objectividade, factos e não sensacionalismo); a intervenção dos partidos políticos democráticos à direita e à esquerda e as declarações da família da jovem.
Logo após ser conhecido quem é o presumido autor a família de Maria apelou a quem estivesse solidário a dor que sentiam que doasse para uma iniciativa de apoio à refugiados. Essa seria a vontade de Maria.

O ódio combate-se com Amor.
Este é um dos muitos momentos em que tenho tanto orgulho em ser também alemã.

A culpa também deve ser do Passos Coelho

Portugal desperdiça 28 milhões em ajuda alimentar

Braga e as luzes

iluminacao-bragaJaime Manso

Era uma vez uma cidade, lá num reino muito longe, que tinha um Governador que passava os dias ao espelho, e mostrou aos seus amigos que era bom estar ao espelho e admirar-se com ele próprio!
Um dia, de tão ocupado de andar a tirar fotografias para as revistas e jornais que o bajulavam esqueceu-se do Natal! Então ligou aos seus amigos e perguntou – E o Natal? Como é do Natal? As luzes e os enfeites!?! – Mas os amigos estavam todos ocupados, uns ao espelho também; outros a matar árvores ou, assinar projectos com parecer negativo (e ao espelho também).

O Povo gritava nas ruas, – AS LUZES DE NATAL?? Os enfeites??

Ele, furibundo, contratou uma empresa cara, pois os amigos do reino viraram-lhe as costas depois dos favores e das traições. Então, enfeitou, já tarde duas ruas da cidade e na praça central levantou, à pressa uma árvore de Natal! [Read more…]

Portugal, um país recheado de comentadores “imparciais”

Rui Naldinho

A nossa Lusa Pátria está cheia de comentadores doutorados nas suas agendas mediáticas, mas incapazes de analisarem e interpretarem factos e fenómenos fáceis de serem explicados. São personagens que debitam sabedoria em cátedras das faculdades, e em palanques de congressos para os quais estejam habilitados pelo seu curriculum académico, mas não conseguem entender a razão de ser das coisas mais simples. Nunca percebi os motivos para tal ignorância, depois de tantas horas de estudo.

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Eduardo Cintra Torres é um conhecido sociólogo e crítico de televisão, que gosta de parecer aquilo que não é, nem nunca foi, imparcial na sua análise.
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Requiem por um espaço de pensamento livre

ubi

Pedro Pereira Neto

O conteúdo seguinte constitui citação literal retirada dos Estatutos da Universidade da Beira Interior, consultados hoje, a partir do seu website institucional:

“Capítulo I – Natureza e Regime Jurídico, Missão, Objetivos, Atribuições e Símbolos
Artigo 1º – Natureza e Regime Jurídico
1. A Universidade da Beira Interior é uma Instituição orientada para a criação, transmissão e difusão da cultura, do saber e da ciência e tecnologia, através da articulação do estudo e do ensino, da investigação e do desenvolvimento experimental.
2. A Universidade da Beira Interior, adiante designada abreviadamente por UBI ou simplesmente Universidade, é uma pessoa colectiva de direito público e goza de autonomia estatutária, pedagógica, científica, cultural, administrativa, financeira, patrimonial e disciplinar”.
Em que medida é esta informação relevante? Foi conhecida recentemente a decisão da Presidência da FCSH-UBI de proibir a realização já (por si) autorizada da conferênciaSahara Ocidental: a luta pela autodeterminação de um povo”, que teria lugar amanhã, dia 6 de Dezembro. Motivo invocado: “não criar um conflito institucional de Estado que colocasse a UBI nos órgãos de comunicação social pelas piores razões“.

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Braga às escuras

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António Ferreira

Braga, centro da cidade, 17h30m de sábado, 3 de Dezembro.

Já não é só a periferia que está votada ao abandono.
O centro da cidade, dita cidade do comércio, está como se (não) vê. As grandes superfícies comerciais continuam a proliferar enquanto o comércio tradicional definha na escuridão.
Acresce a isto a não existência de uma comunicação social independente na cidade. Os casos, os acasos, as situações avolumam-se e a vergonhosa classe de jornalistas dos dois diários da cidade olham para o lado enquanto assobiam e fotografam todas as inúmeras aparições do fotogénico Ricardo Rio, seu putativo patrão.
Foram precisos apenas 3 anos para a Câmara Municipal de Braga transformar a cidade numa amostra triste, gélida e escura daquilo que já foi.
Foto © Ana Silva

Deixem o Tua em Paz!

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Filipe Esperança

Se há assunto que tem vindo constantemente para as luzes da ribalta é o recente (ou não) caso da Vale do Tua.
Mas… por onde começar a relatar toda esta patranha de peripécias?
Pelo início, obviamente. Estávamos no final de 1991, e foi já depois de constantes ameaças de encerramento que a CP, mandatada pelo Governo e por uma constante de encerramentos ferroviários desde 1988, decidiu encerrar o troço da Linha do Tua compreendido entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros. Basta uma rápida pesquisa no Google para compreender que este infeliz acaso deixou a última porção do troço (Macedo de Cavaleiros – Bragança) completamente isolada da restante rede, sem ligação ferroviária, e com transbordos rodoviários que eram demorados e pouco articulados. Dias depois, um descarrilamento em Sortes viria a ditar “temporariamente” o fim dos comboios na Linha do Tua, entre Mirandela e Bragança. Temporário ou não, a verdade é que foi preciso esperar pelo dia 14 de Outubro de 1992 para que surgisse uma nova “machadada” nesta importante infraestrutura: pela calada da noite, e durante um forte apagão nas comunicações locais, a CP levava (pela via rodoviária) os comboios e carruagens presentes nas Estações de Bragança e Macedo de Cavaleiros, e sob a justificação de que o material precisava de “manutenção”.
Jamais, em tempo algum, os transmontanos duvidariam da palavra da CP ou dos seus responsáveis… mas a verdade é que o comboio não regressou a Bragança. [Read more…]

Ideias feitas

Carlos Araújo Alves

Nunca a direita entrincheirada aceitará que Estaline, ao derrotar Hitler, permitiu que a Europa continuasse a viver em Democracia, nem a esquerda entrincheirada aceitará que Fidel, apesar da inicial libertação do seu povo do colonialismo, da constituição de um dos melhores sistemas públicos de saúde e de ensino, fosse um ditador feroz.
A vida é tecida destas contradições, cuja falta de liberdade de quem se mete em trincheiras de ideias feitas não consegue ver, quanto mais aceitar.

Mário Ferreira está equivocado

comboio-machu-picchu Carlos Almendra Barca Dalva

Profundamente equivocado. Profundamente.

Honrou-me com dois minutos do seu tempo o empresário da área do Turismo Mário Ferreira, num comentário deixado à carta aberta que ontem lhe dirigi.
Li-o com atenção, com muita atenção.
E permita-me dizer-lhe: está equivocado em quase tudo quanto diz. Quase tudo.

Novamente, vamos por partes?

A sua primeira frase, curiosamente, é a pura das verdades:
“O importante é que visitem o Tua, falem bem ou mal estou todos a falar…”

É verdade: há já cerca de uma década que a linha do Tua passou a fazer parte do quotidiano noticioso de Portugal. A par da linha de Sintra e de Cascais, é mesmo a via férrea de que os portugueses já ouviram falar e até sabem onde fica. E, repare, saber os rios, as serras e as vias de comunicação já não faz parte do programa escolar há muitas décadas.
No entanto, a linha do Tua… toda a gente conhece.

“Gostava que me mostrassem as máquinas a vapor construídas em Portugal.”
Ninguém lhe prometeu mostrar máquinas a vapor construídas em Portugal pela razão simples de que, para além de alguns improvisos oficinais, elas nunca existiram. Todas quantas cá circularam foram importadas da Alemanha, de Inglaterra, da Suiça, de França, até mesmo dos Estados Unidos da América (mas sem aquele design piroso). Importadas, modelos de séries comuns ou com as modificações solicitadas pelas empresas da altura. [Read more…]

Números duros, políticas moles

Santana Castilho*

Há dias, foi tornado público que, durante o ano lectivo de 2015/2016, se registaram 5.051 ocorrências do foro criminal nas escolas portuguesas, isto é, 500 por mês, em média. No ano anterior haviam sido registadas 3.930. Sublinho que não se trata de incidentes disciplinares. Foram ocorrências que caem sob a alçada do Código Penal. Cumulativamente, a PSP teve ainda que intervir em mais 2.001 situações de outro tipo. Estes números são preocupantes e apelam à reflexão.
Aquando de casos mais graves de violência em meio escolar, verifica-se, por parte das autoridades respectivas, uma propensão para dissimular os acontecimentos. Mas se por um lado sabemos que a tendência para iludir o óbvio foi classificada por Freud como a primeira paixão da humanidade, por outro também sabemos que ignorar a realidade nunca nos salva. Aceitemos, então, que a indisciplina é hoje um dos maiores, senão o maior, problema do sistema de ensino e que há uma evidente crise de autoridade na Escola. Quando a estudamos, são esmagadoras duas situações responsáveis: do ponto de vista interno, a falta de coragem para adoptar políticas adequadas à solução dos problemas, materializada pela manutenção de uma lei inadequada, que introduziu no processo disciplinar o método processual penal, com um cortejo de prazos, audições e garantias pedagogicamente desadequadas, tudo permitindo a proliferação de pequenos marginais; do ponto de vista externo, a crescente demissão dos pais para imporem disciplina aos filhos.
A maioria dos pais de filhos indisciplinados não gostaria de ter filhos indisciplinados. Mas não sabe ou não pode discipliná-los. Os restantes são negligentes, que não se interessam pelos filhos e são, eles próprios, quantas vezes, marginais. [Read more…]