E se os idosos saem à rua armados com coktails molotov?

O Que se Leva Desta Vida, vídeo de Bruno Canas, a estória no Ionline

Poemas do ser e não ser

Ouço o silêncio

dos olhos que se fecham

na falta de esperança.

Amo o silêncio

das cores vivas e do sonho

que nos tece a alma

entre a vida e a morte.

Dói-me o silêncio negro

dos gritos proibidos

e sinto o dourado silêncio

dos gestos da noite

que nos abrem os olhos.

Amargo o silêncio

das horas sem brilho

e vivo o silêncio do mar

que risca na areia a força vencida.

Assumo o silêncio sagrado

da liberdade e da vida

e o silêncio de um céu de fogo

que nos abre a cova na terra fria.

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 2)

 Alguma iniciativa partiu, então, da que se encontra sediada em Custóias, mulher de grande currículo na evolução e na revolução da sexualidade, doutorada em artes nas específicas partes, posições e artimanhas, que, como não podia deixar de ser, se arvorou em militante da cosa nostra e imediatamente assumiu a erecta frontalidade de enviar um S.O.S. para todas as caras-metades dos seus respectivos cônjuges, no sentido de fazer o ponto da situação, e criar, de alguma forma, pontes e pontos de contacto sexológico entre as diversas sensibilidades, estabelecer algum consenso, criar linhas tácticas e planos de estratégia, e, se necessário, fazer um apelo à firme indecisão de todas as gajas que se marimbam para os maridos e à velada desatenção das diversas preocupações feministas.

 -Trata-se de terrorismo sexual.

 Foi este o primeiro e amplo consenso a que chegaram.

 O fulano tem um passado mais do que comprometedor. Toda a gente se lembra de ele ter dado guarida em sua casa durante uma semana, nos anos 50-60, a uma terrorista sexual de Lisboa, que teve o desplante e o descaramento de pendurar nas varandas da casa, detonadores e materiais explosivos usados nos seus atentados sexuais: meias, cuecas, combinações e soutiens…para toda a gente ver, a ponto de o irmão dele sair da coligação, por não concordar com este tipo de estratégias, e resolver abandonar a casa, actuando sozinho em países amigos e independentes como a república democrática da Candeia e o enclave livre do Tamariz. (continua)

Porto Madeira – Cabo Verde

Este post tem muitos links mas são mesmo necessários.

Faz agora exactamente um ano -as coincidências existem- estava eu a jantar com a minha amiga Misá, a viver as últimas duas ou três horas de uma estadia de um mês e meio em Cabo Verde. Nesse dia estava bastante desgostoso (lembras-te, Misá?) com uma maldade que me fizeram na sequência desta notícia. A baixa política lá como cá.

Estive em Cabo Verde, a convite da Misá, para cooperar com os rabelados  de Espinhu Branku (ver algumas imagens aqui), com o projecto Porto Madeira e no âmbito da geminação Lagos/Cidade Velha e Lagos/S. Miguel.

Ora, a Misá pediu-me que divulgasse o seu último projecto (mais legível aqui).

Trata-se de um convite internacional, dirigido a pessoas de todo o mundo, mas especialmente a artistas plásticos, professores de educação visual, grupos de alunos e, enfim, cultores da lusofonia.

Informações podem ser pedidas para misacv@gmail.com . Colaborem, as gentes de Porto Madeira agradecem.

 

 

O mistério de um inocente convite

Para amenizar um pouco as tristezas, as revoltas e as desgraças dos nossos posts, aqui vai, por partes, uma pequena ( grande de mais para um post) telenovela humorística.

 O mistério de um inocente convite

 Embora decorrente da inevitabilidade de que quando se sobe tem de se descer, ou mais popularmente falando, quem andou não tem pra andar, mesmo assim o convite para o encontro em casa de um amigo, sem mulheres, atravessou, como o furacão Ivan, todas as cabeças das segregadas esposas dos respectivos machos. Quando se soube a notícia de que ele só convidava os homens, eu próprio ouvi, de imediato, da boca de uma das damas um

-Ah! Nem parece do gajo!

A reacção foi em cadeia. A começar pela cadeia de Custóias, onde tenho a minha terceira mulher, inactiva.

-Ah! Isto traz água no bico!

Em breve esta exclamação se estendeu a todas as outras mulheres:

-Ah!… Ah!… Ah!…Uma delas recordou de imediato:

-O gajo nunca fora, sexualmente falando, um político de confiança. Tem um currículo demasiado pesado e clandestino, um currículo demasiado suspeito. Não serem convidadas as mulheres legítimas!? Será que…será que foram convidadas outras, por assim dizer, ilegítimas?

Como ele andou a arranjar a cave, não as terá ele recrutado e escondido por lá? Não terá vindo agora à tona, com este suspeito convite, algum maquiavélico plano urdido sabe Deus quando, lá na sua isolada pacatez bucólica?

Não podemos ficar confinadas à nossa ingenuidade. Temos de agir, no sentido de evitar uma possível clivagem ou mesmo derrapagem nas bem formadas consciências e nas bem domesticadas e… vigiadas sub-consciências dos nossos maridos, pais dos nossos filhos e avós dos nossos netos.

Para mim, relator destes factos, foi óptimo, porque eu encontrava-me num grande dilema. É que não sabia qual das duas, activas, haveria de trazer, e fosse qual fosse a minha decisão, haveria de arrostar com azedumes, amuos e negas durante mais de um mês por parte da outra. (Continua)

Natal. Os presentes das crianças: Lições

Para Camila, essa minha filha companheira, que neste Natal de 2009 será mãe e para Félix, seu marido que passa a ser pai. Deve nascer uma Elisa ou uma Rebeca…..estou certo, no dia Natal!.

 

1. Sonata introdutória.

Perguntou-me um dia uma estudante da minha Universidade portuguesa: Senhor Professor, porque estuda crianças? A minha resposta foi breve: porque sou pai.
A seguir, proferi uma explicação mais cumprida. Não é apenas por sermos pais, é, sobretudo pelo que as crianças nos ensinam. Parece que não por serem pequenas? Somos nós, adultos, que dizemos as sabidas coisas da vida? Sabidas coisas, conceito que substitui todas as acções e aventuras na interacção da experiência da vida, interacção que, por habituados como estamos com ela, esquecemos de reflectir. Reflexão que nem nos faz mal, pelo contrário. Uma reflexão a ajudar-nos a crescer, a partir das crianças. Crianças adultas e crianças a crescerem. Como as filhas que tantos de nós, pais, temos. É verdade que a simplicidade e o carinho, a honestidade e a lealdade são parte da vida que praticamos e transferimos para a nossa descendência. Descendência que, sem darmos pelo facto, começa a aumentar. Um dia somos filhos, anos virados, somos autónomos e indivíduos, anos depois, caímos no chão de um amor que acompanha os nossos afectos, a nossa emotividade mais íntima, e, dessa intimidade, aparecem os primeiros descendentes que fabricamos. Não, não é um erro de estrangeiro dizer fabricamos, porque são feitos pelo amor à pessoa que os leva no seu corpo durante meses e que do seu corpo os alimenta.

Elisa, Rebeca, o nome não interessa, o importante é a pessoa...
Elisa, Rebeca, o nome não interessa, o importante é a pessoa…

Essa intimidade partilhada entre os pais perante a criança nascida, pais a olharem-se no bebé, a ouvirem as primeiras palavras, a brincarem com canções que ensinam palavras a essas crianças que, por vezes, sem sabermos, andam atrás de nós.
Mais tarde, começam a fazer parte de um grupo, interagindo e falando sem nós ouvirmos, mas sabemos pelas mudanças de atitudes que as crianças, essas nossas crianças, têm. E os sarilhos fora do lar começam. E aumentam à medida da inserção em actividades longe de nós. Como pais, ouvimos o que nos é referido e com firmeza, na linguagem da idade que fala, opinamos para que a nossa pequenada possa optar. Optar ela, não nós por ela. [Read more…]

Na senda de um deus caído

NA SENDA DE UM DEUS CAÍDO
(Dedicado ao amigo Carlos Loures, poeta da lucidez)

 Durante muito tempo fui pensando que o gosto e não gosto constituíam a base mais séria da apreciação do comum dos mortais no que respeita à obra de arte, sobretudo contemporânea. Creio que me fui deixando levar, também, pela aceitação de que esta mesma dualidade se encontrava na base da criação artística.

Só depois de ter lido que o gosto é a palavra mais caída em desuso, e depois de se ter considerado este conceito como movediço, preso não à natureza e à essência mas ao modo de comunicação exterior, sujeito a controles de natureza psicológica, institucional, mediática e propagandística, eu reflecti profundamente e dei-me conta do erro em que vinha permanecendo.

 A vida, a despeito de ser uma maravilhosa obra do acaso num Universo repleto de mistérios, obedece a determinantes geofísicas, mapas biológicos e padrões neurais inquestionáveis. Quer na arte em geral quer na pintura e na poesia, sinto um medo terrível da indistinção da fronteira entre o artificialismo, mesmo ocasional, e a consciência assumida da transparência do sentimento, legítimo filho da idoneidade e da identidade das imagens que geram as emoções necessárias à criação. [Read more…]

Boas Leituras #1:

Mentalfetaminas – ESTE

A Devida Comédia – ESTE

Delito de Opinião – ESTE

Blasfémias – ESTE

Arrastão – ESTE

Jugular – ESTE

…e continuação de Boas Leituras!

É natural sermos desiguais…e é bom!

O nosso ADN é 99% igual ao dos nossos “primos” chimpanzés. É espantoso como o 1% que falta faz toda a diferença. Agora se pensarmos que este 1% é diferente nos milhões de seres humanos, tornando-os seres únicos, ninguem é igual a ninguem, percebemos que na verdade “é nos pormenores que está Deus” ! Nos pormenores que fazem a diferença.

Uma sociedade, que observe um certo número de condições, ter pessoas diferentes no que diz respeito à inteligência, à capacidade de trabalho, à propriedade, à riqueza, é uma sociedade vigorosa!

Primeiro, se uma sociedade cresce no seu todo, cria riqueza, é possível que todos vivam melhor, embora não igualmente.

Segundo, se uma sociedade é capaz de criar oportunidades iguais para todos, embora saibamos à partida, que nem todos as vão aproveitar da mesma maneira.

Terceiro, que todos tenham direito a uma vida digna, direito à saúde, à habitação, à cultura, embora alguns vivam em palacetes.

Se uma sociedade conseguir as condições descritas, não é ilegítimo, nem imoral que as pessoas possam fazer diferentes opções de vida, que as levarão a diferentes patamares de bem estar, de conhecimento, de cultura.

É esta diversidade que dá vigor à sociedade e que a torna competitiva, que a leva a procurar novos caminhos, novas formas de bem estar que, mais tarde ou mais cedo, todos usufruirão.

O problema está na ambição desmedida, na necessidade doentia de poder, na incapacidade de olhar os outros como seres diferentes, mas com a mesma dignidade.

E não há um nenhum sistema de organização da sociedade que, só por si, mude o Homem !

É por estas razões que a sociedade liberal é a que melhor responde àquela diferença, melhorada pelos apoios do Estado providência, da prestação de saúde universal, do acesso à Educação…

Imperfeita, injusta, mas a melhor de todas…

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ./09:

Eis chegada a hora de começar, lentamente, a apresentar as minhas escolhas para os melhores álbuns do ano. A coisa vai-se processar do seguinte modo: as postas vão sendo publicadas uma a uma e em Janeiro divulgo, de entre as várias escolhas lançadas durante o mês de Dezembro, a minha escolha para melhor de 2009. Ora vamos lá começar:

O ano de 2009 foi razoável. Por momentos, logo nos primeiros meses do ano, pensei que seria ano de colheita vintage. Não foi mas andou perto. A 21 de Junho, Regina Spektor lançou o seu “Far”, um trabalho bastante equilibrado e em linha com os seus anteriores. É uma das minhas escolhas de 2009: “Far” – Regina Spektor.

Poemas estoricônticos

Uma coisa é certa

aqui sentado

na margem deste regato

debruado a pedaços de neve

o avesso do pensamento já não incomoda.

O silêncio acorda os olhos de pó

e a melodia

há muito perdida nas encostas nevadas

renasce na canção deste rio. [Read more…]

Gustavo Dudamel, um maestro que veio do calor

 

 

esgotado

Concerto extraordinário da Temporada Gulbenkian de Música 2009 / 2010

Gustavo Dudamel dirige a Orquestra Juvenil Ibero-Americana na estreia mundial desta nova orquestra.

 

***

Foi assim (esgotado) ontem, na Gulbenkian, a estreia mundial do novo projecto de Gustavo Dudamel, o maestro que todos disputam, pairando muito acima dos políticos.

 

 

 

Poemas estoricônticos

A noite mais triste

 

Foi a noite mais triste

a mais negra noite.

Mais triste do que a sombra dos coqueiros

sem lua

mais negra do que o mergulho do tarrafe

nas águas fundas do Cacheu.

Enrolei-me na torrente de lágrimas

e não dormi as longas horas dessa noite.

Tudo se tinha rasgado:

o sol

a lua

a paisagem

os rios

os braços e o sonho

em tiras de trapos que à toa enfiei

nos sacos de lixo.

Não há remédio para o gemido

o gemido é a coisa mais só

mais terrível

mais cortante da carne viva.

Não dorme

ante o silêncio de mil ouvidos moucos

e agarra-se ao sangue como crude.

Apenas o dissolve a lama da noite

jorrando fontes de silêncio

sobre um corpo sem beijos

de bocas atadas.

A noite do desespero

despenhou-se sobre a cidade

fincou as garras nas janelas

rasgou o corpo nu da solidão

e queimou a vida em catedrais de cinzas.

Tudo soou a violino sem cordas

num ritmo de movimento sem cor

sobre um tabuleiro sem pedras

sem força nem entreactos

glosando a pobreza de mil retratos

tragicamente impressos em letra de amor.

Foi um texto de mil palavras sem língua

uma nicotínica melodia de álcool

e soníferos

na frágil clareza de um cérebro brumoso

trancado de sofrimento

gargalhando a fraqueza

para encher de nada um simples momento.

Secaram as lágrimas

fugiram as sombras dos olhos baços

e uma luz de prata sensual

escorreu de alto a baixo

conclusiva

desejosamente metafísica

mas tão fria

que o desejo das lágrimas quentes avançou.

Olhos doces de chorar

gritam do fundo do tempo

do altar do homem grosseiro

brutal

avarento

verdadeiro

a condição de ser inteiramente outro

nem eterno nem intacto nem primeiro

apenas o derradeiro.

 

Ó suiços, agora não se esqueçam de demolir estes minaretes

Catedral de Bâle

Catedral católica de Bâle

Catedral Protestante de Lausanne

Catedral protestante de Lausanne

Rolf Damher – A paixão pelo problema

“Penso que há um caminho para a ciência ou para a

filsosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza

e apaixionar-se por ele; casar e viver feliz com ele

até que a morte vos separe – a não ser que encontrem

um outro problema ainda mais fascinante, ou, evidente-

mente, a não ser que obtenham uma solução. Mas mesmo

que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para

vosso deleite, a existência de toda uma familia de problemas-

filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo

bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim

dos vossos dias. Sir Karl R. Popper

Escutem as músicas e esqueçam por alguns minutos a “Face Oculta”. Ela, isto é, os problemas que se amontoam, não vão fugir. Estarão à espera da vossa acção para resolvê-los. Não para mastigar e remastigá-los vezes sem fim. O saudoso Sir Karl Popper – e não só ele – aponta o caminho genérico. Sim, apaixonem-se pela “beleza” dos problemas a resolver. E lembrem-se: O homem cresce com a resistência.

Não “estou sendo irônico”.

P.S. E depois dizem que os germânicos são muito secos e apagados e que só os “latinizados” têm temperamento. Aqui sim “estou sendo irônico”.

Serviço público: Banda do Casaco

 

 

 

 

Saiu mais um Disco com Sono: Banda do Casaco, Contos da Barbearia.

 

Se isto fosse no estrangeiro, já tínhamos uma caixinha com os 7 CDs de originais remasterizados, livrinho cheio de entrevistas e ensaios, um DVD de bónus e mais não sei quantas mariquices. Como felizmente estamos em Portugal, temos masters perdidas, reedições em CD esgotadas e até um disco que nunca saiu do vinil – mesmo perfeito para o Discos Com Sono.

Ao autor do blogue aqui ficam os meus agradecimentos.

Os botões, o ecrã e a caixa dos fusíveis

   Ontem, num desses programas em que o apresentador se entretém mais do que entretém, foi dito, a páginas tantas, que a televisão engorda. E deve ser indigesta, digo eu, talvez por causa dos botões e do ecrã, que me parece duro de trincar. Ou por culpa da caixa dos fusíveis, diriam os Gaiteiros de Lisboa.

 

"Era nao era do tamanho de um Pardal"

 

 

Mais Gaiteiros de Lisboa aqui.

 

A Cena do Ódio

Há horas felizes. Este poema de Mestre Almada tem um recanto muito particular nas minhas devoções. Acabo de o encontrar youtubado na versão dita e aqui também teatralizada do Mestre Viegas.

Obrigado a um tal pf67 que ali os colocou, juntamente com mais umas tantas coisas que ainda aqui virão parar.

 

 

 

 

 

 

A igreja de S. Francisco Xavier vai dar nas vistas

Andam a começar uma igreja a S. F. Xavier no Alto do Restelo que fica em Lisboa e brotam acusações à maqueta ao nível de Maomé e do toucinho.

 

Parece cousa para dar nas vistas, quando a virmos de baixo para cima que é como vai ser vista, e a arquitectura das igrejas também serve para ser vista.

Neste caso gosto, com a vantagem de não estar muito bem a ver onde vai aterrar a igreja gosto apenas da maqueta, faz-me lembrar outras igrejas exclamativas, de exibição patética da fé e chamamento aos fiéis que também ficaram em algumas páginas de livros de História da Arte,  a arquitectura religiosa é a que conhecemos melhor e há mais tempo, séculos de experiência em altos e coloridos edifícios de propaganda, na altura sem a concorrência dos centros comerciais.

Vai dar muito nas vistas e os que tentam impedir a sua construção já estão a contribuir para isso, retomando o patusco pessimismo de um velhote lisboeta precisamente do Restelo. Aos séculos que a Igreja C.A.R. tem destas coisas e arranja sempre maneira de lhe pagarem a obra. Olhem para as catedrais à escala do tempo em que foram feitas e digam lá se não davam um estalo maior na cara das pessoas, no lado da vista.

 

Da Islândia com amor

 

Múm – They Made Frogs Smoke Til They Exploded

 

 

O Símbolo perdido é muito caro

Hoje, por questões de agenda familiar fui "obrigado" a passar uma horita na FNAC. Para aproveitar o tempo resolvi pegar no livro do Dan Brown " O símbolo perdido".

Li e reconheci nos primeiros cinco capítulos o mesmo autor de Código Da Vinci, de Conspiração, de Fortaleza Digital ou de Anjos e Demónios.

Convencido a fazer a aquisição, olhei para o preço… 22,46€.

Achei!

Acho!

MESMO.

Um exagero – na moeda antiga quase 4 contos e meio por um livro…

Pensei, é por ser na FNAC… erro… Continente, Wook, Bertrand

O melhor da concorrência em Portugal! O mesmo preço em todas!

Conclusão: fico à espera da próxima seca que levar no Shoping para continuar a minha leitura!

Nota: será que a Srª Ministra, mulher dos livros, poderá olhar para isto com alguma atenção? Em vez de nos dar a possibilidade de comprar portáteis a 150 euros poderia criar melhores condições para que os professores pudessem ler mais, por exemplo, através das bibliotecas das escolas… Digo eu, que não percebo nada disto.

Morreu o Homem da Rádio

Este António Sérgio que não volta a fazer rádio foi tão importante para a minha geração como o outro António Sérgio, que escrevia livros, o foi para a sua.

Sei que isto para muitos será uma heresia.  Mas  quem o seguiu, desde os tempos da Rotação na RR, gravando programas inteiros nas velhas k7’s, única forma de ouvir a música que só ele passava em Portugal, e quem entenda que a música para nós ocupou o espaço dos ensaios, a comparação pode ser parva mas faz sentido.

António Sérgio abriu uma estrada de Lisboa a Londres e a Nova York que não existia, uma estrada com ligação directa às ruas de má fama, desviada de outros caminhos com passadeiras, os das todo poderosas editoras que moldavam o consumo da música moderna à maneira do negócio e da tacanhez., repetindo infindáveis Baby I Love You.  Trazia canções que nos falavam de jovens urbanos chateados com o mundo, e era isso que nós também queríamos ter o direito a ser. Há uma revolução escondida nessas esquinas, obrigado por nos teres trazido decibéis dela.

Resta-me a consolação de saber que quando chegar ao inferno ele já lá estará a passar música. Pobre Diabo, a sua vida nunca vai ser a mesma.

 

 

 

 

A máquina do tempo: Sobre a canção urbana – o fado e o tango

 

Neste vídeo, apreciámos uma tentativa de fusão de tango e de fado, interpretada por Beatriz Ayas e pelos Portubayres. É um tema curioso, este o da similitude entre dois tipos de música urbana – a portuguesa e argentino-uruguaia.  Aqui há tempos referi-me numa destas crónicas a um texto de Jorge Luis Borges sobre o assunto. Não o consegui encontrar, embora saiba que foi publicado num suplemento do DN num domingo de há muitos anos. Gostava de o ter consultado, pois é de tango e de fado que vou hoje ocupar-me. Em Abril de 1982, assisti na Gulbenkian à exibição de «Cinco Tangos», executada pelo grupo de Ballet da Fundação. A música era do Astor Piazzolla, o grande compositor argentino, mago do bandoneón. Várias vozes se fizeram na altura ouvir, chamando a atenção das afinidades entre o tango e o fado.

 Agora que se fala em candidatar a chamada canção nacional ao estatuto de «Património Imaterial da Humanidade», justifica-se avaliar até que ponto esse desiderato faz sentido. Avaliação que, estejam descansados, não vou fazer. Aliás o assunto está muito bem entregue – o Professor  Ruy Vieira Nery, director do Programa da Educação para a Cultura da Fundação Gulbenkian e membro da comissão da candidatura diz que agora a decisão já só compete ao Ministério da Cultura. Em fins de Setembro passado, a UNESCO declarou o tango como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Mais jovem do que o fado, o tango antecipou-se – é caso para dizer que «passou a perna» ao fado.

 

Quanto às origens do fado, não me vou pronunciar, apenas referir o que se diz. Há a tese mais vulgarizada de que, quando a Corte de D.João VI regressou, trouxe consigo uma dança em voga no Rio de Janeiro a que se chamava «Fado», inspirada no lundum, e que podia ser acompanhada por canto. Na realidade, os primeiros registos escritos sobre o tema começaram a surgir no século XIX, mais na segunda metade. Mas foi uma inovação que depressa se converteu em tradição.

Encontramos referências aos fado e aos fadistas, por exemplo, nos romances de Eça de Queirós. No «Cancioneiro Alegre de Poetas Portugueses e Brasileiros», organizado por Camilo Castelo Branco, inclui-se um poema de Alexandre da Conceição – sobre um tal Marialva que «dançava o fado à noite em tabernas» – referência que acentua a tese da dança vinda do Brasil. Outra referência cultural, o famoso quadro de José Malhoa, data de 1910.

Nestes primeiros tempos, o fado surgia como fenómeno tipicamente lisboeta. As grandes fadistas do século XIX, a lendária Maria Severa (1820-1846), nasceu e morreu em Lisboa, e Maria Vitória (1891-1915), creio que também. Esta última cantava nas revistas e celebrizou o «Fado do 31», mais tarde interpretado por Estevão Amarante.

Todos estes dados apontam para uma tradição, se assim se pode chamar, que se instalou rapidamente e que, como planta trepadeira, se enroscou no fatalismo da alma portuguesa e no miserabilismo inerente à pobreza citadina, com ele se confundiu, e às vezes pareceu mesmo estar na sua origem, ser causa e não efeito. Não esqueçamos que «fado» vem do latim «fatum», ou seja, «destino». Em menos de cem anos o fado (cantado) se espalhou pelo país e se transformou em canção nacional. Para além destas e doutras raízes mais remotas, o fenómeno Amália Rodrigues ajudou a enquistar o fado no tecido da alma popular, elevando-o à categoria de tradição.

Mas, além desta tese, há outras – teria vindo de reminiscências das melopeias árabes ou, como um companheiro do Aventar aventou, seria uma herança dos celtas. Estas duas últimas parecem-me teorias rebuscadas. Como seria possível o fado vir de tempos tão remotos e não existir, nas baixas e tordiões, por exemplo, ou noutro tipo de canção popular dos séculos que mediaram entre a herança céltica ou árabe e o século XIX, um fio condutor, um elo, que ligue esses vestígios?

Já o fado de Coimbra, com uma genealogia diferente, parece estar mais ligado às baladas tradicionais e, mais especificamente, à música beirã. Embora também seja um fenómeno relativamente recente. Os cantores Augusto Hilário, António Menano e Edmundo Bettencourt, bem como o grande guitarrista Artur Paredes, pai de Carlos Paredes, nomes maiores da canção coimbrã, são tudo gente do século XX.

O tango é mais recente do que o fado. Foi buscar as suas origens à «habanera» (de La Habana). Desta dança terão surgido o maxixe brasileiro e o tango argentino e uruguaio. A dança começou por se chamar «tango criollo» simplificando-se depois para tango. É já no século XX que se instala nos dois lados do rio La Plata, em Buenos Aires e em Montevideu. Como canção encontra em Carlos Gardel o seu mais emblemático intérprete.

A relação fado/tango era evidente – canções nostálgicas, fatalistas. Amália disse ter encontrado a sua voz, cantando os tangos de Gardel. Agora é uma argentina, María Lavalle, que, inspirando-se em Amália, volta a acentuar a relação entre as duas formas musicais. No passado fim-de-semana apresentou no Teatro Calderón de Madrid o seu espectáculo «Tú que puedes, vuélvete», fundindo o tango puro com o fado puro, misturando músicos argentinos e portugueses. Coisa que a nossa Mísia já tinha feito, para não falar no fado tango de Amália, «Cansaço», agora interpretado por Camané.

O mestre da guitarra António Chaínho, acompanhado pela cantora Marta Dias e pelo coreógrafo Alejandro Laguna, apresentou há anos um espectáculo em que fundia os dois géneros. Parece-me ser a primeira tentativa de fusão. Diziam que tendo o fado e o tango nascido em ambientes portuários e marginais, tinham trajectórias, história e sentimentos similares e, de certo modo, complementares. O que faz sentido.

Justifica-se integrar o fado no património imaterial da humanidade? Sempre vou dar a minha opinião: entendido como canção nacional, acho que sim. Recuso a ideia de que o fado «reflecte a alma do povo português», reflecte-a tanto como a chula do Minho, como o cantar alentejano ou qualquer outra forma musical popular do nosso povo. Naturalmente que o vira minhoto ou algarvio ou o bailinho madeirense, não se coadunam com o sentir de bastante mais de metade da população do país que habita as áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Setúbal.

Parece-me ser esse o espaço do fado – reflexo fatalista da vida descarnada, afastada da natureza, que se vive nas cidades grandes. Não terá um historial muito antigo, mas se formos a ver, toda a canção urbana nasce no século XIX – a valse musette de Paris, os cuplés madrilenos, o tango de Buenos Aires e de Montevideu. Os blues saltam das plantações de escravos para as cidades, eclodem nos anos 40 do século XX em Chicago…Como diria Mr. de La Palisse, a canção urbana nasce, ou instala-se, com as e nas concentrações urbanas.  

Mas n
em
sei porque estou eu, qual musicólogo encartado, a falar de uma coisa de que nada percebo. Aqui no Aventar, sinto-me na mesa do café onde estamos à vontade para discutir tudo, desde o Borda d´Água ao «Capital» de Marx, passando pela música de Beethoven e pelo Triângulo das Bermudas . Hoje deu-me para o tango e para o fado. Podia ter sido bem pior. Ora vamos lá ouvir a María Lavalle.

Silêncio, que se vai cantar o tango.

 

Preciso de dois Secretários de Estado

Pode tocar o telefone e não estar preparado, fora das jotas não se consegue ninguem. O problema é que nas Jotas encontram-se jovens que sempre foram velhos, nunca trabalharam e tiram cursos ao domingo e, ainda por cima, é como meter o cavalo de Tróia no Ministério, com a estrutura toda do partido lá dentro.

 

Mas onde se encontram dois jovens capazes e que queiram ser secretários de Estado? Alguns deles não vão abandonar Londres ou Amesterdão, onde trabalham, para virem para um governo que o Primeiro Ministro quer que caia o mais depressa possível.

 

Outros estão a meio dos seus cursos das Novas Oportunidades, não vão hipotecar o seu futuro, só para dizerem ao pai que estão no governo. Os que restam têm a sua vida, não querem nada com o governo nem com a política.

 

É esta a minha agonia, o indigitado só convida se avançar a equipa toda, sem secretários de Estado nem pensar, não está para levar mais negas, já reduziu o governo o máximo possível mas se continua, só fica ele, e o Pereira, que agora tambem lhe deu querer ir para a Administração Interna, diz ele que todos os que passaram naquela pasta são todos grandes empresários, cheios de dinheiro.

 

Para as obras Públicas ninguem quer ir, já lá está um que se chama Jorge Coelho, não se pode dizer não e para dizer sim, ele não precisa de Ministro. Para a Justiça vai o Júdice que está a ponderar levar o Marinho, mas o que ele queria era a Empresa Frente Tejo, anda obcecado que este convite se trata de uma compensação. Menor!

 

Nas Finanças, nos Negócios Estrangeiros, nas Forças Armadas, e na Cultura nunca teve ninguem, não é agora que quer lá alguem. Na Saúde teve lá um e deu-se muito mal, colocou lá uma que tambem não está lá e na Segurança Social, o homem portou-se bem quando anunciou a sustentabilidade do que não é sustentável.

 

Vou para onde, ainda por cima sem secretários de Estado?

Caim e Abel antes de Saramago: Felipe Mercato

Felipe Mercato, Caim e Abel

Felipe Mercato, Caim e Abel

Caim e Abel antes de Saramago: Nazif Topçuoğlu

Nazif Topçuoğlu, Caim e Abel, 2003

Nazif Topçuoğlu, Caim e Abel, 2003

Se o Saramago é português, o Mário David quer ser espanhol

Mario David, Aznar

"José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize… E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota!"

Mário David, ao fundo à esquerda, eurodeputado

Frase do Facebook, imagem da sua página do Flickr.

O que está a dar é a literatura

mesmo a juvenil. O Ionline confirma Isabel Alçada como nova Ministra da Educação, baseando-se nas movimentações em curso para a substituir como directora do Plano Nacional de Leitura, o que faz sentido.

Tendo a vantagem de ter sido professora, e de não o omitir da sua biografia como o fez Maria de Lurdes Rodrigues, o que sempre lhe dá algum conhecimento da realidade, não deixa de trazer a marca sagrada do eduquês em Portugal: o mestradozinho em Boston.

É certo que alguns superaram a formatação, mas são excepções, e duvido que Isabel Alçada fuja da regra.

 

Caim e Abel antes de Saramago: Jan van Eyck

Jan van Eyckr, Caim e Abel, Retábulo de Gand

Jan van Eyck, Caim e Abel, Retábulo de Gand

A intolerância

Index Librorum Prohibitorum

"As Horas de Maria" deve ter sido o pior filme que vi na minha vida. Não saí da sala, esgotada, porque a malta se foi entretendo a mandar umas bocas, e concurso de bocas em sala de cinema sempre espairece.  Mas porque me meti eu e mais umas mil pessoas ali dentro, sabendo de antemão que a relação do "realizador" António de Macedo com o cinema era a de um homicida com a sua vítima?

Por causa da propaganda de uma Igreja, neste caso a Apostólica Católica Romana, vulgo ICAR.

Encarniçaram-se de tal forma contra a película apenas porque supostamente tocava um tema religioso quando na realidade apenas apalpava o tédio na sua forma mais pastosa, que aquilo foi sucesso de bilheteira garantido.

É um episódio  tantas vezes repetido que já chateia.

Fizeram o mesmo com o Je vous salue, Marie, os Versículos Satânicos ou o Evangelho segundo Jesus Cristo, obras estas de autores com obra, e que dispensavam a sanha propagandística das religiões.

Existe a presunção entre os fanáticos religiosos de a sua crença ser mais do que simplesmente a sua crença, e glosar os seus dogmas uma blasfémia.

Arrancar os cabelos porque lhes tocaram no tal de sagrado, que não passa de uma convicção pessoal a que ninguém mais está obrigado, saudosos do Index Librorium Prohibithorium só abolido em em 1966, resulta sempre em publicidade gratuita.

E isso Saramago bem o sabe.