Eternamente contratados, vigarizados e desesperados, ocupam ministério

Os professores contratados, o estado reserva-se ao direito de não cumprir as suas próprias leis, foram este ano vítimas de uma enorme vigarice, por via informática, que transformou as colocações em lotaria completa.

A isso acresce que muitas escolas já se permitem, descaradamente, à reserva de lugares para parentes, amigos, conhecidos e outras cunhas.

Em desespero um grupo de cerca de 20 vítimas ocupou hoje instalações do Ministério da Educação e Cunhas.

Fazem muito bem, e é sem dúvida uma das formas de luta mais eficazes, mesmo que iniciada por um pequeno grupo. Falo por experiência: em 1991  uma dúzia de professores provisórios de História e Filosofia, licenciados em 1985 e vítimas de uma golpaça da geração yupie que se licenciou a seguir, foi acampar às vésperas do Natal para a porta do ministério. Foi a salvação de todos, onde me incluo, embora à distância às vezes desconfie que se tivesse ido trabalhar para outro lado tinha ganho muito mais dinheiro e poupado imensas chatices.

Sobre a vigarice, ler por exemplo aqui.

Pensar sem palas

Santana Castilho *

1. Eles serão fortes enquanto formos fracos e a indignação for só dalguns. Só pararão quando estivermos secos como os gregos e apenas nos restar o coiro, esbulhado todo o cabelo. Nas últimas semanas, depois do Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal terem “descoberto” o que muitos sabiam há anos, a degradação da política expôs-se em crescendo. Dum lado, reclama o PS contra o escândalo da Madeira. Do outro, grita o PSD que a responsabilidade pelo buraco do continente é do PS. Os dois têm razão. Porque os dois são culpados. Os notáveis do costume, alguns deles outorgantes da impunidade que protege a política, emergiram do ruído pedindo leis que sancionem os que gastam o que não está autorizado. Como se o problema fosse da lei, que existe e é ignorada, e não fosse dessa espécie de amnistia perpétua que decretaram. É, assim, fácil prever como terminará o inquérito que o Procurador-Geral da República determinou. O destino dos mesmos é o de sempre: sem o mínimo incómodo, muito menos de consciência, uns, eles, continuarão a dizer aos outros, nós, cada vez mais sufocados, que temos que pagar o que (não) gastámos.

Sobre a Madeira, um notável de Bruxelas mostrou surpresa. Estava em Wroclaw, na Polónia, com todos os ministros das finanças da Europa. Foram para decidir sobre a Grécia, que se afunda e arrastará com ela a Europa e o euro. Não sei quanto gastaram, mas foi muito. Sei que decidiram coisa nenhuma. Sobre a Madeira, outro notável, o presidente da nossa República, disse com ar grave: “Ninguém está imune aos sacrifícios”. Estava nos Açores, onde teve a oportunidade de apreciar o “sorriso das vacas” e verificar que “estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Não sei quanto gastou, mas não terá sido pouco. Disse-me Rita Brandão Guerra, deste jornal, que Sua Excelência se fez acompanhar de 30 pessoas, 12 seguranças, dois fotógrafos oficiais, médico e enfermeira pessoais, dois bagageiros e um mordomo inclusos.

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A matemática é uma coisa fácil

Turmas CEF: O testemunho de um professor enxovalhado

Hoje sofri bullying dos alunos. Já participei tudo e vou queixar-me ao meu advogado e ao Estado português. Nem imaginam como me impressionou, logo a seguir à minha aula, ver um colega completamente desesperado com as lágrimas nos olhos, pois ele nem a chamada consegue fazer. O director tem de actuar forte e feio.
A mim, ao fim de mais de 20 anos de carreira, deram-me este mimo: «O professor é uma merda e vir às suas aulas é uma merda»… Arrotaram e deram pus… Colocaram phones, levaram bola, bateram nas carteiras e cantaram… não sei como me segurei. Algumas vezes, penso que vou fazer uma asneira e arrepender-me para o resto da vida… nem me conheço… fiquei calmo, calmo, mas duma calma doentia…
O meu advogado disse-me isto: se alguma vez eles lhe levantarem a mão para si, não responda. Saia e faça queixa, mas não se atire a eles… eu acho que me ia dando uma coisa hoje! Um vagabundo a dizer-me aquilo é surrealista…
Estou doido da cabeça – pior … Pela manhã, pela minha janela, outra turma… um tipo penso que tentou passar ou vender tabaco ou droga… Eu disse ao vagabundo «Senta-te já». Respondeu-me «Cale-se» e pediu dinheiro … para comprar lá fora.
O director esteve na sala, chamei-o, mas isto já não vai com directores… A certa altura, quando ele ia a sair, há um malcriadão que lhe diz, nem sei se ele se apercebeu ou fez de conta, «feche a porta por causa das correntes de ar»…
Perante isto não tenho mais nada a comentar, a dizer, simplesmente que não tenho saúde para isto. É uma relação de provocação contínua nos CEF’s [Cursos de Educação e Formação]. Impossível, a nossa profissão… esta não foi ensinada nem no estágio, nem na experiência, nem na faculdade… isto passa já para a secção de delinquência e psicologia.

(Enviado por um professor devidamente identificado que solicita o anonimato)

rigor, upa! upa!

Sobre os professores: o cão de Pavlov

O pequeno mundo da defesa das ideias partidárias é de uma pobreza vocabular e de uma estreiteza argumentativa impressionantes, a ponto de ser possível assistir ao espectáculo de ver homens inteligentes reduzidos à emissão de simplismos, como já foi o caso de Pacheco Pereira ou Vasco Graça Moura nos tempos do cavaquismo, para escolher dois intelectuais de uma trincheira política que não frequento.

Nos dias de hoje, nesta espécie de reino do pensamento único em que querem obrigar-nos a viver, propagam-se algumas ideias igualmente básicas. Com o objectivo de anestesiar a populaça, o poder e respectivos seguidores e apoiantes tentam explicar que “vivemos uma situação extraordinária”, que “todos temos de fazer sacrifícios”, que “as coisas agora mudaram”. Tentam, no fundo, que nos conformemos, que aguentemos.

A opinião pública, mesmerizada pelas gravatas tecnocráticas dos governantes, prefere não pensar e lida mal com quem não se conforma. Diante dos que tentam pensar ou na presença dos que procuram argumentar, mandam-nos falar mais baixo, dizem-nos para ficarmos contentes porque há outros que estão piores e não faltará muito tempo para considerarem o acto de respirar como um privilégio. [Read more…]

É o tempo, estúpidos!

Antes de começar: não me interessa entrar em nenhuma competição para descobrir se há classes profissionais mais prejudicadas do que outras. Não ignoro que há quem viva muito pior do que os professores, mas os que estão pior do que nós não nos devem impedir de falar dos nossos problemas. Finalizando este intróito, os problemas dos professores vão para além de questões meramente corporativas: é a Educação que está em causa.

Terminados os preliminares, passemos ao acto.

Os professores, ao longo de vários anos, têm visto as suas condições de trabalho serem lesadas, nomeadamente, através de uma sobrecarga com tarefas de cariz administrativo. Para além disso, não é de mais relembrar que os professores pagam, do seu bolso, tudo o que implica deslocações e alojamento, para além de terem de comprar muito do material necessário ao seu exercício profissional, financiando, na prática, a empresa para que trabalham. Como se isso não bastasse, ainda foram alvo de congelamentos vários, reposicionamentos na carreira, diversos aumentos de impostos e cortes salariais.

Uma reportagem de hoje sobre as tão célebres quão esquecidas aulas de substituição já foi comentada pelo Paulo Guinote, que deixou, igualmente, um desafio. A propósito disso, e muito brevemente, quero só lembrar que aos professores foi retirado, com destaque para os últimos seis anos, o bem mais precioso da profissão: o tempo. [Read more…]

No público não vale tudo mas no privado é um negócio

O Público conta-nos hoje que alguns alunos do ensino recorrente (por módulos capitalizáveis) entraram em Medicina, e faz disso quase um escândalo. Antes de as Novas Oportunidades terem chegado trabalhei no recorrente durante três anos. É um modelo que facilita a vida a adultos trabalhadores-estudantes (e assim deve ser) mas sem comparação com os EFA’s que o substituíram: os programas são os mesmos do ensino diurno, e na prática apenas se permite que cada módulo (correspondente a cada período) seja feito por exame. Ao contrário do que ali se escreve é impossível fazer o secundário num ano, e os exames são tão válidos como os nacionais.

A bem dizer pensava que esta modalidade estava extinta, assassinada pelas Novas Oportunidades, embora na altura tenha estranhado o aparecimento de aúnuncios de abertura destes cursos no ensino privado.

E esse é o escândalo que agora se revela. Parece que médias de 20 por aqueles lados vão nascendo, já que tal como no ensino regular um tolinho qualquer deu a estas escolas autonomia para a realização de exames. Não sei se estão a ver o filme: sou cliente de uma empresa que me examina. Em última análise se a coisa não correr bem posso pedir o livro de reclamações (estou a exagerar, mas a lógica é essa).
Quando agora lemos isto: [Read more…]

Um concurso armadilhado

O que aconteceu nesta fase do concurso de professores é muito simples: deliberadamente montou-se uma perfeita aldrabice para, entre a injustiça e a confusão, aparecer um Ramiro Marques a escrever:

Nuno Crato, em silêncio, deve tirar uma conclusão do episódio: pôr fim aos concursos nacionais, entregando aos agrupamentos de escolas a tarefa de recrutar professores para preenchimento de necessidades transitórias.

Após este comerciante (que não deve ter ganho pouco dinheiro com os seus blogues publicitários à custa da luta dos professores contra a avaliação de desempenho da socióloga Rodrigues, dedicando-se agora à defesa intransigente da privatização das escolas públicas, lá deve ter novos negócios em mira), outros virão. Para quem está fora do assunto: as denúncias do que se vai passando nas escolas onde as direcções, ou os municípios, têm autonomia na contratação de professores, para todos os efeitos funcionários públicos, colocam a coisa ao nível da Madeira: ele é parentes, conhecidos e outras amizades. Enfim, o expectável.

O que está em causa é muito simples: funcionários públicos contratam-se através de concursos transparentes, ordenando-os com critérios claros, ou funcionam exclusivamente pelo factor c(unha). Nestas coisas os neo-cons (ler em francês) ultrapassam em muito Salazar, que ainda obrigava os procedimentos a algum decoro. O resto é areia para os olhos.

Olé?!

Educação para todos?

No país cuja Constituição consagra a gratuitidade do ensino, obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol e a exposições mundiais ou enquanto desvia impostos e cortes salariais para desmandos privados e disparates regionais.

Diante dos que são impedidos de continuar a estudar, muitos argumentarão que “sempre foi assim” ou que “não somos todos iguais” ou que “não podem ser todos doutores”. Dos jovens ouviremos frases como “Tive de ir trabalhar, que os meus pais não tinham dinheiro para eu continuar a estudar.”

O arrepiante de tudo isto é que estes ditos são iguais àqueles que eram pronunciados antes do 25 de Abril. Já se sabe que não somos todos iguais, mas, numa democracia moderna, esperar-se-ia que tivéssemos oportunidades semelhantes, que pudéssemos contar com um Estado em busca de justiça social. Em vez disso, sempre ao arrepio de uma Constituição que tantos querem alterar, temos um Estado a esvaziar-se, muito contente com o dinheiro que vai obter nas privatizações, com anéis e dedos metidos no mesmo saco.

As finanças públicas, atacadas por vícios privados, poderão ficar, finalmente, equilibradas. Numa contradição que me será sempre estranha, o país ficará tão bem como mal continuarão as pessoas.

Programa de merchandising eleitoral Magalhães suspenso

No TEK:

Os alunos do primeiro ciclo do ensino básico não vão este ano poder inscrever-se para ter acesso ao programa e-escolinha e ao computador Magalhães.

Limito-me a reproduzir o que havia escrito há dois anos e meio:

1. O Magalhães não se destina a permitir que os alunos tenho acesso à informática. Para isso criavam-se centros de cálculo nas escolas, garantindo em simultâneo que as gerações seguintes também pudessem usar estes recursos (alguém acredita que a fonte dos Magalhães ainda jorrará depois das eleições?). O Magalhães destina-se a comprar votos, os dos pais dos miúdos que recebem em casa uma pechincha. Nada que Valentim Loureiro não tenha já feito com frigoríficos. [Read more…]

Quando menos por menos não dá mais

Santana Castilho *

Em Álgebra, menos por menos dá mais. Mas o sistema educativo não se gere com as leis algébricas. Fazer mais com menos, como pede o ministro, supunha saber. E ele não sabe. Sou precoce na sentença? Não, não sou. A emergência financeira que o país vive não se compadece com estados de graça. Quem criticou tanto (ele, Crato) e jurou que faria tanto (ele, Passos), não pode chegar e cortar, só, cegamente, erradamente. Não podem ser mais rápidos que a própria sombra para cortar e taxar e remeterem para decisão posterior o que deviam fazer no dia seguinte à tomada de posse. [Read more…]

Entroncamento

Já hoje escrevi sobre comboios, inspirado no “nosso” Dario. Foi um momento “Aventar” para os lados do “Apache”.

Ao passar o Entroncamento lembrei-me dos preços dos manuais escolares, esse esbulho do reino do sem rei nem roque. O resultado do entroncamento entre os interesses privados das editoras e os desígnios dos técnicos do ME. Pode o governo ser PS, PSD ou de coligação que, nesta matéria, tudo fica na mesma.

São fenómenos tão singulares. Coisas do Entroncamento…

A má obra da Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva desmonta mais uma socretinice do Daniel Oliveira, agora defensor cego da Parque Escolar.

Acrescento que a Parque Escolar enquanto dona de obra demonstrou uma incompetência que chega a tocar as raias do ridículo. Dos pavilhões onde chove, e a culpa é do clima à ausência de estacionamento (não me venham com a conversinha dos professores usarem transportes públicos: a carta de condução e a propriedade de um veículo automóvel é hoje obrigatória na profissão, e chega a ter indirectamente força de lei) ao aumento do consumo energético:

Daniel Oliveira titulou seu artigo “As escolas públicas querem-se velhas e frias” com uma ironia que lhe acerta no pé.

Não se trata de mera incompetência: é dos livros que o dono da obra tem de conhecer muito bem o local onde se implanta e as funções a que se destina. Não é o caso da Parque Escolar e as direcções das escolas foram na maior parte dos casos completamente afastadas do seu planeamento e execução. Se é verdade que um bom arquitecto, ou engenheiro, se preocuparia com isso, nem sempre sucedeu. Como também é dos livros, a catástrofe está à vista, e como bem sabemos, é irreversível.

A escola e a escola da vida

porta fechada

O governo proletariza os cidadãos

Sendo a escola um espaço obrigatório de passagem, que importância terá para aqueles que não foram obrigados a incluí-la no seu percurso de vida?

Sendo a escola local privilegiado de aprendizagem, como aprendem aqueles que não a frequentaram, que apenas o fizeram de uma forma rudimentar ou que a deixaram há muito?

Sendo a escola um espaço essencialmente frequentado por crianças e jovens, como relembrar os idosos o seu tempo de escola?

Sendo a escola um lugar público e obrigatório de aprendizagem, porquê colégios privados e caros? [Read more…]

O Demo Crato

Depois da Sinistra Ministra dedicado a Maria de Lurdes Rodrigues e de Uma Aventura Sinistra que homenageava Isabel Alçada, chegou a vez de Nuno Crato ter direito ao seu Demo Crato. Dizem que também por lá vou andar, disfarçado de anjinho.

 

Cabum

Tumultos docentes

Consta que esta será a primeira manifestação onde a polícia terá como missão extra verificar se o pessoal é portador de isqueiros ou fósforos (em breve ambos serão alvo de imposto, recuperando uma saudável tradição portuguesa, agora por motivos menos proteccionistas da indústria nacional).

será?

Sobreviver ao acordo ortográfico nas escolas

As primeiras vítimas do acordo ortográfico iniciaram a penitência por estes dias. Tinha de sobrar para os professores, o Paulo Guinote foi dos primeiros a sofrer o choque das letras desaparecidas.

O assunto já fez correr muita tecla no Aventar (ler a categoria acordo ortográfico) e a seu tempo deixei o meu nim: se a língua portuguesa deve ser unificada tanto quanto possível, que o seja a sério, e adivinho no horizonte uma reforma ortográfica. Além disso o vocabulário nacional foi feito por quem fala a norma dos gabinetes, cortando consoantes mudas que não o são, tipos em delírio pensando que a malta diz fato por facto, quando é um facto que quem nos ensina a falar também são as letras e não as etimologias que só vivem na cabeça da erudição mais bacoca. Pessoal ao nível do génio que colocou este ano os professores obrigados à imposição de uma norma quando a maior parte dos manuais ainda está na outra.

Ora isto tudo é muito giro, mas na vida real a dialéctica gajo da esquerda revolucionária mas muito conservador numa data de coisas ameaça-me com psico-avarias potencialmente graves. Salvação? viva a tecnologia: existe uma ferramenta, gratuita, para os três sistemas operativos, onde se mete um ficheiro na norma antiga e sai um novo na norma em que agora sou obrigado a escrever profissionalmente. Tenho testado, funciona e recomenda-se. Descarrega-a, e evite escrever nas duas ortografias, o que convida ao erro e à dupla personalidade,  para isso já temos dialécticas que nos cheguem na vida (por acaso o c da dialéctica é dos tais que não estão lá a fazer nada, mas o hábito também faz a escrita, e a idade não perdoa).

Corrigido por indicação de quem sabe. Ia jurar que já li fato por facto, algures num jornal qualquer, mas pelos vistos sobrou um bocadinho de bom senso.

O concurso de professores e os erros informáticos do costume

Não é novidade nenhuma que os concursos para professores sofram do eufemismo designado por erro informático (que tenta despachar para as máquinas as asneiras dos humanos).

Ontem os resultados forma publicados às 10h, mas 10 minutos depois retirados. Valeu que dois blogues (o Professores Lusos e o Blog DeAr Lindo) foram publicando os pdf’s que alguns tinham conseguido descarregar, prestando um serviço meritório e solidário.

Estamos a falar de umas 50 000 pessoas ansiosas por saberem onde vão trabalhar, e sobretudo se vão trabalhar. Mas como na maior parte dos casos são descartáveis o Ministério que só à tarde voltou a colocar as listas online nem uma explicação deu.

Como já foi por aí sugerido, subscrevo a ideia de que para o ano o Ministério enviei as listas directamente para os blogues, que a malta trata do assunto. E não estou a brincar: 50 000 a acederem a um servidor é realmente complicado, e trata-se apenas de seguir o exemplo dos resultados eleitorais, há muitos anos distribuídos por vários órgãos de comunicação social resolvendo-se assim os entupimentos de outros tempos.

Entretanto o dia amanheceu com mais uns 30 e tal mil desempregados. Nada de novo na frente liberal do oeste.

Uma oportunidade perdida

Santana Castilho *

Que temos, dois meses depois? Pensões e salários violentamente tributados, dividendos e transferências para os offshores isentadas. Dez por cento do PIB nas mãos dos 25 mais ricos, cujo património aumentou 17,8 por cento. Impostos e mais impostos, que juraram não subir e de que se serviram para correr com o outro. Aumentos brutais do que é básico, da saúde aos transportes, passando pela electricidade e gás. Venda em saldo do BPN, sem direito sequer a saber os critérios da escolha da proposta mais barata, depois de todos nós termos subsidiado com 2.400 milhões de euros, pelo menos, vigaristas, donos e falsos depositantes. Afã para vender a água que beberemos no futuro. Quinhentas nomeações para a máquina do Estado, cuja obesidade reprovavam. Abolição da gravata. Espionagem barata com muito, mesmo muito, por esclarecer. Descoberta de um caixote de facturas não contabilizadas no esconso de um instituto em vias de fusão. Início da recuperação do TGV, antes esconjurado. Promessa de bandeirinhas nacionais em tudo o que se exporte. Um presidente que se entretém no Facebook, cobardia colectiva e mais uma peregrinação reverencial à Europa, que o primeiro-ministro inicia hoje. A tesouraria do Estado necessitou da troika. Mas o país dispensava o repetido discurso de gratidão subserviente de Pedro Passos Coelho. Aquilo a que ele chama ajuda é um negócio atípico. Atípico pelos juros invulgarmente altíssimos e atípico por o prestamista se imiscuir violentamente na vida do devedor, a ponto de ter tornado o Governo de um país com mais de 800 anos de história, outrora independente, num grémio administrativo de aplicação do acordo com a troika. [Read more…]

Querida, encolhi as creches

A arte de Pedro Mota Soares, a caminho do Rossio metido na Rua da Betesga. Pode ficar descansado: por enquanto o seu filho ainda não vai ter de dormir a sesta de pé.

via Minoria Relativa

 

Sou cigano

Curta de animação realizada no âmbito do Festival ANIMAIO, em Abrantes, na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, de 4 a 8 de Abril de 2011. Adaptação do livro “A História do Ciganinho Chico” de Bruno Gonçalves.

Um neoliberal é isto, Álvaro!

Santana Castilho *

1. O Álvaro, que veio do Canadá para pôr a economia do país na ordem, disse na Assembleia da República que não sabia o que era um neoliberal. Agostinho Lopes ensinou-o assim: “…É alguém que tem três axiomas com que justifica tudo: globalização, revolução científica e técnica e competitividade. É alguém que tem três mandamentos sagrados: privatizações, liberalização dos mercados e desregulamentação dos mecanismos de orientação económica. E tem um único instrumento como variável de ajustamento dos desequilíbrios: o preço do trabalho …”. A lição dada ao Álvaro, se complementada com a compulsão para aumentar impostos e taxas, faz uma bela síntese da actividade do Governo até agora.

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Quem dá aos colégios empresta a Deus?

O governo decidiu aumentar em de 80000€ para 85000€ o financiamento do ensino privado por turma, aumentando igualmente o número de turmas subsidiadas sem ter em conta a concorrência desleal (porque muitas escolas privadas seleccionam os seus alunos) com o ensino público.

Como ficou a seu tempo demonstrado o custo de uma turma no ensino privado pode ficar por 73.920 euros, ou menos, dependendo das ilegalidades que se vão cometendo sobre os professores que ali trabalham.

Não tenho grandes dúvidas de que os 5000 euros/turma irão direitinhos para o lucro dos empresários  e fiquemos assim com mais uma certeza no que toca ao apregoado liberalismo coelhista: o governo gasta mais, sustenta o empreendedorismo e ataca o próprio estado.

É fartar vilanagem.

Carta do Canadá: A grande mentira

A partir de 31 de Agosto do corrente ano,  os professores de Português colocados no Canadá e nos Estados Unidos em regime de “destacamento”,  perdem o vínculo ao sistema educativo de Portugal. Estes professores,  muitos deles com 30 anos de serviço à língua portuguesa,  fizeram os seus descontos para a segurança social e nunca receberam salários pagos pelo estado português.  Trabalharam em escolas privadas,  pelas quais pagaram os seus impostos no Canadá. Resta-lhes a opção de regressarem a Portugal para trabalharem numa escola ou de, simplesmente, resignarem-se a perder o que julgavam  direitos legítimos e adquiridos. São raros os que optam pela primeira solução por terem aqui a sua família e a sua vida organizada há  muitos anos e,também, pelo  receio de regressarem ao país  no momento em que estão a ser fechadas centenas de escolas,  com promessa formal de serem encerradas mais umas centenas no próximo ano lecttivo, o que garantidamente aumentará  o astronómico número de desempregados.

     Esta situação foi criada e acelerada pela teimosia ignara de um antigo secretário de estado das Comunidades,  António Braga,  que não descansou enquanto  não tirou o ensino básico  de Português no estrangeiro ao Ministério da Educação para o entregar ao Instituto Camões(IC),  portanto sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros,  organismo que,  sobre não ser vocacionado para este grau de ensino,  tem dado ao país a imagem de uma espécie de gare de Santa Apolónia:  um desassossego,  uma salganhada,  um sorvedouro de milhões.  O objectivo de Braga era claro e à sua altura:   ficar com as rédeas do ensino,  fazer gato sapato  dos dirigentes do IC,  de modo a colocar nas coordenações os seus amigos, assim apaziguando as recalcadas iras do seu tempo de mestre escola. Prova do que afirmo foi o saneamento selvagem da coordenadora  para  os Estados Unidos,  Graça Borges Castanho, requisitada  à Universidade dos Açores,  e o afastamento precipitado da coordenadora para o Canadá, Graça Assis Pacheco,  convidada pela presidente do IC a renovar o seu mandato por  mais três anos, tendo já cumprido 14, depois de prova de concurso, o que obviamente só  foi possível pela desautorização boçal  que o antigo governamente impôs à (pelos vistos) passiva responsável pelo departamento. [Read more…]

Novo modelito

Nuno Crato versus Nuno Arrobas

Santana Castilho *

Ouvi o professor Nuno Crato, no domingo, no programa do professor Marcelo. Sujeito a perguntas indigentes, nada disse. Só falou! Uma excepção: Nuno Crato estabeleceu bem a diferença entre estar no Governo e estar de fora. Quando se está no Governo, disse, “tem de se saber fazer as coisas”; quando se está de fora, esclareceu, apresentam-se “críticas e sugestões, independentemente da oportunidade”. A feliz dicotomia trouxe a luz: arquivemos Nuno Crato, crítico, e ajudemos Nuno Arrobas, ministro, a saber fazer as coisas. Eis sugestões oportunas:

Desista de implodir o ministério, mas discipline-o. Se não sabe o que fazer, contenha-se enquanto aprende. Mas respeite quem trabalha para preparar o próximo ano lectivo. Desleixo, impreparação e descoordenação são qualificativos apropriados para referir a trapalhada dos últimos dias. Ora extinguiram turmas de cursos de Educação e Formação de Adultos, ora as recuperaram. Feito o trabalho com base nas informações de meio de Julho, veio a directora-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular dizer, a 29, que, afinal, a música era outra. E para partitura, puxou de um decreto-lei que respeitava à Saúde ou de outro que já não era. Não demore a explicar esta palhaçada. Se o Nuno, o Arrobas, não souber fazer as coisas, tente o outro, o Crato! Mas faça algo, rápido! [Read more…]