Os mal amados

Portugal, por incompetência e negligência crónica dos políticos, é um exportador habitual de emigrantes. Ao longo dos séculos, e até ao presente, as crises provocadas pelos maus governos têm lançado o nosso povo na penúria e têm-no empurrado para fora das fronteiras, num sofrimento que “é bom ter pudor / de contar seja a quem for”, como disse o (grande) poeta e (grande) esquecido José Régio. Mais: ciclicamente, maus governos que não aguentam críticas têm obrigado a exilar-se centenas de pessoas a quem foi negado o direito da livre expressão e de viverem na pátria. [Read more…]

O mérito (pelos sucessos da política de austeridade)

está na coragem do Governo e na cobardia do Povo, disse com os habituais eufemismos (firmeza, honra, blá-blá) Nuno Magalhães esta manhã no Parlamento.

Anda tudo doido?

Nem sequer me atrevi a ver o vídeo.

Parada com resposta…

Augusto Santos Silva, na sua página do facebook, sobre o já famoso caso “Parada” escreveu isto:

O caso da protocandidatura do PS à Câmara Municipal de Matosinhos é muito triste:
1. Desde logo, a Federação Distrital do Porto e a Direção Nacional do PS deixaram criar um problema onde ele não existia: o Presidente da Câmara em funções, Guilherme Pinto, é um socialista distinto, fez um bom trabalho, está apenas no segundo mandato e pode e quer recandidatar-se. Não se percebe que, nestas condições, o partido aceite mudar de candidato, apenas porque mudou a direção e a vontade da concelhia.
2. Depois, declarações como as que aqui em baixo se reproduzem, do atual presidente da concelhia e protocandidato à Câmara, não são infelizmente a exceção, mas sim a regra do que o dito pensa e diz.
3. Os partidos não são agregados de estruturas locais. São instituições com princípios, ideias e programas próprios. Os partidos não são siglas emprestadas a grupos de interesses ou a comunidades de afetos, por mais legítimos que sejam esses interesses ou por mais compreensíveis que sejam as emoções.
4. Nos termos que se anunciam, a candidatura do PS à Câmara de Matosinhos envergonhará o PS.
5. E, depois, é muito triste ver como os partidos tratam as localidades como se fossem seus feudos. Não é verdade. E, mais cedo ou mais tarde, os eleitores encarregam-se de mostrar aos partidos que são mais do que carneirinhos obedientes e acéfalos.

 

Clap, clap, clap!

O Berlusconi da CGTP

Há uns dois ou três anos, uma graçola daquelas em que Berlusconi se tornou perito consagrado, colocou toda a gauche em polvorosa. Referindo-se a Obama, o berluscas dizia algo a respeito do habitante da Casa Branca e logo acrescentava que “ainda por cima já vem bronzeado”. Unidas as câncias e oliveiras de todo o comentadeirismo nacional, o italiano foi justamente arrastado para onde se sabe.

Parece que ontem o sr. Arménio proferiu um desabafo a respeito de Suas Majestades os Reis Magos, tomando como alvo o seu simulacro agora em portuguesa labuta. Oriundo da Etiópia e de imperial nome Selassié, foi topado como escurinho. Pelos vistos, o PC e os seus seguem á risca os prestimonsos ensinamentos dos tempos em que os estudantes negros na extinta URSS sofriam tratos de polé nas universidades, institutos e residências estudantis. É que isto das fraternidades não é para todos.

A pain in the back

Low_Back_Pain_BigSendo o PS um conhecidíssimo comensal da CIA de outros tempos, o senhor Costa das demolições olissiponenses, aproveitou uma promoção do American Club e resolveu declarar-se – sem se declarar expressamente -, como o mais certo rival do inseguro Seguro à liderança do Partido Socialista. Num encontro promovido pelo amigos além-Atlântico – a propósito, um outro ilustre socialista que ainda há uns tempos deixou num tal “International Club” algumas tiradas da sua graça, foi o conhecido e afamado “Prof. Doc.” Baptista da Silva – , António Costa apareceu mais ancho que nunca, risonho e com aquele ar de vitória antecipada.  A ver vamos, ou como dizem os nossos velhos aliados ingleses, wait and see.

Definitivamente, este país tem uma certa queda para os Costas. Depois, não se admire das dores no lombo.

Por falar em manipulação

ImagemA jornalista Patrícia Silva Alves, de quem já li outras coisas na Visão, no i e por aí na blogosfera (umas, com interesse; outras, nem tanto), publicou na última Sábado um trabalho sobre manipulação de dados. Sob o título “Como usar os números para enganar”, a plumitiva usa o exemplo da Argentina, onde a inflação oficial é de 10%, e peritos internacionais apontam para 25%.

A Revista The Economist terá mesmo abolido como referência nos seus indicadores os dados oficiais, sob o argumento de que “estamos cansados de compactuar com o que parece ser uma tentativa de enganar votantes e investidores”. O caso é tanto mais grave quanto é certo que o FMI deseja suspender o direito de voto do país enquanto não forem emitidos dados fiáveis.

A ser verdade o que se afirma ali, e nada nos move em contrário, a McDonald’s terá articulado com o governo um preço abaixo da tabela para o Big Mac (será o mais barato de menu), usado pela revista The Economist para medir o custo de vida em vários países. Sendo a jóia da coroa e o hambúrguer mais famoso da cadeia, aquela multinacional tenta contornar o preço baixo ao tirá-lo da circulação em muitas das suas lojas, obrigando a que se consumam hambúrgueres mais caros. [Read more…]

Gestação

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Le peuple des pauvres (JF Favre 2008)

Algo novo cresce, posso senti-lo – outro mundo, os filósofos dizem-nos grávidos dele. Apesar disso, em Portugal ainda não se acabaram os ecos sobre a brandura nacional, que a ser verdade percorreria as veias do sangue do povo português, fazendo dele a negação daquela “brava gente” afinal frouxa, que come pouco e cala muito, e se não está bem muda-se lá para fora, por onde de qualquer modo está habituada a andar. Abstêm-se? É porque não merecem mais do que o país que têm. Baixam a bola e entregam os pontos? É porque são cobardes, medrosos, habituados a ser subjugados e a uma vida de revolta – já nem saberiam viver doutra forma.  Não querem saber? É porque são burros que nem portas, unidades absortas da manada, gente nascida para ser dirigida, que ainda não largou o século XIX. [Read more…]

Leituras de fim-de-semana

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As minhas leituras de fim-de-semana começam à sexta. Reservo esses dias como tempo livre, logo para leituras não tão sérias, deixo-me levar ao ritmo dos faits-divers. O que não quer dizer que sejam menos importantes do que os alegadamente assuntos mais sérios… Ou que mereçam menos reflexão!

Do que já li hoje, por entre citações, notícias e outros lugares-comuns, respigo estas: [Read more…]

Blogs do ano 2012 – votação suspensa

Anunciamos a suspensão deste concurso, que reabrirá 2º feira, adiantando-se todas as datas uma semana.

Porquê? por um erro crasso da nossa parte. Ao permitirmos inscrições após o início da votação não contávamos com um número tão elevado. Por isso tentámos um procedimento automático de cópia das nossas inscrições.

Como a pressão para rapidamente colocar os inscritos nas votações não deixou tempo para testes extensivos, surgiram alguns problemas:  desapareceram os links dos blogs que já estavam a votos. Ora o principal objectivo deste concurso é precisamente divulgar os blogs que se vão fazendo em Portugal. Não encontrando solução automática para isto, só nos resta refazer tudo no próximo domingo, além de obviamente pedir desculpa pelo sucedido. Até lá nada impede que se façam novas inscrições, que  estão reabertas na página respectiva.

Por outro lado deveríamos ter comunicado por mail o método de votação a todos os concorrentes, de forma a que fiquem em igualdade de circunstâncias.

Optámos, após a experiência do ano passado, por permitir que cada endereço IP (não confundir com cada computador, digamos que se trata antes de cada ligação à net) possa votar de 24 em 24h. Porquê? porque é relativamente fácil mudar de endereço de IP. Isso permitia a alguns “expertos” votarem muito mais vezes, prejudicando quem honestamente não o fazia. Não sendo um sistema perfeito, foi a solução menos má que encontrámos. Assim, quem divulga a votação no seu blog pode e deve informar os seus leitores desta possibilidade.

Entretanto comprometemo-nos a contabilizar os votos que já tinham sido expressos, mesmo que tenha de ser feito de forma manual.

Construção (1971)


Chico Buarque, do álbum Construção (1971)

Edite “Chaucer” Estrela

Penso que foi Chaucer pai quem, dissertando sobre a diferença entre linguagem formal e coloquial, dizia: “Eu sei que em inglês devo escrever what time is it? e what o’clock is it?; no entanto, eu pergunto à minha mulher  times’t? e clocks’t?,  e ela entende-me perfeitamente”.

Ler isto sobre o pai da literatura inglesa deverá ter levado Edite Estrela a sentir-se respaldada no sentido de, sendo uma teórica de bem falar em português (com obra publicada), poder usar a nova linguagem sms ou internetês para, no twitter, fazer convites para jantares, ditos de amigos.

A notícia diz que o fez, ainda que cometendo o lapso de usar o canal errado para lançar convite a determinada pessoa – e acompanhante – para jantar com JS, José Sócrates segundo a mesma notícia.

Pena o engano no canal não nos permitir saber quem é quem neste convite, a quem JS deu a bênção, e se o aludido jantar se realiza (ou realizou) em Paris, Estrasburgo ou Bruxelas…

E, já agora, quem o pagou!

De certeza que o mundo não acabou?

Ao ler esta notícia pela manhã, fiquei a saber  que andei enganada por mais de 20 anos: afinal a proximidade nem sempre foi o oxigénio da imprensa regional, pois que agora é que se vai apostar nela.

E descobrir exemplos como o secular “Aurora do Lima” – que, nas palavras do director – se viu obrigado, ao fim de 150 anos, a contratar um comercial…é mais ou menos como ter um tesouro escondido no soalho da casa sem saber.

Por último, mas nem por isso menos importante, essa janela de oportunidades que nos mostra o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro: “Estamos a dialogar com o Ministério da Economia para que na preparação do novo quadro de apoios comunitários os CAE (Classificação de Atividades Económicas) das empresas jornalísticas sejam aceites nas candidaturas ao Quadro de Referência Estratégica Nacional» (QREN), disse à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), João Palmeiro”. Contando que não seja apenas um incentivo feito à medida para os suspeitos sujeitos do costume, tudo bem!

Lhasa…saudade

Já passaram três anos. Saudade…

Quem estiver sem pecado lhe atire a primeira pedra

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Sempre fui curioso e aberto à mudança. Daí que tenha chegado a Mafra, à Escola Prática de Infantaria, razoavelmente politizado. Estávamos em 1973 e acontecia uma das mais estranhas incorporações do velho regime, aquela que levou ao COM (curso de oficiais milicianos) uma turba multa de trintões, alguns que já eram figuras públicas.

Para mim, um anónimo trabalhador-estudante de Letras, era o passo seguinte de quem sabia também que a melhor forma de “levar” a tropa era passar despercebido, “arranhar” apenas o essencial e esperar que a sorte não me enviasse para um buraco muito crítico. Sim, porque o Ultramar estava-me definitivamente aplicado, ou não estivesse “referenciado” (sem honra nem glória, já que nada fizera a não ser frequentar alguns lugares menos recomendáveis para o regime e ouvir algumas vozes da mudança que se desejava) por um daqueles informadores da polícia política, no caso o porteiro da faculdade, meu “amigo” do peito, nascido em aldeia vizinha, companheiro de copos e tertúlias. Ingenuidades! [Read more…]

Depois de ter sido Condenado por Burla, Abuso de Confiança e por ter passado Cheques sem Cobertura,

artur baptista da silvaEntendo perfeitamente porque é que o homem diz que é muito fácil renegociar a dívida.

Daqui

Afinal quem foi engrolado?

A extrema-direita insurgente e blasfema acha que lhe caiu no sapatinho um Artur Baptista da Silva. Vai-lhes custar a entender como o presente estava envenenado.

Não querem contra-argumentar em relação ao que o homem disse (e que é de senso comum), tal como Pires de Lima comeu e calou num frente-a-frente televisivo  A festa surge porque podem atacar ad hominen, com razão, convenhamos, embora não tão extensível como pensei inicialmente em relação ao jornalista Nicolau Santos (um homem, que soube admitir o seu erro, coisa que nem sequer entendem, os fanáticos desconhecem a remota possibilidade de perderem a razão): a responsabilidade principal cabe a um desses clubes lisboetas onde se janta numa anglo-tradição de snobs, e pelos vistos um cartão de visita chega perfeitamente como credencial. Curiosamente não enrolou a Associação Abril, horror dos horrores, podia ao menos ser uma colectividade de Novembro,

Eu levo com o clássico argumento insurgente: faltam-me “uns rudimentos de economia”, e isto vindo de uma casa onde se confunde diariamente finanças e gestão com economia política e a ignorância sobre e História Económica e Social é crassa, esgotado o catecismo de Viena. De caminho levo com uma inovação vocabular, “engrupido“, seja lá o que isso for na língua em que foi imaginado. Nada de novo onde já me foi explicado que como professor de História do secundário não estava à altura dos doutos, por sinal ignorantes. [Read more…]

O Natal cheira a fritos, cheira a fome.

 

Dos aromas mais presentes na minha memória quando me lembro do Natal da minha infância: o cheiro dos fritos espalhado pela casa. No dia 24 de Dezembro acordava invariavelmente com o cheiro dos fritos a dançar-me nas narinas, puxando-me para fora da cama. Era o único odor que conseguia encobrir um outro também muito marcante: o do cigarro matinal do meu pai.

Na manhã da véspera de Natal era o cheiro das rabanadas já fritas que reinava. A minha mãe levantava-se bem cedo para fazer as suas rabanadas, tão especiais que tinham que ser feitas antes que o meu pai saísse da cama. Tudo isto porque ele sempre detestou leite e recusava tudo o que era feito com leite. As rabanadas da minha mãe são especiais precisamente por serem feitas com aquele líquido… [Read more…]

Um Charlatão

Deu uma das entrevistas mais interessantes que ouvi nos últimos tempos. Pouco profissionalismo por parte de todos os que nem sequer questionaram a idoneidade do senhor? Pura ingenuidade? Ou o desejo, ainda que insconsciente, de fazer passar a mensagem? Não sei, mas gostei. Muito. Desde a entrevista ao caricato da situação. Parabéns, Artur Baptista da Silva!

Querelle (1987)

Pop Dell’Arte, do álbum Querelle/Mai 86 (1987)

Zangam-se as comadres…

Segundo o jornal “Público”,

O ex-director de Informação Nuno Santos disse esta quarta-feira que o seu antigo subdirector Luís Castro é “um mentiroso, um miserável e uma pessoa desprovida de carácter” e que o director-geral de Conteúdos da RTP não tem “um pingo de credibilidade”.

Segundo um mestre de ioga, quando apontamos o dedo a alguém, há sempre três dedos apontados a nós. Experimentem o gesto!

É rasteiro ganhar na secretaria

Santana Castilho*

Não cito o título do livro, que me perdoe o seu autor, Alberto Pimenta, para não ferir a sensibilidade dos leitores mais puritanos. Mas transcrevo uma passagem (edição de “Regra do Jogo”, 1981, págs. 37 e 38):

“… a secretaria, toda a secretaria da mais baixa à mais alta, não é, como se supõe, o lugar onde se faz, mas o lugar onde se não faz, onde se sonega, onde se põe por baixo do monte o papel que devia estar em cima, onde se perdem os papéis, onde se dificulta, se atrasa, se mente, se mexerica, se intriga, se afirma desconhecer o que se conhece e conhecer o que se desconhece; na secretaria se começa a deixar de fazer aquilo para que a secretaria foi feita … e se passa a fazer o que convém à secretaria que se faça …”.

Modere-se a ideia citada, despindo-a de uma generalização que considero abusiva, tomemos “secretaria” por aparelho administrativo e burocrático que serve o poder político e não nos faltarão factos emblemáticos para ver como tal ideia é actual. [Read more…]

Lorelei [1982]

Hubert-Félix Thiéfaine (n.1948), do álbum Soleil cherche futur (1982)

Há muito, muito tempo, as pessoas não se podiam agrupar nas ruas

Parece que estamos a regredir, mas é só impressão minha. Tenho a certeza de que estas pessoas estavam a provocar distúrbios. . Para quem não conhece, Myriam Zaluar é activista do movimento Precários Inflexíveis. Mais uma coincidência? Náááá!!!!

Benjamim Niputa, ou uma estória de Natal (conclusão)

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Benjamim Niputa exportava toda a felicidade que lhe ia na alma. Ria, enroscava-se numa longa gargalhada, dava graças, saltava, dançava como que imbuído de um batuque imenso, bem no fundo de si, telúrico.

Sentados na messe, os oficiais comentavam. Bebendo no bar, os sargentos riam. Sentados no chão da caserna, os soldados abriam o cantil e escorropichavam o resto do vinho servido ao jantar. Em profusão, como convinha nas festas.

Os dias seguintes iam correndo ao sabor das exigências militares, das saídas para a Beira ou para a Manga, onde, a coberto de um filme indiano da moda, se apalpavam, nas filas de trás, as intimidades das damas convidadas para a sessão da noite. O Natal era no quartel.

A comissão fabriqueira das solenidades continuava o seu trabalho, estendendo gambiarras pelo arame farpado, cada caserna mostrava do que era capaz, encimando a porta de entrada com enfeites das mais variadas formas. Uma arte original, mas autêntica, invadia os corações. [Read more…]

Benjamim Niputa, ou uma estória de Natal (1)

A memória prega-nos algumas partidas, há que assumir, sobretudo quando a idade, dizem ou nós sabemos, nos traz mais depressa recordações de antanho do que as mais recentes. Há um nome científico para isso, mas não estou para ir pesquisar, não importa para a estória.

Imaginem, então, que, por entre iluminações natalícias nas ruas, as lojas abertas até mais tarde, o costumeiro bulício de gente apressada, vos vem à memória um Natal com 38 anos de idade.

E quem é Benjamim Niputa? Hoje, não sei quem é, se existe ainda, o que fez nas últimas quase quatro décadas. Se está vivo, se foi morto por um animal selvagem ou vítima de uma bala perdida numa guerra civil que o atropelou, se é feliz, se tem – ou não – filhos, se seguiu a carreira militar, se é polícia, se abraçou o apelo das suas mãos prendadas para a arte e hoje é um pacato artesão de um país africano de língua oficial portuguesa. [Read more…]

Noites no Observatório – Sessão Apocalíptica

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Imagem roubada daqui, visite o blog do fotógrafo!

No próximo dia 21 de Dezembro de 2012, o Observatório Astronómico de Lisboa realizará a última sessão do ano de 2012 de as “Noites no Observatório”.

Maias 2012: O Fim dos Tempos?
(Palestra proferida pelo Prof. Doutor Rui Agostinho)

Nos últimos anos têm-se propagado notícias de um fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, argumentos esses que são baseados em interpretações incorrectas da cultura Maia. O seu impacto é manifestado nas publicações de índole genérica, sentido pelo público mais suscetível e, mais preocupante ainda, nos jovens e diversa população escolar.

No contexto cultural científico da sociedade moderna, a transmissão destas interpretações só se torna eficiente quando associada a fenómenos cientificamente comprovados, de modo a atribuir-lhes alguma credibilidade. Por isso, os advogados do “Fim do Mundo”, argumentam que no final de 2012 ocorrerá uma panóplia de fenómenos astrofísicos e terrestres, todos eles com “ligações óbvias” à cultura Maia. Curiosamente argumenta-se que alguns foram estudados ou previstos pelo povo Maia, apesar de apenas terem sido descobertos no último século.

Nesta palestra serão abordados diversos fenómenos astrofísicos que usualmente são apresentados como prova evidente da “catástrofe eminente de 2012”, mostrando-se que não passam de interpretações infundadas e que estão mesmo erradas.


Aconselha-se o uso de roupa confortável e quente, visto que as observações têm lugar no exterior.

O acesso à actividade é livre mas carece de uma inscrição prévia pois, por motivos logísticos, existe um número máximo de participantes. Mais informações a seguir ao corte.

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Ainda o “corrupio” (lendo António Nabais)

 Armindo de Vasconcelos

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Sobre o tema aqui versado pelo António Fernando Nabais e comentado pelo João Esteves de forma superlativa, exemplarmente quando refere o “luxo” de contratar “revisores competentes” vs “ditames do lucro financeiro”, atrevo-me a chamar à conversa o extracto duma entrevista concedida por José Mário Costa, jornalista responsável pelo projecto Ciberdúvidas, à revista “Os meus livros”, em Fevereiro de 2012.

Sobre o panorama da tradução e revisão dos livros, referiu: “Como tudo o que nos cerca, nomeadamente nos tempos que correm, há do bom, mesmo do muito bom, e do pior. É um problema geral do País: a qualidade e a competência cada vez menos estimuladas”.

E, generalizando o horizonte da sua perspectiva, acrescentou: “Passa tudo pelo ensino do português desde a escola primária. Se até há cursos (universitários!) de jornalismo sem qualquer disciplina da área-ferramenta de trabalho nuclear da profissão, qual a surpresa da proliferação do mau uso do idioma nacional generalizado, hoje, tanto nos jornais como na rádio e na televisão?”. [Read more…]

Dia de luto nacional


Confesso que quase chorei. De tristeza, de impotência, de raiva. Por mim, pelos meus, por todos os que desconheço e que ficam, a partir daquele momento, mais pobres, mais frágeis, mais permeáveis ao desespero.
Embora não fosse de forma alguma inesperada, a aprovação do OE2013 atingiu-me como um soco no estômago, como aquela bofetada, única em toda a vida, que o meu pai me deu quando, aos 17 anos de idade, me viu no café com um rapaz que ele não aprovava. Ao contráro do que ele pensava, esse rapaz não era meu namorado. Passou a ser.
Da mesma forma, este governo não era, para mim, totalmente culpado. Passou a ser. [Read more…]

Sindicatos de Professores – eleições directas para mesas negociais

O Sindicalismo em Portugal, como em muitos outros países europeus, vive momentos delicados.

Num contexto em que o papel dos Sindicatos é questionado em permanência, no meio deste tsunami social em que intencionalmente nos colocaram, os trabalhadores também sentem a importância do Sindicato, nem que seja como a última porta a bater depois de todas as outras se terem fechado.

No caso dos Professores há um problema de base que complica tudo – são mais de dez as estruturas sindicais que representam a classe. Existe a FENPROF, liderada por Mário Nogueira e que representa mais professores que todos os outros juntos, mas depois, entre os sindicatos mais pequenos contam-se mais de uma dezena de estruturas.

Maria de Lurdes Rodrigues  (página 11) for responsável pelo primeiro processo de aferição da representatividade sindical para distribuição dos tempos que poderiam ser usados pelos professores para a actividade sindical. Nessa altura, quando havia mais de 1200 dirigentes sindicais a tempo inteiro, a FENPROF tinha 15%. Quando o número foi reduzido para 450,  a FENPROF subiu para os 40% (180 dirigentes) e finalmente, em 2006, foram-lhe atribuídos 146 de 300.

A minha pergunta é simples: a quem interessa esta aparente divisão? [Read more…]