Os ladrões e as medalhas

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Nesta eira de contestação onde se malham as desilusões dum povo, a impugnação passou a ser o único móbil da sociedade portuguesa.

Contestam os muito ricos porque serão sempre muito ricos. Que chatice! Contestam os simplesmente ricos porque continuarão simplesmente ricos. Que merda! Contesta a classe média porque querem acabar – ou já acabaram – com ela. Que país! Contestam os pobres porque serão cada vez mais pobres. Que lástima! Contestam os jovens porque não têm futuro.  Que miséria! Contestam os de meia-idade porque o passado está a esfumar-se em dívidas, e o futuro não lhes diz como poderão pagá-las.  Que desgraça! Contestam os velhos porque, sem futuro, alguém transformou a sua história numa sucessão de despautérios de fazer vergonha à vergonha de terem cada vez menos para cada vez mais necessidades. Puta de vida que está pela hora da morte! [Read more…]

Croniquetas de Maputo: promessas e milagres

Nos jornais de Maputo, tal como nos portugueses, é comum encontrar anúncios de magos/professores/curandeiros/astrólogos que asseguram operar milagres. Lá, como cá, pessoas de todos os géneros e classes procuram encontrar solução para problemas que os ultrapassam e julgam encontrar na , no oculto, em rezas, beberragens, raízes, conchas, entranhas e fumos a resposta para os seus males e desejos. E se há quem prometa resolver padecimentos tão distintos como “ser apertado por espíritos à noite”, “sonhar a fazer sexo”, “recuperação de amor perdido”, “chamar pessoa que está longe”, “sucesso no futebol” e “bons êxitos nos exames”, ninguém parece tão versátil e polivalente como o

DR. MWANA K…

Especializado em medicina tradicional e com muita experiência. Trata várias doenças, tais como: aquecimento  dos pés, quem nunca teve filhos na vida, ele faz crescer a parte do homem que é pequena para ser grande, a qualquer medida que a pessoa quer, comprimento e largura, [Read more…]

Como na TVI se censurou uma peça que incomodava o poder vigente

O caso é conhecido: a jornalista Ana Leal terá visto um trabalho seu censurado na TVI, que por sua vez negou a acusação.

Entretanto o Conselho de Redacção da TVI debateu o assunto. Transcreve-se a acta da reunião respeitante ao assunto, que me veio parar às mãos e me parece de inestimável valor para o apuramento da verdade e constatação de  que nesta televisão privada se omitem conteúdos desagradáveis para o poder vigente:

No dia 6 de março de 2013, pelas 16 horas, reuniu-se o Conselho de Redação da TVI (adiante, designado por CR) com a presença dos membros eleitos Maria José Garrido, Margarida Martins, Pedro Veiga, Filipe Caetano, João Gabriel e Carlos Enes, e do director de informação, José Alberto Carvalho, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1 – Queixa da Ana Leal;

(…)

Ponto 1: Queixa da Ana Leal

José Alberto Carvalho leu Lei de Imprensa, a saber: [Read more…]

Vamos lá privatizar tudo: agora é a vez da água

Estes tipos são capazes de quase tudo? Não, estes cabrões são capazes de tudo, mesmo, desde que enriqueça alguns.

O leitor pensava que no séc XXI, com populações escolarizadas e especializadas, com tecnologia e meios de informação, com sindicatos e organizações sociais, com Unescos e cartas de direitos humanos, as pessoas estavam mais protegidas, defendidas e conscientes dos seus direitos? Erro seu, a barbárie é a de sempre, apenas munida de armas mais poderosas.

É apenas uma questão de tecnologia e de arranjarem formas de cobrar: um dia privatizarão o sol e o ar respiramos, com o apoio e directivas de Bruxelas, Washington, Pequim ou quem lhes suceda.

Euro-confisco: lutam as oligarquias, arruina-se o povo

Creio ser positiva a ideia de lermos o artigo publicado aqui: Chipre Der Spiegel de 16-03-2013.  A generalidade da imprensa internacional que consultei refere-se de forma censurável ao confisco, por imposto súbito e criminoso, de 6,75% dos depósitos em bancos cipriotas até 100.000 euros ou de 10% a verbas depositadas acima de 100.000 euros – também foi decidido passar a aplicar uma taxa de 20 ou 25% (do género da taxa de 28% paga pelos depósitos a prazo em Portugal) e ainda aumentar o IRC de 10 para 12,5%.

Tudo isto – e provavelmente outras coisas que desconhecemos – foi deliberado pelos elementos do Euro grupo,  o fracassado Gaspar e outros ministros das finanças da zona euro, a Lagarde pelo FMI, um tal Asmussen do BCE e o inevitável Oli Rhen; todos eles aplicaram a medida de confisco pela calada da noite que, sublinhe-se, se prova ser a hora dos crimes mais hediondos, segundo os criminologistas.

Todavia, o lote de carrascos citados não foram os únicos nem os principais algozes. A Alemanha e os novos sudetas, Holanda e a Finlândia, assumiram também a concepção do criminoso acto. Veio a perceber-se que a D. Merkel, sempre ela, entrou em colisão com o Chipre, e há bastante tempo,  por aquele país se ter transformado em paraíso fiscal. Os principais depositantes são russos, britânicos e outros não-residentes perfazem perto dos 50%, sendo a restante metade, obviamente, cidadãos cipriotas. [Read more…]

Dedicado ao local onde vivo

O Aventar tem sido um espaço onde, com a ignorância dos não profissionais, tenho procurado pensar a política no seu sentido mais nobre. Não vivo da política, nem vivo para a política. Entendo a política no seu sentido mais nobre como a gestão da coisa pública, como a organização, feita pelos cidadãos, do colectivo e não apenas como a gestão dos interesses privados ou até dos interesses dos partidos.

E entendo que esta atenção sobre a política faz ainda mais sentido quando olhamos para a nossa realidade, para a nossa terra, para o nosso cantinho. Vem daí a minha insistência em trazer para o Aventar a realidade de Vila Nova de Gaia, o meu cantinho. Não falo, nem escrevo sobre Vila Nova de Gaia desde Viana do Castelo ou desde Lisboa, nem tão pouco da rua Guerra Junqueira.

Não falo como adepto do partido A ou do partido B  – aliás continuo a não entender a existência de ultras na política: esses adeptos incondicionais, que seguem o seu partido para todo o lado, ainda que esteja evidente aos olhos de todos a estupidez das suas escolhas. Basta pensar, por exemplo, nos defensores de Relvas que estão sentados hoje no Parlamento para encontrar exemplos desses ULTRAS, que saltam de tacho em tacho, atrás sabe-se lá do quê! [Read more…]

Para memória futura

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O julgamento da Myriam Zaluar nunca deveria ter acontecido. Mas já que aconteceu, já que os superiores do senhor agente da autoridade lhe disseram que aquilo era uma manifestação, pois que o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo muito lindo, que se cumpram as intenções do Ministério Público, aqui noticiadas pela agência Lusa. [Read more…]

Croniquetas de Maputo: as novas igrejas evangélicas

O novo Cenáculo da Fé da IURD, em Maputo, é um monumento ao seu próprio poder e megalomania, mas também um testemunho da sua implantação no país. Um pouco por todo o lado, especialmente nos bairros periféricos mais pobres, encontramos novas igrejas evangélicas tentando conquistar fiéis e seguidores. Há-as funcionando em barracas precárias, em antigas lojas de comércio, em pavilhões industriais readaptados, construídas de raiz, há-as de todas as cores e com todos os nomes.

Durante uma viagem de autocarro deparei com uma tabuleta que dizia “Centro de Interpretação Bíblica Deus Dorme Acordado”, o que constitui, por si só, um belo resumo de uma interessante interpretação.

Aconteceu-me, uma tarde de sábado, passar umas horas em confraternização com amigos num bairro popular, reunidos em volta de uma caldeirada de cabrito. Só em dado momento, quando começou a cerimónia, me apercebi de que mesmo em frente, do outro lado da rua, num barracão branco e comprido coberto a chapas de zinco, havia uma igreja evangélica. Se o som natural dos fiéis era já bastante audível, o som electrificado do pastor, amplificado por umas colunas em distorção, atravessava as chapas de zinco fazendo-as vibrar também e inundava as redondezas de gritos e convulsões, renegações veementes do pecado e lutas titânicas com o diabo – quem és tu? és belzebu? és o chifrudo? és satanás? Quem és tu? Sai, ordeno-te que saias, sai, sai – terminadas com a expulsão deste e com a multidão gritando – sai, sai, sai. [Read more…]

Croniquetas de Maputo: Toponímias

     O Nuno lançou-me um repto que eu queria concretizar: fotografar a sua antiga casa em Maputo, numa rua que tivera nome de princesa e agora ostenta nome de presidente/poeta.

A Av. Salvador Allende, tinham-me dito, era perpendicular ao Hospital Central, o qual ficava entre as avenidas Eduardo Mondlane e Agostinho Neto. Estando eu na popular Rua do Bagamoyo, e sendo ainda um esticão até à avenida do  chileno, convinha-me decidir como lá chegar.

Podia ir a pé pela Karl Marx acima, cruzar a 24 de Julho, a Ahmed Sekou-Touré e apanhar a Eduardo Mondlane bem junto ao cemitério hindu. Mas também podia subir a Av. Samora Machel, seguir a Ho Chi Min, virar na Amilcar Cabral e continuar pela Agostinho Neto ou, até mesmo, pela Mao Tsé Tung, sem no entanto chegar à Kim Il Sung,  e entrar na Salvador Allende pelo seu início.

Também podia ir de taxi, é claro, negociar o preço antes de entrar, ter o dinheiro mais ou menos contado, passar pela Vladimir Lenine,  [Read more…]

Os dias são nossos. Todos os dias são nossos.

Não sei bem qual delas admiro mais: se a minha avó Maria, que pariu 13 filhos sozinha e ainda ajudou a nascer meia aldeia; se a minha avó Leontina, que pariu apenas 10, 8 dos quais ao lado da minha mãe, numa esteira, no chão (“mandava-me ir chamar a tia Amélia e eu já sabia para que era”), que percorria os 20 km que separam Antões de Pombal com um cesto de laranjas à cabeça, para vender nos tempos de fome; se a avó do meu homem (que também foi muito minha, nos anos em que convivemos), que ficou viúva aos 32 anos, com cinco filhos e sem qualquer ajuda; ou a minha mãe, uma muralha à prova de tudo. [Read more…]

Se não fosse 8 de Março

Se não fosse 8 de Março, eu saberia escrever sobre ti. Quem?

Tu, a que partiu? A que ficou? A que sorri? A que sofre? A forte, que nada parece afectar? A frágil, que mesmo assim é o meu castelo? A que é a minha vida? As que foram? A que me deixou? A mãe, as mães que tive? As madrinhas dos meus sonhos? Tu, o sol das minhas noites, o luar dos meus dias? Tu, a de uma noite, de muitos dias, de sempre? Tu, a recordação de outro tempo? Tu, a perene, o exemplo, a genica e o ânimo?

Se não fosse 8 de Março, eu saberia escrever sobre ti. Não importa quem. [Read more…]

Finalmente, consegui dizer-te!

Pela lei da vida, devias partir, eu sei. Aprisionado nessa quase inconsciência, já não sabendo se estavas do lado de cá ou de lá da ponte que liga as duas vidas, o fiozinho cada vez mais ténue, que te ligava a esta, partiu-se num estalido mínimo, imperceptível, e tu, definitivamente, já não estavas aqui. Soube-o ontem, por um amigo comum, com quem reeditei uma tradição de almoçarmos às quartas-feiras, sanadas as mais importantes sequelas dum enfarte e que te trouxe com 25 quilos a menos, mas muito mais resistência, já consegues andar sem parares de trinta em trinta metros, que bom, fiquei contente.

Então lá foste desfiando os amigos que já não se sentarão mais à mesa. Entre eles, ele!

(Estou a ficar velho, já passo de uma personagem a outra, com esta facilidade a que a idade me vai guiando cada vez mais… Ou será propositado? Às tantas, vou ter de multiplicar os que restam para ainda me parecerem muitos.)

Voltando a falar contigo, o que partiu, devo dizer-te, para despedida, que tinha uma enorme inveja de ti. Tinha eu dezassete, quase dezoito, entrei no Expresso depois do meu primeiro dia de trabalho. A pessoa que me abriu as portas do emprego tinha sido a mesma que me apresentou ao dono do restaurante económico, casa de pasto para ser mais preciso, dizendo-lhe que eu era o novo cliente ao jantar (ao almoço, tinha a cantina). [Read more…]

Escândalo António Costa na Duque de Loulé

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Já há uns quatro anos fui alertando para este crime urbano que a CML prepara na Duque de Loulé. O Público em boa hora avisa a população para este estranho caso, numa cidade que rapidamente perde as suas referências oitocentistas. E é esta mortal tripla Costa, Manuel Salgado  & BES/Salgado que está infalivelmente presente em todos os atentados que se acumulam. Tudo isto é muito estranho, não é?

Adio, adieu, auf wiedersehen, goodbye…

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No seguimento deste oportuno post do J.J. Cardoso, não será muito difícil imaginar o que se passará após um mui digno período de nojo. Seguro que proceda às necessárias diligências para um “encarte” nas listas da social-democracia.

Os aldrabões em processo de negação

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E contudo ela move-se, a terra e a multidão. Calcular o número de manifestantes com base no metro quadrado, que é imóvel, ou é ignorância de quem nunca esteve numa manifestação (e boa parte dos que criticam o 2 de Março estiveram no 12 de Março de 2011) ou pura aldrabice.

Vou mais para a segunda hipótese, digna de quem continua a debitar mentiras sobre a economia portuguesa, desde o célebre “chamámos a troika porque não havia dinheiro para pagar os salários e as reformas” (quando o que não havia, nem há, é dinheiro para pagar os juros da dívida que dispararam por via de um ataque concertado das agências de ranking) ao”temos professores a mais“. [Read more…]

Há fracções algébricas e jurídicas!

Todos os dias somos colocados perante realidades no mínimo estranhas.

E, se em todas as áreas profissionais, há bons e maus agentes, não podemos calar a estupefacção perante certas aberrações e absurdos.

Com formação em filologia, sou dum tempo em que a matemática fazia parte do currículo em igualdade com todas as outras disciplinas, fossem de “letras” ou “ciências”, no curso geral dos liceus, e apenas era abandonada quando se atingia o estádio específico, aquele que, à altura, se chamava “curso complementar”. Um aluno, como eu, que optasse por letras, ficava, então, liberto dessa disciplina.

O senhor juiz do caso em apreço, se tivesse tido essa formação, não teria proferido este absurdo.

Porque uma imagem vale mais do que mil palavras, aqui fica o doutíssimo despacho em que é evidente a décalage entre fracções algébricas e jurídicas. Pelo menos em Portugal!

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Os meus respeitos, senhor Pacheco

 

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“Passos Coelho tinha dito que anunciava as medidas para a reforma do Estado durante o mês de Fevereiro. Acaba amanhã.

Está a pensar na manifestação de 2 de Março, com medo de anunciar medidas antes dela.
E por isso quando dizem que as manifestações não contam para nada, é mentira. Contam e este é um exemplo.”

(Pacheco Pereira, na noite passada, na TVI24)

 

«Os licenciados em História são inúteis para a economia» (II)

E qual é a utilidade de Camilo Lourenço? Nenhuma, a não ser servir para fazer uns broches fretes ao Governo. Mas já há tantos a fazer o mesmo…

Ficções à hora errada, no comboio errado, no país errado

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Haverá sempre duas leituras para o mesmo facto. Para o mesmo acontecimento. Para a mesma situação.

Por mais viral que se torne uma conjuntura nas redes sociais, haverá sempre as duas faces da moeda.

Sobre a vaga de indignação que se abateu contra a GNR no caso da cadela sem bilhete, também as opiniões divergem.

A primeira é esta.

De seguida, os jornais dão eco e obrigam as autoridades a responder.

Finalmente, na blogosfera, sob o título “Os meus amigos carneiros que comem tudo”, as concepções destoam.

Ah! Esta dicotomia do nosso (des)contentamento!

Que bom é viver em Portugal, nesta democracia musculada, com esta realidade tão genuína…

Sai uma dose de estrangeirismos para a mesa do canto!

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Sabe-se lá porquê, a minha prima Lita tem de apelido Mendonsa. Assim mesmo, com “s”, que lhe adveio do marido, ele também emigrado nos States até se passar, já lá vão muitos anos.

Viviam numa cela, como dizia, no que para nós, portugueses de Portugal, era uma cave, e tinham por vizinho um airicho (de irish, está-se mesmo a ver), consumidor inveterado de bias, que partilhava com Komrij, um docha, seu único parceiro habitual, agora que Jonim Mendonsa partira para o outro lado da vida, na versão daqueles que – ainda – acreditam no Além. Os outros terão dito que entregou a alma ao Criador, se são crentes, ou, caso contrário, terão afirmado, ainda que incorrectamente, que foi para debaixo da terra. É que, de facto, foi para cima da água: Lita mandou-o cremar e espalhou as cinzas no mar, do exacto local em que foi concebida a filha mais nova numa madrugada de luar e apetites, daqueles a que não conseguimos negar a evidência e a vontade. [Read more…]

BCE, o estripador dos países em crise

ecofinHá opostas visões e opiniões sobre a atitude do BCE no quadro da ‘Zona Euro’.

Para uns, seguidores do sábio e profeta falhado Gaspar, consideram ser instituição solidária, a valer nas ajudas aos necessitados – portugueses, espanhóis, irlandeses e gregos. Católicos apostólicos romanos e ortodoxos apelam: “Juntemo-nos a D. Carlos Azevedo e ao Patriarca Ortodoxo Grego e oremos, animados de profunda energia espiritual da crença na solidariedade do Draghi e do ECOFIN”.

Outros, o meu caso, estão cientes de que o BCE é um centro de agiotagem sem compaixão nem ética. O BCE, para estes, é impiedoso estripador a dizimar as condições de vida, e às vezes a própria vida, de cidadãos indefesos de países carenciados da zona da moeda maldita, designada ‘euro’.

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Chega de Relvas!

Os acontecimentos no ISCTE, escola onde me licenciei, geraram alargada polémica; nomeadamente quanto ao conceito de ‘liberdade de expressão’.

Tudo gravitou à volta de um ministro, Miguel Relvas, cujo falseado curriculum estudantil e o comportamento de governante e cidadão justificariam, há muito, o afastamento do governo – Passos Coelho, por força da mobilização do PSD de Norte a Sul (Seguro segue idêntica via), como diz o povo “tem o rabo preso” e consequentemente falta de coragem de o demitir.

A “democracia portuguesa”, no PS e PSD em especial, é prisioneira das ‘jotas’; tendo como complemento a ortodoxia do PCP e os sinuosos percursos de Portas. É o regime político que nos coube em sorte, não muito distinto de outros a vigorar na Velha Europa, onde coesão e solidariedade são referências rejeitadas. Reflicta-se no que é exposto neste site’ do Reino Unido, de que reproduzimos a tradução do 1.º parágrafo:

“Desde a década de 1980 os dramáticos diferenciais pagamentos salariais têm-se desenvolvido no Reino Unido. Até recentemente, sociedade tornou-se bastante confortável com isso como um resultado inevitável de nosso sistema económico. A introdução do salário mínimo reconheceu que o mercado nem sempre foi o melhor árbitro de salários. Apesar disso, as desigualdades continuam a levantar-se, com 1% do ‘top’ tendo um cada vez maior quota na partilha dos lucros do crescimento económico.”

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Miguel Sousa Tavares ‘online’

Confesso ser leitor assíduo da coluna de Miguel Sousa Tavares no ‘Expresso’, o que, todavia, não significa estar incondicionalmente de acordo com tudo o que escreve. Em diversos artigos, e embora se exiba como detentor absoluto da verdade, comete erros, como outros. Atreve-se de volta e meia a julgamentos inexactos e reveladores de desconhecimento da matéria por si abordada.

Estou a lembrar-me de, há algum tempo, ter publicado no ‘Expresso’ uma opinião sobre as reformas. Invocou uma conversa com uma idosa que se lhe dirigiu, a queixar-se de viver com dificuldades.

Sousa Tavares, assumido sábio e polivalente em conhecimentos científicos – evite-se o epíteto de ‘tudólogo’ – fez de imediato as contas aos 11% de quotização de décadas que a senhora pagou à Segurança Social e sentenciou: “como se comprova, com este nível de descontos, é impossível ao Estado pagar-lhe um valor mais alto de reforma”.

O conhecido escritor, jornalista, comentador, seja lá o que for, esqueceu-se ou ignorou que aos 11% de quotização teria de incrementar 23,75%  correspondente à agora designada Taxa Social Única dos trabalhadores dependentes, que os empregadores entregam mensalmente ao Ministério da Segura Social, para financiar prestações sociais, como as próprias reformas, os subsídios de desemprego e outras prestações – seria útil que Tavares lesse o LBSS – Livro Branco da Segurança Social ou ‘Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza’ de Carlos Farinha Rodrigues que, na última edição do ‘Expresso’, página 33, publicou o artigo ‘Segurança Social: quinze anos passados’. Teria, então, a oportunidade de concluir que a aritmética de que se serviu é uma base científica errada e elementar, demasiado elementar, para analisar e extrair conclusões rigorosas sobre a sustentabilidade da Segurança Social, assim como os níveis de reforma daqueles que não tiveram a sorte de passar cinco anos pelo Banco de Portugal, dezoito meses pela CGD ou uma dúzia de anos pela AR.

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Caminharmos pelo nosso próprio pé…boto

É no mínimo macabro o projecto do governo para cortar, de uma penada e com consequências trágicas para os cidadãos do País, os 4 mil milhões de despesas públicas. O alvo principal é o Estado Social – reduzir o SNS a ínfima expressão, limitar o ensino público a serviços mínimos, dificultando o acesso a alunos de meios carenciados, através do encerramento de escolas e o despedimento de professores; processo este que, menos ambicioso na maldade, o PSD e CDS tanto criticaram à governação de Sócrates.

Sem ponta de coerência com as promessas feitas aos eleitores, sustentado por Portas, o ‘santo protector dos contribuintes’, Coelho, obediente ao financeiro Gaspar, banalizou a falta de ética, seguindo e excedendo os caminhos da ‘troika’; em especial, as prescrições assassinas do FMI que, em muitos outros países, curou milhões de doentes através da terapia da morte.

Em Aveiro, voltou a ser vaiado. Já se habituou e dificilmente a falta de vergonha lhe sairá da pele, do empedernido cérebro recheado de neoliberalismo e, portanto, do comportamento imoral que cultiva.

Conquanto desmascarado à exaustão por falsas e incumpridas promessas, declarou:

Não estamos a pensar a tornar permanentes os cortes [anunciados como provisórios]

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MIlhares na rua exigem demissão do governo

O povo aos milhares veio para a rua. Em Lisboa, no Porto e em Setúbal, as manifestações concentraram muita gente, naturalmente a protestar e em luta pela queda deste governo chefiado por um garoto; garoto, lembre-se, outrora tão rebelde e viciado no mal quanto sinistro e ignóbil na actual governação do País. Passaram os tempos, modificaram-se os hábitos de vida e o desfecho foi inevitável: falta de qualidade e de carácter para dirigir o País, com elevação de estadista, conhecimentos e perfil adequados. Às suas mãos Portugal afunda-se no processo de degenerescência contínua – tão infinitamente contínua como o símbolo e o traço matemático que definem a função desse género.

Sabemos que, ao livre arbítrio do trio Gaspar, Coelho e Portas, ainda por esta ordem, os reformados e pensionistas espoliados, trabalhadores da função pública, os desempregados jovens que excedem os 40%, os desempregados de longa duração e famílias inteiras destruídas – nem todos optam por abandonar mulher e filhos ou abdicam de constituir família – se conformem e aceitem pacificamente a dureza da política de austeridade que, à luz dos direitos humanos, não só é repugnante, como criminosa – há crianças com fome e idosos sem assistência médica e/ou medicamentosa. [Read more…]

Ao encontro da memória

Eu sei que, por aqui no Aventar, andamos todos atentos ao que se escreve e que pode ter interesse para desmistificar a elite política de gestores que a troika comanda para nos empobrecer, para nos tirar o que de menos mau ainda temos.

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Mas não resisti, em nome e para memória futura, a publicar neste espaço o excelente momento de Teresa Beleza, dedicado à mãe.

Teresa Pizarro Beleza é irmã de Leonor Beleza e Miguel Beleza, e, além de professora de Direito Penal, é directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

Esta carta foi publicada no jornal Público de 5.ª feira, 10 de Janeiro de 2013, e, como só pode ler lida online por assinantes do jornal, ou por quem o adquiriu nas bancas, aqui fica a transcrição, sob o título:

Carta a minha mãe sobre o SNS e outras coisas em Portugal[Read more…]

Boa

miss-benficafotografia é no concurso Miss Benfica.

 

Fantástico!

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Na sua ansiosa corrida pelo poder, AJS anuncia urbi et orbi a boníssima nova. É a notícia do dia, a bomba mediática que garantirá a regeneração nacional. Soares e Alegre fizeram as pazes. Óptimo, aqui está um projecto de futuro a longuíssimo prazo!

O governo reune Sábado e os portugueses ficarão mais lixados

CMDo ‘Público’:

Reunião foi adiada apenas porque na quinta-feira não havia ministros de Estado em Portugal que conduzissem a reunião no lugar de Passos Coelho.

Poderia dizer: – Bem feito! Vão trabalhar Sábado que se lixam! – Expressão elevada e muito cara a Passos Coelho.
Porém, quem, no final do filme, acabará por se lixar seremos nós, os cidadãos comuns. Isto é, quem está desempregado, para o ano permanecerá desempregado; os idosos de reduzidas reformas, desde que sobrevivam, dentro de um ano, comerão as mesmas sopinhas, uns pãezinhos barrados a margarina e umas peças de fruta ‘tocada’, da IPSS que deles cuida, continuando, embora, sem dinheiro para medicamentos, sofram de diabetes, do coração ou de patologias mais graves; o futuro dos miúdos será menos alegre, privados de novos ‘jeans’ ou ‘Nikes’, limitados a festas de aniversário com o máximo de três amigos e a ida às destes que impliquem gastos com prendas, nem pensar!; outras crianças no máximo enchem a barriguinha de fome, aqui e ali mitigada por um bocado de casqueiro;  para os outros cidadãos, já bem esbulhados, Sábado próximo começa a saga tortuosa das matrizes macroeconómicas, do Gaspar e do Moedas, com cortes sobre cortes, incluindo os custos com pessoal e consequentes ingressos no desemprego. Os sem-abrigo, esses esperarão em vão que o Ulrich se lhes junte.

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Às turras com os eufemismos

O eufemismo (do grego: euphemismós, emprego de palavra favorável) não é um arquétipo português, embora, instalados nessa generalização de que somos “um país de brandos costumes”, essa figura de retórica se tenha tornado, mais do que familiar, um vício do nosso quotidiano de atitudes, declarações, gestos, proclamações…

Esta linguagem eufemística estende-se, praticamente, a toda a comunicação nas mais variadas áreas. Até nas dicotomias. Nos maniqueísmos. Tantas vezes para disfarçar disfemias, no seu significado inicial grego: palavras de mau agoiro.

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Ao fim de mais de 20 anos, resgatei um livro que procurei anos a fio sem nunca ter imaginado onde se encontrava, um sótão, onde, em determinada idade, foram lançadas à pressa algumas coisas que pesavam em mais uma mudança radical na minha vida, mudança de relação, de cidade, do tamanho da casa, de hábitos, até de país por cerca de um ano. [Read more…]