Vale tudo para fazer de conta que está tudo bem

Até dar dinheiro que se pediu emprestado. Portugal disponibiliza 40 milhões de euros para a Guiné-Bissau.

Os desígnios insondáveis das sondagens

Tendo recebido um telefonema em que alguém se propunha sondar-me em matéria eleitoral e tendo eu declinado o convite – como sempre fiz – lá fui parar, mais uma vez, à coluna dos que “não sabem/não respondem”. Gostava que as palavras que aqui estou a escrever tivessem o efeito mágico de afastar estas abordagens de uma vez por todas. Notem que não consigo tratar mal ou ser indelicado para as pessoas que se encarregam destas tarefas, sobretudo as que nos abordam presencialmente. Geralmente são jovens a procurar ganhar um parco salário e, por isso, merecem-me, geralmente, simpatia e cordialidade. E não só os que fazem sondagens políticas, mas também comerciais – quando lhe perguntam que programas de televisão prefere, estão, de facto, a relacionar os seus dados pessoais com os seus gostos no sentido de escolher espaços de colocação da publicidade televisiva -, estas agora mais raras, sobretudo desde que as empresas aprenderam a piratear dados das redes informáticas (como esta…) e desenvolveram métodos mais fiáveis de medição de audiências. Mas lá que recuso, recuso. Agora que as sondagens – e, quando querem poupar dinheiro, as entrevistas sobre o valor das ditas – estão a ferver, devidamente comentadas por entrevistados conspicuamente parciais, quer sejam assumidamente pertencentes a partidos – quase sempre próximos do poder – quer sejam jornalistas sabujos e servis, espécie que abunda em todos os canais e jornais, ocorre-me deixar aqui esta nota. [Read more…]

Talvez?

Talvez tenhamos errado”, diz o ministro da Cultura do Brasil.

Apesar de muitos não entenderem…

Filas há muitas

montegro

No país do sucesso, há filas que o líder do parlamentar do PSD não quer ver.

[foto da direita]

Já sabemos que Portugal não é a Grécia

mas os dois lideram, em conjunto, o ranking dos países da OCDE onde a despesa das famílias com saúde mais aumentou. Coincidências claro, que o nosso SNS está que é um espectáculo. Que o digam as urgências dos hospitais públicos.

Maria Barroso, 1925-2015

Uma grande mulher, num país de fraca gente.

Perdoa-me

Enquanto uns lutam por perdões de dívida, outros conseguem-no nos tribunais portugueses. Hoje foi a vez (outra vez) de João Rendeiro. A culpa continua a morrer solteira.

Medina Carreira outro amiguinho de Relvas

Escrevemos aqui sobre o beija-mão de altas personalidades do PSD e do PS a Miguel Relvas durante a apresentação do seu novo livro. Mas não nos podemos esquecer da tirada deste passarão num momento épico das suas homilias na TVI quando a boca o traiu, ao ser pressionado pelo Professor Carlos Fiolhais:

Prof. Carlos Fiolhais: o diploma do “doutor” Relvas não vale nada.

Medina Carreira: o quê?

Prof. Carlos Fiolhais: … do “doutor” Relvas, o diploma não vale nada.

Medina Carreira: Nunca falei com ele, não sei…

Com a preciosa ajuda do João José Cardoso

Mais educação ou mais confusão?

demontar a propaganda - ensino

Depois de quatro anos a destruir o ensino, o governo sacou um coelhito da cartola: uma promessa. E com base nisso pretende que há mais educação. Quanto a promessas, não sabemos se desta vez serão para cumprir (minto; sei que não são para cumprir), mas sabemos o que se passou: quatro anos de caos na educação.

Agora reparem num detalhe. Estes tipos tornaram o acordo ortográfico obrigatório, mas nem na sua propaganda o conseguem aplicar.

Jorge Jesus: o conforto e o risco

Jorge Jesus, em entrevista à SIC Notícias, explicou que trocou “o conforto pelo risco”. Não está só. Há cinco anos, o Expresso também trocou o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Um dos resultados patentes é esta mistela:

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Como Jesus e como o Expresso, também o Governo decidiu trocar o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Eis aquilo que acontece no sítio do costume:

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E eis a solução.

Continuação de uma óptima semana.

Helena Matos contra a indústria petrolífera

Putin Durão

Num grito de revolta contra o desfecho do referendo grego, Helena Matos do Observlasfémias mostrou-se indignada com a suposta proximidade entre o Atenas e Moscovo:

Por que hão-de países cujos cidadãos vivem pior que os gregos, pagam mais impostos que os gregos e se reformam mais tarde que os gregos ser “solidários” com os gregos que votam num governo que para cúmulo namora descaradamente com uma Rússia que é uma ameaça directa para segurança de alguns desses países?

Estarei errado, mas depreendo das palavras da senhora que a sua indignação é extensível, por exemplo, à poderosa indústria petrolífera ocidental, que apesar das sanções continuava, até há poucas semanas, a explorar petróleo no Mar de Kara com a estatal russa Rosneft, uma empresa controlada por oligarcas próximos de Vladimir Putin. É que o clima de tensão entre a Rússia e o Ocidente não começou no mês passado. Em Outubro já se interceptavam jactos russos por cá e a Crimeia foi invadida em Março. Quando começaram os namoros entre o Ocidente e a Rússia a ser descarados?

*****

P.S. Eu também vivo pior que a Helena Matos, pago os mesmos impostos, corro o risco de me reformar mais tarde e ainda assim tive que pagar, através dos meus impostos, os “serviços de pesquisa” que a senhora fez para séries na televisão pública que, estou certo, só trouxeram despesa para o erário público. Porquê?

Ao cuidado dos filhos do governo

Os filhos do governo descobriram os referendos e também querem, para o que chamam ajudar a Grécia, como se a responsabilidade da transferência das dívidas aos bancos para os estados fosse culpa do seu actual governo.

Eu também queria.

Quando Passos Coelho me assaltou o ordenado, depois de prometer que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando Passos Coelho me aumentou os impostos depois de ter prometido que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando decidiram salvar o BPN, ou o BES, com o meu dinheiro, também podiam ter feito um referendo.

Nessa altura, que fizeram os filhos do governo? ficaram calados. Mantenham o hábito que só vos ficam bem.

Uma manhã ateniense

Carlos Leite

Hoje tinha que passar pelos correios e levantar a dose de 60 euros. Pensei que tal me ocuparia toda a manhã, ou pelo menos umas boas duas horas. Qual quê! Uma hora bastou e sobrou. Os correios estavam às moscas, como uma agência funerária em Dia-de-Todos-os-Santos e dirigi-me de olhos fechados para o guichet.

A senhora do outro lado disse-me que primeiro devia tirar a senha… A senha? Tiro todas as senhas para a manhã, respondi, mas não vejo ninguém à espera. Mas tem de ser, senhor, é para fazermos as nossas contas. Muito bem, seja então a senha. Esperava que o aviso deixado pelo carteiro aqui há uns dias (nunca entregam os registados, dexam sempre o aviso sem se incomodarem a tocar à campainha, houve muitos despedimentos e agora só há tarefeiros) fosse mais uma carta registada com uma intimação a pagar uma factura ou uma contribuição na Bélgica, mas era uma encomenda de Portugal, antes isso (as últimas traduções que fiz para a Relógio d’Água, o Mendel dos Livros, do S. Zweig).

Depois fui ao banco, cem metros a subir que agora me custam imenso. Rua comercial calma, semivazia, fora do normal para uma segunda-feira de manhã, mas talvez este seja já o movimento habitual do período de férias, há já gente que partiu, não sei, mas duvido. À porta do banco, umas 20 pessoas à minha frente, com o sol a bater nos últimos chegados, mais distantes da parede. Olho para trás e já há mais quatro a cinco pessoas, que se avisam de quebrar a fila e irem refugiar-se à sombra duma árvore e numerando-se entre si. Eu fiquei ao sol. [Read more…]

Vaselina ajuda

Vaselina

Deve estar a doer taaaaaanto, até mete dó. Será que acabou o stock de vaselina na Opus Dei?

Da Grécia para a Europa

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Ontem escrevi no facebook:

Os gregos (não confundir com Tsipras) decidiram. Decidiram o seu futuro. Se bom ou mau, ninguém sabe (nem eles…). E decidiram de forma clara e esmagadora. Uma nota: conseguiram ter um referendo sobre o seu presente e futuro na Europa. Poucos países se podem gabar do mesmo. A começar por nós.

Foram os Gregos que decidiram. Foi-lhes permitido decidir. Agora está na mão dos políticos desta Europa saber interpretar os sinais. Sem esquecer que temos outros países a caminho de referendar questões europeias (assim de repente temos a Dinamarca e a Inglaterra).

A União Europeia é uma das mais fabulosas construções da humanidade. A livre circulação de pessoas foi uma conquista extraordinária que ajudou a mudar a Europa. Sem pretender ser exaustivo, recordo o abolir das fronteiras, o termos uma moeda comum, programas como o Erasmus e tantas outras coisas com as quais nos habituamos. Claro que existiram falhas, erros e asneiras. Como em todas as obras colectivas. Só espero, sinceramente, que todos os políticos europeus saibam estar à altura das circunstâncias. Que a arrogância tenha apanhado um valente susto. Que se lembrem que somos todos diferentes mas somos todos europeus.

Estou nos antípodas do Syriza em termos ideológicos. Porém, ser democrata é saber reconhecer e respeitar as escolhas dos povos e os gregos, nas últimas eleições, assim escolheram. Da mesma forma que, neste referendo, escolheram o “Não”. Perante a sua escolha só existem dois caminhos: compreender e procurar enquadrar a sua escolha dentro dos superiores interesses de uma Europa unida ou, o que alguns andam a salivar, retaliar. Escolhendo a segunda vamos matar o projecto europeu, esse extraordinário legado dos nossos pais. Quem quer fazer o papel de coveiro?

Líderes

Hoje, como nos últimos dias, não faltam as habituais lamentações sobre o facto de a Europa estar sem grandes líderes. Sou mais modesto, mas muito mais ambicioso. Não quero grandes líderes, que os paga a História bem caro. Queria mais: queria líderes inteligentes, corajosos, íntegros, cosmopolitas, sensatos, honestos, dotados de sentido de empatia e solidariedade e cujos valores de referência sejam a liberdade e a democracia; as reais, não os seus fantasmas. E coragem para votar neles. É pedir muito, não é?

Grécia, asneiras, mentiras e realidades

Maria Manuela

Incomensuravelmente cansada de ouvir asneiras e mentiras deliberadas sobre a Grécia, aqui ficam algumas realidades:
1- Os estados da zona euro “emprestaram” muito dinheiro à Grécia?!
Ao J P Morgan e ao Goldman Sachs querem dizer.
É que oitenta por cento dos “resgates” à Grécia, foram isso mesmo: resgates aos Centros de Controle Financeiro (já não lhes chamo bancos) que detêm e controlam o FMI e os demais bancos credores, para salvaguarda de um sistema financeiro asfixiante e criminoso.
2- Quem levou a Grécia à falência?
As mesmas famílias políticas que arrastaram Portugal para o buraco em que estávamos e estamos. Precisamente a mesma cambada de corruptos incompetentes que beneficiaram e fizeram proliferar corruptos e incompetentes. Precisamente o mesmo tipo de criminosos que desenhou, criou e expandiu uma economia sem nenhum suporte real. Apenas assente num crescimento insustentável de funcionários públicos e empresas públicas e público-privadas deficitárias, aviários e ninhos de políticos em criação ou reformados. Precisamente a mesma estirpe viral mortífera que fez incidir receita pública nos mais frágeis e, não só ilibou como incentivou à fuga aos impostos de um sistema oligárquico de suporte financeiro e eleitoral. A mesma coisa- política inominável, que foi fechando os olhos ao estabelecimento de uma economia paralela e reforçando as regalias do funcionalismo público, criando um verdadeiro estado-de-sitio apenas compatível com a sociedade pirata da ilha Tortuga.
Precisamente o mesmo bando de ladrões que levou a Grécia a recorrer a um programa de assistência financeira da troika em Maio de 2010 – solicitado na altura pelos socialistas do PASOK, que ganharam as eleições de Outubro de 2009 para revelarem no final desse ano que, afinal, o défice orçamental grego desse ano não ficaria nos cerca de 6,7% projectados pela Comissão Europeia com base em dados do anterior governo, mas seria de 12,7% (foi de MAIS de 15% do PIB).

3- Quais as consequências das medidas da Troika? [Read more…]

Dívida

André Serpa Soares

Ouvindo e lendo declarações de dirigentes e políticos alemães em reacção à vitória do não na Grécia, apenas me ocorre recordar o seguinte, para ver se não se esquecem nunca: nenhum país, repito, nenhum país, tem dívida maior para com a Europa do que a Alemanha. Isto é verdadeiro em termos financeiros e de dívida perdoada, mas o pior ainda é o resto

Olhos gregos, lembrando

A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;

O direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado;

Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

O rosto que fita é Portugal.

Mensagem, Fernando Pessoa

Mal sabia Fernando Pessoa que a História viria a dar outros significados ao poema “Os Castelos”, porque o tempo traz consigo novas leituras. [Read more…]

O altruísmo de Martin Schulz

Schulz

Parece que o desfecho do referendo grego nos presenteou com algo ainda mais surpreendente do que a vitória esmagadora do “não”, pelo menos para aqueles que alimentavam a especulação das sondagens fantasma que davam a vitória ao “sim”. Martin Schulz, o tal que para muitos representa a esquerda europeia – a esquerda do lado direito do espectro – foi subitamente tomado pelas preocupações sociais que durante vários anos estiveram ausentes da agenda europeia para a Grécia, que impôs uma austeridade cega que cortou a direito doesse a quem doesse:

Devemos amanhã, ou o mais tardar na terça, na discussão do encontro da zona euro, encontrar um programa de ajuda humanitária para a Grécia. O cidadão comum, os pensionistas, pessoas doentes ou as crianças nos infantários não podem pagar o preço pela situação dramática para a qual o governo grego levou o país.

Chegou tarde mas chegou. O “socialista” acordou agora para o drama do cidadão comum, dos pensionistas, dos doentes e mesmo das crianças nos infantários. As crianças nos infantários. Estou comovido. Só se lamenta a distorção da realidade presente no final da declaração. É que, é sabido, não foi este governo que atirou a Grécia para uma situação dramática. Foram os seus pares do defunto PASOK e da Nova Democracia. Mas vá, um passo de cada vez. Lá chegaremos.

 

Dúvida existencial

alguém me explica como se expulsa um país do euro? Que tratado europeu prevê esta possibilidade? Obrigado!

O povo é quem mais ordena

Oxi

Apesar da chantagem, da tentativa de ocultação de informação e da manipulação das sondagens, a democracia venceu na Grécia. Mesmo com os líderes europeus da corte de Merkel e os representantes de instituições sem legitimidade democrática a manter a pressão alta sobre os gregos, o que incluiu apelos em tom de ameaça ao voto no sim em dia de reflexão e no próprio dia do referendo, Alexis Tsipras resistiu e reforçou o seu poder negocial, o que de resto era mais do que previsível. Chama-se democracia. Quem não estiver bem com ela, tem óptimas oportunidades de ser feliz na Coreia do Norte ou na Arábia Saudita.

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Adeus Samaras

O líder da Nova Democracia não vai ficar para a pasokização do seu partido. Boa viagem!

Reacções aos resultados do referendo grego

Primeiras reacções:

oxi reaccoes

Já agora, face aos resultados até agora conhecidos, alguém explica a opinião publicada dominante sobre o suposto empate técnico?

O relatório do FMI que a corte de Merkel tentou ocultar

Debt

Enquanto se acabam de contar os votos na Grécia, sendo quase certa a vitória do “não” no referendo, importa dar eco a um acontecimento da semana que agora termina e que, saiba-se lá porquê, foi praticamente ignorado pela comunicação social e pelos unicórnios fanáticos que disseminam a propaganda do regime, que preferem filmar as filas nos multibancos ou dar eco a manipulações absolutamente repugnantes como as aqui referidas pelo J Manuel Cordeiro.

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Da Grécia, sem amor

vaso grego
Dedicado a Camilo Lourenço, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, José Rodrigues dos Santos e outros mentirosos, a todos os que por estes dias andaram por Atenas reduzindo o jornalismo a prostituição de rua, e sobretudo aos respectivos patrões.

Grécia: primeiros resultados do referendo (actualizado)

Resultados com 20% dos votos contados:

oxi

Resultados com 40% dos votos contados:

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Página com os resultados oficiais: Referendum July 2015

Projeções do referendo grego

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As projecções do referendo na Grécia segundo quatro empresas distintas.

Doutor por prescrição

Relvas, doutor por prescrição

Relvas diz que já passou o prazo para anular a sua licenciatura