Zeinal Bava e a irrelevância

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© Mário Proença/Bloomberg (http://bloom.bg/14NfApG)

Apesar de continuar sem conhecer – e sem querer conhecer – a resposta à pergunta “Quem tramou Zeinal Bava?”, o meu interesse na tese da irrelevância mantém-se. Gostei de ler as notícias de ontem, acerca dos esclarecimentos que a Oi vai pedir a Zeinal Bava, pois estes podem ser extremamente importantes para dissipar algumas dúvidas que possa ainda haver nas cabeças daqueles que nos governam.

Por exemplo, quando é feita a transcrição de excertos de um texto escrito em português do Brasil, [Read more…]

Rapa, tira e não põe

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Corria por aí um boato orçamental segundo o qual os funcionários públicos recuperariam um bocadinho do que lhes tem sido roubado. Ora, segundo quem processa o meu vencimento, tal instrução não chegou ao serviço, e como tal este mês roubam-me o mesmo.

A confirmar-se, deve ser por essa via que o estado obtêm as tais receitas excedentes de que fala Paulo Portas, e que depois irão para os contribuintes que pagam a respectiva sobretaxa.

Eu sei que isto não faz muito sentido, mas com o Paulinho dos contribuintes e o Pedro dos saques nunca se sabe.

Privatização, à socapa, de equipamentos e funções públicas

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António Alves

Soubemos ontem, através de notícia no Site da Câmara Municipal do Porto [1], que esta pretende entregar ao FC Porto, pelo prazo de 25 anos, a gestão da Piscina Municipal de Campanhã num acto que consubstancia uma concessão directa destas instalações públicas a uma entidade privada. Não ponho obviamente em causa a capacidade do FC Porto para recuperar e gerir o equipamento. Tem-na para dar e vender. Mas o FC Porto é uma entidade privada que colocará legitimamente os seus interesses próprios sempre à frente dos interesses da cidade e dos munícipes.

A piscina de Campanhã, embora tenha problemas estruturais que devem ser resolvidos, continua perfeitamente funcional. Prova disso é que o FC Porto a utiliza regularmente para treinar os seus atletas. [Read more…]

Vais levar, Fabiana

Ainda há meia dúzia de esplanadas pobres, longe das ruas da moda, onde a dona serve às mesas e o marido carrega o vasilhame e faz contas à vida ao balcão. As cadeiras nunca são confortáveis, as mesas assentam sobre o empedrado irregular, a garrafa que nos trazem bem pode deslizar pelo tampo inclinado e rebolar pelo chão. Tudo é precário como se a qualquer altura os donos tivessem de levantar mesas e cadeiras e sair a correr com elas à cabeça, tal e qual como as vendedeiras de meias, que nos tiram os collants das mãos quando estamos a apreçá-los e largam a correr, rua abaixo, com a polícia caça-licenças no encalço. Mas havendo sol, e uma nesga de rio, é quanto nos basta para desfrutar do precário.

Numa das mesas, uma mulher escreve versos num caderno e esconde-os com a mão, risca a última linha, resgata da rasura uma palavra, afaga a nuca e vai-se encolhendo toda, como quem fecha a concha.

Ao meu lado, um segurança de discoteca fala ao telefone com um cliente, discute preços, horários, quer saber que tipo de festa é, quantos homens terá de levar com ele. Fico a saber que o melhor dos seus homens levou um tiro num braço mas vai ficar porreiro, como o aço. [Read more…]

Há panikes na Suécia

E são bons.

A SPA não é Charlie

Maria João Nogueira denuncia que a SPA tentou silenciar um blogger por ter escrito“coisas de que a SPA não gosta”. Contactada pelo Shifter, Maria João diz que este blogger é afinal uma blogger. “Refiro-me a algo que se passou comigo em 2012. Estávamos em pleno debate sobre o projecto de lei 118/XII (Lei Canavilhas), e eu escrevi muito no meu blogue sobre a SPA”, contou-nos numa conversa por e-mail.

A Lei Canavilhas – assim baptizada por ter sido uma iniciativa da deputada socialista de Gabriela Canavilhas (o PS estava, na altura, no Governo) – nunca avançou; tratou-se apenas de um projecto de lei relativo à cópia privada, cuja aprovação defendia ser um incentivo à economia cultural e que visava taxar os dispositivos que permitem fazer cópias.

Um director da SPA não gostou do que Maria João Nogueira publicou e ameaçou-a com um processo em tribunal. “Fez-me chegar o recado, através duma pessoa muito acima de mim, na hierarquia do sítio onde trabalho”, contou-nos. A SPA não foi a primeira empresa a tentar calar Maria João Nogueira; em 2009, recorde-se, a Ensitel tentou fazer o mesmo com a mesma blogger, mas não teve sucesso“Eles [a SPA] disseram-me que não eram uma empresa de telemóveis de vão de escada, eram muito mais poderosos.” [via shifter]

Entretanto o FB da SPA tem sido uma animação com comentários apagados. Isto do respeitinho tem muito que se lhe diga.

O post da MJN está aqui: Não SPA, tu não és Charlie.

Charlie Hebdo

A opinião de Noam Chomsky.

Citação com aplauso

Ouvir os beatos e fundamentalistas católicos a toda a hora nas televisões a falar em “valores ocidentais” da democracia e da liberdade de expressão quando esses valores lhes foram impostos de fora por ateus e agnósticos em centenas de anos de luta e milhares de mortos pela separação entre a política e a religião e pela laicidade do Estado. – José Simões

Como lidar com os fanáticos religiosos?

A Noruega explica qual o caminho a seguir.

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (3)

INEM quer contratar mais 70 profissionais para atendimento de emergência e 85 para ambulâncias

Paulo Portas e os adjectivos em -vel

Depois de ter sido irrevogável, Portas é “politicamente incompatível com TSU dos pensionistas.” Para estes, a posição do ministro é “impensável“. Incrível!

Vítor curto-circuito Cunha

portrait-of-a-young-girlHá vocações e vocações e talentos residentes numa só alma que se multiplicam e desmultiplicam. O blasfemo Vítor Cunha surgiu como

Engenheiro electrotécnico de formação, programador de profissão, um peixe no oceano das novas tecnologias já com alguma experiência internacional.

Mas foi-se revelando um poço artístico sem fundo. Na boa e velha tradição da direita quando enfrenta as artes plásticas chocou com uns quadros e fez-se Bel Miro, ou Bel’Miró, numa homenagem sadia às mercearias do Azevedo.
Empolado revela-se agora poeta, enfrentando com ambição a sintaxe, como o António Fernando Nabais reparou. Ora, perante as dificuldades em mudar num ápice a gramática, o nosso engenheiro não foi de hesitações, Ctrl+I e toca de tipografar em itálico a asneira que lhe saíra, como se fora uma citação bruscamente do céu tombada:

preciso-ireis-todos

Tenho de admitir que este ireis todos para a cona da mãe que em má hora vos pariu traduzido ao jeito de madame Bobone mereceria mesmo um negrito. [Read more…]

Cuspir na liberdade de expressão

Manif prá fotografia

(a foto em cima é da Reuters. a de baixo terá muito provavelmente sido tirada por algum Charlie…)

*****

“Sensibilizados” pelos monstruosos ataques terroristas à redacção do Charlie Hebdo e em Port de Vincennes, vários dirigentes europeus e não só juntaram-se Domingo à manifestação que mobilizou mais de um milhão de franceses. Ou será que foram lá apenas para a fotografia? As imagens em cima parecem-me mais do que esclarecedoras.

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Mário Soares, Clara Ferreira Alves e eu

Celebram-se hoje seis anos sobre a publicação de «Momentos de Lucidez», post sobre as diatribes de Mário Soares enquanto líder da oposição, primeiro-ministro e presidente da República.
Um post apenas, entre os cerca de dois mil que escrevi desde então sobre os mais diversos assuntos e sobre as mais diferentes personalidades. Um post que teria caído no esquecimento não fosse o caso de um palhaço qualquer ter decidido que o seu autor não devia ser eu mas sim a jornalista Clara Ferreira Alves.
«Momentos de Lucidez» foi publicado a meio da tarde do dia 12 de Janeiro de 2009 no 5 Dias, um blogue infelizmente moribundo que, na altura, era constituído por vários militantes e simpatizantes do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.
De todos os lados do espectro partidário, choveram então críticas e elogios a esse post, mesmo dentro do próprio blogue. Não vou agora debruçar-me sobre a justeza dessas críticas e desses elogios, mas sempre direi que, seis anos depois, há por ali uma ou outra opinião pessoal na qual hoje não me revejo. Embora, no essencial, mantenha quase tudo o que escrevi. Afinal, nada daquilo é novidade, antes se baseia, na sua maioria, nas denúncias de Rui Mateus nos «Contos Proibidos» e nas reportagens de Joaquim Vieira na «Grande Reportagem» e de José António Cerejo no «Público». [Read more…]

O próximo número

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Da colecção O governo que destrói recursos humanos (2)

Hospitais públicos perdem quase 700 camas num ano e privados ficam com 30% do total

Tudo dentro da legalidade, claro

O D. Quixote das gorduras do estado, Passos Coelho, permitiu isto porquê? 152 milhões para alguém, mas os outros é que vivem acima das possibilidades.

Permuta

Os gregos têm o Tsipras, os espanhóis o Iglesias e nós o Ronaldo. Como é que se faz para trocar?

Why did the world ignore Boko Haram’s Baga attacks?

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Confesso que me identifiquei com esta pergunta do The Guardian.

Há uns anos, numa aula de estatística concluímos que a morte de milhares seria um número, enquanto a morte de um, se próximo de nós, seria uma tragédia.

Será esta a explicação? Será que vimos Paris com os mesmos olhos que vemos o nosso quintal, enquanto a Nigéria é noutro planeta? Será isto? Estará na nossa mente que alguém que morre em Paris é parte de nós e alguém que morre na Nigéria é algo extrínseco?

Não quero acreditar que uma vida em Paris vale mais do que uma vida em África, mesmo sabendo que esta Lei Sagrada é todos os dias violada pelo nosso modo de vida ocidental.

Na Nigéria, segundo a CNN, poderão ter morrido milhares de pessoas numa ataque que poderá ter durado vários dias. Como sempre, milhares de inocentes.

Será normal que o site do público não tenha, na sua página inicial, qualquer referência a este acontecimento trágico? Nem o JN, nem a TSF, nem…

Será que as bombas transportadas por crianças com dez anos são menos criminosas que o ataque de Paris?

Não sei se o ovo e a galinha são o melhor exemplo para estudar a propriedade comutativa, mas não é argumento da Comunicação Social deixar passar o que aconteceu na Nigéria, dizendo que  os consumidores não querem saber. Experimentem ir para lá, façam imagens em directo, cobertura permanente do local e depois digam-me se a resposta dos consumidores é ou não a mesma.

É que isto de ser Charlie é muito bonito, mas de palavras…

O melhor

joga na Selecção. Efectivamente: Selecção. Parabéns, Cristiano.

Zeca Mendonça não é Charlie

Zeca Mendonça ilustra o que acontece a quem não se dá ao respeitinho.

O fato em conta

MRS

© António Cotrim/Lusa (http://bit.ly/1tZqizf)

Segundo Record, Marcelo Rebelo de Sousa, “adepto do Sp. Braga”, reagiu “às manifestações de alegria na redação da TVI”. Acontece que a TVI não tem *redação. Se ouvirmos atentamente a reacção de Rebelo de Sousa, percebemos que “o adepto do Sp. Braga” diz «pelo eco aqui da redacção». Efectivamente: [ʀɨdaˈsɐ̃ũ]. Rebelo de Sousa não referiu qualquer *redação [ʀɨdɐˈsɐ̃ũ̯]. Porquê? Porque a TVI não tem *redação. A vida (como determinadas regências) é extremamente simples. Tomai esse *fato em conta. Fato? Hoje? No sítio do costume? Exactamente.

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Bola de Ouro 2015

Hoje Cristiano Ronaldo vai dizer que é Charlie

Robertos

Lembram-se deles, certamente. Quando era miúdo, eu não perdia uma representação, fosse no humilde biombo de rua, fosse no teatro de robertos com palco, plateia e tudo. A voz estridente dos bonecos, dada pelas palhetas, atraia os putos irresistivelmente. Lembram-se das cenas que se repetiam eternamente: “eh toro, eh torito!…Olé, olé”; ” o raio do barbeiro é doido, carago”; “Doooommm Roberto vai aqui, toma, toma, toma”; “sou o diaaaaabbooooo!…”; “não me apanhas, não me apanhas, trrré,té, té” e por aí fora, tudo dedicado ao “rrrreeeespeitável público e todos os meninos e meninas”. Infelizmente, é raro encontrarmos o D. Roberto por estes dias. Se queremos ver os nossos queridos robertos temos de (devemos) ir ao Museu da Marioneta.
Até lá, restam-nos as candidaturas de Alberto João Jardim e Santana Lopes à presidência da República. Com o aflito esbracejar comentatório do professor Marcelo. É o que se arranja.

Nem o Charlie é Charlie

Charlie Hebdo despediu cartoonista em 2009 por gozar com os judeus

Polónia, o próximo desafio dos juniores portugueses

Vom Schiefen Turm zum Flˆflerdenkmal

Torun, a cidade do Norte da Polónia de 250 000 habitantes, na margem do rio Vístula, famosa por ser o berço de Nicolau Copérnico e pelo pão de gengibre, recebe, a partir da próxima sexta-feira, o Europeu Júnior de hóquei indoor, competição em que Portugal vai estar presente, depois de ter conquistado, há dois anos, o direito de participar na mais alta roda da modalidade, versão de Inverno em pavilhão.

Depois de um mini-estágio na Holanda, muito por influência de Bernardo Fernandes, o treinador português da equipa holandesa de Venlo, muito ligado à equipa técnica liderada por Mário Almeida, segue-se a viagem para a Polónia, que, por acaso, é logo o primeiro adversário da selecção portuguesa, sexta-feira, às 11h25.

Registe-se, aliás, que, na equipa do Venlose, jogam os ora seleccionados portugueses, Miguel Ralha e Tiago Ventosa.

torun pavilhaoSegue-se, pelas 16h50, o confronto com a Turquia, para, no sábado, os Linces subirem ao rinque, rumo ao último jogo da fase de grupos, contra a Rússia (11h30).

No completo plano de treinos e jogos amigáveis, Portugal já defrontou a equipa feminina do Venlo, a equipa júnior do Nijmegen e a equipa da 1.ª Divisão holandesa, o Venlo Heren. Amanhã, será a vez da fortíssima equipa polaca do Pomorzamin Torun. Quarta e quinta-feira, Portugal mede ainda forças contra a Áustria e Suíça, respectivamente.

A comitiva portuguesa, liderada pelo executivo José Manuel Nunes, contempla o seleccionador nacional, Mário Almeida, os treinadores Carlos Silva e Bruno Santos, Dr. Pinto de Sousa (médico) e Fernando Sobreiro (fisioterapeuta). Os seleccionados são: [Read more…]

Critérios

Quando vou a uma manif não pergunto quem vai, pergunto qual a sua causa. Ou então, e logo na primeira semana de liberdade em Abril de 74, não teria ido a nenhuma, todos os Pides à solta por lá andavam.

Ajudinha desinteressada aos 4 dos 9

Na última “prova dos nove”, gerou-se um curioso ponto prévio. Francisco de Assis, com aquele ar de omnisciente que lhe conhecemos começou, recostando-se triunfante na cadeira: “aquela frase que discutimos aqui, ‘se Deus não existisse tudo seria permitido’, tendo eu averiguado – garantiu o Assis – não é de Dostoievski, mas de Sartre”. “Nada disso, é de Nietzsche”- declarou a Constança Cunha e Sá. E assim foram trocando umas flores. Permitam-me, oh gentes, que dê uma ajuda aos comentadores, mais no interesse de quem ouviu e ficou na dúvida – ou, pior, enganado pela categórica garantia do Assis.
Na verdade, a frase está em “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski, e é citada por Jean-Paul Sartre em “O Existencialismo é Um Humanismo” como ponto de partida para a sua indagação sobre o conceito de liberdade e correspondente noção de responsabilidade. Também Simone Beuvoir irá seguir caminho semelhante a partir do mesmo ponto.

Eu sou a minha liberdade, diz Sartre. E estou condenado a ser livre, logo, a arcar com as responsabilidades das minhas escolhas sem fugas, sem desculpas, sem ter a que me agarrar em mim ou fora de mim.
Porque me deu para esta singela incursão? É que, numa altura em que se procuram elaboradas explicações “em última instância” para os sangrentos acontecimentos recentes, pareceu-me justo pôr os pés na terra.

É preciso aprender a escrever

Vítima de lirismo precoce, Vítor Cunha encerra o poema com “É preciso ireis [sic] todos para a podre gruta maternal de onde em má hora fostes paridos.”

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (1)

Taxa de mortes nas cadeias portuguesas é o dobro da média europeia