BES providencial

A procissão do BES ainda vai no adro e já as intenções de voto no PSD+CDS sobem, enquanto Passos reafirma a «desnecessidade» do Governo em resgatar o Grupo Espírito Santo.

Penas transfiguradas [Textos sobre música portuguesa IV]

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© Cláudia Varejão

Lula Pena (n. 1974) não anda cá para fazer discos a metro, nem concertos, nem canções, e nem sequer covers – e os seus são sempre já outra coisa, suficientemente ancorados nas versões originais para podermos reconhecê-las, mas constituindo objectos originais: outras coisas criadas por alguém que refaz fazendo novo, recriando com a memória e o coração.

O seu primeiro disco, Phados (1998), é uma viagem que interroga o Fado, abrindo-lhe horizontes nem sempre reconhecidos pelos mais puristas da canção nacional, e embora a sua forma de cantar faça justiça ao seu nome, que transporta como um destino marcado uma dor nacionalmente reconhecível. Nele, a cantora revisita alguns grandes temas populares de Língua portuguesa (Portugal, Brasil, África), cantados com a liberdade dos reinventores da melhor tradição, com a infinita tristeza do bardo exilado (Lula, viajante poliglota, cantou-os pelas ruas do Mundo), e com a voz profunda e inquietante da sereia de voz grave a quem Rodrigo Leão pediu emprestada a voz para o paradigmático tema-tango Pasión. Uma voz que alguém definiu já como o sendo o resultado de uma combinação de mel e lava, penhascos e mar – o que pode haver de mais português? [Read more…]

O Hollande é um krido

Depois de uma manifestação de apoio aos palestinianos ter acabado mal, andamos numa daquelas rotinas de o governo de Israel atacar a excessiva densidade populacional de Gaza diminuindo o número de vivos ali residentes, o governo do Partido Socialista Francês decidiu patrocinar a seguinte, proibindo-a.

Como não chegasse, estava tudo a decorrer ritualmente, quando a polícia de Hollande actuou:

[via reportagem do Le Monde]

Perfeito. A cruzada Helena Matos adorou, adorou, adorou.

É disto que falamos quando falamos do que sobra da Internacional Socialista. Acreditar que destes partidos pode vir decência, é um repetido logro. Quem ali ande e seja social-democrata está condenado a fugir, mais cedo que muito tarda. Valha-nos S. Pasok, e de uma forma ou outra estes partidos caminharem para seus seguidores.

Uma utopia a menos, esta é a realidade

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Portugal conquistou hoje, no campo, o direito a proclamar que é a oitava selecção da Europa em sub 21. Subiu à primeira divisão europeia e teve o melhor jogador do campeonato, de seu nome David Franco, que jogou lesionado toda a prova, mandou as dores para trás das costas – ou para o raio que as parta – e agora, sim, vai fazer o tratamento necessário. Em oportunidade próxima, referir-me-ei a ele, mas hoje, perdoa-me, David, a heroína é a equipa, toda, atletas, técnicos de campo, gabinete médico, torcedores, o pessoal de apoio, os dirigentes.

Nós, os que trabalhámos no gabinete de comunicação, apenas mostrámos ao mundo aquilo de que sois capazes, com todas as reticências que possam colocar, com todas as reservas que vos oponham. Porque a equipa soube ser coesa, demonstrou um incrível espírito de sacrifício e lutou até final com uma galhardia só possível quando, efectivamente, estão todos polarizados num alvo comum: a vitória.

O melhor elogio que vos pode ser dado, disse-o ao vosso seleccionador o treinador da Irlanda, a selecção campeã: tive que repensar a táctica, jogar pela primeira vez com quatro defesas, não pressionar da forma que normalmente a Irlanda faz, porque eu tinha pânico do vosso contra-ataque. Ouvir isso do treinador campeão deve encher-vos de orgulho. [Read more…]

Um governo de truques

A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei – ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito. [Pacheco Pereira, no Público]

Paulo Padrão no olho da rua

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Há que dar os parabéns a Vítor Bento: Paulo Padrão, director do departamento de comunicação do BES, está desempregado. Sim, é uma questão pessoal, a que nos liga no Aventar a um tipo que nos fez ameaças, que pelos vistos eram sua prática corrente.

Claro que com o seu curriculum, onde se destaca ter sido assessor de imprensa do ministro Eduardo Pintelho Catroga, continuará a saltitar entre o público e o privado, sempre ao serviço dos mesmos. Vai uma aposta?

Música da semana

Impressionante a quantidade de boa música com origem em Seattle. Para quem não conhece, recomendo Mike Hadreas,conhecido na indústria musical como Perfume Genius…

Terrorismo governamental

Um empresário toma iniciativa, arrisca, a população adere, até que surge um tsunami, o burocrata com regulamentação… O consumidor sai sempre a perder.

João Ubaldo Ribeiro (1941-2014)

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«Sempre que morre um escritor» há pelo menos um outro escritor que o inveja. Lido aqui.

Das margens do Ebro

A 18 de Julho de 1936 começou a guerra civil espanhola. Foi há 78 anos, muito pouco, afinal. Não só os crimes do franquismo nunca foram julgados, como os seus herdeiros aprovam hoje leis mordaça que punem com a prisão quem exerce o direito democrático de contestar nas ruas.

78 anos é muito pouco na história da humanidade, só um pequeno sopro, e temos aprendido que nenhum avanço pode ser tomado como definitivo, mas nas margens do Ebro, que tanto sangue viu correr, ainda ecoa o verso “pero nada pueden bombas/ donde sobra corazón”.

 

Título errado no Público

Deveria ser “Jogar ao gato e ao crato…”

O teu murmúrio (2013)

Os Oquestrada em Março no programa 5 para a meia-noite (RTP1, ao vivo)

Expulsar ciganos com música

O autarca de Landen (Bélgica), Gino Debroux, queria expulsar um grupo de ciganos que acampou na cidade. A conversa com o líder da comunidade não correu bem e o autarca lembrou-se de contratar um DJ para pôr música a tocar a 95 decibéis junto do acampamento.

Acontece que o DJ escolheu começar com o “Sultans of Swing” e o resultado foi pôr a criançada toda do acampamento aos pulos. [Read more…]

Para reflectir…

Recomendo este artigo.

Entrada de dicionário: crato

(Qualquer semelhança com a realidade não será mera coincidência)

Crato, adj., hipócrita, cobarde, calculista, político (pej.).

Este adjectivo teve origem no nome de Nuno Crato, Ministro da Educação entre 2011 e 2015. A razão que levou a que o apelido do antigo ministro se transformasse num termo de ressonâncias insultuosas prende-se, em primeiro lugar, com o facto de, antes de ocupar o cargo, ter emitido algumas opiniões sensatas acerca de Educação, tendo, até, granjeado alguma popularidade como autor de livros e comentador televisivo. A sua nomeação trouxe, então, alguma esperança a uma classe docente massacrada por seis anos de políticas educativas desastrosas.

Depois de tomar posse, Crato começou a colocar em prática uma série de medidas que tinha chegado a criticar quando era comentador televisivo, como foi, por exemplo, o caso da criação de mega-agrupamentos. Entretanto, a sua prática governativa caracterizou-se por ir sempre ao arrepio das declarações públicas, anunciando, por exemplo, uma defesa do rigor, da exigência e da autonomia, quando, na realidade, todas as suas decisões contribuíam para o caos do sistema educativo, ao mesmo tempo que retirava poderes de decisão aos profissionais da educação, tendo, ainda, como verdadeiro objectivo o despedimento do maior número possível de professores.

Torna-se fácil perceber por que razão o nome do antigo ministro passou a designar uma série de defeitos do âmbito do fingimento e da hipocrisia. Falta explicar de que modo, a mesma palavra passou também a ser sinónimo de ‘cobarde’. [Read more…]

Não lêem jornais na Malaysia Airlines?

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Uma rota de aviação comercial que passa sobre um campo de batalha é de doidos varridos. Quem quer que tenha disparado o míssil tem muito menos responsabilidades no sucedido do que uma companhia que faz os seus passageiros correrem tal risco.

Começo a perceber como podem ter perdido o outro avião: esta gente não bate bem da bola.

Avião comercial abatido na Ucrânia?

MH17

Há pouco mais de uma hora, no leste da Ucrânia onde rebeldes pró-russos supostamente semeiam o terror financiados e equipados por Moscovo, foi abatido um avião comercial da Malaysia Airlines com 295 civis a bordo. Desconhece-se, até ao momento, quem terá sido o responsável pelo aparente atentado. Contudo, fonte do Ministério do Interior ucraniano confirmou que o avião foi abatido por um míssil disparado na região de Donetsk, um dos redutos dos separatistas. Os rebeldes pró-russos já vieram a público negar qualquer envolvimento no sucedido.

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Evangelho segundo João 8, 1-11

FISCO

Quem nunca se esqueceu de declarar aqueles 8,5 milhões de euros que estavam esquecidos naquela gaveta da mesinha de cabeceira, dentro daquele envelope para as férias do próximo ano? Será isto motivo para condenar um homem ao enxovalho? Claro que não! Agora fazer negócios com comunistas radicais que se alimentam de crianças ao pequeno-almoço já é algo que ultrapassa todos os limites. Deve haver aqui dedo do Sócrates que ele também vendia uns computadores ao Chavéz. É que apesar do takeover social-democrata do mais antigo banco do regime, é de senso comum que se alguma coisa correu mal, a culpa só pode ter sido dele ou do TC.

Espírito Santo valei-nos, o mundo está perdido!

Foi necessário escrever uma nova história, mas conseguimos!

Anda pela internet uma frase de motivação (daquelas que, normalmente, vamos logo apagar, mas, sem querer, acabam partilhadas na cronologia de todos) que diz: “Que a felicidade seja sonho, meta e realidade”. Sem pressupostos sociológicos por detrás das minhas palavras, gostaria de dizer que esta afirmação, que muitos até poderão considerar profundamente piegas, eu a recordei ontem, a 3 minutos do fim do jogo entre Portugal e Irlanda, quando Ivo Moreira

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empatou o jogo, naquele que foi o resultado que fez rebentar as águas: Portugal, pela primeira vez na história da variante de campo, ascendia, por mérito próprio aos top 12 da Europa. Para já, que ainda falta jogo! Que parto difícil!

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Os ricos que paguem a crise

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Contrariamente ao que certos fazedores de opinião pretendem, afinal, estas palavras de ordem fazem sentido.

[Imagem ilustrativa deste artigo]

É mesmo um cara de trapos

A lata de Passos Coelho a dar lições de moral sobre fundos comunitários depois da sua Tecnoforma. É expoente máximo do descaramento e da impunidade.

Somewhere only we know (2004)

Luís Sequeira no Domingo passado no programa de tevê The Voice Portugal

A demagogia demográfica

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Inventou-se um alvoroço porque os portugueses não se reproduzem, fodem mas não fazem, causa garantida para um Portugal em velhos, reformados para os quais teremos de trabalhar.

Não fodessem por abstinência, ou houvesse uma epidemia de infertilidades, era um problema.

O que temos é demagogia demográfica, investigada e publicada pela fundação Pingo Doce que por enquanto não pretende vender preservativos furados, e agora tomado como imperativo nacional pelo PSD, tipo esqueçam que agravámos todas as causas, estamos muito preocupados com as consequências.

Inventar dramas é compulsivo entre os praticantes da doutrina do choque, os que provocam não lhes chegam. O da quebra da natalidade e consequente envelhecimento da população é um bom exemplo, perfeitamente explicável e que a direita, responsável principal, decidiu transformar em catástrofe para vender contas poupança reforma.

Há uma quebra na natalidade? um crescimento da esperança de vida logo envelhecimento da população? Há, mas tem meio século: [Read more…]

Quando fazer história pode ser insuficiente

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Ponto prévio: Portugal está em disputa directa – sempre esteve desde que se conheceu o calendário – com a Ucrânia e a Rússia. Estranhou-se, por isso, que contra esses adversários o umpire manager, o senhor que manda nas nomeações – que por acaso é espanhol e se chama Antonio Morales – tenha escolhido para as duplas que dirigiram esses jogos, seguidos, um tal Aliaksandr Hrachou, de sua (falta de) graça, e aparecido no campeonato, vindo da Bielorrússia. Quando poderia perfeitamente ter nomeado Nick Bennett (inglês) ou Mike Gerving (alemão), nomeados e presentes em Lousada como árbitros neutros. E é para jogos destes que os torneios internacionais têm árbitros neutros. [Read more…]

Abriu a caça ao voto de emergência nacional:

eu já me inscrevi aqui. E tu? por que esperas?

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O mercado municipal

 Santana Castilho *

A municipalização da educação está a ensaiar os primeiros passos em contexto estratégico favorável, prudentemente escolhido, já que os professores não pensam senão nuns dias de férias, depois de afogados em trabalhos de exames, que culminaram um ano particularmente desgastante.

Foi Poiares Maduro, que não o ministro da pasta, que anunciou, na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local da Assembleia da República, em Março passado, a intenção de o Governo entregar a gestão da educação a dez municípios-piloto. Na altura, não clarificou o que entendia por gestão da educação. Tão-só disse que a intenção do Governo era descentralizar. Mas descentralizar, verbo transitivo que significa afastar do centro, não é panaceia que traga automática melhoria ao sistema. O experimentalismo descentralizador dos últimos anos no que toca à colocação de professores e o cortejo inominável de aberrações e favoritismos que gerou é um bom exemplo de que muitas vertentes da gestão do ensino devem permanecer centralizadas. Justifica-o a pequena dimensão do país, a natureza dos compromissos, legais e éticos, assumidos pelo Estado face a um vastíssimo universo de cidadãos e as economias de escala que as rotinas informáticas permitem. Quanto aos aspectos que ganharão, e são muitos, se aproximarmos a capacidade de decidir ao local onde as coisas acontecem, não deve o poder ser entregue às câmaras, mas aos professores e às escolas. Justifica-o a circunstância de estarmos a falar da gestão pedagógica. Porque quem sabe de pedagogia são os professores. [Read more…]

Perfect Day (1972)

Perfect Day (Lou Reed, 1972) versão de Rui Reininho e Jorge Palma (homenagem a Lou Reed, Lisboa, Largo do Intendente, 1 de Novembro de 2013)

Falem por si

Ana Drago, dizem, vai abandonar o Bloco de Esquerda. Nada tenho com isso e muito menos com as razões que alega. Não sou comentador televisivo e não me apraz a especulação gratuita nem os julgamentos sumários que tanto agradam à maior parte dos nossos jornalistas. Mas há um ponto que, por ser coisa recorrente em crises de todos os partidos, importa relevar: a frequência com que os que saem fazem questão de arvorar a representação de um grupo ou organização que dê relevo – e, talvez, prestígio – à sua dissidência.

Reparem que não discuto aqui – era o que faltava – as razões ou convicções que levam alguém a abandonar um partido. Muitas pessoas o fizeram com dignidade e discrição sem alardear um ego sobre-dimensionado. Outros portaram-se como ratos num barco que pensam em risco. Há de tudo. Até os que mudam de partido e mantêm o seu lugar no Parlamento, atacando, em nome do seu novo amor, o partido a que pertenceram (não é, José Magalhães?). Outros há que vão tratar da vidinha. Há ainda quem sofra uma epifania e faça uma volta de 180º, passando a servir o Senhor ( e os senhores…não é Zita?). Mas o que me traz aqui é, como escrevi acima, a batota da falsa representatividade que alguns dissidentes alegam, por iniciativa própria ou embalados por uma comunicação social rapace e tendenciosa.

É a vez de Ana Drago. Por que diabo não desmente publicamente as notícias que proclamam que consigo toda uma corrente sai do BE? Por que diabo é para aqui chamado o Fórum ou a Política XXI e, pior ainda, porque se usa despudoradamente o nome de Miguel Portas? Não tendo nada com o BE – mas nele não me faltando amigos e companheiros de luta de tempos mais difíceis – a minha reacção decorre da náusea de já ter visto este número muitas vezes – incluindo no meu partido – e sempre com argumento semelhante, só mudando os actores. Por que diabo não se mantêm na sua dimensão e falam por si? Se alguém os quer acompanhar, tem voz e cérebro próprios.

BES! caloteiro! dá-me o meu dinheiro!

amercico amorim

O homem mais rico de Portugal vai à manif.

No camarote com Putin: a história de um embargo que não existe

Putin

De um momento para o outro, talvez por obra e graça do divino Espírito Santo, deixou de se falar nesse ícone da violação dos direitos humanos que é a Rússia de Vladimir Putin. É possível que o futebol, que como sabemos tem a particularidade de ofuscar e adiar as mais variadas preocupações do ser humano, esteja por trás deste fenómeno. Até porque, como a foto em cima nos mostra, a Europa civilizada conseguiu partilhar o camarote da Dilma com o perigoso ditador soviético. Apesar da Rússia se ter ficado pela fase de grupos do Mundial, Putin foi convidado de honra na tribuna VIP para a final do Maracanã. Não se viu por lá Cavaco Silva.

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