Guerra civil

Os búlgaros tomaram a rua com vassouras nas mãos e o Governo caiu. Preços da electricidade privatizada (entregue a grupos estrangeiros) despoletaram a subida de tom. Propostas cidadãs de alteração à Constituição e de escrutínio activo do sistema representativo estão agora em cima da mesa do povo búlgaro. “Nós temos dignidade e honra. Foi o povo que nos deu o poder” disse o primeiro-ministro búlgaro, acrescentando que não participará “num Governo quando a polícia bate no povo e as ameaças de protestos substituem o debate político”. Um clima de guerra civil (olhado com altaneira indiferença pela generalidade dos actuais governantes) espalha-se pela Europa das desigualdades. [Read more…]

Serviços essenciais: mudaram as regras

Banda sonora

Não há dúvidas que a canção é uma arma. Acho, assim, muito bem, que se cante em protesto. Apenas sugiro que se diversifique mais um pouco as escolhas. Com todo o respeito pela “Grândola, Vila Morena” e pelo Zeca Afonso, com todo o respeito pela máxima “O povo é quem mais ordena” e pela herança revolucionária, acho que seria, também, de cantar bem alto outras canções que fazem, outra vez, todo o sentido, como por exemplo:

Entram empresários moralistas. Entram frustrações. Entram antiquários e fadistas. E contradições. E entra muito dólar, muita gente. Que dá lucro aos milhões.

Isso mesmo, cante-se também a “Tourada” de Ary dos Santos e Fernando Tordo:

Aceitam-se mais sugestões.

“Podemos Cantar Todos, Não?”

Sim, podemos. Mas para cantarmos todos… convinha todos saberem a letra

Hoje, lembrei-me de Ginsberg

Hoje, lembrei-me de Ginsberg:

«Are you being sinister or is this some form of practical joke?»

Não me venham dizer que Miguel Relvas não sabe o que é uma universidade.

Marcelo Rebelo de Sousa

O 2 de Março em Língua Gestual

Uma manifestação inclusiva (penso que esta será a primeira vez que em portugal alguém se lembra de tal).

Entretanto as mobilizações crescem: já são 32 cidades com manifestação convocada.

Estupidez

Se de repente um Marcelo lhe oferecer uma JSD, isso é uma estupidez.

Borrado de medo

Marcelo Rebelo de Sousa finge que não vai haver 2 de Março. O calendário salta de 1 para 3. Querias…

A maré cidadã em Espanha

Ontem, o povo espanhol  protestou contra ‘o golpe de Estado financeiro’. Como estoutras imagens documentam, manifestou-se de forma pacífica e em número massivo, em defesa dos direitos de cidadania. Contra o desemprego, os ataques do governo ao Estado Social e uma política de austeridade, estritamente financeira com que a CE e os governos dos países atingidos torna insuportável a vida de milhões de cidadãos.

Na forma usual,  a resposta foi  o método de repressão que consistiu em utilizar a brutalidade policial que, infelizmente, se transformou em paradigma nos países mais fragilizados pelo crime da crise, cometidos pela banca, os anónimos mercados e investidores e a conivência de políticos.

Sancionados, portanto, pelo governo de Rajoy, os acontecimentos junto da estação de ‘Atocha’, de nefastas recordações, polícias espanhóis, uma vez mais, fardados, armados e capsulados por viseiras, escudos, pistolas e bastões, investiram ao estilo de animais selvagens. Puniram cobardemente quem contestou, sem ínfimo respeito pelos direitos de cidadania, os mais atingidos foram grupos de mais jovens. Infelizmente, aqueles que são as maiores vítimas da crise a quem um futuro de perspectivas vácuas reserva inteloráveis situações de pobreza ou mesmo de miséria que, na definição de Charles Chaplin, se transforma na mais dura forma de vida humana, porque se transforma em vício.

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Blogues? que horror, quem lê isso

Os blogues que constam do Blogometro têm no total  500 000 visitas por dia, desde o início do ano. E faltam muitos.

A economia portuguesa no contexto   internacional

“Portugal é um bebé no cinema porno”

Detenham-me se acham que já ouviram isto antes

Como o primeiro-ministro inglês, David Cameron, insiste em dizer que adora a banda The Smiths e tem até o desplante de escolher uma canção favorita, “This Charming Man”, Johnny Marr foi obrigado a responder-lhe em público: “Pára de dizer que gostas dos Smiths, não gostas nada. Proíbo-te de gostares dos Smiths”. (Claro que fui eu a optar pelo tratamento por tu na tradução, como sabem o inglês marimba-se para essas distinções ou, tal a dificuldade de optar, prefere não enfrentar esse problema).

Também Morrissey, que optou por viver num mundo onde a causa mais importante é o bem-estar animal e as pessoas se reduzem a servidoras desse bem-estar, juntou-se à indignação do seu antigo parceiro e rejeitou a preferência de Cameron porque o primeiro-ministro “caça e mata veados – aparentemente por prazer.” É sintomático que, com tantas razões para estar contra as políticas dos conservadores britânicos, seja com os bambis que ele está preocupado, mas com quem escreveu “Heaven knows I’m miserable now” não consigo zangar-me, terá sempre o agradecimento reconhecido da minha ainda não esquecida adolescência. [Read more…]

E se de repente…

…um tsunami varresse hoje a Itália chamava-se 5 Estrelas. Era bom.

Amor com amor se paga

Se o governo interrompeu a “Grândola”, é justo que a “Grândola” interrompa o governo.

Viviane Reding e o diálogo com os cidadãos

Uma farsa  mal montada.

Ferreira Fernandes e o da de a

Depois do presidente-da-de-a ter, com um oportuno sentido de tempo, lançado na arena mediática a questão gramatical dos diplomas publicados no Diário da República, eis que Ferreira Fernandes vem lembrar que o “gatuno é dele”:

(…) Ora, há três semanas, a 30 de janeiro de 2013, publiquei, aqui, uma crónica intitulada “O eterno lobby da vírgula” [link não existe na crónica]. Nela, eu perguntava: “Não conhecem a história do “da” que virou “de”?” E eu contava como, em 2005, a proposta de lei sobre mandatos, desde que foi apresentada pelo Governo, até ao decreto de publicação da AR, passando pelo que foi votado, falava sempre em “presidentes da câmara”. (…) Mas, hoje, quero lembrar aquele meu patrício luandense que prendeu um gatuno. Quando este estava a ser levado pela polícia, o meu patrício insurgiu-se: “O gatuno é meu!” Belém não diga que “detetou” no Diário “da” República o que pescou aqui no Diário “de” Notícias. Obrigado. [DN]

A bomba relógio não é, afinal, novidade e, pelo que se percebe, até é antiga. Em 2005 podia ter-se optado por uma lei clara mas, como escreveu Ferreira Fernandes, “uma lei embrulhada é uma boa lei(…) Cherchez le juriste…”

Filhas, o vosso avô morreu…

Hoje, dia 11 de Fevereiro, a vossa mãe ficou órfã de pai. Isto quer dizer que vós, minhas queridas filhas, acabais de perder o primeiro dos vossos avós. O vosso avô materno. O vosso avô Zé.
É véspera de Carnaval. Todo o dia esteve estranho, alternando entre algum sol e muita chuva miudinha. Como o pai não trabalha e não vos levámos para o infantário, decidimos ir convosco a Esmoriz, para brincarem numa sala meio ATL, meio parque de diversões fechado, que adorais.
Almoçámos lá e, quando chegámos ao tal sítio, estava fechado. Pelo que nos disseram até é possível que tenha fechado de vez, como todos os negócios têm fechado neste país.
A tarde ficou horrível, chuvosa e muito ventosa e fria, mas o vosso pai lá arranjou maneira de andar a brincar convosco. Eu vi o mar de Inverno que adoro.
Está um tempo horrível. Sinto-me chateada, aborrecida, farta. Regressamos a casa pela Estrada Nacional. É bem mais agradável do que a Auto-Estrada. Passamos a Feira de Espinho. Ao ver aquela confusão, perguntas o que é, Leonor, e lá te dizemos que é uma feira muito grande. Vais reparando em tudo o que vês pelo caminho e vais comentando tudo. Tu, Carolina, segues o exemplo da tua irmã e lá vais também falando do que vês pela janela do carro novo.
Como ainda é cedo, e entretanto estais as duas a dormir, o pai pára em frente à praia de Salgueiros, para eu poder, mais uma vez, ver aquele mar que adoro. Saio do carro, apanho aquele vento forte e frio na cara, tiro umas fotos. Não me apetece vir embora, mas são horas. Sinto-me apaziguada, como sempre, depois de ver o mar Invernoso.
Quase a chegar ao Periscópio, no cruzamento da rua por onde passa o metro no empreendimento Cidade Jovem, o meu telemóvel toca. É a vossa avó. Estranho… Ela sabe que vou trabalhar a essa hora. Comento com o vosso pai: «a minha mãe… Será alguma coisa com o meu pai?» Faço esta pergunta sem sequer imaginar a gravidade, a profundidade do que já aconteceu e eu não sei. Imagino mais uma ida para o hospital.
«Nena, o pai acaba de falecer», anuncia a voz embargada da minha mãe. Reajo: «Mamã, estou a caminho do Periscópio, vou já para aí». Desligo o telefone. Anuncio ao vosso pai: «O meu pai acaba de morrer. Vamos já para lá.»
As duas já tinham acordado. Tu, Leonor, sempre atenta, percebes que se passa alguma coisa. Perguntas o que aconteceu. O que é que a avó me disse. [Read more…]

Não se faz!

As facturas acumulavam-se em nome do sr.Pedro Coelho. 32 cervejas, 47 cafés, 5 bitoques, meia duzia de rissóis de pescada, dois bifes à casa, 2 idas a casa de banho municipais – uma em Coimbra, outra em Barcelos – um bacalhau com todos, um serviço completo de manicura, três depilações à brasileira, três doses de pastéis de bacalhau com arroz de espigos, uma dose dupla de tripas à moda do Porto, 14 garrafas de tinto de marcas sortidas, uma dose de pézinhos de porco de coentrada, uma tachada de cadelinhas com papas de xerém, até uma gralhada de lapas da Madeira. E com tudo isto, ninguém, mas mesmo ninguém, se lembrou de facturar um Kompensan ou mesmo uma humilde Água das Pedras para esmoer. Isto não se faz!

Carrega Aqui…

boobstagramVá lá, é por uma boa causa.

Fábulas sem fim

Era uma vez uma economia que tinha tantas contracções que só podia parir desempregados.

Qual é o problema de interromper o Relvas? (5)

Economia contrai este ano 1,9% e desemprego sobe para 17,5%

Os pró-Koala em defesa de Relvas

ursoSolidários e militantes activos, os ‘jotas laranjinhas’ estão no terreno em  campanha de defesa de Relvas.

Apoiados pela associação pró-Koala, e  com recurso de alegoria apropriada, estão a promover a distribuição de um autocolante, onde se lê:

Eu tenho as necessárias ‘koalaficações’

Quem andou pelo ISCTE a cantar “Grândola, Vila Morena’, a negar a liberdade de expressão do ministro e, sobretudo, a fazer juízos injustos da licenciatura e da equivalência em 32 cadeiras na ‘Lusófona’, desengane-se! O homem é mesmo “koalaficado”.

(Nota pessoal: lamento que, ao contrário do simpático Koala, não seja este tipo de ministro que esteja em vias de extinção).

“A corrupção abolirá todas as fronteiras…”

Se o mundo é global
Não pode a corrupção
Cingir-se ao local
Como se em contramão…

 Tem de se projectar
Galgar   fronteiras
Tem de se universalizar
Avassalar eiras e beiras

Mas o combate local
Associado aos mais
É superior, bem superior
À mera soma dos iguais

E é localmente,
Sem se questionar
Que se tem de principiar
Principalmente…

Como ponto fulcral
A atingir, a alvejar
Prá moral social
Se almejar!

Zeca

No aniversário do seu falecimento, a vossa atenção para esta introdução à cantiga Papuça. Em particular para quem anda por aí a caluniar José Afonso, um homem que sempre se afirmou revolucionário.

Deve ter sido de e não da

Também acredito que tudo foi legal.

Descubra as diferenças

Encontrava-me ontem, encafuado no sofá, a folhear a segunda edição do Morphology de P.H. Matthews e a recuperar de (‘de’ e não ‘do’) obstinado resfriado na companhia dum magnífico Vox Sana. O televisor aceso, esquecido na RTP Internacional, o som muito lá no fundo, quase imperceptível. Subitamente, três palavras-chave (leitura, Morais Bruxelas) enunciadas pelo locutor desviaram a minha atenção da encantadora página 214, onde Matthews ataca o duplo diminutivo.  Hoje, vi o programa.

Recentemente, a propósito de depoimento escrito apresentado aos membros do Grupo de Trabalho – Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico [AO90] da Comissão de Educação, Ciência e Cultura  da Assembleia da República, dei a conhecer graves problemas na redacção do Diário da República (DR) desde o fatídico início do mês de Janeiro de 2012. Verdade seja dita, e embora a base XIX do AO90 não tenha sido o meu Leitmotiv (sim, em itálico e com maiúscula, e o meu favorito é este),  que nesta edição a ocorrência de Dezembro em primeira página só aparece aqui (c’est très grave, c’est excessivement grave!, como diria o Steinbroken) . Daí, ter ficado surpreendido com a imagem da esquerda. Verifiquei na gaveta onde guardo as edições do DR desde Janeiro de 2009 e a imagem da direita é a da primeira página da edição apreciada pela RTP. Não percebo por que razão no original aparece (infelizmente) ‘dezembro’ e na imagem que a RTP apresenta aos espectadores (mesmo que episódicos, como eu) surge ‘Dezembro’. Sim, pois, as páginas não coincidem. Pronto, dito isto, regresso à página 214 do Matthews.

Aventar 2322013

“Até quando você vai levar

 

2marco

 

e ficar sem fazer nada?”

«De repente, uma sombra de medo

começou a pairar sobre as cabeças de muitos dos nossos políticos de tribuna e comentadores de cátedra. (…)» Rui Bebiano, atento. n´A terceira noite

“Não é por aí. Não é por aí…”

Olho para a fila das 28 caixas de pagamento do hipermercado e percebo que só duas estão a funcionar. Escolho a que menos gente tem e aguardo com dois artigos na mão. Um funcionário solícito aborda-me para que eu use as máquinas de pagamento “self-service”. Declino o convite, dizendo que preferia esperar numa caixa, pois estaria a defender o posto de trabalho de quem nela trabalha. Tive como resposta uma frase que me fez soar uma espécie de alarme: ” Pronto… Opiniões não se discutem“. Reflecti de modo relâmpago em semelhante afirmação. “Opiniões não se discutem“?! Gostos, sim, agora opiniões?! Optei por lhe explicar o que eu pensava ser óbvio: “Um dia que os funcionários das caixas sejam todos substituídos por máquinas, mais desemprego vamos ter, e já basta como ele está. É por isso que prefiro esperar aqui“. Contava que a coisa ficasse por aí, mas foi muito breve a minha ingenuidade, pois recebi de volta uma frase lapidar: “Não é por aí. Não é por aí…“. Tal fez-me recolher ao silêncio, com a ajuda de algumas vozes de concórdia de quem me acompanhava na fila. Não que não tivesse resposta, mas tinha de tão pronta quanto brusca e, provavelmente, mais ainda de inócua face ao meu interlocutor. O que pensei, para mim guardo. E cada um que agora pense que lhe aprouver do que ora acabo de contar.

Quem te tramou, futebol?

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Já defendi aqui que o regresso de João Loureiro à presidência do Boavista FC tinha que ver com a crescente expectativa de que seriam anuladas as penalizações ao seu futebol e que os axadrezados do Bessa exigiriam contrapartidas. Escrevi, então, que a família Loureiro nunca esteve, de facto, desligada, sendo certo que os senhores que ocuparam a cadeira do poder boavisteiro nunca conseguiram distanciar-se do anátema de que eram emanações pagas numa gestão simulada (pelo menos, da fama não se livram), aguardando o desenrolar dos processos na justiça desportiva da FPF.

Fui insultado, o que neste país é usual quando as nossas opiniões são diversas.

Convém dizer que nunca escondi as minhas preferências clubísticas, que pertencem a outra zona da cidade. Tenho, no entanto, muitos amigos no clube “pantera”, e os últimos jogos que vi ao vivo foram de camarote, por convite, no estádio do Bessa.

Não me move, por isso, qualquer parti pris, mas também não nutro qualquer afecto superlativo, talvez pela rivalidade que sempre houve entre uns e outros, eles e os meus. Leio apenas os sinais, colijo informação, oiço quem sabe, respeito quem está por dentro e não quero expor fontes.

Não preciso, aliás, de as expor porque os próprios interessados, se dúvidas houvesse, enunciam, em público, o que os anima.

Por fora, parece-me, contudo, bizarro que, decididos a favor os processos, a justiça não possa ser aplicada por inteiro, vindo sempre o fantasma da tutela internacional estragar a festa.

Partindo do princípio de que o Boavista tem razão, será justo que se paguem indemnizações e se coloque o clube no lugar donde foi apeado sem suporte legal. Mas, a crer em João Rodrigues, isso custaria ao futebol português o seu afastamento das provas internacionais: selecções e clubes poderiam ver suspensas as participações na Liga Europa, Liga dos Campeões, campeonato da Europa, campeonato do Mundo… uma enormíssima trapalhada com consequências imprevisíveis mas muito, muito, graves.

Ou seja, o Boavista, que solveu nos tribunais a sua honra e foi ressarcido, tem agora de assumir um compromisso com o futebol português de forma a não prejudicar terceiros, como se a culpa fosse sua por ter avançado para a justiça. Brilhante!