Descubra as diferenças

Encontrava-me ontem, encafuado no sofá, a folhear a segunda edição do Morphology de P.H. Matthews e a recuperar de (‘de’ e não ‘do’) obstinado resfriado na companhia dum magnífico Vox Sana. O televisor aceso, esquecido na RTP Internacional, o som muito lá no fundo, quase imperceptível. Subitamente, três palavras-chave (leitura, Morais Bruxelas) enunciadas pelo locutor desviaram a minha atenção da encantadora página 214, onde Matthews ataca o duplo diminutivo.  Hoje, vi o programa.

Recentemente, a propósito de depoimento escrito apresentado aos membros do Grupo de Trabalho – Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico [AO90] da Comissão de Educação, Ciência e Cultura  da Assembleia da República, dei a conhecer graves problemas na redacção do Diário da República (DR) desde o fatídico início do mês de Janeiro de 2012. Verdade seja dita, e embora a base XIX do AO90 não tenha sido o meu Leitmotiv (sim, em itálico e com maiúscula, e o meu favorito é este),  que nesta edição a ocorrência de Dezembro em primeira página só aparece aqui (c’est très grave, c’est excessivement grave!, como diria o Steinbroken) . Daí, ter ficado surpreendido com a imagem da esquerda. Verifiquei na gaveta onde guardo as edições do DR desde Janeiro de 2009 e a imagem da direita é a da primeira página da edição apreciada pela RTP. Não percebo por que razão no original aparece (infelizmente) ‘dezembro’ e na imagem que a RTP apresenta aos espectadores (mesmo que episódicos, como eu) surge ‘Dezembro’. Sim, pois, as páginas não coincidem. Pronto, dito isto, regresso à página 214 do Matthews.

Aventar 2322013

“Até quando você vai levar

 

2marco

 

e ficar sem fazer nada?”

«De repente, uma sombra de medo

começou a pairar sobre as cabeças de muitos dos nossos políticos de tribuna e comentadores de cátedra. (…)» Rui Bebiano, atento. n´A terceira noite

“Não é por aí. Não é por aí…”

Olho para a fila das 28 caixas de pagamento do hipermercado e percebo que só duas estão a funcionar. Escolho a que menos gente tem e aguardo com dois artigos na mão. Um funcionário solícito aborda-me para que eu use as máquinas de pagamento “self-service”. Declino o convite, dizendo que preferia esperar numa caixa, pois estaria a defender o posto de trabalho de quem nela trabalha. Tive como resposta uma frase que me fez soar uma espécie de alarme: ” Pronto… Opiniões não se discutem“. Reflecti de modo relâmpago em semelhante afirmação. “Opiniões não se discutem“?! Gostos, sim, agora opiniões?! Optei por lhe explicar o que eu pensava ser óbvio: “Um dia que os funcionários das caixas sejam todos substituídos por máquinas, mais desemprego vamos ter, e já basta como ele está. É por isso que prefiro esperar aqui“. Contava que a coisa ficasse por aí, mas foi muito breve a minha ingenuidade, pois recebi de volta uma frase lapidar: “Não é por aí. Não é por aí…“. Tal fez-me recolher ao silêncio, com a ajuda de algumas vozes de concórdia de quem me acompanhava na fila. Não que não tivesse resposta, mas tinha de tão pronta quanto brusca e, provavelmente, mais ainda de inócua face ao meu interlocutor. O que pensei, para mim guardo. E cada um que agora pense que lhe aprouver do que ora acabo de contar.

Quem te tramou, futebol?

Imagem

Já defendi aqui que o regresso de João Loureiro à presidência do Boavista FC tinha que ver com a crescente expectativa de que seriam anuladas as penalizações ao seu futebol e que os axadrezados do Bessa exigiriam contrapartidas. Escrevi, então, que a família Loureiro nunca esteve, de facto, desligada, sendo certo que os senhores que ocuparam a cadeira do poder boavisteiro nunca conseguiram distanciar-se do anátema de que eram emanações pagas numa gestão simulada (pelo menos, da fama não se livram), aguardando o desenrolar dos processos na justiça desportiva da FPF.

Fui insultado, o que neste país é usual quando as nossas opiniões são diversas.

Convém dizer que nunca escondi as minhas preferências clubísticas, que pertencem a outra zona da cidade. Tenho, no entanto, muitos amigos no clube “pantera”, e os últimos jogos que vi ao vivo foram de camarote, por convite, no estádio do Bessa.

Não me move, por isso, qualquer parti pris, mas também não nutro qualquer afecto superlativo, talvez pela rivalidade que sempre houve entre uns e outros, eles e os meus. Leio apenas os sinais, colijo informação, oiço quem sabe, respeito quem está por dentro e não quero expor fontes.

Não preciso, aliás, de as expor porque os próprios interessados, se dúvidas houvesse, enunciam, em público, o que os anima.

Por fora, parece-me, contudo, bizarro que, decididos a favor os processos, a justiça não possa ser aplicada por inteiro, vindo sempre o fantasma da tutela internacional estragar a festa.

Partindo do princípio de que o Boavista tem razão, será justo que se paguem indemnizações e se coloque o clube no lugar donde foi apeado sem suporte legal. Mas, a crer em João Rodrigues, isso custaria ao futebol português o seu afastamento das provas internacionais: selecções e clubes poderiam ver suspensas as participações na Liga Europa, Liga dos Campeões, campeonato da Europa, campeonato do Mundo… uma enormíssima trapalhada com consequências imprevisíveis mas muito, muito, graves.

Ou seja, o Boavista, que solveu nos tribunais a sua honra e foi ressarcido, tem agora de assumir um compromisso com o futebol português de forma a não prejudicar terceiros, como se a culpa fosse sua por ter avançado para a justiça. Brilhante!

Ministro alemão quer ser comido pelos pobres

Ministro alemão sugere dar a carne de cavalo aos pobres

Ficções à hora errada, no comboio errado, no país errado

Imagem

Haverá sempre duas leituras para o mesmo facto. Para o mesmo acontecimento. Para a mesma situação.

Por mais viral que se torne uma conjuntura nas redes sociais, haverá sempre as duas faces da moeda.

Sobre a vaga de indignação que se abateu contra a GNR no caso da cadela sem bilhete, também as opiniões divergem.

A primeira é esta.

De seguida, os jornais dão eco e obrigam as autoridades a responder.

Finalmente, na blogosfera, sob o título “Os meus amigos carneiros que comem tudo”, as concepções destoam.

Ah! Esta dicotomia do nosso (des)contentamento!

Que bom é viver em Portugal, nesta democracia musculada, com esta realidade tão genuína…

Limitação de mandatos, o espírito da lei

Isto foi o que se discutiu na altura e é o que agora se quer. Depois do corte, um apanhado da discussão de 2005. [Read more…]

Afinal, não há erro

limitação de mandatos

A alteração decorre das regras de revisão aceites na publicação de diplomas no Diário da República. Comprova-se o que se suspeitava, que Cavaco Silva saiu da penumbra onde tem estado enquanto o país se afunda para vir defender os amigos com providências cautelares a impedi-los de se candidatarem.

[Read more…]

Sai uma dose de estrangeirismos para a mesa do canto!

Imagem

Sabe-se lá porquê, a minha prima Lita tem de apelido Mendonsa. Assim mesmo, com “s”, que lhe adveio do marido, ele também emigrado nos States até se passar, já lá vão muitos anos.

Viviam numa cela, como dizia, no que para nós, portugueses de Portugal, era uma cave, e tinham por vizinho um airicho (de irish, está-se mesmo a ver), consumidor inveterado de bias, que partilhava com Komrij, um docha, seu único parceiro habitual, agora que Jonim Mendonsa partira para o outro lado da vida, na versão daqueles que – ainda – acreditam no Além. Os outros terão dito que entregou a alma ao Criador, se são crentes, ou, caso contrário, terão afirmado, ainda que incorrectamente, que foi para debaixo da terra. É que, de facto, foi para cima da água: Lita mandou-o cremar e espalhou as cinzas no mar, do exacto local em que foi concebida a filha mais nova numa madrugada de luar e apetites, daqueles a que não conseguimos negar a evidência e a vontade. [Read more…]

Tal e qual!

O Carlos Abreu Amorim acertou em cheio!

Os portugueses da Europa – um retrato a preto&branco

Somos um bocado aristocratas, altivos, vaidosos até, porém não porque sejamos má gente, ou tenhamos a supremacia no coração – é só porque somos antigos que somos assim, é porque somos gente há muito tempo, povo independente, de cultura singular, únicos na Europa, apesar de todas as semelhanças – com os do Sul, necessariamente, e também com os de África, a nossa outra terra, que deixámos ainda anteontem, fugidos de lá pela metamorfose da História que nos devolveu ao território de partida, aqui regressados anteontem chegados cheios de raízes outras, remotas e até um pouco excêntricas para Homens pós-modernos do século XXI que vivem em economias de mercado.

Somos esses, senhores da Europa, e até mesmo quando somos pobres. Se estudarem a História do Mundo verão que estamos sempre lá, nos momentos decisivos como nos outros. O nosso outro nome é viagem. Por vezes chamamo-nos Oliveira de Figueira. Somos árvores, compreendem? Somos navios de madeira verdadeira, exóticos de antiguidade, já nem se usa. [Read more…]

*Fatura simplificada

Sim, eu sei o que é uma *fatura: uma *fatura é uma factura simplificada sem qualquer critério. Logo, “fatura simplificada”, além de erro, é uma redundância. Agora, fim-de-semana. Espectacular e óptimo, claro. O meu fim-de-semana tem hífenes.

fatura simplificada

Do “de” e do “da”….

Com três letrinhas apenas, se escreve a palavra sal. Com duas letrinhas apenas, se resolve um problema eleitoral.

Ok, é uma rima descabelada mas ninguém leva a mal 🙂

Cavaco salva os amigos

Como um de passa a da, e vamos mesmo acreditar que foi uma gralha em que ninguém reparou.

A imagem do dia

facturaDo grupo no FacebookEu pedi facturas em nome dos Ministros. Escolha o seu NIF.

Pacheco Pereira a Lobo Xavier explicam a democracia a António Costa

O Papa abdica, o povo é que exerce censura sobre os governantes e António Costa defende o Relvas. O fim do mundo foi mesmo em Dezembro,

BCE, o estripador dos países em crise

ecofinHá opostas visões e opiniões sobre a atitude do BCE no quadro da ‘Zona Euro’.

Para uns, seguidores do sábio e profeta falhado Gaspar, consideram ser instituição solidária, a valer nas ajudas aos necessitados – portugueses, espanhóis, irlandeses e gregos. Católicos apostólicos romanos e ortodoxos apelam: “Juntemo-nos a D. Carlos Azevedo e ao Patriarca Ortodoxo Grego e oremos, animados de profunda energia espiritual da crença na solidariedade do Draghi e do ECOFIN”.

Outros, o meu caso, estão cientes de que o BCE é um centro de agiotagem sem compaixão nem ética. O BCE, para estes, é impiedoso estripador a dizimar as condições de vida, e às vezes a própria vida, de cidadãos indefesos de países carenciados da zona da moeda maldita, designada ‘euro’.

[Read more…]

Afinal António Costa só queria um ramo de flores e uma caixa de bombons.

Nada é mais inebriante do que ser agradavelmente surpreendida. É o mínimo que posso dizer sobre a atitude ousada de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ao ter manifestado a sua satisfação por o “Governo não ter desistido da construção do novo terminal de cruzeiros de Lisboa”.

Resta-me apenas uma dúvida (sem grande importância até, confesso). As declarações que ontem vieram a público não davam a entender que o actual executivo era contra?

Tenham medo, muito medo

O Pacheco Pereira explica-vos porquê: Oficiais das Forças Armadas e CGTP vão ao 2 de Março.

Fotodepilação para tótós

Amplamente ilustrada. É em Finlandês, mas quem quer ouvir o que dizem? Está aqui.

Roubada do Facebook de uma pessoa muuuito informada.

 

Os portugueses defendem que Passos não é representativo da sociedade

O primeiro-ministro tem tido um comportamento quase leviano e muito imaturo.

Contentores de Lisboa mudam-se para a Trafaria

As câmaras de Lisboa e de Almada não concordam mas o Governo não ouviu as suas razões, e vai avançar desde já com a medida – a primeira de um mais vasto programa que pretende relançar o Mar na economia nacional.

Salvia divinorum

Salvia Divinorum

Passos defende que protestos “não são representativos da sociedade portuguesa

 

Vitalidades

Num blog chamado “causa nostra”, publica-se um texto assinado por um tipo com o nome igualzinho ao do Vital Moreira.

Se fosse o Vital original, jamais falaria em “boicotes arruaceiros de discursos ministeriais” e “acção directa de bandos mais ou menos anarquistas” que impedem a liberdade de palavra a “ministros que integram um órgão de soberania legitimado pelo voto dos portugueses”. O Vital que conheci sabe dos limites que esta legitimidade comporta e conhece o que a Constituição da Republica diz sobre os direitos dos que resistem.

É que a ideia de os pobres ministros – e do Relvas, em particular – não terem liberdade de palavra – eles, que a detêm em absoluto e dela fazem o uso lamentável que está à vista de todos – é peregrina e ofende o mais singelo senso comum. E os supostos “arruaceiros” não protestaram gratuitamente. Fizeram-no em contextos precisos e quando tiveram essa estreita e rara oportunidade: Relvas falava no encerramento de um colóquio sobre o futuro de uma comunicação social que tanto se tem empenhado em destruir e, noutra ocasião, no clube de pensadores (!), actividade em que, se produziu algo de relevante, deve mantê-la acessível apenas a selectos escolhidos como o Vital Moreira que assina a nota em causa. [Read more…]

Hora azul no Restelo

Imagem

Começa hoje, ao meio-dia, o Europeu feminino de clubes em Hóquei de Sala (Challenge), que se realiza em Lisboa, no Pavilhão Acácio Rosa. A equipa anfitriã, “Os Belenenses”, defronta as campeãs galesas do Howardian LHC. Às 17h00, é a vez de entrarem em campo com as húngaras do Agyse. [Read more…]

Governo luta para baixar o desemprego

E, ao mesmo tempo, ainda melhora a média dos salários nacionais. Só boas notícias.

NIF 177142430

Consumidores em protesto começaram a pedir facturas com o NIF de Pedro Passos Coelho. Deram entrada no sistema e-factura “milhares de facturas” com o número de contribuinte do primeiro-ministro.

Cantigas de Fevereiro

De um lado, cantores-voluntários do tema de Zeca Afonso Grândola Vila Morena, em grande número e reproduzindo-se por toda a parte – de forma agora justamente dita inorgânica, que os grupos organizados serão outra coisa, apesar das certezas discursivas do Governo quanto à mão do B.E. sim, dos malvados radicais do B.E., que o PC ‘é um partido institucional, que respeita os procedimentos legais democraticamente enquadrados’ – elementos do Governo com esses protestos cantados, e mobilizando-se para todas as agendas e lugares de Portugal. [Read more…]

Sócrates deixou de ser um fardo para a família

José Sócrates arranjou emprego. Jeitoso, ao que parece. E assim deixou de ser um fardo para a família e menos uma preocupação para a banca.