Troika a privatizar!

O memorando da troika, do qual o ‘Aventar’, em iniciativa inédita na blogosfera e com o sentido  de servir o interesse público, publicou a tradução integral, em 2. Regulação e supervisão do sector financeiro, refere explicitamente, no ponto 2.5 Caixa Geral de Depósitos (CGD), várias orientações, de que destaco o seguinte segmento:

Isto (aumento de capital, nota minha) incluirá um plano temporal mais ambicioso para a já anunciada venda do sector de seguros do grupo, seguir um programa para se desembaraçar das subsidiárias que não façam parte do seu núcleo e, se necessário, a redução das actividades no estrangeiro.

Nicolau Santos, director-adjunto do ‘Expresso’, na coluna semanal ‘Cem por Cento’ do suplemento de Economia do mesmo semanário, escreve no ponto 7 um texto que ouso subscrever:

Para compor os seus rácios, a Caixa Geral de Depósitos será reduzida apenas à sua actividade financeira, vendendo todas as outras áreas (seguros e saúde), a sua actividade internacional e possivelmente várias das suas participações nacionais. As empresas portuguesas, estratégicas ou não, ficam agora desprotegidas face ao avanço de investidores internacionais. E dado os valores irrisórios a que se encontram, o mais certo é que todos os designados centros de decisão nacional passem para mãos estrangeiras…

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Bilhetes Braga Dublin

Acompanhe o SC Braga à Final da Liga Europa – Partida e regresso ao Porto no dia 18 de Maio’11

Ou aproveite para conhecer um dos “metros ligeiros” de mais surpreendente sucesso na Europa, o Luas (“velocidade”). E, já agora, o DART (coisa mais feia, cruzes).

Pensem nisto antes de votarem a 5 de Junho:

Legado do Governo PS de Sócrates:

1 – Pior dívida pública dos últimos 160 anos (mesmo não incluindo PPPs e empresas públicas).
2 – Pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (duplicou em 6 anos)
3 – Maior dívida externa dos últimos 120 anos
4 – Dívida externa bruta em 1995 de 40% do PIB
5 – Dívida externa bruta em 2010 de 230% do PIB
6 – Dívida externa líquida em 1995 de 10% do PIB
7 – Dívida externa líquida em 2010 de 110% do PIB
8 – DÍVIDA PÚBLICA em 2005 = 82.000.000.000€
9 – DÍVIDA PÚBLICA em 2010 = 170.000.000.000€
10 – Últimos 10 anos = 3º país do mundo com PIOR CRESCIMENTO ECONÓMICO (atrás do Haiti e Itália)
11 – Últimos 10 anos = 4º país do mundo com MAIOR CONTRACÇÃO de DÍVIDA.
12 – Actualmente no 4º lugar do TOP dos PAÍSES DO MUNDO EM RISCO de BANCARROTA
13 – Em 2011 só PORTUGAL, Grécia e Costa do Marfim estarão em recessão no MUNDO
14 – Em 2012 só PORTUGAL estará em recessão no MUNDO.

Programa do PSD para a saúde, privatiza filho, privatiza

Lá tenho de repôr aqui o vídeo onde com grande frontalidade esta senhora do BES explica em 25 segundos porque passa pela cabeça de um orangotango entregar a gestão dos centros de saúde a privados.

Curiosamente o FMI no memorando diz exactamente o contrário, no que toca aos hospitais:

Melhorar os critérios de selecção e adoptar medidas para garantir uma selecção mais transparente dos presidentes e membros dos conselhos executivos dos hospitais. Os membros serão obrigados por lei a ser pessoas de reconhecida competência na gestão da saúde e administração em saúde.

Quando li isto lembrei-me da inimputável Leonor Beleza, que transformou a gestão profissionalizada da saúde numa coutada para filiados. Recordo-me de um senhor que passou de merceeiro a gestor de um pequeno hospital, que assim se apoia o comércio local.

Com este programa o PSD consegue que Sócrates vire Lázaro, levanta-te e anda, e pelas sondagens acima ele caminha. Não há pachorra.

A campanha negra do Financial Times

Só pode ser campanha negra. Wolfgang Münchau escreveu um editorial onde afirma que Sócrates mentiu ao país, que a gestão da crise em Portugal tem sido apavorante, que optou por retardar a aplicação de um pacote de resgate financeiro até o último minuto e que o anúncio do memorando de acordo com a troika, na semana passada, foi um dos destaques tragicómicos da crise.

[… A] gestão de crise em Portugal tem sido, e continua a ser, apavorante.

José Sócrates, primeiro-ministro, optou por retardar a aplicação de um pacote de resgate financeiro até ao último minuto. O respectivo anúncio na semana passada foi um dos destaques tragicómicos da crise. Com o país à beira da extinção financeira, ele regozijou-se na televisão nacional de ter conseguido um acordo melhor do que o da Irlanda e da Grécia. Além disso, ele afirmou que o acordo não causaria muita dor. Quando os detalhes surgiram alguns dias depois, pudemos ver que nada disso era verdade. O pacote inclui cortes de gastos selvagens, congela salários da função pública e pensões, aumentos de impostos e prevê uma profunda recessão de dois anos.

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Portugal 1 – Finlândia 2, em vídeos

Confesso envergonhado, e muito, que papei o vídeo que choramingava aos filandeses sem grande sentido crítico. “É sem dúvida excelente”, escreveu o idiota que há em mim, embora anotando alguma falta de rigor histórico quanto ao esclavagismo.

Primeiro não era um erro, são muitos, como já foi desmontado. Depois a pseudo-operação de solidariedade com a os filandeses durante a Guerra do Inverno não foi popular mas sim governamental, com a costumeira sacanice do Salazar.

A resposta finlandesa é mais curta, mas acerta em cheio (dispensava a parte das gajas boas):

Thank you for the sardines!  gozam eles. E com razão.

A caminho de Dublin (faltam 9 dias)


Dublin é uma cidade de pubs. Centenas de pubs espalhados pela cidade com uma característica em comum: o ambiente que neles se vive.
Os pubs de Dublin são exactamente como a imagem que temos deles: muita alegria, muita música ao vivo, muita cerveja. Os mais importantes ficam no quarteirão do Temple Bar, mas o mais antigo fica algumas centenas de metros adiante, junto ao rio Liffey.
É o Brazen Head. Existe desde 1196 – é obra. O ambiente é semelhante aos da maioria, mas ali respira-se história. Uma história de mais de mais de 800 anos.
Quanto ao Temple Bar propriamente dito, foi «beber» o nome ao quarteirão que aí existia desde o séc. XVI. É composta por diversas salas, fechadas e ao ar livre, e todos os dias apresenta música tradicional irlandesa ao vivo. Deve ser o mais animado pub de Dublin e um dos mais bonitos.

A Hora da Missa

O comboio em Aveleda, à hora da missa, 07 de Maio de 2011.

Cartas a Sócrates – [6]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quando o tempo tiver passado, amor, excedendo-nos na sua

composição, talvez haja alguém que compreenda a negação

bastando-se, sem dúvida, sem hesitação.


E do meu pesar somente a vergonha me impede de não negar,

também, amor, este sentimento deslizando puro desejo de te 

afirmar (amor): minha doce enfermidade sem remédio, sem

pudor refreando o desassossego, o cuidado, a negação. 

PS.: #IloveSocrates Indeed 🙂

Educação: a diferença entre PS e PSD está sobretudo no D

As propostas contidas no programa do PSD já foram analisadas pelo Paulo Guinote em vários textos, hoje. Também o Paulo Prudêncio já deu a sua judiciosa opinião. O Rui Correia usa aqui a clarividência do costume.

Uma vez que o PSD é, ao que parece, um dos dois partidos que poderá vir a formar governo, impõe-se, também na Educação, procurar descobrir as diferenças entre a prática do PS e as propostas do PSD. Ora, a verdade é que, numa primeira leitura, há pontos comuns, pela negativa, como se pode notar neste texto do Público.

Assim, limito-me, para já, a confirmar:

– a tendência para o cercear da democraticidade nas escolas, mesmo que o discurso programático vá no sentido contrário, tal como acontece no discurso do PS (Maria de Lurdes Rodrigues chegou a defender que o fim da escolha dos directores pela maioria da escola era um aumento de democraticidade);

– a continuidade na criação de mega-agrupamentos, numa lógica puramente economicista, confundindo-se contabilidade com gestão e contrariando ideias sensatas;

– a insistência na participação excessiva das autarquias e da sociedade civil, o que, na realidade, concede demasiados poderes a leigos e abre as portas das escolas às pequenas politiquices locais;

– a perversão do que é fundamental em Educação, através da implantação de metas de aprendizagens;

Seja como for, é evidente que todos os que se interessam por Educação (tema que abrange, também, os problemas da condição docente) deverão analisar com pormenor as propostas daqueles que poderão vir a governar o país, mas as primeiras impressões levam-me a entrever que o caminho que começa a ser trilhado não vai em direcção a melhorias, vai em direcção ao PS.

Jamais a RTP desceu tanto…

-Há apenas alguns dias, escrevi um post, questionando se a transmissão do casamento do herdeiro da coroa britânica, seria serviço público. Quando eu pensava que era impossível à RTP descer mais baixo, eis que a deficitária estação pública de televisão, resolve entrar no mercado dos reality show. Esteve bem Miguel Guilherme logo a abrir o programa, afirmando que este seria o primeiro reality show pago pelo contribuinte. A parte do serviço público deve ser terem ido resgatar ao desemprego Luís Pereira de Sousa… Se a RTP fosse uma televisão privada, mudava de canal e assunto encerrado, mas pensar que um cêntimo sequer dos meus impostos serve para isto, deixa-me indignado, enquanto cidadão.  Privatização já!

Tudo o que os finlandeses não querem nem precisam saber sobre Portugal.

Estou em crer que os Finlandeses se estão a marimbar para Portugal. Como, aliás, a maioria dos portugueses. Há muito tempo que os autóctones deixaram de gostar do país, dos governantes, das instituições e de si próprios. Somos, com certeza, um dos países com a menor auto-estima da Europa. Ou mesmo do mundo. Em nações mais pequenas, mais miseráveis e mais periféricas luta-se pela manutenção da independência. Por cá, entregaríamos de bandeja o território à Espanha, abdicarímos em qualquer momento da nossa cultura e venderíamos (vendemos) o nosso património a quem der mais. De resto, já nos entregámos de corpo e alma a políticos ávidos. Há 37 anos que os barões de dois partidos repartem entre si os despojos de um navio que só não naufraga porque depois não haveria o que saquear.
Um país onde uma maioria  ainda cospe para o chão, onde certos indivíduos constroem a casa maior do que a do vizinho apenas por vaidade, que desrespeitam todas as regras elementares da sã convivência e ainda se gabam disso é um triste exemplo da falta de amor-próprio. Os psicólogos o explicarão melhor, mas quem não gosta de si, dificilmente terá força e vontade para singrar, para vencer desafios ou para produzir o que quer que seja.
Depois, um país onde as pessoas consideram a corrupção como um salutar e normal truque para ultrapassar a legalidade e contornar obrigações sociais elementares (como respeitar o mérito) diz muito sobre a forma como nos vemos ao espelho. Somos, aliás, os primeiros a dizer mal de nós, a rebaixarmo-nos e a reprovarmo-nos perante o Outro. Somos capazes de fazer graças com todos os assuntos, por mais tétricos ou vulgares que sejam, como se o humor fosse um lenitivo. E é, de facto. Enquanto rimos, esquecemos que a maioria da população se divide entre uma pequena elite pedante, um conjunto de aspirantes (os doutores) e uma vasta massa de iletrados, cuja ambição maior é a de que o seu clube de futebol some vitórias. Enquanto os nossos humoristas ridicularizam os governantes, desculpabilizam a gravidade dos seus actos, transformados em burlescos gracejos que se esquecem com uma risada.
Dirão: mas cada uma destas enunciações são chavões comuns a muitos paises. É certo, por exemplo, que um país como a Finlândia terá os seus maus políticos, os seus ladrões e os seus santos, os seus reality-show e público que os aplauda.
Mas esse país, tão novo, sem o peso dos 800 anos de história, sem praias nem sol, sem ter inventado a via verde ou sequer ter levado novos mundos ao mundo, não está na bancarrota, nem precisa de convencer o mundo que, apesar da desgraça, já foi grande. Efectivamente já fomos grandes. Mas tudo isso que interessa, quando hoje somos pequenos – pequenos territorialmente e pequenos geopolíticamente?
Olhando para o gráfico acima, que assinala já a vitória a um, ou ambos, dos/os responsáveis pelo estado em que estamos, nem vale a pena questionar a democracia, nem a sua validade num país mal habituado a liberalidades. Apenas perguntar: mediante aqueles valores, e o estado em que nos encontramos, valerá a pena voltarmos a ser grandes se sendo pequenos já nos infligimos tão grande mal?

Programa Eleitoral do PSD:

Podem ler AQUI toda a documentação oficial já publicada pelo PSD no tocante ao seu Programa Eleitoral.

Agora façam lá um vídeo para os ingleses

O vídeo What The Fins Need To Know About Portugal que o FMS aqui publicou é sem dúvida excelente. Sucede que além da Finlândia estar com pouca vontade de financiar os nossos banqueiros, agora temos a velha “aliada”:

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse hoje que o Reino Unido está relutante quanto a ajudar financeiramente Portugal in Público

O político conservador afirmou mesmo que se o Reino Unido participar no resgate a Portugal será “a resmungar” já que nunca se comprometeu com essa ajuda. I

Querem um desenho?

Façam lá um vídeo para os ingleses, mas tirem aquela tolice de termos abolido a escravatura no séc. XVIII, na prática só o fizemos no séc. XIX e por pressão da Inglaterra que se tinha deixado dessas coisas.

Temos é uns números muito jeitosos de financiamento da Revolução Industrial britânica, em particular a curiosidade de em todo o séc. XVIII só num ano não ter havido mais navios ingleses do que portugueses nos nossos portos, fora o contrabando.

Mas a pérfida Albion quer lá saber da História. Já agora, àqueles que agora choram pela falta de solidariedade europeia, pergunto o que disseram quando contribuímos para o pacote de financiamento (na prática de enterramento, é certo) à Grécia. Estas coisas googlam-se, e têm por vezes muita piada.

Os três tristes e os Homens da Luta


– Não é uma canção para representar Portugal na Eurovisão – afirma o Calvário.

– A RTP devia “enviar canções com um cariz mais étnico” – tossica o Cid.

– Onde é que estão os poetas e os músicos do meu país? – pergunta a Oliveira, Simone.

Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir. Três representantes do nacional-cançonetismo* (enfim, o José Cid nem tanto) aflitos só pode ser bom sinal. A Luta é Alegria. No ano de Portugal na UEFA, vamos ver se a inteligência repete o feito na Eurovisão.

Circo já temos, e pão não vai haver. Siga para bingo.

* Nacional-cançonetismo, expressão consagrada na década de 70 para designar o que hoje chamamos pimba.

IURSócrates em acção:

Marco António Costa (vice-Presidente do PSD): “O PS e o seu governo são um Titanic na política portuguesa

O PSD que acaba com o SNS, afirma e reafirma o evangelista José Sócrates. Uma mentira mil vezes repetida….tenta e tenta e tenta. A seguir vai dizer que o PSD quer acabar com o sistema de justiça prejudicando os pobres. E que a seguir o PSD vai acabar com a primeira liga e logo depois com o sistema político democrático e com a europa e proibir a final da liga europa com clubes portugueses e a venda da bimby e……

Programa do PSD / Legislativas 2011:

Redução do número de deputados dos actuais 230 para 181;

Reduzir o número de entradas na Função Pública: entra um funcionário por cada cinco que saiam;

Fim dos Governos Civis;

Redução de 50% no número de assessores;

Diminuir para máximo de três o número de administradores em empresas do Estado;

Redução de quatro pontos percentuais na Taxa Social Única (superior no caso das empresas exportadoras);

Obrigatoriedade de o Tribunal de Contas fazer uma avaliação de todos os organismos que recebem dinheiros públicos;

Criação um gabinete de apoio junto dos juízes e sentenças simplificadas para crimes menos graves;

Em actualização Aqui, Aqui e Aqui.

Não chacotem o Ricardo Rodrigues,…

…Deputado da Nação, ou podem ficar sem um gravadorzinho e levar um processo em tribunal.

Ando a pensar desviar (surripiar, aliviar, abafar, aligeirar) um leitãozinho à moda da Bairrada, daqueles com muito molho à base de pimenta e especiarias. Se ficar com hemorróidas ou, até, se sentir o cólon irritado -coisa que, como se sabe, enxovalha, envergonha, embaraça e constringe- processo o sítio desviado.

Comigo não chacotam.

Quando muito, dada a natureza das coisas, chacoalham.

A caminho de Dublin (faltam 10 dias)

Estátua de Molly Malone junto à Grafton Street


Um dos maiores símbolos de Dublin é Molly Malone, com diversas estátuas e painéis evocativos por toda a cidade.
Molly Malone foi uma peixeira do século XVII, com banca instalada no centro de Dublin. Era conhecida de toda a população pela sua jovialidade e pela alegria contagiante que demonstrava. Morreu muito jovem, com uma febre alta que não se conseguiu debelar, em 13 de Junho de 1699.
Apesar de a sua existência ser mais lendária do que verídica, a Câmara de Dublin não hesitou, durante as comemorações do primeiro Milénio da cidade, em 1988, em oficializar 13 de Junho como o «Molly Malone Day».
Quanto à canção,foi registada pela primeira vez em 1883 em Cambridge. Alguns autores associam a sua origem a uma antiga canção folclórica, outros autores fazem recuar as suas origens até 1790, ano em que aparece uma música com o verso «sweet Molly Malone». Das versões mais recentes, destaque para as que foram assinadas pelos míticos Dubliners e por Sinead O’Connor.

Letra completa:
In Dublin’s fair city,
Where the girls are so pretty,
I first set my eyes on sweet Molly Malone, [Read more…]

Dicionário do futebolês – “fair-play” e desportivismo

Mesmo os desconhecedores da língua inglesa usam correntemente este termo. Julgo que, se fosse pedido a algum que indicasse um significado, poucos se lembrariam de ‘desportivismo’, por exemplo. Já nos meus tempos de petiz, estava habituado a ouvir dizer ofessaide e não foi fácil habituar-me a perceber que era o mesmo que fora-de-jogo.

Trata-se de uma expressão ligada à ética. Ora, todos sabemos que a ética, na futebolândia, é como as sondagens: vale o que vale. Se for em nosso benefício, está certa; se servir o adversário, é um corpo estranho, entre o vírus e a bactéria.

O desportivismo é, de qualquer modo, algo que os nossos adversários nunca conseguem alcançar, porque são uma gente mal formada, sem educação, incapazes de um gesto de, lá está!, fair-play. É isso, aliás, que serve para explicar por que razão é que, por vezes (muito raramente, claro), também somos forçados a não praticar o fair-play: como os nossos oponentes são, sem excepção, uns facínoras da pior espécie, torna-se necessário ignorar a ética por razões estritas de sobrevivência no meio dessa selva onde é tão difícil ser-se bem-intencionado.

É por isso que um desarme de um jogador de outra equipa será sempre violentíssimo e um pontapé na cabeça de um adversário desferido por um dos nossos não passa de uma acção compreensível, porque, provavelmente, já tinha havido provocações num jogo qualquer da oitava jornada de há três anos.

Quantos jogadores seriam capazes de fazer o que faz Di Canio no vídeo que se segue?

 

 

las calles (ruas) narran

las calles narran

…para mi joven hermana, Dra. Blanquita Iturra de Toro…psicoanalista

 Fue apenas una casualidad. La calle de aldea que muestro, es más un adorno que una casualidad, a pesar de corresponder a esquinas de las calles de la quinta en que vivíamos en Santiago de Chile. Un barrio antiguo, con una quinta rodeada de calles que tenían historia. La propia calle de la quinta, tenía una historia. No era por acaso que se

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Cartas a Sócrates – [5]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Temor, amor, é o que sinto despojada de ti, é não saber de que são feitas as tuas lágrimas ou se choras ou em que pensas quando adormeces ou se ris quando estás só.

 Temor, amor, é tudo o que desconheço e o que desconheço, bem sabes, és também tu (amor).

Amor, se eu te conhecesse, conheceria também os teus segredos, os teus anseios, os teus receios, um mundo só teu devastado – não, não é importante conhecer, nem conhecer-te para saber que o mundo e tu são admiravelmente mais belos e desejáveis: desconhecidos, adivinháveis.

PS.: #ILoveSocrates deeply 🙂

Publicado no F-Se! 


Cartas a Sócrates – [4]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Sei apenas, amor, que o tempo pára imóvel e o espaço abre em lume a tua presença, quando – só – amor, espero esse lume, nada mais.

Mas, é com um cuidado atento que desço uma máscara, amor, indiferente, enquanto a vida cresce subitamente mais plena e alimenta a sede de apenas diante de ti ser, também, esse lume.

E não é raro – obrigada –, amor, ter de desviar os olhos ou inclinar o corpo para longe.

Como queima esse lume?! E como irrompe graciosa a vida nesse lume interiormente, dentro, cada vez mais fundo removendo a escuridão e o terror, amor.

E tu? amor – bem sabes que não espero nada, nada mais, e que nada tenho senão o lume.

PS.: #ILoveSocrates much more 🙂

Publicado no F-Se! 

Cartas a Sócrates – [3]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Acordo, amor, sem urgência para que a noite caia novamente.
E o dia começa a doer enquanto aguardo impotente que passes
desprendido e dos teus lábios a voz se forme som disparado de
encontro a mim, amor.
Aí, amor, um novo acordar eclode iluminando o obscuro receio
de já não me reconheceres ou de que me comeces a amar,
também, obscuramente, desastrado e débil, amor, face aos
momentos sem distância separando-nos.
E delicadamente revisitados (amor), esses momentos, seriam
adormecidos sem urgência de acordar dolentemente para um
novo dia em que aguardarias que passasse e a minha voz
formasse nos meus lábios um som disparado de encontro a ti
amor, iluminando-te, sem precipitação e sem receio.

PS.: #IloveSocrates 🙂

Publicado no F-Se! 

Cartas a Sócrates – [2]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quando saio, amor, à tua procura, é um mundo visivelmente
 novo que anseio. (Só tu me retiras do meu recolhimento e me
abres secretamente o desconhecido.). Saio todos os dias e todas
as noites, amor, sabendo que não me procuras, que não sentes a
privação nos meus gestos desastrados e incorruptos: à tua
procura. Não pressentes a minha voz, amor, somente delicada
para ti? Não, não reparas nem ouves os meus apelos
definhando tímidos, enfraquecendo à tua mercê, amor? Porque
não me procuras, amor?, eu que me abandonei e abandono
todos os dias e todas as noites para te encontrar diante de mim
abandonado à minha procura, procurando, procurando
inevitáveis amor.
Porquê amor? É forçoso que esta procura seja apenas

docemente desesperada e perdida enquanto saio todos os dias e
todas as noites não sabendo nunca que mundo desconhecido
anseias? Porquê, amor, desconheço?


PS.: #ILoveSocrates + 🙂

Publicado no F-Se!

Cartas a Sócrates – [1]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Acontece anoitecer, amor, sem suspeita aos teus olhos –
o meu corpo peregrino vai tombando no seu caminho: solitário,

triste e vazio, como vazios, tristes e solitários ficam os meus
olhos exilados do teu aparecer. E apenas a chuva generosa
o reconforta, amor, de sucumbir distante e inacontecido. Essa
água abundante é a única presença toldando e embriagando,
quando já sem forças regresso, lentamente, sem querer revisitar
os acontecimentos de mais um dia inútil e gasto à espera do
possível (des)embaraço. E açulada pela minha fraqueza, amor,
acontece anoitecer amortecendo para fugir ou para reter o que é
possível. Como se fosse possível saberes ou adivinhares que
anoiteço com uma mordaça que me impede de dizer tudo o que
poderia acontecer se doente não estivesse (amor), se em tudo
pudesse ser diferente ao teu lado, anoitecendo em silêncio. O
silêncio à tua volta – voltada do avesso para acontecer,
anoitecer amor junto a ti.


PS.: #ILoveSocrates 🙂

*Publicado no F-Se!

Como usar preservativos?

Há muitas maneiras de usar preservativos. Uma delas é vesti-los. Literalmente.

vestido feito com preservativosvestido feito com preservativos

Aritmética eleitoral em Coimbra para tótós

A direita hoje deu uns pulinhos a extrapolação de uma sondagem feita pelo Expresso. O método do semanário que sustenta a Euroexpansão é digno da empresa de sondagens que contrata: aplicar uma sondagem nacional aos distritos como se os resultados de cada círculo fossem proporcionais ao todo nacional. Já vi idiotices piores. Pelo menos é o que parece, se parece alguma coisa um “estudo” que ignora, por exemplo, que o BE elegeu um deputado em Leiria.

Motivo da felicidade: o BE perderia o seu deputado por Coimbra.

Em 2009, no total nacional, o Bloco de Esquerda teve 9,82% dos votos (e o CDS 10,43%). Mas em o BE Coimbra teve 10,77% e o CDS 8,74%. Como este ano Coimbra perdeu um deputado, os resultados serão sempre diferentes. Neste caso nem será forçosamente o 4º partido do distrito quem corre esse risco, já que o último a ser eleito foi, se não me falha a memória, do PSD. Primeiro não-eleito: o 2º da lista do BE.

E já agora, a distância a que ficou a CDU (5,76%), diz muito sobre o voto útil à esquerda no meu distrito. Claro que os resultados podem dar grandes cambalhotas. O pessoal do CDS sabe no entanto como são as sondagens em geral, e as da Euroexpansão em particular. Devo dizer que prefiro a eleição de Serpa Oliva pelo CDS, em detrimento de partidos como PS e PSD que não resistiram a meter paraquedistas entre o seus candidatos, no caso do PS reincidindo em Ana Jorge como cabeça de lista. Chamem-lhe bairrismo, mas direita por direita, ao menos que sejam de cá.

Solidários na desgraça:

Ao que parece, alguns benfiquistas crentes nas capacidades da sua equipa, adquiriram umas viagens a Dublin e agora estão desesperados para as vender.

Olhem que Dublin é uma cidade fantástica e a final promete: sempre jogam as duas melhores equipas portuguesas e uma delas, o FCP, é considerada pela UEFA a 3º melhor da Europa.

Todo o tópico é um must!

O Evangelista:

Nas próximas eleições legislativas, os portugueses estão perante duas coisas muito simples: ou querem a continuidade e votam claramente no PS ou querem uma mudança e votam maioritariamente no PSD. Uma coisa é certa desde ontem: a junção destes dois mundos, destas duas visões antagónicas num governo de coligação (bloco central) é impossível. O resto é conversa.

Ontem, em Santa Maria da Feira, Pedro Passos Coelho foi bem claro: “No Governo ou vai estar o PS ou o PSD; não vamos estar os dois e ninguém diga que isto não é democrático porque os portugueses é que vão escolher; Nós não nos adaptamos a tudo, nós não somos de borracha; Ninguém quer ganhar as eleições mais do que eu, mas todos os que gostam de ganhar de qualquer maneira tirem o cavalinho da chuva – eu não quero ser primeiro-ministro de qualquer maneira; Não queremos o poder pelo poder, nem o Governo a qualquer custo, queremos chegar ao Governo para poder ajudar Portugal”.

Para quem pensou que a decisão dos portugueses estava perfeitamente tomada, as últimas sondagens mostram que não é bem assim. Se é certo que em quatro sondagens, três dão a vitória ao PSD, não o é menos que essa vitória é curta. Depois de em apenas seis anos este PS ter conseguido bater recordes considerados impossíveis em tão pouco tempo, a saber: duplicou a dívida pública de 80 para 160 mil milhões de euros, o desemprego atingiu números nunca vistos, a educação está sem rei nem roque, a justiça bateu no fundo e o número diário de empresas a fechar é astronómico, mesmo assim, o PS apresenta valores acima do seu eleitorado natural (que ronda os 25 a 27%).

Uma das críticas que fazem a Passos Coelho é o facto de ele não “comunicar” tão bem como Sócrates. Hoje, em Viana, Miguel Relvas recordou que é verdade, que Sócrates é um profissional em comunicação e essa sua especialização custou-nos, em apenas seis anos, 80 mil milhões de euros.

Se repararem, para onde quer que uma pessoa se vire na comunicação social, em especial nas televisões (RTP à cabeça) ou nas rádios (TSF em destaque), aparece Sócrates com um discurso ao mais puro estilo “evangelista” de serviço. A colocação da voz, o olhar e a expressão corporal assemelha-se, imenso, com aqueles evangelistas americanos. Enganam-se os que pensam que é por acaso.

Muitos comentadores afiançam que estas eleições não vão ser fáceis para o PSD e Passos Coelho. Pois não. Mas serão bem mais difíceis para os portugueses. Nunca, como hoje, os portugueses estiveram perante tão grande desafio:

Ou se deixam levar por este estilo político copiado das estratégias comunicacionais da Igreja Universal do Reino de Deus e votam neste PS; ou preferem pensar muito bem no que se passou nestes últimos seis anos e alinham pela mudança votando PSD e Pedro Passos Coelho.

O resto, meus caros(as), repito, é conversa. Da treta.