Cliff Arnal, cientista britânico da Universidade de Cardiff, desenvolveu uma fórmula matemática onde prova científicamente que Cavaco Silva ganharia as eleições presidenciais de 23 de Janeiro. Eis o resultado.
As presidenciais: todos os vencedores.
Moral da história: na República Portuguesa “todos” ganham; ganha Cavaco Silva (mesmo com a pior votação de sempre, votação essa que não interessa minimamente para o que vai fazer nos próximos anos); Alegre ganha (talvez) juízo, e uma reforma dourada que utilizará para escrever éclogas contra o fascismo; Fernando Nobre ganha tenho para pensar na sua falta de carisma e sensatez; o Partido Comunista nunca perdeu e ganha mais confiança para as próximas eleições; José Manuel Coelho ganhou, efectivamente, na Madeira podendo vir a substituir na cadeira de poder do ilhéu o coronel Jardim. Ganharam meia dúzia de velhinhas info-excluídas a lição de atempadamente pedirem aos filhos e aos netos que preparem a ida à urnas, que já não estamos em 1933 e já é a quarta vez que se realizam eleições existindo o Cartão do Cidadão. Ganham os que perderam tempo a ir escrever tolices nos boletins, ou a deixá-los em branco para o Cavaco ganhar na mesma, como se sabia, desde que ele anunciou a candidatura. E, apesar de o senhor Professor Doutor de Boliqueime, o senhor mais honesto de Portugal, filho de um gasolineiro e único sustento de uma família com 4 reformas (a menor delas abaixo dos 800 euros) ter obtido a pior votação de uma eleição presidencial, ganhou mais 5 anos de silencio intercalado com momentos espasmódicos de regabofe. Ganharam os monárquicos a ilusão de uma abstenção fenomenal que julgam traduzida num súbito desejo de uma Restauração e, pelo mesmo motivo, ganharam aqueles velhos anarcas de boina preta que acham que o “povo” está a preparar uma revolução em silêncio. Ganhou a maçonaria que apoiou Alegre, mas também Nobre sob o jugo despótico de Soares e ganhou Soares que por pouco não tinha uma apoplexia, depois de rir desalmadamente com a votação dada a Alegre (mas, afinal, alguém do Partido Socialista votou nele?). Ganhou José Sócrates que desterrou Alegre da política, continua com um emplastro na chefia de Estado e prossegue à vontade com mais 5 anos de desgoverno. Ganhou a Igreja que, depois da aclamação na varanda, ungiu o reeleito presidente, pedindo-lhe que continue a opinar sobre as causas fracturantes como representante de 25 % do eleitorado católico. Em suma, ganhou a república portuguesa e os seus homens que sempre disseram que o estado é para os republicanos (mesmo que fingidos). Talvez não tenha ganho uma minoria de 9 a 10 milhões de portugueses, mas isso não interessa. Há 100 anos que esta minoria é irrelevante.
A luta é alegria
Presidenciais: Cavaco passa à segunda volta
Três glosas sobre a expressão “segunda volta”
Glosa primeira: Cavaco ao ataque
Em termos futebolísticos, a segunda volta é a segunda parte do campeonato, a parte em que tudo é, ainda, matematicamente possível, mesmo quando já se sabe, no fundo, qual será o clube vencedor, porque o possível é, tantas vezes, improvável. Cavaco passou, então, à segunda parte do campeonato e já prometeu mudanças tácticas e estratégicas: se, na primeira volta, jogou à defesa, com dois trincos e três centrais numa magistratura de influência, a partir de agora, vai prescindir de um central e de um trinco e passará a jogar com três pontas de lança, num exercício de maior intervenção. Cavaco acredita, portanto, que é possível recuperar a desvantagem que tem no fim da primeira volta e não duvido de que o seu habitual calculismo lhe traga frutos: mantendo-se aliado aos mais poderosos, garantirá a vitória no campeonato, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a já esperada despromoção dos mais pequenos. [Read more…]
A grande vitória…

53,37% dos portugueses, decidiram-se pela greve ao frete que o esquema vigente insistiu em apresentar como grande oportunidade para a resolução dos problemas do país.
Portugal conta com um Chefe do Estado eleito por perto de um quarto do eleitorado e as reacções ao glorioso evento, foram visíveis no passatempo prodigalizado pelas tv. Uma sala ou um hall a abarrotar com umas vinte pessoas, resumiu o auspicioso acontecimento e o discurso de “vitória”. Os grandes planos foram constantes, evitando-se o vexame de qualquer tipo de comparação com outros programas, entre os quais o Preço Certo manifesta maior poder de fidelização.
Desde o primeiro minuto do anúncio do “vencedor”, teve início uma generalizada manobra de diversão, apontando os porquês da fraca participação no acto. Um dia seco, frio mas solarengo, não era susceptível de servir de argumento e assim, a CNE está com as culpas todas e o cartão único do cidadão, serviu perfeitamente. A televisão oficial teve o desplante de dizer que se verificavam gigantescas de filas, com gente ansiosa por exercer o seu direito. Imagens comprovativas do despautério, nem vê-las! Outros, falam abertamente de trafulhices, fraude, cacicagem, golpada – a conhecida chapelada – e outros truques que há muito desapareceram do nosso dia a dia.
Tudo continuará como dantes e não se prevê qualquer grande actividade do “vencedor”, a não ser o prosseguir da sua cooperação estratégica para não se sabe bem o quê. Fala da “grande diferença” da sua votação, mas vistas as coisas como elas realmente aconteceram, os 25% de eleitores da Cavacolândia – traduzidos em 53% de votos contados -, não são significativos para qualquer intuito de um neo-sidonismo sem pingalim e cavalo. A única semelhança com o pretérito presidente de há noventa anos, será a “sopa dos pobres”. Não funcionou o incutir do medo pelo que aí está para chegar e aqueles que desde há dois anos têm trombeteado a chegada da 4ª República, a presidencial, bem podem mudar de conta bancária. Em comemoração da centenária, o país percebeu quem é esta gente.
Já não estamos “pelos ajustes”. Lá se foi a legitimidade.
Presidenciais: a luta continua!
Para os meus lados as eleições correram muito mal para Manuel Alegre e muito bem para José Manuel Coelho.
José Manuel Coelho ficou no quase quanto aos 5% que lhe dariam direito a financiamento da campanha, mas na Madeira tem uma base para as eleições regionais que coloca toda a oposição ao PSD-M a olhar com cara de parva. Falta ver quem o vai acompanhar e aí temo o pior. Pode vir a ser a minha indigestão de votante mas para já foi bom: a azia do intelectual de esquerda, o militante com horror a pobre, está-me a compensar não haver 2ª volta.
O caso Alegre, e de muito do milhão de votos ter horror a Sócrates, pode terminar numa coisa estranha, uma espécie de derrota de pirro do Bloco de Esquerda. Saindo cabisbaixo das presidenciais, naquilo que interessa – as legislativas não se sabe quando – pode vir a capitalizar a aproximação ao que sobrava de esquerda no PS, os últimos alegristas, como de resto já sucedeu em Setembro. O problema é que pode vir ou pode não vir a. Nunca se sabe. Para já sabe-se que os eleitores do BE saem do rebanho, o que faz só faz bem à saúde da esquerda.
Francisco Lopes vai passar a aparecer mais vezes na televisão. Se será o sucessor de Jerónimo Sousa é tão irrelevante como, não havendo segunda volta, foi toda a sua campanha: não fez crescer o PCP, e ainda tem o amargo de boca de ter visto fugir para José Manuel Coelho os votos que contava pescar para os lados do BE.
Bem, e agora é dia 23, vamos lá ouvir as explicações sobre a casinha da Coelha. E talvez comece o julgamento de Oliveira Costa. Ou como se grita em agitpropês: a luta continua, cavaco para a rua.
Cinzas desta eleição

(adão cruz)
Cinzas desta eleição
Deu cabo deste país
Todo podre esburacado
E o povo ainda lhe diz
Sim Senhor muito obrigado.
Mais uma vez deu em nada
Nossa esperança e ilusão
Sempre a mesma cavacada
A escavacar a nação.
Foi tudo por água abaixo
S’alguma coisa inda houvesse
Só o povo fica sem tacho
Tem aquilo que merece.
Este povo é cegueta
Não vê nada para a frente
Não vai lá nem á marreta
Nem é povo nem é gente.
Não é povo nem é nada
Este rebanho dolente
Mesmo morto à paulada
Corre feliz e contente.
Nada mais tem a perder
A gente desta nação
Não vale a pena viver
Quando se perde a razão.
Por uma boa causa:
No Limite da Dor
“Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram.
Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos.
Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. [Read more…]
Yo, María del Totoral-Ensayo de etnopsicologia de la infáncia-4
casa de adobe, casa de pobre o casa rural
Prácticamente, yo diría que este es el contexto de la vida de María Cecilia, desde pequeña, hasta huir de casa y ganar la vida por sus propios medios, en casa de parientes, como empleada de profesores antiguos que tuvo, como D. Nolfa, un profesor de Corinto, el Sr. Días, etc. No gustaba de vivir en la casa de sus padres, hasta el cambio que ya mencioné, al comprar el padre una casa en Talca que ella trató de ordenar y limpiar. Como dice claramente en su entrevista y en los textos que escribe, no le gustaban las casas de los papás porque ni muebles había. Sus formas de pensar, actuar, recordar, nos hace pensar que la terapeuta que trató de ella y le ayudó a vivir con alegría, es como el caso de Melanie Klein e su análisis de Richard en 1939. [Read more…]
Presidenciais: Conclusão
O Prof. Cavaco Silva, a meio do discurso de vitória, afirmou que o seu próximo mandato será pautado por uma “magistratura actuante”. Ora, o anterior foi, palavras do próprio, uma “magistratura de influência”. Posso estar confundido mas de “influência” para “actuante” vai uma enorme diferença.
A mudança é fruto do que se passou durante a campanha eleitoral e, de igual forma, do resultado final destas eleições. Podemos olhar para os resultados de várias maneiras e conforme os gostos – Cavaco Silva, Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Coelho e quase quase Defensor Moura cantaram vitória. Por sua vez, o valor da abstenção foi o maior de sempre (53,7%) e que dizer do valor dos votos em branco (4,26%) ou dos nulos (1,93%)?
O Presidente Cavaco Silva percebeu, muitíssimo bem, aquilo que aconteceu: venceu, é certo, mas ficou aquém do que desejava fruto de duas coisas muito simples mas bem significativas: uma campanha cuja recta final foi torpedeada por notícias nada abonatórias para a sua honra e honestidade e devidamente “cavalgadas” pelos partidários de Sócrates; um claro protesto maioritário contra o sistema e contra aqueles que, directa e indirectamente, suportaram este governo (fosse através de uma magistratura de influência, fosse pela pressão nunca vista da ala “cavaquista” para uma aprovação “sem espinhas” do actual orçamento de estado). Basta juntar a abstenção recorde, com os votos brancos (cinco vezes mais) e os nulos. E nem me atrevo a acrescentar o voto em José Coelho e parte substancial do voto em Fernando Nobre.
No seu conjunto, o povo deixou uma mensagem clara: o Presidente é reeleito mas o aviso fica feito.
Os outros destinatários não sei se perceberam. Já Cavaco Silva percebeu e daí a mudança de “magistratura”. Da mera e ambígua “influência” para a “actuante” é todo um novo caminho, todo um programa…
Breves notas de rodapé:
1. O discurso de derrota de Manuel Alegre merece um forte aplauso. Foi digno.
2. O resultado de José Coelho no Continente é surpreendente. Na Madeira é um forte aviso de duplo destinatário: para Jardim e para a actual oposição socialista na ilha.
3. A votação expressiva de Fernando Nobre merece destaque: é verdade que foi menor que a de Alegre nas anteriores mas o Presidente da AMI nunca teve a exposição pública deste nem qualquer cargo político de relevo.
4. O discurso de Pedro Passos Coelho foi brilhante e uma bofetada de luva branca em muito boa gente…
(Igualmente publicado AQUI)
José Manuel Coelho venceu no Funchal, no Machico e em Santa Cruz

Todos os resultados por distrito no site do Público.
O presidente de vinte e tal por cento dos portugueses
Com mais de 50% de abstenção, Cavaco conseguiu metade dos votos. O que significa que o presidente de todos os portugueses foi eleito com dois milhões e tal de votos. Cerca de 25% dos eleitores e de 22% dos portugueses. Uma fatia apenas do queijo eleitoral.
Isto numa eleição onde os votos em branco não contaram, já que, caso contrário, Cavaco ficaria aquém dos 50% e haveria segunda volta. Cavaco é pois um Alegre’2006 em dobro, apesar de mais magriço. Já Alegre’2011 passou de um milhão para 800 mil votos, o que representa uma nítida quebra no valor bolsista. Ai, os mercados…
Falta agora saber da apetência do reconduzido presidente para o bombas atómicas e cogumelos nucleares. Por bolo-rei já sabemos que é considerável mas há que mudar a dieta. Um fondue de queijo em molho de parlamento dissolvido far-lhe-á o gosto? Vamos ver o que diz a ASAE, já que estamos perante um prato com validade de alguns anos…
Presidenciais: A noite eleitoral minuto a minuto
Como de costume, o Aventar reuniu e debateu, minuto a minuto, as peripécias da noite eleitoral. Tudo o que foi dito e visto à luz muito própria dos autores do blogue.
Aventar: Boa noite, já com algumas sondagens à beijar as urnas, abrimos aqui o debate sobre as Presidenciais 2011
20:00
FMSá: Cavaco Silva venceu à primeira. Foi ele e a abstenção
20:03
JJ Cardoso: Se ganhar com, dentro dos intervalos, com os números mais baixos. falta saber se o voto do Ministério da Administração Interna também contou.
20:04
FMSá: O Coelho consegue uma votação forte.
20:06
José Freitas: Admito que o Nobre me surpreendeu.
20:06
José Freitas: Contava apenas com cerca de 10 a 12 por cento.
20:06
JJ Cardoso: Pois é Fernando, entendi-te: é o ano do Coelho
20:07
José Freitas: “Em democracia só perde quem não comparece”, diz Maria de Belém. Ou quem comparece e não sabe jogar, digo eu.
20:10
José Freitas: Cavaco ganha, Alegre fica abaixo de há cinco anos, Nobre obtém bom resultado. Nada de surpreendente.
20:11
JJ Cardoso: Vi agora num rodapé televisivo Coelho com 26% na Madeira. Não se faz isto a um Jardim em convalescença. [Read more…]
E esta noite, o Cavaco e a Maria, o que irão fazer?
Os meus parabéns ao presidente dos outros portugueses.
A clamorosa derrota dos Partidos
Ganharam os candidatos que mais se afastaram dos Partidos ou que mais os combateram: Cavaco, sempre a pôr-se acima do PSD e do CDS; Fernando Nobre e José Manuel Coelho completamente independentes. Quanto a Manuel Alegre, é a maior prova da derrota dos Partidos: teve menos votos com o apoio do PS e do Bloco do que quando concorreu sozinho.
O sempre lamentável Pedro Marques Lopes, sobre Fernando Nobre, considera que a postura anti-Partidos é um ataque à Democracia. Pois que seja. Os Partidos são os principais responsáveis pelo estado a que chegámos. A clamorosa derrota de hoje representa a esperança numa Democracia diferente num futuro mais ou menos distante.
Resultados das Eleições Presidenciais – primeiras previsões
O Aventar divulga em primeira mão as primeiras previsões:
Cavaco Silva – 52 a 58%
Manuel Alegre – 18 a 21%
Fernando Nobre – 14 a 16%
Francisco Lopes – 5 a 8%
José Manuel Coelho – 2 a 4%
Defensor Moura – 1 a 2%
Sondagens à boca das urnas
Quem nos salva desta ministra?
Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar, outrora conhecida entre as crianças e adolescentes portugueses como Isabel Alçada, profícua escritora de Aventuras para a juventude, arrisca-se agora a ficar na História do Portugal recente como a ministra da Educação mais hipócrita e inquisitorial das últimas décadas.
Esta senhora ministra da Educação, num comportamento pré-fascista e censório, lembrou-se de dizer que é “extremamente indefensável” colocar “crianças na rua a fazer reinvindicações”, e isto a propósito da avassaladora onda de justos protestos contra cortes desproporcionais no ensino particular com contrato de associação face ao ensino “estatal”. [Read more…]
Milhares de cidadãos que não puderam votar
É a democracia à moda de Portugal. Tudo porque no Cartão do Cidadão não aparece o número de eleitor.
Foi o caso dos meus pais. 80 anos a arrastarem-se para a mesa de voto, sistema bloqueado, voltaram para trás. Felizmente, iam votar no Cavaco. Bem feito.
Abstenção

O Pedro disserta aqui no Aventar sobre as razões da abstenção. Concordo e acrescento que a insistência em não se discutir o que vai a votos não convida a que a atitude seja diferente.
Apesar de tudo isto, os temerários que ainda assim se deslocam à assembleia de voto puderam presenciar nesta eleição ao choque do país real com o país virtual dos simplexes. Com as mudanças do local de voto trazidas, por exemplo, com o cartão do cidadão, muitos eleitores ficaram impedidos de votar, seja por não saberem o número de eleitor, seja por não saberem a que local de voto se dirigirem.
O presidente da CNE não sabia que se poderia obter o número de eleitor com um SMS. Ou que o site do recenseamento eleitoral poderia dar dar esta informação. Poderia! Pois estes serviços deixaram de funcionar logo que o nível de utilização subiu, colocando a nu o amadorismo da sua implementação. Valham-nos alguns serviços menos usados ainda funcionam.
No país de Sócrates, os simplexes funcionam. O problema é que a votação não ocorre no Second Life, onde pelo menos uma acção de campanha decorreu, mas sim num local físico. Onde as pessoas têm problemas reais que os perfeitos mundos virtuais não resolvem.
Tem um cartão de cidadão ou perdeu o cartão de eleitor? está tramado, a incompetência pode não o deixar votar
Virados para a parede, de castigo, com orelhas de burro, é o que merecem os responsáveis pela vergonha que hoje se está a repetir: eleitores impedidos de votar, porque desconhecem o seu número de eleitor.
Basta ler os comentários que os nossos leitores vão escrevendo nos textos onde tentei ajudar quem procura as indicações para poder votar, porque tem um cartão de cidadão ou perdeu o cartão de eleitor.
O cartão de cidadão contém o número de eleitor, mas para ser lido é preciso um terminal.
A página do recenseamento eleitoral não aguenta os acessos, os sms não funcionam, há portugueses impedidos de votar, falseando os resultados eleitorais. Imaginem que uma segunda volta se decide por um pequeno número de votos como sucedeu nas últimas presidenciais.
Logo à noite vamos ouvir muitas queixas e leituras dos paineleiros do costume sobre a elevada abstenção. Duvido muito que os responsáveis por esta abstenção forçada sejam chamados ao quadro. [Read more…]
As razões da abstenção
Para uns são os mortos, para outros o frio, para outros o desinteresse.
Tudo isso contará um pouco, mas a verdade é que a tendência para o aumento da abstenção resulta de um divórcio, de uma má relação, de uma falta de confiança, de um descrer.
Independentemente dos poderes do PR (as outras eleições enfermam do mesmo) os portugueses não crêem que o ato de votar valha a pena, não acreditam que traduza a manifestação da sua vontade, que mude a situação. Por outras palavras: não se sentem representados e vêem o voto como inútil.
Outros, muitos, sentem-se ultrajados. Entendem que mereciam melhor, que o país mereceria outra coisa. Mereceria melhores cidadãos? Claro, mas sobretudo melhores políticos, mais ética, menos vileza. Políticos mais responsáveis, menos mentirosos, menos imediatistas, menos vendidos.
A abstenção resulta principalmente da descrença absoluta nesta classe política medíocre, sem grandeza nem clarividência, incapaz de cativar o cidadão para a coisa pública, para o interesse colectivo (a que outros chamam nacional). O cidadão, aliás, não acredita sequer que a dita classe esteja, ela própria, cativada pela coisa pública ou pelo interesse colectivo ( ou nacional). Daí ao divórcio vai um passo.
E o passo foi dado numa campanha sem chama, sem ideias, sem rasgos, sem algo ou alguém em que crer. No entanto, hoje à noite, a classe política que nos desmotiva será perguntada sobre as razões da abstenção. As respostas serão os mortos, o frio, o cartão de eleitor e outras menoridades e malabarismos.
Ora, a abstenção deve-se, precisamente, a esse tipo de respostas.
Saiba como obter o nº de eleitor pela net
Muitos leitores têm ocorrido ao Aventar por terem dificuldades em saber o seu número de eleitor e qual a sua mesa de voto.
Além das dicas que damos aqui
e aqui
Recebemos ainda outra de um leitor, a quem, naturalmente, agradecemos:
Mariko K. Yoshida diz:
Gente, também estava a desesperar com isso. Mas descobri uma maneira.
Vão através do site móvel, utilizando os telemóveis.
http://movel.portaldocidadao.pt
Funciona em qualquer internet, eu fiz com o meu velhinho sistema wap e demorei 5 segundos a ter o resultado. Digam isto a toda a gente que tiver problemas em descobrir o número de eleitor.
Ah, podem ir através da net normal também. Vai lá dar à mesma. Descobri isso agora.
Como obter o número de eleitor, e saber em que freguesia está recenseado
Nuno Godinho Marques, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, acaba de dizer em directo à TSF que não é possível obter o número de eleitor via net, recomendando uma ida à Junta de Freguesia, o que já por si é tolo, já que muita gente nem sabe em que freguesia está recenseado.
É falso. Talvez porque entre CNE e o Ministério da Justiça, responsável pela página do recenseamento eleitoral as coisas há muitos anos não corram bem, o que escrevi há bocado (para quem perdeu o cartão de eleitor, ou tem um cartão de cidadão onde ainda não se consegue ler o número de recenseamento), baseava-se na minha própria experiência pessoal, esta manhã, e funcionou.
O único problema é que o acesso à página está muito complicado, pelo que recomendo o envio do sms como expliquei e aqui repito:
enviar um sms (gratuito) para 3838, com o texto com «re», espaço, número do Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão, espaço, data de nascimento (no formato AAAMMDD), por exemplo:
re 1234567 19740425
Quanto ao porta-voz da CNE, vá ver a página da… CNE, e mais não digo. Só espero que nem senha de presença receba por um disparate deste tamanho.
Previsão de resultado eleitoral
-Sem dinheiro para realizar uma sondagem telefónica, o preço das chamadas está demasiado caro agora com IVA a 23%, nem por isso deixo de avançar com a minha previsão de resultado eleitoral, com rigor mais ou menos científico, antecipando-me aos restantes blogues e generalidade da comunicação social, espero não apanhar com uma multa da CNE ou ter problemas com a ERC. Quem quiser pode comentar, concordando ou discordando, mas importa relembrar que o objectivo é acertar a previsão e não exprimir um desejo ou intenção de voto. [Read more…]
O meu presidente favorito – uma questão de copos
Uma vez que já sei em quem não vou votar, não preciso de andar a reflectir muito antes que chegue o momento de carregar a cruz até ao boletim de voto, novo Gólgota. De qualquer modo, só me interessa o aparentemente improvável: haver uma segunda volta.
Livre que estou de dúvidas, quedei-me ocioso e deu-me para pensar: qual terá sido o meu presidente favorito?
Não seria lícito exigir a outros a perfeição de que a Natureza não nos dotou e acabei por ficar dividido entre Mário Soares e Jorge Sampaio.
Um dos primeiros critérios que uso para definir se gosto de alguém que não conheço pessoalmente resume-se nesta pergunta de evidente valor científico: “será que iria beber um copo com este gajo?” [Read more…]
Jesus agride um jogador do Nacional
Desta vez foi antes do túnel. Desta vez as televisões filmaram. Desta vez não há Ricardo Costa, embora haja outra vez Rui Costa.
Jorge Jesus não tem personalidade para treinar uma equipa de futebol do 1º escalão. Porque esta agressão é antes de mais uma agressão ao Benfica, que por muito que me custe admiti-lo está muitos furos acima de personagens deste calibre. Ser treinador de uma equipa de futebol não é só saber de tácticas, é também saber estar numa indústria de entretenimento. Seguir o exemplo de Scolari não foi exactamente uma ideia brilhante. Esperemos pelas consequências.
Perdeu o cartão de eleitor? não sabe o seu número de recenseamento? vote na mesma
Quem perdeu o cartão de eleitor, ou tem um cartão de cidadão onde ainda não se consegue ler o número de recenseamento, tem várias opções:
- ir à página do recenseamento eleitoral, e pesquisar.
- enviar um sms (gratuito) para 3838, com o texto com «re», espaço, número do Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão, espaço, data de nascimento (no formato AAAMMDD), por exemplo:
re 1234567 19740425
A abstenção também é um direito, mas não diga que não votou porque não sabia o número…












Recent Comments