Hoje sou mineiro

Um mineiro feliz, e chileno também.

Vão sair todos sãos e salvos como se usa dizer, salvos pela aldeia global e a tecnologia que ela pode chamar. Teriam apodrecido como os mineiros desta cantiga popular asturiana, não estivéssemos todos a olhar para a mina que não vemos.

E um deles já fez um poema:

Não nos tratem como artistas, somos mineiros

O nosso Raul Iturra está ali a torcer o sofrimento acrescido do homem que olha os seus compatriotas a voltarem um a um da terra que os emprenha, mas amanhã regressa feliz e contente, podem crer, um verbo derivado do querer.

Hoje Morreu uma Amiga

“Conheci Isabel Sousa na Biblioteca Raul Brandão, em Guimarães, há muitos anos. Depois, encontrei-a em muitas outras (S. João da Madeira, Espinho, etc.), ou em iniciativas invulgares (pão com livros, pizzas e livros, etc) que ela inventou, organizou e defendeu. Onde ela estava, estava também a paixão pelas bibliotecas, pelos livros, pelas salas onde os livros se guardavam e abriam. Morreu esta noite ao fim de um ano difícil e de muito sofrimento. Amanhã, de manhã, a (sua bela) Granja despede-se de Isabel. Todos os que gostam das bibliotecas portuguesas ficam mais tristes, muito mais tristes.

Big Brother da mina: E depois da saída?

O ‘big brother’ global em que se transformou a operação de salvamento dos 33 mineiros chilenos soa a um tradicional ‘dejá vu’. O uso do pleonasmo é aqui propositado. Só assim se pode comparar à mega transmissão do que se passa na mina de San José.

A chegada à superfície de cada um dos estafados homens foi relatada em detalhe. Um a um, com todos os detalhes. Nome, idade, estado civil, número de filhos, doenças existentes, as funções e a biografia. São heróis, claro. Merecem todo o destaque. Quantos dos heróis de pacotilha do mundo em que vivemos seriam capazes de superar o que eles superaram? Com aquele sacrifício…

Sejamos honestos. A cobertura informativa foi feita desta forma porque prometia ser um espectáculo. Cheio de emoção, que, no fundo, é aquilo que anima as nossas vidas. Eles merecem.

A dúvida reside no depois. Depois da saída, depois dos primeiros dias, depois de contadas as histórias, depois de feitas as reportagens, os documentários. O que será depois?

Na televisão ouço falar em milagre, em homens que nunca mais serão esquecidos. Será assim?

O Banco Alimentar Parlamento é já no Sábado

anúncio banco alimentar

É já no próximo Sábado, pelas 16 horas, na cidade do Porto (local a designar), que o Aventar vai promover o seu BANCO ALIMENTAR PARLAMENTO, destinado à recolha de alimentos para o deputado socialista Ricardo Gonçalves, que ainda recentemente confessou com inegável vergonha que o dinheiro não lhe chegava para comer.
Como todos sabem, o Aventar é um blogue de causas sociais. Não de causas fracturantes, como outros, mas de causas sociais. E todos nós, sejamos de Esquerda ou de Direita, preocupamos-nos com os mais pobres, os mais necessitados, aqueles a quem as carências deixam marcas iniludíveis e inultrapassáveis.
E no dia em que soubemos que havia no nosso País um deputado a passar fome, fomos os primeiros, de forma comovida, a mobilizar-nos. Porque um tribuno notável como Ricardo Gonçalves não pode fazer o seu trabalho se não se alimentar correctamente. Não pode exercer com a dignidade que o cargo exige. E quem sofre é Portugal.
Sabemos que os portugueses são solidários. E tudo o que entregarem no Sábado ao BANCO ALIMENTAR PARLAMENTO terá como destino a humilde residência do deputado Ricardo Gonçalves. Não custa muito ajudar. Quem tem alguma coisa deve ajudar quem não tem nada.
O Aventar convida desde já os seus leitores a juntarem-se, no Sábado à tarde, no Porto, a esta cruzada de solidariedade. Da mesma forma, o Aventar convida todos os blogues que se quiserem juntar a nós. Seremos 10, seremos 100, seremos 1000. E nas páginas do Aventar haverá espaço para agradecer a cada um.
No Sábado, vamos todos fazer o bem!

BLOGUES PARTICIPANTES NO BANCO ALIMENTAR PARLAMENTO DO AVENTAR (Em actualização)

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Passos Coelho resistirá aos banqueiros?

A despeito das responsabilidades por profundas crises, e mesmo considerando os casos de salvação com dinheiros públicos, o poder dos bancos continua granítico e subjugador do poder político. Até Eric Cantona o reconhece. Portugal, é claro, não se furta à regra. E, goste ou deteste, é nesta lógica de relação de poderes que Pedro Passos Coelho receberá esta tarde, às 17h00, os líderes dos quatro principais bancos portugueses. Portanto, lá estarão, na sede do PSD, Faria de Oliveira (CGD), Ricardo Salgado (BES), Fernando Ulrich (BPI) e Santos Ferreira (BCP).

Em jeito de aparte: é curioso que, ao encontro, não compareçam BPN e BPP para esclarecer quando devolvem aos cofres públicos os 6 mil milhões de euros com que o Estado os suportou; ou seja, a verba de que o Governo diz necessitar para cumprir o deficit de 4,6% em 2011. Enfim, são contas complicadas, de momento.

O objectivo dos banqueiros é pressionar Pedro Passos Coelho para viabilizar o OGE para 2011. Ignora-se se a versão a viabilizar é justamente aquela que o governo propõe, contemplando as medidas anunciadas por José Sócrates: – aumento de impostos e corte em despesas? Pedro Passos Coelho sempre tem dito “não ao aumento de impostos”. Mas agora é para valer? Deixamos a pergunta no ar e, na altura própria, teremos a resposta.

 Sabemos que os banqueiros vão utilizar um argumento de peso: a crescente falta de credibilidade do País para se financiar externamente, sector público ou privado. Passos Coelho terá, assim, de escolher entre duas credibilidades: a do País ou a dele próprio. Será que resistirá aos propósitos dos banqueiros? Este tornou-se o País do permanente ‘suspense’.

Cova-Gala, Figueira da Foz: a Outra Margem

A Figueira vista da Outra Margem

o meu poema azul

 

(adão cruz)

 Não sei fazer uma rosa nem me interessa

não sei descer à cidade  cantando

nem é grande a pena minha.

Não sei comer do prato dos outros nem quero

não sei parar o fluir dos dias e das noites

nem isso me apoquenta

não sei recriar o brilho do poema azul…

…e isso dá-me vontade de morrer.

Procuro para além das sílabas e dos versos

a voz poderosa mais vizinha do silêncio

o meu poema azul…

o suspiro de Outono onde a brisa se aninha

no breve silêncio do perfume do alecrim.

Lugar das palavras e dos versos

no caminho do teu rosto junto ao rio dos teus olhos

onde a vida se faz  poema

e o mar se deita nos lençóis de luz do fim do dia.

Procuro para lá das sílabas e dos versos

encontrar meu barco à entrada do mar

onde repousa teu corpo entre algas e maresia

meu amor perdido num campo de violetas.

O meu poema é tudo isto

que me vive que me ilude que me prende

ao lugar azul que procuro dia e noite

por entre os versos do meu ser.

O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu

não tem asas nem olhos nem sentimento

que o traga um dia o vento se vento houver

que a saudade o encontre onde ele estiver.

Dizem que no cimo dos pinheiros ainda é primavera

mas tão alto não chego.

Mais à mão

molho a minha camisa primaveril

no regato cristalino

que vai correndo por entre os dedos

num solo de violino.

Vestido de tempo sem espaço e de espaço sem tempo

tento fundir a neve com o calor da nudez

em versos que tecem mais tarde ou mais cedo

o mundo das sombras.

Não sei colher uma rosa

nem sei descer à cidade cantando

sou apenas aquele que ontem dormia

sobre um poema azul

e das asas da ilusão se desprendia.

Sou aquele que ontem se despia

nos braços do poema que vivia.

Sou aquele que ontem habitava

em silêncio

o poema que acontecia.

Sou aquele que ontem sonhou… 

em vão…

com o poema azul de mais um dia.

ainda melhor do que o melhor cabrito do mundo

(Foto adão cruz)

Há umas semanas atrás eu coloquei um texto aqui no Aventar, intitulado “O melhor cabrito do mundo”, confeccionado na “Casa no Campo”, em Espinheiro, Moldes, Arouca.

O meu amigo Engº Adelino Silva Matos, meu paciente e meu grande amigo há mais de trinta anos, enviou-me um mail dizendo: – meu caro amigo, o sr. não sabe o que é cabrito -. Tem de vir a minha casa comê-lo, confeccionado por minha irmã Flora Matos. Marque o dia e traga quem quiser.

Oh! Se eu fosse a levar quem quisesse! Vão comigo a minha irmã e meu cunhado, os meus companheiros de navegação em águas boas e más. [Read more…]

Petição contra a legalização do cultivo de organismos geneticamente modificados na Europa

Porque o mundo é maior do que o nosso quintal, os cidadãos europeus mobilizam-se numa petição que visa impedir o cultivo de organismos geneticamente modificados na Europa, a partir deste pressuposto:

A Comissão Europeia autorizou recentemente a cultura de organismos geneticamente modificados (OGM) pela primeira vez em 12 anos, pondo os interesses dos lobbys OGM acima das preocupações sanitárias dos cidadãos, apesar de 60% dos Europeus pensarem ser necessária mais e melhor informação antes de cultivar alimentos que poderão ameaçar a sua saúde e o ambiente.

Uma iniativa recente permite que 1 milhão de europeus possam apresentar oficialmente propostas de leis à Comissão Europeia. Mais informação em inglês ou em francês. Leia e, se concordar, assine.

Adenda: Também existe em português, aqui.

Os conselhos revolucionários de ERIC CANTONA

Os franceses cumprem hoje nova jornada de luta. Há manifestações em várias cidades, contra o aumento da idade para a reforma.

Eric Cantona, um ex-futebolista de carisma quizilento e controverso, também se referiu aos movimentos sociais contra a citada medida, decidida pelo governo francês. Diz ele que as ‘manif’s’ e greves são insuficientes para gerar uma revolução e que, para o caso, o recurso a acções armadas é igualmente desajustado.

Em alternativa, e partindo do princípio de que o sistema está construído sobre a banca, os 3 milhões de pessoas, em vez de descerem à rua em protesto, deveriam ir aos bancos levantar o dinheiro depositado. E se fossem mais, as dificuldades do sistema ainda seriam maiores.

Confesso surpresa perante esta tirada de Cantona e nem vou discutir a autoridade moral do ex-futebolista para tal conselho revolucionário. Todavia, a ser seguido massivamente em França e noutros países europeus – falemos só da Europa, agora – o conselho em causa, estou certo, provocaria uma revolução cujos efeitos totais sinto dificuldade em imaginar. Sofreria apenas a banca? Duvido e ‘aqui é que a porca torce o rabo’.

Quantos dias tem um mês, sr. primeiro-ministro?

É dia 12 de Outubro. Lá em casa, ainda não entrou o subsídio por Maternidade a que a minha mulher tem direito durante 5 meses. A Segurança Social deve ter-se esquecido.
No mês passado, o subsídio entrou no dia 7. O que significa que este mês já vai com 35 dias.
Senhor primeiro-ministro, o senhor recebe quando calha? Quantos dias têm os seus meses? 30? Ou 35? Ou 40? Ou sabe-se lá quantos?
Pois é, senhor primeiro-ministro, o seu dinheiro certamente estica. Lá em casa, infelizmente, não. Não temos cartão de crédito ilimitado, não temos almoços e jantares por conta da teta do costume, nunca nos envolvemos em negócios obscuros. Lá, quando um mês tem mais do que 30 dias, já começa a ser um problema.
Sabe que mais, senhor primeiro-ministro? Havia de ser consigo.

Vale Azevedo II?

É que o fundador de determinado grupo de alegado sucesso, não passa dum caloteiro penhorado e dum gerente tão fantástico que chegou até a ser destituído do cargo numa das empresas por onde passou (demitido e posto fora à força, leram bem).

Ler no Cinema da Febre, as penhoras de Luís Filipe Vieira, o Kadhafi  dos Pneus. De qualquer forma amanhã sai n’A Bola e é capa do Record.

a nossa esperança no dia de hoje: o resgate dos mineiros do Chile

mulher aimara, à espera do resgate do seu homem

De Isabel Matos Alves (LUSA)

Santiago do Chile, 11 Out (Lusa) — As equipas de resgate esperam começar o salvamento dos 33 mineiros presos numa mina no norte do Chile, desde Agosto último, “a partir da meia-noite de quarta-feira” (hora local), anunciou hoje o ministro das Minas chileno.

“Esperamos começar o processo de resgate a partir da meia-noite de quarta-feira (04:00 em Lisboa) “, declarou Laurence Golborne, à comunicação social nas imediações da mina de San José.

O ministro chileno referiu que os testes realizados, no domingo, à cápsula que irá transportar um a um os mineiros até à superfície foram um sucesso, referindo que o engenho conseguiu atingir os 610 metros de profundidade.



Agradeço a honra concedida de ser português. Antes fui Britânico, filho de espanhóis e outras ervas, que para este texto não interessam. Porque continuo a ser chileno de tomo e lomo, como dizemos em chileno castiço, sendo tomo a acção de aceitar, e lomo, sobre as costas. Porque é sobre as costas que aguentam não apenas os mineiros soterrados, bem como a maior parte dos chilenos que aceitam trabalhos pesados, mal pagos, moram em poblaciones callampas (bairros de lata em português), trabalhando o dia inteiro, acabam por aceitar outros trabalhos paralelos, porque os salários não permitem viver. Se a Europa está em crise económica, o Chile é crise económica permanente. Todos os homens da família vão trabalhar desde muito novos, especialmente nas minas de cobre, que têm cantos que só permitem a passagem de corpos pequenos. A escolaridade obrigatória acaba quando a criança é capaz de trabalhar. Nunca esqueço que na minha dourada juventude, todos os verões íamos às áreas rurais e mineiras para alfabetizar. [Read more…]

Aventar solidário com Ricardo Gonçalves

Bons Exemplos

O Parlamento islandês decidiu processar o ex-primeiro-ministro Geir Haarde, que governava o país na altura em que o sistema financeiro se afundou, em Outubro de 2008, por “negligência”.

Público

o regato e o moinho

(Foto de José Magalhães e poema de adão cruz)

Se eu soubesse dar às palavras
que tenho dentro de mim
o cantar deste regato
se entre as pedras do meu leito
saltitassem estas águas
que me fizeram criança
se fosse de menino este chão
que tenho dentro de mim
numa caixinha de esperança
e de sonho fosse o moinho
que mói o trigo da ilusão
não queria outro moinho
para a farinha do meu pão.

Prós-prós-prós-prós e… póf!


A RTP, como mandam as boas regras de “dar graxa a dez tostões a caixa”, convidou os três ex para uma tertúlia, cujo tema foi de difícil compreensão, além do beija-pé à recentemente comemorada semi-defunta senhora. Em termos jornalísticos, isto chamar-se-ia um “encarte”, ou seja, o afinfar de uma “notícia” para preencher o espaço. Pelo que parece, a coisa vai mesmo mal. Houve festarola Honoris Causa e à noite, com a ausência do presunto candidato ainda em comando, os antecessores foram à TV. Além das maravilhas do porvir que deve ser construído com muito sacrifício – pois…-, lá vieram as habituais evocações auto-gratificantes. Apelando ao “combates contra o desânimo”, atribuíram-se as culpas que afinal são mesmo nossas, de “todos” – nem sequer tiveram a coragem de dizer “vossas” – e a já clássica acusação aos pérfidos estrangeiros, os causadores do rol de desgraças que sobre Portugal se abateu. Enfim, este programa consistiu em mais um exercício de pressão sobre Passos Coelho, o “único, exclusivo e identificado responsável” pela calamidade que se avizinha.
Há uns anos, surgiu nos cinemas um filme alemão que desfiava o rosário de ilusões e manias de um chanceler enfiado no seu bunker, teimando em brincar com exércitos imaginários, os salvadores de uma causa há muito desfeita. Entre bolinhos de creme e planos de obras públicas “em grande”, aproveitava para vociferar diatribes diante de temerosos e atentos subalternos.

Hoje, lá estava o mesmo quadro de atentos ouvintes e a sra. dª Campos Ferreira fazia a vez do sr. ministro da Propaganda do Reich, apenas faltando uma mesa com mapas e gráficos. O Prós e Prós foi o perfeito sucedâneo daquele A Queda.

Ao cuidado da selecção nacional (de futebol)


Um país que tem músicos para isto, um país que depois de cair no mais liberal dos liberalismos soube levantar-se e votar no mais à esquerda que tinha, um país que mete o seu Geir Haarde (em português: de Cavaco a Sócrates), ex-governante responsável directo pela sua bancarrota em tribunal, um país assim não merece uma grande abada.

Só uma abadazita. Amanhã não passem dos 4 ou 5 sff.

Obrigado.

Medidas Potentes Para o PEC 4 (grátis)

De borla que foi a anterior medida para o PEC 4, venho hoje dar mais duas.  De graça, também.

1) cobrar taxas moderadoras aos portugueses que não têm médico de família. São cada vez mais. Cobrar 80 cêntimos por não-consulta.

2) cobrar direitos de autor sobre frases célebres proferidas por certa estirpe elevada de  eleitos (sempre em eleições não-nominais, curiosamente). Por exemplo, a frasequase não temos dinheiro para comer” passaria a pagar 50 cêntimos de cada vez que fosse escrita num blogue, de cada vez que fosse lida: 25 cêntimos. Era garantido: o Aventar deixar-se-ia de palhaçadas, não obstante pretensos desmentidos.

Porto Canal e a Marktest: a verdadeira história

O Porto Canal decidiu sair do sistema de medições de audiências da Marktest Audiometria desde hoje.

São várias as razões para uma decisão destas:

1. O número de audímetros que medem a audiência do Porto Canal é inferior a 50. O que quer dizer que para um projecto desta dimensão um único indivíduo representa 2% do total, o que neste momento, segundo os dados da Marktest, significa mais do 100% da nossa audiência.

2. Um exemplo recente de como com o número actual de lares é impossível ter uma ideia real da audiência do Porto Canal:

– Sexta-feira dia 1 de Outubro, share 6,6%

– Sexta-feira dia 8 de Outubro, share 0,6% com a mesma programação

Até ao mês de Fevereiro de 2010 tinha no Grande Porto (área de maior influência) um share médio de aproximadamente 2%, desde Fevereiro de 2010 o valor desceu 50% , para um share médio diário de 1%, sem ter existido qualquer alteração significativa na programação. Esta redução coincide com uma mudança do painel de espectadores acordada entre a CAEM (Comissão de Análise de Estudos do Meio) e os grandes canais generalistas. Coincidência.

Em Julho de 2010 o Porto Canal começa a ser distribuído pelo MEO.  Segundo dados da Anacom estamos a falar de uma quota na casa dos 30% dos serviços de distribuição por subscrição. Este incremento na divulgação não se traduz na audiência, pelo contrário, as medições indicam menos espectadores. Em Junho o share médio era de 1% e no último mês de Setembro foi de 0,9%. No mínimo estranho.

A distribuição regional dos lares da Marktest não é em nada representativa do espaço de influência do Porto Canal. O Norte está dividido em 3 partes. Além do Grande Porto existem 2 espaços, Litoral Norte e Interior, que abarcam áreas que correspondem sobretudo a região centro, o que prejudica o canal.

Motivos mais que suficientes para o Porto Canal bater com a porta. Fez muito bem. A minha experiência profissional prova exactamente o contrário. O feedback de boa parte dos programas do Porto Canal são hoje bem maiores que no passado e sempre em crescendo durante 2009 e 2010. Não sou caso único. E nem me atrevo a falar sobre os dados da Marktest (empresa privada) no tocante a rádios e a alguns surpreendentes altos e baixos repentinos de algumas audiências. No mínimo, esquisito.

Chega de Orçamento! Conheça o Roberto Marroquino

Poderia chamar-se Roberto e ser guarda-redes em Portugal. Mas não. É marroquino, o seu nome é Khalid Askri e defende – ou deveria defender – a baliza do FAR Rabat. Esteve na origem da eliminação da sua equipa diante do Mahgreb Fez, por 1-0. Esqueça, por instantes, o OGE e distraia-se. Observe que, no futebol, o catálogo dos “frangos” passou a incluir um celebrado pelo próprio guarda-redes que o consente:    

 

Alguém votou neste governo?

Abro os jornais e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos criticam este governo.

Ligo a televisão e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos dizem mal deste governo.

Vou ao café e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos detestam este governo.

Ponho gasolina e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos odeiam este governo.

Na mercearia do meu bairro, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos abominam este governo.

Entro no hospital e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos sofrem com este governo.

Nos jogos da seleção, do Benfica, do FCP e do Sporting, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos assobiam este governo.

Tento ir à pesca e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos perdem a paciência com este governo.

Dirijo-me a uma repartição pública e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS e alguns presidentes de câmara, todos lamentam este governo.

Participo num velório e, exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS, alguns presidentes de câmara e o falecido, todos choram por causa deste governo.

Agora, e por em nenhum desses sítios ter encontrado alguém capaz de responder afirmativamente, pergunto aqui no Aventar com a tranquilidade de quem também não o fez: exceptuando Emídio Rangel, a generalidade dos ministros, os deputados do PS, alguns presidentes de câmara e uns tantos falecidos, alguém votou neste governo?

A China é mesmo um tigre de papel

Han Han anuncia o Nobel da Paz...

Até há umas semanas atrás era para mim um mistério que vários PC’s que viveram à sombra do PCUS durante o conflito sino-soviético, combatendo ferozmente o maoísmo, tenham virado adeptos da maior farsa da História do marxismo, o “socialismo” capitalista da China. Como hoje o fez o português, juntando-se ao cubano.

Havia aquela explicação parva de ser uma força anti-imperialista, como se o imperialismo americano não estivesse em decadência e em vésperas de ser substituído pelo do Império do Meio, a emergência salvadora do capitalismo no seu estádio supremo. Não chegava.

Há dias encontrei uma lógica, porque até as barbaridades têm lógicas, rebuscada e fascinante: o erro de Mao Tsé Tung (recuso-me a mudar esta grafia) teria sido o de tentar a passagem do feudalismo para o capitalismo. Agora os camaradas (deles que não meus) estão  empenhados em construir o capitalismo, para mais tarde passar ao socialismo, tudo nos conformes com os mandamentos da religião e seguindo os cânones do materialismo pré-histórico.

Digamos, e por falar em religião, que ainda se pode distinguir um fundamentalista de alguém que se limita a ter e praticar a sua fé. Esta fica ao nível dos tipos que em nome da vida vão para a porta de clínicas matar médicos.

A imagem (obtida via Rue89) é uma captura de ecrã do blogue de Han Han, o mais lido no mundo, que desta forma anunciou entre aspas a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiabo ultrapassando a censura chinesa.

o dia da hispanidade e os mineiros do Chile

o dia da hispanidade começa no Chile no rescate dos 33 mineiros soterrados numa mina

Mineiros do Chile soterrados na mina Esperanza do norte do Chile 

Terra, terra, foi a primeira palavra espanhola que se ouviu no que parecia ser um mundo novo. Cristóvão Colombo acabava de provar a sua teoria de que o mundo era redondo, apesar de ele próprio, por morte, não ter assistido à comprovação da sua hipótese. Aliás, nem ele estava certo se era como ele pensava este mundo em que habitamos. Estava convicto de que navegando para oriente encurtava o caminho marítimo para a Índia, daí a designação, Índias orientais, dadas às novas terras. Quem viu pela primeira vez essas terras das Índias orientais, permitindo à coroa de Castela concorrer com os portugueses, que no Século XV eram os seus rivais nas descobertas de todas as terras além Europa, foi o navegador por nome Rodrigo de Triana. Esse grito do marinheiro foi lançado a 12 de Outubro de 1492, às 2 horas, como consta no diário de Cristóvão Colombo, texto editado pela casa Anaya, Madrid, 1985.

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Ainda vale a pena ser sério neste País?

Factos:

1.- Em Maio, segundo as contas do Governo, eram necessários cerca de 1,7 mil milhões de euros para baixar o valor do deficit de 8,3% para 7,3% do PIB.

2.- Através do PEC II o Estado conseguiria alcançar um valor orçamental adicional, para 2010, superior a 2 mil milhões de euros, metade através do aumento de receita (impostos) e a outra metade através da redução de despesa. Entre o montante necessário para atingir os 7,3% e o conseguido com o PEC II, existia uma almofada de cerca de 300 milhões de euros para eventuais contrariedades.

3.- Com o PEC II foram também previstas medidas cuja execução em 2011 e nos anos seguintes levariam à redução do deficit para os valores exigidos pela União Europeia e pelo Sistema Monetário Europeu.

4.- O Governo através do PM assegurou, então, que tal era suficiente para obter a consolidação orçamental pretendida em 2010 e nos anos seguintes.

5.- O Governo prometeu, também naquela data, que criaria os mecanismos necessários para a efectiva apresentação intercalar da execução orçamental, sendo que, está obviamente obrigado a prestar contas quer pela Constituição quer pela lei do enquadramento orçamental.

6.- Não foi criado qualquer mecanismo. À comissão parlamentar de acompanhamento do orçamento não foram disponibilizados quaisquer documentos, estudos ou análises que permitissem a fiscalização necessária, legal e obrigatória. O único documento que existe é um Boletim de Execução Orçamental de Agosto de 2010 cujos elementos não são, minimamente, suficientes para avaliar as contas do Estado. (Para perceber como está a contabilidade através daquele Boletim, além de economistas precisamos de uma cartomante – esta parte não é um facto, mas quase). [Read more…]

Centenário "Simplex"


A Ilustração Portuguesa (1908), é um inesgotável manancial de curiosidades. Neste ano de Centenário, aqui deixamos um anúncio, que decerto fará com que muitos sorriam. Ora leiam o texto, verifiquem do que se trata e… a quem pertencia a lojinha “Simplex”. Há coisas que não mudam e tomem especial nota do facto de as tais “Simplex” serem …”discos double face, com o mais variado e moderno reportorio em musica e canto dos melhores auctores nacionaes e estrangeiros. Grande depósito de machinas fallantes”.

A língua portuguesa, era, de facto, mais bonita.

PCP de olhos em bico


Após as declarações do sr. Bernardino Gomes (AR) acerca da democraticidade norte-coreana, aqui está mais um exemplo da coerência do sempre updated Comité Central do PCP. Desta vez, insurge-se com a atribuição do Nobel ao dissidente Liu Xiaobo, decerto um “perigoso agente do imperialismo”, um “desviacionista burguês”, “provocador do cosmopolitismo”, “espião reaccionário”, e sabe-se lá o que mais. O argumento utilizado como justificação para o descrédito deste Prémio, será a anterior atribuição ao sr. Obama. Esperteza saloia, mas uma tirada com a qual, quase todos facilmente concordarão, sr. Obama incluído.

Diz ainda o PCP, que este galardão é “inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China”. Fazendo de conta ignorar os fortíssimos laços existentes entre a superestrutura político-industrial do PCC e a gente da Wall Street e da city nova-iorquina, o PCP ainda acrescenta que o Nobel devia “deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre povos”.

Conhecida a “grande amizade” entre a URSS e a China, nos bons tempos em que alinhavam dezenas de milhar de canhões em ambos os lados da fronteira, esta declaração não pode deixar de ser mais uma excentricidade. É que os canhões não se amontoavam para a “luta final contra o imperialismo”. Estavam mutuamente apontados para os “irmãos proletários”.

Andará o PCP à cata de subsídios em Yuan, ou terá entrado numa deriva maoísta?

Estrada de Palha

Rodrigo Areias está a terminar as filmagens de Estrada de Palha. É preciso coragem, tirar bilhete e embarcar na viagem…

Domínio Público, Hoje:

Para avisar que hoje, no Domínio Público (Porto Canal, 19h) se vai falar de Presidenciais, de um perigoso centralista, das eleições no PS Porto e do Orçamento de Estado. Fujam!!!

Promete:

O novo blogue de Francisco Moita Flores. É favor passar por lá.