Holly Wood vai ser executado amanhã

 A sala de execução do Alabama
 

O norte-americano Holly Wood  vai ser executado amanhã, 9 de Setembro,  no Alabama, acusado de ter assassinado a antiga namorada.

Cidadão negro de 50 anos, apresenta uma idade mental de 8 anos, equivalente a uma criança da 3.ª classe. O seu QI é de 59, sendo que o Estado do Alabama estabelece que o detentor de um QI abaixo de 70 tem funções intelectuais muito limitadas. Ou seja, é o seu caso. De resto, passou toda a sua escolaridade em turmas de Ensino Especial.

Na altura do julgamento, em 1994, foi defendido por um advogado oficioso que tinha 4 meses de experiência e que, como é óbvio, nunca tinha trabalhado num caso de pena de morte. A lei do Alabama, saliente-se, obriga a que um possível condenado à morte seja defendido por um advogado com 5 anos de experiência.

A um júri constituído por 12 cidadãos, dez brancos e dois negros, bastou uma hora para condenar Holly Wood à morte. Os dez jurados brancos votaram a favor, os dois jurados negros votaram contra.  Durante a selecção do júri, vários negros foram convenientemente afastados.

Para Holly Wood, não houve manifestações nem histriónicas vozes de protesto, a não ser do embaixador da União Europeia em Washington, João Vaz de Almeida.

 É porque são a favor. E é por isso que ele vai ser executado amanhã.

O Professor Oceano e o menino Carlinhos

O Professor Oceano mostra como faz um homem, quando o é, para manter a honra e o prestígio intactos. O menino Carlinhos mostra como um menino, quando o é, quanto mais insiste em lavar a sua honra mais se desonra, queimando e sujando tudo à sua volta. As crianças, quando se julgam o Super-homem e o Homem-aranha, acreditam mesmo. E na luta contra os “maus” vale tudo, até prejudicar os interesses do tal, noutras ocasiões tão propalado e sacrossanto, colectivo (a dita equipa de todos nós, como poeticamente alardeiam quando as coisas correm bem).

É assim que o PSD quer ser alternativa de governo?

O deputado do PSD, Bacelar Gouveia, rebelou-se. Incompatibilizado com Paulo Teixeira Pinto (PTP), que preside à comissão do projecto de revisão constitucional ‘laranja’, o demissionário acusa o citado presidente de prepotência e falta de respeito pelos pareceres de terceiros. Em particular, de manipulação da informação veiculada por PTP para Pedros Passos Coelho (PPC).

Seguidor de ideais afastados do republicanismo e da social-democracia, Paulo Teixeira Pinto era a pior escolha que Pedro Passos Coelho poderia ter feito para tamanha tarefa. E a história das divergências na comissão já vêm do passado, como então destacámos no ‘Aventar’.

Por muito que Miguel Relvas – o Vitalino Canas do PSD – queira disfarçar as divergências em matéria tão séria como o projecto do texto constitucional, são cada vez mais evidentes as dificuldades e incapacidades do PSD quanto à concepção desse projecto. Alegam ainda por cima ser vital para o país. Com estas demonstrações de inabilidade, a verdade é que pouco ou nada distingue PSD do PS de Sócrates. E queiram ou não, ambos estão condenados pela UE a entender-se sobre o OGE. Façam o ruído que quiserem. É folclore.

Tudo isto e muito mais me faz acreditar tanto no PSD como no PS; ou seja, rigorosamente nada.      

Os motivos para desconfiar de ambos são inúmeros e eloquentes. Desde há 34 anos, quando se iniciou a saga do ‘bloco central’, em alternância ou coligada, assisti ao desmantelamento cavaquista da indústria – tarefa delegada no comissário Mira Amaral – da agricultura e das pescas; depois, ao esbanjar guterrista de avultadas somas de fundos europeus na continuação de incessantes obras de estradas, de auto-estradas e de outras faraónicas; Guterres acabou por se refugiar na ONU; veio o Barroso que, logo que teve oportunidade, também fugiu do pântano, a caminho da fama e do proveito pessoal (o país que se lixe!); tivemos o interlúdio santanista e, finalmente, viemos parar à governação de Sócrates, com o desfile das políticas desastrosas, que sofremos no dia-a-dia.

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As melhores frases de José Sócrates (VI)

Arranque do ano lectivo – a confusão continua (ou contínua)…


O dia de hoje (8 de Setembro de 2010) é assinalado pelo Governo com o arranque do ano lectivo.
Ninguém estranha que o Primeiro Ministro apareça num centro escolar novo cheio de MG2 – a versão mais recente do Magalhães. É parte da herança Maria de Lurdes que continua bem presente quer pela presença do Sr. Secretário de Estado, Doutorando em Sociologia no ISCTE, quer pela ausência da Srª Ministra Maria Vilar.
A agenda educativa tem sido muito marcada pelas questões em torno da carreira dos professores e sobre essa será significativo dizer que desde 2004… nunca mais fui objecto de qualquer tipo de avaliação – Sócrates tomou posse em 2005 e até agora… zero! [Read more…]

o crescimento das crianças-6ªparte-II-indigenismo

ritual Mapuche, praticado pelos Picunche,para a sua defessa dos Huinca Chilenos

Nguillatun – Ceremonia religiosa

Capitalismo agrário, subdesenvolvimento agrário: imdigenismo

Talvez, podia pensar como Jack Goody fez para a Ghana em 1963, quando pertencia ao Partido do Povo que libertou a Ghana do colonialismo inglês. Quando tentou entender a situação do País com os conceitos ocidentais de Feudalismo e escreve o seu texto Feudalism In Africa? que depois passa a ser o livro de l971, Technology, tradition and the State In Africa, onde tenta perceber a continuidade política que for capaz de guardar a continuidade entre gerações que vivem uma diferente experiência. Mas a sua reflexão, que continua em Production and Reproduction, 1976, não ajuda ao País que é iletrado e que tem as suas próprias continuidades e descontinuidades, que faz estalar a guerra., que tem as suas próprias literacias em signos não escritos, entendidos por eles e não multilingues. Essas guerras já vividas pelos Picunche e Espanhóis, pelos Galegos nos séculos dezanove e vinte. Pelos portugueses, nos mesmos séculos, até acabarem Espanha e Portugal em vias pacíficas para a igualdade subsumida ao capital. E o Chile, numa desigualdade esfomeada também pelo capital subdesenvolvido. O crescimento das crianças de hoje, é fundamentalmente diferente ao crescimento de ontem. O de ontem, tinha um objectivo centralizador da actividade familiar, o obter a terra por meios para todos iguais. Os de ontem, são criados no derrube de um sistema da aristocracia, que eles têm que reconstruir outra vez na base da sua própria força. Os de hoje, têm um objectivo igual, mas que dispersa e tira do elo estruturador antigo, a propriedade rural. O capital é o objectivo individual e autónomo. Como diz o Presidente do Sindicato de Agricultores da Extensão Agrária Galega, há muita gente no campo e é preciso limpar e redistribui-los pelas outras tarefas, encher as cidades e as habilitações, as industrias e a poupança. Fazer de cada um, uma força empresarial. Que já existe na sua mentalidade. Embora Victoria, Pilar e Anabela continuem na ideologia ocidental cristã, esta ideologia não é outra que a que se adapta à

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A expectativa dos grandes para o futuro dos miúdos

“O que queres ser quando fores grande?”

A pergunta adivinhava-se a todo o instante. Os adultos têm destas coisas, uma vontade tremenda de saber o que a miudagem quer ser quando ‘for grande’. Os petizes é que não estão para essas coisas, querem é que os deixem em liberdade. O que querem ser quando forem grandes não faz parte da ementa nestes dias de pouca responsabilidade.

Mas exigia-se a resposta. Os enormes olhos dos grandes aguardavam, em expectativa muda. “Mecânico de automóveis”. A resposta foi dada em instantes, quase sem pensar. Não queria nada ser mecânico de automóveis, mas tinha ouvido uma conversa onde alguém, um outro grande, disse que era profissão um pouco suja mas segura e com rendimentos garantido.

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O sucessor de Ricardo


Mais meia dúzia destas e Eduardo estará pronto para fazer publicidade à Avibom.

Moçambique: contestação vence e governo recua

A África subsariana – ocupemo-nos desta agora – é região marcada por confrontos étnicos, miséria absoluta e altas taxas de mortalidade. Regimes políticos, tão autoritários quanto corruptos, sob interesseira indiferença do Ocidente e do Oriente, fabricam as causas de holocaustos de diferentes géneros. Milhões de seres humanos são vítimas de fenómenos endémicos graves, como a SIDA e a FOME, por exemplo.

O governo de Moçambique decidiu há dias um aumento de preços generalizado, aplicado a combustíveis, energia eléctrica, água e bens essenciais, como o pão e o arroz. A contestação popular eclodiu de súbito, em especial em Maputo e na Matola. No final dos tumultos, segundo a imprensa, registaram-se 13 mortos e mais de 90 feridos.

Hoje, segundo é anunciado pela comunicação social, televisiva e impressa, o governo moçambicano deliberou recuar na política dos aumentos de preços. No que se refere ao pão, a nova decisão governativa anulou mesmo o aumento antes decretado, 13%, passando a suportar uma subvenção para manter o preço anterior. Noutros bens e serviços, as taxas de aumento foram reduzidas.

Uma ilação pode ser extraída da capitulação governativa: o estado de miséria de vastos extractos da população é de tal forma intenso e aterrador que as autoridades temeram que, mais dia, menos dia, novos e mais pesados episódios de luta poderiam surgir e criar um cenário gerador de avultadas perturbações para a própria sociedade, a debilitadíssima economia, e ainda a imagem internacional do país.

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o crescimento das crianças-6ªparte-I-ontem e hoje

Mapuche e o clã Picunche marcham em protesto da perseguição Huinca

O que é uma criança? É todo ser que cresce entre o nascimento e a puberdade Já estava definida e, outros textos meus, com as citações que academia manda um intelectual fazer. Quer no meu O saber das crianças (1996), quer no meu Imaginário das crianças (1997), tive especial cuidado de dedicar ideias para delimitar o campo da pesquisa. Que tinha já sido definido no meu A construção social do insucesso escolar (1990b), esse esgotado livro que é muito procurado. Como em outros textos. Gostava acrescentar á minha tradicional definição, de que todo ser humano é criança em certos aspectos das suas relações, em quanto é adulto em outras. E ao contrario. Porque há campos do comportamento que sabemos, e campos da interacção no qual estamos menos desenvolvidos. Percebe-se de que um adulto é um ser crescido em corpo e em idade, capaz de reproduzir. E com as suas emoções bem definidas e detalhadas e

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Linha do Tua – ex-maravilha?

Hoje terça-feira, à meia-noite, termina a votação para as “Ex-maravilhas de Portugal”.
É a nossa última oportunidade de votarmos na “Linha do Tua“, como forma de protesto pela ameaça da construção da barragem do Tua, que destruirá a Linha e o Vale do Tua. Temos que usar todos os meios para divulgar e impedir este crime patrimonial e ambiental.
Mesmo tendo votado nos últimos dias…pode votar de novo! Contamos consigo!
O Rio Sabor e a Praia dos Cavacos disputam o primeiro lugar, bastante distanciados dos seguintes. No entanto, faltam pouco mais de 500 votos para que a Linha do Tua se encontre entre as três candidaturas mais votadas. Vote na Linha do Tua!
Incentive os seus amigos a conhecer a causa do Tua e a votar igualmente “Linha do Tua”.
Obrigada pela participação na defesa da Linha e do Vale do Tua!

o crescimento das crianças (5ª parte – o que sou)

entre os Picunche, linhagem patriarcal, a autoridade é da mulher.

 

 Queira o leitor lembrar de que gostava de debater, enquanto transfiro parcialmente para si meus dados de trabalho de campo, pelo menos dois assuntos centrais. Um, é que as crianças que crescem, o fazem na medida de que a memória social impinge a sua memória individual. É dizer, que a criança que temos em frente a crescer, é resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo que a criança vive e que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, a traves da Historia, ou com outros povos a traves também da Historia, é o que faz o que sou. Um segundo assunto, é que esta racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada também, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm tido experiências diversificados, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na Historia do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula. Eis que tenho levado ao leitor ao longo de tempo, para trás e para frente, como a linguagem Internet permite, reiterando casos e a abrir lentamente as historias, em torno ao elo processual que Victoria, Pilar e Anabela, estruturam do processo racional da reprodução social. Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano prolongado para mim, porque os Picunche os conheci sempre, os de Vilatuxe faz trinta e cinco anos hoje, e os de Vila Ruiva, vinte e dois. E queira o leitor entender que somos poucos a estudar à criança como entidade humana que entende e aprende e não é um problema a resolver. Os adultos procuram que a criança seja um adulto em pequeno,

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Talvez seja miopia

(adão cruz - pormenor)

(Texto de Marcos Cruz)

Talvez seja miopia, ilude-me o coração.
A razão, que a pouco e pouco se esvazia, ainda me faz crer que eu nem com visão te via.
Dá-lhe jeito, ou não fosse ela a prisão de que fugiste e de que eu mesmo, a bem do peito, fugiria.
Se eu persisto na vigia é porque a ilusão não dorme e nada mais me concilia com a razão de ser da fome, sem a qual eu não vivia.
Assisto, cada dia, à erosão da forma, pensando que outra forma não haverá de chegar a ti.
Aí, se eu já não sentir, contentar-me-ei com a nossa ausência, eu e tu fora de tudo e de nós, mas nós.
Um lastro sumido entre o amor vazio e o único silêncio que, de viva voz, não fere o ouvido.
Um astro, um suspiro, um gemido.
A beleza em si.
Até lá não sou mais do que dúvida, mesmo se só respiro pela certeza de te querer aqui.
Tem sido essa a minha natureza, o ser e não ser de uma essência tesa, vincada, que por isso mesmo, e talvez por ti, nunca e sempre deu em nada.
Sou irmão gémeo dos sonhos que tenho.
Começo e acabo a meio.
Resta-me pensar que, no fim, me unirei a ti.
Daqui, olhando em vão, vejo que nada nos juntará, um dia.
Mas, desilude-me a razão, talvez seja miopia.

o crescimento das crianças – quando era (4ª parte)

Mapuche vestidos a rigor, como veste o clã Picunche en ías de festa

A-Victoria

Os Picunche eram denominados Promaucaes pelos conquistadores, no século XVI. Na altura que os Castelhanos foram ao país frio, o Chile dos Quechua. Promaucaes para os Quechua, esses habitantes do hoje Peru, esses inimigos imbatíveis, impossíveis de conquistar nas guerras índias (Villalobos, 1974; Lizana, 1909; Ovalle, 1646 Pedro de Valdivia, 1545-1542). Os purum auca, os inimigos imbatíveis para os habitantes do norte do sul do hoje continente americano. Os que dançam, para os Castellanos, os que se divertem, para quem fez uma enganada tradução mapudungun das palavras. Puru, feliz para os Mapuche e para os que Mapuche têm querido entender. Para os Mapuche Picunche, são pessoas do Norte, donde che é pessoa, e Picun, Norte. Habitantes do Norte. Do Norte do rio Choapa, que separa os lugares nos quais viviam (ver mapa das etnias na Net). Até Valdivia entregar as terras dos nativos, aos invasores,

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As melhores frases de José Sócrates (V)

Viram esta carrinha? chamem a polícia

É uma Mercedes Sprinter tem a matrícula 82-13-XH. Foi roubada, o que não seria notícia, mas já o é porque no seu interior estavam todos os instrumentos dos Xutos & Pontapés. Ora roubar os instrumentos aos Xutos, ou o acordeão a um cego, faz parte dos crimes de lesa-majestade em que não me metendo na parte jurídica sou muito solidário na sua recuperação (é suposto que o idiota que gamou nem sonhava com o que lá estava dentro).

Se a localizarem contactem com Roberto Ferreira: 919 192 405.

Já agora, e não resisto, alguém no Público anda a precisar de um mapa de Portugal. Os Xutos iam tocar, ontem a Montemor, sim senhor. Mas Montemaiores em Portugal temos dois: o Velho, e o Novo. Sim, há mundo a norte do Tejo, e estas tolices fazem-me pensar se ter decorado serras, rios e estações de caminho-de-ferro na instrução primária foi uma idiotice tão grande como ainda acho.

País Basco: será desta?

Não é a primeira vez que a ETA declara um cessar-fogo, o que gera compreensível desconfiança. Mas sendo a esperança a última a morrer, e a do povo basco tem resistido a tudo, na mais longa luta pela independência de um país europeu, espero que desta vez seja a valer.

Mesmo sabendo que os falangistas, seja sobre a forma de PP ou de outras mais folclóricas mas não menos herdeiras da mesma força opressora castelhanista (ou melhor dizendo nos dias de hoje, madrilista), precisam desesperadamente da ETA para a sua própria sobrevivência e tudo farão para sabotar um processo de paz, uma solução diplomática para o País Basco seria a melhor das notícias para a nossa península.

De vez em quando, já agora, convinha que os portugueses se lembrassem que somos o único povo que escapou à ocupação das monarquias castelhanas, mais por sorte que por juízo. No século da nossa República, uma solução à irlandesa para os nossos irmãos bascos era ouro sobre azul.

Gernikako Arbola, Hino Nacional do País Basco

Rentrée: à terceira é (possivelmente) de vez

rentrée

A rentrée, depois dos anteriores ensaios-resposta às rentrées dos outros. Com bolinhos e bolinhós para enfatizar o habitual enredo.

Dizem que o PSD deu um tiro nos pés com o voluntarismo da revisão constitucional. Terá facilitado a argumentação mas creio que não tenha sido assim tão decisivo para os discursos proferidos. Quanto a mim, se não tivesse sido esta  tagline, outro assunto acabaria por servir de suporte à tese "nós bons, eles maus". Porque no mundo dos sound bites não importa a relação com o real. Tal como nos romances históricos, basta uma ficção com pontes para algo que tenha ocorrido.

Para este ano temos a história do "João Sem-Medo", que vai apresentar um orçamento salvador do SNS, da educação e do Estado social. Um filme onde as cenas cortadas são as escolas fechadas, os centros de saúde fechados, a redução dos apoios sociais e a guerra sem quartel com os professores para conseguir cortes salariais.

O crescimento das crianças- 3ª parte (II) – Foste feito

cacique picunche, o rei de uma aldeia, hoje jornaleiro para sobreviver

Foste feito, eu existo. Como era.

Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocamos nas suas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?

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E entrada na discoteca com uma bebida

(…)para quem fosse ao comício de Matosinhos, o PS pagava a viagem, a alimentação (almoço, lanche, jantar) desse dia, dormida e para os jovens socialistas entrada na discoteca com uma bebida.

Conta-nos o  João Mineiro, coisas que se descobrem numa suecada. Ora perto de 10.000 almoços, lanches e jantares, mais os autocarros, é fazer as contas.

Por outro lado o local da rentrée (o último galicismo da política portuguesa) parece que não era o mais adequado.

Não ficava tudo muito mais barato com uma dúzia de figurantes multiplicados digitalmente? O choque tecnológico demora muito a chegar ao PS? Ou vai uma aposta em como a participação do aparelho do PS na candidatura presidencial que apoia vai ser mais virtual do que isso?

Cara-de-pau

Apesar de ter tentado encarar o discurso do Primeiro-Ministro, ontem em Matosinhos, com algum espírito, o certo é que o seu conteúdo evidencia uma enorme “lata”, pelo que não há temperança que resista.

Ao cabo de 5 anos e meio a chefiar dois governos que nos conduziram a uma situação que além de desgraçada parece  ser a curto prazo completamente insustentável, vem falar de responsabilidade. É preciso desplante. Sabe “Senhor Engenheiro”:

– Verdadeira responsabilidade é assumir a incompetência de um governo que conseguiu aumentar, monumentalmente, a despesa pública, agravar, substancialmente, o défice das contas públicas, empolar, avassaladoramente, a dívida externa, colocar o índice de desemprego em níveis calamitosos, transformar a nossa justiça numa caricatura, permitir ao nosso sistema de saúde ter resultados muito, mas mesmo muito abaixo do que custa e gasta, ter um ensino público que além de inadequado e pouco produtivo, transmite uma enorme sensação de insegurança a quem a ele tem de recorrer, etc., etc., etc..

– Verdadeira responsabilidade é não atirar areia para os olhos dos eleitores e falar de Portugal como se fosse um oásis e um paraíso quando os Portugueses sofrem na pele todos os dias essa mentira.

– Verdadeira responsabilidade é não apregoar um estado social que não existe. Verdadeira responsabilidade é não culpar os outros pelo seu provável fim, o que irá acontecer devido à sua própria inépcia. Verdadeira responsabilidade é não enganar as pessoas e agitar-lhes o fantasma que os outros querem acabar com esse estado social quando a única coisa que pretendem fazer é permitir-lhe a sobrevivência e de uma forma que realmente seja justa.

– Verdadeira responsabilidade é assumir que se foi e é incompetente e demitir-se para que outros, bem mais válidos, possam conduzir os destinos do nosso País e encetar o caminho da recuperação e do desenvolvimento.

Sabe, verdadeira responsabilidade seria perceber que, neste momento, o “Senhor Engenheiro” não faz parte da solução, mas sim do problema. Mais, o “Senhor Engenheiro” é o problema!

Laicidade avança em Lisboa

Nao posso senão dar as minhas mais vivas congratulações pela decisão tomada pela vereação  da CML no  sentido de abrir os Paços  do Concelho da Câmara e outras instalações de prestigio da cidade de Lisboa, para a realização de casamentos civis.
Quando  foi  aberta a possibilidade dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo  recordo ter avançado,entre Maio e Junho, com a ideia de que a CML devia ceder os seus espaços para a realização das cerimónias de casamentos civis a todos os cidadãos, por altura do 5 de Outubro, ou outras datas laicas, porque havia quem quisesse abrir polémica com os casamentos religiosos de Santo António,e eu pretendia evitá-la.
A CML foi agora  mais longe e fez bem!
Muito há ainda a fazer neste percurso, díficil, pela Igualdade e Laicidade, mas este passo foi na direcção certa.
Fico na expectativa de que outros passos também venham a ser dados durante o mandato desta equipa politica, tal como foram sufragados  e foi prometido nos documentos da campanha eleitoral que tive o gosto e o dever cívico de então apoiar a título pessoal.
Aproveito para sugerir, por ora publicamente, que nos cemitérios municipais se criem espaços neutros, utilizados por pessoas sem religião ou de outras que não a católica, os tanatórios, embora eu próprio seja católico.
Evidentemente, ainda há muitos outros passos a dar em termos de igualdade e diversidade na cidade de Lisboa, que neste caso serve de motor e modelo para o resto do país, e alguns são só simbólicos,sem custos para o erário. Mas até esses, por vezes justamente pelo seu valor simbólico, são mais custosos de arrancar.

Slogans

Só quando me enganei e não usei a cedilha é que percebi o nosso Primeiro Ministro:

a “FORCA DO PROGRESSO” é o nosso slogan!

AH! Estes jovens tão imaturos

Atão o nosso inginheiro tem feito um trabalho tão bom e vivemos num país em que tudo funciona tão bem (pelo menos segundo o que ele próprio apregoa, porque eu não consigo ver bem isso, mas, obviamente, que é porque tenho cataratas) e vem aquele rapaz mais novo e diz que isto não pode continuar? Tem a lata de dizer que só aprova o orçamento se o Governo quiser descer a despesa do Estado e se não subir os impostos? Atão sem subir impostos como é que se pagava a bestial governação do senhor inginheiro e as despesitas da administração? Só faltava dizer que também não podiam pedir uns cobres lá fora!

É, mesmo, preciso uma oposição madura. Uma oposição que não queira impor estas coisas sem sem sentido. Uma oposição que seja responsável e dê “roda livre” ao senhor inginheiro.

o crescimento das crianças – Tempo e ciclos (3.ª parte – I)

nativo Mapuche,Chile-Argentina, membro do clã Picunche, Chile

B- Tempo

 

Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962), todos eles mestres meus também-, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao saber personalizado, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso. Há já dois irmãos e uma irmã, bem mais velhos do que ela, quando ela aparece na História. Germanos, como em Antropologia denominam aos irmãos. Germanos, que já

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Tony Blair atacado em Dublin

Tony Blair atacado com sapatos e ovos em Dublin, quando apresentava a sua autobiografia, um livro intitulado ‘A Jorney’. Os manifestantes proferiram igualmente a acusação de “criminoso de guerra” e de ter “sangue nas mãos” – a imprensa diz que se trataram de insultos, mas, ao que certos jornalistas escrevem, deve-se reagir com a indiferença devida, seja pela desonestidade intelectual seja pela incapacidade de saber o que, realmente, escrevem.

Tony Blair fez parte do trio – Bush e Aznar foram os outros  – decisor do ataque e invasão do Iraque, durante um chá gentilmente servido, nos Açores, pelo mordomo Barroso.

Tal ocupação, ao contrário do que Obama afirmou 3.ª feira passada, ainda continua através da permanência de 50.000 soldados dos EUA até 2011, não obstante ter causado às tropas norte-americanas, sem contar com as restantes, cerca de 4.500 baixas e mais de 30.000 feridos. Por sua vez, e isto é o dado mais eloquente, estima-se um número indeterminado de mortos da população iraquiana – entre os 200.000 e os 600.000, não há certezas. Por outro lado, o país, devastado, continua a ser palco de miséria e sofrimento de milhões de seres humanos.

Comprovadamente, não existiam armas de destruição maciça e Saddam Hussein, alternativamente, poderia ter sido forçado a promover eleições e a institucionalização de um regime democrático, através de medidas e acções coordenadas pela ONU e sem a horrenda e despropositada violência utilizada.

Blair e os restantes, incluindo Barroso, são efectivamente “criminosos de guerra”, mas, como todos os bastardos, acabou por ter sorte. Nem um cabrão de um sapato, ou de um ovo, lhe acertou, ainda que fosse de raspão.

Espero bem que a FNAC, ou outra do género, não tenha a triste ideia de convidar Blair para vir a Lisboa – desculpem lá os do Porto – apresentar a merda do livro. Se tal suceder …

(Nota: Desde que publiquei no ‘Aventar’ este ‘post’ o meu PC é sucessivamente atacado e vejo-me nas “amarelas” para recuperar o acesso à Internet. Sucedeu novamente quando fiz o “link” neste texto. Coincidência fortuita?)

Novas Oportunidades para o Brasil, já!

Na sequência do meu post sobre os mineiros do Chile (subterrados, como diria a nossa RTP), um nosso leitor, brasileiro, que certamente chegou aqui ao engano, deixou o seguinte comentário:

auguem pode me fazer um artigo escrito para mim copiar e entregar para minha profi sobre os mineiros do chile?

Não, não pode. Trabalha, malandro. E se possível com um dicionário à frente. E uma gramática.

Moledo e o Fim do Verão

Moledo do Minho, simpático apeadeiro da Linha do Minho (também há estradas para lá). E o Monte Santa Tecla, Galiza.

O crescimento das crianças-1ª Parte

Indígena Mapuche, do clã Picunche, os meus anfitrióes, pensamento analisado por mim

DECLARACIÓN PÚBLICA COLEGIO DE ANTROPÓLOGOS

A cincuenta días de iniciada la huelga de hambre de los presos políticos mapuche en diversos centros carcelarios del sur de Chile, es poco lo que cabe agregar a lo ya dicho en pro de las legítimas demandas por ellos planteadas.

El asedio al pueblo mapuche vuelve a poner en evidencia la crueldad e inconsistencia con la que el estado chileno enfrenta a quienes están condenados a vivir una ciudadanía de segunda clase. Privados de los medios para la realización de su cultura son también privados de los derechos básicos para defender su dignidad. La legislación de excepción que se les aplica niega lo que por otro lado se les dice: la igualdad frente al resto de la ciudadanía. Se les trata, en cambio, como enemigos de guerra; se les fuerza a la extranjería no sólo por la discriminación que todos los días recae sobre mujeres y hombres de este pueblo sino también por la acción de fiscales y autoridades que les enjuician como si no fuesen personas en la integralidad de sus derechos. Es responsabilidad del estado, en el marco constitucional y de los convenios internacionales, el manejo democrático de los conflictos sociales y el uso proporcional de las medidas de persecución y represión criminal, respetando el derecho de las personas a un proceso judicial equitativo. Es por ello que el uso de la ley antiterrorista atenta contra el sistema democrático que pretende defender. [Read more…]

Ligo o piloto automático no programa esquecer

Portugal – 4 Chipre – 4.
Com os agradecimentos ao Dr. Laurentino Dias, ao Dr. Luis Horta e ao sr. Amândio de Carvalho.

Quando soa a meia noite
Começo a capotar
Há um monstro dentro de mim
Que eu procuro envenenar

Rezo a baco uma oração
Sinto o fígado a explodir
Em cada gole uma opção
Um desejo de virar

Com Whisky puro (Vodka-Vodka)
Sangria
Vinho maduro (Vodka-Vodka)
Bagaceira (Vodka-Vodka)
Gin Vómito
Seco Madeira (Vodka-Vodka)
Vodka-Vodka

Ligo o piloto automático
No programa esquecer
Dissolvido num luar
Até ao amanhecer

Ligo o piloto automático
No programa esquecer
Dissolvido num luar
Até ao amanhecer

Com Whisky puro (Vodka-Vodka)
Sangria
Vinho maduro (Vodka-Vodka)
Bagaceira (Vodka-Vodka)
Gin Vómito
Seco Madeira (Vodka-Vodka)
Vodka-Vodka