a greve virada do avesso

o povo apoia ao Presidente do Chile em 1972 contra a greve dos burgueses

Confesso ter sido grevista, mas de greves viradas do avesso. Não foi por acaso, como narro em outros textos meus, que organizei sindicatos quando morava no Chile, mais de 40 anos antes de este dia de greve em Portugal. Sindicatos rurais e industriais. Todos eles contra o patronato dos proprietários dos meios de produção que pagavam mal, as vezes esquecias esse pagamento, despediam a o seu amanho, contratavam à sua laia, o operariado para eles era apenas força de trabalho. Força de trabalho não como a definida por Karl Heinrich Pembroke Marx, essa que ele associava a mais-valia dos proprietários dos meios de produção. Era simplesmente força de trabalho, serviam para todo. A Revolução Francesa não tinha passado pela América Latina, ou, si passara, foi rapidamente esquecida. A liberdade de procurar meios de produção, não existia, porque esses meios eram raros e escassos. A fraternidade, apenas nas Missões que pessoas como os membros da minha família organizava para converter aos trabalhadores em servos obedientes e submissos à divindade, porém, ao patrão que, a olhos dos que nada tinham, era o seu representante na terra. Bem sei por ter participado em missões de católicos nas terras da nossa família, apenas que eu ia falando de forma diferente ao dos padres missionários, em presença deles. Referia como o trabalho era mal pago, como não havia leis de protecção aos trabalhadores, como a divindade não punia aos transgressores donos, mas sim aos que produziam mercadorias, mal paga e sem mais valia, que era para o patrão. Os sacerdotes católicos não entendiam esse o meu discurso,

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Escritores Latino Americanos, poucos Europeus-4ª Parte. E Barrios

Eduardo Barrios na sua juventude de trinta anos, 1914

Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Apenas se mencionam Pablo Neruda, Gabriela Mistral, e acabou. Infelizmente, diria eu Dentro de la terra mal podem – se sustentar com os seus livros, publicações e direitos de autor. É evidente que me refiro à época em que encontrar trabalho no Chile, era um duelo de Titãs. O se tinha fortuna pessoal ou famílias com terras que produziam bem e os bens vendidos como mercadoria não apenas sustentavam uma família, bem como para uma família alargada. Tem sido a minha experiência pessoal, usufruída enquanto no Chile morava. Mas com quarenta e cinco anos fora do país e sem mais herança que o meu ordenado, a vida tem mudado redondamente.

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Escritores latinoamericanos e poucos europeus-3ª parte. Pablo Neruda

Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, ele deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida. [1] Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La Chascona, feita para o agrado da mulher que amava, Matilde Urrutia e os seus encontros clandestinos. La Chascona, por causa do telhado de totora[2]. Nem pensar que, por poeta, falasse em verso, falava como todo ser humano nascido no centro Sul do Chile, engolindo as consonantes e um cantar típico que compassava as suas frases. [Read more…]

escritores latino-americanos e pouco europeus-2ª Parte

Isabel Allende visita Portugal no ano 2000, o nosso próximo Nobel...

Isabel Allende Llona (Lima, 2 de Agosto de 1942) é uma jornalista e escritora chilena (apesar de ter nascido em Lima, sua família logo voltou para o Chile, sua terra natal) actualmente radicada nos Estados Unidos da América.

Filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona. Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973). [Read more…]

Escritores latino-americanos e poucos europeus – 1ª parte

o recriador da escrita latinoamericana, Gabriel García Márquez, Prémio Nobel

Recebi um repto de um meu amigo sobre a literatura Universal. Perguntava quais eram os autores que eu gostava mais de entre todos os que alagam o campo das letras no nosso planeta. Respondi sem hesitar que os ingleses e os alemães. Como não vou comentar sobre nenhum deles, não é um ensaio, é apenas um depoimento. Se me apertam muito, eu diria que Victor Hugo –  Victor-Marie Hugo (Besançon, 26 de Fevereiro de 1802Paris, 22 de Maio de 1885) foi um escritor e poeta francês de grande actuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras. Livros que causaram o seu exílio às Ilhas de Jersey na Grã-Bretanha, por ser adepto à Comuna de París, o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante à invasão alemã.

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Sir John (Jack) Goody, pai fundador da Antropologia – 6

O meu antigo patrão em Cambridge, sempre de mau humor, armado Cavaleiro em 1984

Sir John (Jack) Rankine Goody, entrevistado por Erick Hobsbawm, 18 de Maio de 1991, entrevista filmada por Alan Macfarlane.  Houve outro livro de depoimentos de Jack Goody para Pierre-Emmanuel Dauzat, 1996: L´Homme, L’Écriture et la Mort, Les Belles Lettres, Paris

É esta a História que analisa Goody no seu texto citado, retirado das suas pesquisas dos anos 50 do Século XX. Há dois pontos importantes na sua análise – os assassinatos entre parentes para aceder ao poder, são apenas uma anedota. Os dois pontos chaves mencionados antes, são: se há luta, é porque esta antiga monarquia tem uma hierarquia dentro da qual está dividido o trabalho: os estados que têm chefes, os Muçulmanos, que têm os seus privilégios, o povo comum ou comuneiros que realizam o trabalho e devem entregarem ao grupo central da monarquia e aos seus delegados; os escravos que trabalham sem ordenado, e os estrangeiros, que são aceites desde que entreguem  coisas útil para os soberanos; e a hierarquia dos que mandam, entre os que se encontram os prelados ou chefes sagrados, como explica Goody nas páginas 142-146 do livro que me orienta, citado mais em baixo. [Read more…]

Sir Raymond Firth. Pai Fundador da Antropologia- 5

o nosso docente e colega Maori, Sir Raymond Firth, ainda a dar aulas aos seus 90 anos

Pretendíamos comemorar os seus 101, como fizemos com o seu pai, o Maori Wesley Firth, que faleceu aos 104 anos de idade…, mas deixou-nos um mês antes. Comemoramos com um serviço em memória dele. [Read more…]

paixão e amor revisitados – auto crítica e debate a dois

autocítica, sem remorsos e com convicção

texto derivado de um infeliz debate a dois

Pela manhã de hoje, 18 de Novembro, escrevi um texto para este sítio de debate: a paixão que mata o amor. Entendi fazer bem. Grande engano. O problema, entre outros, era essa última frase do texto: Eis porque digo que a paixão mata o amor, enquanto o amor arrebita a paixão. [Read more…]

a paixão que acaba em amor

a doçura da ternura que pode acabar em amor e paixão

…para à mulher que sabe que a amo…

Falar de amor, não é um assunto simples. Especialmente por existirem várias espécies de afectividade entre as pessoas de diversas gerações e de diversas idades. Nada simples, também pelas diversas hierarquias de sentimentos pelas que passa o verbo amar, especialmente se um casal vive junto através do tempo. Finalmente, é difícil, porque é um sentimento dentro do qual a adrenalina tem um papel importante na actividade de amar.

A palavra amar seria simples, se fosse uma análise sintáctica do conceito. No entanto, estamos a falar de sentimentos: sentir, imprimir, compelir, entregar todo o nosso ser pela pessoa que amamos. Freud definia amor, como um sentimento que existe para além do prazer de se entregar a outra pessoa, não tem dimensões, nem tempo nem cálculo, como analisa no seu livro, de 1920, a ideia de para além do princípio do prazer. Aliás, é a hipótese que intitula o livro. Normalmente, temos um ego que sai de si para se entregar a um outro ego, com a observação sistemática de um outro princípio que

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Herbert Spencer-Pai fundador da Antropologia-4

o sábio que soube juntar a biologia à sociologia e cunhou a frase a sobrevivência do mais apto

Texto retirado do meu livro O grupo doméstico ou a construção conjuntural da reprodução social, publicado aqui e aqui.

Herbert Spencer, filósofo e sociólogo dos mais notáveis da Inglaterra, nasceu em Derby (27 de Abril de 1820) e morreu em Brighton (8 de Dezembro de 1903).     Herbert Spencer (1820-1903) foi conhecido como um dos pioneiros do Darwinismo Social do Século XIX. Filósofo inglês, recusou a oferta de estudar na Universidade de Cambridge, ganhando mais saber de ensino superior por meio das suas próprias leituras. Como Darwinista Social, colaborou para que a teoria do evolucionismo fosse aceite pelo mundo social fundamentando essa a sua batalha através do seu ensino e dos seus livros O princípio evolutivo baseava-se na ideia de que todo mudava das formas mais simples as mais complexas.

Foi Herbert Spencer quem, de facto, cunhou a frase da sobrevivência do mais forte ou survival of the fittest, noção que desenhava ou indicava uma luta permanente entre as espécies. O resultado foi aplicar a ideia ao facto de que a espécie mais forte ganhava e se multiplicavam e as mais facas, desapareciam ou pereciam. A sua obra Synthetic Philosophy aplicou o processo evolutivo a todos os

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Sir Reginald Archibald Radcliffe-Brown- Pai fundador da Antropologia-3

Estou certo de já ter publicado sobre o Antropólogo funcionalista, que dá título a este texto. No entanto, nunca dentro da minha nova colecção Pais Fundadores da Antropologia, pelo que, vamos a isso.

Nikos PoulantzasGeorge Murdoch ,Kinglsey Davis, Wilbert Moore,  Jeffrey Alexander, G. A. Cohen, Herbert J. Gans e Pierre Bourdieu. Fonte: textos dos autores mencionados com as palavras da wikipédia, aqui.

É a metodologia usada por Radcliffe-Brown na recolha de dados para escrever os seus textos que passo a analisar. Metodologia que começou a utilizar na sua pesquisa entre os Ilhéus do arquipélago Andaman da Birmânia, entre 1906 e 1908, como estudante do fundo Anthony Wilkin em Etnologia da Universidade de Cambridge da Grã-Bretanha. Tendo como objectivo ser membro do Trinity College da Universidade, para se graduar em Etnologia, com a colaboração do então Doutor em Etnologia (anteriormente fora biólogo), Alfred Cort Haddon (1855-1940), leitor na Universidade de Cambridge e membro da Faculdade Christ’s College desde 1900, e de William Halse Rivers Rivers, da Faculdade St John’s College, English anthropologist, neurologist, ethnologist e psychiatrist, este antigo estudante de medicina converteu-se em Etnólogo, com formação em psicanálise. [Read more…]

Edward Westermarck – Pai Fundador da Antropologia-2

EDWARD WESTERMARK

HUMAN MARRIAGE ON THE HISTORY OF MANKIND , MacMillan Press, Londres, 1891

Este texto foi escrito como tese de doutoramento, em pleno apogeu do debate das ideias de Darwin e da evolução das espécies. Era também a época em que a psicologia começava a mudar: de ser uma simples análise da mente humana e do habitat ecológico onde essa mente morava, para a análise do que essa vizinhança social e emotiva, causava entre as pessoas que nem sempre estavam satisfeitas com as suas formas de vida e com as relações de vários outros seres humanos. O médico Sigmund Freud começara, em 1889, a entender que não era a ecologia social a que danava a mente humana, mas as pessoas danavam-se emotivamente ao querer obter o que parecia impossível, como analiso no meu texto de Abril de 2009: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade, e – book editado pelo Repositório do ISCTE e o Repositório Nacional, ligação ao do ISCTE-IUL: https://repositorio.iscte.pt/handle/10071/1459. Freud podia provar que a evolução da mente humana transcorre dentro de ela própria, por causa da descoordenação entre as tendências do instinto humano (Id). A realidade organizada da psique (ego), e a função crítica e moralizante do super ego reprimem o desorganizado Id, parte da estrutura da personalidade que contém dentro de si os impulsos básicos e desorganizados da personalidade ou o si próprio em que o inconsciente não consegue apaziguar os desejos do consciente que procura o que social e individualmente estava eticamente proibido pelo consciente, entidade social da mente. Ideias que usa Westermarck, como as de Darwin, no livro que lhe causara fama, mencionado antes, ao analisar o que é o elo da vida social, a sexualidade dos seres humanos e a procura da sua satisfação, No Capítulo I do livro I, Westermarck, começa com esta ideia: O Matrimónio normalmente é um conceito que designa uma instituição social….Por outras palavras, o Id que impulsiona o

Dieta Mediterrânica…

…e Gastronomia Francesa elevadas a Património Imaterial da Humanidade.

Finalmente uma notícia saborosa. Mas não só, a lista também ganhou algum salero.

Tomem lá umas receitinhas para comemorar e uma musiquinha que faz o pleno (Camaron e Tomatito em Paris e as bailarinas salerosas)

Sir Eward Burnett Tylor, pai fundador da Antropologia-1

pai de ciência antropológica, define em 1871 o conceito cultura

De entre os fundadores da Antropologia, é preciso salientar ao cientista que dá título a este texto e a obra que os fez famoso, ao definir o conceito mais usado pelos praticantes da nossa ciência, o de cultura. Conceito que não refere pessoas que saibam mais de ópera, leitura, ciência, não, é apenas uma definição de hábitos costumeiros para realizar as suas actividades, rituais, magia e definir a moral dos acontecimentos sobre a base das ideias referidas e analisadas neste texto. [Read more…]

May Malen's Diary-Chapter 9

This is the day when I was little

Once upon a time, as all stories must begin, I was born. My parents, Grannies and their husband were very anxious in the expatiation of seeing me. So were my cousins Tomas and Maira Rose, they wanted to have a cousin to play with. Their disillusion was big, as I was only a Carrot, with no name and used to sleep and sucks mother’s milk, and then I fell asleep again. My parents wanted a daughter and I was a girl for their satisfaction. They have already had a son, who takes care of us from eternity. I feel protected by him. Auntie Paula and Uncle Cristan, were also in the expectation of seeing me as soon as possible. However, as they are people of respect, they waited three months before going with their kids to have a family gathering around my coat, my baby bed. The only person who did not turned up was Abuelo, as Auntie [Read more…]

a infância da criança

toda criança pasa à adulto aió saber o que se espera dela

Se actualmente é difícil falar em crianças, a abordagem à temática fica mais complicada quando temos limitações do número de palavras. Mas, vamos a isso.

Dentro das várias definições de infância e criança usadas nos meus textos, há duas que me satisfazem. Criança, é um ser humano no início do seu desenvolvimento fisiológico e social que depende dos seus adultos na alimentação, nos sentimentos, no carinho, no vocabulário e no abrir da sua imaginação para entender como se desenvolve o mundo. Adultos que podem ser os pais, os tutores ou um conselho de família. Infância é a pessoa que nasce, cresce, aprende a vida intra social. Na cronologia da vida, essa criança passa a etapa da infância. Conceito que transcorre, idealmente, desde a nascença até à idade púbere, idade em que o indivíduo se torna fisiologicamente apto para a procriação de outros seres humanos. Atenção, referi reprodução fisiológica. Será que é adequado ter cromossomas só para reproduzir seres humanos? Em todos os meus textos tenho dito que isso não é suficiente. Aliás, a própria História assim parece provar. Uma palavra cheia de distinções na cronologia do tempo e conforme seja a hierarquia social. Criança, em consequência, não é um conceito biológico, é muito mais, é um conceito social. Motivo pelo qual o meu amigo e colega na cátedra do Collège de France em Paris, Pierre Bourdieu, o sábio dos sábios em ciências do homem, nunca quis estudar o pré púbere, como poucos de nós temos feito. Os cientistas, excepto os analistas clínicos,

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a criança abandonada

abandonada não apenas de comida, mas sim de carinho...

 Falar em crianças, é uma tarefa difícil. Pensamos que sabemos tudo sobre elas e tratamo-las como melhor nos parece, ou reparamos nada saber e mimamos um ser que toma vantagem da dor dos pais, que vivem arrependidos desse nada saber. Arrependimento reflectido nas suas caras e nos presentes oferecidos, na simpatia usada para matar a dor da falta de apreço do seu comportamento. Quando nada se sabe sobre criar filhos, a dor bate nos progenitores

O desconhecimento de como tomar conta de uma criança é uma maneira de a abandonar. No lado oposto, há os que pensam tudo saber, mandando nela como se fosse escrava: punem, corrigem, batem, e enviam-na para a solidão do quarto. Em sociedades patriarcais, como a nossa, onde é o elemento masculino do grupo doméstico, quem dá menos carinho, arremete mais sobre os seus filhos e pede-lhes contas, de manhã à noite. Sem nada, devem inventar, como tenho observado no meu trabalho de campo em várias aldeias e diferentes continentes. Especialmente se o dia se passou sem se fazer nada de produtivo aos olhos dos pais, ou se a produtividade desejada, vira jogo de berlindes, da macaca ou na exploração do mato com os seus camaradas.

Tenho narrado noutros textos, a existência de uma diferença entre menino e menina. Esta segunda pessoa tem o seu tempo todo ocupado. As sociedades patriarcais usam e abusam das senhoras desde novas: nos trabalhos na cozinha, no coser e

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levanta-te e anda, Portugal!

sítio em que se debate a injecção de pobreza para o bom povo português

Para os pais das crianças que hoje vivem a nova História de Portugal.

E que tentam ultrapassar a crise provocada por malfadada política

É A FRASE QUE REFERE O EVANGELISTA MATEUS, CONHECIDO ENTRE MEMBROS DA CULTURA CRISTÃ, NO SEU TEXTO DO SÉC. I, CAPÍTULO IX, VERSÍCULO 5. ERA UM PARALÍTICO, CUSTAVA-LHE A ANDAR E O SEU SENHOR JESUS, MANDA-O ANDAR.

Uma metáfora do que acontece hoje no nosso país.

E o paralítico da História, andou. Talvez, por não ser de Portugal…Ou, como diz esse outro Evangelista, João, no seu texto do mesmo Século, Capítulo XI, versículos 33 a 44, manda Lázaro sair do seu sepulcro, levantar-se e andar. Metáforas, senhor leitor, que nós, agnósticos, precisamos usar, quando um povo, definido pelo seu saber e práticas como cristão, apesar de a Constituição definir no seu Artigo 1, versão de 2001: Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária, se comporta de forma costumeira.

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a vida eterna prometida a Portugal

raio de luz que nos diverte mas não nos salva da pobreza prometida

Foi o que os nossos governantes nos prometeram. Tenho a impressão que é necessário refrescar-lhes a memória. O Orçamento de Estado, nunca mais é aprovado, a divida, muito provavelmente a ser comprada pela China, o FMI que um destes dias ainda nos invade a casa, um fundo europeu, que deve auxiliar tantos, sem conseguir entrar nos nossos cofres. Que tristeza! Não é apenas Portugal que está em crise financeira, é a União Europeia toda, que nem pode socorrer-se dos EUA, por estes também estarem a bordo da falência. Os cidadãos norte-americanos, os reis do mundo! O País Rei de toda a humanidade.

Mas, afinal a que cofres vão parar os lucros da mais-valia universal? Aos bolsos das pessoas a quem depositamos a nossa soberania, ou a negócios lucrativos dos mais ricos dos países em questão?

Não são os livros, nem as pinturas, nem as palavras: é a concepção de um caminho com ideias novas, para todos e de todos por igual. Como já estava prometido. Foi um excelente paradoxo da História, se Marcel Mauss e Émile Durkheim fossem socialistas mencheviques, como tenho referido (de Marcel Mauss) noutros textos, essa minoria a respeitar a luta de classes, a aceitar sermos humanos tal como definido em 1788 com base nas ideias de Babeuf. Paradoxo, porque analisavam, pensavam, entendiam e, seguidamente, emitiam o seu julgamento sobre um país falido, como a Rússia desses tempos. Se observassem os nossos países de hoje, rebelar-se-iam, como o

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o elefante ou o quebra-nozes para as crianças?

bailado escrito por Piotr Illich Tchaikowsky, entre Fevereiro de 1891 e Março de 1892

Tchaikovsky – Dança Russa (Ballet “Quebra-Nozes”) – Maestro Paulo de Tarso.

Para nossa neta Maira Rose, filha de Cristan van Emden e Paula (née Iturra)

Foi comentado neste sítio de debate no mês de Dezembro de 2009, que Natal era quando o marketing quiser. Comentário que me leva a pensar a relação dos adultos e das crianças. Essa relação, hoje, de distância e, antigamente, de larga intimidade, ambas com muito imaginário e certa afectividade. Imaginário, como é natural, que varia no tempo e no espaço. Como Pyotr Ilyich Thcaikosky e Gus van Sant. Como a água do óleo. Qual, a verdadeira? Qual, a conveniente? Qual, a da História? Não é o acaso que me leva a pensar no Elefante e no Quebra-nozes. [Read more…]

a escola do meu insucesso

a criança experimenta saber, mas sem sucesso, como pode-se ver nos seus pés descalços

…para Darlinda Moreira, antigamente a minha discípula e amiga….

Schubert – Death and the Maiden (part 1)

First part of 1st movement. The Alban Berg Quartet. Once again, please forgive me for the way I’ve had to split this.

Luís Souta denominou-a A escola da minha saudade, em 1995; Stephen Stoer e Helena Costa: A capacidade de nos surpreender, 1993; Luiza Cortesão: Escola, Sociedade, que relação? 1998; Luiza Cortesão e Stephen Stoer: Levantando a pedra, 1999; Ricardo Vieira: Entre a Escola e o Lar 1996; Telmo Caria: A cultura profissional dos professores, 1999; Ana Benavente: Do outro lado da escola, 1987. As várias denominações, que eu desejo definir neste texto, fazem-me omitir, obrigam-me a omitir, mandam-me não lembrar o que Darlinda Moreira diz da escola. Darlinda Moreira e eu debatemos, durante anos, qual a utilidade da escola para as crianças. Especialmente para crianças descendentes de pais, avôs, ou famílias, designadas por Paulo Freire, escolas oprimida, sem alfabetização, ou, como se diz hoje, sem literacia. Referem sem literacia, entre outros, Filipe Reis, 1997: Da antropologia da escrita à literacia, na Revista Educação, Sociedade e Culturas, trimestral, Afrontamento, Porto; António Firmino da

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lembranças de mãe

entró na eternidade nos seus 90 anos. O mei imaginário de filho mimado, a mantém sempre viva.

Para Flora Redondo de Iturra, no dia do seu 92º Aniversário.

http://www.youtube.com/results?search_query=beethoven+moonlight&aq=4

The Piano Sonata No. 14 in C♯ minor “Quasi una fantasia”, op. 27, No. 2, by Ludwig van Beethoven, popularly known as the Moonlight Sonata

Nós, adultos, esquecemos que a mãe é pessoa e vemo-la como processo. Além do carinho e emotividade que unem uma criança com a sua progenitora, existem, de forma igualmente importante, os diversos estágios que atravessa uma mulher que acaba no seu caminho de mãe. O primeiro, é ser mulher, até aos nossos dias, não se inventou um ser que a substitua na estrutura hormonal e na configuração biológica necessária para dar vida a um bebé, amá-lo e amamentá-lo. Muito menos, a invenção da leveza do ser que caracteriza a relação mãe/criança. Não consigo esquecer a frase de um amigo ao me confidenciar a tristeza que tinha pela sua mãe ter ficado inválida: não sei o que fazer…apenas consigo chorar. A minha resposta foi rápida e directa: o que o meu amigo chora não é a doença da sua mãe, o que chora é a falta do mimo embelezado dos carinhos dela. Doravante, será o contrário: é a mãe que vai precisar dos cuidados do filho! Ele, incapaz de devolver essa elegância de mimos que na sua infância, a sua mãe

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antropologia da criança

crianças Picunche, ornamentadas, estudadas por mim ao longo de anos

http://www.youtube.com/results?search_query=beethoven+fur+elise&aq=3

Beethoven – Fur elise

«Losotros haulamos dohs idiomas» (não é gralha, é a pronúncia da letra s, sempre aspirada, jamais falada. É a língua huasa).

1. É o que diz Marcelo Castro Morales, o puto de dez anos, uma das quinze crianças a quem a escola C 40 de Pencahue permite pesquisar, comigo, no frio Inverno chileno.

Falamos duas línguas, o castelhano e a huasa. Uma viva polémica se levanta, desenvolvida entre elas, dentro da pequena sala que nos cederam para os trabalhos. Trabalho, que leva o Director do Complejo Educacional de Pencahue (Escola C40 no jargão oficial) a interrogar-se sobre a sua natureza: ensinar o-não-sabe-o-quê desse estrangeiro, sábio Doutor, às 15 crianças escolhidas entre o melhor dos 1.600 estudantes do pré-primário à opção pré-universitária, da população de 9.000 habitantes dos seis sítios rurais e industriais que a comunidade chilena – picunche, clã da Nação Mapuche habita entre o Chile e a Argentina, território que se estende ao longo de 1.000 km2 de [Read more…]

afinal, os terroristas quem são?

Assembleia da República, sítio de griteria e acusações: todos responsáveis pelo desgoverno. Ai se Afonso Henriques fosse vivo!

Estes dias que vivemos, parecem-me estarem cheios de tristezas, injustiças e lágrimas, bem como de solidariedades, declarações, debate, uso da razão, uso das emoções. É um falar constante dos acontecimentos que sobre nós caem. Corpos mortos, corpos feridos, fuga do perigo, vida de terror. A resposta à pergunta do título podia ser simples: os que matam sem motivo ou sem motivo aparente provocam depressão a outros seres humanos. Se quisermos uma lista do terror sobre os seres humanos, basta-nos ler o jornal e ver que desde 2002 em Bali, até ao dia 7 de Julho deste ano, ocorreram oito actos denominados terroristas e, consequentemente, tivemos mortos, feridos, seres triste… um mundo dividido. [Read more…]

marx, durkheim e a teoria da infância

As crianças no devem ser punidas, devem ser ensinadas

Para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2001-2002, que me motivaram para a pesquisa destas ideias. Estou agradecido, mudaram os meus pensamentos…

Não é à infância de Marx e Durkheim que eu me refiro. Refiro-me ao que eles afirmaram sobre a infância: meu tema preferido.

Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim ter usado, conjuntamente com a sua equipa, o método do materialismo histórico para a análise da vida social. E, no entanto, no seu livro escrito em 1888, publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, editada em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, sob o título Essais sur la conception materialiste de l’histoire.

Que Durkheim saiba de infância, é um dado adquirido. Que Durkheim se baseie na obra da Marx, é desconhecido.

No seu livro, também póstumo de 1925, L’Education Morale, Durkheim diz que o filho de um filólogo não herda um único vocábulo. O que a criança recebe dos seus pais, são faculdades muito gerais (…), há uma considerável distância entre as [Read more…]

história sintética da República do Chile

símbolo de uma República certa e serena, que sabe o que quer e debate como deve ser

 

…retirado do capítulo 4 do meu livro o crescimento das crianças…

As crianças crescem á medida que a memória social impinge a memória individual, isto é, a criança é o resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo em que a criança vive e no que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, através da História, ou com outros povos através, também, da Historia, é o que faz o que eu sou.

A racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm experiências diversificadas, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na História do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula.

Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é um desafio interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano,

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história sintética da Galiza

bandeira da Galiza, ceibe e socialista

texto retirado do meu livro o crescimento das crianças, Profedições, 1998

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma bênção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueva, é Visigótica, é Castelhana, é Lusa, é Espanhola, é autónoma, como Estado parte do Estado Espanhol, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. Quando a dita autonomia permite que a língua galega seja também língua oficial, em conjunto com a Castelhana. E a lei Galega, não o Estatuto de Castelão (1931) nunca aprovado na II República que o meu amigo Ramón Pinheiro defendeu até a sua morte. Uma lei directa, própria, sempre subordinada a lei geral do Estado Espanhol e às leis específicas que o Estado central, assina como Yo, el Rey. Embora saibam Victoria e Pilar, ou não saibam, que a Monarquia Espanhola é comum para os dois Reinos, o do Chile até 1818, e o da Galiza até hoje. Porque a invasão Napoleónica a Espanha, alastra ao Rei Fernando VII ao seu cativeiro de Paris, onde muito bem fica, faz-se revoltar ao Reyno de Chile que aderia á Coroa e á pessoa do Rei, e causa o seu afastamento de dita Madre Pátria, porque já não há proprietário, o Monarca. O que serve para basear a Independência na hoje América Latina, o que serve para começar os levantamentos contra os direitos

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educar

para educar uma criança, é necessária a tribo inteira

Actividade que parece simples de pensar e usar e, no entanto, é a mais complexa das actividades que existem na interacção humana. Parece-me ser a transferência de saberes de uma a outra geração, gerações que não partilham a mesma cronologia pelo que em qualquer grupo social há os que ficam em casa, os que vão à escola ou universidade e os que vão trabalhar. Outra complexidade da acção educar, é que varia conforme as sociedades, as suas formas de comportamento ou culturas, conceito que defini, em 1974, como a orientação do comportamento conforme a lógica dessa cultura, ou seja, a religião. Não a prática da fé, mas sim a ética usada na relação entre as pessoas. [Read more…]

As doenças e a pedofilia

o pedófilo é doente como todos, mas doente social e patológico

Palavra definida pela negativa, como convém quando a substância é a dor. Provém da palavra latina dolentia: falta de saúde, ou dolentiae: dor.

Há vários tipos de doença com os quais lutamos imenso para sarar. Há as que saram e há as que matam, há as que nos acama, há as que, passado um tempo, recuperamos do referido mal. Historicamente, há as que eram incuráveis, como o cólico miserere hoje denominado apendicite ou inflamação do apêndice ileocecal. Doença que, até 1940, matava se não fosse operada ou subtraída do corpo antes de infectar os intestinos ou o peritoneu (membrana serosa que cobre as paredes do abdómen = Peritónio). Doença que, actualmente, é simples de curar e ocorre mais entre crianças que entre adultos. Se acontecer uma inflamação do peritónio, a penicilina G é um antibiótico natural derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum). Descoberta em 15 de Setembro de 1928, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming, está disponível como fármaco desde 1941, sendo o primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso. A apendicite não é, hoje em dia, uma doença que mate, excepto se não for tratada atempadamente por falta de recursos da família do doente, ou porque não se acredita na pessoa que diz sofrer essas dores. Há outras doenças, urgentes de tratar, que começaram a aparecer por meados do Século passado, como o Alzheimer e o vírus HIV, transmitido por via sexual ou sanguínea, caracterizada pela destruição ou pelo desaparecimento das reacçõesreações imunitárias do organismo (o agente da sida é o retro vírus HIV). A doença caracteriza-se pela destruição de uma [Read more…]