Costa concórdia

Apesar de tudo o que por aí se diz e se escreve, continuo na minha (ou enfim, na única possível): Costa is the man. Ou como escrevia Clara Ferreira Alves no sábado passado, «ou Costa ou nada». Nada não vinha mesmo nada a calhar. Nada seria verdadeiramente trágico para o povo, mais do mesmo maquilhado de consenso, ou seja, nada. Se é para eleger nada, prefiro o que temos, apesar do problema de representatividade que me aflige, do autoritarismo, do faz-de-conta sem retroactividade dos senhores doutores juizes do Constitucional, da falta da política (e tanto que precisamos dela para atenuar a desigualdade galopante), dos excessos da economia dos mercados planetários. Havendo Costa, farei então algo verdadeiramente inédito na minha vida de eleitora: votarei no PS, assim haja primárias (venham elas, onde é que é para ir? À junta de freguesia da minha residência?), ou a liderança do PS se resolva a contento dos interesses urgentíssimos do País antes de umas cada vez mais possíveis eleições antecipadas.

Obama, Draghi e a pobreza explosiva na Europa

Exclusão de Pobreza e Exclusão Social (% da população total, 2012)

pobreza_eurostat_5-12-2013

Tenho criticado o presidente Obama. A meu ver, relativamente a determinadas expectativas – acção decidida e exemplar contra os ‘paraísos fiscais’, por exemplo – o presidente norte-americano revelou-se mais do que ineficiente. Errou, ao integrar no governo Timothy Geithner (2009-2013), ex-CEO da poderosa e sinistra Goldman Sachs, e outras figuras hediondas que causaram a gravíssima crise financeira e social de dimensão global. [Read more…]

Papa Francisco e a economia mortífera

Sou agnóstico, opção, a meu ver, não impeditiva de manifestar apoio e concordância a posições políticas de religiosos – o Papa Francisco, no caso.

Nada me estorva, pois, na adesão às ideias de contestação do doloroso e injusto mundo em que vivemos, independentemente do credo ou doutrinas de quem as defende. Distancio-me de opiniões em outras matérias ditas ‘fracturantes’ – aborto, por exemplo – embora reconheça haver progressos em relação a antecessores.

Subscrevo, na íntegra, as críticas do Papa, expressas aqui, ao modelo económico universalmente dominante; críticas essas sintetizadas no 1.º parágrafo de notícia no ‘Público’:

 O Papa Francisco atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania” e advertiu que a desigualdade e a exclusão social “geram violência” no mundo e podem provocar “uma explosão”, na sua primeira exortação apostólica, divulgada nesta terça-feira pelo Vaticano.

[Read more…]

a (des)igualdade da criança

A heterogeneidade que vai sendo tempo de compreendermos e aceitarmos

O estatuto socio-económico dos pais é determinante no incremento da (des)igualdade fisiológica das crianças denominadas de educação integrada ou especial.

Parece-me evidente que, ao falarmos em criança, estamos a pensar num ser humano novo, rechonchudo, de riso aberto, olhos azuis, cabelo encaracolado, impossível de atingir na sua rápida corrida. Ou, num pequeno que adora esconder-se dos adultos, ouve histórias lidas à noite, sabe contar contos e é espontâneo a colocar os seus braços em redor do nosso pescoço. Ou nessa pequena menina que brinca a ser mãe e canta às suas bonecas, as suas preferidas canções de embalar.
O mundo ideal, de tipo Huxley. Raramente, a verdade. Ou, por outra, verdade que atribuímos mas não concerteza com o mundo material.

[Read more…]

Seja um empreendedor Dr. Mexia!

Se é justo porque será que nós portugueses pagamos a electicidade mais cara da Europa?

É que a empresa que dirige é um monopólio, ou perto disso, faz o que quer e sobra-lhe tempo. Nestas condições, o que se esperava, é que o preço da electricidade baixasse, ao menos para o nível  das suas congéneres europeias já que cá em Portugal não tem com quem se comparar.

Mas mesmo que a EDP fosse um caso exemplar a que título é que ganha 8 000 euros à hora e não ganha 10 000? Ou vinte mil? Ou 5 mil ? ou  mil? O seu vencimento foi -lhe atribuído porque quem lho pode atribuir ganha muito mais do que ganharia se estivesse num mercado competitivo, concorrêncial e onde não convivesse com todas as mordomias que o estado concede à sua empresa.

Mas há uma maneira honesta e séria de saber se ganha ou não um vencimento justo. Saia da empresa e permita que o seu sucessor transforme aquela empresa de categoria mundial, numa empresa de vão de escada. Já viu o que seria todo um povo a pedir-lhe para voltar?

E, entretanto, vá para um país a sério, que não tenha 2 milhões de pobres, um país onde as regras são iguais para todos, onde a sua empresa pode falir ou pode mudar de mãos mais rapidamente do que o tempo que demora a contar o dinheiro ao fim do mês. Enfim, um país que não seja o mais injusto da UE, onde a diferença entre o que ganha e o que ganham milhões de outros seres humanos, não seja a maior de todas.

Ou então, Dr. Mexia, em vez de se deitar numa cama feita por muitos antes de si, tenha uma ideia inovadora, arranque com uma empresa do zero, detecte um produto ou um serviço de que ninguem se lembrou, arranje mercado, resolva os problemas técnicos, durma mal porque tem que pagar aos fornecedores, enfim seja um empreendedor. É uma pena que um homem com as suas capacidades que merece ganhar um vencimento obsceno, se perca numa empresa que qualquer um é capaz de gerir.

Vá para fora, Dr. Mexia ! A glória, espera-o !

O pensamento político de Fernando Nobre!


Já é conhecido este discurso no lll Congresso Nacional dos Economistas, na Madeira, mas nessa altura o Presidente da AMI ainda não era candidato à Presidência da República, pelo que faz todo o sentido dá-lo à estampa aqui no Aventar. Se é verdade que uma parte da plateia o ovacionou de pé outra houve, constituída por jovens “turcos”, que tentou ridicularizar o que eles acharam ser conversa demagógica. Para esta gente a pobreza dos mais fracos é demagogia, como é demagogia verberar os vencimentos  milionários de boys e girls!

Dr. Fernando Nobre
“Temos 40% de pobres”
III Congresso Nacional de Economistas

O presidente da AMI, Fernando Nobre, criticou hoje a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Nobre considerou “completamente intolerável” que exista quem viva “com pensões de 300 ou menos euros por mês”, e questionou toda a plateia se “acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?
Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar “que exista quem viva com 450 euros por mês”, apontando que se sente envergonhado com “as nossas reformas”.
“Os números dizem 18% de pobres… Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforma e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha…” disse ainda.
“Quando oiço o patronato a dizer que o salário mínimo não pode subir…. algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes… e com razão”, salientou Fernando Nobre.

O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que “pensem mais do que dois minutos em tudo isto”. Para Fernando Nobre “não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma”, criticou, garantindo que a sociedade “não vai aceitar que tudo fique na mesma”.
No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. “Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado”, citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: “Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais“.
Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que “acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros quanto outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros… Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis”.

A desigualdade é motivadora

Daqui:

Se juntarmos às condições anunciadas no texto linkado acima, mais o seguinte:

Existência de elevador social, possível ascenção social

temos as condições necessárias para que a desigualdade seja um factor de desenvolvimento. Não podemos esquecer que mesmo com as mesmas condições básicas, os patamares a que chegamos são desiguais, não só porque todos somos diferentes, mas tambem porque podemos tomar opções de vida diferentes.

É tão lícito, optar por uma vida que dê muito dinheiro, como optar por uma vida que dê tempo para estar com os filhos, ou para ter tempo para ler ou para viajar. Não podemos é fazer a comparação entre, somente, a propriedade e a fortuna que se adquiriu.

Ora, é a sociedade Liberal que permite que de cada um se tire o melhor para o bem comum, que permite que cada um participe com as suas capacidades únicas, deixando o Homem realizar-se na sua plenitude.

O contrário disto é o igualitarismo, que quer à força que as pessoas sejam iguais, que não há diferenças e diferentes capacidades. Desta forma, há um continuo nivelar por baixo, abafar as capacidades individuais que marcam a diferença e, com ela, a capacidade de a sociedade se renovar e atingir patamares que de outra forma, nos estariam interditos. Na ciência, na saúde, na política, no social…

Não há é nenhum sistema que transforme o Homem num ser generoso e capaz de partilhar, de se interessar pelos outros, de olhar para quem não pode ou não quer chegar aos mesmos patamares, sem preconceitos.

Haver desigualdades, verificadas aquelas condições, não é imoral nem atentatório da dignidade das pessoas.

Moderno

Ora cá está mais um exemplo de como o problema deste país são as pessoas que trabalham.

É mais uma vez a Modernidade em pleno.