Dar aos bancos é emprestar e adeus

Os bancos portugueses estão a liderar as maiores subidas no PSI 20, no dia em que foi conhecido que 12 mil milhões de euros do pacote acordado entre o Governo e a ‘troika’ serão destinados ao setor bancário. Visão

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O presidente do BPI, Fernando Ulrich, defendeu que o acordo entre o Governo e a ‘troika’ é um “final feliz”, realçando que “é muito melhor do que o PEC IV por ser mais completo, podendo ajudar ao crescimento” da economia. I

E para quem precisar de um desenho, uma leitura recomendada.

3 décadas, 3 x bancarrota, 3 x FMI

Além do rasgar de toda a mentirosa  propaganda impingida ao longo de tantos anos – duas gerações de incompetência do PS, PSD e CDS, PC e BE à parte, porque ensimesmam-se num regime de Apatheid – e já conhecido o pretenso “acordo” que nos espera e que há muito tempo o país espera, apenas há para recordar, a impiedosa resposta de um dos três Regentes, quando questionado acerca da “necessária” assinatura do Presidente da República, lapidarmente respondeu:

 – “Temos o acordo e o compromisso das principais forças políticas partidárias”.

 Ficou assim bem visível a inutilidade do regime imposto em 1910.

Os juros com o acordo da troika

juros com o acordo da troika

Por teimar em não pedir ajuda externa, Sócrates andou a enterrar-nos durante toda a legislatura. Muito obrigado.

Tá tudo parvo no PSD?

Se o tal de acordo com o FMI & Cia é o PEC IV, como asseguram Sócrates e assessores, expliquem-me muito bem explicadinho porque não anda o PSD aos pulos a gabar-se de ter votado contra?

É que se o castigo é o mesmo, os juros do FMI são mais baixos do que os “mercados” andavam a exigir. Ou seja: pagam os mesmos, os bancos em particular o BES sacam o mesmo, mas fica um bocadito mais barato.

Isto digo eu, que não percebo nada de finanças nem tenho nada a ver com os galhardetes entre partidos que vão a jogo com o mesmo programa. Mas tanta incompetência, mesmo nos meus adversários políticos, já irrita.

Memorando da Troika – Em Português

AVISO!

Foi apresentado no dia 3 de Maio um Memorando de Entendimento. Esta versão foi aprovada pelo PSD e pelo CDS-PP e corresponde à tradução feita pelo Aventar que se pode ler mais abaixo.

No entanto, no dia 17 de Maio, o governo assinou outro Memorando de Entendimento, diferente do anterior. Notar que o governo não achou necessário informar os portugueses nem sequer os próprios partidos signatários da versão do dia 3 e que muito provavelmente terão de ser eles a cumprir este “programa de governo”.

Pode consultar a versão do dia 17 em:

A seguir tem a versão do dia 3. É importante estar atento às diferenças, são muitas e importantes.

 


 

Esta é uma leitura obrigatória para qualquer português que se preocupe minimamente com o que o rodeia e com o que vai acontecer nos próximos 3 anos em Portugal.

Se ler este documento vai verificar que as instruções do CE, BCE e FMI são muito mais profundas e abrangentes do que à primeira vista possa parecer.

Para ajudar à navegação, lembrar que dos documentos da Troika, constam três memorandos:

  • Memorandum of understanding on specific economic policy conditionality (MoU) – foi o trabalho que traduzimos em primeiro lugar aqui no Aventar e que pode ler neste post – foi enviado ao BCE e à CE;
  • Memorandum of Economic and Financial Policies (MEFP) – este memorando foi enviado ao FMI;
  • Technical Memorandum of Understanding (TMU) – este documento não está ainda disponível em Português, pode-se consultar em: 20110517-TMU-en.pdf (PDF 129 kB)
    Este documento não tem tanto interesse como os dois anteriores dado que o conteúdo é quase todo composto de definições e preceitos usados pela Troika.

 


 

Revisão de: 2011-05-21 1:06

Índice:

Preâmbulo

1. Política orçamental
2. Regulação e supervisão do sector financeiro
3. Medidas Fiscais Estruturais
4. Educação e formação
5. Mercados de bens e serviços
6. Mercado habitacional
7. Condições de enquadramento
8. Concorrência, compras públicas e ambiente de negócios

A. Créditos

 


 

Formatos para download:

Disponibilizamos este documento em formato PDF:

Também temos em formato ePub (este formato é apropriado para os leitores de livros electrónicos e para alguns “smart phones”):


NOTAS:

  1. Este trabalho foi feito com todo o cuidado e beneficiou das correcções e sugestões de inúmeros leitores, no entanto poderão haver sempre gralhas e erros. Assim pedimos aos nossos leitores para nos alertarem sobre quaisquer tipos de erros que possam encontrar.Podem deixar comentários, ou então escrever para aventar.blogue@gmail.com;
  2. Pode consultar uma cópia do original em inglês aqui (PDF – 200.4kB);
  3. Tentámos seguir as convenções utilizadas no documento original, a maior diferença é termos reservado o uso dos parênteses rectos para as notas de tradução;
  4. O uso de 1T, 2T, etc, é abreviação de primeiro trimestre, segundo trimestre, etc;
  5. ME é abreviação de milhões de euros.

 
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Vai anunciar que se vai demitir…

ups, isso já ele fez.

 

o pecador calimero

(imagem republicada)

Nos bastidores da apresentação do programa do PS

Momento em que os autores se preparam para entregar o programa do PS, depois apresentado por José Sócrates. Vai ali, no dossier amarelo. No carro estava um outro, laranja, cuja entrega está mais complicada.

Enquanto Sócrates inventou outro programa de improviso, mentindo como em todos os anteriores, Passos Coelho ainda hesita, muito aconselhado a ler mesmo os papéis que estes senhores lhe vão entregar.

Estes homens gostam do seu trabalho, fazer os programas de 3 partidos numas eleições tem, antes ou depois, sido o que já fizeram na Grécia e na Irlanda, e costumam comemorar na noite das eleições. Telefonam-se uns aos outros, e soltam alguns gracejos entre si, como fazem as hienas ao luar.

As perversas receitas da troika

Ainda recentemente,  9 de Abril, Stiglitz escrevia aqui o seguinte:

Com efeito, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) estão exigindo por norma a trabalhadores irlandeses e aos cidadãos a suportar o fardo de erros que foram cometidos pelos mercados financeiros internacionais. Mas é importante reconhecer que estes erros sejam, pelo menos em parte, atribuíveis à sequência da desregulamentação e das políticas de liberalização que foram defendidas pelo FMI e pelo BCE e que estas políticas proporcionaram benefícios significativos para o sector financeiro.

Sem esquecer, deixemos, por instantes, as cedências à direita de Sócrates (código do trabalho, isenção de tributação fiscal de mais-valias avultadas e privatizações em sectores estratégicos), assim como as propostas neoliberais de Coelho (redução ao mínimo do Estado Social). Olhemos o longíquo horizonte, do mundo e dos poderes dominantes. Só por incapacidade visual ou falsa fé, é concebível aceitar que este género de receitas, também divulgadas aqui (embora rapidamente desmentidas desta forma: Governo
diz que FMI não propôs trocar subsídios por certificados
),  não são sejam perversas e duras para a economia portuguesa.

Talvez fosse escusado salientar que os significativos efeitos da quebra de rendimentos do funcionalismo público, mediante a conversão do pagamento de Subsídios de Natal e de Férias em  certificados de aforro ou títulos do tesouro, se repercutirão muito negativamente no consumo privado. Com a inevitável intensificação de falências no comércio e pequena indústria, bem como a consequente quebra de receitas do Estado em  encargos sociais, impostos directos e indirectos.

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Uma reunião que não aconteceu, nem podia ter acontecido

O movimento Mayday tinha anunciado uma reunião com a família Soprano. A bota não batia com a perdigota. Agora está tudo explicado, demonstrando que a ironia é uma arma:

O MayDay Lisboa foi convocado pela troika que está em Portugal para conversações sobre a precariedade laboral, pelo que nos apresentámos esta manhã com uma pequena comissão de representantes do movimento.

O MayDay Lisboa ficou bastante surpreendido com a atitude da troika em relação às questões laborais, tendo havido um reconhecimento por parte da mesma que a injustiça a nível do trabalho se reflecte directamente na vida das pessoas.

Assim sendo a troika garantiu ao MayDay que vai encetar uma luta dura ao trabalho ilegal e precário, especialmente sob a forma dos falsos recibos verdes, contratos temporários contínuos e estágios não remunerados. [Read more…]

Um Pilatozinhos de trazer por casa

No programa A torto e a Direito, um dos temas consistiu na clamorosa total falta de ética da maioria dos agentes políticos deste regime na sua fase derradeira.  Discutia-se a indecência e baixeza que se foi instalando nos últimos anos, aliás visivelmente despoletada pela starlet Joana Amaral Dias, quando em 2009, decidiu divulgar a recusa a um convite feito pelo PS. De Amaral Dias passou-se para o processo autofágico do PSD, onde pontificam excelsas cavidades cranianas como Capuchos, Mendes e outros liliputianos sacholadores desta leira de misérias.

 O convidado de hoje foi Rosado Fernandes – disse que …”não sou monárquico mas já não sou republicano” – e como conhecedor de um passado ainda bastante recente, traçou similitudes entre a actual situação e o período da crise final do reinado de D. Carlos. Para além de referir a estatura política e humana do monarca, discorreu de forma muito perceptível acerca dos ensimesmamentos dos principais Partidos do regime de então. Estranhamente paralelos ao PSD e ao PS, o Partido Regenerador e o Partido Progressista enveredaram por uma espiral de teimosias, ódios pessoaais e destilar de venenos que foram fatais ao sistema constitucional. O homem honesto e que gostava de mandar, era Franco. D. Carlos era o Rei. Sabe-se o que depois sucedeu.

 Comparemos as personagens presentes no palco da nossa desgraçada política de 2011 e vejamos a diferença. Se as superestruturas do PSD e do PS fazem jus aos seus antepassados Regeneradores e Progressistas, a verdade é que hoje e por suprema desgraça, já não existe qualquer João Franco à disposição de um país faminto de decisão, lisura e competência. Muito menos ainda existirá na chefia do Estado, alguém  que mesmo através da imaginação de uma realidade paralela, seja sequer um mísero sucedâneo de Carlos I de Bragança. Até um escrupuloso neutral como D. Luís I, faria melhor e seria mais respeitado que qualquer oculto chefe de dissidências partidárias e em funções pretensamente salomónicas. Em fim de Páscoa, sabemos quem é o nosso Pilatos, também este, um subalterno governador regional de um certo Império na forja.

Facebook de Sócrates assaltado

facebook leaks

A ajuda internacional

O internacionalismo monetário chegou, ganhou:

O FMI teve lucros em quatro dos últimos seis anos fiscais – entre 2005 e 2010 – e já reviu em alta de 63 por cento as previsões de resultados operacionais para este ano, graças aos empréstimos aos países europeus em dificuldades. Expresso

e os banqueiros vão à sopa dos pobres:

O Governo prepara-se para formalizar a constituição de um fundo de contingência para garantir a capitalização dos bancos portugueses. O objectivo, apurou o Negócios, é criar garantias que assegurem o sucesso nos testes de stress europeus, cujos resultados serão conhecidos em Junho. Jornal de Negócios

A esta última notícia roubo (também tenho direito a roubar qualquer coisinha) um comentário assinado Olisipone. Com algumas reservas, mas merece:

QUAL BANCA PRIVADA??? Para começar, se eles não têm dinheiro para respeitar os critérios de Basileia III, isso significa logo à partida que não têm nem 8% de capital!!! Depois, se como disse aqui há tempo o Min. das Finanças, com o novo imposto sobre os Passivos da Banca o Estado contava ter uma receita de 170 milhões, aplicando uma taxa de 0,00015%, isso significa que os Passivos são de 113,3 mil milhões!!! E em terceiro lugar, a Banca portuguesa tinha no mês passado 39 mil milhões emprestados pelo BCE!!! Ou seja, são apenas agiotas que cobram juros emprestando dinheiro que não é deles.

E quanto ao título desta notícia, “Estado-accionista de Bancos privados”, é um total absurdo que sequer se pense em tal solução. Eles devem é ser todos nacionalizados, até porque mais de 10% da Dívida Pública está nas mãos dos Bancos portugueses, que cobram ao Estado 5 a 9% de juros sobre o dinheiro que o BCE lhes emprestou a 1%!!!

A nacionalização permitiria logo anular esta fatia da Dívida. E ainda lhes vão emprestar mais dinheiro??? Ou comprar-lhes acções emitidas na hora e que não valem um tostão furado???

O que se passa com Soares?

Mário Soares, inegável raposa velha, não dando ponto sem nó, lançou no panorama político estas pérolas, numa entrevista ao jornal i:

Se é possível atribuir culpas, de quem foi a culpa de termos chegado aqui, à necessidade de pedir um empréstimo ao FMI outra vez?

Para responder com isenção a essa pergunta, dir-lhe-ei que as culpas são repartidas. Não interessa nada agora afirmar que as culpas são de uns ou de outros. (…)

Porque é que Sócrates e Passos Coelho não se entendem?

(…) Custa-me a compreender isso. (…) É verdade, acho que [Passos Coelho] é uma pessoa com quem se pode falar e acho que é necessário falar com ele e, se possível, chegar a acordo (…).

A ideia de pedir um compromisso aos partidos foi sua?
Não, a ideia foi de várias pessoas. Reuniram-se espontaneamente porque estavam ansiosas quanto ao que podia acontecer. Naquele dia, de quarta para quinta-feira, em que chegou a temer-se que houvesse uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro, as pessoas começaram a ficar aflitas, os banqueiros em primeiro lugar, mas não só, as pessoas mais variadas, de todas as condições e de todos os partidos. Houve então uma meia dúzia de pessoas que se puseram de acordo para fazer um apelo aos responsáveis dos partidos, para se entenderem entre si, sem se injuriarem nem atribuir reciprocamente as culpas. (…)

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E você, “negociava” com estes gajos?

E os banqueiros, pá?

Continuam as  negociações com o FMI & filiais. Até gente decente se tem prestado ao papel ridículo de participar numa coisa que não existe – o FMI não negoceia: empresta, manda e lucra. Hoje foi a vez do patrão dos patrões aproveitar para se queixar de uma tolerância de ponto, como o ridículo não mata, o homem continua de boa saúde.  Supomos que deve ter aproveitado para pedir por todos os santinhos que não obriguem os seus filiados a pagar impostos (convém lembrar que pelo número de empresas que declaram não terem lucros Portugal não está em crise, é a própria crise).
Não há é notícias de os senhores que mandaram chamar o FMI terem sido recebidos pelos negociadores. Convém lembrar que o FMI foi chamado porque os bancos portugueses se recusaram a emprestar mais dinheiro ao estado que os alimenta, recordar que instrumentos como os certificados de aforro foram destruídos por este governo para não concorrerem com a banca e  já agora que o problema não é a dívida pública mas sim a privada, que estes cavalheiros  foram estimulando ao longo de anos. Eles sim, têm muito que negociar, e aposto que serão ouvidos. O resto tem tanto de farsa como de mentira.

Falar com agiotas? Nunca!

O BE e o PCP resolveram não brincar. Patrioticamente, não falam com agiotas, tal como miúdos que fazem uma birra. Dizem que só faz falta que está e acrescento que não vejo em que medida podem os interesses dos portugueses virem a ser defendidos por quem decide colocar-se de fora. Eu sei que o cheiro a eleições manda mais forte do que a racionalidade mas, neste caso, nem me parece que estes partidos venham a facturar votos com esta atitude. Demissionários já temos que baste.

Há gente que é de esquerda e não sabe

Paulo Ferreira, no seu texto de hoje, não perde a oportunidade para dar uma bicada nos partidos de esquerda, elogiando-os por se terem posto à margem da negociação com o FMI: “Merecem um sincero agradecimento. O país não tem tempo a perder – e discutir com eles é, na verdade, uma perda de tempo…”

No resto do texto, descontando a ideia de que o FMI é inevitável, Paulo Ferreira transforma-se em alguém com quem discutir será “uma perda de tempo”, chamando a atenção, imagine-se!, para os impactos negativos que as condições do empréstimo poderão ter sobre os sectores público e privado, sendo, portanto, necessário adoptar uma atitude firme. Pelo meio, ainda critica os dois maiores partidos, voltando a perder tempo.

No final do texto, Paulo Ferreira chega a ficar perigosamente parecido com um bloquista ou um comunista, ao reconhecer o seguinte: “Já sabemos de ciência certa que as loucuras dos nossos Governos e a montanha-russa das finanças e dos mercados internacionais nos roubaram, pelo menos, duas décadas de desenvolvimento sustentado e sustentável.”

Esperemos que Paulo Ferreira não releia o que escreveu: ainda pode ter a necessidade de tomar um anti-histamínico forte.

O CDS já foi negociar com o FMI

“Ainda que a margem de manobra seja pequena, tem de ser resguardada essa escolha soberana do povo português”

diz Paulo Portas, depois de uma delegação do CDS ter ido levantar a patinha ao FMI & filiais. A escolha soberana do povo português é uma belíssima frase, sobretudo se resguardada. O aviso de que vai contar tudo o que negociar a PS e PSD aproxima-se do hilariante. Durante os próximos dias CDS, PSD e PS continuarão a fingir que negoceiam, tipo condenado à morte discutindo com os carcereiros se a sua última refeição será de carne, peixe, ou simplesmente vegetariana.

Não sei o que diria o jornalista homónimo sobre estas coisas, mas gostava imeeeenso de saber, pecebe?:

Vídeo via Klepsýdra

Reúnam com os vossos animais de estimação

O FMI (& filiais) andou hoje de manhã a telefonar para os partidos. Queriam uma reunião sem precisar “a composição dessa delegação”, “nem o tempo atribuído à reunião, nem mesmo a sua agenda detalhada”.

Bloco de Esquerda e PCP mandaram-nos passear. Outros terão muito a latir perante o dono. Por estas e por outras é que votar PS, PSD ou CDS vai dar ao mesmo. Mal por mal, agora até temos um partido que defende os verdadeiros animais irracionais.

Primeiro contacto técnico do FMI

Por divergências óbvias, não sou exactamente um fiel leitor do Ferreira Fernandes, embora lhe reconheça o talento para a crónica. Neste caso foi o talento, foi a pontaria, tudo no alvo,  e aqui a copipasto:

Hotel Tivoli? Daqui, do aeroporto, é um tiro… Então o amigo é o camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe? E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares. Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile… O nome da ponte? Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel. Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso. Já tivemos um FMI, sabe? Chamava-se Salazar. Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito… Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém. É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse comigo era tudo prà rua. Gente nova é qu’a gente precisa. O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar. A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes. A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro… Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse. O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho.

Troika

troika
(palavra russa)
s. f.
Ver tróica!.

tróica
(russo troika)
s. f.
1. Carruagem ou grande trenó russo, puxado por três cavalos.
2. Conjunto de três pessoas ou entidades, geralmente com uma finalidade política.

Os mestres da propaganda introduziram este termo no panorama mediática para se referirem à vinda do FMI para tratar das contas portuguesas. É por isso relevante ir à raiz da palavra para percebermos o respectivo significado. «Conjunto de três pessoas ou entidades, geralmente com uma finalidade política». Está vista qual é a abordagem política para aqueles que cá vêm resolver o problema de anos a fio a gastar mais do que se tinha. É tudo uma questão política. Está registado.

Finlândia, a inspiração para Sócrates

Como certamente se recordarão, a Finlândia foi até há dias o modelo socrático para tudo e mais alguma coisa.

Esqueceram-se estes copiadores de soluções dos outros que em Portugal vivem os portugueses e que na Finlândia vivem os finlandeses. Como agora ficou bem claro, quando quase metade dos finlandeses se está nas tintas por ter sido o modelo de Sócrates.

Os troca-tintas e a troika-tintas

Em adição aos troca-tintas internos – por culpa de alguns destes, diga-se –  outros de fora vêm ao nosso encontro com idêntico ímpeto. É o caso, por exemplo,  de Olli Rhen, comissário europeu, e de Dominique Strauss-Khan, director-geral do FMI, ao pronunciarem-se sobre a ‘ajuda externa a Portugal’. Quase em simultâneo, Rhen afirma: “Apoio deve estar concluído nas próximas semanas””; Strauss-Khan, por sua vez, garante: “Não vai ser rápido, nem fácil”.

Afinal em que  ficamos? A pergunta é legítima.  Talvez fosse útil esclarecer junto do terceiro comandante da troika, o Sr. Trichet do BCE. Ou talvez não; correríamos o risco de levar com uma resposta do tipo: “Não vai ser lento nem rápido, nem fácil, nem concluído”.

Quanto aos homens de terreno da troika, lá andam por Lisboa. A ver documentos, contas e broncas  armazenados em computadores. Que se saiba, já chegaram à brilhante conclusão de que as casas em Portugal devem ficar mais caras, porque 76% dos portugueses vivem em casa própria. Como não tivemos bolha imobiliária – por enquanto – há que providenciar o seu enchimento artificial e promover o mercado de arrendamento. [Read more…]

Podemos ir para default (bancarrota) e islandarmos-nos?

Três economistas convidados pelo Expresso respondem a algumas questões, incluindo se irmos para bancarrota (decidir-se não pagar aos credores) é ou não uma opção.

A troika quer tornar Portugal um exemplo

DESTAQUES

“Dadas as condições a que chegámos nos últimos meses, o pedido de auxílio foi a solução mais adequada. Um default – total ou parcial – seria impensável nos dias de hoje.” (Nuno Fernandes)

“Enquanto estivermos dentro da União Económica e Monetária temos de fazer o que a União quer.” (Nuno Garoupa)

“O modelo de default de 1892 não é muito abonatório para solucionar os nossos problemas atuais. Isto não quer dizer que não vai haver reestruturação ou renegociação das nossas dívidas. Sinceramente, acho que há uma grande probabilidade que tal venha a acontecer.” (Álvaro Santos Pereira)

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No Ultimatum…

Nada perdemos com o Ultimatum. Nada. Todo aquele imenso território reivindicado pela demagogia que já imperava no palácio de S. Bento e no apêndice que era a Sociedade de Geografia de Lisboa, consistia numa reivindicação de vaidades. Nada mais.

O que agora temos sofrido, é bastante mais grave. Um alemão e um dinamarquês saem do seu hotel, passeiam-se Avenida da Liberdade abaixo e chegando ao Ministério das Finanças ou ao Banco de Portugal, querem ver livros de contas,, projecções de dados e contratos. Como se de fiscais das Finanças se tratassem, muito bem esmiuçam a contabilidade de uma empresa de duvidosa reputação. São hoje, os verdadeiros tutores de Portugal, agindo por conta de não se sabe bem de quem e do quê.

Um Presidente checo de apelido alemão, zomba abertamente do Sr. Cavaco Silva e isto, na visita oficial que este último realizou a Praga. Um anafado comissariozinho europeu de oleoso nome, escarnece abertamente do ainda Presidente da ainda República Portuguesa. Um Presidente de uma Comissão que age por iincumbência de um certo governo, rosna e ameaça, sendo ele um dos muitos responsáveis pela situação. Franzindo o sobrolho e bem carrancudo, “aconselha”, porque senão…

Quase nos arriscamos a afirmar que se num ímpeto magnífico, um grupo de militares esta noite hasteasse a Bandeira azul e branca em Belém, S. Bento, C.M.L e Castelo de S. Jorge, amanhã teríamos um feriado de arromba, com milhões de jubilosos desfilando nas ruas. Cientes dos sacrifícios que se avizinham, pelo menos não teriam de suportar as carantonhas dos algozes de longos anos.

 

 

Vem aí o FMI

O pimba é uma arma, e eu não sabia.

Este Jaimão, um mix de Quim Barreiros com Fernando Pereira, tem alguma piada.

Superavit de banha da cobra

No Expresso, 17 de Março de 2011

Execução orçamental: Governo atinge superavit histórico de 836 milhões de euros até Fevereiro

Lisboa, 17 mar (Lusa) — O Governo vai apresentar um superavit histórico de 836 milhões de euros na sua execução orçamental de Fevereiro quando comparado com um défice de 230,4 milhões de euros para o mesmo período de 2010, disse à Lusa fonte governamental.

Hoje

FMI avisa: sem medidas adicionais, défice será maior este ano

Se o Governo não tomar medidas adicionais, no âmbito do pacote da ajuda externa que está a ser negociado, Portugal não conseguirá cumprir com a meta do défice prevista para este ano (4,6 por cento do PIB). De acordo com as previsões do FMI, o défice orçamental ficará nos 5,6 por cento.

Em menos de uma mês, toda a propaganda se desmorona. Alguém pode fazer o favor de pedir um comentário ao senhor Nicolau Santos? E já agora, podem avisar os eleitores que é de abrir os olhos perante a banha da cobra? Obrigado.

Poceirão-Lisboa em Expresso-charrete

poceirão

Agora que o TGV vem de Espanha até ao Poceirão, os nossos queridos deputados já poderão ir de comboio até Bruxelas. Sim, que o TGV é uma ligação à Europa, não é? Só há ali um bocadito de caminho até Lisboa onde é preciso um transporte alternativo. Mas não hão-de ser os velhos do restelo a travar o progresso e não há nada que não se resolva. Assim e a bem da nação, aqui deixo já esta ideia, que tenho a certeza de vir a colher as boas graças dos nossos políticos. Partindo do slogan que volta e meia por aí se ouve e que reza “Vá para fora cá dentro”, sugiro que se estabeleça um serviço de charretes entre a baixa pombalina de Lisboa e o Poceirão. Por forma a garantir suficiente oferta, deve-se proceder a uma requisição civil dos serviços de passeio turístico de charrete que há em Sintra. A viagem poderá ser um pouco mais longa do que se o TGV chegasse à Gare do Oriente mas atenção, a paisagem é deliciosa e o potencial turístico da viagem potenciará a economia da região! E tem ainda uma vantagem de monta. Convençam-se os senhores do FMI a virem de TGV para o Poceirão e sempre ganhamos mais um tempito sem contenção. Ganham todos e até ganham os senhores da Mota-Engil, que poderão despachar mais umas obritas públicas enquanto não chegam à capital esses forretas da manga de alpaca. Como se vê, o nosso Engenheiro sabe o que faz e é de agradecer a modernidade que nos trouxe.

O novo chefe do governo, nomeado pelo PS/D antes das eleições

O novo líder dos partidos da banca, rota e esvaziando-se para os bolsos dos seus accionistas, chama-se Poul Thomsen, é dinamarquês, e já afundou a Grécia e a Irlanda na recessão que lhes dá cada vez mais lucro.

Seja bem vindo, somos um país hospitaleiro que abre as portas a qualquer assaltante como quem estende o tapete  a um turista.

Confesso alguma nostalgia por Teresa Ter-Minassian. Questões de estética, mais nada.

Três factos bizarros do fim-de-semana

Primeiro acto: O Presidente da República Portuguesa pede “imaginação” à União Europeia para encontrar formas de emprestar dinheiro a Portugal. Quem é, afinal, que precisa de ajuda?

Segundo acto: Acrítico, acéfalo, vazio, o Congresso do PS foi um longo comício e um espaço de veneração ao líder. Terminou com o líder a dizer que, como chefe do Governo, aceita negociar o empréstimo. Era de esperar outra coisa?

Terceiro acto: Depois de clamar desprezo pela forma de fazer política dos partidos, Fernando Nobre aceita entrar nas listas de um partido político ‘do sistema’. Mais um caso de ‘o que ontem era verdade, hoje é mentira’?