“A verdadeira linha divisória entre Israel e a Palestina”

Excelente artigo de Slavoj Žižek, no DN, sem paywall.

Conflito Hamas-Israel: um raro momento de sensatez

O Hamas lançou-nos uma armadilha, e esta armadilha é de máxima horripilação, de máxima crueldade. E assim, há o risco de uma escalada militar, de mais intervenções militares, como se pudéssemos resolver um problema tão sério quanto a questão palestiniana com exércitos.

Existe também uma segunda grande armadilha, que é a do ocidentalismo. Encontrámo-nos encurralados, com Israel, neste bloco ocidental que hoje está a ser desafiado pela maioria da comunidade internacional.

[Apresentadora: O que é o ocidentalismo?]

O ocidentalismo é a ideia de que o Ocidente, que geriu os assuntos mundiais durante cinco séculos, poderá continuar a fazê-lo silenciosamente. E podemos claramente ver, mesmo nos debates da classe política francesa, que existe a ideia de que, perante o que está a acontecer actualmente no Médio Oriente, devemos continuar a lutar ainda mais, em direcção ao que poderá assemelhar-se a uma guerra religiosa ou civilizacional. Ou seja, isolar-nos ainda mais no palco internacional.

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Com amigos destes…

Foto: Wichan Charoenkiatpakul
https://www.bangkokpost.com/thailand/general/2668714/anti-israel-protest-draws-300-at-embassy

Esta onda pró-palestiniana é como sempre foi, o cúmulo da hipocrisia. A maior parte desses trafulhas está-se perfeitamente a marimbar nos Palestinianos. São apenas um pretexto que esconde o verdadeiro motivo: o ódio a Israel, aos EUA e ao Ocidente.

Porque se realmente se preocupassem com os habitantes de Gaza, viravam-se, óbvia e logicamente, para os verdadeiros responsáveis do drama que agora ali se vive: o Hamas.

Factos:

– o Hamas bombardeia diariamente Israel, mas a exigência de uma “pausa” é apenas dirigida a Israel;

– o Hamas esconde-se deliberadamente atrás (melhor, debaixo) dos seus próprios compatriotas de tal forma que não é possível atacar o seu aparelho militar sem atingir civis; mas a culpa disso é exclusiva e certamente de Israel porque ainda não ouvi um único pró-palestiniano a exigir que o Hamas desloque as suas instalações para zonas onde não hajam civis; um único;

– há anos e anos que o Hamas faz entrar em Gaza diária e ininterruptamente toneladas de equipamento militar e logístico através de uma rede infinita de túneis; mas a culpa de faltar alimentos, medicamentos, combustíveis, etc., é de Israel; mais uma vez, não houve um único pró-palestiniano a exigir ao Hamas que transporte e distribua os bens necessários aos seus compatriotas;

– não me lembro de alguma vez os inimigos de Israel terem avisado as populações para fugirem porque iam atacar; fazem-no sempre de forma cobarde e sem qualquer prévio alerta humanitário; principalmente porque o objectivo é mesmo matar o maior número possível de civis Israelitas; mas para estes pró-palestinianos, o monstro hipócrita e criminoso é Israel que sempre teve o cuidado de o fazer com o objectivo de minimizar os danos colaterais; houve algum destes trafulhas esquerdistas que tenha exigido ao Hamas que ajude a população de Gaza a deslocar-se para áreas menos perigosas? Não, claro que não porque na verdade se estão a marimbar para os Palestinianos; a única coisa que lhes interessa é mesmo e tão só arranjar pretextos para atacar Israel. 

Pobres dos Palestinianos se o seu futuro, se a sua Nação depender destes asquerosos hipócritas. Até porque a pior coisa que podia acontecer a esta repulsiva esquerda é que a Palestina tivesse paz, que a Palestina seja um País independente e soberano e que a solução dos 2 Estados seja realmente alcançada. Enquanto houver guerra, têm algo para berrar. Enquanto houver guerra podem continuar a tentar enganar quem os não conheça e repulsivamente proclamarem-se defensores daqueles que, na verdade, desprezam porque apenas os consideram um meio.

Aliás e por incrível que pareça, a maior esperança da Palestina árabe é mesmo Israel. A maior esperança para a Palestina são os que defendem Israel. Porque não há melhor condição para a paz que a segurança de Israel. Porque só no dia em que Israel saiba que não corre perigo (e lembre-se que está sob ataque desde o seu 1º dia de independência e que não é um ataque qualquer; é um ataque que visa a sua aniquilação total), estarão criadas as condições para um efectivo Estado Palestiniano. 

O resto são tretas de quem enredado nos seus dogmas imbecis e absurdos nem percebe o mal que continuam a fazer ao mundo.

Os homens do Hamas são “guerreiros santos”

O Hamas não é terrorista, mas uma organização patriótica que defende o seu povo e o seu território (…) São guerreiros santos.

Quem terá proferido estas declarações?

Ali Khamenei?

Sayyed Hassan Nasrallah?

Vladimir Putin?

Ismail Haniyeh, o hóspede de luxo do ditador do Qatar que gere o Hamas a 2000km de distância?

Bashar al-Assad?

Nada disso: foi Recep Tayyip Erdogan, o autocrata que lidera a Turquia, membro da NATO que ocupa a posição político e geoestratégica mais influente nos dois conflitos em curso às portas da Europa.

Aquele a quem pagamos milhões para impedir a passagem dos refugiados que tentam entrar na Europa vindos do Médio Oriente.

Mas não se preocupem. Desde que os interesses estratégicos dos EUA estejam devidamente acautelados, tem tudo para correr bem.

António Guterres e a coragem de constatar o óbvio

António Guterres não normalizou a violência do Hamas. Muito menos a legitimou. Limitou-se a constatar o óbvio.

O absurdo é tal que há quem nos queira fazer crer que Guterres não condenou o ataque do Hamas, quando o fez sem qualquer tipo de contemplação.

Eis o que disse Guterres:

É importante reconhecer também que os ataques do Hamas não aconteceram no vácuo. O povo palestiniano foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante. Viram as suas terras serem progressivamente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia está asfixiada, a sua população deslocada e as suas casas demolidas. As suas esperanças de uma solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer. Mas as queixas do povo palestiniano não podem justificar os terríveis ataques do Hamas, e esses terríveis ataques não podem justificar a punição colectiva do povo palestiniano.

Subscrevo cada palavra. E sinto orgulho na imensa coragem que demonstrou com esta declaração. Senti-me representado. Guterres bem. Muito bem.

Guterres

Foto: Lusa/Observador

Querem compreender o que o Guterres realmente disse? Ainda por cima, estando eu convencido que isso foi deliberado quer pela tibieza que sempre demonstrou quer pela configuração ideológica que o sustenta quer ainda pela incapacidade de encarar seriamente o mundo árabe. É muito facil.

Substituam alguns elementos naquele discurso. Por exemplo, “condeno inequivocamente o holocausto nazi; mas o holocausto não surgiu do nada; a Alemanha foi sujeita a enxovalhos e humilhações durante mais de 20 anos”.

Compreendem o alijar de culpa que está implícito? Compreendem o repartir de responsabilidades que se pretende suscitar?

E não venham com considerações que não é possível comparar o 7 de Outubro ao holocausto. 7 de Outubro foi apenas um dia e além de ter implicado 1400 mortos, revelou um nível de bestialidade e selvajaria provavelmente superior à desumanidade nazi. O holocausto durou aproximadamente 5 anos.

A mentira tem perna curta

Grande parte dos comentadores que aparecem na televisão a fazer juízos sobre o presente conflito na Palestina e que dão opiniões quase só determinadas pela sua filiação ideológica (convenientemente encoberta) que os obriga a ser fundamentalmente apenas e só contra o bloco Israel/EUA, nem percebem que basta parar um pouco e analisar lucidamente o que dizem para se tornar clara a enorme discrepância de razão entre as partes que estão em guerra. Apesar do interesse deles ser exactamente o oposto e porque a mentira tem “perna curta”, são eles próprios a corroborar a perspectiva correcta.

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Verdades absolutas

– desde 7 de Outubro, o Hamas dispara dezenas de mísseis sobre o território de Israel, mas esse bombardeio é do “bom” porque Israel tem a capacidade de interceptar os projécteis, isto é, se o não fizer ou o não conseguir, a culpa exclusiva é deles e nunca do Hamas que, coitadinhos, além de nitidamente não quererem magoar ninguém, apontam sempre e cirurgicamente a alvos militares; pois;

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Hamas: qual é a dúvida?

Há algo que me deixa perplexo na discussão em torno do conflito entre Israel e a Palestina, que é a facilidade com que algumas pessoas legitimam o Hamas.

E por isso é bom recordar que, antes do atentado de 7 de Outubro, o Hamas já governava Gaza de forma sufocante. Não há liberdade de expressão, as minorias têm zero direitos, as execuções sumárias são uma constante e a utilização de civis como escudos humanos não é uma fantasia.

E sim, o Hamas construiu instalações militares próximas ou coladas a bairros residenciais, escolas e hospitais.
Se isso legitima décadas de ocupação e crimes de guerra de Israel? [Read more…]

Os meus terroristas são melhores que os teus

Há uns tempos, acerca das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre os incêndios de Pedrogão, Ricardo Araújo Pereira notou que o Presidente começou por “Antes de mais, quero dizer que sou um ser humano” e que isso fazia falta. E parece que não era só aí. Os seres falantes que vemos por aí deveriam começar por se identificar para saber se vale a pena continuar a ouvir ou se vamos apenas assistir a uma subversão aos donos. A maioria dá mesmo vontade de ir lá dizer baixinho ao ouvido “diz lá algo de ser humano”.

Mais uma vez, o mundo percebeu que um conflito existe. Tal como aconteceu na Ucrânia, muitos colocam a mão à boca totalmente chocados com algo que não é de hoje. Tal como sempre, o ocidente só acorda para um conflito quando se sente minimamente afetado. Enquanto os conflitos são negócios lucrativos para a restante Europa e para os EUA, tapamos os olhos e beneficiamos disso. O meu lado político tem tendência para lhe chamar mercado livre. Enquanto temos uma direita que ignora atrocidades a troco do bem-estar de uma pequena parte da humanidade da qual fazemos parte, temos uma esquerda que tapa os olhos a atrocidades se estas afetarem a UE e os EUA. Todas estas posições são de um fanatismo atroz. Decidem em escritórios no centro de Lisboa o que declaram sobre situações que tiram vidas a pessoas diariamente. Eu também costumo mandar umas bocas meio-parvas no descanso do meu sofá. No entanto, é a insinuar que até eu marcava o que o Galeno falhou na Supertaça, não é a brincar com vidas de pessoas. [Read more…]

Vamos comer gelados com a testa…

Eu ainda não tinha percebido o que ganhava Israel com o ataque a um hospital. Mesmo sabendo de que são feitos os gajos do Hamas ainda não tinha percebido o “para quê” pois Israel já não está bem visto na foto e não era preciso tanto para ficar pior (pois, como diz o outro: pior que está não fica). Até ver o Rei da Jordânia cancelar a reunião entre ele, a Autoridade Palestiniana, o presidente do Egipto e Biden.

Não é só uma questão de humilhação para os EUA. É mesmo rumo à capitulação de Israel e perda total da influência do ocidente. Que nem ginjas para o Irão (localmente) e a China globalmente com a Rússia pela trela e os EAU a acreditarem que se vão safar pelo caminho. E os Palestinianos? Para todos estes a conclusão é óbvia: que se lixem, servem para usar e deitar fora (como sempre o foram para os seus “amigos” ao longo dos séculos. Touché China….

No final desta história, se tudo correr como planeado, o Hamas será decapitado, os palestinianos deixados ao Deus dará (no caso, Alá dará), a Rússia fica com o rebuçado ucraniano, os EUA elegem Trump e fecham-se sobre si próprios e o que resta do chamado mundo ocidental terá de aprender mandarim e continuar o “business as usual” com uma trelinha dourada um pouco melhor que a enfiada aos russos….

Senhorio de deus

Naftali Bennett passou-se (e disse a verdade)

Captura de ecrã da entrevista da Sky News ao ex-PM israelita.

Entrevistado pela Sky News, Naftali Bennett, o antigo primeiro-ministro de Israel que disse já ter “matado muitos árabes” e não ver “mal nenhum nisso”, predecessor daquele que sucedeu, do partido de extrema-direita New Right, passou-se. [Read more…]

Genocídio à vista no gueto de Gaza?

Conhecendo Israel como qualquer político americano conhece, Joe Biden deixou um recado, após declarar total apoio à ofensiva.

Recordou que a guerra tem regras. Mesmo quando estamos muito zangados.

E não foi o único a dar ênfase ao direito internacional.

E porque o fez?

Porque Israel comete crimes de guerra há décadas, por questões menores, pese embora raramente se lhe aplique qualquer tipo de consequência.

Ter o tio Sam como padrinho tem as suas vantagens. [Read more…]

Uma fotografia que conta a estória da hipocrisia Ocidental

Imagem retirada de: AFP

Na imagem, vemos retratados um soldado e uma criança que o enfrenta, no que aparenta ser uma acção de valentia face ao poderio militar visível.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, esta imagem circulou o mundo. Na legenda, líamos que “uma menina ucraniana enfrenta soldado russo e diz-lhe que deixe o seu país em paz”. A internet comoveu-se, a imagem foi partilhada, uma e outra vez, enaltecendo a coragem da menina ucraniana face à vileza do exército russo. Tudo muito bonito, de facto; e inspirador.

Só que esta menina da imagem não é ucraniana. É palestiniana. E o soldado não é russo. É israelita.

A verdadeira origem da imagem remonta a 2012. Tudo se passou em Nabi Saleh, na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. A menina, Ahed Al Tamimi, enfrentava, sozinha, soldados israelitas e implorava-lhes que libertassem o seu irmão de 15 anos.

Tamini acabaria presa, cinco anos depois, em 2017, depois de voltar a enfrentar soldados israelitas que invadiram a sua casa. Depois de ela e uma prima os abordarem, pedindo que se retirassem – pedido que foi ignorado pelos soldados das forças ocupantes -, Tamini e a prima muniram-se do que tinham (as mãos) e começaram a empurrar os israelitas para fora de casa. Foi presa e cumpriu 8 meses de pena.

E é esta fotografia – e as suas duas estórias, a falsa e a verdadeira – que ajudam a pintar o quadro da hipocrisia que o Ocidente orgulhosamente exibe, seja no apoio a Israel, seja na condenação à Rússia. Em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a menina era “corajosa”, porque era “ucraniana” e pedia aos soldados que “deixassem o seu país em paz”; acredito que muitos dos que se comoviam com a fotografia, partindo da falsa premissa, não se comovam agora. Afinal, Tamini é capaz de ser uma perigosa terrorista. E Israel é que tem o direito a defender-se.

Em 2022, Tamini foi entrevistada pelo canal AJ+. A entrevista, abaixo.

Israel e Ucrânia: a realidade é uma maçada

Quando o mundo ocidental se uniu em torno da Ucrânia, Israel foi um dos Estados que prometeu ajudar, com um enorme “mas”.

E se países como a Hungria ainda se deram ao trabalho de tentar disfarçar, a mensagem de Israel foi clara: perante a invasão russa da Ucrânia, escolheram a neutralidade.

Não me interessa aqui discutir a legitimidade da neutralidade, se faz ou não faz sentido. Já dei várias vezes para esse peditório. [Read more…]

Israel, em conformidade com a sua própria brutalidade

Israel decidiu retaliar contra a população civil de Gaza, como se décadas de opressão naquela prisão ao ar livre não fossem suficientes.

O ministro da defesa, Yoav Gallant, explicou como:

Ordenei um cerco total a Gaza. Corte de electricidade, de comida, de combustível e água. Estamos a lutar contra animais humanos e agimos em conformidade. (tradução livre)

Há quem celebre esta decisão. A mim parece-me algo que Putin faria à Ucrânia, se tivesse essa oportunidade.

O próprio Hitler, podendo fazer o mesmo aos judeus, não teria hesitado.

Não sei quanto a vós, mas eu não partilho valores com este governo de fascistas, que está disposto a matar crianças de fome e sede, para mostrar ao mundo o poderio da sua vingança.

Para um país com um dos exércitos tecnologicamente mais avançados do mundo, matar civis inocentes e destruir as suas casas, hospitais e escolas não é sempre um dano colateral. É, muitas vezes, uma escolha.

Uma escolha que não surpreende.

Surpreende, isso sim, haver quem condene – e bem – o terrorismo do Hamas, ao mesmo tempo que se recusa a condenar o terrorismo de Estado de Israel.

Até porque, convenhamos, massacrar as populações civis nunca foi um problema para os governantes israelitas.

E quem insiste em apoiar o apartheid israelita sabe disso. Em pouco ou nada se diferencia daqueles que apoiam os monstros do Hamas.

“Crematório“, de Vasco Gargalo

Cartoon de Vasco Gargalo

Quando em 2020 Vasco Gargalo desenhou este cartoon, alertando para a limpeza étnica e para o apartheid que Israel impõe nas prisões a céu aberto que se chamam Territórios Palestinianos Ocupados (TPO), logo foi colocado no sítio por quem de direito.

Recebeu ameaças de morte, perdeu o emprego na revista Courrier International, uma das publicações com as quais trabalhava e foi-lhe retirado o ‘Prémio Plumes Libres’ que a publicação lhe atribuiu. Na altura, afirmou à revista Sábado: “É mais um sinal de que a comunidade judaica não pode ser criticada. Cada vez que isso acontece [é-se] logo acusado de antissemita. É uma perseguição para aniquilar o meu trabalho”.

Mas não foi o único a ver os seus trabalhos anti-apartheid serem censurados. Também Onofre Varela, cartunista, viu um seu trabalho ser retirado da Bienal Internacional de Arte, depois de pressões da Comunidade Israelita de Lisboa, assunto que foi aventado.  [Read more…]

Nunca haverá uma Palestina livre, enquanto houver Hamas

Sou insuspeito de simpatia pelos sucessivos governos israelitas, que desde sempre condeno pela ocupação ilegal da Cisjordânia, pelo Apartheid vigente na Faixa de Gaza ou pela brutalidade e desproporção dos métodos empregues.

Mas o que aconteceu no final da passada semana, para mim, não é resistir à ocupação.

É crueldade pura.

Atacar civis, raptar jovens e crianças, torturá-los em público e exibi-los como troféus não é resistência. É barbárie.

E sim, o Hamas é uma organização terrorista. [Read more…]

Nojentos “Bobos da Corte”

Imagens: CNN

Para todos os “cabrões” relativistas que tentam desculpar, explicar ou amparar o que o Hamas está a fazer:
– estes FdP entraram por um festival de música a disparar, matando, pelo menos, 260 (DUZENTAS E SESSENTA) Pessoas e fazendo um número indeterminado de reféns.

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Em Israel, a autocracia consolida-se

uma política externa digna de um regime totalitário não é suficiente. Netanyahu e os seus extermistas querem acabar com a separação dos poderes. E estão a consegui-lo.

Entretanto, no Kremlin de Telavive

O plano para suprimir a separação de poderes e submeter a justiça à vontade de Netanyahu e dos extremistas religiosos e neofascistas que integram o seu governo segue imparável. Já não lhes chega ser uma autocracia no plano externo. A democracia é para abater. Estão cada vez mais parecidos com os seus vizinhos (e agora amigos) sauditas.

Os Putins de Israel fazem pinkwashing em Portugal

é ler o artigo de hoje da Carmo Afonso, no Público.

Censura má, censura boa

Decorre este mês, em Vila Nova de Gaia, a Bienal Internacional de Arte.

Entre os vários artistas que ali expõem o seu trabalho está o cartunista Onofre Varela. Até aqui, tudo normal.

Acontece que o mesmo, depois de várias pressões por parte dos curadores da exposição e das críticas que a Comunidade Israelita de Lisboa lhe endereçou, decidiu retirar um dos seus cartoons em exposição. E que cartoon é este? Trata-se de uma obra que retrata o ditador nazi, Adolf Hitler, de suástica no braço e estrela de Davi ao peito, com o seguinte texto a acompanhar: “ISRAEL TRATA OS PALESTINOS COM O MESMO DESRESPEITO COM QUE HITLER TRATAVA OS JUDEUS.” (cartoon em baixo)

Primeiro, urge perguntar: por que é que uma comunidade de Lisboa se insurge contra uma obra exposta em V.N. de Gaia?

Segundo: percebe-se que a obra possa chocar; mas não é essa, também, um dos objectivos da arte, especialmente da arte de intervenção política e social?

Em terceiro lugar, mas mais importante: as críticas são perceptíveis – a verdade costuma aleijar. Não creio que o artista Onofre Varela tenha tido por objectivo “desvalorizar o nazismo” mas, por contrário, deixar a nu a brutalidade do regime neo-fascista de Israel e, consequentemente, chamar a atenção para a limpeza étnica levada a cabo pelo extremismo sionista e para o apartheid imposto aos palestinianos.

À censura imposta pela Bienal a pedido da Comunidade Israelita de Lisboa, a Câmara Municipal de Gaia diz não se rever em práticas censórias, mas aplaude a retirada do cartoon [sic].

A cartada do Holocausto, tão usada para justificar as atrocidades que o Estado israelita pratica nos Territórios Palestinianos Ocupados, já não cola (a não ser nos indefectíveis sionistas e nos incautos que acreditam que ter sofrido com o nazismo justifica práticas nazis por parte de quem sofreu com o nazismo).

Em suma, censurar tal obra, por contraditório que possa ser, coloca os censores mais perto dos nazis. E isso é um desrespeito para com os milhões de judeus espalhados pelo mundo.

A obra de Onofre Varela foi mandada retirar da Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Gaia, a pedido da Comunidade Israelita de Lisboa – aqui fica, para provar que atitudes censórias têm, por norma, o efeito contrário ao pretendido.

Fundamentalismo religioso do bem

Israel está a ficar tão Gilead que as handmaids já andam na rua. Mas não se preocupem que é fundamentalismo religioso do bem. E a separação de poderes está overrated.

Israel, Putin e Bin Salman

O governo israelita financia madrassas judaicas, tem um ministério da religião e vários partidários de uma espécie de sharia dos Macabeus a caminho do executivo mais extremista e corrupto de que há memória em Israel, que quer acelerar a construção de colonatos ilegais, alargar a ocupação da Cisjordânia e asfixiar ainda mais a Faixa de Gaza. Se Putin e Bin Salman tivessem um filho, seria o líder perfeito para este governo.

Israel muda lei para poder incluir no Governo um ministro condenado por corrupção

O novo Governo de Israel, novamente chefiado por Benjamin Netanyahu, que venceu as últimas eleições em coligação com forças ultra-sionistas de extrema-direita, pretende alterar as leis fundamentais do etno-Estado israelita para poder incluir em funções governativas um político condenado por corrupção.

O Governo israelita pretende fazer aprovar leis que mudem o carácter do Estado, tornando-o mais favorável aos políticos, dando-lhes ainda mais poder, ao mesmo tempo que pretendem aprovar leis que retirem direitos às mulheres, aos homossexuais e aos judeus ortodoxos. Uma destas leis diz respeito à possibilidade de antigos políticos condenados por corrupção, poderem vir a ser governantes. Na verdade, esta lei já se encontra, em parte, em vigor, caso a pena a que o condenado tenha sido sujeito tenha efeitos suspensivos.

Esta lei, chamada “Lei Deri”, foi feita à medida do político ultra-ortodoxo Arye Deri, condenado por fraude fiscal e que está a ser, hoje, indicado para Ministro das Finanças do Governo de Benjamin Netanyahu.

Para além disto, o governo sionista de extrema-direita israelita, pretende alargar a ocupação dos Territórios Palestinianos Ocupados, com particular incidência sobre a Cisjordânia, não só mantendo, como expandindo a invasão na Palestina e aumentando a repressão sobre os palestinianos.

Depois de décadas de terror a que o povo judeu esteve sujeito às mãos do nazismo e do fascismo europeus, a criação do Estado étnico de Israel, em terras outrora pertencentes à Palestina, trouxe à luz da realidade a radicalização, à direita, daqueles que se dizem representantes da religião judaica, num país onde nem todos os judeus são sionistas ou em que nem todos os israelitas são judeus. Assim, prova-se, Israel estará, sempre, condenado ao fracasso, enquanto Estado – e só continuará a sobreviver com o apoio e a conivência dos Estados Unidos da América e da União Europeia.

Aryeh Deri, Benjamin Netanyahu e Bezalel Smotrich no Parlamento em Novembro. Fotografia: RONEN ZVULUN/REUTERS

Federação Russa e Israel: a mesma luta

Não se tem dito nem escrito uma palavra sobre a ascensão do novo governo israelita, que coliga direita ultraradical e fascista – e sim, o uso do termo aqui é literal – e do aumento das várias formas de violência contra o povo palestiniano.

Ao corrupto Netanyahu juntaram-se os fundamentalistas do Sionismo Religioso, que defende a total anexação dos territórios sob controlo da autoridade palestiniana, um pouco à imagem daquilo que o regime russo pretende para a Ucrânia.

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O terror sionista: a extrema-direita israelita

Em Israel, onde o extremismo nacionalista e religioso vai grassando cada vez mais na sociedade, a extrema-direita voltou a ganhar as eleições, com o antigo Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a ser novamente eleito, depois de ter sido afastado por conta das suspeitas de corrupção que sobre ele caíram.

Digo “voltou” porque Netanyahu foi afastado do poder por Naftali Bennett, líder do também extremista de direita New Right (aquele que um dia disse já ter matado muitos árabes e não ver mal algum nisso). Agora, coligado com partidos ultra-ortodoxos e de extrema-direita, Netanyahu regressa ao poder para continuar com os projectos sionistas que se mantêm há mais de setenta anos.

Israel, enquanto país, desde a sua criação até hoje, nunca foi sobre o Holocausto e nunca foi sobre o sofrimento do povo judeu às mãos dos tiranos nazis. Foi, sim, desde sempre, um projecto imperialista, tendo por base a religião e as atrocidades cometidas pelos alemães, apoiado pelos EUA e pela Comunidade Internacional, para que o Médio Oriente tivesse, no seu âmago, um aliado poderoso dos interesses Ocidentais chefiados pelo Tio Sam.

E a prova disso é a eleição consecutiva de partidos e políticos de extrema-direita, num país que usa o Holocausto como arma de arremesso a cada crime que comete. Sabendo que, historicamente, o povo semita sofreu às mãos da extrema-direita, é tempo de pararem de jogar a carta do Holocausto, até porque:

1 – nem todos os israelitas são judeus ou sionistas;
2 – nem todos os judeus são israelitas ou sionistas.

A extinção da Palestina e do povo palestiniano, quer através da luta armada e da imposição de um Apartheid já condenado pela Amnistia Internacional, quer através da expulsão de milhares de palestinianos das suas casas e da sua terra, continuará em força, com Israel a impor o terror em casa alheia com o apoio de norte-americanos e europeus. Não é de admirar, portanto, a afirmação de Netanyahu, há uns anos, em que dizia não temer que o mundo se virasse contra Israel por conta do Apartheid, porque “temos os EUA do nosso lado”.

Na separação entre ”os nossos filhos da puta” e “os filhos da puta dos outros”, sabemos bem quem são os filhos da puta que apoiam o terror sionista.

Fotografia retirada de Encyclopedia Britannica.

A ONU, o bloqueio a Cuba e as sanções do bem

Vigora há sessenta anos um bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba, condenando milhares de cubanos ao desespero e à pobreza.

A ONU, desde 1992 que pede, na sua Assembleia Geral, o fim do bloqueio económico. No passado dia 3 de Outubro foi votada, pela terceira vez, uma resolução que exige o fim do embargo a Cuba. A resolução foi aprovada com 185 votos a favor. Sem surpresa, EUA e Israel votaram contra a resolução; Brasil e Ucrânia abstiveram-se.

O embargo, que dura desde 1962, já lesou o povo cubano em 154 biliões de dólares. Só nos primeiros quatorze meses de governação de Joe Biden, o prejuízo causado pelo embargo a Cuba ascende já aos 6 biliões de dólares.

Esperemos, agora, que os EUA possam cumprir com o aprovado na ONU e levantar o embargo. Caso não o façam, mantendo a coerência, é tempo da Comunidade Internacional se levantar da cadeira como quem tem calos nas nádegas e exigir sanções severas contra a economia norte-americana… penso eu de que… ou não funciona assim deste lado?

Sala da Assembleia Geral da ONU. Fotografia: Joe Penney – Reuters