Mário Soares sabe do que fala

Quem cá trouxe o FMI por duas vezes sabe do que fala. E, de facto, desvalorizado a moeda, que é a consequência de se imprimir mais moeda, todos ficaríamos mais pobres e, assim, o odiado ajustamento cairia a todos por igual. E é aqui que reside a grande diferença entre as duas anteriores intervenções e esta. Agora, são, sobretudo, os que trabalham por conta de outrem (com os funcionários públicos à cabeça mas não sozinhos) quem está a pagar a factura. Nas anteriores intervenções, simplesmente todos passaram a ter a comida e os bens importados mais caros, as poupanças de todos passaram a valer menos, o poder de compra de cada um diminuiu.

Soares, com esta afirmação, demonstra que corrigir os erros que aqui nos trouxeram não é a solução dele. Pelo contrário, advoga o empobrecimento colectivo pela desvalorização da moeda. Saiba-se por isso que,  depois deste empobrecimento, o terceiro em 30 anos, mais um virá daqui a 10 anos.

Soares, ou Abcesso ou Absurdo Sem Limites

Desconheço qual o particular gozo que Soares extrai em fazer figuras tristes. Mas percebo que não domine línguas, não perceba de economia, não entenda que o seu exemplo no exercício dos cargos e nas manobras por detrás dos cargos foi mau de mais, absolutamente trágico para o País. Percebo que os danos da sua passagem podem ter sido os piores possíveis, que o seu Abcesso de Ego tal como o seu Abcesso de Avidez, para não falar no seu Abcesso de Moralismo Paternal sempre a pairar como um Corvo aquém da Realidade, como acontece mumificadamente a Cavaco, fez escola, infelizmente, e até houve um filho da puta dela-escola ainda mais ávido que ele, ainda mais desmesurado que ele, ainda mais catastrófico para o Erário que ele, ainda mais fajuto na retórica demagógica e mentirosa que ele, ainda mais grotesco e avassalador e execrável nas facturas deixadas a nós e aos nossos filhos, em suma ainda mais exilado parisiense que ele e, ainda por cima, com o apoio expresso e a cumplicidade dele-Sibila Soares. [Read more…]

Falta Cristo à Esquerda Solista

Pensar na Associação 25 de Abril e logo depois em Mário Soares, em Manuel Alegre e em Vasco Lourenço é pensar em indivíduos que genericamente têm mau perder democrático e, na generalidade, são broncos, nada mais que parasitas da política e do Regime. A vaidade que os penetra, especialmente ao sonso Ego-Rei de Soares, grande ávido de cargos e ainda maior fornecedor de bitaites social-comiserativos, cega-os. Haverá coisa mais antidemocrática que, por incompetência e malícia, arruinar-se um País?! Onde ou quando essas pedantes vozes de Esquerda se levantaram?!

Soares colaborou activamente com os pressupostos e antecedentes da bancarrota em decurso, talvez porque era extensa a clientela de beija-mão socialista a cevar-se no desastroso processo. Alegre beneficiou de um apoio cínico, lento e arrastado, do seu próprio partido às presidenciais, soarística e deliberadamente fadadas à derrota, e por isso calou-se, mesmo quando a iniquidade desgovernava e acabava de arruinar Portugal, coisa que ele bem conhecia. Vasco Lourenço é demasiado adicto e fiel ao Bridge, isso define bem as suas prioridades e a acuidade balofa dos seus pruridos tão recentes quanto insinceros. A nossa carga fiscal e a despesa do Estado foram absurdamente aumentadas muito antes de Gaspar e, que se saiba, só os apparatchiks socialistas é que enriqueceram largo, coisa de que é proibido falar, novo tabu do Regime, ocupado em ousar alguma coisa só na Madeira. Todo o Povo empobreceu.

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O maior oportunista da democracia portuguesa


Ainda em relação às ausências nas comemorações do 25 de Abril.
Que ninguém confunda as atitudes da Associação 25 de Abril, atrasadas meia dúzia de anos (como se Sócrates nunca tivesse existido), ou de Manuel Alegre, inconsequente e de uma incoerência total por parte de alguém que ainda há um ano andava de braço dado com o antigo primeiro-ministro.
A atitude de Mário Soares, como sempre, foi a de um oportunista da pior espécie, que viu nesta atitude algo de interessante para si, seja uma espécie de continuação da carreira política (!), futuro pessoal, influência ou notoriedade. Por onde andou Mário Soares durante todos estes anos?
Uma atitude oportunista do mais oportunista dos políticos portugueses. É assim há quase 40 anos, há-de continuar a ser assim até morrer. Está-lhe na massa do sangue.

Uns tantos broches

Mário Soares está com pele de galinha, garantindo a responsabilidade do governo que se dedica a vender as jóias da Coroa. Não se refere à colecção já parcialmente mutilada pela incompetência de quem a tem à sua guarda e por isso isso mesmo, salteada por presuntos piratas holandeses numa exposição de estalo. Não, Mário Soares refere-se às empresas públicas. Para ele, são as jóias da Coroa.

Pois agora passamos desde já a debitar mais uns tantos broches convenientemente babados e esquecidos: além do Ultramar apressadamente desfeito a pontapé, temos a agricultura, pescas, indústria, marinha mercante, alfândegas, as reservas de ouro do BdP, as finanças saudáveis, o Escudo, o controlo de fronteiras e uma infinidade de peças de inestimável valor, consideradas outrora como mera fancaria sem préstimo.

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É Inaceitável

Os senhores do Governo querem poder despedir os trabalhadores que, ou não trabalham em condições ou estão a mais, de uma forma mais simples e menos onerosa para as empresas.
Os senhores do Governo querem poder aplicar essas medidas à administração pública.
Os senhores do Governo querem poder deslocar trabalhadores do Estado para onde, ao Estado der mais jeito.
Os senhores do Governo querem acabar com alguns feriados, quatro, para assim se aumentar o tempo de trabalho anual dos trabalhadores.
Os senhores do Governo, de um modo geral, querem cumprir as imposições que a Troyca nos fez quando nos emprestou o dinheiro que nos faltava, e tudo vai fazendo para que tal aconteça, mesmo à custa de enormes sacrifícios para toda a gente, usando taxas, impostos, sobretaxas e moralizando a sociedade com normas de conduta e de trabalho (como sempre há umas pessoas mais sacrificadas do que outras, sendo que, infelizmente, são, também sempre, as que menos recursos e conhecimentos têm).
Com mais ou menos discussões, com mais ou menos sucesso, com greves ou sem elas, com marchas ou com ameaças ou com tentativas de imolação, ou sem elas, mas sempre com muita polémica, as coisas lá se vão fazendo.
E as polémicas em Portugal crescem como cogumelos.
Agora temos mais uma polémica, a das comemorações do 25 de Abril. [Read more…]

Grande Viveiro de Imbecis

Mário Soares inaugurou os novos tempos pós-moralidade pública salazariana, introduzindo na vida comum a habilidade retórica, o fingimento político e a incompetência técnica, com os resultados e as repetências que se conhecem. Depois dele, tirando Sá Carneiro, vieram trair-nos na governação ou imbecis políticos ou imbecis técnicos, alternando ente si, mas nunca coincidindo na positividade das duas vertentes, a bem da coisa pública. Pelo meio, súcias de carreiristas ávidos, igualmente imbecis, sem outra ocupação conhecida que não o parasitismo partidário, afiaram a experiência política no ataque aos recursos orçamentais. Tudo culminou no mais recente devorismo cretino e, claro, também imbecil, que o mesmo Papa Socialista apadrinhou efusivamente. Deflagra agora, segundo Soares, todo o esplendor da imbecilidade política passos-coelheana. Será. Mas vox populi, no seu clamor espontâneo ou pastoreado, é que a fome e a peste só andam no ar graças a trinta e nove anos de degradação moral e imbecilidade políticas. Não deixa aliás de resultar pitoresco termos de apanhar com o eterno direito de antena dos mesmos imbecis que apadrinharam a falência de Portugal, opinando com extrema lata sobre a suposta ou real imbecilidade política em decurso. Qualquer um já percebeu que, para este Governo, não parece haver outras soluções senão flagelar os flagelados e desproteger os desprotegidos, conservando tudo igual, em proventos e direitos, entre os grandes rendeiros do País, incluindo o PS e a sua escandalosa paz de espírito, viveiro insuperável de latrocínios legais, ricos súbitos e exilados ilícitos, partido onde cresce menos trigo que joio, chusma de vendidos, traidores, ladrões e imbecis, incapazes do exemplo sonso de Mário Soares: social-sensível na retórica; sorna e pragmático no venha-a-nós.

Em comparação com quê?

Soares diz que Passos está a fazer um “péssimo trabalho”

Em comparação com o outro que contraiu as dívidas, nacionalizou o buraco BPN e fugiu com eleições antecipadas?

Delikatessen pascais


O Coelho da Páscoa anunciou-nos o “adiamento” do pagamento do 13º e 14º salário para 2015. Desconfia-se que chegada a data, chegar-nos-á um “logo se verá”. Isto é mesmo a terra do nunca.
Também ontem, Mário Soares protagonizou um daqueles episódios em que fez valer pela praxis, o seu pensamento acerca do que devem ser as funções do Estado regulador e das obrigações a assumir pelas imprescindíveis funções dos presidentes passivos em exercício. Pois, pelo que parece, as viaturas do Estado servem para tudo e se ainda nos lembramos daquele acidente ocorrido na Avenida da Liberdade, onde um parlamentar bólide de “trinta mil contos” foi para sucata, agora ficámos a saber que o Estado – quem é esse fulano? – também vai pagar a multa de Mário Soares.
Façam as contas: mais de dezassete milhões anuais para Belém, aos quais se acrescentam viagens, paradas de limusinas de Praga até Barcelona onde espera um Falcon, Comissões celebratórias do Grande Nada, enxames de assessores que aparentemente não aconselham, três passivos no activo e também… multas por excesso de velocidade? Para cúmulo, o oficial da GNR diz que Mário Soares foi “bastante malcriado”. Terá metido “carvalhos e o orifício reprodutor da mãe” na gritaria?
Esta gente enlouqueceu.

Sonhos de menino

Para o ex-primeiro ministro José Sócrates, pagar as dívidas “é uma ideia de criança” e pelo que parece, “as dívidas não se pagam, gerem-se”. Compreendemos o que quis dizer numa algaraviada de economês, mas a ideia que J.S. deixa urbi et orbi, vai ao encontro dos desejos mais recônditos de quem tem prestações a cumprir. O neo-filósofo parisiense, deixa transpirar um princípio tão mal compreendido, como perigoso. Se o leitor se esmifra para todos os meses depositar a devida quantia que lhe paga a casa, desista e passe a “gerir” a coisa, abrindo a possibilidade de um dos quartos ser utilizado à meia hora. Se por acaso lhe descontam os dois ou três centos de Euros que lhe garantem a condução do automóvel, não se rale, pois é melhor “gerir” a situação de outra forma, talvez recorrendo a trabalhos “extra” de esquina do próprio e da sua cônjuge.

Ainda ontem Mário Soares dizia em entrevista, que a política é que deve mandar nos mercados. Coisa fácil de proferir e que os ouvidos querem escutar. Com um bocadinho de sorte, talvez pretenda também uma “gerência” qualquer. Onde, isso é coisa que não sabemos.

Oportunismo político

As vozes não valem apenas pelo que dizem nas também pelo momento em que se fazem ouvir. Onde estava Mário Soares quando o BPN foi nacionalizado? E onde estava quando, em 2008, o primeiro-ministro e secretário-geral do seu partido decidiu ignorar a crise que aí vinha, lançando dinheiro a rodos em sumptuosas obras escolares, em mais estradas e num TGV-nado-morto até ao Poceirão apenas porque tinha uma eleição a ganhar, custasse o que custasse? Sabemos o que custou – está a custar.

E quando o programa de governo dos próximos anos, vulgo troika, foi assinado onde estavam tão ilustres signatários? Soares entretinha-se com o seu Nobre delfim, Pedro Adão e Silva brincava à escrita de programas eleitorais e quanto à maioria dos restantes militantes/simpatizantes socialistas, deles nada mais me ocorre para além do silêncio cala-consente.

Falam da terceira via. Porra, o que foram 6 anos de Sócrates? Haja decoro! E evocam a Primavera árabe, mas estarão a falar desse novel regime que também atira violência para cima dos que se manifestam? E, no meio de tanto palavreado que trataram de negar enquanto governo, mostram-se contra as privatizações e a austeridade. É certo que o memorando da troika não saiu no francês do agrado do sr. Soares nas o Aventar traduziu-o para a nossa língua.

Haja memória e coerência, que de oportunismo político estou farto.

Moisés é candidato a secretário-geral do PS

Mário Soares. “O PS tem de fazer uma grande separação de águas”

Depois das afirmações de Mário Soares, o decano fundador do PS, é provável que o profeta Moisés avance com a candidatura a secretário-geral dos socialistas, concorrendo contra Seguro e Assis.

Soares comentou a hipótese ao Aventar: “Antes de mais, o Moisés é muito bom rapaz e já nos conhecemos há muito tempo: dei-lhe imensos conselhos, era ele ainda um adolescente. Parece-me o candidato ideal, porque tem muita experiência na separação de águas que é preciso fazer. Para além disso, pela sua experiência com o decálogo, poderá contribuir para a reformulação dos estatutos do partido. Finalmente, a experiência de conduzir pessoas pelo meio do deserto revelar-se-á fundamental para o PS nos anos que se avizinham.”

Recado do 25 de Abril a Mário Soares

Seja bem-vindo quem vier por bem

Zeca Afonso

Com esta entrevista, Soares, no habitual uso e abuso do papel de paternalista supremo da democracia portuguesa, critica Blair, o famoso “socialista” do New Labor, curiosamente grande inspirador das políticas de Guterres e, a seguir, de Sócrates – recordo-me de Francisco de Assis, no anos 1990,  elogiar o Tony pela sábia refundação trabalhista, através da 3.ª via (É dele e da conservadora Thatcher, antes, que emergiu a moda das PPP).

Leio também que o presidente honorário da ‘comissão de anciãos’ da política portuguesa dispara, forte e feio, contras  políticas neoliberais, incriminando Merkel e Sarkozy. Teria  razão, se não estivesse desacreditado pelo apoio a Sócrates. Usando o mesmo sentido e o tom, com que acaba de elogiar Pedro Passos Coelho. Justamente um político confesso do neoliberalismo que Soares diz condenar – do dizer ao condenar, vai alguma distância. Talvez pela influência da visita (secreta?) de Soares a Coelho um dia destes, este último se tenha apressado a criar  a ilusão de ser defensor do sistema público de saúde, em mensagem de Páscoa, em vídeo,  no ‘Facebook’.

Há ainda um considerável número de portugueses com dificuldades em acreditar nestes jogos de cintura e contorcionismos dos políticos do bloco central; o tal bloco que, pela terceira vez em cerca de 30 anos, traz até nós a ajuda externa (agora, FMI-CE-BCE), com a uma esperada e pesada carga de sacrifícios.

Dr. Mário Soares, estamos a poucas horas de comemorar o 36.º aniversário do 25 de Abril e permita-me sugerir que tome em conta o seguinte: “Seja bem-vindo quem vier por bem”, como dizia o Zeca Afonso. Seria útil que, ao menos uma vez, escutasse e respeitasse a voz do Zeca, isto é, a voz dos cidadãos anónimos que sentem as derivas ao Abril de 1974. Dos que, como eu, aqui em pleno Alentejo gritarão: Viva o 25 de Abril! A despeito do abandono, das carências, do desemprego e das injustiças sociais a que estamos sujeitos. Coisa bem diferente do que se passa nos locais que frequenta.

O que se passa com Soares?

Mário Soares, inegável raposa velha, não dando ponto sem nó, lançou no panorama político estas pérolas, numa entrevista ao jornal i:

Se é possível atribuir culpas, de quem foi a culpa de termos chegado aqui, à necessidade de pedir um empréstimo ao FMI outra vez?

Para responder com isenção a essa pergunta, dir-lhe-ei que as culpas são repartidas. Não interessa nada agora afirmar que as culpas são de uns ou de outros. (…)

Porque é que Sócrates e Passos Coelho não se entendem?

(…) Custa-me a compreender isso. (…) É verdade, acho que [Passos Coelho] é uma pessoa com quem se pode falar e acho que é necessário falar com ele e, se possível, chegar a acordo (…).

A ideia de pedir um compromisso aos partidos foi sua?
Não, a ideia foi de várias pessoas. Reuniram-se espontaneamente porque estavam ansiosas quanto ao que podia acontecer. Naquele dia, de quarta para quinta-feira, em que chegou a temer-se que houvesse uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro, as pessoas começaram a ficar aflitas, os banqueiros em primeiro lugar, mas não só, as pessoas mais variadas, de todas as condições e de todos os partidos. Houve então uma meia dúzia de pessoas que se puseram de acordo para fazer um apelo aos responsáveis dos partidos, para se entenderem entre si, sem se injuriarem nem atribuir reciprocamente as culpas. (…)

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Passos Coelho tem dupla personalidade

De acordo com o DN, Mário Soares terá afirmado ao i que Passos Coelho é “bem-intensionado”. No i podemos ler que, afinal, Passos Coelho é “bem-intencionado”. São discordâncias como estas que deixam o leitor confuso, sobretudo se for um leitor que acredita que os jornalistas devem saber português.

Entretanto, Mário Soares lá vai amassando o barro do centrão (no DN, escreve-se sentrão). Numa coisa, concordam os diários: Passos Coelho é alguém com quem se pode falar. Resta saber se é alguém que saiba ouvir.

Passos de Nobre

“Depois da minha candidatura presidencial e da caminhada que comigo fizeram milhares de portugueses, muitos desiludidos com a política e sequiosos de encontrar uma alternativa de cidadania, não foi simples nem óbvio para mim encontrar a resposta justa e assertiva ao desejo que o dr. Pedro Passos Coelho me colocou”

Fernando Nobre, no “Facebook”

O conceito de ‘sociedade civil’, em meu entender, sempre foi uma definição demasiado abstracta. De tão inclusiva, corresponde a uma representação teórica capaz de albergar todas as personalidades, mesmo as mais contraditórias entre si. Basta analisar  com minúcia  o antagonismo de projectos de organização social e política defendidos – ou ignorados -por grande parte dessa amálgama espúria de societários da tal sociedade.

Do médico, presidente da AMI, já neste ‘post’ descrevi o que entendi ser justo e a verdade da AMI, as personalidades de topo do organograma da associação, ainda actual, e respectiva situação económica e financeira de 2009 – os principais financiadores eram, e eventualmente continuarão a ser, o Ministério da Segurança Social e Municípios; ou, dito de forma sintética, dinheiro público. Fui vergastado por críticas. É, porém, ineludível a autenticidade dos dados publicados, cuja fonte foi a própria AMI.

Pedro Passos de Coelho, fruto da doença infantil da originalidade,  acaba de estender a honrosa passadeira aos ‘Passos de Nobre’ para a caminhada como “cabeça-de-lista” do PSD até à presidência da AR. Diga-se, porque oportuno, com a mesma devoção de Mário Soares nas presidenciais e a confiança de Francisco Louçã nas eleições europeias.

Que pensar de tudo isto?

Portugal: Prozac ou Viagra?

O País, na lógica de ciclos e contra-ciclos da vida colectiva, está a sofrer de uma patologia grave. Grave e difusa. Os especialistas da cura, principais líderes políticos do regime, discordam, entre si, dos métodos e meios terapêuticos a aplicar. Andam em quente disputa pelo mérito de quem tem a milagrosa receita.

Sócrates, o terapeuta dotado da capacidade de tranquilizar um País vergastado pela crise nacional de que é um dos protagonistas, acusa de leviandade a concorrência. Se o povo o acompanhar – quer ele que se acredite – os portugueses, a sua economia, os mercados e os investidores, no conjunto, todos se quedarão calmos e entregues a noites de profundo descanso. Sem a preocupação de intervenção financeira externa, acentue-se. Sócrates, representa, deste modo, o papel do ‘Prozac’, uma vez que estamos todos perturbados e a necessitar de recuperar a saúde mental. Com tranquilidade…

Do outro lado, Pedro Passos Coelho teme que não existam terapias eficazes em território nacional, promovendo, se necessário, a ajuda do FMI para reerguer a nação. E, de facto, porque de um problema de erigir se trata, temos o Coelho a desempenhar o papel do Viagra.

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O meu presidente favorito – uma questão de copos

Uma vez que já sei em quem não vou votar, não preciso de andar a reflectir muito antes que chegue o momento de carregar a cruz até ao boletim de voto, novo Gólgota. De qualquer modo, só me interessa o aparentemente improvável: haver uma segunda volta.

Livre que estou de dúvidas, quedei-me ocioso e deu-me para pensar: qual terá sido o meu presidente favorito?

Não seria lícito exigir a outros a perfeição de que a Natureza não nos dotou e acabei por ficar dividido entre Mário Soares e Jorge Sampaio.

Um dos primeiros critérios que uso para definir se gosto de alguém que não conheço pessoalmente resume-se nesta pergunta de evidente valor científico: “será que iria beber um copo com este gajo?” [Read more…]

Central de Camionetes de Bragança

Do comboio foi entre 1906 e 1992. Depois vieram os burocratas e escavacaram Trás-os-Montes.

Presidente Oliveira da Figueira


Tivemos o sr. Teófilo e as suas positivas burrices. Logo a seguir, chegou o sr. Arriaga patrocinando “golpe de espadas” e descoroçoados lamentos acerca de quem o rodeava e daquilo que significava a instituição. O Bernardino, esse que não merece o senhor, consistiu numa tisana de cogumelos venenosos, engrossada com Agarol. A brincadeira Sidónio, coisa que ficou entre o pingalim à entrada da sopa dos pobres e o general Tapioca. Os impotentes srs. Almeida e Gomes e as águas paradas do sr. Carmona que por uns tempos deram a beber a mais uma excelsa burrice, de seu nome Higino Lopes. O loquaz sr. Thomaz e o arrependido que se des-arrependeu Spínola. O saltitante sr. Gomes II, do esquecido crachá da PIDE e do Movimento para a Paz e Cooperação, a expensas dos generosos cofres da URSS; o nosso Monk adiado que se conhece por sr. general Eanes e entramos, finalmente, na 3ª República em toda a sua plenitude.

Vamos então, à conhecida paternidade da geração rasca, a da conversa fiada dos “Oliveiras da Figueira”.

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Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. A amizade com Bettino Craxi

continuação daqui

A partir da sua eleição em Genebra, em 1976, os vice-presidentes da Internacional Socialista Bettino Craxi e Mário Soares estabeleceriam uma relação de grande amizade pessoal. Um tipo de relacionamento descontraído, comum a pessoas com gostos e pontos de vista semelhantes. O PSI tinha ajudado bastante a Acção Socialista através de Manuel Tito de Morais, que vivera exilado em Roma, mas, depois do 25 de Abril esse apoio seria relativamente modesto.
Assim, eu seria surpreendido quando Mário Soares informou que a situação mudara e que o seu cunhado e eu nos deveríamos deslocar a Milão no dia 15 de Setembro (1977), a fim de receber uma considerável quantia de dinheiro. Naquele dia, Fernando Barroso e eu teríamos à nossa espera um dos assessores de Craxi para assuntos financeiros, Ferdinando Mach, que nos levaria numa agradável viagem de carro à cidade de Lugano na Suíça, onde nos seria entregue aquele dinheiro. Meio milhão de dólares que deixavam o partido numa situação desafogada.
Nunca me foi dito qual a razão dessa generosa dádiva e nem a mim me competia fazer quaisquer «investigações». [Read more…]

Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. O acordo com o CDS

continuação daqui

O primeiro-ministro Mário Soares nem acreditava que o general Ramalho Eanes tivesse «coragem» para lhe retirar o tapete, nem que houvesse alternativa ao seu Governo. Acreditava, sim, que Eanes lhe devia a ele o facto de ser Presidente da República e que o PSD e o PCP lhe deviam, embora por razões contrárias, a sua existência legal. Assim se explica o inacreditável «memorando» que enviaria aos partidos a 15 de Novembro, esclarecendo que «o PS não aceita entrar em nenhum Governo de coligação.
Por duas razões, fundamentalmente: — porque tal posição representa um compromisso tomado perante o eleitorado e… porque considera que um Governo de coligação, ainda que pudesse ajudar a vencer certas dificuldades no plano parlamentar, não teria operacionalidade e viria ainda agravar as tensões sociais e regionais já existentes». Alegava ainda que uma coligação não poderia resultar de uma decisão das cúpulas «devendo antes resultar de algo sentido e vivido pelas bases dos partidos interessados». Este «memorando aos partidos» continha uma proposta de plataforma que no fundo não passava da repetição da posição de arrogância em que o I Governo se colocara.
Era a repetição da tese do «PS sozinho», com a ameaça da moção de confiança pelo meio. [Read more…]

Contos Proibidos: Uma reunião em Washington. A criação da UGT

continuação daqui

No dia 16 de Abril de 1977, teria lugar em Amsterdão mais uma cimeira da Internacional Socialista. O único acontecimento de relevo que justificava aquela reunião era exprimir solidariedade ao PSOE, que tinha sido legalizado no mês de Fevereiro e preparava as primeiras eleições livres daquele país para o mês de Junho. Helmut Schmidt era um dos presentes e dado que no dia seguinte Mário Soares partiria para a sua primeira visita oficial aos EUA ficara acordado haver ali mesmo um encontro entre os dois.
Como havia pouco tempo para o realizar, esperávamos resposta do chanceler quando este me fez sinal para ir ter com ele. Disse-me então para levar Soares para fora da sala de reuniões em que nos encontrávamos, acabando o encontro por ter lugar num vão de escada no hall de entrada. O essencial deste breve encontro seria uma análise sobre a maneira como deveria decorrer o «grande empréstimo» e a sua opinião sobre a proposta do presidente Cárter, relativa ao mesmo.
O estilo de reunião era um pouco insólito e um dos fotógrafos presentes não perderia a oportunidade para tirar uma foto que iria ser publicada em jornais de todo o Mundo. Schmidt explicaria então que o seu governo estaria disposto a participar no chamado «grande empréstimo» proposto pelo presidente Cárter, desde que o Governo português estivesse na disposição de se submeter ao rigor de um aval do Fundo Monetário Internacional. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. As primeiras negociações com o FMI

continuação daqui

«Nas negociações que conduziu com Portugal, o Fundo Monetário Internacional não exigira ao governo do Partido Socialista que apresentasse uma moção de confiança e existia mesmo, por parte dos países que avalizariam esse empréstimo, uma grande pré-disposição para ajudar Portugal. Mário Soares era visto com enorme simpatia quer nos EUA quer na Alemanha, principais parceiros do chamado «grande empréstimo» de 1,5 mil milhões de dólares.
Francisco Salgado Zenha tinha sido o pioneiro dessa ajuda internacional, quando em Março de 1976, enquanto ministro das Finanças, estivera nos Estados Unidos com o embaixador Frank Carlucci que apoiava plenamente a ideia. Nessa altura «Francisco Salgado Zenha sensibilizou Kissinger para esse assunto, quando visitou Washington em Março de 1976, e Carlucci deslocou-se especialmente aos Estados Unidos para advogar medidas de emergência, tendo a sua acção sido decisiva, designadamente pelos esclarecimentos que prestou ao Congresso, deixando de Portugal a imagem de um país em recuperação».
Tendo assistido e até participado em grande parte das conversas e negociações sobre o chamado grande empréstimo e seus antecendentes, posso assim garantir que se deve essencialmente a Salgado Zenha todo o trabalho pioneiro nesta área. 0 que revela uma tese completamente diferente da que os «serviços de contra-informação do PS lançariam em 1976, para justificar o seu afastamento do I Governo. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. A queda do I Governo Constitucional

continuação daqui

Na madrugada de 7 para 8 de Dezembro cairia o I Governo. O Presidente da República, general Ramalho Eanes, iria fazer tudo ao seu alcance para que este governo que agora acabava e a «alternativa parlamentarmente exequível» fossem os Governos do nosso descontentamento, que iniciariam um longo processo de descaracterização dos ideais de altruísmo e solidariedade que tinham estado na origem do jovem movimento socialista democrático português.
A tentativa do «PS sozinho» caíra por terra, assim como as esperanças dos que pensaram que o I Governo seria imbatível na sua configuração PS/Eanes. Mas o receio de Sá Carneiro era tão grande, que o PS continuaria a contar com Ramalho Eanes para o bem e para o mal, apesar das suas constantes demarcações. Mesmo depois de se ter pressentido que Eanes mantinha uma velada ambição de substituir Soares na liderança do PS.
A questão formal que estivera na base da queda do I Governo, a exigência de um amplo apoio parlamentar para as negociações com o FMI, não passaria de uma falsa questão. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Um discurso histórico de Ramalho Eanes.

continuação daqui

«O primeiro golpe contra o primeiro governo de Soares vem, contudo, de onde Soares menos o espera. Vem de Belém e reveste a forma de um discurso». A três meses do seu primeiro aniversário, já o I Governo estava condenado. Ramalho Eanes, querendo evitar associar-se à impopularidade do governo que empossara, faria um curioso discurso na Assembleia da República demarcando-se por completo de Mário Soares. Este, atordoado mas convencido da sua intocabilidade, responderia de cócoras que «é certo — como notou o Presidente da República no seu discurso na Assembleia — que muitos dos ideais que floriram com a revolução de Abril e muitas promessas então feitas ao Povo, com certa dose de ingenuidade e muita demagogia, não puderam ser realizadas».
Mas quando os enfants-gatés são contrariados geralmente têm birras. A do primeiro-ministro foi a de responder ao Presidente da República com uma ameaça, tentando obter um acordo parlamentar com o PSD e Sá Carneiro. [Read more…]

Contos Proibidos: A remodelação do I Governo Constitucional

continuação daqui

«Os três grandes problemas do I Governo Constitucional seriam, em primeiro lugar, a ausência de apoio maioritário na Assembleia da República, que não foi procurado pela convicção de que Ramalho Eanes estaria sempre submetido à vontade do Partido Socialista e de que, à sua direita, ninguém se atreveria a assumir a responsabilidade pela queda do I Governo; em segundo lugar, a absoluta necessidade de encontrar meios financeiros internacionais que ajudassem Portugal a resolver os gravíssimos problemas resultantes do défice da sua balança de pagamentos e, finalmente, a preparação da candidatura à Comunidade Económica Europeia. Depois, existiam todas as questões inerentes às deficiências da equipa ministerial escolhida e a algumas das políticas que o Governo se propunha desenvolver.
É verdade que passados seis meses já todo o País estava farto do I Governo Constitucional. [Read more…]

Contos Proibidos: O apoio de Kadhafi ao PS e as relações com Israel

continuação daqui

Uma outra questão essencial da política externa do PS foi o empenho com que «forçámos» o Governo Português a normalizar as relações diplomáticas com Israel, encontrando eu em Salgado Zenha o principal protagonista desta normalização. A quase totalidade da direcção socialista saída do II Congresso tinha laços antigos com os argelinos.
O apoio financeiro do coronel Kadhafi, em 1974, era uma outra importante condicionante ao reconhecimento de Israel. O que, a meu ver, era um autêntico disparate. Não só porque o país existe e era (e continua a ser) a única democracia do Médio Oriente, mas porque esse não reconhecimento tinha repercussões político-económicas em todo o mundo ocidental. Havia também que contar com o facto de existir em Israel um partido que fazia parte da IS.
A resistência do Governo, à semelhança do que se passara com os Governos Provisórios, dava lugar a rumores de que Portugal cedia às pressões do mundo Árabe, ao passo que era do conhecimento geral de que seríamos mais respeitados pelos árabes reconhecendo Israel, do que o não fazendo. Um outro fundador do PS e da chamada ala moderada do partido, Bernardino Gomes, que Soares tinha designado para certos contactos com a CIA, desenvolvia então em Lisboa uma espécie de lobby pró-israelita. Era seu assessor em S. Bento e muito diligente para com a família Soares. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Soares e os outros líderes socialistas europeus

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«Era primeiro-ministro do I Governo Constitucional, atravessava uma vertiginosa promoção nacional e internacional e aparecia nos media, sobretudo norte-americanos, como o «herói» dos mencheviques que derrotara os bolcheviques. Acima de tudo, controlava de forma absoluta o Partido Socialista e em Setembro de 1976, no PS, tudo dependia da sua vontade. Nenhum dos responsáveis por pelouros no Secretariado Nacional permanecia durante muito tempo no seu posto. Iam sendo mudados para não adquirirem demasiado poder. Essa era e sempre foi a sua estratégia. Com duas excepções. Salgado Zenha, que só em 1981 quando «disciplinadamente vota de acordo com a sua orientação» é que «Soares sente que só naquele momento o submeteu» e eu próprio. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. O poder absoluto de Mário Soares no PS

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«No II Congresso do Partido Socialista, que teve início no dia 30 de Outubro, cumprir-se-ia a «promessa» que Salgado Zenha e o secretário-geral me tinham feito em sua casa em Janeiro de 1975, no sentido de ser corrigido o erro e a injustiça cometidos no
turbulento I Congresso. Assim regressaria à Comissão Nacional e Directiva do Partido Socialista de que tinha sido co-fundador. Mas seriam, essencialmente, o trabalho entretanto desenvolvido e as decisivas iniciativas para o PS que iriam justificar plenamente
a minha ascensão ao Secretariado Nacional e a confirmação no pelouro de responsável pelas relações internacionais.
A própria comunicação social se apercebera desse facto, comentando um semanário que «o Grupo que em 74 foi marginalizado do PS durante a luta interna com Manuel Serra (grupo este que participava no PS desde os tempos da clandestinidade) deverá regressar ao primeiro plano, em particular, à Comissão Política Nacional. É o caso de Vítor Cunha Rego, Rui Mateus, Alfredo Barroso, Bernardino Gomes e Rudolfo Crespo. A sua ‘reabilitação política’ revelará um acentuar do peso dos moderados no seio do PS». [Read more…]