Custou mas foi

Há anos que designo os neoliberais que tomaram conta do PSD/CDS como extrema-direita. Tenho levado como reacção que é um exagero, onde meto o (inexistente) PNR, etc, etc.

Há anos que coloco o PS na direita, vá lá, centro-direita, como o social-liberalismo à moda de Blair que representa. Insulto, queixam-se uns, é de centro-esquerda, és um exagerado, levei como resposta.

Até que um dia os insuspeitos Abrantes falam de erro de paralaxe: “O que já vinha a acontecer na década anterior, e se aprofundou nestes últimos quatro anos, foi uma transformação do PSD num partido da direita radical, abdicando até de se reclamar da «social-democracia».” E segue-se que, depois de lido o documento macro-neoliberal do PS (austeridade com vaselina, submissão ao euro e à ortodoxia europeia), a extrema-direita lá chega, basta ler o Pedro Romano:

Francisco Louçã tem um excelente texto no Público, que toca mais ou menos nos mesmos pontos, embora de forma detalhada. Lido do princípio ao fim, penso que só divergimos na forma como encaramos a essência do programa do PS: Louçã com repulsa, eu com alívio.

O texto de Louçã realmente desmonta como o PS se prepara para mais do mesmo, pasokismo que o há-de partir ao meio; deixemos o governo grego sair do euro e demonstrar como algum tempo de sacrifício prova  haver alternativa, e valer a pena. A dívida é impagável, o euro é uma moeda alemã, o resto é conversa de treta.

Finalmente, obrigado António Costa, por outras razões, é certo, também fiquei  aliviado.

Os maus observadores

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Escreve o Filipe Tourais no Facebook:

A malta que se diz “de esquerda” farta-se de partilhar por aqui artigos do Observador, que lhes agradece a publicidade ao seu pasquim trauliteiro-liberal, a malta de direita nunca partilha artigos do esquerda.net ou do Avante, boicotam as fontes de informação “perigosas”.

É isto mesmo. O Observador cumpre duas funções: arranjar um emprego aos blogueiros da direita (coitada da Helena Matos, por exemplo, que viu terminado o contrato da sua empresa com a rádio pública) e avançar no velho projecto do Compromisso Portugal, defendendo este governo e exigindo-lhe que vá ainda mais longe. Haver quem se disponha a, por exemplo, discutir com seriedade um projecto encapotado de regresso à constituição de 1933, só por masoquismo.

O mais longe não é um projecto democrático, como só não percebeu nestes quatro anos que anda com os olhos tapados. Eles matam, seja por falta de assistência médica, seja pela fome e miséria, e uma ideologia que tem como objectivo a desgraça do seu próprio povo só se consegue estabelecer por imposição estrangeira (já temos), domínio quase absoluto da comunicação social (aqui o Observador é uma mera vanguarda) ou golpe militar (falta-lhes, felizmente, a tropa). O neoliberalismo é incompatível com a democracia política, ponto final.

É verdade que se a esquerda não tem patronato que ofereça 3 milhões a fundo perdido para um projecto que já os deve ter esbanjado, não é por isso que não temos, nem online, um jornal assumidamente das esquerdas, e que a direita se entretivesse a boicotar. Nós esbanjamos o bom senso, a capacidade de suprir divergências e de nos unirmos no essencial. E vamos pagar caro por isso, ai se vamos.

Federalismo europeu para tótós

O neoliberalismo não dominou a Europa através de um partido, de uma acção clara, democrática, porque na sua essência tenta precisamente subverter a democracia de forma discreta, quase invisível. Vivemos dominados por ele e não damos por nada, o que é pura ideologia é-nos vendido como sendo uma “solução natural”, inevitável, lógica. O neoliberalismo é uma ideologia clandestina, tão subtil como isto:

Um desses autores é Friedrich Hayek, a grande referência intelectual de pessoas como a senhora Thatcher e que escreveu este livro, ‘O Caminho para a Servidão‘, que tem um capítulo sobre as perspectivas da ordem internacional.
Este capítulo tem uma citação de Lord Acton, uma referência muito conhecida do pensamento liberal, em epígrafe E eu queria ler-vos essa epígrafe: “de todos os controles à democracia, a federação tem sido o mais eficaz e o mais adequado. O sistema federalista limita e restringe o poder do soberano, dividindo-o e atribuindo ao governo apenas alguns direitos bem determinados. É o único método de condicionar não só a maioria, mas também o poder do povo“.

José Castro Caldas desmonta uma dessas facetas, a da federalização anti-democrática que vivemos. Quinze minutos a não perder.

Via Ladrões de Bicicletas.

Quanto vale a vida de um canalha?

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Por exemplo, admitamos que um ano vida de uma pessoa normal vale 1 QALY, e que uma pessoa com hepatite C vê a qualidade de vida reduzida em 50%, ou seja, 0.5 QALYs. Se o tratamento para a hepatite C permitir recuperar esses 0.5 QALYs durante 30 anos, então o valor desse tratamento será de 0.5 vezes 30, 15 QALYs.

Mais uma vez tenho de agradecer ao Mário Amorim Lopes o imenso favor de demonstrar que o neoliberalismo mata, e  muito. Não tanto como os fascismos, dizem, porque não mata a eito e com milícias, assassina com folhas de cálculo e uma religião a que chamam economia. Como os mortos ficam mortos na mesma, e a lógica ditatorial (é óbvio que um regime neoliberal é insustentável em democracia) não varia tanto como isso, lá vai cumprindo o seu papel sucessório, arquitectado pelos hayekes e pelas randes deste mundo.

Quanto à pergunta: eu acho que a vida do Mário Amorim Lopes não tem preço. Mais que não seja, perder um idiota tão útil seria um desperdício.

Uma enorme lata

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O próximo governo grego será o primeiro governo de esquerda da Europa desde… sejamos magnânimos, o governo francês de 1981-83. A rigor teríamos de ir ao Portugal da década de 70, ao V Constitucional, para não ir mesmo mais atrás, ao V Provisório. Obviamente não conto com as ditaduras dos satélites da URSS, que além de ditaduras são tanto de esquerda como o actual da China. [Read more…]

O verdadeiro perigo por detrás do ‘Estado Islâmico’ e dos terrorismos

lego_terroristaDiogo Barros

O atentado ocorrido a 7 de janeiro ao jornal satírico Charlie Hebdo reacende a questão do terrorismo islâmico da al-Qaeda, e também do Estado Islâmico a das suas supostas pretensões de reconquista dos territórios perdidos do Califado. A existência deste(s) grupo(s) terrorista(s) e as suas declarações serão, com muita probabilidade, o motivo mais claro e decisivo para fazer ressurgir o apoio popular a Estados totalitários, corporativistas e policiais, como os dos anos 20 e 30 do século XX. Estes, sim, o grande perigo para a liberdade.

Já se notam muitos tiques autoritários na atual III República para quem estiver mais atento ou for mais crítico. Tiques esses que não vêm de agora e são um claro sintoma de agonia do regime.
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Sou Chalie Hebdo e também sou Ana Gomes, consequentemente

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A extrema-direita portuguesa não está minimamente preocupada com um atentado à liberdade de expressão, que vitimou hoje vários dos seus heróis. É uma guerra que não lhes assiste, a deles é económica e santa.

Assim a indignação virou-se contra esta afirmação de Ana Gomes, que num país ocupado por línguas bárbaras sou obrigado a traduzir:

#CharlieHebdo – Horror! Também o resultado de políticas anti-europeias de austeritarismo: desemprego, xenofobia, injustiça, extremismo, terrorismo.

(Na Lusa, citada pelo órgão central da extrema-direita neoliberal, parece que traduziram austerisme por políticas de anti-austeridade, o que já ultrapassa ligeiramente a simples ignorância da língua de Rimbaud).

Para o perfeito neoliberal tudo se explica pela moral, na velha lógica religiosa: há os bons, e os maus. Os maus são maus porque são maus, e neste caso porque são maometanos. Cavalgando na sua guerra santa, não podem compreender que os praticantes do mal, e concordamos embora por razões diferentes que desses se trata, existem não por inspiração demoníaca mas uma qualquer razão, lógica, causa. [Read more…]

O neoliberalismo não é um slogan – histórias de uma ideia poderosa

Afinal o que é isso do neoliberalismo? João Rodrigues, em quatro colóquios que tiveram lugar na Cultugeste, disseca a História da corrente ideológica que hoje, discretamente, domina o mundo. Quatro magistrais lições que podem ser ouvistas na respectiva página, da qual republico a primeira por ter um erro de edição no original.

Para reflexão

(será mesmo o fim do neo-liberalismo?)

Mais uma fábula desmentida pelos factos

Do Expresso desta semana retive esta peça. Não batia certo com qualquer coisa que tinha lido, embora coincida com a minha memória pessoal:

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Hoje ocorreu-me, era isto: [Read more…]

A crise do socialismo hegemónico

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A anedota já tem uns dias, mas não perdeu a piada: Bruno Maçães, o humorista que de Harvard saltou para a Coreia e aprecia ditaduras educativas, contou 35 anos de hegemonia socialista em Portugal, causando estupefacção em quem o leu, no DN ou na Jugular.

Há dúvidas? abram uma qualquer publicação no Insurgente, no Blasfémias ou na 4ª República e leiam os comentários (no Corta-Fitas não é preciso ler os comentários).

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“A resistência é a coragem da liberdade”

Uma análise interessante do filósofo Costas Douzinas sobre o presente e o futuro da Grécia e da Europa em tempos de submissão ao neoliberalismo (em castelhano).

A História é o que a malta quiser

manuel_fernandes_tomaz

As seitas; religiosas, futebolísticas ou políticas, são pela sua natureza um perigo para a espécie humana. Começa por enfrentá-lo quem lá entra, acaba a levar com ele quem está de fora.

Solidário com um correlegionário defensor do homicídio por especulação com medicamentos, Mário Amorim Lopes decidiu brindar-me com a peculiar noção da História dos insurgentes, uma seita que alimenta este governo e é sua vanguarda ideológica. Sentem-se, que já vi gente a cair ao chão por menos do que ler isto:

Em 1789, principiado na Revolução Francesa e perpetrado durante o Reino de Terror, os jacobinos e os proto-socialistas em formação ideológica acercavam-se da vida dos outros através da guilhotina.

Deixemos os atentados básicos à língua portuguesa, principiados e intermináveis, fiquemos por esta mirabolante definição da primeira revolução liberal europeia, onde pelos vistos abundavam os “proto-socialistas”, conceito eventualmente encontrado no cérebro de um protozoário mal disposto em dia de diarreia mental. Como qualquer português que tenha concluído o 8º ano de escolaridade com mais de 1 a História sabe, o liberalismo entra em Portugal pela mão francesa, napoleónica e não só, mas de súbito Manuel Fernandes Tomás, o primeiro mártir do liberalismo português, poupemos ao Mário uma ida ao google, fica entalado entre o jacobinismo e o proto-coiso. [Read more…]

Gajos que merecem um AVC

João Luís Pinto, de preferência sem Varifene no mercado.

40 anos de neoliberalismo, de Pinochet aos nossos dias

A data de 11 de Setembro de 1973 está para o neoliberalismo como a de 7 de Novembro de 1917 para o leninismo. Curiosamente os leninistas (seja lá o que isso for) comemoram a sua, mas a maioria dos neoliberais é discreta, entretendo-se neste dia com um crime bem menor.

O assalto ao poder democrático chileno perpetuado perpetrado por Pinochet/Kissinger seria mais um golpe de estado no quintal norte-americano não tivesse o general optado por um novo modelo económico, o dos discípulos de Milton Friedman. O Chile seria o laboratório para as experiências de capitalismo em estado de pura selvajaria, o tubo de ensaio de Thatcher e Reagan, hoje em estado de avançada aplicação em Portugal.

O mesmo Chile que via ali terminada a experiência de um primeiro grande governo de unidade popular, uma coligação de todas as esquerdas que, pesem os erros e hesitações, demonstrava já os seus frutos, naturalmente boicotados pela CIA e pelos privilegiados chilenos em estado de aflição.

Quarenta anos depois, e se Allende está longe, Mujica e o governo do Uruguai estão bem próximos. Para derrotar os herdeiros ideológicos de Pinochet (se dúvidas tiverem vejam como o guru Alberto Gonçalves nem sequer disfarça muito) não conheço outro caminho.

la ultima foto de Allende

Quando as eleições não dão jeito nenhum não se fazem

Rio fdp

É oficial: a nossa extrema-direita pregadora do neoliberalismo (essa variante pós-moderna do nazi, que substitui campos de concentração pelo darwinismo social e o Führer pelo mercado) passou à hora do tudo ou nada: eleições? não pode ser, por causa do orçamento, da troika e da dívida. Isto pregava agora Helena Matos na TVI, num intervalo de se dedicar à denúncia do domínio da comunicação social pela esquerda, e enquanto o Canalha Lourenço titula a sua crónica de hoje: precisamos de uma ditadura financeira.

Eleições é para quem as merece e quando não existe o risco de o eleitorado votar à esquerda.

A norte, em bicos de pés, Rui Rio, o homem que quando ouve falar de cultura puxa logo dos pópós, mobiliza as suas tropas, que ficarão para a história como os camisas ajadrezadas (não é uma alusão ao Boavista, é da sua intenção de nos meterem no xadrez). Numa petição proclamando que ele deve ser o próximo primeiro-ministro de Portugal, quando alguém solicita a identificação dos seus autores recebe esta resposta: [Read more…]

Dai-lhes um Hitler, senhor, no aniversário

Crianças judias expulsas de escola nazi

Crianças judias expulsas de escola nazi

Educai-os senhor, que eles só sabem o que ensinam é o título de uma prosa de Mário Amorim Lopes, suponho que a sua estreia no mundo do humor negro. Grosso modo é o que pensa Nuno Crato, pelo menos no Brasil.  A cena é assim:

Por causa do clima e outras cenas de cada terrinha, o Mário Amorim Lopes acha que o ensino deve ser bué de descentralizado. E autónomo. Vai daí, cada escola que trate da sua vida, diz que é uma espécie de heurística, bora lá curtir uma de experimentalismo.

O detalhe de para se escrever um programa dar um certo jeito nomear um grupo de trabalho presidido por uma autoridade científica, normalmente vinda de uma universidade, acompanhada por quem percebe de didáctica da respectiva disciplina e já agora por professores com experiência de leccionação (nem sempre é assim, mas devia ser), é o tal detalhe, vamos ao importante.

O importante é que algures na C+S de Alguidares de Baixo se juntem os três professores de uma dada disciplina e experimentem. Excelente ideia, também se devia aplicar ao sistema de saúde. Os dois médicos que trabalham no Centro de Saúde local também podiam meter o bedelho nalgumas especialidades, sei lá: um fazia umas cirurgias, o outro dedicava-se nos momentos de ócio a descobrir um novo tratamento para as cataratas, e os enfermeiros bem que podiam ficar com coisas mais simples, como as infecto-contagiosas e os cancros. Com jeito e habilidade todos juntos ainda faziam uns transplantes.

Pode correr mal? que se lixe; Alguidares de Baixo é longe, os bisavós dos putos nem sabiam ler nem escrever e foram felizes. [Read more…]

A Direita e sua História

Quando apareceu esta cena do neoliberalismo no jardim da Europa à beira-mar semeado soltei um razoável desprezo pela novidade em si. Se por um lado vejo as teorias políticas mais para o lado da treta e me interessam sim as práticas (o que já me causou dissabores, nomeadamente académicos, mas sou como sou e não como eventualmente gostaria de ser), por outro encaro em consequência esquerda e direita num quase contínuo histórico e as ideologias modernaças com o mesmo desinteresse de um desfile de moda.

A prática confirma: a nossa direita que na anterior geração foi fascista (ou com ele conviveu em paz, respeito e harmonia) descende dos talassas de há 100 anos, dos miguelistas oitocentistas, esteve com Filipe I em quinhentos e com João de Castela em 1385, para não entrar em exemplos mais anacrónicos que fariam de Afonso Henriques um homem de esquerda, mui avant la lettre, e entrando inexoravelmente no disparate. Claro que quando digo isto levo porrada, da direita que se nega e da esquerda muito ortodoxa nas suas filiações. C’est la vie.

Foi pois com inebriado prazer e profunda admiração que li este artigo do Filipe Faria. Palmas, bis, encore. Haja pois coerência e alguém da direita que corajosamente saia do armário.

PS – Eu sei que isto à esquerda tem os seus esqueletos, embora pela parte que me toca não passem de uns tarsos e falangetas. O problema aqui é simples: quem não se liberta criticamente do seu passado, claro que leva. Só se perdem as que caírem no chão.

Os cabrões continuam no ataque – o neofeudalismo

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Camponeses a trazerem o tributo ao nobre (wikipedia.ro)

Confirma-se, como se tal já não se soubesse, que não foi por deslize que há tempos se  falou no saque às contas bancárias no Chipre como modelo para tirar da falência bancos mal geridos – quiçá até, criminosamente geridos.

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Passos Coelho a Nobel da Economia?

41798_65198417291_7710_nMuito se tem dito, e escrito, acerca das opções de política financeira e económica do 1º ministro Passos Coelho, alguns elogiando outros denegrindo. A meu ver, todos estão errados.

É comum, entre as mentes menos esclarecidas, aceitar de forma acrítica ou rejeitar sem fundamento, as teorias verdadeiramente revolucionárias e que representam um vigoroso salto em frente no pensamento e conhecimento humanos. E Passos está a ser vítima desse tipo de inércia característico das pessoas vulgares. Vejamos mais detalhadamente as razões que me assistem na formulação de tão categórica asserção.

Começo por esclarecer os mais cépticos sobre as razões que me têm tolhido o verbo na análise dos aspectos macro-económicos da crise que afecta a zona Euro, em particular, e a União Europeia, em geral. Tal facto deriva apenas do “encolhimento”dos meus rendimentos – assoberbado pelas necessidades do dia a dia, as minhas atenções têm recaído sobre questões cada vez mais pequenas, isto é, micro económicas, como a renda da casa, a alimentação, a conta da farmácia, etc.. [Read more…]

Bento XVI: Um Papa não tão mau como se esperava

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No último dia do pontificado de Bento XVI, meia dúzia de linhas à laia de balanço.
Já passou o tempo em que eu me atirava forte e feio à Igreja Católica por tudo e por nada. Não mudei a minha opinião, mas como diria o outro, agora sou calmo em relação a tudo o que a envolve a instituição. No fundo, só é católico quem quer e ninguém é obrigado a seguir os seus ditames. Cada um é livre de aderir às seitas da sua preferência.
Quanto a Bento XVI, parece-me que não foi tão mau como se previa. Da mesma forma que João Paulo II não foi tão bom como se quer fazer crer. No que diz respeito a Ratzinger, destaco três pontos importantes:
– a crítica forte do neoliberalismo que governa hoje em dia toda a sociedade ocidental. «O objetivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim último o bem comum, arrisca-se a destruir riqueza e criar pobreza.»
– a condenação clara da pedofilia, silenciada e escondida no interior da Igreja, durante décadas, por João Paulo II e as autoridades máximas de Roma. «De novo, penso no imenso sofrimento provocado pelos abusos cometidos nas crianças, especialmente no seio da Igreja e pelos seus ministros.»
– a defesa da Água como bem público e a recusa clara da sua privatizaçãoem todo o mundo. «A água não é “um bem meramente mercantil mas público».
De resto, não se pode dizer que tenha sido um papa especialmente progressista. Mas o que se esperava de alguém que foi eleito aos 80 anos?

Tupac Amaru

Em resposta à investida do neoliberalismo na Argentina, e à grave crise que se lhe seguiu, na  década de 1990, em Jujuy começou a desenvolver-se uma nova forma de organização e de trabalho cooperativo e solidário.

“Tupac Amaru – Algo Está Cambiando”  (2012) é um documentário realizado por Magalí Buj y Federico Palumbo (legendado em castelhano).

A Doutrina do Choque de Naomi Klein

A História do neoliberalismo contada por Naomi Klein.

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Refundição do Estado… Jornalistas out!

ImageO neoliberalismo tem um aspecto semelhante à “solução final”, porque implica deixar cidadãos para trás, os improdutivos, os que estão fora do sistema e os que não têm nem nunca virão a ter emprego.

Esta limpeza etária, a efectuar sobre os mais pobres, não pode ser registada. Pode sempre haver uma frase ou um gesto que, se e quando as coisas mudarem de sentido, venha a servir de prova no TPI, uma vez que, de facto, estamos a falar de genocídio em função da idade, da posição no processo produtivo e da riqueza. É por isso que as reuniões do grupo dos 30, da Trilateral e de Bilderberg também são à porta fechada.

Enquanto muitos jornalistas considerarem que o problema da inactividade de 80% da população, que já está a ser discutido desde 1995, é uma teoria da conspiração, e persistirem em não ver as implicações macro das teses que vão timidamente vindo a público, este processo vai continuar a seguir o seu rumo traçado há muito.

A refundação do estado, de Passos Coelho e Moedas – e da Goldman Sachs – tem diversos elementos com implicações na esperança média de vida e na mortalidade infantil, dos pobres, claro, que são pequenas peças dessa “solução final”, ou “eugenia”, se preferirem.

Um “liberal” chama os coronéis

O pânico perante a possibilidade de os gregos votarem à esquerda faz sair os pinochetinhos do armário.

Estão falidos? não cobrem impostos

As medidas Merkel para o enterramento dos países em dificuldades, estão ao nível do combate ao desemprego facilitando o despedimento. Vamos aturar estes idiotas por quanto tempo?

A Argentina explicada aos mentirosos

pelo João Rodrigues. Sim, mentirosos, não tenho a mínima dúvida de que esta gente sabe mas mente. E é paga para isso.

Hoje dá na net: Memorias do Saque

“Premiado com o Urso de Ouro em Berlim e Melhor documentário em Havana, o filme mostra de que forma a Argentina foi saqueada pela grandes corporações, de como o governo neoliberal de Menem conseguiu levar o país a bancarrota, privatizando tudo e servindo aos interesses do FMI, Banco Mundial e OMC. Genocídio Social, a Argentina passa da condição de país “quase de 1º Mundo” para um país em que a maioria da população se torna miserável. Mortalidade infantil, desnutrição, abandono social total, endividamento externo fizeram a marca do que seria o “exemplo de neoliberalismo para o mundo”. Toda essa situação se tornou insuportável até finalmente explodir na revolta popular de 19 e 20 de dezembro de 2001.” Com legendas em Português. Upload patrocinado por O Modelo Cooperativo Familiar e pelo Movimento de Democracia Directa.

O arrebatador de ilusões. O neoliberalismo na educação

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 1. Gigantes e Cabeçudos no tempo de Hitchcok.

Vivemos um tempo triste e de falência. Não há trabalho, não há docentes, não há dinheiro para pagar os seus ordenados. Cinco mil professores na rua, milhares de estudantes sem aulas. É um desespero que não me permite pensar em outras actividades, excepto refugiar-me na teoria e nos factos dos tempos felizes, que parecem ter acabado, pelo menos durante um tempo. Pensemos na teoria que nos orienta no ensino e nos divertimentos que os artistas nos dão, como a Zarzuela que passo a analisar e assim esquecer estes tempos incertos, teimosos e cheios de medo ao futuro. Vivemos a época em que os mais novos não conseguem ser cidadãos de boa índole. Os gigantes nos governam como entendem; os cabeçudos, batem a cabeça para nada.

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Esses liberais, neo-liberais e ultra-liberais portugueses

A esquerda e o intermitente PS de direita ou esquerda conforme é governo ou oposição têm bramado com considerável insistência que o país padece dos males trazidos pelo neo-liberalismo. E que até há políticas ultra-liberais.

Confesso que não sei muito bem do que estarão a falar, já que liberalismo implica que o Estado tenha um papel não intervencionista na economia e na sociedade em geral. Como todos sabemos, não há negócio neste país que não precise do encosto estatal e não há porcaria de aspecto da nossa vida que não mereça um decreto parlamentar. Portanto, liberalismo em Portugal? Será melhor ler algo pronto a clicar, como a Wikipédia, por exemplo.

Vem isto a propósito destes partidos praticamente reclamarem que o PSD e Pedro Passos Coelho personificam o liberalismo. Mas então, o que terão a dizer das declarações que PPC ontem fez sobre a necessidade de criar condições de financiamento das empresas públicas junto da banca? Será isto liberalismo?

Se o intervencionismo que tem ditado o rumo da nossa economia, quase sem excepção, tem ponta de liberalismo, então o melhor será eu dedicar-me à pesca (depois de pedido o adequado subsídio, perdão, incentivo).