Hoje dá na net: Zeca Afonso – Ao Vivo no Coliseu, 1983

Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé.

Este a RTP lá teve de gravar. Sabia-se que a doença era irreversível e já parecia mal. Não havia um único grande concerto de José Afonso gravado pela televisão portuguesa.

Hoje dá na net: Especial Zeca Afonso na RTP Memória

Programa emitido a 23 de fevereiro de 1987, logo após a morte de José Afonso. Não sobrava muito no arquivo. A RTP nunca gostou do Zeca, que também não era muito de estúdios, e no pós-PREC houve uma limpeza de memória aos anos de 1974-75. Mas foi um bom esforço de Luís Andrade, Brito Macedo e Carlos Pinto Coelho,que coordenaram e de  António Faria e Luís Filipe Costa que realizaram.

Hoje dá na net: Zeca Afonso – Maior que o pensamento

(1ª parte)

Produção: Nanook, Realização: Joaquim Vieira Tit. Original: «(ZECA AFONSO)»
Origem: Portugal – 2011

Série documental em três episódios sobre José Afonso com assinatura de Joaquim Vieira.

“Maior que o Pensamento” é o título de um documentário em três partes acerca da vida e da obra do poeta, compositor e intérprete José Afonso, o mais conhecido autor da chamada canção de intervenção portuguesa, movimento do qual se pode aliás dizer que foi fundador e líder (embora de maneira informal).

(…) O documentário recolhe muitas dezenas de testemunhos de pessoas que conheceram José Afonso e com ele colaboraram, desde familiares e amigos a músicos de várias nacionalidades. Imagens de atuações de José Afonso (algumas inéditas em Portugal, como na Alemanha em 1963) completam este exaustivo trabalho sobre um criador que suplantou em muito a estrita esfera do seu posicionamento ideológico, tornando-se num dos mais originais e destacados criadores do seu país no século XX. Ao longo do documentário, podem ser ouvidas algumas das mais significativas canções da autoria de José Afonso, interpretadas pelo próprio.

(…) “Maior que o Pensamento”, uma produção Nanook, é um documentário de Joaquim Vieira, com edição de Aníbal Carocinho, direção de produção de Lila Lacerda, consultoria histórica de Irene Flunser Pimentel e consultoria de Maria Helena Afonso dos Santos.

Ficha RTP completa

2ª e 3ª partes [Read more…]

A ver

Uma boa reportagem sobre os Anonymous nacionais, um fenómeno nas nossas tv´s. A sério: ouviram, deram tratamento jornalístico, e nem sequer lhes chamam piratas. Serviço público.

RTP1 [10-02-2012]

Hoje dá na net: Grandes Livros – Os Maias

Documentário produzido pela RTP, com a voz de Diogo Infante numa locução impecável e com a participação de vários estudiosos da obra de Eça de Queirós. Será possível ficar a saber mais sobre Os Maias, uma das maiores e mais complexas obras da Literatura Portuguesa. Trata-se de um trabalho de grande qualidade, que merece ser visto por todos, com destaque para os alunos que estejam a frequentar o 11º ano. A abrir, poderá ficar a saber quem escreveu que o magnum opus de Eça é uma “coisa extensa e sobrecarregada”, em que apenas alguns episódios têm interesse. Mais acima, está o primeiro de cinco vídeos. Para ver os restantes quatro, basta clicar em “Continuar a ler”.

 

 

 

 

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Os jornais garantem que o governo garante

In memoriam Manuel Dias

Não possuo estatísticas, mas aposto que é possível ler, todos os dias, vários títulos de jornais em que se afirma que alguém garante alguma coisa. Ora, a única pessoa que pode garantir alguma coisa acerca daquilo que penso sou eu.

No Público de ontem, aparecia o seguinte título:

Relvas garante que “não há intromissão” política na informação da RTP

Mesmo que todos acreditemos na sinceridade de Miguel Relvas, não seria mais seguro substituir aquele “garante” por afirma, diz, declara? E se – Deus nos livre! – viermos a descobrir que, afinal, o governo, ao contrário do que garantia, se intrometeu politicamente na informação da RTP?

No Diário de Notícias do mesmo dia, o malandro do verbo não está no título, mas aparece escondido com o rabo de fora num parágrafo:

O corte dos subsídios de Natal e de férias a funcionários públicos e pensionistas em 2012 e 2013 é “claramente” temporário, garantiu hoje o ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

Aqui, também é engraçado tentar adivinhar durante quanto tempo após 2013 o corte será temporário. Quanto a garantias, mais uma vez, temos adivinhos ou telepatas no lugar de jornalistas. Se há coisa que temos aprendido é que a sinceridade dos políticos é claramente temporária. Mesmo que o não fosse, não há nada mais seguro do que não confundir declarações com garantias.

A privatização da RTP e as incoerências de João Duque

duque

O grupo que João Duque coordenou quer limitar a informação na RTP, como forma preventiva do Estado usar este canal para manipular. Foi assim que Duque ontem justificou na TSF a oferta de parte do negócio audiovisual – a informação – aos canais privados. Que é disso que se trata.

Mas hoje pelo Público ficamos a saber que a RTP-Madeira e a RTP-Açores, além de não desaparecerem (existem para quê?!) passam para a tutela dos governos regionais. Os quais, como se sabe, são exemplares quanto a não interferirem na comunicação social.

Prepare-se portanto para ter os seus impostos a patrocinarem os serões em família com o Alberto. Esse que chamou  «bastardos» aos jornalistas para não lhes chamar «filhos da puta» (SIC, Junho 2005). Grande filtro este, sr. Duque; parece é uma peneira, daquelas que com se tapa o sol.

O serviço público de serviço público e os seus defensores

Os ilusionistas do costume continuam a acreditar que o Estado deve continuar a projetar e a planear tudo. Deve ser ele o grande pensador, deve ser ele que decide quais são as áreas onde se deve investir, deve ser ele a dizer o que é que se deve e não deve comer, deve ser o Estado a proporcionar aos cidadãos todos os serviços necessários, mesmo que a gestão pública seja má e que exista uma propensão enorme para a corrupção.

A propósito do serviço público de televisão e rádio, desta vez, os defensores daquele serviço conseguiram, por uma vez na vida, estar ao lado dos empresários e donos dos canais de televisão privados. Incoerência chocante. O Senhor Pinto Balsemão, como é evidente e normal, pretende defender os seus interesses (lucro fácil). Será que os defensores do serviço público de televisão ainda não verificaram que há canais privados, em sinal fechado, que prestam muito melhor serviço público do que a RTP? Um deles até faz parte do grupo do Pinto Balsemão (SIC N). Em vez de limitar a iniciativa privada, o Estado devia abrir a televisão à concorrência. Como se sabe, de acordo com a informação veiculada na comunicação social, há interessados na constituição de mais canais em sinal aberto. O Estado, como grande planeador que é, nunca o permitiu.

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Privatização da RTP, uma dúvida:

Em toda esta novela da privatização da RTP existe uma coisa que ainda não compreendi.

 

Eu tenho uma empresa que se dedica a um determinado negócio. O meu vizinho lançou uma empresa no mesmo ramo de negócio. O mercado passou a ser dividido por dois. Entretanto, outro vizinho decidiu dedicar-se ao mesmo negócio e criou uma empresa. E assim sucessivamente. Hoje, como ontem, no meu ramo de negócio existem inúmeras empresas e o mercado não cresceu, infelizmente, na mesma proporção.

 

Nunca me passou pela cabeça pressionar este, ou qualquer outro Governo a criar leis de limitação do meu mercado. Por acaso era bestial! Sempre tinha o mercado na mão e podia dedicar-me, sei lá, ao golfe.

 

Por isso, alguém me sabe responder de que se queixa o Dr. Balsemão? Do mercado livre? Da concorrência?

 

Principlamente, o Dr. Balsemão. Reparem, a Impresa é uma excelente empresa de comunicação social. No mercado dos semanários é imbatível. Porquê? Por ter o semanário largamente preferido dos portugueses. Existe concorrência? Existe. O mercado é livre? É. Então, o que aconteceu? Simples, o Expresso é o preferido e, por isso mesmo, já viu morrer o Semanário, o Independente, o Liberal, entre outros e até o Sol não conseguiu nem consegue fazer grande mossa ao Expresso. A SIC Notícias é quase imbatível. Motivos? Os mesmos. Já a Visão continua a liderar mesmo com a concorrência forte da Sábado (a Focus não faz grande mossa). Existem mais exemplos.

 

Sinceramente, não consigo compreender o medo do Dr. Balsemão. Será que não acredita na sua SIC e nos seus profissionais? Ou será que é, apenas e tão só, uma questão pessoal. Tão pessoal que até está a cegar aquele que é, de longe, a grande figura empresarial da Comunicação Social portuguesa dos últimos 40 anos?

RTP e Pordata, podia ser uma boa ideia

Ontem a RTP transmitiu a primeira de várias histórias baseadas em informação da Pordata e a ideia com que fico é que se esqueceram da parte jornalística da coisa.

Digo isto porque pelo que vi limitaram-se a debitar a informação que nós já conseguimos ver no site, que por sua vez já poderia ser consultada noutras fontes de informação como o INE, Banco de Portugal, etc.

Claro que é um trabalho meritório e como a televisão ainda vai tendo mais impacto que a internet serviu para mais pessoas ficarem a conhecer o trabalho excelente da fundação Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas o que eu estava à espera de um trabalho jornalístico era algo que relacionasse informação.

Certo, gastamos 3,5x mais (a preços correntes) em impostos do que há 30 anos atrás… mas, e quanto é que o estado gasta em serviço de saúde, educação, pensões? Acompanha essa percentagem? É proporcional ou não? Onde é que aumentou mais?
E que avaliação é que nós fazemos dos serviços que o estado presta, tem melhorado, diminuído?

Isso sim seria um trabalho que estaria à espera que a RTP fizesse. Para ver números descontextualizados já vou actualmente ao site da Pordata.

Governo garante apoio da TVI e de Balsemão

 O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, disse hoje, em Vila Nova de Poiares, que o plano de reestruturação da RTP vai emagrecer “claramente” a empresa, que gasta mais de um milhão de euros por dia. in Público

Estava-se mesmo a ver: privatizar para os amigos, nunca privatizar contra os amigos. Agora, enfim, pelo lado dos candidatos à compra da RTP, a coisa é capaz de fiar mais fino. Vamos, por exemplo, ver as próximas manchetes do Correio da Manha. A vida é mesmo assim: nenhum governo se livra de ter o seu Independente.

Proposta (i)nocente

Já referi nesta casa que o actual Governo está com um problema de falha de comunicação.

Para melhor concretizar os grandes desígnios de mudança reivindicados pelo Governo, talvez fosse tempo de recuperar grandes comunicadores do passado. Algo de que, certamente, a ala mais Direita do Governo iria ficar babada de orgulho, e que daria a possibilidade do arquivo da RTP safar-se à privatização por verdadeiro serviço público:

A base da teoria da conspiração foi-se…

Em artigo de opinião sobre a intenção de o Governo privatizar algumas empresas, nomeadamente a RTP, o CEO da Ongoing afirma que “há privados que, não sabendo gerir as suas empresas, querem que seja o Estado a assegurar-lhes a sobrevivência”. Nuno Vasconcelos esclarece que “a Ongoing não vai à privatização da RTP – porque a televisão da Ongoing é a SIC”.

in Diário de Notícias – 06-09-2011

 

Pois é, a teoria dos corredores das más-línguas era tão simples e simplista como isto: O Nuno Vasconcelos da Ongoing queria um canal de televisão. O Ministro Miguel Relvas queria privatizar a RTP. Estavam feitos um com o outro.  É muito português falar do que se não sabe…

A Ongoing já está na televisão e quer, quando muito, ser maioritária na empresa que é, também, sua: a Impresa. Sendo a Ongoing uma das principais accionistas da Impresa, a privatização da RTP é um pau de dois bicos. A privatização da RTP terá como consequência natural (é o mercado) uma desvalorização do valor da Impresa e da Media Capital. Sobretudo, tendo em conta as audiências dos últimos 12 meses, sofre a Impresa.

Sendo Nuno Vasconcelos accionista da Impresa, se fosse à privatização da RTP teria de vender a sua quota e ninguém gosta de vender em perda…Mais, é mais fácil e barato recuperar a SIC para níveis de audiência do passado do que colocar a RTP financeiramente viável.

Obviamente, para quem conhece o mercado e as personagens em causa (Impresa/Balsemão vs Ongoing/Vasconcelos) a tentação de acreditar que a Ongoing quer a RTP até podia colher: Balsemão e Vasconcelos não se vão entender e seria mais simples a este último vender a sua participação (22,8%) e partir para a aventura RTP. Errado.

Enquanto as virgens (ofendidas ou suicidas) andam entretidas a tentar fazer a cama a Miguel Relvas com a desculpa, falsa, da guerra Ongoing-Impresa, temos dois players internacionais e um nacional interessados, esses sim, na privatização da RTP a rir às escondidas.

Pelo andar da carruagem e com tanta gente a continuar a desempenhar o papel de idiota útil, sobretudo certa esquerda e imprensa, temo que chegou a hora das hienas. Como sempre, no fim elas vão continuar a rir e os idiotas vão chorar e muito…

Coisas do Expresso?

O Expresso avançou com a notícia(?) que Miguel Relvas teria afirmado numa reunião na RTP do seu interesse em ver Mário Crespo como correspondente do canal nos EUA.

Primeiro foi o próprio a negar ter dito tal coisa. Depois foi Crespo a negar ter recebido tal convite e mais tarde foi o Presidente do Conselho de Opinião da RTP a desmentir a notícia(?).

O Expresso já foi conhecido pela máxima “se aparece na primeira página é mentira”. Uma tirada injusta para os excelentes profissionais da casa. Porém, a guerra surda entre as diferentes empresas de Comunicação Social por causa da privatização da RTP está a provocar situações como esta, verdadeiras precipitações no avançar de manchetes sem confirmar, devidamente, a veracidade da fonte.

A RTP e a privatização

O presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social defende, em entrevista ao Expresso, que uma possível privatização da RTP empurraria os outros operadores privados, SIC e TVI para uma concorrência feroz, não em busca do lucro, mas da sobrevivência. O responsável defende a manutenção do serviço público em tempo de crise económica e social. [no Público]

Como há dias escrevi, o papel do Estado não é garantir que o mercado dos privados existe. Isso é problema de quem investe. Mas ao longo dos anos temos visto justificado o persistente fecho do mercado de TV à conta do argumento “o mercado não chega para todos”. Esta lógica até se aplica quando em causa nem sequer está o limitado espectro radio-eléctrico, como no caso do cabo. Prova suficiente que as TV querem é proteccionismo, uma espécie de mercado farmacêutico dos remédios audiovisuais.

Se Passos continuar com a sua ideia de privatizar a RTP pode ter a certeza que SIC e TVI lhe moverão uma guerra sem quartel por causa do aumento de concorrência no mercado publicitário. Rapidamente, a agenda dos media se sobreporá à agenda do país.

Privatizar a RTP? deixa-me rir

Anda a direita lírica em pulgas para privatizar a RTP. Nem me dou ao trabalho de discutir os seus argumentos, limito-me a constatar a realidade: privatizada a RTP, teríamos três canais absolutamente comerciais a concorrer, em sinal aberto. Ora não há mercado publicitário para encher o bandulho a tanta gente, coisa bem sabida para os lados da TVI e do tio Balsemão. O que estes canais queriam era outra coisa: RTP1 sem anúncios, integralmente sustentada pelo estado.

Em vésperas de chegar ao mundo real o governo conta com a originalidade de ter um secretário de estado que já não o é e, mais complicado do que o costume,  nunca o foi: o administrador da TVI Bernardo Bairrão apresentou-se a defender a casa onde trabalhava, alguém se lembrou dos fretes que fizera ao socretinismo, despediu-se e ficou desempregado.

Para ter os canais privados do seu lado qualquer governo que pretenda sobreviver terá de se sujeitar às leis do mercado. Como é sabido leis do mercado em português quer dizer: aí do estado que se me atravesse no caminho. Resta a hipótese de muito simplesmente fechar a RTP, mas essas não são contas do meu rosário.

Bem vindos à realidade: se a RTP fosse privatizável há muito que o teria sido. Agora se o PSD decide ser mesmo coerente, a coisa promete: ter a imprensa à perna ainda o santo não saltou do altar para o andor, é obra. Linda procissão em perspectiva.

Mistérios RTP

Ontem no telejornal da RTP fez-se a análise da evolução do voto nas sondagens com base num gráfico com uma escolha de cores curiosa, como aqui se vê:

mistérios RTP

Estará alguém na RTP a precisar duma  Novas Oportunidades em termos de, por exemplo, grafismo e cores partidárias? O vídeo em causa pode ser visto aqui: A evolução do voto nas sondagens.

via A Educação do meu Umbigo

Televisões condenadas a realizar debates, só falta os partidos quererem

Já se sabe que os pequenos partidos querem debater. Têm razão, sem debate nunca deixarão de ser pequenos partidos. A questão é se os partidos com assento parlamentar aceitarão o repto. Apesar da notícia dar um belo título, a não ser que algum dos grandes partidos surpreenda, é de crer que as televisões não terão muito que se preocupar.

Jamais a RTP desceu tanto…

-Há apenas alguns dias, escrevi um post, questionando se a transmissão do casamento do herdeiro da coroa britânica, seria serviço público. Quando eu pensava que era impossível à RTP descer mais baixo, eis que a deficitária estação pública de televisão, resolve entrar no mercado dos reality show. Esteve bem Miguel Guilherme logo a abrir o programa, afirmando que este seria o primeiro reality show pago pelo contribuinte. A parte do serviço público deve ser terem ido resgatar ao desemprego Luís Pereira de Sousa… Se a RTP fosse uma televisão privada, mudava de canal e assunto encerrado, mas pensar que um cêntimo sequer dos meus impostos serve para isto, deixa-me indignado, enquanto cidadão.  Privatização já!

Casamento é serviço público?

-Julgo que hoje casam, ou já terão casado, não sei nem perco tempo com assuntos de revistas cor de rosa, em Londres, dois jovens,  a quem desejo naturalmente as maiores felicidades, como de resto a todos os outros pelo mundo fora, na mesma situação. Se têm sangue azul ou vermelho, deixo isso à consideração dos médicos britânicos, pelo menos, aqueles que os conhecem de perto. Nem sequer me interessa discutir o regime político que os governa, enquanto nação soberana, são eles que devem decidir a sua organização política e social. Mas não posso deixar de ficar indignado que o dinheiro dos meus impostos, sirva entre outras coisas para pagar os prejuízos de uma empresa deficitária, a RTP, que alguns rejeitam privatizar em nome do serviço público, o qual deve incluir as horas de emissão gastas a transmitir um casamento, repito, um casamento, para satisfazer a coscuvilhice de alguns…

Kanimambo, João!

Kanimambo significa ‘obrigado’ em Changane, um dos idiomas de Moçambique. Como título da canção que o popularizou, é a palavra de agradecimento eterno ao João Maria Tudela pela relação cordial que mantivemos, a despeito dos encontros espaçados e casuais dos últimos tempos. Repito o meu kanimambo, João:

A última vez que nos encontrámos foi numa estação do Metropolitano, em Lisboa. Como sempre, foste afável. Tínhamos ideias diferentes, mas respeitámo-nos sempre. Com a tolerância de quem tem a elevação de aceitar quem não pensa igual. E ao contrário da injusta e falseada opinião, de ignorantes e perversas cabeças, a diabólica censura do ‘Estado Novo’ também não te poupou; quando, em 1968, te afastou da RTP por ousares cantar ‘Cama 4, Sala 5’, de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Voltaste em 1975.

Como imaginas, ao saber hoje da tua partida, por aqui e aqui, fiquei desolado. Lembrei-me dos nossos encontros no CIF, onde a tua paixão pelo ‘Ténis’ permanecerá para sempre. Como a minha admiração por ti. Kanimambo e até sempre, João.

Portugal e o passado

O tempo de antena da campanha eleitoral do FMI na RTP chama-se Portugal e o Futuro, passa em horário nobre, é como era de esperar mete nojo.

Zapei por ali há bocado. Fátima Fretes Ferreira entrevistava o actual presidente do BES. Coincidência significativa: o banco que negociava com a Alemanha nazi, num programa que foi buscar o título a um livro de António de Spínola, o homem que começou a carreira militar combatendo pelos nazis e a acabou como chefe de um grupo terrorista.

Tudo impune, é claro. Como duvido que a senhora lhe perguntasse sobre o negócio dos submarinos, mudei de canal, é claro.

Vamos lá ver se eu percebo…

Se o primeiro-ministro tomar a iniciativa de dizer numa entrevista na RTP que determinado assunto não foi abordado no Conselho de Estado, não está a ser delator. Mas se Bagão Félix disser que o PM mente quando afirma que um assunto “não foi [falado no Conselho de Estado]”, então Félix já é um delator.

É isto, que está em causa, não é?

Sócrates sucede José

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Esta imagem faz parte da promoção que a RTP está a fazer à entrevista que hoje à noite Sócrates dará ao canal público. De quem será o grafismo? Da RTP ou preparado pelos profissionais de “comunicação” do PM? Deve-se a pergunta a constatar que o “S” vem antes do “J”. Sócrates sucede José.

Aproveito para deixar o que antevejo para esta entrevista. Veremos um político queixar-se do que a oposição lhe fez (e ao país, talvez), perfeitamente na linha da linha de discurso já definida, sem que os jornalistas confrontem o PM com o crescimento linear dos problemas. Veremos um candidato acusar a oposição de ter criado problemas ao país por não lhe aprovar o PEC IV mas surja as perguntas “Se o caos vinha aí, porque não engoliu o sapo e não se demitiu? Porque é que não colocou à frente o interesse de Portugal?”.

A RTP do nosso desperdício

O espírito com que escrevi o texto  ‘A TVI que os sustente!’ era de esperança. No fundo, o ânimo de que as saídas de José Alberto Carvalho, Judite de Sousa e da menos mediática Maria José  Nunes, da RTP para a TVI, tivessem o efeito de despertar consciências adormecidas. Precisamente de quem tem a missão de zelar pela aplicação de dinheiros públicos; caso, diga-se, do Secretário de Estado da Comunicação Social, Arons de Carvalho.

Todavia, com este e outros elementos do actual Governo a esperança de uma boa prática, uma que seja, esboroa-se em segundos. E assim, de súbito, foram contratar Nuno Santos da SIC para o cargo de Director de Informação da RTP,  sob protesto da Comissão de Trabalhadores – o comunicado desta refere ter havido um voto de falta de confiança nos 400 jornalistas da casa, número que, em boa verdade, também me impressionou pelo exagero e possíveis custos associados.

Pessoalmente, é-me indiferente que um Nuno qualquer, chame-se Santos ou Pecador, aufira chorudo ordenado. O que, de facto, considero ignominioso é a TV estatal, em tempo de sacrifícios lançados sobre milhões de portugueses, ter o despudor de realizar contratações milionárias. E mais ainda, como salientou oportunamente o meu companheiro Helder Guerreiro,  a RTP está em falência técnica desde 1996 e assim continua em 2010. [Read more…]

A TVI que os sustente!

O ‘Correio da Manhã’ deu o mote e outros meios de comunicação, jornal “i” por exemplo, interpretaram a cantata ‘Os Salários Milionários da RTP’. Confirmou-se, pois, que na RTP existem 64 profissionais com salários superiores a 5.000 euros mensais.

Do grupo sócio-profissional privilegiado na TV do Estado, existem ‘5 cabeças de cartaz’ que, pelas minhas contas, auferem mais de 978.000 euros anuais. Resta saber se o total apurado inclui encargos da RTP com a segurança social, seguros de acidentes de trabalho e outros. A despesa provavelmente será mais elevada.

E o que mais se pode dizer da afronta? Num tempo de sacrifícios impostos a milhares de funcionários públicos e outros do Sector Empresarial do Estado, onde a RTP se integra, este despautério é revoltante.

O tipo de Estado, de Governo e de políticos de que estamos servidos, pelo que se percebe, não respeitam critérios de decência (há dias, a maioria PS + PSD reprovou cortes salariais aos gestores públicos e, entre os ‘5 magníficos do écran’, existe gente afecta a uma e outra cor).

Corre a notícia de que José Alberto Carvalho e Judite de Sousa já disseram sim à TVI. Fiquei satisfeito e a implorar que a Prisa e o Sr. Pais do Amaral levem da RTP mais umas paletes dessa gente. Que todos comam toneladas de morangos bem açucarados. O risco de diabetes é deles e o dinheiro que custavam à RTP é dos contribuintes. Oxalá haja o bom senso de moralizar os salários na TV estatal. Os contribuintes ficarão gratos.

Boa viagem à Judite e ao Carvalho e, se possível, a outros oriundos da mesma banda. A TVI que os sustente!

Quando 2+2 são 4 mais IVA

Vejam-se duas notícias aparentemente desconexas como estas:

E questionemos-nos se a primeira será assim tão surpreendente.

O governo prepara-se para aplicar um imposto sobre outro imposto (chamam-lhe “taxa”… certo!). Essa taxa é já sacada de com um truque manhoso* que é a respectiva inclusão na factura da EDP. E agora estes espertinhos preparam-se para lhe aplicar IVA de 6%.

Para enfatizar o ponto de vista deste post, poderia ser tentado pela adjectivação na linha do “mafiosos”. Mas não o farei. A Máfia defende os seus e o Governo, que é de todos, não me defende (apesar de defender os “seus”).

* Desde quando é que por ser ter electricidade em casa é sinónimo de se ter rádio ou TV? E se tiver duas casas? E se não estiver interessado nos serviços da RTP?

Prós e Contra – os Fretes da RTP

“Exma. Sra. Drª Fátima Ferreira,

Gostávamos de ver o S.O.S Movimento Educação e a APEPCCA (Associação de Professores do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação), no painel principal do debate do dia 31 de Janeiro.
Neste debate que se quer plural, falta a voz do Movimento que tem liderado a luta dos pais e encarregados de educação pela liberdade de escolha da escola e falta a voz dos professores, principais vítimas das medidas do Ministério da Educação.
Não entendemos a presença neste painel da Drª Isabel Soares, directora do estabelecimento de ensino que pratica a política mais discriminatória deste país no acesso à escola e que mais combate a inclusão e a igualdade de oportunidades.”

33% das indemnizações compensatórias 2010 vão para RTP e LUSA

Indemnizações compensatórias 2010

Neste gráfico, feito com os dados publicados hoje no Diário da República, vemos que o grosso das indemnizações compensatórias para 2010 vai para duas áreas principais:

  1. Comunicação social (RTP e LUSA): 32,90%
  2. Empresas de transportes públicos (Carris, STCP, CP, ML, REFER, Metro do Porto, SATA, TAP, SOFLUSA e TRANSTEJO): 46.16%

A análise destes números revela alguns aspectos curiosos. É o que se aborda a seguir.

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A carta anónima da RTP

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A carta que hoje apresentamos anda a circular pelos corredores da RTP. Pelo conteúdo, vê-se claramente que foi escrita por um funcionário da empresa, revoltado pela sua situação laboral e, a par disso, pelas injustiças, ilegalidades e imoralidades do seu empregador.
Não é que haja propriamente novidades no que ali está escrito. Há muito que se fala da maior parte daquelas acusações e do tipo de comportamentos que a carta revela. A novidade, aqui, é essas acusações partirem de dentro, ou seja, de alguém que está claramente bem informado.
Ou seja, que há muito trabalho entregue a produtoras externas porque é preciso dar a ganhar a alguém, já se sabia; que há promiscuidade entre a Administração e o Poder, também já – acontece com todos os Governos e ainda mais com este. Agora, temos interessantes pormenores sobre a propriedade das empresas externas a quem é entregue trabalho (veja-se o caso de Paula Moura Pinheiro) e sobre as «viagens de trabalho» de alguns membros da Administração, incluindo as viagens a Moçambique do «senhor Presidente».
Curiosa é a forma como a carta se refere às «estrelas» da companhia. A par da descrição dos pornográficos vencimentos que auferem e de referências pouco abonatórias a José Alberto Carvalho e Judite de Sousa, uma interessante frase sobre José Rodrigues dos Santos: [Read more…]