«(…) [P]ortugueses isentos (…) por motivos económicos em 2012 quase duplic[aram] em relação ao ano anterior, passando de um milhão e meio (…) para quase três milhões. (…)» Já as taxas moderadoras representaram apenas 1,7% do total da receita do SNS. No jornal Público, sobre um Estudo da Entidade Reguladora da Saúde.
SNS e Exploração Capitalista da Saúde (ECS)
A destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um facto e pode considerar-se um crime de traição, um crime de lesa-Pátria que ficará na História deste Portugal de quase mil anos.
Tudo isto pela força-fraqueza de políticas de direita, muitas vezes ditas socialistas, ignorantes, insensíveis, medíocres, incompetentes e tantas vezes corruptas, e com a falta de moral e desprezo social indispensáveis ao dobrar de joelhos perante os poderes diabólicos que as comandam.
O embrião do SNS começou a gerar-se há meio século, quando Miller Guerra era Bastonário da Ordem dos Médicos. Posteriormente, o Relatório das Carreiras Médicas foi um passo gigante no caminho do que, uma década depois, se haveria de tornar num dos mais modernos serviços de saúde pública. Apresentado por António Arnaut, o diploma criador do SNS foi aprovado no parlamento. Em trinta anos, o SNS transformou a saúde em Portugal, conseguindo aproximar este país dos países mais avançados do mundo em termos de saúde pública. [Read more…]
Ao encontro da memória
Eu sei que, por aqui no Aventar, andamos todos atentos ao que se escreve e que pode ter interesse para desmistificar a elite política de gestores que a troika comanda para nos empobrecer, para nos tirar o que de menos mau ainda temos.
Mas não resisti, em nome e para memória futura, a publicar neste espaço o excelente momento de Teresa Beleza, dedicado à mãe.
Teresa Pizarro Beleza é irmã de Leonor Beleza e Miguel Beleza, e, além de professora de Direito Penal, é directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.
Esta carta foi publicada no jornal Público de 5.ª feira, 10 de Janeiro de 2013, e, como só pode ler lida online por assinantes do jornal, ou por quem o adquiriu nas bancas, aqui fica a transcrição, sob o título:
“Carta a minha mãe sobre o SNS e outras coisas em Portugal” [Read more…]
A ADSE não pode ser extinta e os seus beneficiários inseridos no SNS porque…
A) Seria um desastre para as clínicas e hospitais privados com convenção com o Estado;
B) O PSD não quer e o PS não deixa;
C) O PSD quer mas o PS não sabe muito bem o que quer;
D) Agora não dá jeito;
E) As regras são novas e o pessoal ainda as não decorou;
F) Isto é uma gordura do Estado?
Significado:
ADSE – Assistência na Doença aos Servidores Civis do Estado
SNS – Serviço Nacional de Saúde
E a luz ao fundo do túnel para estas famílias?
Isto é, para mim, inadmissível!!!! Estas ervas daninhas da pior espécie matam tudo. E o povo continua sereno?? Até quando???
A lógica do Henrique Raposo é tendencialmente insustentável
A descoberta do dia do menino Henrique é esta: o SNS é tendencialmente insustentável. Porquê? porque lhe apetece, é claro, e porque a subida da despesa em saúde tem sido muitíssimo superior à criação de riqueza.
Arranja uns números, sem fonte, umas projecções (já não há pachorra para a demografia de tarot), e alucina com esta brilhante conclusão:
Pouca gente sabe que o SNS português é a negação do sistema de saúde da Alemanha, Holanda, Áustria, França, etc
Que horror, ora vamos à OCDE, e vejamos como se anda de gastos, custos, coisas insustentáveis, nestes países, e já agora também nos EUA: [Read more…]
O Natal nos Hospitais
A Carla já aqui escreveu – melhor do que eu o faria – sobre pessoas nas salas de espera de hospitais.
Por razões de ordem pessoal, que não chamo para aqui, passei nos últimos meses horas incontáveis em hospitais públicos. Como familiar próximo de enfermos, muito próximo, como utente, como enfermo. Conheci uma realidade que ignorava e quero aqui partilhar: a extraordinária qualidade humana das pessoas que trabalham no Serviço Nacional de Saúde. Encontrei uma ou outra besta maldisposta, um morcãozinho de passagem aqui ou ali, sem os quais o mundo mundo não seria, mas, na verdade, o que mais cruzei foram pessoas dedicadas, solidárias, com estratégias e sorrisos para lidar com doentes em todas as condições, gente que nos conforta e, na fragilidade que nos enfermos se instala, transmite esperança e confiança.
Essas pessoas, auxiliares, enfermeiros, copeiros, médicos, são do melhor que nós enquanto sociedade temos e deveriam ser, eles próprios, as estrelas celebradas do Natal dos hospitais.
Outros, passistas, gasparistas, miserabilistas e contabilistas, não entram neste texto, nem como leitores. Desde logo e para começar, porque não o compreenderiam.
Da série ai aguenta, aguenta (13)
Governo vai cortar mil camas nos hospitais do SNS. Num país em que há doentes internados em macas.
Saúde: Jesus recorre ao privado
Devido a problemas de saúde eventualmente causados pelo excesso de trabalho, e apesar da omnipotência do progenitor, Jesus viu-se obrigado a fazer uma TAC. Face à sua condição de Filho de Deus, seria natural que tivesse recorrido aos serviços de saúde disponibilizados pelo Grupo Espírito Santo, mas acabou por optar pela Católica, o que lhe valeu acusações de favorecimento por parte de sectores ligados à Igreja Protestante. António José Seguro lamentou que Jesus não se tenha dirigido a um hospital público.
SNS: A reforma à Macedo (IV)

A equipa nomeada pelo ministro Macedo, para a reforma da saúde, propõe uma solução de ‘lista de espera’ hermeticamente fechada e eterna. O doente, depois de registado, nunca mais será esquecido. Vivo ou morto, não interessa.
Pessoas a quem desejo que precisem de hemodiálise e não tenham dinheiro para a pagar
Manuela Ferreira Leite, Helena Matos, Elisabete Joaquim e A.A.A. (estes últimos com uma vaga atenuante pelo pudor demonstrado, que fiquem só falidos quando chegarem aos 70 anos).
Esta praga que aqui rogo é um nojo? é. Mas, além de as pragas não surtirem efeito, repelente é haver gente que ataca o princípio de todos termos direito à saúde independentemente da conta bancária. Porque quem o faz, do alto do seu seguro e imaginando que nunca ficará sem ele, vendo o mundo da mesma forma como sempre o encarou a aristocracia (a bem dizer nem a burguesia clássica desce tão baixo) e achando que por alguém ser pobre tem menos direito à vida porque ninguém o mandou ser pobre, não tem um mínimo de humanidade, não passa de um crápula abjecto, uma imitação grotesca de um ser humano. Para mais fazem-no em nome da mentira, aceitando a fuga aos impostos e a acumulação de capital à pala do estado, que é o país onde vivemos e que desta forma efectivamente será incapaz de sustentar o SNS.
Além disso de boas maneiras e tratos de cavalheirismo estaria o inferno cheio se existisse. Para esse peditório, enquanto não acabarmos de vez com os pobres, nunca darei.
imagem da gui
Errata: parece que me tinha enganado num nome. Que horror. Fica a abreviatura. Desconfio que trará boas memórias ao destinatário.
Reforma hospitalar: ideias sem nexo
Lembro-me da falecida e insuspeita Maria José Nogueira Pinto, há uns anos, em conferência na Universidade Lusófona, ter afirmado: “O sector da saúde é muito atractivo para negócios e há muitos pretendentes a abocanhar as iguarias do SNS, esquecendo os direitos dos cidadãos”. É justamente pela concepção inerente a esta frase que alinho o presente ‘post’. Nas reviravoltas governamentais para a saúde, foi cometida a incumbência de um estudo, mais um, a um chamado ‘Grupo de Reforma Hospitalar’ ou coisa parecida, nomeado pelo ministro Paulo Macedo.
Do relatório de José Mendes Ribeiro, e de mais 8 companheiros, suponho, constam diversas imprecisões e falsas soluções. Mas, acima de todas, uma das recomendações é pura e simplesmente irracional: preconiza, então, o documento que os ‘serviços hospitalares de urgência’ reencaminhem, no pressuposto de atendimento no prazo de 12 horas, todos os doentes classificados como “não urgentes” para os Centros de Saúde, ou seja, quem receba a senha azul na triagem de Manchester. Segundo os dados do relatório em causa, em 2010 situou-se à volta de 40% a percentagem de doentes “não urgentes”, significando que 2.560.000 doentes seriam referenciados a Centros de Saúde, para o tal atendimento em 12 horas.
Bastonário – Não vale mexer no meu lobbie
O senhor Bastonárioda Ordem dos senhores doutores médicos ao ver que o senhor ministro queria tocar nas intocáveis despesas do SNS, veio muito depressa a terreiro defender mais um imposto, este numa área que lhe é muito grata.
Assim, defende o senhor Bastonário da Ordem do senhores doutores médicos, que com mais este impostozito, já não seria preciso fazer cortes nos serviços, já que quem come comida de plástico iria pagar o que os senhores doutores médicos não entendem dever poupar.
E até parece que há por aí paises que já implementaram sem sucesso uma medida semelhante e outro que a vai concretizar agora.
O desmembrar do SNS
Portugal gasta cerca de 8,7 do PIB na saúde e o SNS abrange aproximadamente 98% da população. Em contrapartida os EUA gastam 11,7% e só 75% da população tem acesso a cuidados de saúde. A nível internacional o SNS é considerado o 11º melhor sistema de saúde pública sendo que os nossos indicadores de saúde, tais como a esperança de vida à nascença e mortalidade infantil, são melhores do que os americanos. Contudo, hoje, no fórum da TSF, debateu-se “o estado da saúde”, que é como quem diz na linguagem cifrada da comunicação social, alardear depoimentos para a propaganda justificativa do desmantelamento do SNS. Quase apostava, de alguns dos depoimentos que ouvi, serem de encomenda. No meio da “seriedade” dos mesmos, se a audição me não pregou uma grande partida – e, nesse caso, lá terei de recorrer também ao SNS – queixava-se um deles a seco e sem delongas aos microfones da TSF: “ó minha senhora, cortaram-me o pénis sem me avisarem e cegaram-me há três anos, só agora recuperei 10% da visão”. Deixando de lado o problema da visão – ver para crer, não é? – e ficando-me pelo pilar do depoimento, da próxima vez que este cavalheiro recorrer à urgência de um hospital queixando-se de uma dor de cabeça os clínicos não estarão de modas e… cortar-lhe-ão a cabeça. Terá graça ouvi-lo depois na TSF a relatar o sucedido.
Aproveitar o caso A. Vara, para reflectir…
-Não concordo ou pactuo com falta de educação, pelo que sou forçado a condenar a atitude de Armando Vara, no Centro de Saúde de Lisboa a que se terá deslocado na passada 5ª feira. Aproveito no entanto a oportunidade para questionar a obrigatoriedade de qualquer doente se deslocar ao Centro de Saúde para obter a necessária baixa médica, que lhe permita justificar uma falta ao trabalho.
Nos últimos 20 anos, fui forçado a duas paragens que me obrigaram a visitar um médico de família, que apenas sabe que existo, sem praticar qualquer acto médico em ambas as visitas. Não que eu tenha qualquer atitude menos elegante ou falta de cortesia para com o médico, mas visito com regularidade uma médica de clínica geral que está ao serviço da seguradora com a qual contratei um plano de saúde. Mas um dia apanhei uma gripe, evoluiu para pneumonia, recorri à urgência do Hospital privado mais próximo, fui diagnosticado, tratado e medicado, mas o médico que de facto me tratou, passou uma carta para que um colega que nunca me tinha visto até então, passasse uma declaração de incapacidade temporária, que me permitiu justificar as faltas perante a entidade patronal e receber da segurança social o subsídio de doença. Passado algum tempo, planeei uma intervenção cirúrgica, consultas, exames complementares de diagnóstico, cirurgia e reabilitação, tudo feito em Hospital ou clínicas privadas, mas uma vez mais apareci sem problema algum à frente do médico de família no Centro de Saúde, apenas a carta do cirurgião, acompanhada de alguns exames, bastaram para sair novamente munido do necessário papelinho.
Fará sentido ocupar um médico com trabalho burocrático? Tempo também é dinheiro, o que gastei no Centro de Saúde já não faz parte de qualquer terapia ou reabilitação, foram mesmo algumas horas mais que desnecessariamente também não trabalhei, mas justifiquei. Apenas não fui mal-educado com os presentes, nem passei à frente de alguém, esperei a minha vez, diminuindo a minha produtividade.
Eliminar taxas moderadoras – O que fazer a José Sócrates?
O governo “socialista” de José Sócrates acaba de consumar mais um acto de injustiça social, como é reconhecido por António Arnaut, co-fundador do Partido Socialista, em 1973, a quem é atribuída a criação do SNS – Serviço Nacional de Saúde.
Através de portaria do Ministério da Saúde, a partir de 1 de Janeiro de 2011, os desempregados e pensionistas com rendimentos superiores a 485 euros, incluindo os rendimentos de juros de poupanças, elevadas ou limitadas, depositadas a prazo, perdem o direito ao benefício de taxas moderadoras. Portanto, terão aumentados os gastos em medicamentos e serviços médicos prestados no âmbito do SNS.
Segundo o jornal Público, cerca de 60 mil desempregados beneficiam de subsídio superior a 685 euros. Todos estes serão, portanto, alvo da injusta medida. Todavia, o número de vítimas é significativamente ampliado por outros desempregados e, em especial, pela população de pensionistas. É conveniente lembrar que, entre estes últimos, existem inúmeros doentes crónicos com dificuldades financeiras que, a despeito das taxas moderadoras de que beneficiavam, já se confrontavam com avultadas despesas regulares em medicamentos. Segundo testemunho, ao alcance de qualquer cidadão, é comum assistir em farmácias ao lamento de quem não dispõe de dinheiro para a totalidade da receita: “Uma vez que só tenho 20 euros, quais os medicamentos da receita que acha indispensáveis comprar?”. Enfim, histórias tristes de uma pobreza que, em vez de ser combatida, se expande.
Comunicado da AAP
À comunicação social:
COMUNICADO *
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) vem por este meio alertar para as intenções expressas pela Ministra da Saúde, Ana Jorge, no Encontro Nacional da Pastoral da Saúde que decorre em Fátima. Defende a Sra. Ministra que compete ao Estado garantir a “assistência espiritual” aos doentes atendidos em casa pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). A AAP opõe-se a tal medida pela ingerência estatal em matérias do foro privado, pelo encargo adicional ao SNS, e por ferir o bom senso, um recurso especialmente precioso em tempos difíceis como os que vivemos.
A assistência religiosa, também denominada espiritual por quem assume a existência de espíritos, é um direito individual que a AAP reconhece e defende. Mas é parte integrante da vida das pessoas, e não uma técnica terapêutica. Nenhum médico vai receitar duas doses de Budismo para a garganta inflamada ou uma semana de Cientologia para tratar uma entorse. A quantidade e tipo de religião que cada um toma, se alguma quiser, não é função nem do tratamento nem da doença. Resulta apenas das suas preferências pessoais. [Read more…]
Não consigo deixar de pensar…
… no que raio andou esta gente a fazer nestes anos todos. Bem pode o outro vir com a conversa de que defende o estado social. A realidade está aí, nua e crua.
A falsa telemedicina ou o mercantilismo da medicina
Sob o risco de contribuir para publicitação de serviços de falsa telemedicina, realizado por 150 médicos envolvidos no projecto divulgado pelo ‘site’ Bem-vindo à Segunda Opinião Médica, não posso – nem devo! – deixar de expressar repulsa por actividades de mercantilismo da medicina, a que, hoje, o jornal Público, faz referência.
O jornal cita a opinião do bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, igualmente reprobatória da iniciativa. A actividade, ao que parece, é dirigida ou coordenada, por um tal David Goldrach, director do famigerado portal.
A segunda opinião médica tem que obedecer a regras estabelecidas no ‘Regulamento de Conduta nas Relações entre Médicos’, aprovado e enquadrado no ‘Código Deontológico’ da OM de 2008.
Primeira constatação, tão óbvia quanto espontânea: ‘não existe segunda opinião médica, sem que haja a primeira’. Ora, sendo assim, o médico assistente e consultor têm que respeitar o preceituado no regulamento de conduta, em especial o artigo 9.º, nos 1 e 2. Neste, estabelece-se a obrigação do médico da segunda consulta “não interferir na assistência que esteja a ser prestada por outro colega ao doente”; e, no caso desta segunda consulta, ocorrer por vontade livre do doente, o médico que a realiza “tem a obrigação de advertir o paciente de existir uma assistência médica múltipla, não consensual”. O artigo 12.º, n.º 1, admite que o médico assistente possa encorajar o doente a pedir uma segunda opinião, caso o entenda útil.
Embora o citado regulamento, em matéria de normalização de conferências entre médicos, me pareça menos claro do que os revogados artigos 110.º a 114.º do anterior Código, assaltam-me dúvidas que as mensagens do ‘site’ da segunda opinião estejam a respeitar regras elementares de deontologia, nomeadamente o preceituado no regulamento antes referido – incitam, directa e explicitamente, os doentes a pedir uma segunda opinião, à revelia do médico assistente. Uma coisa é a iniciativa partir do doente, outra é ser tomada por incitamento do prestador interessado da segunda opinião.
PSD – é bom poder optar…
Há quem diga que o PSD apresenta estas propostas encostadas muito à direita, para ter margem de negociação. Na altura de negociar o Orçamento, vai às trocas com o PS, dá cá esta alteração na Constituição que eu dou-te folga no Orçamento. Pode ser, até pode ser que esteja a tirar força ao povo, porque agora quem quer mudar de governo tem que ir para eleições, e se for o Presidente a ter essa possibilidade, abre a porta aos arranjinhos de gabinete.
Mas no que diz respeito à Saúde, a coisa é mais séria, há muito quem não entenda que o que está em cima da mesa é a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.E com um SNS a funcionar como até aqui, não tem futuro, há que salvá-lo. Como? Complementando-o com os privados. Dizem-me que isso seria aceitar uma saúde para os pobres e outra para os ricos. Já há! E sabem porquê? Porque o SNS não se aguenta sendo” universal e tendencialmente gratuíto”.
O que está verdadeiramente em equação é haver uma boa saúde gratuíta para quem não pode pagar, essa é que é a questão! Os ricos terão sempre uma boa prestação de cuidados de saúde, se não for aqui no país, é num sítio qualquer, têm dinheiro, vão onde é preciso, o Estado tem é que assegurar que os pobres sejam beneficiados com a prestação de bons cuidados de saúde. E, isso, só é possível, se o Estado tiver meios de equipamento, instalações e humanos do melhor. Não os poderá ter se continuar a querer prestar todos os cuidados médicos a toda a população.
Quanto à Educação, as escolas privadas não deixam de crescer, resultado da inexorável degradação da escola pública, que é pasto de lutas corporativas, experiências pedagógicas votadas ao fracasso e ao arrepio dos verdadeiros interesses dos alunos.É, bem melhor,que o estado tome a iniciativa de promover uma concorrência transparente e deixar as famílias optar.
Defender a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde , bem como o Estado Providência, não é querer que o estado preste serviços universais que são impossíveis de prestar com qualidade é, antes, promover as medidas necessárias para que o Estado assegure os direitos conquistados, mas sem precisar de os prestar na sua totalidade..
Rita Ferro, Isabel do Carmo e o Grupo Espírito Santo
O que há de comum nas vidas de Rita Ferro e de Isabel do Carmo? A resposta é espontânea e sonante: nada!
A escritora, lisboeta, é filha do ensaísta António Quadros e neta de António Ferro, intelectual e doutrinário do Estado Novo, fundador do célebre Secretariado de Propaganda Nacional salazarista.
A médica, hoje doutorada e professora da Faculdade de Medicina de Lisboa, natural do Barreiro, foi militante do PC, fundadora do PRP. Esteve detida em consequência de activismo de extrema – esquerda.
Entre as duas jamais existiu efectivamente algo em comum, o que justifica a resposta pronta e negativa à pergunta formulada. Todavia, analisados comportamentos recentes de Rita Ferro e Isabel do Carmo, infere-se que, erodido o passado, ambas convergem no presente em duras críticas a esse monstro económico-financeiro chamado Grupo Espírito Santo.
Vamos a factos. Rita Ferro, no jornal ‘Expresso’, edição de 12 de Junho, publicou o artigo “Carta aberta à família Espírito Santo”. Desanca forte e feio na família dos banqueiros. Assumindo ser “herdeira genética do salazarismo, mas penitente pelos efeitos do seu regime”, crítica com voracidade o Grupo Espírito Santo (GES), por este servir de retaguarda interesseira ao governo de Sócrates e ter a chancela nos principais consórcios financeiros devotados às grandes obras do executivo socialista – Auto-Estradas, TGV, Novo Aeroporto de Lisboa e 3.ª Travessia sobre o Tejo. Considera, pois, o GES plataforma relevante de suporte a estes investimentos em inoportunos prazos. E tece eloquente conclusão:
Ao contrário do vosso Grupo – e doutros, claro, mas com menos pergaminhos – não teremos a Suíça como abrigo quando a lâmina da bancarrota nos cortar a jugular…
Acerca da escritora, estamos falados. Deambulemos agora pelos argumentos de Isabel do Carmo, na edição de Junho de “Le Monde diplomatique”. Como médica e Directora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, Isabel do Carmo desmistifica os topetes da insolente Isabel Vaz, engenheira química, gestora da Espírito Santo Saúde SA e do Hospital da Luz. Com base em entrevista da engenheira Vaz ao jornal “i” em 16 de Março, e a propósito do “emagrecimento” do Estado, a médica demonstra a falta de seriedade e de sensibilidade social da gestora do Hospital da Luz sobre o protocolo com a ADSE, quando a citada engenheira afirma:
O facto de a ADSE não ter plafond é desde logo uma vantagem
Mas, como isto não chegasse para se entender a prevalência de objectivos de ganância lucrativa sobre os direitos constitucionais de acesso a cuidados de saúde dos cidadãos, a engenheira Vaz, escrito preto no branco por Isabel do Carmo, ainda se arroja a outras afirmações reveladoras do espírito de usura:
O plafond dos seguros é em média de 20 a 25 mil euros. Se diagnosticarmos uma doença oncológica o seguro cobre em média 50%. Então mandamos para o hospital público de referência.
Médicos querem salários por objectivos
Há um grupo de médicos do SNS que está a preparar um documento para propor à Ministra da Saúde, serem pagos segundo os objectivos acordados com o ministério. Face à hemorragia de médicos do SNS para os privados, só há uma maneira de segurar os técnicos mais competentes. Pagar-lhes segundo o mérito e a produtividade!
São os próprios médicos que se sentem incomodados com o facto de toda a gente ser paga segundo a antiguidade, como se todos fossem iguais, quando todos reconhecem que não são. Os mais impacientes já sairam para os privados, mas quem gosta do SNS considera que há lugar ao mérito e à produtividade. É a única forma de manter o SNS.
Objectivos que levem em conta a quantidade mas também a qualidade e as exigências técnicas requeridas! A não ser assim, a privada vai ganhar terreno, vai ser mais competitiva, vai ter os melhores, ter melhores resultados, crescer…
Eu sou pelo Serviço Nacional de Saúde, saúdo com alegria esta iniciativa!
A Saúde está doente…
Prefiro pagar taxas moderadoras a reduzirem os serviços prestados, diz o holandês espantado pela recusa da enfermeira.
E com razão, afinal eram tratamentos que lhe já tinham sido ministrados e que tinham contribuído de maneira muito eficaz para a melhoria da sua situação. A que título retiraram um tratamento que estava a surtir efeito?
Como se vê não é só cá que as coisas correm mal…
Mas a melhor de todas ( a melhor frase) na área da saúde é esta da Isabel Vaz que é a Presidente do Grupo Saúde do BES: “os hospitais públicos mandam doentes para casa para pouparem! Desculpe? Então a senhora nem sequer os deixa entrar!
Isto chegou ao fim, temos que pedir ao Miguel e ao Carlos Fonseca para nos explicarem em “obundu” o que é que isto quer dizer. Será que a dra (bem gira por sinal) quer que os doentes passem a ir aos hospitais do Grupo BES para o Estado poupar? Será que o seu grupo deixa entrar os doentes sem seguro e sem o Estado pagar? E quando acaba o seguro continua com os tratamentos? Palavra?
Ou o Estado não recebe os doentes que transitam do seu grupo porque não têm seguro ?
O que uma frase pode esconder!
A Central de Compras do SNS
Qualquer grupo empresarial tem como prioridade criar uma central de compras. As razões são óbvias, desde a compra de grandes quantidades com os descontos possíveis, até à certificação dos fornecedores, por razões de qualidade e de cumprimento de prazos.
Estas centrais de compras podem ser uma plataforma informática, onde as várias instituições carregam as suas necessidades, por produto, quantidade, prazos e, com muito pouca intervenção humana, prepara os dossiers para decisão.
No que diz respeito ao Serviço Nacional de Saúde, com tantos hospitais e centros de saúde, a poupança ronda, seguramente, milhões de euros. Oitocentos milhões, segundo o economista que estudou a questão. É mesmo incompreensível que esta estrutura nunca tenha sido criada, embora se perceba os muitos interesses agregados, contudo o Estado não tem que os alimentar .
Espera-se agora que não seja um pretexto para encher com mais uns boys e girls, e que não inventem, porque esta solução está há muito implementada nas empresas e basta seguir as boas soluções. Ao nível do fornecedor as vantagens tambem são muitas porque pode programar as suas produções em grandes quantidades, com os respectivos custos bem mais baixos. Acresce as entregas, o embalamento, tudo concorre para que haja um enorme corte nos preços, com vantagens para todos.












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