O governo vai entregar 800 milhões de euros ao Novo Banco e exactamente a mesma importância ao Serviço Nacional de Saúde. Espero que apreciem a ironia da coisa.
Descativações eleitoralistas
Ontem perdi a cabeça e vi 10 minutos do telejornal das 13h. Logo no inicio, assim de rajada, duas notícias captaram a minha atenção: uma sobre uma cerimónia qualquer que assinala o início (???) das obras na ala pediátrica do São João, outra sobre uma verba que foi “descativada” por Mário Centeno, para comprar ambulâncias. Eleitoralismo com o dinheiro e, pior, que instrumentalizam os anseios e emoções dos contribuintes. Um nojo.
É por estas e por outras, muitas outras, que espero sinceramente que o PS NÃO tenha maioria absoluta. Porque, perante a inexistência de oposição, a vitória dificilmente lhe escapará. E se a ditadura do défice foi o que foi com a Geringonça, imaginem as cativações de um PS a mandar sozinho. E as “descativações” eleitoralistas que usarão para comprar e manipular o eleitorado em 2023. Não, obrigado.
Eleitoralismo? Naaaaaa, isso é velhaca maledicência

Em declarações ao Expresso, António Costa comprometeu-se com aumentos salariais na função pública e investimento no SNS. A quatro meses das Legislativas, e com os olhos postos numa improvável maioria absoluta, Costa pisca o olho a uma fatia significativa do eleitorado e poderá muito bem cumprir a sua promessa, até porque tem recursos para o fazer. Se correr mal, cativa-se tudo e não se fala mais nisso.
Partiu pela curva da estrada
Ao Emanuel
“Pai, o Porto ganhou ao Braga”
O sr. Marques abriu os olhos, olhou nos olhos e sorriu ligeiramente. Há dois dias que não conseguia fazê-lo.
A doença progrediu muito depressa. Quando chegou ao Hospital de S. João, há cerca de um mês, já estava condenado. Do pâncreas, o bicho fora para o fígado e pulmões e, agora no fim, para todo o lado.
A equipa médica informou a família há uma semana de que não havia nada a fazer. Puseram-no então na unidade de Cuidados Paliativos – as condições de que usufruiu nos últimos dias deixam-nos orgulhosos do nosso SNS.
Ontem à tarde, chamaram a família. Chegara o momento das despedidas. Os que mais o amavam estiveram presentes.
“Pai, o Porto ganhou ao Braga”
Foi a última coisa que ouviu. Abriu os olhos, olhou nos olhos e sorriu ligeiramente.
Como uma cotovia, começou a respirar cada vez mais baixinho até deixar de se ouvir. Partiu, “pela curva da estrada”, pouco depois das 18 horas.
«Na Vida que a Dor povoa,
Há só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir…
Tudo vai sem se sentir.
Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho… até morrer!
(…)
E os anos irão passando.
Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha também)
Perder a cor que, hoje, tem
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir,
Isto é, deixa de dormir:
Acorda, e regressa ao seio
De Deus, que é donde ele veio” (Antonio Nobre)
As reivindicações dos enfermeiros são justas?
Esta é a pergunta cuja resposta interessa verdadeiramente conhecer. O problema, no entanto, está no muito ruído que é gerado à volta das greves.
António Costa considerou que a greve dos enfermeiros é “ilegal” e “selvagem”. O primeiro-ministro tem direito à sua opinião, embora o segundo adjectivo seja demasiado sensacionalista para que possa ser usado de modo leviano. Sendo licenciado em Direito, estará obrigado também a usar com parcimónia um termo como “ilegal”.
Os políticos, quando estão no poder têm, sobre greves, o mesmo discurso redondo: não está em causa o direito à greve, mas ou é injusta (mesmo selvagem) ou as reivindicações não poderão ser satisfeitas, porque o défice iria ser agravado, ou não é a altura ideal para se fazer greve. Os mesmos políticos, na oposição, são a favor das justas reivindicações dos trabalhadores e fazem de conta que não são igualmente culpados da destruição do sistema.
A Comunicação Social, nestas alturas, prefere o óbvio e entrevista os utentes que estão a ser prejudicados pela greve, como se houvesse greves sem incómodos. Há, com frequência, histórias de alguém que se tinha levantado de madrugada para ter uma consulta por que esperava há meses. Curiosamente, a Comunicação Social perde muito menos tempo a investigar os milhares de casos de pessoas que precisam de madrugar nos Centros de Saúde ou de consultas que só têm lugar muito tempo depois de serem marcadas. [Read more…]
A morte do SNS: como desmontar um mito
Podia o SNS estar muito melhor do que está? Podia e devia. Mas está longe do caos anunciado pela direita paranóica, como bem explicou o Marco Capitão Ferreira.
Duarte Marques, o cúmplice acusador
Por uma vez, concordo com Duarte Marques, especialmente porque, sem se aperceber (Duarte Marques nunca desilude), o pobre está a fazer, em parte, uma autocrítica: o Serviço Nacional de Saúde está a piorar progressivamente devido às políticas deste governo, que se limita a prosseguir o trabalho iniciado por José Sócrates e continuadas entusiasticamente por um Passos Coelho que se orgulhou de ir além da troika.
Duarte Marques integra um centrão que, graças a uma escoliose política, está, há anos, inclinado para uma direita que se apoderou do Estado para o esvaziar, entregando-o a amigos do privado e privando os cidadãos de serviços mínimos de qualidade, na Saúde ou na Educação. No seu último texto para o Expresso, atribui a falta de condições dos hospitais (de que PSD e CDS são co-responsáveis) à reposição de salários, esquecendo, convenientemente, os muitos desvarios em que participaram vários amigos e aparentes adversários que têm dividido o bolo público em benefício de poucos.
Leia-se, entretanto, o texto de Mariana Mortágua, a propósito deste mesmo tema, mesmo sabendo que, segundo Duarte Marques, o Bloco de Esquerda tenha contribuído para a ocultação do que se está a passar no SNS, confirmando-se a incompetência do BE, tendo em conta que os problemas estão a ser abundantemente divulgados (mas, lá está!, Duarte Marques nunca desilude). Ao surpreendente deputado, por ser cúmplice de tudo o que se está a passar, recomenda-se o mesmo tratamento que um certo médico prescreveu a um paciente.
Faleceu e precisa de um médico?
Então não perca mais tempo e contacte já a Unidade de Saúde Familiar Lusitânia, em Évora. O custo fica a cargo do SNS.
Saúde vs. educação…
Sabendo que saúde e educação são bandeiras dos socialistas e compagnons de route na geringonça, alguém me explica porque razão um utente vai passar a escolher livremente um hospital público mas não a escola pública onde matricular o seu filho?
SNS a rebentar, privados a lucrar

Antecipando o que aí vem, o secretário de Estado da Saúde anunciou esta semana ao país que, em situações de ruptura, os hospitais públicos poderão enviar pacientes para o sector privado. Apesar das medidas preventivas que estão a ser tomadas, as dúvidas quanto à capacidade de resposta de um SNS alvo de múltiplos cortes nos anos de austeridade são muitas e preocupantes. E, perante a falta de investimento nos hospitais públicos, investe-se nos privados para resolver o problema. E porque não investir esse dinheiro no sector público? Simples: porque a agenda não é essa. Para eles está tudo bem. Quem disser o contrário é comunista.
Foto: Global Imagens/Natacha Cardoso@DN
Acabar com o SNS, esse desígnio da direita
Se em 1979 o PSD social-democrata votou contra a criação do SNS, não há-de ser o PSD liberal, movido por uma agenda ideológica de obliteração do Estado Social e obcecado por privatizar tudo a qualquer preço, que pensará de forma muito diferente: o SNS (tal como este governo) é para suprimir o mais rapidamente possível. Mas anunciar a sua privatização seria gerador de forte contestação por parte da sociedade civil pelo que o esquema deve ser cuidadoso e gradual: primeiro o desinvestimento, com cortes em sucessivos Orçamentos de Estado que explicam em parte o caos, por vezes fatal, que se instalou nas urgências no Inverno passado. Faltam médicos, faltam enfermeiros, entretanto emigrados para o Reino Unido, e falta equipamento. Paralelamente, emerge o sector privado de saúde, que acumula lucros fabulosos com a mesma velocidade a que o SNS se vai desintegrando, com a benção de um governo que até conta com um Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social que foi em tempos lobista ao serviço de um grupo privado de saúde. Por fim, cereja em cima do bolo, nomeia-se um ministro da Saúde com a sensibilidade de um tijolo que, confrontado com a fragilidade de um SNS que vê pessoas morrerem após longas esperas em corredores hospitalares com condições terceiro-mundistas, afirma convictamente que os serviços de urgências funcionam muito bem e que quem diz o contrário são comunistas com agendas obscuras. É uma questão de tempo. Acabar com o SNS é um desígnio desta direita “teapartizada”.
Livrem-nos deste ministro por favor!
São dias tristes para a saúde em Portugal: o Jorge sem médico de família, o sector privado a aproveitar a movida ideológica dos radicais que nos governam e que deixaram o SNS de rastos para obter lucros estratosféricos e um novo ministro da Saúde que ou não tem mínima noção do sector que tutela ou nos toma a todos por parvos. Para bem da saúde dos portugueses (física e mental), parece que está a prazo. [Read more…]
Já sabemos que Portugal não é a Grécia
mas os dois lideram, em conjunto, o ranking dos países da OCDE onde a despesa das famílias com saúde mais aumentou. Coincidências claro, que o nosso SNS está que é um espectáculo. Que o digam as urgências dos hospitais públicos.
Três pessoas a fazerem o serviço de dez no Hospital da Figueira da Foz
A senhora Maria, vamos assim a nomear, tal como milhares de portugueses, precisava de um trabalho remunerado, já que esses onde se troca o suor por uma refeição não pagam as contas no fim do mês, pelo que começou a trabalhar como auxiliar de cozinha no Hospital da Figueira da Foz.
Mesmo precisando do dinheiro, passado uma semana, ou mais exactamente cinco dias, desistiu do emprego porque a sua saúde estava primeiro. Quando entrou ao serviço descobriu que ela e mais outras duas pessoas iriam fazer o serviço que, habitualmente, era assegurado por dez empregadas e que consistia em servir as refeições a todos os doentes do hospital. Depois de dias consecutivos a levantar tabuleiros e outros pesos, sem descanso e em ritmo muito acelerado para cumprir os horários das refeições, as costas não aguentaram e estava incapaz de se dobrar. Nem querendo seria capaz de levar a comida aos doentes e despedir-se foi o caminho que lhe restou.
Este episódio do país de sucesso, retrato de um SNS onde os cortes chegam até ao fundamental, como Betadine e ligaduras, não teve lugar nos telejornais, apesar destes durarem mais de uma hora e de estarem repletos de fastidiosas “reportagens” de rua, nas quais opiniões avulsas de transeuntes incham de vazio temas sem relevância.
A canibalização do SNS
Foto@Adriano Miranda/Público
Apesar dos constantes elogios ao ministro que já foi Director-Geral dos Impostos e que acabou por ir parar à Saúde, a verdade é que casos recentes colocaram a sua gestão debaixo de fogo. Mortes nas urgências, o triste episódio da escassez de medicamentos para tratar a Hepatite C, episódio esse que nos permitiu perceber que o primeiro-ministro valoriza mais o cumprimento do plano de ajustamento do que a vida da plebe, ou o declínio do SNS, apesar da propaganda regurgitada por Pedro Passos Coelho, são apenas alguns indicadores da situação dramática que se vive em Portugal. Para aqueles que não podem pagar o sector privado claro.
Os crimes da troika
«Há centenas de pessoas que morrem todos os meses porque não têm acesso a cuidados de saúde, mas essas mortes não aparecem em lado nenhum. Mas nós, os médicos, nós sabemos.» – Um médico grego entrevistado pelo jornalista alemão Harald Schumann (doc estreado há horas aqui).
A excelência na gestão da saúde… de algumas empresas
«Os “médicos a dias” custam ao Serviço Nacional de Saúde mais de 70 milhões de euros por ano. Saiba quem anda a ganhar dinheiro com a contratação de tarefeiros» [VISÃO]
As prioridades de Pedro Passos Coelho
Montagem@Finalmente Sou Um Gajo Desempregado
Entre ir além das imposições da troika e garantir a todos os portugueses o Direito à Vida, consagrado nesse documento aborrecido que dá pelo nome de Constituição da República Portuguesa, o primeiro-ministro não parece ter dúvidas. Salvar vidas sim senhor mas com juizinho.
Não deixa de ser caricato ver um primeiro-ministro ter esta postura face a problemas reais da dimensão da Hepatite C quando a sua esposa enfrenta uma doença tão abominável como o cancro. Teria Passos Coelho a audácia de usar o mesmo argumento quando em 2011, obcecado com o poder, debitava falsas promessas à velocidade da luz? Yeah right…
Um conto de crianças versão hardcore
Este é José Carlos Saldanha, um doente de Hepatite C que poderá em breve morrer porque o governo entende que a vida dele e de outros na sua situação não vale o elevado valor que a farmacêutica Gilead exige pela venda do medicamento. A menos que, como notou o Fernando Moreira de Sá, se trate de um caso de pura incompetência, e a notícia que dá conta da intenção da Gilead em oferecer 100 unidades do medicamento gratuitamente para doentes de risco, algo que aparentemente não aconteceu porque a farmacêutica não recebeu qualquer encomenda, seja verdade.
Espero que tenham gostado de mais um episódio da apaixonante conto de crianças “A vida quotidiana das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas que a vida do país está muito melhor do que em 2011”. Depois do sucesso do episódio rodado em vários serviços de urgências de hospitais públicos portugueses, o governo que “salvou o SNS” continua igual a si próprio. Inútil e incompetente. O escarro metafórico do António Fernando Nabais. Ou será que é o monte de merda? Descubram mais nos próximos episódios.
Destruída a capacidade de resposta do SNS
Entram em cenas as urgências privadas. São agendas.
Da revolta de um filho…
… cuja mãe foi assassinada pelo gang que se senta nas cadeiras ministeriais.
Este texto veio ter comigo no Facebook e tem que ser conhecido. Foi, pelo que percebi, escrito a quente pela revolta de um filho que viu a sua mãe morrer em consequência das acções da corja que manda neste país. Até quando?
Nota: Embora se trate de um texto público, foi pedida autorização ao seu autor para aqui a incluir. Noémia Pinto
O texto que se segue é de João Carlos Silveira, filho de Maria Vitória Moreira Forte, nascida em Idanha-a-Nova, no dia 10 de Fevereiro de 1925 e assassinada em Almada no dia 17 de Janeiro de 2015.

Peço desculpa pelo que vou dizer mas ESTOU MUITO REVOLTADO!
A minha mãe acaba de falecer há uma hora e meia, no Hospital Garcia d’Orta e, depois de ter dado entrada cerca das 11:00 horas da manhã, só foi vista cerca das 20:15 horas, depois de inclusive eu ter participado de um Médico, para mim indigno da profissão que diz que professa e depois de muitas outras peripécias na Urgência deste Hospital!
Independentemente de todas as queixas que possa ter, de muitos “profissionais” que trabalham nesta Urgência, o culpado maior da morte da minha mãe é filho da outra senhora, que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e o gang dos seus lacaios!
A morte nas urgências da austeridade
Enquanto o governo que optou por ir além da Troika continua a resumir a sua pseudo-reforma do Estado ao contínuo aumento de impostos e aos cortes em salários e pensões, a sociedade portuguesa apresenta-nos sinais preocupantes que colocam as franjas mais desfavorecidas da população em situações limite. Se os números da pobreza são mais que elucidativos, com o fosso entre ricos e pobres cada vez mais fundo, algumas situações que nos remetem para um passado distante ressurgem assustadoramente. Como é possível que milhares de boys partidários inúteis tenham ordenados superiores a 3 mil euros enquanto cada vez mais portugueses morrem literalmente de frio por não conseguirem pagar a contas da luz ou do gás?
Um médico do SNS que ganha mais que o PR?
Sim, um médico político-partidário. Entre 11 e 18 mil euros pagos por si, claro! Taxas moderadoras não-incluídas.
Saúde: custos das PPP agravados em 6 mil milhões de euros
O ‘Correio da Manhã’ saiu hoje para as bancas com o seguinte destaque de 1.ª página:
Trata-se, como é sabido, de um jornal sensacionalista, suscitando dúvidas quanto à credibilidade de títulos de primeira página. Todavia, nem sempre especula sem sentido. Certas vezes, recorrendo a provas dignas de confiança, acerta na ‘mouche‘, como é o caso do descontrolado e pesado gasto não previsto com as famigeradas PPP no sector da saúde, dominadas pela HPP (CGD), Grupo Mello, uma sociedade gestora herdeira da SLN do BPN e, para completar o cartaz, o grupo Espírito Santo Saúde, dirigido por essa ardilosa e insolente figura, Eng.ª Isabel Vaz.
Desta vez, não há, de facto, dúvidas, menores ou maiores. O CM baseia-se no Relatório nº. 18/2013 – 2ª. Secção do Tribunal de Contas, de conteúdo pormenorizado, e até exaustivo, que em 347 páginas descreve, avalia e recomenda acções do governo sobre as Parcerias Públicos Privadas no Sector da Saúde.
Os resultados para os cofres públicos, conforme o TC justifica, saldam-se por enormes gastos, tomando por base os custos previstos face aos custos reais para o Estado que, como diz o CM, se reflectem em encargos adicionais de 6 mil milhões de euros.

Sobre as qualidades pessoais de António Arnaut muitos têm falado, mesmo aqueles que, no fundo, no fundo, não apreciavam o político, gostando ou não do homem, se é que é possível distinguir aquilo que somos daquilo que fazemos ou que fizemos. 







Sou adepto, eu, do 






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