Que os políticos portugueses são uma merda, são, mas eu não sou ou, então, não sou um político

Pode saltar, correr, mergulhar, mas por mais vezes que diga não ser um político profissional, Cavaco Silva não consegue esconder a realidade de ser um político profissional. E, por sinal, dos melhores em Portugal. Daqueles que vive a política todos os dias, todos os minutos, mesmo em dias de férias. Qualquer acto, uma assinatura, uma declaração, uma visita, uma entrevista, tem para ele um significado político. Não dá ponta sem nó, como diz o povo.

cavaco_silva_2011

Faz agora saber que gostaria de ser lembrado pelos portugueses como “um algarvio, nascido em Boliqueime, que foi professor universitário, ministro das Finanças, primeiro-ministro e Presidente da República e que viveu feliz com a mulher com quem casou aos 24 anos de idade”.

[Read more…]

Decote de Rita Pereira nos Emmy não faz greve

Rita Pereira, na entrega dos Emmys Internacionais, transportou um decote que, só por ele, merece uma paralisação geral. Diz que é tudo natural, feito pelo pai e pela mãe. Eu acredito.

É de mim ou o novo blindado tem smileys?

Ali mesmo à frente. Estão a ver? Olhem melhor. O amarelo ajuda a encontrar. São duas rodas bem amarelas que chamam a atenção por entre tanto azul.

É o novo blindado da PSP, que chegou para a próxima cimeira da Nato em Portugal.

Não há que enganar. Olhem agora para a configuração. Com atenção. Vêem smileys não é?

Eu, pelo menos, vi. Andei à procura de mais detalhes e descobri que dizem KC em cima e Daylighter em baixo. Afinal não são smileys, mas que parecem lá isso não há dúvidas. Mas deve ser apenas uma coincidência.

E assim a medicina veterinária pula e avança…

Não tenho cães, nem sou amigo ou associado de qualquer associação de defesa dos animais. Tenho é cerébro e consciência crítica. E, vá lá, aguma decência, apesar da minha tendência para o humor negro. Por isso, esta notícia do JN, a confirmar-se, não me merece mais comentários.

Informa-se que as crianças só podem desaparecer em horário de expediente

Em Portugal, o segundo país da União Europeia que aderiu ao serviço 116100, logo a seguir à Hungria, o atendimento é prestado por técnicos do Instituto de Apoio à Criança (IAC) apenas de segunda a sexta feira, entre as 09:00 e as 19:00.

Assim sendo será conveniente informar as crianças e todos os outros protagonistas neste tipo de casos que é, de todo, inconveniente que haja desaparecimentos fora do horário de expediente.

Ainda falta muito para os responsáveis pelas portagens na ex-SCUTs se demitirem?

É que não é só a questão do pagamento, do preço absurdo, da atitute discriminátria. É também o mais estúpido sistema de portagens do mundo. Se conheço todos os sistemas para dizer isto? Não, nem preciso. Este é, com certeza, o mais parvo de todos. E até surge como mais ignóbil que os bloqueios de rua feitos por ladrões a exigirem taxas, que se verificam em alguns países de África.

Então, continuação…

É coisa para acontecer de vez em quando. Está um gajo muito sossegado e batem-nos à porta, ou param-nos na rua. É uma daquelas pessoas que não conhecemos mas que nos interpela ou conhecemos de forma distante. Lá trocamos uma ou outra palavra, mais ou menos de circunstância, e nas despedidas dizemos um longíquo ‘adeus’, um breve ‘até à próxima’, um amigável ‘até já’. Em troca recebemos um banal ‘continuação’.

Continuação? Mas continuação de quê?

aperto_mao

De um bom dia? E se ele estiver a correr mal? Quer, por acaso, o parvalhão que o nosso dia continue uma merda?

De uma boa carreira profissional? Mas e se estamos desempregados? Quer o magano que continuemos assim, a viver do subsídio?

De uma continuação do que estamos a fazer? Provavelmente, mas e se isto é dito a um gajo que se está a enforcar? “Vá lá à sua vida, tenha uma boa continuação do seu suicídio, que corra bem. Tenha em atenção ao nó e veja lá essa corda que já teve melhores dias. Continuação…”.

É ridículo, não é? Como aqueles relatadores ou comentadores de futebol que dizem que uma equipa que está a perder tem de “correr atrás do prejuízo”. Ó senhores, pelas alminhas, quem é que vai correr atrás do prejuízo?

É só para lembrar que o Pai Natal não existe

sint

A arte é tramada. Muitas vezes, bem ou mal feita, incomoda. É como uma verruga que nos nasce no nariz, um quisto que insiste em aparecer numa nádega, um qualquer conhecido que se julga amigo e nos chateia durante horas com uma conversa da treta. Chateia. Sobretudo quando mexe na consciência de uma série de pessoas sem creatividade e muito espaço no cránio.

Na Holanda, um grupo de pessoas desatou a protestar contra os cartazes de promoção de um filme de terror. A fita é apenas para adultos, diga-se. Os cartazes é que estão espalhados pelas ruas. É este que está aqui, neste mesmo post. Ora vejam com atenção. Já viram? Viram, então, um personagem negro, ameaçador, com vestes vermelhas em jeito de bispo, sublinhado pelo chapéu, em cima de um cavalo branco que não inspira muita confiança. Ambos  enquadrados pela Lua e um leve manto de neve.

O filme chama-se “Sint”, que é como quem diz São Nicolau, o bispo que acabou por ser ‘transformado’ em pai natal. Porque, dizem as lendas locais, a 5 de Dezembro São Nicolau viajava pelo país levando presentes aos mais pequenos. Só que, desta vez, em alternativa a um enternecedor filme típico da quadra, os autores, e o realizador Dick Maas, decidiram fazer uma história de terror. Pegaram no personagem colocando-o como um assassino que decapita crianças a 5 de Dezembro.

Algumas pessoas que ficam incomodadas por qualquer coisinha que estrague o dia a dia de ilusão decidiram não gostar da ideia e recorreram à comissão reguladora da publicidade na Holanda, que não retirou o cartaz. As tais pessoas já apresentaram recurso.

O realizador Maas diz que a polémica é desnecessária, que não há nenhum drama, que é só um filme e tal, que até há filmes de terror com cartazes mais assustadores e que os pais devem explicar aos meninos e meninas que aquele não é o pai natal, mais sim um “primo”. O que também dá uma ideia perfeita do tipo de família a que pertence o gajo de robe vermelho.

Por mim, deixo uma sugestão: digam à ganapada que o pai natal não existe, que é uma ficção, uma treta. Não há nenhum velhote gordinho a descer chaminés, nem a distribuir prendas. Confessem que os andavam a enganar, tal como se queixam de que são enganados pelos políticos. Ganhem coragem, respirem fundo e gritem: “Sim, é verdade, o pai natal não existe!”.

Mini carta aberta a Daniel de Oliveira

Caro Daniel de Oliveira,

Não nos conhecemos e ainda bem. É que eu sou do Porto, região, e do Porto, clube. Não creio que um homem do seu calibre se dê com bárbaros. Mesmo daqueles que não fazem parte da direcção do clube que tanto despreza. Bem sei que no seu texto faz um esforço para separar as águas, mas pareceu-me apenas uma tentativa ténue para se justificar perante um ou outro amigo da área dos bárbaros.

O seu texto teve o condão de me colocar a pensar qual dos ditados portugueses deveria adoptar neste caso. Se aquele que diz que “quem não se sente não é filho de boa gente” ou aquele que advoga que “vozes de burro não chegam ao céu”. Optei pela segundo.

P.S. Faça o favor de ser sempre contra o FC Porto. Pode ser que estes resultados sejam mais frequentes.

hulK-0811

Os mercados estão em todo o lado

Os mercados estão em todo o lado. De repente somos submergidos por eles, os mercados. Sim, parecem ser um novo deus. Aos Católicos ouço dizer que Deus está em todo o lado. Para os políticos, comentadores, analistas e jornalistas, os mercados estão em todo o lado. Tal e qual aquele fulano que não nos larga. Enfim, um perseguidor.

Os mercados duvidam, os mercados estão atentos, os mercados desconfiam, os mercados isto e os mercados aquilo. Querem ver que os mercados são o ‘sistema’ do futebol, o ‘vocês sabem de quem estou a falar’ do Óctávio, o Brutos que também esfaqueou Júlio César, o ‘Adamastor’ que fez tremer os navegadores lusos?

Olha, mercado, se te posso tratar assim, vai dar uma volta ao bilhar grande e leva contigo os políticos, os comentadores, os analistas e os jornalistas que te vêm em todo o lado e que, acima de tudo, te dão demasiada importância. Não fossem eles, e tu não existias.

Ah, o Halloween, essa tradição bem portuguesa

Lembro-me como se fosse hoje. Vestia-me de feiticeiro, com uma capa preta e o inevitável chapéu em forma de cone. Pegava numa pequena vassoura com a mão direita e num globo de neve com a esquerda, a simular uma bola de cristal. Era assim que saia à rua, par a par com outros miúdos da vizinhança. Corria as casas das redondezas a pedir doçuras e a prometer travessuras.

halloween_2810

Normalmente corria bem e os índices de açúcar no sangue subiam mais depressa que um foguetye em madrugada de ano novo. Um dia, o senhor Mota, dono de um belo Toyota vermelho, não quis dar nem um rebuçado da Régua, nem um mísero rebuçado do Dr. Bayar. Insistimos, chegamos a pedir por favor, primeiro, e a ameaçar uma travessura, depois. Nicles. O velho estava a pedi-las. Pimba! Uma pedra mágica voo em direcção ao vidro do retrovisor do lado do condutor e ele não resistiu. Partiu-se. Uma pequena grande tragédia. Houve o regabofe no momento da magia mas uma grande preocupação quando o Tó, o mais velho do grupo, disse, em voz grave e algo trémula, que partir um espelho equivalia a sete anos de azar.

[Read more…]

Uma pura conversa da treta

Deve ser da idade ou da falta de paciência, mas se já estava farto dos rodriguinhos linguísticos dos políticos (ou pseudo-políticos). Agora começo a acha-los perfeitamente irritantes. Há uns tempos ainda sorria perante as cambalhotas verbais, as tentativas de justificar o injustificável. Agora soam a um longo bocejo e conversa da mais imberbe treta. Os tempos exigem palavras sérias e directas, não merdas cheias de recadinhos parvos.

Vem isto a propósito das reacções e contra-reacções dos partidos ao fim das negociações em redor da proposta de Orçamento de Estado para 2011.

Todos estiveram de boa fé, todos quiseram negociar, todos foram responsáveis, todos querem o melhor para o país. Pois querem. Mas não sabem.

Acabam-se as negociações e o que diz o PSD? Nada. Bem, nada não. Foram ditas banalidades, palavras a mais para conteúdo a menos.

Na hora de decidir, o PSD decide não decidir. Ao Governo exigia-se que tivesse feito muito melhor, em vez de atirar o país para o fosso. Ao PSD exigia-se responsabilidade e uma posição clara, para o sim ou para o não, e não uma navegação à vista.

Mas alguém acha que os portugueses querem saber quem tem culpa no fracasso das negociações? Oh gente da minha terra, os portugueses querem é soluções.

Já estamos fartos desta merda.

Adeus walkman

Walkman_2610

Tive um walkman. Como muitos da minha idade. Já lá vão uns anos. Era uma companhia habitual e levava-o para quase todo o lado. Nos primeiros tempos transportava-o na sua caixa de cartão e devidamente condicionado no plástico de origem. Como quem compra um carro novo e fica zangado com quem lhe suja os tapetes pela primeira vez. Não durou muito. Essa mania, claro, porque o walkman durou. Com jeito ainda o tenho para ai enfiado.

Era Sony, como só os verdadeiros walkmans podem ser. Preto, com as letras em prateado. Tinha rádio, com mostrador digital, auscultadores e um clip para prender ao cinto. Leu muitas cassetes. Por aquele aparelho passaram horas de Pink Floyd, Beatles, U2, entre muitos outros.

Foi uma notícia, a do fim da venda do aparelho pela marca nipónica, que me fez recordar dele. Tive um walkman. À parte uma certa nostalgia por tempos que já não voltam, segui em frente. Não o choro. Hoje o walkman é uma peça do passado. Já quase não há cassetes, a qualidade sonora é muito melhor em CD ou em MP3, por isso a ‘morte’ do aparelho é natural. Não tem razão de ser nestes tempos.

Depois de divulgada a notícia, o canal Fox, dos EUA, colocou um dos aparelhos nas mãos de um adolescente dos nossos dias, do digital, da internet, dos ficheiros. Andou algumas horas a ouvir cassetes e nem reparou que estas tinham dois lados. Estes tempos não são para o walkman. A reforma espera-te pá.

Agostinho Branquinho não sabia o que era a Ongoing, agora já sabe

Fevereiro de 2010: Numa comissão parlamentar, o deputado do PSD Agostinho Branquinho tinha dúvidas sobre a atividade de um grupo económico. Não sabia o que era a Ongoing.

Outubro de 2010: Já sem sem dúvidas do que é a Ongoing, o agora ex-deputado Agostinho Branquinho vai trabalhar para a Ongoing.

agostinho_branquinho_23102010

Faz bem. Vai ganhar mais dinheiro e foge às dificuldades daqueles que, na Assembleia da República, necessitam de apoio solidário. É mais um emigrante luso nas terras de Vera Cruz. Como costumam dizer alguns jogadores de futebol que deixam de ganhar bem para passar a ganhar muito bem, ‘há que olhar pela família’.

Bem-vindos à Divina Comédia

E Portugal continua assim. Uma país que mistura a tragédia com a comédia. Cada vez mais trágico e cada vez menos cómico. Mas para alguns é ao contrário.

As ex-SCUTs e o jumento

Lembram-se de, há uns bons anos, António Costa ter feito uma acção de campanha sobre o trânsito entre Lisboa e um concelho qualquer dos arredores ao qual era candidato à presidência da autarquia? Lembram-se que o agora autarca de Lisboa levou um jumento a competir com um Ferrari para ver quem chegava mais depressa à capital?

Ora, foi do jumento que lembrei nestes dias de debate sobre as portagens na SCUT. Não para fazer qualquer corrida comparativa mas apenas sobre o paradeiro do bicho. Acho que sei onde anda. E com a ajuda de uns cenários, todos vós irão descobrir também.

jumento

Cenário 1: Um gajo quer chegar ao aeroporto do Porto. A principal via para lá chegar é a A41. E, sim, adivinharam, deixou de ser SCUT ontem, 15 de Outubro. Alternativas: as ruas dentro das localidades entre qualquer ponto e a entrada da aerogare em Vila Nova da Telha; Ou utilizar a VRI, que continua a ser de borla. Ora, um gajo tem de ir a Matosinhos para poder chegar ao aeroporto sem pagar portagens.

Já consigo ver as orelhas e o focinho do jumento.

[Read more…]

Adeus SCUTs, olá CCUTs

Amanhã começam a pagar-se portagens nas SCUTs do Norte e Centro do país. As SCUTs dos outros pontos do país só para o ano. Desta forma se faz um Portugal a várias velocidades. Nada de novo, já estamos habituados. A questão é que o povo do Norte, o utilizador mais frequentes destas vias, continua a ser a cobaia.

Eu ainda sou do tempo em que o Porto e o Norte tinham sedes de grandes bancos. Ainda sou do tempo em que a indústria nortenha tinha um grande peso na economia nacional. E, claro, ainda sou do tempo em que os políticos do Norte tinham voz activa.

Agora não há nada disso no Norte. Também não haverá SCUTs. As vias passam a CCUTs, Com Custos para os Utilizadores.

O Norte foi alvo de vários desgovernos durante muitos anos. Este é apenas mais um deles. É preciso acabar com as SCUTs? Comece-se no Norte. É preciso mais fundos para Lisboa e Vale do Tejo? Vai-se buscar ao Norte. Assim é fácil. Tal como é fácil o povo do Norte deixar que assim seja e aceitar estas merdas. A culpa é nossa.

Big Brother da mina: E depois da saída?

O ‘big brother’ global em que se transformou a operação de salvamento dos 33 mineiros chilenos soa a um tradicional ‘dejá vu’. O uso do pleonasmo é aqui propositado. Só assim se pode comparar à mega transmissão do que se passa na mina de San José.

A chegada à superfície de cada um dos estafados homens foi relatada em detalhe. Um a um, com todos os detalhes. Nome, idade, estado civil, número de filhos, doenças existentes, as funções e a biografia. São heróis, claro. Merecem todo o destaque. Quantos dos heróis de pacotilha do mundo em que vivemos seriam capazes de superar o que eles superaram? Com aquele sacrifício…

Sejamos honestos. A cobertura informativa foi feita desta forma porque prometia ser um espectáculo. Cheio de emoção, que, no fundo, é aquilo que anima as nossas vidas. Eles merecem.

A dúvida reside no depois. Depois da saída, depois dos primeiros dias, depois de contadas as histórias, depois de feitas as reportagens, os documentários. O que será depois?

Na televisão ouço falar em milagre, em homens que nunca mais serão esquecidos. Será assim?

Portugal: o país da tanga e do fio dental

Um dia o país esteve de tanga. Agora consta que está de fio dental.

O verdadeiro leão usa gravata, fato, não transpira e não se atira para o chão

O Sporting está correcto. A verdadeira questão não é ganhar jogos, muito menos títulos, a verdadeira questão dos valores sportinguistas é a indumentária e a apresentação. Nada de piercings, nem tatuagens, nem sequer calças de ganga e, na tribuna, sempre de blazer.

Assim é que se vê os verdadeiros leões. Não são aqueles que têm de transpirar, coisa de gente sem nível, de correr, de cair e levantar, de chutar uma bola. São, sim, aqueles que se apresentam à maneira. A equipa está a fazer um esforço nesse sentido.

Em Alvalade não querem lavajões, badalhocos e afins. Querem gente de classe. Só entram ministros, secretários de Estado, uns adjuntos, ficam à porta. O Sporting é clube de gente de bem, nada de povo, a não ser aqueles que pagam cotas.

Aqui no Aventar deveríamos fazer o mesmo. Por mim, já comecei. Para este post aluguei um ‘smoking’.

Tenho uma lágrima no canto do olho

abola_21092010

Agradeço a Bonga ter criado um tema musical que ilustra na perfeição o meu sentimento neste momento. Hoje o jornal oficial do Benfica teve a amabilidade de dedicar um espaço à quinta vitória do FC Porto no campeonato.

Com mais nove pontos que o glorioso na tabela classificativa, o FCP teve direito a uma área importante na maravilhosa primeira página do periódico, que soube mostrar suficiente desportivismo para dedicar uns 10 centímetros ao triunfo na Madeira, ainda assim, e bem, lá bem distante da estrondosa informação dos 16 segundos de posse de bola do Tacuara no derby.

Estou enternecido. Acho que não vou conter as lágrimas.

Ainda assim espero que o jornal oficial não abuse destas situações e amanhã quero saber tudo sobre os mais recentes reforços da equipa de carica em pista coberta do clube da águia.

Tudo sobre o biscate de José Mourinho na selecção nacional

Querem saber o que é que eu acho desta coisa do Mourinho treinar a selecção em jeito de biscate? Não? Mas eu digo na mesma, que é para isso que a administração deste blogue me paga.

Jose_mourinho_real_madrid_1709

Mourinho sentiu depressa a pressão de ser treinador do Real Madrid, que não é a mesma coisa que treinar o Chelsea ou o Inter de Milão. Nos últimos dias enviou um recado para ‘dentro’ ao pedir “tempo” ao presidente do clube. Recentemente tinha dito que, em caso de emergência, estaria disponível a ajudar a selecção.

Gilberto Madaíl pensou ou disseram-lhe que esta sim, seria a solução ideal para os próximos tempos. Não hé tempo a perder. Há jogos a caminho e em breve haverá eleições e há aquela trapalhada da utilidade pública a tratar e não se pode falhar na escolha do novo seleccionador e…

Vai daí aborda o mais relevante treinador do mundo. Noutras circunstâncias, Mourinho tinha mandado Madaíl dar uma volta ao estádio nacional. Mas, neste momento, deu jeito. Que sim, está disponível, e a custo zero. Até paga a gasolina das deslocações. O problema é o Real. Madaíl saí de Madrid sem falar com o rei do Real, que diz nada saber. Mourinho admite que será difícil. Há a pressão dos adeptos, dos dirigentes. Nada fácil.

Se nos próximos dias houver acordo entre a FPF e o Real, porreiro. Mourinho aceita o biscate. Se não houver, porreiro na mesma. Fica como um héroi, disponível para ajudar nos momentos difíceis. Madaíl fica com o menino nas mãos, mas, enfim, sempre pode chamar o piloto automático.

A fumaça do Benfica

Contam-me que nos anos quentes do pós-25 de Abril, com Pinheiro de Azevedo a liderar o Governo, quando confrontado com manifestações de rua, o almirante reagiu, perante todos, que era “só fumaça”. Não era.

Mas foi destas desventuras que me lembrei nestes últimos dias perante a estratégia de ‘indignação’ do Benfica. Perante uma infeliz actuação do árbitro Olegário Benquerença, o comando geral encarnado saiu à rua. Com inflamadas declarações de Luís Filipe Vieira, primeiro, e uma reunião dos órgãos sociais que, foi anunciado, iria abordar a situação do futebol do clube, depois.

Do encontro, afinal, não saiu só um novo episódio de revolta com as arbitragens, sempre criticadas quando prejudicam, nunca criticadas quando favorecem. Do encontro saiu algo mais. Que os adeptos não devem acompanhar a equipa nos jogos fora, que vão equacionar a presença na Taça da Liga e que a direcção deve parar as negociações de prolongamento das transmissões televisivas. Uiii. Foi aqui que a porca torceu o rabo.

[Read more…]

SCUTs: Mais um prego no país a várias velocidades

Um país inclinado para o litoral, com uma balança financeira a pesar cada vez mais para a região de Lisboa e Vale do Tejo, com uma máquina estatal demasiado dispendiosa, acaba de ganhar mais uma desigualdade.

Uns marmelos, muito provavelmente portugueses de segunda, vão começar a pagar mais cedo portagens nas SCUT que utilizam com mais frequência. Um alegado Governo de todos nós assim decidiu. E ainda têm coragem de dizer que todos têm de ajudar a combater a crise. Ah, acho que ainda ofereceram uns doces, para compensar.

A expectativa dos grandes para o futuro dos miúdos

“O que queres ser quando fores grande?”

A pergunta adivinhava-se a todo o instante. Os adultos têm destas coisas, uma vontade tremenda de saber o que a miudagem quer ser quando ‘for grande’. Os petizes é que não estão para essas coisas, querem é que os deixem em liberdade. O que querem ser quando forem grandes não faz parte da ementa nestes dias de pouca responsabilidade.

Mas exigia-se a resposta. Os enormes olhos dos grandes aguardavam, em expectativa muda. “Mecânico de automóveis”. A resposta foi dada em instantes, quase sem pensar. Não queria nada ser mecânico de automóveis, mas tinha ouvido uma conversa onde alguém, um outro grande, disse que era profissão um pouco suja mas segura e com rendimentos garantido.

[Read more…]

E Madaíl, também funciona em piloto automático?

“O grupo não vai ser nada afectado. Os jogadores têm muita tarimba e muita capacidade para jogarem em piloto automático”

Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, sobre o ‘caso Carlos Queiroz’

Se é assim, o melhor é despedir o seleccionador, não contratar mais nenhum e deixar que os jogadores decidam (na Playstation, por exemplo) quem entra a titular e quem fica no banco.

Melhor ainda, acreditando que Madaíl fez um bom trabalho nos últimos anos e que o pessoal da federação tem muita tarimba e capacidade, também devem conseguir trabalhar em piloto automático e não é preciso presidente da federação para nada.

O adeus de Carlos Queiroz está por horas

Suspenso por seis meses pela Autoridade Antidopagem de Portugal (Adop), e embora recorrendo, Carlos Queiroz perdeu margem de manobra para ficar como seleccionador nacional.

E a suspensão nem sequer é o mais importante. É o descrédito de todo este processo, é a existência de conflitos graves entre um dirigente como Amândio de Carvalho e o técnico e, acima de tudo, um balneário que parece em estado de sítio.

Só há um caminho de dois: Ou Queiroz se demite ou tem de ser demitido.

Roberto, Deus, Jesus, A Bola e os burros do presépio

“Deus mandou mais que Jesus”, diz hoje o jornal A Bola, só porque Roberto defendeu uma grande-penalidade no jogo entre o Benfica e o poderoso Vitória de Setúbal, ontem.

Do jornal oficial do Benfica não se espera grande coisa (ia-me saindo ‘grande merda’) mas esperava-se um pouco de contenção e de vergonha. Há uns dias estavam a crucificar o guarda-redes por causa dos ‘frangos’, hoje, porque defendeu um penalti depois de ter começado o jogo no banco, estão a coloca-lo como o espírito santo que iluminou o caminho de Jesus na obtenção dos primeiros três pontos.

Será que o jornal quer dizer que Deus protegeu Roberto e provocou a sua reabilitação no altar da catedral? Se assim é, Jesus levou uma reprimenda do pai por não ter colocado o jogador a titular? E isto faz do Vitória de Setúbal o quê? O exército de Satanás?

E o jornal A Bola e o brilhante autor do título são os burros do presépio? Espero que não, é que tenho muito respeito pelos burros.

"Dá-me o telemóvel já" em HD

Recebi com agrado a notícia de que haverá videovigilância em mais de mil escolas do país. Dizem que não serão instaladas dentro das salas de aula mas, ainda assim, tenho esperança de ver casos estilo ‘dá-me o telemóvel já’ com muito melhor qualidade de imagem.

Aquelas que disponibilizaram, na altura, eram uma miséria.

Roberto, o culpado de todos os males

Uma parte significativa dos benfiquistas e da comunicação social afecta ao clube já decidiu apontar todas as responsabilidades pelo miserável arranque de temporada da equipa de Jorge Jesus. O culpado é Roberto. O guarda-redes dos oito milhões não serve para tão brilhantes dez colegas em campo. Eles são os mestres da relva, o espanhol é a erva daninha. É mais fácil assim.

roberto_benfica

Seria muito mais complicado explicar aos adeptos que a equipa da Luz está apagada porque há muitos jogadores abaixo de forma, um ou outro que parece estar a jogar contrariado, um outro que julga ser o super-homem e quer estar em todo o lado e sendo defesa quer driblar como os médios e um treinador que parece não ter definido ainda o rumo de uma equipa que até nem sofreu rupturas significativas.

Como é muito mais difícil explicar isto tudo, torna-se mais simples culpar apenas um elemento. Roberto, diga-se, colocou-se a jeito. Começou mal, deu ‘frangos’ e cometeu erros que complicam a tarefa de treinador e dirigentes em explicar porque é que vale oito milhões. Ao querer defender o menino, Jesus só desajudou. Em vez de o reservar por uns dias, insistiu. Correu mal.

Não tarda e Roberto vai parar ao banco, será reserva ou será dispensado. Roberto tem culpa, claro, mas é a mesma culpa que deve ser distribuída pelos colegas e técnicos. Em jogos de equipa não há um só responsável. Pelas vitórias e pelas derrotas.