O homem de Massamá

Já tivemos “O espião que veio do frio”, “O terceiro homem”, “Dois homens e um destino”, agora temos “O homem de Massamá”.

Pelos vistos, ser de Massamá habilita os seus residentes a ser eleito primeiro-ministro. Se viver num condomínio fechado, já não.

Quem não berra não come

Os fundos comunitários desviados das regiões mais pobres para Lisboa já ultrapassam 154 milhões de euros, o suficiente para construir três centros materno-infantis no Porto. Foi um aumento de seis milhões em meio ano, tendo o ritmo de aprovações abrandado.

In Jornal de Notícias

A isto não se chama desvio, concentração, opções políticas ou estratégicas. Nem sequer se chama ‘país a duas velocidades’. Chama-se uma vergonha!

Cada vez me convenço que, no seu jeito truculento, Alberto João Jardim tem razão. Quem não grita, quem não berra ou ameaça não come.

Hotéis e clínicas médicas sem licença pode ser, bolas de berlim na praia é que não

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O Diário de Notícias avisa-nos que o hotel de cinco estrelas Crowne Plaza, em Vilamoura, está a funcionar "sem alvará de utilização". É normal.

Acontece com hóteis, clínicas médicas, restaurantes e muitos outros estabelecimentos. Podem abrir sem legalização. E sem problemas.

Agora se for para vender bolas de berlim na praia, lá isso, não… Afinal somos um país europeu.

Porque teima Narciso Miranda em permanecer no PS quando não o querem lá?

A questão da disciplina partidária é sempre algo de muito melindroso. Há que pesar os aspectos de fidelidade ao partido e a componente de liberdade de pensamento individual, por exemplo.

O que tenho dificuldade em perceber é porque é que os ‘sócios’ dos partidos políticos que são alvo de processos de expulsão teimam em querer ficar num sítio onde (pelo menos num dado momento) não são desejados. É certo que é apenas um entre muitos, mas porque teima Narciso Miranda em permanecer no PS quando não o querem lá?

A Google trocou o “do no evil” por “do money”?

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Depois do “Do no evil!” estará a Google a entrar numa nova fase? Andará o dinheiro, a tentação do poder e do controlo a subir à cabeça dos senhores que fizeram o maior sucesso empresarial do mundo dos últimos dez anos? Esqueceu a Google o poderoso contribuiu – suportado na neutralidade da internet – que os utilizadores dos seus serviços tiveram para ser o colosso que é hoje?

Pensará que o pedestal onde foi colocada não lhe pode ser retirado um dia, quando o “do no evil” estiver morto e enterrado?

Pensará que apenas por ser uma proposta Google, o mundo vai levantar-se num clamor e aplaudir? Acharão mesmo que o futuro da internet ou de uma qualquer rede mais ou menos parecida passa pela criação de divisões entre os ricos e os pobres? Acreditam realmente que uma melhor internet e uma melhor distribuição de dados passa por criar uma divisão entre quem paga e não paga?

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Inception (A Origem): o sonho comanda a vida

Consta que Christopher Nolan demorou dez anos a concluir o argumento de Inception (A Origem). Bem precisou deles. Mas o resultado é altamente satisfatório. Eis-nos perante um dos grandes filmes dos últimos anos, que garante muito mais perguntas que respostas.

Ambientado nos tortuosos caminhos da mente, Inception é um digno sucessor de uma obra extraordinária para um realizador que fez 40 anos há poucos dias. É um filme de autor, pois, mas que não se fecha em si mesmo, como as fitas tão pessoais que não deixam ninguém entrar, sobretudo os espectadores. Inception é pessoal, claro, mas é também um entretenimento.

Inception

O filme é de Nolan mas estamos todos convidados a partilhar o momento e decidir depois o caminho que pretendemos. Se o enigmático final deixa algo por determinar, cabe-nos a tarefa de escolher. É a nossa tarefa. Cada um constrói o fim que prefere.

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Presos em Sintra e sem Playstation 3? Uma vergonha nacional

Há coisas graves a passar-se em Portugal. Hoje ficamos a saber que há detidos na prisão de Sintra que não têm acesso à Playstation 3. É um castigo durissímo, grave e cruel.

Exige-se uma mobilização de todo o país e da Amnistia Internacional, do Greenpeace e da Associação dos Fervorosos Utilizadores de Consolas de Jogos para acabar com a ignomínia nacional.

Assim este país não vai lá.

Há momentos em que o silêncio é de ouro

A televisão passa uma notícia sobre o processo Freeport, a tal montanha que consta ter parido um rato. Numa mesa ao lado, no mesmo restaurante, um de três comensais diz, alto o suficiente para quem o quiser ouvir, “estão todos metidos nisto, todos”.

Não percebi porque é que falou tão alto, se era apenas para os parceiros ouvirem ou um alerta apontado às almas que respiravam o mesmo ar. Nem me atrevi a perguntar quem eram os tais “todos”. Se com ‘todos’ pretendia dizer que eu e as outras pessoas que estavam no local também estávamos ‘metidos’ naquilo, presumo que no caso Freeport, se se inclui a ele próprio e aos respectivos parceiros de alimentos. Temendo a resposta preferi não questionar e deixar o homem dar continuidade à indignação. Há momentos em que o silêncio é de ouro.

O cheiro do napalm pela manhã

É uma das cenas mais famosas de Appocalypse Now. Na busca do inferno do Coronel Kurtz, o capitão Benjamim Willard vê-se lado a lado com o pelotão do estranho Bill Kilgore. Obcecado por surf, o tenente coronel interpretado por Robert Duvall procura manter uma ligação a casa, lá longe, demasiado longe. É uma ligação já ténue. Kilgore está tomado pela guerra.

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“Cheiras isto? É napalm, filho. Nada mais no mundo cheira desta forma. Adoro o cheiro do napalm pela manhã”, diz o tenente coronel. Mesmo se não soubermos em detalhe como cheira o cheiro do napalm pela manhã, sabemos que ninguém, no seu mínimo juízo, adora o cheiro do napalm. Nem sequer pela manhã. Nem sequer Kildore.

A prova está logo a seguir. De uma forma ou de outra, todos nós conseguimos encontrar uma definição para aquilo de que gostamos. Com maior ou menos arte, sabemos explicar porque gostamos. Kilgore não. Procura a palavra para definir o seu amor pelo cheiro do napalm pela manhã, mas não consegue. É diferente. Nada mais. É apenas diferente. Nem um “é diferente de…”.

Kilgore não gosta do cheiro do poderoso combustível mas pensa que gosta. Kilgore gosta da guerra. Quando uma pequena bomba explode ali perto, nem se mexe. “Um dia esta guerra vai acabar…”, anuncia, convicto, mas sem alegria. Quando a guerra acabar, Kilgore será um homem infeliz.

Há pessoas que preferem atirar combustível em vez de apagar a fogueira.

Beleza da Livraria Lello de novo reconhecida

Os reconhecimentos têm sido muitos mas nunca são demais. Volta e meia surge a notícia de que a Livraria Lello, no Porto, é apontada como uma das mais belas do mundo. Agora ocorreu novamente, pelas teclas do jornal online dos EUA The Huffington Post.

A Lello foi apontada como a segunda mais bela do mundo, depois da tradicional número um, a igreja dominicana de Selexyz, em Maastricht, Holanda.

Uma justiça portuguesa catatónica

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A justiça portuguesa está num estado catatónico. Não é nada de novo. Respira, olha, mas existe fechada dentro dela, num cenário de total alheamento da realidade. É muito cara, demasiado lenta, na maior parte das vezes ineficaz. Pelo país há mais de um milhão de processos pendentes. Já não chegava toda esta situação, agora ficamos a saber que temos de torcer o nariz a todas as suas deliberações e opções.

Descobrimos que a justiça, pelo menos algumas vezes, não trabalha de forma concreta e não vai ao fim dos processos, fica pela rama. Por falta de tempo ficam por escutar entidades relevantes para os processos. Por falta de tempo adiam-se sentenças. Por falta de tempo prolongam-se processos quase indefinidamente. Por falta de tempo ou por falta de vontade.

Curioso é que, apesar de deste panorama, a maior parte dos agentes da justiça faz o que somos especialistas em fazer: atirar as culpas para debaixo do tapete de outros. Quando confrontados com os enormes problemas da justiça, os sindicatos ou associações representativas dos vários elementos, funcionários, juízes, Ministério Público, advogados, garantem isenção de responsabilidades e acusam outros, incluindo o Governo e o Parlamento, que também têm a sua dose de culpa no cartório.

Deve ser por tudo isto que dizem que a justiça é cega.

Todas as crianças de seis anos devem pagar IRS

A ideia parece-me excelente. Se a crise afecta todas as pessoas, todas as pessoas devem contribuir para acabar com ela, incluido na redução do sagrado défice. Assim, nada melhor que colocar as crianças a pagar IRS. Sobretudo se, mesmo com seis anos, tiverem recebido uma bolsa para estudar na Universidade dos Açores.

O Correio da Manhã dá conta, hoje, de que o nosso fisco não anda distraído e que exige o pagamento a quem de direito.  Se a criança, então com quatro ano, usufruiu dos nossos impostos só tem de pagar o respectivo IRS.

A criança não teve qualquer bolsa, nem sequer para estudar na Universidade dos Açores? Então que prove. Hoje vou dormir muito mais descansado a saber que, de facto, ninguém escapa ao nosso serviço de finanças.

Ministério Público fechou caso Freeport

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Está pronto. Pelo menos em parte. Foram mais de cinco anos de investigação, de escutas, documentos, vídeos, intriga, enfim um conjunto de elementos que ajudam a fazer um argumento de um caso estranho.

O Freeport, é sabido, nasceu torto. Muito torto. Ainda não se endireitou no que diz respeito à dignidade da política e, sobretudo, da justiça portuguesa. Lenta, estranha, a funcionar a para e arranca, com inúmeras fugas de informação.

Consta que dois arguidos foram acusados. Se se confirmar, foi o chamado rendimento mínimo num processo complexo e que ainda dará muito que falar.

Este é mais um daqueles casos que nos faz lamentar o estado a que Portugal chegou.

Excesso de informação ou quando o trigo é ainda demasiado para se consumir tudo

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O problema não é novo mas ameaça agudizar-se. Somos cada vez mais vítimas do excesso de informação. Vítimas mas também criminosos, quando nos colocamos na situação de produtores de conteúdos.

Todos os dias consumimos e produzimos muita informação. Sejam notícias lidas em jornais e revistas, de papel ou online, publicações de episódios da vida de ‘amigos’ no Facebook ou outras redes sociais, além de comentários a fotografias, dos vídeos que partilharam e demais informações, tweets da comunidade que ‘seguimos’, post em vários blogues, sejam dos informativos ou opinativos.

Todos os dias, a todas as horas, produzem-se milhões de conteúdos novos. Acompanhar tudo é impossível. Claro que a primeira tarefa é separar o trigo do joio. O problema está em quando mesmo o trigo que resta é demasiado para ser consumido.

O Escritor Fantasma é mais que um bom filme

Antes de mais: vale a pena ver O Escritor Fantasma (The Ghost Writer). Isto se gostarem de boas histórias e contadas com rigor. Porque é isso que acontece neste filme de Roman Polanski, que realiza e assina o argumento, numa adaptação de um livro de Robert Harris.

Polanski sabe como encenar um texto delicado, que exige cuidado. Estão lá os detalhes. A começar no clima sombrio que acompanha toda a história, as fórmulas dramáticas para a revelação dos segredos que a percorrem, o ambiente sinistro que nos deixa sempre na expectativa.

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Por aqui circulam boas interpretações. Desde um Pierce Brosnan em boa forma, passando por um Ewan McGregor suficientemente contido para vestir a pele de um escritor fantasma discreto, até uma excelente Olivia Williams.

O filme aconselha a que se goste de política. E dos bastidores que rodeiam as grandes decisões do mundo. Esta é uma história cheia de política. O ex-primeiro-ministro britânico, Adam Lang (interpretado por Pierce Brosnan), parece apontar para Tony Blair. Curiosamente ambos, um na ficção e outro na realidade, a braços com potenciais investigações do Tribunal dos Direitos do Homem por causa da guerra no médio oriente. Pelo meio até surge uma secretária de Estado norte-americana que é uma sósia de Condoleezza Rice, o que ajuda a acentuar as muitas coincidências entre a ficção e a realidade.

O Escritor Fantasma é um bom entretenimento. Com o condão de nos fazer pensar, o que, nos dias de hoje, não é fácil.

Há crise? Não sabemos o que fazer? Façamos uma revisão constitucional

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Desculpem a expressão mas é sempre a mesma merda. Quando há crise económica e financeira, e porque não sabem fazer nada sem dinheiro (muito dinheiro), os partidos políticos da oposição, dentro da esfera da ‘vocação de poder’, inventam.

Fracos de ideias e a terem de alinhar com o governo ‘dos outros’ na maior parte das soluções de carácter económico, que é aquilo que verdadeiramente interessa, procuram encontrar um caminho alternativo. E da cartola já gasta sai-lhes a brilhante ideia de fazer uma revisão constitucional.

Senhores do PSD, se lerem estas linhas fiquem a saber que não quero saber de revisão constitucional nenhuma; que penso (tenho quase a certeza) que não é preciso mexer na Constituição para fazerem a vossa política caso cheguem ao poder; quero é saber das vossas ideias e planos concretos para o país e não meia dúzia de ideias vagas e dispersas

Enfim, o país até está habituado, já teve várias revisões do documento, e a última já tem uns anitos, assim sendo, porque não propor outra… Sempre se procura marcar a agenda política, coloca-se a comunicação social a falar do tema, e como é Verão e o Mundial já acabou até há mais espaço para o assunto, e entretém-se o povo.

Em rigor, as propostas mais relevantes da proposta são obsoletas. É para dar mais poderes ao Presidente da República? O PSD diz que não. É para retirar a expressão “tendencialmente gratuita” no que diz respeito à saúde e à educação? Tirem lá isso, porque num e noutro sector já há muita gente a pagar e, aliás, todos pagamos, quanto mais não seja através dos impostos.

Dizem que é para tirar a conotação de esquerda à Constituição? Tiram lá isso, afinal não aquece nem arrefece. Houve vários governos à direita e não vi que não pudessem governar por impedimentos da Lei Fundamental.

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Colton Harris-Moore, o bandido descalço, teve de se calçar

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Colton Harris-Moore foi detido. Falamos dele em Dezembro passado. Não sei se se lembram. Apresentávamos como o ‘bandido descalço’. Com 19 anos de idade apresenta um currículo recheado de sete anos de crimes e uma legião de fãs impressionante, que até lhe criaram um clube de fãs.

Roubou cartões de crédito, roupas, automóveis, barcos e pequenos aviões. Esteve dois anos em fuga. Deixou a sua área de conforto, Camano Island, no Estado de Washington, EUA, e andou por onde pode, sendo acusado de mais de 50 assaltos em três estados norte-americanos. Alguns terá feito, outros talvez não.

Foi detido há dias nas Bahamas, numa cena de filme. Tentou fugir num barco que roubou, ainda ameaçou suicidar-se. Disse querer fugir para Cuba, de forma a evitar a captura pela polícia dos EUA.

Presente a tribunal, a advogada oficiosa disse que deveria pedir emprego na CIA. Colton Harris Moore aproveitou a oportunidade e garantiu que se o deixassem, apanhava Bin Laden. Vai ser julgado em Seatlle, no estado de Washington

Talvez o grande desaire destes tempos tenha sido a obrigação de se apresentar calçado em tribunal.

Parece que se chama Jornal de Notícias…

A vitória de Sérgio Paulinho numa etapa do Tour e o país dos mínimos

É bonito que Sérgio Paulinho tenha vencido a etapa (uma etapa) da Volta a França em bicicleta. Afinal, não foram assim tantos os portugueses que o conseguiram, mas a festa em redor deste feito é a prova das fraquezas do desporto português.

É feito histórico apenas porque foram muito poucos os lusitanos a obter um triunfo numa etapa do Tour. Para corredores espanhóis, franceses ou italianos, por exemplo, é o pão nosso de cada dia. É por isso que somos um país de mínimos. Só queremos os mínimos. Os máximos é melhor deixar para os outros, que estão mais habituados.

Isaltino Morais condenado a pena de prisão e perde mandato… ou não

A informação imediatista tem destas coisas. Não se toma o devido tempo para interiorizar a informação e coloca-la disponível sobre o efeito de notícia e, assim, em poucos minutos tudo muda. E fica instalada a confusão.

O Sol adiantou que Isaltino Morais foi condenado a prisão efectiva. O i cita o Sol e diz o mesmo. A TVI diz o mesmo mas ligou a Isaltino, que disse não ter sido notificado. E, se assim for, vai recorrer. O Público prefere outro caminho e diz que a Relação desagravou a pena do autarca de Oeiras.

A SIC salienta que o ex-ministro e tio do sobrinho taxista da Suíça não vai perder o mandato e que a pena de prisão até foi reduzida.

Fiquei, pois, esclarecido. O melhor é esperar um pouco mais e comentar depois.

Seja o que for, Cavaco sabe

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O Presidente da República é um político profissional. Daqueles a sério, como há poucos na Europa e no Mundo. Que não haja ilusões. Todos os passos, todas as declarações que faz, têm um fundamento e um objectivo político.

Cavaco Silva “sabe bem” muita coisa. Quando lhe falam sobre moções de censura, o Presidente “sabe bem” as consequências dessas posturas políticas. Quando lhe perguntam sobre governos minoritários, o professor “sabe bem” como é difícil governar assim. Se abordam hipotéticos – e disparatados – governos de iniciativa presidencial, Cavaco Silva “sabe bem” o que é viver afectado por essas sombras.

Cavaco, sabemos bem, é um político profissional. Sabe bem o peso das suas palavras. Que são ditas, por norma, com muito cuidado. Por isso, quando o presidente diz ser “muito difícil” “coordenar” o país, destacando a necessidade de existir articulação entre os organismos e de não estarem “uns a atirar para um lado a bola e outros a atirar para outro”, sabemos bem o que Cavaco Silva quis dizer. E quando diz que há uma “mão invisível” a organizar isto tudo, também sabemos o que pretende dizer. Ou, então, não…

Espanha no topo do desporto e o resto são vitórias

A vitória da Espanha no Mundial, além de justa, é fruto da grande aposta do país no desporto.

Nos últimos anos ganhou diversos títulos europeus e mundiais, colectivos e individuais. E em várias modalidades. Futebol, basquetebol, andebol, hóquei em patins, ténis, Fórmula 1, motociclismo,…

Isto não acontece por acaso. É fruto de um longo trabalho de base, de enorme aposta na formação. Acontece aqui ao lado. Deveríamos aprender com eles mas temos uma grande incapacidade para perceber estas coisas.

“Sol ou 24horas, é tudo a mesma coisa”

O debate já ai animado quando me sentei numa mesa junto deles. ‘Eles’ são sete ou oito comensais. Amigos de longa data, percebia-se pela desenvoltura com que conversaram. Ali não havia conversa da treta, era coisa levada a sério por quem já está ambientado.

O tema da conversa era, no momento em que me sentei ali perto, o Mundial de futebol. Em poucos minutos, talvez menos de um minuto, o grupo saltou do polvo alemão para a rainha de Espanha que foi ao balneário da ‘roja’, até à capacidade da Holanda poder vencer o encontro da final, aterrando na polémica em redor das declarações “verdadeiras”, na certeza do jornalista, ou “mentirosas”, na versão do entrevistado, de Carlos Queiroz ao jornal Sol.

Os compinchas também aqui não pararam muito tempo, mantendo a velocidade vertiginosa de quem despacha assuntos como em Portugal se elaboram leis. Neste ponto, o tema central nem sequer foi o teor das (alegadas) declarações do seleccionador. A substância não era para ali chamada. A forma é que os reteve. Um dos elementos, dos mais prolíficos a soltar ditames, atirou: “O Queiroz já desmentiu isso. Foi o 24horas que mandou uma notícia… Oh!”. Ao longo, mais cauteloso, um outro elemento encolhe os ombros e faz cara de desconfiado. Um terceiro assinala: “Não foi o 24horas, foi o Sol”. O primeiro não desarmou: “Sol ou 24horas, é tudo a mesma coisa”.
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Fim do RCP é triste mas não surpreende

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O fim do Rádio Clube Português é triste mas não é surpreendente. Surpreendente foi um grupo com a experiência da Media Capital ter decidido sequer avançar com um projecto deste género. E, já agora, ter aguentado durante tanto tempo, apenas com ligeiras alterações.

Querer vingar em Portugal uma rádio de palavra, muito ao estilo espanhol, parece uma demonstração de ignorância sobre o mercado nacional. As rádios de palavra funcionam em Espanha mas não em Portugal. Por cá, o mais aproximado é a TSF mas, ainda assim, bem longe do espírito daquilo que se faz no país vizinho e que o RCP tentou fazer na sua origem. A reformulação efectuada há coisa de dois anos não resultou. Foi apenas uma tentativa de adequar os olhos à barriga.

Uma rádio deste género implica um investimento elevado. Sobretudo em meios humanos e em despesas de comunicações. E o retorno publicitário, convenhamos, é uma miséria. Agora, 36 pessoas vão para o desemprego. Depois do fim do 24horas, é mais um órgão de comunicação social a não resistir. Não só à crise mas também à gigantesca evolução do sector. Não deve ficar por aqui.

O Eurostat não percebe nada do desemprego na Europa e muito menos em Portugal

U.S. DEPRESSION BREAD LINE

O primeiro-ministro diz que o desemprego é um problema grave. Que subiu em Portugal, pois, mas subiu em toda a União Europeia. O Eurostat, gabinete de estatísticas da UE, vem dizer que não. A taxa de desemprego continua a subir em Portugal, tendo atingido os 10,9 por cento em Maio, enquanto na UE e na Zona Euro se manteve nos 9,6 e 10 por cento.

O Eurostat, claro, está enganado. Está visto que não dispõe de todos os dados. Além do mais, não devem saber fazer contas. É óbvio que o desemprego subiu em toda a Europa e não apenas em Portugal.

Claro que isto nos deixa muito mais felizes.

Luís Filipe Vieira: Um homem providencial

Conhecem aqueles homens mobilizadores, capazes de elevar a moral e provocar o orgulho de um país? Daqueles capazes de tomar decisões difíceis? Pois Luís Filipe Vieira não é um deles. Não eleva a moral de ninguém e não provoca qualquer orgulho.
Acredito que mesmo os adeptos do Benfica, apesar dos dois títulos em oito anos de liderança, não devem sentir grande orgulho no seu presidente.

O líder da agremiação veio agora anunciar que, apesar dos 225 milhões de euros de dívidas, números dele, “este é o momento chave do clube” e que por isso pretende “investir mais”. “Se tivermos que nos endividar mais, vamos endividar-nos mais”, anunciou com a pompa e a circunstância de quem deseja mesmo gastar (ele chama ‘investir’) mais dinheiro no futebol, essa indústria cada vez mais longe da realidade do mundo.

É destes homens que Portugal precisa. Homens que não hesitam em dar o passo em frente quando o abismo está apenas a meio passo. Homens capazes de acelerar mesmo com o muro à frente. É desta gente, capaz de exemplos dignificantes, que temos necessidade para afundarmos ainda mais.

Não é o único? Pois não, infelizmente estamos inundados de criaturas com espírito de kamikaze.

Este é um país adiado

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Este é o país onde um deputado ‘toma posse’ de gravadores de jornalistas mas, 50 dias depois, nada ainda lhe aconteceu.

Este é o país cujos governantes aumentam impostos por ficarem surpreendidos – em permanência – com o que acontece no mundo, mesmo depois de terem sido alertados por dezenas de especialistas em economia.

Este é o país que não obriga os alunos a estudar, preferindo transita-los de ano como medida de ‘incentivo’.

Este é o país que mascara estatísticas de desemprego ou de criminalidade por ‘erros‘ ou para ‘corrigir’ as fórmulas.

Este é o país onde um governo quer aplicar impostos de forma retroactiva.

Este é o país de um governo que aumenta impostos mas continua a querer gastar milhões no TGV.

Este é o país de um governo que constrói uma auto-estrada (A29) em cima de uma estrada nacional (EN 107) e depois quer cobrar pela sua utilização.

Este é o país de líderes de oposição tão patriotas que preferem gerir os seus calendários políticos em função das conveniências pessoais e não das necessidades da população.

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Da vuvuzela e do massacre dos ouvidos

Nunca fui grande fã de filmes de terror. Sobretudo daqueles onde são aplicadas grandes quantidades de corante vermelho, onde há corpos cortados aos pedaços e zombies comedores de massa encefálica. Não pelo nojo perante a visão de sangue fictício mas porque, por norma, as fitas têm argumentos insossos, apresentando uma sucessão de cenas de carnificina com o intuito de impressionar cada vez mais.
Mas foi de um filme de terror deste género que me lembrei hoje quando fiquei a saber que uma vuvuzela faz mais ruído que uma serra eléctrica. A corneta, soprada à maneira, vai a uns simpáticos 127 decibéis. Está ao nível, por exemplo, da descolagem de um avião. A tristonha serra eléctrica não passa de uns míseros 100 decibéis.

Na primeira metade da década de 1970, o realizador Tobe Hooper contou que teve a ideia para o filme Massacre no Texas quando estava na área de mecânica de uma loja cheia. Pensava numa forma de fugir da multidão quando encontrou, com o olhar, as serras eléctricas…. The Texas Chainsaw Massacre foi lançado em 1974 e tornou-se um clássico do terror, mesmo que uma parte da audiência não tenha chegado ao final dos 90 minutos de duração.

Tanto tempo como um jogo de futebol. Esperemos, pois, que este Mundial não se transforme num South African Vuvuzela Massacre.

As férias dos portugueses

O Presidente da República disse que seria um gesto patriótico fazer férias em Portugal. Seria bom para a economia nacional. O ministro da Economia ironizou: se os presidentes de outros países fizessem o mesmo, seria mau para o nosso país, à conta dos estrangeiros que deixariam de visitar este cantinho pitoresco.

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A banal recomendação do presidente e a reacção algo estranha do ministro Vieira da Silva abriram mais um espaço para a especulação: que é mais uma machadada na já difícil relação de Cavaco Silva com o Governo. Se assim é, ainda bem. Eu pensava que já não havia qualquer relação.

Curiosamente, a grande questão é saber sequer se os portugueses podem gozar férias, mais do que querer recomendar onde as desfrutar. E aqui reside a grande dúvida.

Quem puder, que as faça onde muito bem quiser. De preferência longe da classe política lusa. A liberdade também passa por aqui.

Educação ou a vão glória de destruir um país

Há muito que o Ministério da Educação (?) trabalha mais para a estatística que para o futuro dos jovens e, claro, o futuro do país. Por entre algumas medidas positivas, aquela que foi a paixão de António Guterres foi desbaratada pelos seus camaradas de partido em nome dos números que surgem nos relatórios internacionais. Mas só mesmo os estrangeiros poderão ficar impressionados. Por cá, já percebemos que é tudo uma mentira.

Desde a contínua e progressiva perda de autoridade dos professores nas salas de aula, passando pela enorme vontade de pais de meninos minados quererem mandar na escola, continuando no facilitismo dos exames (sem falar das provas de aferição) e das avaliações (sem esquecer a celebre questão das faltas), e terminando nas fantásticas Novas Oportunidades que permitem fazer três anos de escolaridade em apenas um (e ganhar um computador portátil de presente, vá lá).

Terminando, não, porque agora o Governo quer dar aos petizes a oportunidade de fazer gazeta ao 9º ano, passando do 8º para o 10º. Diz o jornal i que para evitar a maçada de cumprir o 9º ano, os jovens lusos, graças aos inúmeros conhecimentos, terão de se autopropor às provas nacionais de Português e de Matemática do final do 3º ciclo, em Julho, e fazer os exames a nível de escola em todas as disciplinas do 9º ano. Já se imagina o terror dos adolescentes perante os perigosos exames que poderão enfrentar, atendendo aos exemplos recentes de exames.
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