Almiro

Naquele transe, Almiro estava disposto a tudo. A arriscar a vida se necessário. Por isso, mergulhou da borda do barco e nadou para a praia. Havia vagas e correntes, mas Almiro cortou as águas sem medo nem hesitação. O folgo começava a faltar, a espuma açoitava-lhe a cara, cegava-o. Mas ele prosseguiu, intrépido. Não podia faltar àquele encontro que o destino, providencial, pusera no seu caminho. Nadou, pois. Muito, quase até ao esgotamento. Chegado à praia – melhor se diria, atirado à praia pelas ondas – ainda havia um longo caminho na areia mole e pesada. Correu. Faltava-lhe a respiração, sentia-se desfalecer. O suor corria-lhe pelo corpo misturando-se com a água do mar. Ofegante, continuou. Já faltava pouco, o seu objectivo estava à vista, já lhe vislumbrava o sorriso. o longínquo brilho dos olhos azuis que tanto emocionavam Almiro. Corre, Almiro, corre. Mais se arrastando que correndo Almiro estava a chegar. Trôpego, caiu de joelhos e levantou o braço para que o alvo da sua demanda o visse. Mas era tarde. E, para desespero Almiro, que ali ficou, rastejante, com o braço no ar num gesto de derradeira súplica, já nada havia a fazer. O objecto do seu vão esforço partira no seu luxuoso carro .

Por isso, para seu lancinante desespero, ainda não seria daquela vez que Almiro conseguiria a almejada selfie com o professor Marcelo.

O esquema

Este recibo de vencimento circulou pelos facebooks e twitters da praxe até que acabou por ser usado numa reportagem da TVI. E conta uma história.

De um total de 2317,29€ de vencimento bruto, 845,00€ estão isentos de impostos (36% do vencimento bruto). Para o comum dos mortais, o valor não tributado corresponderá ao subsídio de refeição e pouco mais (se algo mais), havendo, no entanto, outras profissões onde este esquema é usado.

O esquema é simples.

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E sai uma requisição civil para a mesa do canto.

Na tarde “informativa” das televisões foi dito e re-dito que a situação estava normal, apesar de aqui e ali faltar algum combustível. Pudera, com o pânico gerado durante a passada semana, devem ser poucos os que não não tenham o depósito cheio. Na televisão, um sujeito do governo justifica a requisição civil dizendo, entre outras coisas, que é para tranquilizar os portugueses. Fica bem, depois do estado de sítio montado pela comunicação social ao longo de um mês.

Adenda: São 20:25 e as “reportagens” televisivas continuam a bater no mesmo tema, com todo o jeito de assim continuar. Está montado o circo, mas deste não sairá palhaçada que faça rir.

A vez dos camionistas

Na falta de fogos, saiu a lotaria às televisões com esta greve dos camionistas. As “reportagens” do fim-de-semana foram mais um exemplo de preenchimento de tempo de antena sem existência de notícia. Nalguns casos, a “reporter” dizia que até havia menos afluência ao posto de abastecimento do que nos dias anteriores. Noutros, afirmava-se que o combustível ainda não tinha faltado – ou seja, constatava-se a normalidade e, consequentemente, a ausência de notícia.

Ana Sá Lopes diz no PÚBLICO o que há a dizer sobre este gigantesco spin em curso.

Quem passou o fim-de-semana a ver notícias assistiu provavelmente à mais acabada operação de agitação e propaganda de um Governo tendo como pano de fundo uma greve de camionistas. A programação milimétrica da operação de agit-prop – com vista à conquista do eleitorado da direita órfã e obtenção de um propulsor para a maioria absoluta – demonstra um tacticismo que pode funcionar em termos eleitorais mas que, de caminho, atira para o lixo bebés e água do banho. A ala esquerda do PS, protagonizada pelo ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, acabou de cometer suicídio e parece que não percebeu. Estas coisas pagam-se caro, com juros, mais tarde ou mais cedo.

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Chega de moradas falsas

CMF

Fotografia via Chega de Moradas Falsas

Quando me deparei com esta tarja, achei estar perante um protesto contra aqueles indivíduos que, na condição de servidores públicos, que decidem sobre o destino da nação, declaram residência num concelho longínquo, do qual já nem se lembram e de onde apenas vão recebendo uma notícia, de longe a longe, nas cartas que lhes chegam dos caciques que ficaram na terrinha. [Read more…]

Política não, credo

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos trabalhadores”- dizia Marx.
Se não forem capazes, contratem uma sociedade de advogados ambiciosos, digo eu.

E não, não estou a questionar a legalidade e a legitimidade da greve que se anuncia. Muito menos a subscrever a acção e medidas do governo – que raio de serviços mínimos são aqueles? – que parece ansioso por mostrar músculo político e agradar aos eleitores de direita. Estou apenas a lembrar que esta treta do “novo sindicalismo” – parece que já há 15sindicatos15 a querer contratar o dr. Pardal – não tem nada de novo. O ataque vai-se virando, durante estes eventos, contra o chamado sindicalismo “clássico”. Isto é, o sindicalismo forte e unido com uma forte componente política – não, não tem de ser partidária -, cuja acção não se resuma à reivindicação salarial e a concertações encenadas. É por isso que a direita exulta com este suposto vendaval de neo-sindicalismo. É que, para ela, uma sociedade de advogados a dirigir – generosa e graciosamente, claro – um sindicato, é modernaço e traz a vantagem de as organizações sindicais não se meterem em política que isso é coisa de senhores doutores. Já se um partido tiver forte presença num sindicato, “ai valha-me deus, ti batata, que isto é tudo uma data de comunistas”.
Nós compreendemos. [Read more…]

Não sei se terei percebido bem

Estando fora do país, chegam-me ecos de uma greve no sector dos transportes de mercadorias que não mereceu a bênção das centrais sindicais do PCP e do PS, tendo o governo estipulado serviços mínimos de 100%, sobre a qual Marcelo afirmou estarem em causa motivos justos mas que não a justificavam e sem que se tenham ouvido palavras de ordem do Bloco e dos Comunistas.

Terá o direito à greve sido abolido nas últimas semanas, numa revolução de direita, sem que disso me tenha apercebido?

As pessoas, as causas e vice-versa

Quando os professores fazem greve, há um coro de críticas a Mário Nogueira, considerado um inútil por não dar aulas há vários anos, sendo, para cúmulo, um homem tão poderoso que consegue “instrumentalizar” uma classe profissional inteira constituída por animais ruminantes que se limitam a seguir o líder, sempre sem razão para protestar. Estou à vontade, porque não faço parte do clube de fãs e fiquei ainda mais afastado depois da traição de 2018.

(A propósito, “instrumentalizar” é uma espécie de verbo-coisa com que os críticos de qualquer greve pretendem demonstrar que os grevistas são vítimas acéfalas do instinto gregário, coitadinhos!)

Diante dos defeitos – reais ou não – de um dirigente, as razões para a revolta das classes profissionais são frequentemente desvalorizadas, nem sempre por boas razões, porque há muito avençado à solta. [Read more…]

A realpolitik e o nepotismo favorecem o populismo

Santana Castilho*

  1. Um grupo de cidadãos pediu que se tomem medidas para impedir eventos neo-nazis no território português, designadamente uma conferência nacionalista promovida por organizações de extrema-direita, programada para 10 de Agosto, em Lisboa. Segundo o Expresso, é Mário Machado (cujo envolvimento no homicídio do malogrado Alcindo Monteiro e noutros crimes de discriminação racial não pode ser esquecido) o mentor da iniciativa, para a qual terá convidado Paul Golding, igualmente condenado no Reino Unido pelo crime de ódio racial. Segundo a Constituição da República Portuguesa (artº 46º, nº 4) não devem ser consentidas “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
    A Tragédia de El Paso (20 pessoas desabridamente abatidas a tiro por um jovem de 21 anos), eventualmente justificada por um manifesto de supremacia rácica que a polícia texana encontrou, convoca-nos à reflexão. Intitulado “A Verdade Inconveniente”, o manifesto proclama a necessidade de os texanos se livrarem dos hispânicos para proteger o modo de vida dos americanos, colhe inspiração no discurso de ódio de Brenton Tarrant (o monstro que assassinou 51 muçulmanos na Nova Zelândia) e é indissociável da retórica xenófoba e anti-imigratória de Trump, que há bem pouco apodou os mexicanos de violadores e criminosos, apesar de as taxas de criminalidade dos imigrantes serem bem inferiores às taxas de criminalidade dos americanos. [Read more…]

Marcelo e as greves

O Presidente da República comentou a greve dos motoristas. É natural: ainda há pouco comentou o jogo da Supertaça entre Benfica e Sporting. Amanhã, comentará a actuação do nadador-salvador na Praia de Monte Gordo, aquele já mais próximo de Vila Real de Santo António.

Começou por afirmar que os fins são legítimos, considerando que isso não é suficiente. Se bem entendi, Marcelo reconheceu que os motoristas têm razões para protestar, o que quer dizer que estão a ser alvos de injustiças. Que isso não seja suficiente já me parece mais estranho, mas esperemos.

Depois, diz que o recurso à greve deve ser ponderado e não exagerado, deixando implícita a ideia de que os sindicatos que convocaram a greve podem não estar a ser sensatos, ao contrário, depreende-se, de quem não lhes quer dar aquilo a que têm direito, porque, relembre-se, as razões da greve são legítimas.

Finalmente, afirmou que exageros destes – que estão por provar – levarão a que os portugueses possam não se sentir solidários com os grevistas. Quem está convencido da justeza da sua luta não precisa da simpatia de ninguém. As sufragistas foram amplamente criticadas, mas, segundo a teoria marcelista, deveriam ter comido e calado, por serem tão impopulares.

Voltando ao princípio, há uma pergunta fundamental: as reivindicações são justas? Se sim, o Presidente da República e o governo deveriam fazer declarações públicas no sentido de obrigar a que tenham reposta. Em vez disso, como é costume, preferem criticar os injustiçados, tendo, muitas vezes, o apoio de democratas distraídos.

Querido páisinho

Bilhete encontrado na secretária do Senhor Presidente e ilustre Administrador desta Empresa, que lhe deve ter caído das mãos quando se sentiu mal ao lê-lo e que aqui se traz a despacho:

“Querido páisinho:
Estou muito felis a Dona Açunção Cristas dice que quem não tem nota para entrar na univercidade púbica pode entrar se pagar uma tacha com dinheiro que o páisinho tem muito e o meu quaze não xega para a gasolina do Proche a mâesinha já dise que está bem e queria muito ter um filho dôtôr e assim e tá dezerta para me ver de kapa e batina e essas coisas eu sei que o páisinho tabém porque era melhor eu entrar na empreza do páisihno com um cruso suprior e eu não tenho notas proque os porfeçores não gostão de mim e teem inveja do meu carro e das minhas rôpas e isso que eu bem sei e agora todos entram na univrecidade menus eu e eu até já dice a eles que eles podem ter notas na páuta mas tenho notas no bolço á á á já ovi dizer que o que a senhora dona Cristas axa é parecido com o PAN porque açim até um camelo pode ser dôtôr mas é tudo inveija o paizinho pagame aquele dinheiro para eu entrar na univrecidade não paga? obrigado paisinho agora é que eles vam ver que eu não sou buro nenhum ã ã ã. De certeza que hádes fazer isso com já fizestes doutras veses.
Beiginhos páisinho estou tam contente !!!
Benardo”

Descobre-se agora que uma lei de 1995 é absurda

Foi preciso esperar para que os negócios do filho de um secretário de Estado viessem para a ribalta para que se falasse da constitucionalidade da lei em causa.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, o caso do filho do secretário de Estado “é um caso típico que mostra bem o absurdo de uma interpretação literal da lei que esquecesse o princípio constitucional da proporcionalidade”. [Augusto Santos Silva, via RTP]

Só há uma interpretação da lei. Que o diga quem é apanhado com impostos em falta, por exemplo. Agora que se descobriu que a lei foi violada em outros ministérios, veio a tropa pesada do spin remendar o lençol destapado pelo desbocado ministro Cabrita.

Outro spin consiste em misturar o caso das golas com os descobertos em outros ministérios. Não são a mesma coisa. Neste caso, o filho do secretário de Estado fez negócios na área de responsabilidade tutelada pelo pai. A situação está tipificada na lei e dita a demissão do governante.

O que se deve perguntar ao senhor Santos Silva, tão preocupado com códigos de ética, é se compactua com ilegalidades. Inclusivamente quando a aplicação da lei não dá jeito para chegar à maioria absoluta.

Negar sempre, até ao fim

“Infiel, eu?! Jamais”, exclama o marido apanhado de calças na mão pela esposa. Negar, mesmo perante a evidência. Admitir é reconhecer que se errou. Negar sempre, até ao fim.

Imagem: Expresso

 

Rebaldaria Foxtrot e a burla do Governo

Uns tipos foram para a televisão mostrar as maravilhas que estavam a fazer quanto ao flagelo dos incêndios. Chamaram-lhe Aldeia Segura e para televisões consistiu mostrar um saco de brindes. Uma buzina de ar comprimido para chamar a atenção dos aldeões para o incêndio, não fosse eles não terem olhos, um colete daqueles que poucos vestem quando mudam o pneu furado, uns adesivos e pomadas para fazer de conta que trata das queimaduras enquanto não chegam os escassos primeiros socorros, uma lanterna a pilhas que há-de valer de grande coisa no meio do fumo e as tais golas anti-fumo que o desastrado ministro Cabrita trouxe para a ribalta à conta da sua arrogância.

O kit de propaganda custou centenas de milhares de euros e foi encomendado a certa boyada do partido socialista, que se manteve caladinha a ver se escapava, até tudo descambar devido ao desbocado ministro. As 70 mil golas anti-fumo custaram 328 mil euros, ou seja 4 euros e 60 cêntimos por uma meia larga feita na China dos negócios da China. Depois dos burlões que tentam sacar o ouro e o dinheiro aos idosos, só faltava mesmo terem sido burlados pelo Governo.

Agora dizem que vão alterar a lei para evitar a falta de vergonha. Parece que sem lei não há decência. O que neste caso é irrelevante, pois a lei já proibia estas negociatas. [Read more…]

Ri-te agora, Joe

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Fotografia: Pedro Catarino@Jornal de Negócios

O Jardim Tropical Monte Palace, residência fiscal de Joe Berardo, avaliada em cerca de 40 milhões de euros, foi arrestado por ordem do Tribunal do Funchal. Já só falta pagar uns 300 e tal milhões de euros e fica saldado o calote. Vai em frente, justiça portuguesa!

As promessas e as realidades escondidas

[Santana Castilho*]

Ponto prévio: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? Genericamente melhor. Mas seria admissível outro cenário, depois de um governo PS ter levado o país à falência e um governo PSD/CDS ter infligido aos cidadãos sacrifícios e perdas nunca vistas?

O meu ponto é que a avaliação certa é a que resulta, não da comparação do que tínhamos com o que temos, mas do que temos com o que poderíamos ter, se as opções tivessem sido outras.

O programa com que o PS se apresentará às eleições legislativas de 6 de Outubro tem 141 páginas e muitas promessas (56% de aumento do investimento público, menos impostos para a classe média, aumentos para os funcionários públicos em 2021, vales para óculos e tratamentos dentários, combate feroz à corrupção, reforma eleitoral e muitos comboios). Na impossibilidade material de analisar o caudal de promessas em detalhe, no espaço limitado desta crónica, cinjo-me a dois comentários, a saber:

  1. O programa glosa os êxitos da governação de Costa e alimenta-se em permanência da chama milagreira de Centeno. Mas importa moderar a euforia, porque há outros ângulos de visão. Por exemplo, Mário Centeno e a imprensa em geral festejaram recentemente os números revelados pelo Instituto Nacional de Estatística: um excedente orçamental de 0,4% no fim do 1º trimestre do ano em curso. O ministro das Finanças invocou então muitos indicadores de sucesso e atribuiu o êxito à dinâmica da economia e do mercado de trabalho. Só que a alegoria do copo meio cheio ou meio vazio convoca os mais atentos para a outra realidade: o celebrado saldo orçamental consolidado das diferentes administrações públicas (cerca de 318 milhões) foi obtido por via do aumento (em cerca de 356 milhões) das dívidas ao sector privado! Por exemplo, no martirizado Serviço Nacional de Saúde, a dívida aumentou no período em apreço cerca de 150 milhões, cifrando-se na bonita soma redonda de mais de 650 milhões.

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E há outra a que se chama incompetência


 
Parece que o conceito de planear é alheio à Sr.a Graça Freitas.

Sobre a lei propriamente dita, vamos ver se terá algum impacto. Não deixa de ser curioso que o uso do sal na alimentação tenha sido objecto de extensa legislação mas que o açúcar, o ingrediente mágico da indústria alimentar, tenha ficado de lado.

Cristiano Centeno no Real Madrid?

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Fotografia: Julien Warnand/EPA

Centeno vinha de um país pobre, num contexto particularmente delicado. Treinou intensamente, deu nas vistas numa inesperada geringonça, ainda que sem grande futuro, e não demorou muito até que o seu talento despertasse o apetite de grandes emblemas estrangeiros.

Lá fora continuou a dar nas vistas. Tinha a rara habilidade de saber aproveitar os ventos favoráveis para apresentar números históricos, driblando os seus companheiros de equipa mais indisciplinados, ao mesmo tempo que iludia os sócios da instituição com o seu jogo de cintura.  [Read more…]

O sigilo bancário

Vox populi dixit, roubas um tostão e és um ladrão, roubas um milhão e és um sabichão. Inventei isto agora mas diversas variantes dizem a mesma coisa. Seja na versão do idoso que roubou uma lata de atum e viu o seu nome escarrado na comunicação social, seja no tom eufemístico com que os gestores de topo são tratados nas comissões de inquérito a cada falso ataque de amnésia.

O Banco de Portugal entrou novamente neste jogo ao não divulgar os nomes dos devedores que receberam os milhares de milhões de euros roubados aos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem. Segundo o seu representante máximo, Carlos Costa, tal deveu-se aos riscos de violar o sigilo bancário. Os biliões, como dizem os americanos, têm direito à proteção que o vulgar cidadão não tem. Experimente o leitor não pagar o IMI e logo verá quanto tempo decorrerá até ver o seu nome inscrito nas listas públicas de devedores ao fisco.

A incapacidade, para não adjectivar de forma mais incisiva, que os sucessivos governos têm demonstrado ao não conseguirem lidar com os parasitas do regime é o seu maior fracasso. E será, certamente, o estrume onde a extrema-direita há-de crescer.

As piadas políticas, como todas, são sempre questionáveis

Questionáveis e reversíveis.

“Todas estas dificuldades se agravaram no princípio de 1974”, lembra Balsemão, exemplificando com a obrigação de enviar as soluções das palavras cruzadas, “porque o autor, então, como hoje, Marcos Cruz (que é o pseudónimo da sua mulher, Mercedes Pinto Balsemão) usava as legendas para piadas políticas”. [Expresso, num artigo de 2009 titulado NÃO PUBLICAR]

Não custou nada. Parece que também sei fazer “piadas políticas”. A seguir vou fazer palavras cruzadas com a lista dos devedores da CGD, mas aí não tenho a certeza que haja soluções. Talvez o Expresso possa ajudar.

Vaidades

“Marcelo faz discurso contra fecho de fronteiras e pede união contra alterações climáticas, assim titula o PÚBLICO. Simultaneamente, o Presidente anda a espalhar spin sobre uma suposta visita de Trump a Portugal, a convite do próprio. Alguém que avise Marcelo sobre Trump ser a antítese daquilo que ele defende.

Pare de mandar recados

‘Por que não te calas?’, perguntam uns e outros.

A ler

O recuo dos rendimentos do trabalho, por Alexandre Abreu.

Temas da silly season…

Chego tarde ao assunto da silly season, porque só hoje o li, e nem pretendo entrar na discussão sobre o texto de Maria de Fátima Bonifácio, vou passar ao lado do coro de indignados e virgens ofendidas, regra geral em Portugal nesta matéria reina a hipocrisia e abunda a ignorância e pouco me interessa o pensamento da senhora, que afinal representa quem? A mim, de certeza que não.
Ao que parece há quem defenda que o problema da integração dos ciganos e africanos se resolve com quotas. Quanto aos primeiros, será lógico que pergunte, mas quais ciganos? Os que teimam continuar nómadas? Ou aqueles que estão perfeitamente integrados na sociedade? É que os últimos não representam os primeiros, até se desprezam mutuamente. E se formos falar em africanos, deixem que pergunte, quais? Os angolanos? Os cabo-verdianos? Os guineenses? Os moçambicanos? Basta visitar um bairro na periferia de Lisboa para perceber que não frequentam os mesmos estabelecimentos, muitas vezes nem se misturam. E se mergulharmos um pouco mais fundo, acabamos a perceber que entre negros de pele mais escura e mulatos por vezes também se gera fricção. Antes de mandarem bitaites, há que perceber a realidade do outro. [Read more…]

Haverá corrupção no combate à corrupção?

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Por muito que nos tentem convencer do contrário, Portugal é um país onde a corrupção está enraizada nas diferentes estruturas da sociedade, dos serviços públicos às empresas, passando pelas autarquias, onde o compadrio grassa, e, claro, pelas estruturas de poder instaladas em Lisboa. E não, não é um problema inerente à democracia. Em ditadura foi igual, com a vantagem de ter ao seu serviço a censura, que impedia o debate e o acesso que temos hoje à informação.

Para ajudar à festa, parece que apenas 6% dos casos de corrupção, investigados pela justiça, chegam a julgamento. Os restantes 94% acabam arquivados, por falta de provas. Um desfecho feliz para os larápios do costume. [Read more…]

Cavaco Silva, o (alegado?) financiamento ilegal do saco azul do GES e as questões que se impõem

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Era uma vez um saco azul chamado ES Enterprises. Um saco azul que serviu, segundo a investigação da Operação Marquês e do caso EDP, para financiar ilustres figuras da nossa praça, como Zeinal Bava, Manuel Pinho ou o incontornável José Sócrates, e um conjunto de jornalistas, por ele avençados, caso que foi revelado pelo escândalo Panama Papers e que o Expresso anunciou com toda a pompa, apesar de, até à data nada mais ter dito a esse respeito. Seria aquele animado grupo que foi esquiar a convite do BES? Não sabemos. Ou será que sabemos? [Read more…]

Aquele cheirinho…

O número de elogios aos hospitais públicos foi o dobro dos elogios aos hospitais privados. Mas a maioria das notícias esqueceu-se de referir este detalhe.

Paira no ar um cheirinho a notícia plantada, vindo dos cantos que apregoam maravilhas a 3 hospitais geridos em PPP.

O documento que é citado por toda a comunicação social da mesma forma (1.º sinal de notícia plantada) diz que quase 70% das queixas na saúde dizem respeito a unidades públicas. Refere, ainda, que o Hospital de Braga, o Hospital de Cascais e o Hospital Vila Franca de Xira são aqueles que têm menos reclamações.

Estes números não dizem, porém, qual é a percentagem de reclamações em função do número de doentes atendido (2.º sinal da notícia plantada). Por exemplo, afirma-se que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é o que tem o maior número de reclamações. Faz algum sentido fazer a comparação com o Hospital de Vila Franca de Xira sem sabermos qual é o universo de doentes de cada um deles? [Read more…]

Banho de ética

Uma banhada, na verdade, ó sr. Rio. Venham agora falar da presunção da inocência, como se isso fosse relevante para a política.

Contas certas

Quem ache que um défice orçamental de zero se obtém sem mudar o cerne do funcionamento dos ministérios e do poder local que se desengane.

INEM demora oito minutos a atender chamadas
Tempos de atendimento das chamadas dispararam no mês de junho. Houve alturas em que os operadores levaram, em média, seis a oito minutos a atender uma chamada

Assistimos desde a vinda da troika a um ainda maior corte dos meios necessários ao funcionamento dos serviços públicos, o que tem consequências bem práticas. No entanto, a orgânica dos ministérios e do poder local mantém-se inalterada. O bolo do orçamento continua a ser repartido em função do modelo de gestão do tempo das vacas gordas dos governos de Cavaco e Guterres.

O INEM garante que se trata de “situações absolutamente pontuais que representam exceções àquela que é a atuação dos CODU”.

Felizmente que a morte é reversível. Caso contrário, um sistema incapaz de responder a situações pontuais seriam uma bela chatice.

Quão pontuais são essas situações que levam até 8 minutos de espera? Não estamos a falar de uma passagem de 13 segundos, valor indicado pelo INEM em Maio de 2018, a 30 ou 60 segundos. Em causa está um aumento de quase 37 vezes. Até porque não é a primeira vez que estes atrasos são assunto.

Algumas chamadas, referia o sindicato em finais do mês passado [Dezembro de 2016], demoram mais de três minutos a ser atendidas, em vez dos sete segundos aconselhados pelos manuais mundiais.

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A camarada Isabel Vaz e o barulho que o Bloco faz

 

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, insurgiu-se recentemente contra a influência do Bloco de Esquerda. Segundo a gestora, que mostrou desagrado com o barulho que o Bloco faz, apesar do seu reduzido peso eleitoral, Portugal é “um Estado que é controlado pela Catarina Martins”. Bons velhos tempos em que o CDS era o único partido de expressão eleitoral reduzida, que fazia barulho e a ocasional chantagem sobre um qualquer Passos Coelho, com vista a promover o líder a vice-primeiro-ministro. [Read more…]