Miguel Macedo arguido no caso dos Vistos Gold

acusado de três crimes de prevaricação e um de tráfico de influências. Sócrates precisa de amigos.

Espiando os espiões

Serviços secretos americanos e britânicos espiaram discussões de responsáveis alemães sobre a crise grega. Fonte: Wikileaks.

Grécia, a ponta do icebergue

Cartoon GreeceSerá que quando o casco rebentar, irresponsáveis servis como Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy vão alegar que não podiam antever tal cenário? É possível. Um incompetente telecomandado há-de ser sempre um incompetente telecomandado. Por agora, deixemos os miúdos desfrutar do conto para crianças do avô de Boliqueime, para quem está sempre tudo bem até ao momento em que as pessoas lúcidas lhe explicam, bem devagarinho para o cérebro não gripar, que afinal não é bem assim.

Cartoon@Hedgeye

O Alexandre, a Mariana e António Nóvoa

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© Alfredo Cunha 2015

Laura Santos

“Não deixemos que a esperança também emigre”.

Apesar da falta de forças e dos azares da vida, quis estar presente na apresentação da Carta de Princípios de António Nóvoa (AN) no Teatro Rivoli do Porto. Nóvoa e o meu falecido Irmão Ademar tinham estreitado amizade nesse pós-25 de Abril “inteiro e limpo”. Eu acabara por ter o meu pequeno espaço dentro dessa amizade. Ademar falecera num 22 de Maio, a apresentação era a 25. Como não estar presente?
Primeiro problema: onde deixar o carro, vindos de Braga, pois eu e o marido decidíramos ir cedo para arranjar lugar no Teatro? Estacionámos, mas havia um problema com o parcómetro. Um arrumador perguntou delicadamente se podia ajudar. Pelo modo como se expressava, vi que não era como os arrumadores habituais. Disse-lho. Ele confirmou que outros já lhe tinham dito o mesmo. Perguntei o que lhe acontecera. De modo humilde e tentando esconder a tristeza, lá foi dando alguns pormenores. Tinha razoáveis habilitações académicas – indicou algumas -, mas há dois anos que não conseguia emprego. Já não tinha carro nem net, e o estado dos dentes da frente, para cuja recuperação não tinha dinheiro, também tinham sido um obstáculo à obtenção de emprego. Perdera a vergonha e tornara-se arrumador. Uma professora amiga dissera-lhe que vergonha era ficar de braços caídos. Ele sabia que era diferente dos outros arrumadores, mas sabia também que não era isso que lhe ia arranjar emprego. Percebi-o bem: a interminável construção civil à volta da nossa casa, dantes tão sossegada, e a falta de alternativas logísticas, mesmo para descanso de verão, agravaram a minha situação oncológica. Mas em que é que essa explicação me retira as dores e o perigo de vida? Seguimos as sugestões deste arrumador – só fixei um dos seus nomes, Alexandre – e sei que nunca mais o esquecerei. [Read more…]

CrowdFunding para a Grécia

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CrowdFunding (definição) para resgatar a Grécia. Valor angariado em 8 dias: €1,930,577

108,654 pessoas contribuíram nesta  página da campanha.

O princípio do fim da privacidade dos portugueses

Privacidade

Quando valores mais altos se levantam, o bloco central diz presente e coloca de lado as suas diferenças de fachada, à semelhança daquilo que aconteceu há uns meses quando se juntaram para tentar controlar o trabalho da comunicação social durante as campanhas eleitorais através de uma espécie de visto prévio estilo lápis azul. Como se o “ascendente” que têm sobre a imprensa não fosse já suficiente.

Foi ontem levada ao Parlamento uma proposta da maioria para reforçar o poder das secretas portuguesas cuja aprovação, segundo me foi possível apurar (não encontro informação que me esclareça para além da notícia do Expresso Diário de Terça-feira), terá contado com o apoio do PS. A proposta permitirá, entre outras coisas, que os espiões acedam às listas de chamadas de qualquer cidadão (Jorge Silva Carvalho, antigo chefe do SIED que trabalhou para a Ongoing mas que afirma nunca ter disponibilizado informações à empresa, começará a ser julgado dentro de dois meses por aceder ilegalmente à lista de chamadas do jornalista Nuno Simas), dados de comunicações online, informação bancária e dados fiscais, bastando para isso uma aprovação de uma comissão composta por três magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Contudo, a proposta do bloco central é vaga sobre os critérios subjacentes à tal aprovação, não implicando sequer a existência de indícios fortes do investigado ter cometido qualquer crime.

Sobre o último ponto, a Comissão Nacional de Protecção de Dados emitiu um parecer que critica violentamente a proposta, afirmando que representa “uma agressão grosseira aos direitos à privacidade e à protecção de dados pessoais e, em consequência, ao direito à liberdade“. Um Patriot Act ao virar da esquina. Sejam bem-vindos ao princípio do fim da vossa privacidade.

Sobre o tráfico de influências na Assembleia da República

a constatação do óbvio, por Elina Fraga.

Os amigos de Relvas

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Quando se traça a geografia política dos amigos de Miguel Relvas é impossível ficar indiferente à amplitude da máquina de influências que Relvas montou. Já conhecíamos o poder que continua a deter sobre Passos Coelho e Paulo Pereira Coelho, ambos envolvidos no caso Tecnoforma que está a ser investigado pelo OLAF (Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia). Hoje, Durão Barroso assume a filiação ao grupo exclusivo dos amigos de Miguel Relvas apresentando o seu novo livro, no qual Aznar assina o prefácio. Este é o mesmo Durão Barroso que em Abril do passado ano lamentou que o ensino em Portugal perdeu exigência, como é sabido Relvas é a encarnação suprema da exigência do ensino nacional. Mas este é certamente um irrelevante detalhe comparado com o serviço que um ex-presidente da comissão irá prestar a uma pessoa que está a ser investigada por múltiplas fraudes curriculares e é suspeito de beneficiar a Tecnoforma quando foi Secretário de Estado da Administração Local. O ex-político mais descredibilizado do país demonstra assim ter um poder notável sobre o nosso primeiro-ministro e o ex-Presidente da Comissão Europeia. Espero que a Procuradoria Geral da República se interesse por esta questão e sobretudo que comunique muito com o OLAF.

Em Abril, Rodrigo Rato, vice-presidente do governo de Aznar, começou a ser investigado por fraude fiscal. Afinal faz todo o sentido o prefácio de Aznar ao livro de Relvas.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 11/06/2015.

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Via Submarino Amarelo

TiSA, TTIP, TPP: mais documentos secretos do governo das multinacionais

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Hoje, às 15:00, a WikiLeaks tornou público um santo graal jornalístico da actualidade: o texto principal do maior “acordo comercial” na história, o TiSA (acordo sobre o comércio de serviços), cujos 52 países, juntos, constituem dois terços dos PIB global e que tem sido mantido secreto. As partes negociadoras são os Estados Unidos, os 28 membros da União Europeia e 23 outros países, incluindo a Turquia, México, Canadá, Austrália, Paquistão, Taiwan e Israel

Este tratado secreto imporá a todos os signatários cláusulas que beneficiam grandes empresas multinacionais em detrimento da soberania e os interesses públicos de cada país. Este tratado internacional será mantido em segredo durante cinco anos após a entrada em vigor. [Read more…]

Crowdfounding para a Grécia em baixo

O site Indiegogo tem estado recorrentemente em baixo desde ontem devido ao crowdfounding para salvar a Grécia lançado por um empregado inglês de uma loja de sapatos.

Thom Feeney

Eu criei a campanha de crowdfunding para apoiar o resgate grego porque estava cansado com a indecisão dos nossos políticos. Cada vez que uma solução para salvar a Grécia é atrasada, é uma oportunidade para que os políticos exibam o seu poder, mas durante este tempo o efeito real incide sobre o povo da Grécia.

A reacção foi tremenda, tenho recebido milhares de mensagens de agradecimento e, enquanto escrevo, quase € 630.000 foram prometidos por mais de 38.000 doadores. Muitos gregos enviaram-me mensagens dizer como ficaram felizes por saber que pessoas reais em toda a Europa se preocupam com eles. Deve ser difícil quando se acha que o resto do continente está contra você.

[Thom Feeney, no The Guardian]

Uma coisa é certa, a direita, tão fã da caridade, deve estar deliciada com a iniciativa.

Há esperança na Europa, falta ultrapassar as barreiras que os políticos levantam.

[Actualização 1/7/2015, 18:27]: acabei de saber que o valor recolhido ultrapassa um milhão de euros:
€1,005,217EUR, raised by 59,109 people in 3 days

O lapso de Cavaco Silva

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Laura Santos

Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal“.

No dia 29 de Abril deste ano, Cavaco Silva agraciou várias instituições e individualidades ligadas ao exercício da Solidariedade Social. Na curta intervenção efectuada na altura, ressaltou que, nos últimos anos, tinham conseguido “atenuar o sofrimento de milhares de portugueses que foram atingidos pela crise económica e financeira”.
Até aqui, nada a objectar. O problema, a meu ver, surge quando Cavaco Silva afirma que “Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal”, frase a que alguns canais televisivos deram destaque.
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Danos e dolo

Santana Castilho *

Parafraseando José Saramago, há uma regra fundamental que é, simplesmente, não calar. Não calar!

O despacho nº 7031 – A/2015 introduz o ensino de mandarim em algumas escolas secundárias públicas no próximo ano-lectivo. Os professores serão chineses e as despesas correm por conta da República Popular da China, mediante um protocolo com o Instituto Confúcio. Este instituto tem por objectivo imediato a promoção da língua e da cultura chinesas. Mas outros vêm a seguir, ou mesmo antes, pese embora tratar-se de matérias a que Confúcio era avesso. Com efeito, logo que a iniciativa foi conhecida, chegaram notícias de experiências idênticas de países ocidentais, que cancelaram acordos similares por ameaça à liberdade académica (vigilância indesejável de estudantes e actos de censura). Dito nada pelo Ministério da Educação sobre este começo menos auspicioso, sobram perguntas, a saber: que diz o ministro à suspeita transnacional (França, Suécia, EUA e Canadá, entre outros) quanto à utilização do Instituto Confúcio como instrumento de promoção da ideologia do governo chinês? Poderemos aceitar que uma disciplina curricular do sistema de ensino nacional seja leccionada por professores estrangeiros, escolhidos pelo governo da China, pagos pelo governo da China e com programas elaborados por uma instituição que obedece ao governo da China? Conhecida que é a complexidade extrema da aprendizagem do mandarim, particularmente no que à escrita respeita, fará sentido iniciá-la… no 11º ano? Terá a iniciativa relevância que a justifique? Pensará o grande timoneiro Nuno Crato substituir o Inglês (cujos exames acabou de entregar a outra instituição estrangeira) pelo mandarim, como língua de negócios? Ou tão-só se apresta, pragmaticamente, a facilitar a vida aos futuros donos disto tudo, numa visão futurista antecipada pela genialidade de Paulo Futre?
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Para onde foi o dinheiro emprestado à Grécia?

Lê-se no The Guardian que menos de 10% foi usado para reformar a economia e apoio social.

Less than 10% of the money was used by the government for reforming its economy and safeguarding weaker members of society

Only a small fraction of the €240bn (£170bn) total bailout money Greecereceived in 2010 and 2012 found its way into the government’s coffers to soften the blow of the 2008 financial crash and fund reform programmes. Most of the money went to the banks that lent Greece funds before the crash.
(…)
This [o perdão da divida grega] eliminated about €100bn of debt, but €34bn was used to pay for various “sweeteners” to get the the deal accepted. That €34bn was added to the Greek debt. Greek pension funds, which were major private lenders, also suffered terrible losses.

Then €48.2bn was used to bail out Greek banks which had been forced to take losses, weakening their ability to protect themselves and depositors. Lastly, €140bn has been spent on paying the original debts and interest.

Less than 10% of the bailout money was left to be used by the government for reforming its economy and safeguarding weaker members of society.

Greek government debt is still about €320bn, 78% of it owed to the troika. As the Jubilee Debt Campaign says: “The bailouts have been for the European financial sector, while passing the debt from being owed to the private sector to the public sector”.

Resposta: banca. Como se pode ler acima, os resgates foram para o sector privado europeu, transferindo-se divida detida pelo sector privado para o sector público.

Confrontar isto com a treta que a direita vai dizendo sobre o assunto.

Portugueses: preparem-se para pagar

Por breves momentos, alguns portugueses mais ingénuos acreditaram nas palavras do habitante do Palácio de Belém, que afirmava, sem reservas, que os portugueses podiam confiar no BES. Estávamos em Julho de 2014. Alguns meses mais tarde, confrontado com perguntas incómodas de uma jornalista, Cavaco desmentia Cavaco e afirmava, naquele tom de indignação dissimulada habitual em políticos sem coluna vertebral, que nunca tinha feito qualquer declaração sobre o BES.

Um ano depois das certezas de Cavaco posteriormente desmentidas por Cavaco, milhares de portugueses continuam a desconhecer o paradeiro das suas economias, em alguns casos a poupança de uma vida, e preparam-se para doar mais algum para o peditório do Espírito Santo. É que segundo as notícias que vieram ontem a público após o encerramento do prazo definido pelo governo para receber propostas vinculativas para a compra do Novo Banco, cuja corrida ficou reduzida aos camaradas da Fosun, da Anbang e ao fundo de investimento Apollo, as propostas dos finalistas não irão além dos 4 mil milhões de euros. Significa isto que o Fundo de Resolução bancária, cujo principal “accionista” é a nossa Caixa Geral de Depósitos, vai ter que assumir cerca de 900 milhões de perdas. Mais um ficheiro para o arquivo dos casos que não iam custar um cêntimo ao contribuinte.

Sobre a tempestade grega

Greek Storm

O ponto de não retorno talvez já tenha sido transposto. A entropia está em marcha. Portugal está agora na linha da frente da crise europeia. Como estava previsto no relatório da UBS, de setembro de 2011, sobre as graves consequências da eventual saída da Grécia da zona euro. Ou no relatório da Fundação Bertelsmann, de setembro de 2012, que vinculava a saída da Grécia à queda de Portugal, e a custos astronómicos para toda a zona euro, incluindo a Alemanha. Durante cinco anos a Grécia funcionou no dominó disfuncional da zona euro como um dique protetor perante as fragilidades de Portugal. Um governo português, formado por pessoas medianamente inteligentes e patrióticas, teria apoiado, mesmo que moderadamente, qualquer governo grego, fosse ele do Syriza ou de qualquer outro partido. Deveria fazê-lo por razões jurídicas e morais, mas também por puro egoísmo político. A Grécia era um dique protetor do interesse nacional. Infelizmente, o governo de Passos Coelho e o seu eco de Belém fizeram tudo para humilhar, enfraquecer e fragilizar Atenas. Agora, só um milagre poderia evitar que o dique grego se desmorone. Os nossos juros estão a subir, a desvalorização do euro significará desequilíbrio externo e perda do valor do aforro. Os “cofres cheios” vão começar a ser esvaziados. Quando mais precisávamos de estadistas, limitamo-nos a ter em Portugal os veteranos que utilizaram a malha larga da política partidária para se promover. Nos tempos de fartura, isso seria suportável. Pelo contrário, nos dias excecionais, como os que estamos a viver, tanta incompetência pode ser mortal para a sustentabilidade do Estado. Se ao menos houvesse o decoro de permanecer em silêncio.

O dique grego, por Viriato Soromenho-Marques [DN]

Foto@The Telegraph

Terrorismo monárquico em Espanha

Aqui ao lado, opinar contra a Coroa nas redes sociais passa hoje a configurar crime de terrorismo. Na Europa, a liberdade de expressão vive dias de apoteose.

Papa Francisco quer mastigar folhas de coca

na Bolívia, sê boliviano.

Página do referendo grego

referendo-gregoreferendum2015gov.gr/en

Com a chancela do Clube Bilderberg

Balsemão pressiona Rio Rio a avançar para Belém.

O que nos separa

greciaA Grécia tem sido, para o nosso país, uma referência, nem que seja temporal. Com mais sal ou menos pimenta, por lá, o tempo tem estado um bocadinho à frente do relógio luso. Hoje eles, amanhã nós e não me custa nada subscrever os argumentos de quem apresenta Portugal como o cliente seguinte dos predadores.

E, podem os boys do regime, opinar em sentido contrário, porque sendo a minha ignorância em termos financeiros total, estamos em tabuleiros iguais, eles ficam na deles e eu na minha. Ambos ignorantes.

Mas, tal como disse ontem em Gaia, Sampaio da Nóvoa, não se trata de saber quantos ficam e até me apetece acrescentar: isto não é economia – é política, estúpidos! [Read more…]

Como se constata, o problema nunca esteve nas diferenças entre as duas propostas.

euro implosão

Juncker sugere a Tsipras acordo de última hora.  Com a condição em que seria preciso “aceitar [por escrito; por escrito?!] a proposta de sábado das três instituições” e, ainda, dar o dito pelo não dito (campanha pelo sim). Possivelmente, baixar as calças também poderia vir a ser pedido.

Exactamente, o que é que mudou que impedia que o acordo de sábado fosse aceite mas agora já é proposto de novo? Nada. Ah, não, a Grécia vai referendar uma decisão europeia, algo sucessivamente recusado em anteriores contextos. Quais?

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Questão grega

André Serpa Soares

A “questão grega” que devia preocupar os dirigentes europeus e do FMI é meridianamente simples: como pagar a dívida colossal?
Esta é, aliás, de forma menos premente, a mesma questão a que urge responder relativamente a Portugal. Como pagar a dívida colossal?
É claro que as dívidas são para ser pagas. Mas se o serviço da dívida obrigar o devedor a deixar de comer, de pouco préstimo o esforço de pagamento será. O devedor definha e morre e ponto.
Com todos os programas de austeridade impostos pelas instituições,Troika, ou o que lhe quiserem chamar, as dívidas soberanas deviam ter começado a decrescer. A ser pagas. Não foram, porque não podem ser.
Porque os programas de “assistência financeira” não são mais do que nova dívida para pagar dívida antiga.
Se, por cá, estamos aparentemente de “cofres cheios” – “Portugal é sólido”, quase consigo ouvir alguém dizer – na Grécia eles já estão vazios.
A dívida sugou tudo o que estaria nos cofres gregos. Sugará tudo o que está nos cofres portugueses.
Nós não somos a Grécia. Mas os gregos somos nós, apenas mais avançados no tempo.
Estas dívidas, como estão, não se conseguem pagar, Empurram-se com a barriga.
É isso, e nada mais que isso, que tem feito a Europa balofa e seus apêndices institucionais.
Como se resolve? Não sei. Mas tenho cada vez mais certeza que isso em nada preocupa o Schauble, o Dijsselbloem ou a Lagarde. Por uma razão simples. Eles também não sabem. Nem querem saber. É um problema dos gregos, pensam. Mal. Pensam mal.

Novidades sobre a propaganda do desemprego

Desemprego jovem

Apesar do esquema dos estágios profissionais ou do meio milhão de portugueses, maioritariamente jovens altamente qualificados, que abandonou o país nos últimos quatro anos, entre outras artimanhas que caracterizam a engenharia política do desemprego desenvolvida pelo actual governo, a realidade voltou a cair-nos na cabeça e os números do Eurostat relativos ao mês de Maio colocam Portugal no top 5 dos 28 países que constituem a União Europeia.

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Vistos Gold: Miguel Macedo vai a jogo

Parlamento vai levantar imunidade ao ex-ministro. Próximo preso político?

Afinal ainda existe solidariedade entre os povos da UE

Britânico lança campanha de crowdfunding para ajudar a Grécia e em menos de 24 horas já conseguiu angariar 173 mil euros. Consulte esta campanha aqui.

Cherchez la banque *

Para onde foi o dinheiro do “bailout” Grego?  (*)

Referendo ao povo europeu. Várias hipóteses de pergunta:

André Serpa Soares

1 – Deve a Europa empenhar-se de forma mais profunda em encontrar soluções efectivas para o problema das dívidas soberanas da zona Euro, nomeadamente da Grécia e de Portugal?
2 – Deve a Europa abandonar os países do Sul à sua sorte e desistir do projecto europeu tal como foi concebido pelos “pais fundadores”?
3 – Enquanto Europeu, prefere excluir do projecto de construção da Europa enquanto espaço de democracia, liberdade, paz e prosperidade comum, chutando para fora desse espaço os malandros do Sul?

Podem acrescentar hipóteses de pergunta.

Miguel Relvas e a ambiguidade

Depois de ‘cabeça-de-lista‘ (conversa reservada para o momento da “discussão mais focada“), voltemos a Miguel Relvas e ao Acordo Ortográfico de 1990. Em recente entrevista ao Expresso, Relvas garante que

O acordo ortográfico também serve para esclarecer a ambiguidade de muitas palavras.

É esta a opinião do político que há cerca de dois anos assumiu o cargo de Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Em breve, se tudo correr bem, teremos um amplo debate público sobre este tema e Relvas ficará a saber, por exemplo, que pára e para, coacção e coação ou corrector e corretor deixaram de se distinguir graficamente e são potenciais focos de ambiguidade. Ficará a saber igualmente que os ‘aspetos técnicos’ mencionados por Aznar no prefácio e a “perspetiva de chegar à liderança das secretas” da entrevista ao Expresso são factor de desunião.

Relvas terá também a oportunidade de se debruçar sobre aquilo que tem acontecido no Diário da República. Entretanto, convém lembrar que são necessárias 75 mil assinaturas para que este triste espectáculo acabe.

dre 3062015

“Projecto Islão” – Ano I

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Tendo já dissertado por várias vezes sobre o surgimento do “Estado Islâmico” (“EI”) há um ano, faz sentido agora perceber a evolução dos acontecimentos e o estado a que chegámos.

Pensámos, pensei, que a mudança de Governo no Iraque em Setembro passado, cuja nomeação dos novos ministros da Defesa (Khalid al-Obeidy, parlamentar sunita de Mossul, ocupada aliás pelo “EI”) e do Interior (Mohammed Salem al-Ghaban, membro da organização Badr, Lua-cheia, a qual controla uma milícia xiita engajada na luta anti-“EI”), alterasse o curso dos acontecimentos.

Decorreram cerca de 40 dias, desde que o novo Governo tomou posse, até se chegar a acordo sobre ambos os nomes e estes tomarem posse. Julgou-se que uma composição governamental mais inclusiva, iria naturalmente alimentar uma secessão interna no “EI”, já que parte considerável da sua liderança e dos seus estrategas são ex-ba’athistas leais a Saddam Hussein e perseguidos pela nova liderança xiita. A “cenoura” da reintegração ali está(va).

Acontece que Saddam, após a 1ª Guerra do Golfo, iniciou um vasto programa de islamização das massas, utilizando naturalmente as estruturas do Partido Ba’ath para tal. Era preciso agradecer a Deus a manutenção do regime, facto vendido internamente como uma indubitável vitória sobre o Grande Satã, bem como entreter sunitas, xiitas e curdos, os quais partilhavam o sentimento de estar a praticar o bem. Deus é indiscutível. [Read more…]