A Comissão Executiva (CE) do Grupo Lena disse ao Expresso que “os prejuízos em Portugal e no estrangeiro” que decorrem da detenção do vice-presidente Joaquim Barroca no âmbito da Operação Marquês são “de carácter reputacional”, acrescentando ainda que “Em 2014, tivemos os melhores resultados de sempre“. Sobre José Sócrates, esse grande amigo do Grupo Lena, o presidente da CE Joaquim Paulo Conceição (JPC) mostra-se convicto que o processo que colocou o ex-primeiro-ministro atrás das grades resulta de “um equívoco”, algo que “será demonstrada no sítio certo, em sede de Justiça“. É sempre reconfortante podermos contar com a vasta experiência de grandes empresários como este senhor para percebermos, antes da justiça se pronunciar, que tudo isto não passou de um embuste e que o 44 é afinal vítima de um equívoco. Um equívoco milionário mas ainda assim um equívoco.
Ainda não perceberam a figura ridícula que fazem?

Desafio é coisa de criançada ou, usando o termo técnico apropriado, de putos.
“Nhã, nhã, nhã, nhã, não és capaz, nhã, nhã, nhã. E agora embrulha, que já levas, nhã, nhã, nhã.”
Se bem que, com cartas de amor, ainda vai haver ciumeira no casamento.
Observatório de Atenas
Um novo blogue, Observatório da Grécia, preenchido por conhecidos e reputados blogueiros, propõe-se “disponibilizar mais informação do que a que se pode atualmente encontrar, favorecendo uma leitura informada sobre os acontecimentos” da Grécia. Uma missão inovadora, de que nunca ninguém se tinha lembrado entre nós, que tal como tanto Zé fazia falta.
Acho muito bem. Pela nossa parte é um sossego saber que já não precisamos, no Aventar, de traduzir ou publicar textos como Não há tempo para jogos na Europa (17.154 visualizações), Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt (16.531 visualizações), Carta aberta de um estudante liceal grego (4.644 visualizações), Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial (mais de 8.765 visualizações) ou Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas (mais de 27.048 visualizações). Muito melhor que nós a casta, perdão, a nata da nata se encarregará dessa tarefa (ainda podia acrescentar umas legendagens de uns vídeos, mas nem vale a pena) com um alcance muito mais vasto. Por outro lado parece-me que artigos como o do Rui Curado Silva, Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC, se remeterão à simplicidade dos seus 4.146 leitores, o que é preciso é disponibilizar mais informação e comentário de forma a alcançar quem a leia.
É um sossego, a partir de agora a malta de Lisboa (com duas notáveis excepções, eu sei) trata do assunto, nós cá pela província pensaremos, talvez, em divulgar o que de helénico se passa fora de Atenas.
À atenção dos liberais encostados ao estado e, também, dos arrependidos, como Carlos Abreu Amorim

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) cobrou em 2014, de forma coerciva, 26,5 milhões de euros em dívidas pelo não pagamento das taxas das portagens, receita que reverte na totalidade para as empresas concessionárias das auto-estradas. [P]
Falem-me outra vez de menos estado e de iniciativa privada, depois de terem posto o estado a trabalhar para empresas privadas.
(Mais) Merda nos canos do governo
Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.
E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (III)
“Guardas de uma cadeia no Nevada, EUA, são acusados de terem instigado presidiários a lutarem ao estilo dos gladiadores. A morte de um recluso está a ser investigada.” (JN)
Ritalina: hiperactividade, educação ou negócio?
Em democracia não há territórios sagrados, apesar de existirem algumas reservas, na sociedade não médica, à entrada na esfera clínica. Normalmente, quem arrisca, leva com uma bateria de batas brancas em cima que, com argumentos, quase sempre básicos, acaba por intimidar.
Aviso, portanto o leitor, de que não é minha intenção entrar na discussão médica sobre a Ritalina, até porque, ao ler parte da informação oficial disponível, fiquei suficientemente assustado, para nem tentar perceber o mecanismo da droga mais comum nas escolas, por estes dias. O meu olhar é o de Professor.
Nas nossas escolas a quantidade de crianças medicadas é absolutamente assustadora – quase não há turma em que dois ou três meninos não tome algum tipo de medicação para a hiperactividade. E, diz-me o senso comum, que não é possível que cerca de 10% das nossas crianças sejam portadoras desta “doença”. Não é possível.
E, parece-me que há três factores que contribuem para este manifesto exagero da Ritalina nas escolas: [Read more…]
Ars moriendi
Uns 20 anos antes de eu nascer, certa mulher da minha família ganhava a vida a assistir a missas pela alma de perfeitos desconhecidos. Nem sempre seriam desconhecidos, claro, a cidade era uma aldeia, mas o que quero dizer é que não existia nenhum laço entre ela e os defuntos a não ser esse, contratual, e que nem fora da iniciativa deles. Pagavam-lhe os enlutados para estar presente durante a cerimónia e para rezar pela alma que partira, cedo ou tarde e provavelmente descontente, porque eles, os que deveriam fazê-lo, não tinham paciência, tempo, ânimo, o que fosse. E assim ganhava ela a vida, correndo igrejas, rezando aqui e ali por um Manuel, uma Alfredina, um Viriato, sem deles nada saber, tão só que levavam uma semana, um mês, um ano mortos, e que quem ficara ainda os lembrava ou tinha, pelo menos, medo de enfrentar a sua raiva além-túmulo se as missas devidas ficassem por dizer. [Read more…]
E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (II)
Escola católica expulsa criança que se encontrava em tratamento de uma leucemia linfoblástica por acumulação de faltas, “devido à sua incapacidade de corresponder aos nossos padrões académicos e de assiduidade“. Como reagiríamos se fosse uma escola islâmica?
A Mahler o que é de Mahler
Eu sou do tempo em que o JN era uma escola de revisão. Conheci alguns profissionais desse jornal com quem fiz amizade, e habituei-me a respeitar a prosa lavada com que se apresentava. Hoje, continuo a lê-lo, diariamente, mais não seja, por esse respeito quase histórico.
Outros tempos vieram, e com eles, os correctores ortográficos, muito mais leves que a sala de revisão, cheia de fumo e silêncio. Mas impessoais e dados a erros, se mal utilizados ou se utilizados de forma distraída…
Duvido, aliás, que qualquer corrector permita, sem o rasurado a vermelho, que se confundam nomes imortais.
O caderno “etc.” de hoje traz uma entrevista com a fadista Aldina Duarte, à luz do seu mais recente trabalho discográfico.
Ficámos a saber que a fadista gosta de muitos géneros musicais e que, entre outros, não dispensa Gustav Mahler.
Fica-lhe bem!
Ao jornalista que a entrevistou é que fica mal a troca de Mahler por “Mhaler”. Não se trata de gralha fortuita no título. No corpo da entrevista, o plumitivo volta a trocar o nome. Não sendo uma gralha, é incompetência.
Como serviço público, que gostamos de assumir, aqui fica a fotografia do músico e o seu nome correcto: Gustav Mahler, nascido na Boémia em 1860, faleceu num sanatório em Viena, no ano de 1911.
Se fosse vivo, Mahler teria, por certo, agarrado o jornalista do JN e, tal como Lopegui a Jorge Jesus, ter-lhe-ia dito: “Se voltas a trocar-me o nome, apanhas um murro”.
E seria um folhetim!
A caminho do fundamentalismo?
No Brasil, o poder das instituições religiosas é cada vez maior. A radical IURD, com os seus “exércitos” de aparente inspiração fascista e a fraude da venda de indulgências é apenas uma face de um país onde a laicidade parece não ter lugar.
Portugal debaixo da mira da Philip Morris
Foto@FPIF
Num momento de radicalismo singular, quiçá inspirado pela data ontem assinalada, quero hoje endereçar os meus parabéns ao governo português, na pessoa do ministro Paulo Macedo, pelas medidas aprovadas esta semana no âmbito do combate ao consumo de tabaco. Proibição total de fumar em espaços fechados, aumento do tamanho das advertências relativas aos malefícios do consumo, onde frases como “Fumar Mata” serão substituídas por imagens dissuasoras, e a eliminação de aspectos de “natureza subjectiva” como as opções “light”, “mentol” ou “suave” passam a ser proibidas.
Nada disto é novo. Todas estas e outras medidas foram já implementadas, por exemplo, no Uruguai, pela mão do enorme Pepe Mujica. O país, considerado um exemplo na luta contra o tabagismo, enfrenta por isso um processo da tabaqueira Philip Morris, que considera as medidas em vigor no país como violadoras de um tratado de investimento entre a Suiça e o Uruguai. Façamos votos para que nenhum tratado de investimento desconhecido coloque os lucros de uma qualquer tabaqueira acima do superior interesse da saúde pública.
E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão?
O afro-americano Freddie Gray foi preso por posse de arma branca. Uma semana depois morreu na prisão na sequência de uma fractura cervical. Quanto negros terão que morrer em Baltimore até que alguém diga Charlie?
Benfica-Porto

As áreas de serviço da A1 estão hoje repletas de patrulhas da GNR. Imagino que no anterior Porto-Benfica tenha sido semelhante. Aliás, o cenário de forças policiais em trabalho reforçado por causa da bola é recorrente. Este aparato policial deve ficar caro aos clubes. Porque são eles que o pagam com as receitas de bilheteira e dos diversos contratos associados, não são?
Pires de Lima, o mentiroso
O ministro da Economia faz um excelente exercício daquela prática dupla de enganar em casa e mentir fora. [P]
Os reaccionários de Abril
De cravo eleitoralista na lapela, Passos Coelho permitiu que o irrevogável abrisse as hostilidades. Terminado o exercício de propaganda do guia supremo da jacintoleitecapeloregolândia, o primeiro-ministro foi igual a si próprio: aldrabou indicadores, agitou fantasmas, falou de um rigor que não conhece e fez, no global, o habitual discurso orientado para a claque.
O discurso em si, quer de um, quer de outro, pouco interessa. Sabemos bem o que vale a palavra do primeiro e do vice-primeiro-ministro: um aldrabou o país em campanha e, mais recentemente, no âmbito da polémica do subsídio de reintegração/Tecnoforma e o outro aldrabou o país quando anunciou a sua demissão irrevogável, que caiu por terra assim que o anúncio da promoção chegou.
Interessante foi a escolha do dia. A escolha do dia e o facto de, há um mês atrás, Passos Coelho andar a vender a um grupo de empresários que era capaz de ganhar as eleições sozinho. Para não falar das dúvidas manifestadas pelo primeiro-ministro há 10 dias atrás quanto ao benefício da coligação. Mas está tudo bem. Haja coligação que os socialistas, apesar de Sócrates, ainda lideram as intenções de voto e a reacção não pode parar.
A liberdade de informação e as prima-donas
Ei, jornalistas! Quando aqui se ataca o proposta-que-não-chegou-a-ser-proposta com a qual um trio de tarefeiros de encomenda iria tentar impor o exame prévio dos projectos editoriais de cobertura dos noticiários eleitorais, eu, ao dar o meu modesto contributo pela liberdade de informação, não me estava a dirigir a vocês. Nem eu nem, certamente, as muitas pessoas que atacaram tal projecto. De modo que o número de teatro-tide do senhor Carlos Magno e as vossas “corajosas” e inflamadas declarações – como as que acabaram de desfilar na RTP – depois de todos sabermos que tal lei jamais existirá, relevam de uma indignação patética e de papelão. É que se tenho o maior respeito, e até amizade, por muitos de vós, muitos outros não me merecem senão o mais profundo desprezo, desprezo esse que, não tenho dúvidas, crescerá durante o processo eleitoral, seja qual for a legislação em vigor nessa altura. Gostava de vos lembrar que a liberdade de informação é um direito geral, do povo, não dos jornalistas. É um inalienável património de todos que a todos cumpre defender. E nessa defesa dispensamos bem exercícios tolos de narcisismo.
Dantes era bom
Dantes, antes de agora, havia boa música mas não havia Ana Malhoa.
Dantes é era bom mas agora é melhor.
E depois do 25 de Abril
“O dia inicial inteiro e limpo” tem sido sujeito a tempestades imensas. Hoje celebramos a revolução mas não há muito à nossa volta para celebrar. O país vive dias de penúria e assiste ao rápido desmembramento do Estado Social. Pessoas morrem nas urgências enquanto governantes alucinam com um SNS que apenas existe no seu imaginário propagando-partidário. A escola pública é alvo da incompetência da tutela e do apetite voraz do ensino privado financiado pelo Estado e gerido por barões partidários. A justiça é lenta, ineficaz e plena de prescrições para os poderosos. Excepto para José Sócrates, aquele que pagará pelos pecados de todos os outros.
Hipocrisias de Abril
Depois da proposta conjunta apresentada pelo seu partido, PSD e CDS para controlar a cobertura eleitoral feita pela imprensa, António Costa aproveitou o 25 de Abril para nos presentear com a sua hipocrisia.
O cravo português
Milagre!
Ninguém, afinal, foi autor da proposta de… análise prévia. Os partidos que a ordenaram, não a fizeram; os autores nem sim nem não nem, sobretudo, talvez. Mas o Marques Mendes, verdadeiro roedor informativo, que valoriza mais o seu estatuto de fonte(zinha) e o seu ego desproporcionado que as suas lealdades, não deu hipótese: “eu vi a proposta, eu li a proposta!”. Portanto se proposta tem e autores não tem de algum lado lhe vem, lá diriam os outros. Só há, pois, uma resposta: milagre!
Marco António Costa – O Alpinista Político, os SHM e a sua Rede
Paulo Vieira da Silva
Quem é Marco António Costa? Esta é uma pergunta que algumas pessoas me fazem com alguma regularidade. Se me pedissem uma resposta rápida e em duas palavras eu diria que é um “ alpinista político ”, mas infelizmente tenho muito mais para dizer.
Conheci Marco António Costa (MAC) há cerca 20 anos na JSD, apesar de ele ser mais velho do que eu 4 anos. Era um jovem de origens humildes, vivia em Valongo e trabalhava, se bem me recordo, numa empresa na área da captação de águas. Estivemos juntos em algumas batalhas políticas, ficamos amigos e até esteve no meu casamento.
Entretanto com a minha decisão de abandonar a política e os caminhos que Marco António começou a trilhar a vida foi-nos afastando. Penso que não estamos juntos, nem falamos a alguns anos, mas quero que fique claro que nada de pessoal me move contra ele. Reconheço que é um político trabalhador, inteligente e muito ambicioso levando a que algumas vezes não olhe a meios para atingir os seus fins. E este sim é o seu grande defeito que nos coloca no plano dos princípios e dos valores em lados completamente opostos.
A sua carreira política profissional começou como mero adjunto do presidente da Câmara de Valongo, Dr. Fernando Melo, mas rapidamente passou a ter muito poder na autarquia. Foi vereador, presidiu a diversas empresas municipais, tendo chegado mesmo a ser o vice-presidente da Câmara. [Read more…]
Espectro político em Portugal
Victor Alves
Depois do post “Custou mas foi” e dos últimos acontecimentos, decidi conceber uma imagem que ilustre o espectro político actual, o rumo à direita e radicalização dos principais partidos.
Sobre o projecto de visto prévio
Decorridos 41 anos sobre a conquista de uma democracia livre, o Estado não pode arrogar-se de ter competência editorial, impedindo ou condicionando o trabalho dos jornalistas, por qualquer via.
(mais )
E já fazíamos outro

“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado.
Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos.
Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos!
De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto.
Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”
Salgueiro Maia, 24/04/1974
Sobre o excesso de poder executivo e legislativo

É uma ideia que me ocorre recorrentemente. Os governos em Portugal, apoiados por uma maioria parlamentar, proveniente de um ou mais partidos, que controlam o Parlamento, o qual controla o governo, têm ao seu dispor demasiado poder sem contraponto.
Caracol, caracol…
Tenho a caixa de correio no exterior da casa. Isso permitiu aos caracóis da zona descobrirem as qualidades gastronómicas da correspondência, que violam com entusiasmo e gula. Não raro, desde subscritos variados a publicidade sortida, os caracóis deixam a sua marca roendo deliciados e sem discriminação. Hoje era o extracto bancário, que não só estava severamente roído como ostentava o próprio caracol em plena acção. Francamente, oh desatinado gastrópode, também tu!

















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