«Os “médicos a dias” custam ao Serviço Nacional de Saúde mais de 70 milhões de euros por ano. Saiba quem anda a ganhar dinheiro com a contratação de tarefeiros» [VISÃO]
Que agora comer é um luxo, é um luxo

Não se percebe, ou será apenas uma dificuldade minha, como pode ser que, apesar da crise, continuem a multiplicar-se os restaurantes. Nem sequer aqueles capazes de agradar a um público heterogéneo, mas cada vez mais especializados em coisinhas pequenas, maniazinhas, tiques refinados. Depois da moda das hamburguerias, agora é ver abrir as casas que só têm chás, as que só têm torradas, o restaurante que serve comida em pratos para cão (por Tutatis!), a casa que se especializou em cereais com leite, a que só confecciona refeições com conservas. No meu nada turístico bairro, cheio de casas em ruína e velhotes a sobreviver com reformas miseráveis, abriu um restaurante gourmet, com cozinha de fusão, ementas em inglês, citações refinadas na parede. Durou exactamente cinco semanas, das quais passou quatro às moscas. Era uma espécie de extraterrestre que nos aterrou ali e que olhávamos com a mesma estupefacção com que espreitaríamos uma manada de unicórnios a atravessar a rua. Um dia desapareceu para dar lugar ao velho cartaz “Aluga-se” que já conhecíamos bem. [Read more…]
Os pompeus
Quando eu andava na escola primária, na primeira parte do século passado e em África, havia sempre em cada turma um Pompeu (ou uma Pompeia). Que vinha a ser um ser sisudo, penteadinho, que não se misturava nas brincadeiras do recreio, que mirava com olhos de detective todos e cada um, que denunciava e fazia queixinhas, e que sobre isto mal o professor perguntava quem sabe? se levantava logo de mão no ar. Oferecia-se para ir ao quadro, lambia os pés dos professores. Tinham estas qualidades todas, ninguém os suportava e, sempre que podíamos, enfiávamos uns bofetões naquelas caras estanhadas Ninguém os convidava para nada, nem na escola nem fora da escola. Eram tão excepcionais que nos ficaram na memória, como exemplo de lástima. Estou em crer que todos rezávamos para nunca termos um irmão Pompeu.
Pela vida fora ainda fui encontrando uns quantos Pompeus, incluindo na minha profissão. Sempre que tinha de lidar com eles, lá me vinha aquele desejo nascido na remota infância de lhes ir à fuça. Fiquei-me sempre pelo sensato conselho das terras ribatejanas: trela no lombo e campos da Golegã com eles. [Read more…]
Governo de ressabiados
Os spin doctors da direita acharam que era boa ideia trazer algo que se passou há 30 anos para justificar a posição do governo português contra a Grécia. Na melhor linha dos ressabiados, que cá se fazem, cá se pagam. Seguindo o mesmo raciocínio, nem quero saber o que nos acontecerá devido aos bloqueios negociais que Portugal fez ao longo dos anos para obter melhores “envelopes” financeiros nos quadros comunitários.
Mas não é por vingança que o governo português assim age mas apenas porque a vitória de uma alternativa é a derrota da política “não há alternativa”, a base ideológica deste governo.
As prioridades de Pedro Passos Coelho
Montagem@Finalmente Sou Um Gajo Desempregado
Entre ir além das imposições da troika e garantir a todos os portugueses o Direito à Vida, consagrado nesse documento aborrecido que dá pelo nome de Constituição da República Portuguesa, o primeiro-ministro não parece ter dúvidas. Salvar vidas sim senhor mas com juizinho.
Não deixa de ser caricato ver um primeiro-ministro ter esta postura face a problemas reais da dimensão da Hepatite C quando a sua esposa enfrenta uma doença tão abominável como o cancro. Teria Passos Coelho a audácia de usar o mesmo argumento quando em 2011, obcecado com o poder, debitava falsas promessas à velocidade da luz? Yeah right…
“Espanha e Portugal tentaram bloquear o acordo”
Tal como a Carla noticiou em primeira mão, a Skai TV, que faz parte de um dos maiores grupos de media da Grécia, afirma que “Espanha e Portugal tentaram bloquear o acordo” da Grécia com o Eurogrupo.
Aqui fica o link e uma captura de ecrã para que esteja documentada a canalhada a que estamos sujeitos.
Tradução Google, fraquita, mas pode-se sempre ler o original em grego.
PS: o fuso horário da Grécia é Lisboa + 2 horas.
Adenda: Ouça os comentários dos intervenientes no vídeo seguinte:
Sobre U.E., Grécia e Portugal…
Uma das soluções apontadas para a resolução do problema das dívidas soberanas são os “eurobonds”. Alemanha, Finlândia ou Holanda nem querem ouvir falar no assunto, para citar apenas alguns países opositores à medida defendida pelo PS e alguns políticos, nomeadamente no Sul da Europa, principalmente na área da social-democracia. A questão não é fracturante apenas do ponto de vista ideológico, a meu ver mal, porque é apenas nesse patamar político e económico que deve ser discutida. [Read more…]
Os pulhas
Corre no Twitter que a televisão estatal grega noticiou que Portugal e Espanha tentaram bloquear um acordo do Eurogrupo com a Grécia. Esperemos que seja só rumor.
Alguém disse Edward Snowden?
Novo escândalo de espionagem e pirataria ao bom velho estilo da NSA in association with GCHQ.
Um Exército de Mentecaptos
Qualquer dia recebem um oscar ou um bafta ou acções do BES.
WARNING:
Castas à prova de austeridade
Escrevo estas palavras depois de ler o artigo de hoje da Carla Romualdo que me deixou ainda mais céptico relativamente às movimentações em Portugal e Espanha no sentido de reforçar o combate ao terrorismo (que por cá simplesmente não existe e, a existir, Durão Barroso seria com certeza o maior culpado: prendam-no) através de medidas que visam sobretudo amputar liberdades, abafar a crescente contestação social e proteger as castas que instrumentalizam o regime em função das suas ambições e da vontade daqueles que os sustentam e lhes garantem confortáveis cadeiras nos conselhos de administração das empresas frequentemente brindadas com isenções fiscais e outros privilégios garantidos com o dinheiro dos nossos impostos.
Rui Tavares, pós-DIMAR, escreveu uma carta
Acho que a troika não queria tantos cortes.
O socialismo liberal de Hollande
uma amostra daquilo que nos espera com António Costa.
Crime, dizem eles

Esteve recentemente em discussão no parlamento espanhol uma reforma penal que inclui a introdução da pena perpétua, ainda que sob a forma de pena de 25 ou 35 anos a ser revista no seu termo, e com a possibilidade de ser ampliada. A medida, engendrada pelo PP e aprovada pelo PSOE, é pouco coerente com o terceiro lugar que Espanha ocupa entre os países da UE com mais baixa criminalidade, mas a reforma penal foi apresentada no contexto da luta contra o terrorismo, tema sempre sensível na sociedade espanhola, e ainda mais com a ameaça do jihadismo no horizonte.
Se a bandeira desta reforma penal é a possibilidade de castigar com pena perpétua os responsáveis por actos terroristas que originem a morte de cidadãos, “la chicha” – o miolo – está escondida, como lhe compete. Na prática, sob a capa da protecção face ao terrorismo, PP e PSOE uniram-se para aprovar uma lei que estenderá a definição de terrorismo a actos que até agora não eram mais do que contestação social, desobediência civil e boicote. A nova legislação passa a definir como delito terrorista “as desordens públicas” caso com elas se pretenda “obrigar os poderes públicos a realizar um acto ou a abster-se de fazê-lo”. [Read more…]
Os deputados não são todos iguais
Depois de Paulo Sá ter ensinado Maria Albuquerquea brincar com legos, mais uma jovem deputada, de esquerda, explica ao tipo das bjécas agora ministro, que viragem económica só no fundo da garrafa quando acaba de as beber (e aqui me confesso, no fundo das garrafas por vezes também encontro uma enorme euforia).
Mais uma confissão: perfeitamente sóbrio, vou vendo em Mariana Mortágua a garantia de que este país tem futuro, e a esquerda, devagarinho, vai encontrando quem nos tire deste buraco. Haja esperança, já faltou mais, fica o segundo vídeo, com uma excelente montagem, onde o rosto de Pires de Lima nos confirma que somos governados por idiotas: [Read more…]
Portugueses oferecem ao Sr.Wolfgang Schäuble uma visita guiada ao país
Evento no Facebook
O ministro das finanças alemão afirmou que “Portugal é a melhor prova de que os programas funcionam“.
Ora para lhe dar a conhecer o nosso paraíso, Herr Schäuble, cada um de nós, subscritores deste evento, contribuirá com um cêntimo (ou com uma bosta) para a aquisição de um vôo low cost (porque somos um país resgatado que poupa nas despesas) para Lisboa, sem bilhete de regresso à sua zona de conforto.
Não queremos perder a oportunidade de lhe dar a conhecer o país real em que vivemos. O país da fome, da miséria, dos desempregados e dos empregados famintos, dos suicídios que deixaram de ser noticiados, das casas devolutas abandonadas por quem já não as pode pagar, do pequeno comércio falido, dos velhos que morrem sozinhos em casa ou na rua, à fome e sem dinheiro para medicamentos, das crianças que desmaiam nas escolas e não têm livros escolares, das escolas degradadas, com salas de aula sem vidros, WC’s sem papel higiénico, nem sabonete, dos professores escravizados, dos alunos ignorados, das famílias sem água e sem luz, dos incontáveis sem abrigo. Dos que morrem nas urgências de hospitais à espera de serem atendidos e dos que morrem depois de atendidos pela inexistência dos medicamentos necessários. O país dos que emigram, quando podem, e dos que ficam num suicídio colectivo.
Teremos muito gosto em afundá-lo no pantanoso beco a que nos confina, Herr Schäuble. Seja bem-vindo. Cá estaremos para o receber.
O convite será entregue na sua embaixada. Subscreva-o
Correcção: Portugal falhou o seu “programa”
“O euro não seria o mesmo hoje se Portugal ou a Irlanda tivessem falhado os seus programas“, Passos Coelho, como habitualmente sem pensar, disse. Recordemos as metas iniciais e não as que foram sendo reescritas à la Animal Farm:
- Diminuição da dívida pública: meta falhada, a dívida pública é superior ao que era em 2011.
- Défice inferior a 3%: meta falhada, o défice numa foi o planeado.
- Recuperação económica: meta falhada, o desemprego disparou e a criação de riqueza é uma miragem.
Ah!, perdão, o número de privatizações foi superior ao planeado, tal como o foram os cortes em salários e pensões. O número de dias de trabalho aumentou e as amnistias fiscais para fugas ao fisco passaram a ser lei. As nomeações continuaram em bom ritmo e a duplicação do estado continua (agora com a chamada municipalização da educação). Deve ser a isto que o primeiro-ministro se referia ao pretender que o “programa” não falhou. Pontos de vista, lá está.
Até na Noruega já lhe ouviram os latidos
Passos Coelho “ergue-se sobre as patas traseiras” – escreve um jornal.
“A dignidade dos portugueses não foi beliscada” (V)
“A dignidade dos portugueses não foi beliscada” (IV)
Diálogo do dia
– J’ai l’air con – disse o luxemburguês.
– Eu cá não pareço, sou mesmo idiota – respondeu Marques Guedes.
“A dignidade dos portugueses não foi beliscada” (III)
«Comprei cinco bilhetes a uma pessoa
afeta ao Super Dragões». Não percebo: “uma pessoa afeta“? E o ‹s› de ‘aos’ não é pronunciado? Sendo pronunciado, quem é o Super Dragões? A Bola procurou uma reação? Uma [ʀjɐˈsɐ̃ũ̯]? Que grande confusão.














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