Títulos das próximas crónicas de José Manuel Fernandes
Hoje, José Manuel Fernandes (JMF) declarou que é capaz de acabar com o problema da colocação dos professores. Deu à sua crónica o título: Querem acabar com os caos [sic] das colocações? Eu digo como. O João José já descodificou o texto.
Não vou explorar o veio do mau português de JMF, porque não seria inédito e acabaria por se tornar repetitivo. Prefiro tentar adivinhar títulos de algumas das próximas publicações do ilustre cronista. O resultado é uma patetice, mas é natural: estou a escrever sobre o José Manuel Fernandes.
Aqui vai, por temas:
Futebol
Querem que a selecção nacional marque mais golos? Convoquem-me
Sexo
Querem que as vossas mulheres tenham orgasmos múltiplos? Dêem-me a vossa morada
Culinária
Querem que a vossa maionese deixe de talhar? Eu explico
Saúde
Querem saber qual é a cura do ébola? Eu envio por mail
Sociedade
Querem uma xícara de açúcar? Batam-me à porta
Educação
Querem saber de quem é a culpa de as escolas terem turmas de trinta alunos, de se terem transformado em agrupamentos gigantescos, de haver falta de recursos humanos, de se ter cortado nas horas de várias disciplinas, de se ter obrigado à alteração de manuais adoptados para seis anos ao fim de dois anos e de haver tantos erros nos concursos dos professores? Esperem aí, que ando sempre com uma fotografia do Mário Nogueira no bolso
A ‘perspectiva’ e a ‘perspetiva’: a “unidade essencial”

Gustave Caillebotte, Rue de Paris, jour de pluie (1877) © The Art Institute of Chicago (http://bit.ly/1EpPV3s)
Mine eye hath played the painter, and hath steeled Thy beauty's form in table of my heart; My body is the frame wherein 'tis held, And perspective it is best painter's art — William Shakespeare, Sonnet 24
Na Folha de S. Paulo de hoje, Hélio Schwartsman escreve o seguinte:
Sob essa perspectiva, não só há lógica por trás do processo eleitoral como ela se mantém a mesma desde o início da corrida.
Ontem, no jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que, na opinião de João Bosco Rabello,
A perspectiva de chegar à Presidência pode ajudar a reverter parcialmente esse quadro, ainda que isso não seja provável em grande escala.
Depois de amanhã, a Universidade do Minho recebe a conferência “Perspetivas da Língua Portuguesa”.
Obviamente, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, como prometido, assegurou o tal “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.
Exactamente: “da unidade essencial”.
Excalibur

Talvez seja necessário sacrificar o cão da auxiliar de enfermagem infectada com Ébola, tal como o marido dela assegura que as autoridades sanitárias pretendem fazer, e apesar da objecção dos seus donos. Talvez seja o mais seguro, uma medida entre muitas para travar o avanço de uma possível epidemia.
Mas não deixo de perguntar-me como se devem sentir estes dois, homem e mulher, ambos isolados em quarentena, ela com a certeza de ser portadora de doença, ele com a terrível dúvida de sê-lo ou não, e que têm, a julgar pelas informações que vão chegando, todas as razões para sentir que as autoridades foram negligentes com a segurança dos profissionais de saúde que tentaram salvar os missionários espanhóis infectados com Ébola. E que afirmam, sem margem para dúvidas, que quando tentaram chamar a atenção para a possibilidade da mulher, Teresa, auxiliar de enfermagem, estar infectada, não receberam a resposta pronta e cuidadosa que deveriam ter recebido das autoridades. [Read more…]
Grau zero de um governo
O que se passa na educação é o último patamar do que se pode esperar descendo a escadaria da qualidade governativa. Erros não assumidos, mitigação da realidade, ausência de responsabilização e tratar 150 pessoas como danos residuais. Acresce alunos sem aulas e professores que estavam ali e vão para acolá.
Para que serve o ministério da educação, com as suas diversas delegações regionais e direcções gerais? Potes para nomeação política. Entrave ao acto de educar. Fonte de infindável burocracia usurpadora de tempo que deveria ser lectivo.
O caos poderá ter interesse para um matemático, como Crato, ou não houvesse até uma teoria para este. Mas nada traz à educação. Feche-se então o ministério da educação, com ganhos para todos. Menos para os tadinhos do pote. Tadinhos.
Grafia azul

© LEHTIKUVA/Reuters (http://bit.ly/1nYg8Bx)
Acabo de saber, através de Brian Greene – a propósito, vale a pena assistir a este excelente debate entre Greene e Dawkins –, que o Nobel da Física foi atribuído a Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, pela invenção de emissores eficientes de luz azul (convém ler o excelente texto de Teresa Firmino, no Público).
O Professor Jorge Manuel Torres Pereira lecciona a disciplina Fundamentos de Electrónica no Instituto Superior Técnico e explica (7.8) que
O díodo emissor de luz, LED – “Light Emission Diode”, é um dispositivo que converte a energia eléctrica em energia luminosa. A conversão está associada a transições electrónicas acompanhadas da emissão de fotões de comprimentos de onda compatíveis com a variação de energia ocorrida.
O prémio Nobel da Física foi hoje atribuído (…) pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), anunciou hoje o júri em comunicado.
Ora, independentemente de, por exemplo, por estas bandas, LED significar “diode électroluminescente” e até o Professor Lobo Ribeiro ter vacilado entre “díodos emissores de luz” (p. 6) e “díodos electroluminescentes” (p. 93), há um dado grafemicamente adquirido: eletroluminescente é grafia inadmissível em português europeu. Sim, eletroluminescente. Efectivamente, inadmissível.
Recordando as sábias palavras de outro Nobel da Física,
I’m not going to do this, I’m not going to simplify it, and I’m not going to fake it. I’m not going to tell you it’s something like a ball bearing inside a spring, it isn’t.
No, it isn’t. Se não souberdes o que significa ‘ball bearing’, não vos preocupeis. O Eng.º João Roque Dias explica-vos.
Continuação de uma óptima semana.
Um caos com objectivos
Confesso que a princípio me pareceu teoria da conspiração, mas a insistência de Maria de Lurdes Rodrigues, perdão, de Nuno Crato na actual novela da colocação de professores começa a convencer-me: tudo isto é propositado.
Propositado o caos para surgir com a solução milagrosa e salvadora: contratação directa dos professores pelos directores com que Nuno Crato, perdão, Maria de Lurdes Rodrigues, iniciou o fim da escola pública.
Há dois interesses por parte da ideologia dominante em fazê-lo. Um é político, directo (quando a escola onde sou efectivo foi obrigada a agrupar-se com todas as do pequeno concelho fizemos as contas, emprega um tal número de licenciados que multiplicado pelos seus familiares directos garantia a reeleição eterna de qualquer autarca que a controlasse, e já faltou mais para isso acontecer). Outro é económico, essa é a condição que falta para a entrega das escolas públicas à gestão privada.
O caminho foi sendo construído nos anteriores governos: o primeiro concurso nacional fraude (por conta do cargo de professor titular), o fim dos concursos anuais, o início das vigarices conhecidas por contratações de escola, as escolas TEIP e seu estatuto, a par de todas as mudanças que foram fazendo da escola pública de há 12 anos o caos que hoje é.
O caos, esse grande construtor de novas ordens. Estou a delirar? leiam o José Manuel Fernandes.
Quem tem medo de um novo partido?
Quem tem cu tem medo. Quem tem um partido onde está instalado, também. A malta que anda a panicar com o partido do Marinho demonstra a falência do nosso quadro partidário, da esquerda à direita. Pouco inteligentes, não percebem como por cada vez que o atacam o homem lá ganha uns votos, a cereja sobre o bolo que lhe faltava é obviamente a da vitimização, ainda por cima justificada.
A criação de uma página falsa no facebook é o pratinho do dia. Numa segunda leitura qualquer um percebe que não passa de provocação, mas muitos não foram qualquer um. A continuar assim, e resista a desbocar-se àMmarinho, vai aos 20% com uma perna às costas.
A casta que domina os partidos (todos, embora aqui não os misture, há diferenças) ou que neles milita, ou muito simplesmente por politizado que se sente não esteja a cheirar o país em que vive, teme a concorrência. Infelizmente por um Pablo Iglésias tenho um António Marinho Pinto. Fosse o contrário, e obviamente teria muito mais que o meu voto.
7 de Outubro: milhares de alunos sem centenas de aulas
Num mundo governado por gente que gosta tanto de exibir números, é bom que o leitor repare bem no título: por ser dia 7 de Outubro, estamos na quarta semana de aulas e há milhares de alunos sem aulas. Se juntarmos todas as aulas que não houve até hoje, não deve ser difícil chegar às centenas.
Raquel Abecasis, uma representante da direita idiota (pleonasmo?) chegou a dizer que a culpa é dos sindicatos e dos comunistas, ou seja, dos professores, essa classe poderosíssima que, na realidade, manda no Ministério da Educação. Uma pessoa mais impressionável pode chegar a imaginar que os ministros e os secretários de Estado nem conseguem chegar aos respectivos gabinetes, impedidos por uma horda de perigosos barbudos e barbudas revolucionários que ocuparam o edifício da 5 de Outubro em Abril de 1974 e ainda de lá não saíram. José Manuel Fernandes, sempre na palhaçada (ou não fosse membro da direita idiota), conseguiu declarar que isto dos concursos dos professores é tão difícil que não há computador que aguente e a culpa, já se sabe, é de Mário Nogueira e dos guerrilheiros entricheirados na sala de fotocópias do Ministério.
Entretanto, no dia 7 de Outubro de 2014, há milhares de alunos sem centenas de aulas. Pensai nestes números e, antes de organizardes milícias para combater os comun… os professores, lede. Lede muito. Lede, até, o texto de João Miguel Tavares, um homem de uma certa direita que, por vezes, contraria os pleonasmos. É o primeiro da lista.
Caro Nuno Crato: ainda aí está? – João Miguel Tavares
O que se passa nas escolas? Os casos contados pelos leitores
Eles ainda estão à espera de um dia de escola normal
À quarta semana de aulas há milhares de alunos com furos
Escola em Lisboa encerrada por falta de professores
Professores contratados admitem que “caos nas escolas” se mantenha na próxima semana
Adenda: texto fresquinho do Paulo Guinote – Implosão do Ministério da Educação e Ciência: objectivo atingido
Ébola em Espanha
Falta de formação, caos, improvisação: a denúncia já tinha sido feita há semanas por um dos enfermeiros, no seu blogue.
Um politico zangado

Foto: Lucília Monteiro / Expresso
Marinho e Pinho, eurodeputado a prazo, foi entrevistado por Maria Flor Pedroso. Retrato de um político zangado, a derrapar nas curvas do seu próprio discurso. Cativará os votos do crescente magote de insatisfeitos com os políticos? Eu cá acho difícil mas, depois de meia dúzia de tiros ao lado, prognósticos só no fim do jogo. Vale a pena ouvir.
Escolas sem professores
Este filme de terror prova uma coisa: o quadro de tantas escolas está por preencher. Não é um erro só do Crato, mas dos seus antecessores.
Super Mário regressa…
Após uma bem sucedida carreira futebolística, Mário Jardel começa forte na política. E não está sozinho…
Ativadas? I’ve smelled a rat

© Brian Cliff Olguin for The New York Times (http://nyti.ms/1pGZbGN)
Como aconteceu ao James Bond, no final de Os Diamantes São Eternos, “I’ve smelled a rat”. De facto, quando se lê ‘ativar’ em vez de ‘activar’ ou ‘ativo’ em vez de ‘activo’, num texto aparentemente escrito em português europeu, devemos desconfiar. Sendo verdade que o Mouton Rothschild é um clarete, também não podemos esquecer que ‘ativar’ e respectivas formas flexionadas são características do português do Brasil.
Para que não haja dúvidas, consultemos a Folha de S. Paulo:
Cada conjunto de neurônios de localização só se ativa em um local específico.
Mais de 30 anos depois, em 2005, o casal Moser descobriu outro tipo de neurônios que se ativam no córtex entorrinal quando os animais estavam em uma região, formando um mapa.
Efectivamente: ‘neurônios’ e ‘ativa’ (como “em uma região” ou “em um local”, mas essa é outra conversa) indicam-nos que estamos a ler um texto escrito em português do Brasil.
Por isso, ao contrário daquilo que se lê no Expresso, as células nervosas identificadas por John O’Keefe não são *ativadas. Aliás, basta ler-se o texto de Ana Gerschenfeld, no Público de hoje, para rapidamente se perceber que “certas células se activavam”. Exactamente: activavam.
O Comité Nobel é claro
In 1971, John O´Keefe discovered the first component of this positioning system. He found that a type of nerve cell in an area of the brain called the hippocampus that was always activated when a rat was at a certain place in a room.
Por esse motivo, é incompreensível esta adaptação do Expresso:
John O’Keefe identificou, em 1971, o primeiro componente deste sistema de localização ao perceber que um determinado tipo de células nervosas de um ratinho, localizadas numa região do cérebro – o hipocampo -, eram ativadas quando este estava num determinado local de uma sala.
Dito isto, parabéns a John O’Keefe, May-Britt Moser e Edvard Ingjald Moser.
Hammerfest, 1945
Ecos de um discurso vácuo e a memória de uma eleição extraordinária – a ler.
Regresso ao tempo dos coronéis?
Parece que a extrema-direita brasileira acordou hoje com hipóteses de regressar ao Planalto.
Da salgalhada que é o sistema político brasileiro, onde ainda domina a Globo embora os televangélicos tenham conquistado algum terreno, resulta também a anedota de para os nossos jornalista Aécio ser o candidato socialista e social-democrata, que deve ser a área política de Passos Coelho, Dilma será trabalhadora e eu sou a Josefa de Óbidos.
É um risco que em termos internacionais, em particular para a América latina, pode ser um retrocesso grave. Mas que terá as suas vantagens: quero ver o “neoliberais” saudosos da ditadura a esfrangalharem a economia brasileira, a levarem com o povo nas ruas (povo pobre mesmo pobre, que os outros já lá andaram), e pode ser que a esquerda ganhe juízo. Desde que não acabe em ditadura militar (o que é sempre uma ameaça e vontade não lhes falta), às vezes a social-democracia aprende quando perde. E Dilma tem muito a aprender nas suas cedências aos oligarcas.
Subserviência linguística:
não bastava já o desonesto Acordo Ortográfico, o ingresso da Guiné Equatorial na CPLP e vai agora um filme português com legendas para o Brasil? Por acaso, houve já alguma novela brasileira com legendas em Portugal?
25 de Abril sem chaimites, sempre
José Xavier Ezequiel
Marinho e Pinto, nada à vontade com a utilização pouco católica da célebre barriga de aluguer, que agora o obriga a assumir a paternidade da criança e a ganhar um vergonhoso ordenado no Parlamento Europeu, fundou hoje o seu próprio partido.
Foi em Coimbra. Chamou-lhe Partido Democrático Republicano, uma ideia praticamente genial. Não só é democrático, como é mesmo republicano, o clássico dois-pelo-preço-de-um do Minipreço. Melhor ainda, fez a sua activação (como agora se diz no mundo da publicidade) no dia da República. É muito bem visto. Assim, à primeira vista.
Contudo, em Portugal, onde (excepto o hilariante PPM) todos os partidos são republicanos e, até por razões constitucionais, são também democráticos, chamar a um novo partido — Democrático Republicano — é o mesmo que chamar vinho tinto ao vinho tinto e vinho branco ao vinho branco. Ficamos a saber o mesmo. É um PRD sem general, aquele perfume revolucionário na frase, “Tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, as privatizações também não o serão”, a incessante busca de um novo e verdejante “25 de Abril sem chaimites”.
No mundo empresarial, este expediente seria liminarmente proibido: não se pode registar um cabeleireiro chamado Cabeleireiro, uma tasca chamada Tasca ou um bordel chamado Bordel. Porém, no subportugal partidário, tudo é possível. Para usar a sonora adjectivação do arrependido do MPT, um autêntico “regabofe”.
A verdade é que ainda existe um Partido Popular Monárquico (tudo junto, no mesmo partido) e até um Partido dos Animais e da Natureza. Por isso, já nem consigo ficar espantado por ver o fundador de um novo partido afirmar, no exacto dia da sua fundação — “Queremos pôr termo ao monopólio dos partidos.”
Dia Mundial do Professor
No Dia Mundial do Professor, é importante lembrar que o Ministério da Educação, que teve vários meses, para não dizer anos, para preparar um concurso de professores, conseguiu a proeza de falhar redondamente.
Em consequência disso, houve professores mal colocados. Nuno Crato pediu desculpa e prometeu que ninguém, incluindo professores, seria prejudicado.
Tendo em conta o que sabemos sobre o chefe do governo, seria surpreendente que uma promessa fosse mantida por algum dos seus subordinados. Assim, há centenas de professores que, ao fim de três semanas de aulas, serão obrigados a mudar de escola e/ou de terra, o que, para muitos, acontecerá pela segunda vez este ano lectivo. Para além disso, há milhares de alunos que serão afectados por mais uma mudança.
Hoje, é o Dia Mundial do Professor. Em Portugal, os professores estão a ser maltratados desde 2005.
Neste Dia Mundial do Professor, leia-se a história da professora Céu Bastos que, sendo de Bragança, foi colocada em Constância, para, pouco tempo depois, ser obrigada a ir para o Algarve. Mesmo que esta fosse a única vítima de um erro ministerial, haveria sempre demasiadas vítimas.
Nuno Crato, tal como as suas duas antecessoras, não merece perdão e desejo-lhe um resto de vida muito feliz longe da Educação. No entanto, cada vez mais dou por mim a perguntar-me se uma classe tão agredida e tão passiva terá menos culpas que ministros destes?
É preciso ter lata
Sois vós a falar, Senhor Presidente? “Últimas décadas”, sabendo que ainda não completamos quatro após o 25 de Abril? Isto significa que admirais, senhor, as décadas anteriores a estas ou tentais excluir a década que governastes – mal, para mal de (quase) todos nós – na condição de primeiro ministro, no tempo em que ereis vivo?Tereis vós tido o topete de afirmar:
“os agentes políticos devem assumir, de uma vez por todas, uma cultura de responsabilidade e uma cultura de verdade”, em vez da “prática constante, sobretudo nas últimas décadas, [de] fazerem-se promessas e anunciarem-se medidas irrealistas com vista a conquistar o apoio dos cidadãos e o voto do eleitorado”.
Tendes uma distintíssima lata, concedo-vos. E uma absoluta falta de vergonha na cara.
To a god unknown
Joana Espadinha, do álbum Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting (Sintoma Records, 2013)
Outras opiniões
Coloquei 3 questões ao professor José Manuel Faria, ex-militante do B.E. e actualmente próximo do Livre, blogger que costumo ler no Ruptura Vizela. As respostas são da sua inteira responsabilidade.
-Saiu do Bloco de Esquerda e aproximou-se no Livre de Rui Tavares. Muitas pessoas olham para Rui Tavares como alguém que à semelhança de Marinho e Pinto, usou um partido, neste caso o BE, onde o caro José Manuel militava, como barriga de aluguer, servindo como trampolim para voos mais altos, aparecendo agora como líder partidário. Isso não o incomoda?
-O Rui Tavares foi convidado pelo BE para integrar como independente a lista às europeias na posição 3. Nos lugares cimeiros, o Miguel e a Marisa, bons candidatos e, com forte possibilidade de eleição ( o BE estava em crescendo) eram as previsíveis apostas . A posição do Rui é daquelas que se oferecem a quem pode captar imensos votos (mais/valia) à espera de um “milagre” e foi o que aconteceu. Participou por convite do BE: atitude cívica sem filmes. [Read more…]
O Pedro Manuel:
«a encarnação do “último homem” de Nietzsche (…), um homem pós-histórico (…), homem anónimo (…) sem substância (…), representante perfeito da pequena burguesia planetária que herdou o Mundo» para levar a Humanidade «ao encontro da sua destruição». António Guerreiro, genial como sempre, no Ípsilon/Público de anteontem.
Negócios da China
Numa altura em que ocidente democrático se insurge contra barbaridades variadas perpetradas por russos e árabes (só alguns claro, a Arábia Saudita, por exemplo, continua a ser uma excepção e um exemplo de respeito pelos direitos humanos), Portugal continua de portas escancaradas para o investimento dessa nação plural que é a República Popular da China. E se dúvidas restassem quanto ao grau de abertura e respeito pelos valores ocidentais que supostamente defendemos, a vice-ministra chinesa Xu Lin esclareceu-as por completo na sua recente visita a Portugal para integrar um painel da uma conferência organizada pela Associação Europeia de Estudos Chineses na Universidade do Minho. Foi um belo momento de convivência democrática.
Liberdade e Capitalismo…
Nos tempos do maior criminoso da História da humanidade, capaz de suplantar em número de troféus vítimas, carniceiros como Joseph Stalin ou Adolf Hitler juntos, nasceu em Hangzhou, China, quando a revolução cultural estava no auge sob a liderança do pérfido Mao Tsé-Tung, um rapaz pobre, que actualmente conhecemos por Jack Ma.
A visita de Nixon à sua cidade natal levou hordas de turistas, atraídos pela rara beleza natural do lugar, com os quais o pequeno Jack (alcunha que um turista incapaz de pronunciar o seu nome, lhe atribuiu e que haveria de acompanhar Ma Yun até ao presente) conviveu, levando-o a aprender inglês o que mudaria a sua vida para sempre.
Vítima da política isolacionista, algo comum às ditaduras, não importa a ideologia, é manter o povo na ignorância, Jack Ma influenciado pela cultura ocidental, começou por fundar algo parecido com as páginas amarelas, com o apoio de colegas da faculdade, à qual apenas conseguiu entrar à 3ª tentativa, não é filho de dirigentes do Partido ou tem origem em famílias ricas tradicionais, fundou algo parecido com a Amazon, ou e-bay. Entrou recentemente na bolsa em Wall Street, com uma cotação inicial próxima do Facebook.
Pesquisem o que entenderem sobre a Alibaba, que não irão encontrar funcionários a trabalhar e dormir em turnos parecidos com submarinos em cenário de guerra, ou algo do género. Ao invés, irão encontrar instalações que nos habituámos a ver em Silicon Valley, com funcionários motivados. Para Jack Ma, os clientes estão em 1º lugar, os funcionários vêm em seguida e depois os accionistas, todos eles de grande importância, pois a falha em qualquer destes 3 vórtices implica o colapso.
A Alibaba também não é capitalizada pelo governo chinês, embora esteja obrigada a respeitar Leis e regulamentos, não muito diferentes de outros países no mundo, basta estar atento ao dossier Wikileaks, para perceber o envolvimento das agências governamentais na Google e outras empresa tecnológicas…
Aos detractores do capitalismo, crentes em economias planificadas, este exemplo mostra como é possível criar valor, melhorando a vida das pessoas, quando existe Liberdade. Empreendedores, pessoas visionárias, nascem em qualquer lugar, uns serão bem sucedidos, outros nem tanto. O que jamais terá sucesso será um burocrata financiado, obrigado a cumprir um qualquer obscuro caderno de encargos, apenas porque algures alguém decidiu que sim.
No fundamental, será isto que nos divide. E dividirá para sempre. Mesmo que algumas inovações estejam destinadas a fracassar, ou que o sucesso imediato de alguns não se confirme, serão sempre a busca do lucro e sucesso os motores do génio e criativiadade humanos…
Cratenstein
Nuno Crato, qual Victor Frankenstein em versão imbecil, não consegue enfrentar o monstro que criou. Mas também não quer. Em vez de ficar horrorizado com o resultado da sua obra, como aconteceu com o original, justifica-a, desculpa-a e, no cúmulo da estupidez, insiste em elogiá-la.
Mas ele que se cuide, não vá a “Criatura” virar-se contra o criador e, como acontece na história de Mary Shelley, atacar-lhe a amada que, no caso de Crato, é a sua posição, o seu cargo, a sua glória efémera junto dos patetas. E, finalmente, exterminar o seu próprio “pai”.












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