Comunicação e realidade

Quanto às conclusões de Vasco Ribeiro, relevo a firmeza com que deixa clara a diferença entre a assessoria de imprensa e o “spin doctoring”, explicando que este vai muito para além da indução noticiosa. O “spin doctor”, escreve, “é o autor político da mensagem e, em consonância com a instituição ou indivíduo que representa, gere com autonomia a conversão da mesma em notícia, através de métodos bem mais complexos e opacos que os da assessoria”.

A relação entre “spin doctors” e jornalistas, prossegue, é uma relação tensa – “oscila entre a conflitualidade e a cumplicidade” -, o que se afigura natural no choque entre quem pratica uma disciplina do marketing que integra “as mais sofisticadas e actualizadas técnicas de manipulação e persuasão” e aqueles que têm por missão informar – lido Aqui, sobre a tese de doutoramento de Vasco Ribeiro (a quem aproveito para enviar os devidos e merecidos parabéns).

Destaco esta frase do autor citado: “se afigura natural no choque entre quem pratica uma disciplina do marketing que integra “as mais sofisticadas e actualizadas técnicas de manipulação e persuasão”. Numa frase todo um resumo do que é o “spin doctoring” e a diferença com assessoria de imprensa. E sim, uma boa empresa de consultoria de comunicação convive com as duas realidades que, embora distintas, vivem numa necessária união de facto. Não perceber isto é não querer ver a realidade. Claro que existe sempre quem prefere meter a cabeça na areia ou fingir-se virgem ofendida…

(está aberta a caixa de pancada….ups….de comentários)

Gambito de governo?

Irving Amen xadrez

O gambito é uma jogada de xadrez tipo isco no anzol: oferecemos um peão ao incauto adversário, ávido e ignorante, em poucas jogadas já lhe comemos peça bem mais suculenta, ou ganhámos uma vantagem posicional que praticamente garante a vitória.

Esta ideia de o governo se demitir perante mais um chumbo das suas malfeitorias golpistas pelo Tribunal Constitucional, apanhando o PS com as calças, ou melhor, a liderança na mão, seria um gambito de mestre.

Indefensável? no jogo come o peão quem desconhece o resto da jogada, mais que estudada e sabida. Em política, há sempre soluções, haja uma esquerda que acorde para a urgência e se saiba unir.

Mas não é provável que essa demissão suceda porque o grande derrotado das europeias foi o PSD, já nem falando do PP a caminho de partido da lambreta. Pese toda a campanha para camuflar a estrondosa derrota (numa lógica imbecil que reduz Portugal a três partidos que agora valem 60%), eles sabem que foi assim. E quanto mais tempo estiverem no pote, ainda lhe vão rapando o fundo.

Imagem: Irving Amen

O Presidente da C.E.

Ângela Merkel estava preocupada. Aquela ideia de incluir na nomeação do presidente da Comissão Europeia a consideração dos resultados eleitorais do Parlamento Europeu nunca lhe agradara. E quando viu os candidatos, pior ainda. Começando no gá-gá luxemburguês até ao vermelho grego, passando por uma ecologista e o seu próprio rival interno, aquilo não augurava nada de bom. E agora, perante os resultados, como fazer? Estava nestas elucubrações quando recebeu como que uma revelação! Na verdade, embora os resultados dos vários candidatos fossem expressivamente diferentes, nenhum tinha tido verdadeira maioria, isto é, face ao parlamento, cada um deles tinha menos votos que todos os outros juntos. Só havia uma solução: legitimar um escolhido por uma bênção do alto e, já que as igrejas ficam muito caras e Ângela não sabia como falar com Deus, como faziam os antigos, só lhe restava ungir o escolhido com uma bênção mágica, como a que Merlin tinha brindado Artur, por exemplo. Então, ocorreu-lhe que o seu próprio nome tinha algo de celestial: Ângela! Quer dizer: Anja (lamento incomodar os eruditos que discutem o sexo dos anjos, mas esta é mesmo feminina). Ela própria podia, pois, outorgar a bênção legitimadora. Escolheu um nome que lhe agradava – nenhum dos candidatos, claro – e lá foi ela para a reunião do Conselho Europeu, rosnando “Eles vão ver, eles vão ver…”.

Olha António,

antonio_costa_

vim aqui várias vezes dizer que eras the man. Bem sei que não era ainda o teu tempo, bem sei (era eu a ver a vida do povo toda esfrangalhada e tu a fingir que não era nada contigo). Hoje ouvi-te a falar da responsabilidade que finalmente decidiste aceitar, no timing das coisas da política, nesse tempo que não é de modo nenhum o do povo, mas pronto, tu e vocês é que sabem, antes agora que nunca. Continuo a pensar que és the man e congratulo-me (como muitos mais) com o teu anúncio: cá te esperávamos, um bocado desanimados e já a preparar-nos para beber Camilo Alves, mas sempre acreditando que podia acontecer. Somos óptimos a esperar, apesar das muitas baixas.

Mas olha António, não penses que esquecemos o que foi o PS ao longo destes 40 anos. Não esquecemos, e por isso a responsabilidade a que agora te abalanças não é apenas a de formar «um governo forte» (palavras tuas), um governo que defenda os interesses do País (que deverão sempre ser, ao menos em grande parte, os do povo desse país, não achas António?), no país como na Europa, defendendo ao mesmo tempo uma ideia de uma outra Europa, que esta comprovadamente não serve António, e tu sabe-lo bem.

Que possas efectivamente ser the man, é o que nos desejo: alguém que pensa pela própria cabeça, capaz de dignificar a política, recuperando-a para a Democracia.

de pequenino

de pequenino

imbecilidades do jornalismo português

confesso que já assisti a estágios de preparação da selecção para competições internacionais mais animados que este. antigamente, sempre que a selecção ia jogar uma grande competição internacional, algo de maravilhosamente extraordinário acontecia nos estágios de preparação. na primeira fase de estágio que a selecção nacional está a realizar em óbidos, os jornalistas presentes são piores que os putos nos dias de viagem para o destino de férias da família. pelo meio de conferências de imprensa que não lembram nem ao diabo, acabam por preencher os espaços informativos a que tem direito com a frase da praxe dos garotos para os pais nesses precisos dias: “já chegamos? falta muito para chegarmos?” ou como quem diz “amanhã chega finalmente Cristiano Ronaldo” – imagino portanto que os mais precavidos já terão comprado um calendário para riscar os dias que faltam para chegar o savior desta desgraça lusitana em terras brasileiras, limitando-se a poupar tempo na lavra do artigo para a edição do dia seguinte: “Rafa treinou condicionado mas não deve ser dúvida para o jogo contra a Grécia. Nani chegou com mazelas físicas mas não há problema para o fisioterapeuta António Gaspar… Ronaldo chega dentro de 2 dias” – risca-se a parte “dentro de 2 dias” e acrescenta-se “amanhã…” e está feito – editor que é editor papa isto do mesmo jornalista durante anos. [Read more…]

1, 2, alto e troca o passo.

Tanto secretismo. Tanto mistério. Seguro e Costa já dançam(ram) a coladinha ou preferiram dançar a lambada?

Há dois fantoches com o nome “Passos Coelho”

O segundo está à venda em leilão.

Coisas que se encontram no facebook…

seguro

Tambores em Junho

Está a chegar Junho e eu adoro Junho, aliás nunca conheci alguém que não goste de Junho, é provável que seja humanamente impossível não gostar de Junho, e um dia haverá uma teoria alicerçada em feromonas, partículas gama ou epistemologia genética, que explicará essa impossibilidade, mas até lá fico-me com as minhas muito particulares razões para adorar Junho e que incluem, embora não se fiquem por aí, as Fontainhas.

Para alguns será necessário contar que as Fontainhas não são mais do que um bairro do Porto, um pequeno bairro castigado, voltado para o rio, casas antigas, algumas em ruínas, e uma gente castiça, que não troca os bês pelos vês, porque os vês, a bem dizer, nem existem. É certo que, entre Julho e Maio, as Fontainhas entristecem-me. Mas há um mês, e qual mais poderia ser?, em que as Fontainhas se transformam no bairro mais festivo da cidade, engalanado para a noite de S. João. E não há Junho em que eu não regresse às Fontainhas.

Ora, quando eu era catraia, as Fontainhas eram a Disneylândia dos pobres, um caótico miniparque de diversões com barracas de farturas, carrosséis desengonçados, carrinhos de choque já muito esmurrados, colunas roufenhas a debitar música que ainda não sabia que era pimba, algodão doce a colar-se ao queixo, às mãos, ao cabelo, ao vestido, à camisa do meu pai, à blusa de alças da minha prima, íamos ficando pegados uns aos outros, num trem humano de açúcar e corantes, até a minha mãe nos salvar a todos com um lenço de pano, ainda nem havia dos outros, humedecido no chafariz.

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Santos em casa

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Santos Silva está nas suas sete quintas. Conspirar, aconselhar, encenar, trafulhar, são algumas das suas especialidades. Mal não é sabida a “disponibilidade para tudo”(?) de António Costa, ei-lo, excitado, a teorizar, naquele seu tom de maoista (mal) reciclado, sobre os cenários que se apresentam à candidatura do autarca à liderança do PS.

Esteve ao nível.

Depois de despachar a hipótese – que António Costa ainda considera a título cosmético – de conversar com o PCP (isso nunca, eles não se querem comprometer, eles querem sair do euro, da UE, da própria Europa – até parece que o homem leu a Jangada de Pedra – e outras aldrabices habituais no catálogo destas ocasiões), SS – ops! – Santos Silva discorreu demoradamente sobre como se ganhavam as gentes do PSD e CDS – órfãos, segundo ele, de liderança – e pessoas dispersas por “esses partidos sem importância, como o partido dos animais (?) e outros”. [Read more…]

Sons do Aventar – Ólafur Arnalds e Rodrigo Leão

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Ontem regressei à Casa da Música. O motivo: Ólafur Arnalds era o convidado de Rodrigo Leão.

Já tive a felicidade de assistir a vários concertos de Rodrigo Leão, um dos nossos maiores génios musicais, este seria mais um. Não, não era. A verdadeira razão da minha ida era outra. Ólafur Arnalds é uma espécie de Rodrigo Leão da Islândia (perdoem-me a comparação mas facilita a explicação). Com apenas 28 anos, este magnífico compositor, produtor musical e multi-instrumentista é senhor de algumas das mais fascinantes musicas dos últimos anos. Ver e ouvir, e logo na Casa da Música, estes dois génios era simplesmente imperdível.

E foi uma noite de magia. Ólafur misturou simplicidade com tranquilidade. Os primeiros minutos do concerto na Casa da Música explicam-se em poucas palavras: um absoluto e incrível silêncio da plateia. Um silêncio de respeito e admiração de muitos dos presentes e desconfio que uma parte significativa da audiência nem conhecia este islandês que começou a sua carreira como baterista “metaleiro”. Claro que sou suspeito: existe em Ólafur um misto de Sigur Rós (igualmente islandeses) com Yann Tiersen e Rodrigo Leão, tudo autores que sigo religiosamente. Mais tarde entrou Rodrigo Leão (na sala notou-se perfeitamente que a maioria vinha para o ouvir) e as primeiras músicas de Rodrigo Leão mostraram que continua absolutamente genial percebendo-se perfeitamente o porquê do seu êxito dentro e fora de portas. Ólafur regressou para um final conjunto que me deixou a querer mais. Por mim bem que podíamos ter ficado noite fora e só acabar com o nascer do sol que é das coisas mais bonitas de ver na cidade do Porto.

Agora é aguardar pelo seu regresso a Portugal. Se possível, novamente na Casa da Música.

Pensamento político

António Costa: “Portugal precisa de um governo forte”. Forte? Forte! Só forte? Forte só. Forte forte forte…

Leitura das eleições

eleições

Até a águia Vitória já teve propostas

Exactamente. A Vitória. Gloriosos! Lamento imenso. Para o ano há mais.

Um Marinho incomoda muito mais

Isto da análise política feita por militantes partidários, tem coisas engraçadas.
Muito se fala em cidadania, da participação de cidadãos na política livres de militâncias e coisa e tal.
Mas, do rescaldo das eleições europeias, conclui-se com facilidade: se um cidadão incomoda muita gente, um Marinho incomoda muito mais…

provocação barata de um sportinguista

Vieira afirma que ainda falta construir um lar para os antigos jogadores do Benfica – interrogo-me se o Estádio da Luz já não o foi para tantas centenas que por lá passaram em vida activa…

Qual é a pressa?

É nos jogos palacianos que claramente se demonstra que primeiro está o partido, ilustrando igualmente como é que  alguém chega a primeiro-ministro. Democracia? Está bem, está.

mentiras que passam por verdades

“o canal do Benfica tem 30 milhões de receitas” – Luis Filipe Vieira à RTP.

40 anos

Há 40 anos foi criado o salário mínimo nacional. 3300 escudos. ao almoço, o meu excelso avô José Ferreira Rodrigues, marxista dos 7 costados diz-me: 40 anos passaram e a esmola nem para a bucha continua a dar. verdades universais.

Polícia para o trânsito para patos atravessarem

Assim seria o título desta notícia, se o Acordo Ortográfico de 1990 fosse de facto adoptado. Contudo, como não é adoptado, temos “Polícia pára o trânsito para patos atravessarem”. Sim, é a tal “apreensão da lógica e da substância“. Efectivamente.

Depois de descobrir as diferenças entre A e B, responda sff à seguinte pergunta: o Acordo Ortográfico de 1990 serve exactamente para quê?

pato

 

1, 2, 3 repita lá outra vez

4,5,6 são só mé duzia de réis. O BES, o banco de todos os regimes, o antigo banco do teso do Salgado, uma das bocas que pediu o resgate a Bretton Woods, uma das bocas que evitou a todo o custo mamar da teta da recapitalização (não interessava muito ter o estado como accionista e ter que comprar dívida portuguesa assim que o país pudesse ir aos mercados) nem que para isso tivesse que ir várias vezes aos mercados financiar-se a curto prazo com juros de 14% (sim, 14%), o tal banco que tinha um dos seus administradores interessadíssimo em saber (dos freelancers entalados na governação) certas informações sobre a possível privatização da HPP (ramo da CGD no sector da saúde), está falido? Is Broken?

Não pagamos, dizem eles

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Na Suiça há €24 mil milhões não declarados, fugidos de Portugal. Nós pagamos.

de seguro morreu o velho

o partido socialista cumpriu hoje a sua tradição histórica\catarse enquanto titular do papel de maior partido da oposição. enquanto oposição, os líderes socialistas portugueses têm o estranho hábito de largar o primeiro boneco que têm à mão nos primeiros 3 anos de legislatura, deixá-lo afundar com o partido e intervir a 1 ano das legislativas, lançando aquele que realmente será o próximo primeiro-ministro. bailado protagonizado entre Costa e Seguro nas vésperas do último congresso socialista e a paz podre mantida no mesmo, culminada na histórica votação albanesa que acalmou e aclamou o inseguro (e in-sonso) tozé, conhece agora o seu verdadeiro significado.

Costa precisava de tempo. tempo para vencer a Câmara Municipal de Lisboa. tempo para fortalecer a sua posição num dos maiores cadernos eleitorais do país. Costa sabia a milhas que a re-eleição na CML estava garantida. contudo, Costa queria certificar-se do número exacto de votos que conseguiria alcançar em Lisboa. Costa tratou de negociar com Seguro: “Tozé, sabes perfeitamente que mexendo os meus peões mando-te abaixo num instante. Sei bem que és o líder da máquina e que dominas uma parte significante das concelhias, mas, politicamente, não tens carisma, não sabes ler nas entrelinhas e tão pouco percebes de timings de actuação política. Ficas à condição até às europeias” – assertivo é afirmar que a pressa era afinal de contas muita. assim como a pressão. [Read more…]

O dia em que Seguro passou ao lado…

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Os resultados de domingo já o anteviam. O anúncio de hoje de António Costa serve como certeza. Aconteça o que acontecer no PS, António José Seguro já não será o próximo Primeiro-ministro de Portugal.

Mesmo que o aparelho segure o Seguro, aos olhos do eleitorado este deixou de ser confiável. Se nem segura o próprio partido, como raio consegue Seguro segurar o país em mares tão revoltos como estes?

 

(foto do Público)

 

O PS dá à costa

Ponte 25 Abril - bóia de salvação

Depois do naufrágio, o fundador do PS deve ter puxado orelhas mais em privado que em público, e António Costa vai empurrar António José Seguro borda fora, ou é suposto.

Não tenho expectativas de que isso vá mudar grande coisa no PS, excepto o óbvio: António Costa pode vencer eleições, Seguro no máximo seria ministro de Passos Coelho.

Há diferenças? há, principalmente porque no Domingo, muito embora ande toda a comunicação social a fingir que não viu, pela primeira vez  (ou quase, esqueçamos o PRD) o dito arco da governação soltou-se nos 60%. Não foi a hecatombe do estado espanhol, mas o tripartidarismo agoniza, há que enterrá-lo.

Um PSeguro sem maioria (admitindo que ficasse em primeiro) estacionaria o Clio do Assis na direita. Um Costa, não sei. Sei que no estado a que chegámos a urgência é afogar um governo criminoso. E que para isso há que reforçar a esquerda, e que estas eleições também demonstraram que assim não vamos lá, mas já faltou mais (é somar os votos dos partidos à esquerda). Infelizmente também sei que as capelinhas se colocam acima do interesse geral. É pena. Essa sim, era a bóia de salvação.

Imagem encontrada num sonho.

Foi há 20 anos, recordam-se?…

Nas eleições legislativas de 1991, o PSD obteve mais de 50% dos votos, contra 29% do PS, que lhe permitiram governar confortavelmente até 1995. Nas europeias de 1994, sentia-se no ar o fim do cavaquismo, o PS liderado por António Guterres que sucedera a Vítor Constâncio, capitalizava a esperança dos descontentes, não faltando então quem lhe exigisse uma vitória clara, capaz de catapultar o partido para a vitória nas legislativas em 1995. O PS elegeu então 10 deputados, conquistando 34,87% dos votos, contra os 9 deputados eleitos pelo PSD com 34,39%. Convém relembrar que na altura Portugal elegia 25 eurodeputados, os restantes 6 ficaram equitativamente distribuídos entre CDS/PP e PCP/PEV, o primeiro acima dos 12%, o PCP acima dos 11%.Vitória de Pirro, o PSD seria capaz de dar a volta à situação recorrendo a políticas mais ou menos eleitoralistas, etc… À época também se exigiu a demissão de Guterres, com ele o PS não ía lá. Acabou a vencer de forma clara em 1995 e quase conseguia uma maioria em 1999. Depois veio o pântano numa noite de hecatombe autárquica, mas isso é outra história e todos os ciclos políticos têm o seu final. Ao contrário de alguns autores aqui do blogue, eu não apressaria já o enterro político de António José Seguro.

Pum! Pum! abriu a caça ao Marinho

marinho pinto

Era fatal: quando alguém corre por fora e vence, leva. O António Marinho Pinto é, desde que surgiu nas sondagens como elegível, o alvo do tiro ao boneco.

Quem te mandou ter votos, pá? que ideia horrível, essa de ter alugado um partido pequeno e conseguido furar o sistema partidário, tão cioso da exclusividade das suas lideranças centralizadas. Que chatice, aparecer um tipo com um discurso rebelde, denunciador da corrupção instituída, da partidocracia dominante, que guarda para si não só o poder como o direito a ser sua oposição.

Como centenas de conterrâneos, conheço o Marinho da Anop há uns bons 30 anos. Desde as noitadas na Clep a uma experiência profissional que dificilmente poderia ter corrido pior para ambos. Posso enumerar os defeitos, alguns gritantes, começando num narcisismo antológico, mas também lhe conheço as qualidades, humanas e cívicas. Tem de tudo, como todos nós. [Read more…]

Jesus no Milan…

o maior insulto que um italiano de Firenze, Roma, Napoli ou Modena pode chamar a um milanês é precisamente chamar-lhe milanês. Vai ser um fartote e tanto para a rosa Gazzetta!

Abril de novo, mas não com este povo?

Há uns anos que digo isto em vez do clássico ‘abril de novo, com a força do povo’. Não que não ache que o povo não tenha força. Tem. E é até bastante. Que o digam os quase 66% de abstencionistas que ontem determinaram, com a sua força, os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Acho é que este povo não quer um novo abril. O que é que o povo quer? Se eu fosse os Homens da Luta diria que ‘o povo quer dinheiro para comprar um carro novo, pá’*. Mas, na verdade, não me parece que se possa resumir a coisa a uma questão tão simples. Na verdade, não faço a mínima ideia do que o povo quer. Mas faço, acho que hoje fazemos todos, uma ideia, por pequena que seja, do que o povo não quer.

E o povo não quer votar. Ponto final.

Parágrafo. Parêntesis, vá. O povo não quer votar nas eleições para o Parlamento Europeu. Podem dizer-me que o povo também não quer votar nas restantes eleições. É verdade. Mas só até certo ponto. Desde há anos que as percentagens de abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu se situam bastante acima da abstenção para as outras eleições e  quase sempre acima dos 60%. Portanto, parece-me evidente que

o povo não quer votar nas eleições para o Parlamento Europeu. [Read more…]