Xutos & Pontapés – Sem Eira Nem Beira
Para onde vão os nossos impostos?
Compilo neste post alguns dados sobre a despesa do Estado.
Administrações Públicas: despesas por tipo , 1995 – 2010. Gráfico 1: 2010; Gráfico 2: evolução temporal
Fonte de Dados: INE–MFAP; Fonte: PORDATA; Última actualização: 2011-04-06
A seguir, uma animação a mostrar a evolução do gráfico 1 no período 1995-2010:
25 de Abril: está velho, precisamos de um novo
Contemporâneos & amigos: Salvem os Ricos!
O Inevitável é Inviável
a menina pianista e a irmã violoncelista deram-nos um 25 de Abril

Para Helena Sá e Costa, a sua irmã violoncelista Madalena, discípula de Pau Casals, e ao povo de Portugal, roubado do 25 de Abril de 2011-04-17
Por felonias dos que nos governam, o nosso Portugal entrou em falência e deve pedir esmola aos países vizinhos, que a negam. Não temos dinheiro nem para comer, festejar o carnaval, oferecer ovos de Páscoa, comprar roupa ou comer como estamos habituados três vezes por dia. Temos apenas o café do pequeno-almoço com pão sem manteiga, um almoço de abstinência, de semana santa e um chá com papo-seco à noite.
Filipe Santos, este rapaz tem talento…
e foi o vencedor de um concurso de televisão chamado precisamente Portugal tem Talento. Faz beatbox e parece mesmo uma máquina de ritmos.
Também gostei desta rapaziada chamada Momentum Crew. Dançar ao som da poesia de José Régio é obra. [Read more…]
Recado do 25 de Abril a Mário Soares
Seja bem-vindo quem vier por bem
Zeca Afonso
Com esta entrevista, Soares, no habitual uso e abuso do papel de paternalista supremo da democracia portuguesa, critica Blair, o famoso “socialista” do New Labor, curiosamente grande inspirador das políticas de Guterres e, a seguir, de Sócrates – recordo-me de Francisco de Assis, no anos 1990, elogiar o Tony pela sábia refundação trabalhista, através da 3.ª via (É dele e da conservadora Thatcher, antes, que emergiu a moda das PPP).
Leio também que o presidente honorário da ‘comissão de anciãos’ da política portuguesa dispara, forte e feio, contras políticas neoliberais, incriminando Merkel e Sarkozy. Teria razão, se não estivesse desacreditado pelo apoio a Sócrates. Usando o mesmo sentido e o tom, com que acaba de elogiar Pedro Passos Coelho. Justamente um político confesso do neoliberalismo que Soares diz condenar – do dizer ao condenar, vai alguma distância. Talvez pela influência da visita (secreta?) de Soares a Coelho um dia destes, este último se tenha apressado a criar a ilusão de ser defensor do sistema público de saúde, em mensagem de Páscoa, em vídeo, no ‘Facebook’.
Há ainda um considerável número de portugueses com dificuldades em acreditar nestes jogos de cintura e contorcionismos dos políticos do bloco central; o tal bloco que, pela terceira vez em cerca de 30 anos, traz até nós a ajuda externa (agora, FMI-CE-BCE), com a uma esperada e pesada carga de sacrifícios.
Dr. Mário Soares, estamos a poucas horas de comemorar o 36.º aniversário do 25 de Abril e permita-me sugerir que tome em conta o seguinte: “Seja bem-vindo quem vier por bem”, como dizia o Zeca Afonso. Seria útil que, ao menos uma vez, escutasse e respeitasse a voz do Zeca, isto é, a voz dos cidadãos anónimos que sentem as derivas ao Abril de 1974. Dos que, como eu, aqui em pleno Alentejo gritarão: Viva o 25 de Abril! A despeito do abandono, das carências, do desemprego e das injustiças sociais a que estamos sujeitos. Coisa bem diferente do que se passa nos locais que frequenta.
Um Pilatozinhos de trazer por casa
No programa A torto e a Direito, um dos temas consistiu na clamorosa total falta de ética da maioria dos agentes políticos deste regime na sua fase derradeira. Discutia-se a indecência e baixeza que se foi instalando nos últimos anos, aliás visivelmente despoletada pela starlet Joana Amaral Dias, quando em 2009, decidiu divulgar a recusa a um convite feito pelo PS. De Amaral Dias passou-se para o processo autofágico do PSD, onde pontificam excelsas cavidades cranianas como Capuchos, Mendes e outros liliputianos sacholadores desta leira de misérias.
O convidado de hoje foi Rosado Fernandes – disse que …”não sou monárquico mas já não sou republicano” – e como conhecedor de um passado ainda bastante recente, traçou similitudes entre a actual situação e o período da crise final do reinado de D. Carlos. Para além de referir a estatura política e humana do monarca, discorreu de forma muito perceptível acerca dos ensimesmamentos dos principais Partidos do regime de então. Estranhamente paralelos ao PSD e ao PS, o Partido Regenerador e o Partido Progressista enveredaram por uma espiral de teimosias, ódios pessoaais e destilar de venenos que foram fatais ao sistema constitucional. O homem honesto e que gostava de mandar, era Franco. D. Carlos era o Rei. Sabe-se o que depois sucedeu.
Comparemos as personagens presentes no palco da nossa desgraçada política de 2011 e vejamos a diferença. Se as superestruturas do PSD e do PS fazem jus aos seus antepassados Regeneradores e Progressistas, a verdade é que hoje e por suprema desgraça, já não existe qualquer João Franco à disposição de um país faminto de decisão, lisura e competência. Muito menos ainda existirá na chefia do Estado, alguém que mesmo através da imaginação de uma realidade paralela, seja sequer um mísero sucedâneo de Carlos I de Bragança. Até um escrupuloso neutral como D. Luís I, faria melhor e seria mais respeitado que qualquer oculto chefe de dissidências partidárias e em funções pretensamente salomónicas. Em fim de Páscoa, sabemos quem é o nosso Pilatos, também este, um subalterno governador regional de um certo Império na forja.
A coisa aqui está preta
Muita careta para engolir a transação
que a gente está engolindo cada sapo no caminho
No fundo, eu sou um sentimental
Todos nós herdámos do sangue lusitano uma boa dose de lirismo
além da sífilis, claro
A ajuda internacional
O internacionalismo monetário chegou, ganhou:
O FMI teve lucros em quatro dos últimos seis anos fiscais – entre 2005 e 2010 – e já reviu em alta de 63 por cento as previsões de resultados operacionais para este ano, graças aos empréstimos aos países europeus em dificuldades. Expresso
e os banqueiros vão à sopa dos pobres:
O Governo prepara-se para formalizar a constituição de um fundo de contingência para garantir a capitalização dos bancos portugueses. O objectivo, apurou o Negócios, é criar garantias que assegurem o sucesso nos testes de stress europeus, cujos resultados serão conhecidos em Junho. Jornal de Negócios
A esta última notícia roubo (também tenho direito a roubar qualquer coisinha) um comentário assinado Olisipone. Com algumas reservas, mas merece:
QUAL BANCA PRIVADA??? Para começar, se eles não têm dinheiro para respeitar os critérios de Basileia III, isso significa logo à partida que não têm nem 8% de capital!!! Depois, se como disse aqui há tempo o Min. das Finanças, com o novo imposto sobre os Passivos da Banca o Estado contava ter uma receita de 170 milhões, aplicando uma taxa de 0,00015%, isso significa que os Passivos são de 113,3 mil milhões!!! E em terceiro lugar, a Banca portuguesa tinha no mês passado 39 mil milhões emprestados pelo BCE!!! Ou seja, são apenas agiotas que cobram juros emprestando dinheiro que não é deles.
E quanto ao título desta notícia, “Estado-accionista de Bancos privados”, é um total absurdo que sequer se pense em tal solução. Eles devem é ser todos nacionalizados, até porque mais de 10% da Dívida Pública está nas mãos dos Bancos portugueses, que cobram ao Estado 5 a 9% de juros sobre o dinheiro que o BCE lhes emprestou a 1%!!!
A nacionalização permitiria logo anular esta fatia da Dívida. E ainda lhes vão emprestar mais dinheiro??? Ou comprar-lhes acções emitidas na hora e que não valem um tostão furado???
Diogo Leite Campos a mamar do estado
O ex-professor catedrático da Universidade de Coimbra vai auferir uma pensão de 3240,93 euros, valor que soma à reforma que já recebe do Banco de Portugal, de onde se aposentou como administrador em Fevereiro de 2000. O fiscalista exerceu aquele cargo entre os anos de 1994 e 2000. CM
Mesmo reformado Leite Campos é sócio da Leite de Campos, Soutelinho & Associados – Sociedade de Advogados, RL, que em 2010 facturou à conta do estado pelo menos 17000€ em pareceres. Recentemente abandonou a PLMJ: “Quase a atingir os 65 anos, Diogo Leite de Campos tem que reformar-se e deixar de prestar serviços para a sociedade”, explicava o DE.
Dicionário do futebolês – remate denunciado
João Pinto, antigo defesa direito do Futebol Clube do Porto, considerou que “Prognósticos só no fim do jogo” é a sua melhor tirada. A verdade é que esta frase, ainda que involuntariamente, constitui uma lição que deveria ser aproveitada pelos comentadores de futebol.
De uma maneira geral, o comentador de futebol gosta de se apresentar como um adivinho, sendo vulgar ouvi-lo antever os actos dos futebolistas ou as decisões dos treinadores. É por isso que podemos ouvir frases como “O jogador vai rematar eeeee… passou a bola ao colega.” Sendo certo que o futebol resulta de treino constante, não se confunde com o xadrez, porque o tempo para pensar é muito menor. Logo, querer saber aquilo que um futebolista vai fazer, quando o próprio não sabe, até pode passar por falta de respeito.
O comentador, na realidade, deveria emitir juízos sobre o que se passou e não sobre o que ainda não aconteceu. No entanto, mesmo quando fala do passado, não consegue deixar de tornar implícito que já sabia que o acontecido tinha de acontecer.
A expressão hoje dicionarizada é muito usada para explicar por que razão uma grande penalidade foi defendida. Vários guarda-redes já explicaram de que modo conseguem fazê-lo, sendo unânimes na afirmação de que a pressão está toda sobre quem marca. Na maior parte dos casos, o homem da baliza escolhe um lado e lança-se o mais tarde possível. Quando a bola vai ao seu encontro, a remate foi denunciado; se, por acaso, a bola e o guarda-redes se desencontrarem, o avançado passa a ter mérito absoluto. [Read more…]
o 5 de outubro aconteceu no 25 de abril…ou não

A Liberdade guiando ao Povo, de Eugène Delacroix, 1833.
A data do 25 de Abril de 1974, é o dia histórico de Portugal, ou assim parecia ser. Tínhamos a esperança de ter ganho a liberdade das diversas ditaduras que governaram o nosso País, ao longo de mil anos de escravidão de reis, conservadorismo, domínio de Espanha sopre a primeira Monarquia europeia a segui a dos Capeto, que acabaram guilhotinados em 1789, na revolução francesa. O nosso País nunca matara um monarca, mas sim se rebelaram contra eles ao longo de quase quatrocentos anos de domínio dos reis da Espanha que fizeram de Portugal mãos uma colónia Ibérica, recuperando, pensávamos, a liberdade em 1640, Aconteceu no dia 1 de Dezembro de 1640, a revolta que deu origem à Restauração da Independência, lutando contra a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal por parte da Dinastia Filipina de Espanha, e que vem a culminar com a instauração da Dinastia Portuguesa da casa de Bragança.
O mistério das 3 PPP
Hoje, mesmo a meio de um fim de semana invulgarmente longo, soube-se que o balanço das contas do engenheiro que mais fez pelo défice voltou a agravar-se. O INE fez saber que as contas públicas têm agora um défice de 9.1% do PIB.
A justificação é enrolada mas tem um aspecto curioso. Diz o INE que dos contratos analisados, “três deles (dois dos quais correspondendo a contratos renegociados de ex-SCUT) não têm a natureza de contratos PPP em que o investimento realizado é registado no activo do parceiro privado.”
Duas ex-SCUT? Quais? E qual é o terceiro contrato? Procurei no INE e na comunicação social mas não encontrei resposta. Devo ser eu que sou picuínhas.
A intolerância pica o ponto
Ainda a propósito de uma tarde de tolerância de ponto, referi o patrão dos patrões, António Simões, um homem que veio do grupo Mello esse grande beneficiário das parcerias público-privadas em particular na área da saúde. À porta do FMI não teve pejo em fazer queixinha, que não podia ser, era uma vergonha, devia estar tudo a trabalhar, etc. etc.
Apesar das críticas públicas à iniciativa do Governo, enquanto empresário António Saraiva foi ainda mais longe ao dar tolerância de ponto aos seus funcionários que ontem não trabalharam durante todo o dia. Confrontado pelo PÚBLICO, o patrão dos patrões acabou por confirmar que tinha dispensado todos os seus funcionários. “Dei tolerância de ponto, porque acabo por ter ganhos em termos energéticos e de transportes. Se não fosse assim, não teria dado”, justificou, para acrescentar: “A actividade privada fará de acordo com a avaliação empresarial; a actividade pública tem responsabilidades”.
São estes os nossos gestores de topo. É esta a coerência dos que vivem encostados ao estado, dele e dos seus funcionários tudo exigindo. Em troca, em média um terço das empresas portuguesas declara ter tido prejuízo, e dois terços não pagam IRC. É por causa desta gente que estamos como estamos. O resto são mentiras.
O que se passa com Soares?
Mário Soares, inegável raposa velha, não dando ponto sem nó, lançou no panorama político estas pérolas, numa entrevista ao jornal i:
Se é possível atribuir culpas, de quem foi a culpa de termos chegado aqui, à necessidade de pedir um empréstimo ao FMI outra vez?
Para responder com isenção a essa pergunta, dir-lhe-ei que as culpas são repartidas. Não interessa nada agora afirmar que as culpas são de uns ou de outros. (…)
Porque é que Sócrates e Passos Coelho não se entendem?
(…) Custa-me a compreender isso. (…) É verdade, acho que [Passos Coelho] é uma pessoa com quem se pode falar e acho que é necessário falar com ele e, se possível, chegar a acordo (…).
A ideia de pedir um compromisso aos partidos foi sua?
Não, a ideia foi de várias pessoas. Reuniram-se espontaneamente porque estavam ansiosas quanto ao que podia acontecer. Naquele dia, de quarta para quinta-feira, em que chegou a temer-se que houvesse uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro, as pessoas começaram a ficar aflitas, os banqueiros em primeiro lugar, mas não só, as pessoas mais variadas, de todas as condições e de todos os partidos. Houve então uma meia dúzia de pessoas que se puseram de acordo para fazer um apelo aos responsáveis dos partidos, para se entenderem entre si, sem se injuriarem nem atribuir reciprocamente as culpas. (…)
Passos Coelho tem dupla personalidade
De acordo com o DN, Mário Soares terá afirmado ao i que Passos Coelho é “bem-intensionado”. No i podemos ler que, afinal, Passos Coelho é “bem-intencionado”. São discordâncias como estas que deixam o leitor confuso, sobretudo se for um leitor que acredita que os jornalistas devem saber português.
Entretanto, Mário Soares lá vai amassando o barro do centrão (no DN, escreve-se sentrão). Numa coisa, concordam os diários: Passos Coelho é alguém com quem se pode falar. Resta saber se é alguém que saiba ouvir.
Estado da Educação: um balanço
No Público de ontem, é possível ler-se um balanço sobre a Educação. Há contributos de gente de todos os partidos representados na Assembleia, para além de declarações de Ana Maria Bettencourt, Mário Nogueira e Paulo Guinote, entre outros.
Ainda não li tudo, mas deixo aqui alguns comentários àquilo que o deputado Bravo Nico, do PS, considera terem sido as grandes mudanças:
A maior requalificação de sempre no parque escolar, materializada através da construção de centenas de Centros Escolares (que substituíram a rede atomizada e inorgânica das antigas escolas primárias) e da completa requalificação do universo de Escolas Secundárias.
O outro lado da questão é o acentuar da desertificação do interior, para além da escuridão que são os negócios da Parque Escolar.
Também de relevar o significativo investimento na infra-estrutura tecnológica nas escolas e nos equipamentos de aprendizagem (caso do Magalhães);
Temos, aqui, o habitual exercício de provincianismo que confunde manobras de relações públicas (distribuição acéfala de tecnologia) com melhorias educativas. Qual será o destino dos Magalhães?
A aposta no ensino profissional, ao nível do ensino secundário, aproximando Portugal dos índices da OCDE;
Seria importante analisar seriamente de que modo o ensino profissional se transforma, por vezes, numa manobra de criar sucesso artificialmente.
O alargamento da escolaridade obrigatória para os 12 anos e a universalização do pré-escolar para as crianças de 5 anos;
O alargamento da escolaridade obrigatória constitui mais uma manobra de propaganda. Será posta no terreno à custa de muita cosmética estatística. [Read more…]
comida de lixo

A indignidade causada ao povo, pelos depositários da nossa Soberania.
COMIDA DE LIXO
É um caixote de lixo. É o prato desses que nada têm para comer. É o sítio onde todo o povo que não tem dinheiro procura a sua alimentação, pessoas que, ainda que tivessem alimentos, não têm dispensas onde os guardar. É o caixote de lixo. O armário do desamparado. Comida podre que ajuda a manter a vida em solidariedade com os solitários sem trabalho, sem amparo, sem cunha para procurar alternativas de criar bens ou lugares para trabalhar e ganhar a sua vida. Lugares tão divididos entre a população, que ninguém tem oportunidade de uma vaga para laborar. [Read more…]
Pinto da Costa não é do Porto
O Fernando Moreira de Sá, grande portista, rejubila, compreensivelmente, com a vitória – justíssima – do Porto sobre o Benfica, querendo transformar essa mesma vitória numa manifestação de superioridade moral, uma lição a um benfica que, na sua opinião, só pode ser escrito com minúscula inicial.
Não faço parte dos que atribuem as vitórias do Futebol Clube do Porto a jogadas de bastidores, mesmo acreditando que há gente de todas as cores a praticá-las, o que tem como efeito mais ou menos cómico acabarem por não ter o resultado pretendido, por se anularem umas às outras. Entretanto, nos últimos trinta anos, como diz o Fernando – e bem – “São onze contra onze e no fim ganha o Porto.”
Já a superioridade moral e a bofetada de luva branca afiguram-se-me mais invisíveis. É certo que Villas-Boas consegue, na maior parte das vezes, ter um discurso mais elevado do que a maioria dos frequentadores da praça futebolística, mas, tirando isso, a verdade é que, de uma maneira geral, em termos de ética, respeito e desportivismo, o nome dos clubes só pode ser escrito com letra minúscula, sobretudo quando temos ocasião de ouvir Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa.
Kanimambo, João!
Kanimambo significa ‘obrigado’ em Changane, um dos idiomas de Moçambique. Como título da canção que o popularizou, é a palavra de agradecimento eterno ao João Maria Tudela pela relação cordial que mantivemos, a despeito dos encontros espaçados e casuais dos últimos tempos. Repito o meu kanimambo, João:
A última vez que nos encontrámos foi numa estação do Metropolitano, em Lisboa. Como sempre, foste afável. Tínhamos ideias diferentes, mas respeitámo-nos sempre. Com a tolerância de quem tem a elevação de aceitar quem não pensa igual. E ao contrário da injusta e falseada opinião, de ignorantes e perversas cabeças, a diabólica censura do ‘Estado Novo’ também não te poupou; quando, em 1968, te afastou da RTP por ousares cantar ‘Cama 4, Sala 5’, de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Voltaste em 1975.
Como imaginas, ao saber hoje da tua partida, por aqui e aqui, fiquei desolado. Lembrei-me dos nossos encontros no CIF, onde a tua paixão pelo ‘Ténis’ permanecerá para sempre. Como a minha admiração por ti. Kanimambo e até sempre, João.
Os obscenos dinheiros do futebol
Sou um apreciador de futebol em final de processo de desintoxicação. Diversas e substantivas razões levam a alhear-me do dito “desporto-rei”. Cheguei ao ponto de, pela TV do café mais próximo, me dispensar de assistir a um jogo daqueles que há tempos considerava imperdível – por exemplo, um ‘Barcelona-Real Madrid’, dito assim, em respeito pela ordem alfabética.
A violência, sobretudo entre as claques dos ‘dois grandes’, e todo esse espectáculo degradante de confrontos entre uns e outros e a polícia a tirotear, mostrados nos telejornais, constituem motivos de sobra para a minha repulsa.
Todavia, também dão forte contributo notícias como esta, da saída Villas-Boas poder representar a receita de 15 milhões de euros para o FCP; ou então esta, em que é contado que Ronaldo ganhou 71 mil euros diários, em 2010.
Tais casos, e ainda é mais grave, são meras gotas de água de vastíssimos mares. Nos quais também navega a construção do ambientalista Sócrates de 10 estádios de futebol e de outras infra-estruturas que entram – e de que maneira! – na contabilização do défice público, assim como do défice externo total. Os tais défices que trouxeram até nós a troika e tudo o mais que se vai seguir na caminhada, de cada vez mais portugueses, na direcção da pobreza ou mesmo da miséria.
Não é, obviamente, redutível a Portugal o fenómeno da obscenidade dos dinheiros futebolísticos. É impossível ignorar os mais de 4,5 milhões de desempregados em Espanha; ou, em síntese, as percentagens da população em risco pobreza publicadas pela EUROSTAT para 2009 (últimas estatísticas publicadas). Observe-se as elevadas percentagens da Itália e do Reino Unido, destinos eventuais apontados para Villas-Boas.
É o futebol e o mundo, como diria Rodrigo Guedes de Carvalho. Triste, muito triste, acrescento eu.












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