Sair do euro é mesmo uma opção?

Os economistas terão uma resposta técnica. Não sendo o meu caso, limito-me a opinar sobre a minha memória dos anos 80. Nesse tempo, de cada vez que havia uma crise orçamental, desvalorizava-se o escudo e todos ficavam mais pobres de um instante para o outro. A inflação era galopante e os juros concedidos aos depósitos a prazo andavam na casa dos dois dígitos. Pura ilusão, já que esses juros nem cobriam o que a inflação levava. Quem tinha meios para isso, teria as suas contas em moeda estrangeira para fugir a este problema. Os restantes mortais simplesmente viam as suas poupanças desaparecer e, simultaneamente, o mesmo salário numérico não chegava para as mesmas compras.

Hoje, com o euro, tal mecanismo não é possível ao nível de um só país mas também ficamos mais pobres. Pagamos mais impostos e cada vez sobra mais mês no fim do ordenado. Mesmo imaginando que sair do euro não teria outras implicações, se fosse possível termos neste preciso momento o escudo, logo este seria desvalorizado como nas décadas anteriores. O mesmo empobrecimento nos atingiria porque o que é importa é resolver o problema e isso passa por parar o descontrolo da despesa. Não vejo por isso que sair do euro seja uma opção, já que o problema não é a moeda mas o que com ela se faz.

a materializacão da solidariedade

 
Teresa Gentil-homem

para Maria Teresa Gentil-homem, que honra o seu nome…

 Émile Durkheim em 1893, definiu solidariedade como o apoio que uma pessoa dá ao seu grupo social e, também, como esse grupo apoia a pessoa que mora só. Dai, nasceu mais tarde a sua obra O Suicídio, que foi um dos pilares no campo da sociologia. Escrita e publicada em 1897, foi um estudo de caso de um suicídio, publicação única na sua época, foi um exemplo de pesquisa e de como a ciência da vida social deve ser escrita (sempre em monografia). Fez escola: As monografias são, assim, meios de divulgação do conhecimento e da investigação. Entre o seu texto A divisão social do trabalho, em que define solidariedade, e O Suicídio, Durkheim criou o saber da Sociologia. A este sábio, que soube ser solidário com o mundo inteiro, devemos-lhe muito.

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Concordância de Xabregas

Lisboa, Linha da Cintura e Concordância de Xabregas, 2011.

Ex Votos, para recordar, no dia da morte de Zé Leonel

Outra vez a mentira dos feriados

Sendo certo que tolerância de ponto nem é feriado, volta a mentira de sermos o país da Europa com mais feriados.

Não é verdade: temos 12 feriados por ano, a média europeia é de 11,92.

Certo, não conto com as 3 tolerâncias de ponto habituais (Natal, Carnaval e Páscoa). Duvido muito é que sejam um exclusivo nacional.

Quanto ao que Pedro Passos Coelho hoje diz é de uma hipocrisia espantosa: sabe perfeitamente que se chegar ao governo fará o mesmo. Como sabe perfeitamente que o problema da produtividade tem outras causas: empresários analfabetos, por exemplo.

E você, “negociava” com estes gajos?

Zé Leonel, 196?/2011

Zé Leonel, fundador dos Xutos & Pontapés e dos Ex Votos. R.I.P.

*

Nota pessoal: Há alguns dias tive a oportunidade de assistir a um ensaio dos Ex Votos para o concerto de homenagem a Zé Leonel na Malaposta. Nessa altura, dado o seu estado de saúde, não se sabia se o músico poderia participar ou até assistir ao concerto. Felizmente foi possível. Os Ex Votos prepararam o seu primeiro espectáculo acústico de sempre para esta homenagem, numa atitude que chamaram de “à homem”. Ainda bem que o fizeram. Deram a Zé Leonel, estou certo disso, uma das últimas grandes alegrias. À Homem.

O povo é burro

Segundo o último barómetro da TSF, PS e PSD estão em situação de empate técnico e a Esquerda, em conjunto, não chega aos 15%.
Pelos vistos, o povo português está numa de voltar a dar a sua confiança àquele que levou o país praticamente à bancarrota. O pior primeiro-ministro da nossa história vai indo de vitória em vitória até quando lhe apetecer. Ri-se dos portugueses, engana-os todos os dias numa enorme patranha e eles gostam.
Ao mesmo tempo, os Partidos de Esquerda continuam a descer. Para o povo, boas mesmo são as receitas do FMI e as receitas dos últimos 30 anos, que nos levaram ao ponto em que estamos hoje: redução dos salários e das reformas, aumento dos impostos, facilitamento dos despedimentos, cortes na Educação e na Saúde e por aí fora.
Gostam de Sócrates e vão reelegê-lo? Pois bem, então esfreguem-se com ele e depois não se queixem. É bem feito.

Benfica e “benfica”:

Ontem o meu FCPorto deu uma enorme lição ao seu principal e histórico adversário.

Alguns, mais entusiastas, falam em humilhação. Erro. OFCP não humilhou o Benfica, apenas lhe deu uma enorme lição. Não ao Benfica enquanto Instituição, merecedora de todo o respeito, mas a um certo “benfica“: aquele que olha para a superioridade do FCPorto como mera batota. Aquele que não vê, ou não quer ver, três décadas de trabalho, de sangue, suor e lágrimas, de esforço e dedicação, de razão e paixão.

O “benfica” acha que tudo o que o FCPorto ganha é fruto da “fruta e da meia-de-leite” fingindo-se virgem pura nestas matérias, fazendo de conta que só existem processos contra dirigentes do FCPorto e os seus são uns puros. O melhor exemplo de pureza deste “benfica” é aquele senhor, advogado, que o representa num programa televisivo da SICN, todo ele um modelo de educação e moderação, a mesma moderação tida quando se apanhou com poder público e procurou sanear o Prof. Marcelo pelo crime de delito de opinião.

Esse “benfica” não é o Benfica. Este é uma Instituição de respeito e respeitável, o outro é uma espécie de casa de alterne mal frequentada onde se apaga a luz e se incita os “seguranças” a não deixar os adversários festejar com os seus adeptos. O Benfica é um clube que já deu muito ao desporto português, o “benfica” é uma espécie de calamidade que lhe aconteceu, assim como nas famílias existe sempre um parente que nos envergonha. O “benfica” é a vergonha do respeitável Benfica.

Por isso, ontem, o meu Porto humilhou esse “benfica” reduzindo-o à sua insignificância. E não o fez dentro das quatro linhas, não. Nessas apenas existiu futebol. A humilhação concretizou-se pelas palavras moderadas, pelo elogio ao treinador adversário, pelos festejos contidos na casa deste. Pela forma como o meu Porto soube ganhar mesmo olhando para aqueles que, uma vez mais, não souberam perder.

Ontem, no Estádio da Luz, na casa do SLBenfica, o meu Porto foi grande, foi gigantesco e não o escrevo motivado pela vitória mas pela grandeza de como soube ganhar e dar uma valente bofetada de luva branca nessa coisa a que chamo simplesmente e em letra do tamanho dos seus protagonistas, “benfica”.

O resto? O resto é pontapé na bola. São onze contra onze e no fim ganha o Porto. Tão simples como isto.

Este programa teve ajuda à produção de

Esta frase tem-se espalhado pelo final da maioria ou mesmo da totalidade dos programas televisivos portugueses. O que se segue a esta expressão é, invariavelmente, uma série de marcas comerciais, o que me faz pensar que estamos diante de patrocínios, conceito bastante diferente de ajudas, sobretudo se desinteressadas.

Dando de barato essa questão quiçá ética, não consigo perceber, por mais que me esforce, em que língua está esta frase, porque, embora as palavras sejam portuguesas, parece uma daquelas traduções estapafúrdias feitas directamente na internet. Fará sentido, por exemplo, dizer-se algo como “Este pudim de abade de Priscos teve ajuda à confecção da minha mãe” ou “Este trabalho teve ajuda à elaboração dos meus colegas Fulano e Sicrano”? Não será mais propriamente português dizer que “A minha mãe ajudou-me a fazer este pudim.”ou “Fulano e Sicrano ajudaram-me a fazer este trabalho.”?

Mesmo invertendo a ordem e colocando as entidades adjuvantes no fim da proposição, não seria suficiente escrever “A produção deste programa teve a ajuda de…”, por exemplo?

Que alguma mente luminosamente ignorante se tenha lembrado, num programa qualquer, de inventar esta coisa, ainda vá. O que, para mim, permanece um mistério é o de se saber como é que isto se disseminou a ponto de invadir todo e qualquer genérico final. Proponho que se volte a escrever em português nos programas portugueses, pelo menos no final. Será pedir muito?

Uma pesquisa rápida pela Internet levou-me a descobrir que, como era previsível, não estou sozinho nesta perplexidade: vão aqui e participem.

Os jornais desportivos de Lisboa mudaram-se para Madrid

O bode respiratório

Ainda hesitei.

Seguir a via religiosa neste post e usar a metáfora do beijo de Judas, que apontou o responsável por todos os males a troco de 30 dinheiros. Ou optar pela conjugação da metáfora caprina / desportiva, seguindo os ditâmes de Jaime Pacheco.

Optei pelo segundo. Aqui vai: José Sócrates já apontou o responsável pelo estado lamentável em que o país se encontra (depois da crise internacional, dos especulares, agências de rating e da oposição, claro). Senhores e senhoras, o culpado, o judas, o bode respiratório é Teixeira dos Santos. Sim, aquele ministro que um outro ministro fez questão de dizer, de forma clara e acintosa, que não tinha sido convidado para as listas de deputados.

amar e ser feliz

amar e ser feliz

Brevemente deves estar comigo, minha querida neta May Malen. Enquanto não chegas, andam todos a correr porque me amam e querem que seja feliz com a tua visita. Quando Friedrich Engels, companheiro de escrita e de luta de Karl Marx, escreveu A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (1a. Edição: 1884 ; 4a. Edição Revisada: 1892), nunca imaginou o ardente carinho que um pai de família, como eu, pode sentir pela sua neta mais nova, talvez porque não tinha filhos nem netos, e como o elo do texto era a relação entre a propriedade e a família, centrou o seu livro (que pode ser lido em http://classiques.uqac.ca/classiques/Engels_friedrich/Origine_famille/Origine_famille.html) mais na propriedade que devia ser comum para todas as pessoas, como acontecia nas famílias mais antigas da sua época. O autor não fala de emoções ou emotividades, não era necessário, porque partilhar tudo o que se tem ou se possa adquirir dentro do grupo doméstico, é bem emotivo sem dar mais explicações.

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SALÃO DE FESTAS

(e de Baile)

ESTÁDIO DA LUZ


Na tradição de bem receber, oferecemos as melhores condições para as suas comemorações.

Especialidade: festas à media luz com especiais efeitos aquáticos.

Abertos aos Domingos e às 4ªs Feiras

Sondagem dá empate técnico PS/PSD

A TSF divulgou uma sondagem da Marktest onde o bloco central, ou  melhor dizendo o próximo governo,  aparece empatado.

Não querendo dar demasiada importância a sondagens nesta altura do campeonato, fica mesmo assim desvendado o que há de comum entre Pedro Passos Coelho e Jorge Jesus.

O itinerário da troika

Depois de Atenas, Dublin. A seguir Lisboa. Independentemente dos problemas de usura ,  o Sol e os suaves fins de tarde lisboetas são mais aconchegantes do que o ar cinzento de qualquer cidade do norte europeu. Natural, portanto, que os nórdicos da troika prefiram o ambiente amistoso do Sul aos plúmbeos ares nortenhos. Até porque estes problemas sociais, alheios aos interesses financeiros, não os comovem.

O rumo da rota, na lógica de factores climático-sociais, funda-se em outras motivações. Sinteticamente reduzidas pelo libelo países periféricos. Como quem diz suburbanos para, de forma diplomático-hipócrita, não lhe chamar marginais – no sentido puro da definição de marginalidade, i.e., parte do tecido social económica e politicamente  excluído. No fundo, os muitos que a sociedade convencionou discriminar em nome de minoritários interesses, em submissa obediência a normas de ganância de poderosos.

Um a um, os tais países periféricos, na lógica referida, são naturalmente delinquentes e marginais. Constituem o grupo visado pela troika (FMI-CE-BCE), que actua em obediência às ordens dos chefes supremos. Mas, em simultâneo, esses países ocupam os espaços mais aprazíveis para se trabalhar em dias soalheiros. De facto, se o critério fosse a dimensão da dívida, então o itinerário seria, por exemplo, aquele que o quadro seguinte, interpretado a rigor, justificaria:

País da Zona Euro População Dívida em USD (biliões) Dívida em Euros (biliões) Dívida ‘per capita’ €
         
Bélgica 10.500.000 1.354 933 88828,53
Espanha 45.100.000 2.313 1.593 35328,26
França 63.800.000 5.002 3.446 54006,51
Grécia 11.100.000 504,6 348 31314,64
Irlanda 4.200.000 2.312 1.593 379194,18
Portugal 10.600.000 484,7 334 31498,53

Outros países poderíamos acrescentar, mas fiquemos por aqui. Bruxelas e Paris, nesta época, estão longe de oferecer os fins-de-tarde de ‘bocadillos y mirar las golfas’ e, por conseguinte, Madrid poderá ser a próxima anfitriã da troika. Prevalece o valor do Sol e do Sul sobre a dívida e o Norte.

(Ver: dívidas externas de países e demografia da UE)

Já apagaram a luz?

As 20 pessoas mais influentes da história

No De Rerum Natura, encontrei um post de Carlos Fiolhais que resultou de uma busca que o mesmo fez procurando as pessoas que mais influenciaram a história mundial. Do livro “The 100: A Ranking of the Most Influential Persons in History“, de Michael H. Hart, Fiolhais apresenta-nos uma lista reduzida aos primeiros vinte nomes. Naturalmente que estas listas são sempre questionáveis e haverá quem ache que algumas destas pessoas estão a mais neste top ou que outras se encontram ausentes.

Tal como é dito no título, o que aqui se considera é a influência que estas pessoas  exerceram no rumo da história, não deixando de ser curiosa a importância atribuída a líderes e fundadores de religiões ou, no caso de cientistas, inventores ou exploradores, a referência à religião que professavam.

Da justiça, ou falta dela, destes destaques julgará o leitor. Eis as 20 pessoas mais influentes da história: [Read more…]

E os banqueiros, pá?

Continuam as  negociações com o FMI & filiais. Até gente decente se tem prestado ao papel ridículo de participar numa coisa que não existe – o FMI não negoceia: empresta, manda e lucra. Hoje foi a vez do patrão dos patrões aproveitar para se queixar de uma tolerância de ponto, como o ridículo não mata, o homem continua de boa saúde.  Supomos que deve ter aproveitado para pedir por todos os santinhos que não obriguem os seus filiados a pagar impostos (convém lembrar que pelo número de empresas que declaram não terem lucros Portugal não está em crise, é a própria crise).
Não há é notícias de os senhores que mandaram chamar o FMI terem sido recebidos pelos negociadores. Convém lembrar que o FMI foi chamado porque os bancos portugueses se recusaram a emprestar mais dinheiro ao estado que os alimenta, recordar que instrumentos como os certificados de aforro foram destruídos por este governo para não concorrerem com a banca e  já agora que o problema não é a dívida pública mas sim a privada, que estes cavalheiros  foram estimulando ao longo de anos. Eles sim, têm muito que negociar, e aposto que serão ouvidos. O resto tem tanto de farsa como de mentira.

As religiões fazem mal à saúde, mental e não só

Esta fotografia de Andres Serrano representa um crucifixo mergulhado em urina. Piss Christ tem sido vítima da intolerância religiosa, e acaba de ver destruída mais uma impressão em Avignon, às mãos de uma turba de fundamentalistas católicos.

Mais um episódio a juntar, por exemplo, à democrática forma como o governo de Madrid lida com o direito à manifestação dos ateus.

Sempre achei que a fé move a inteligência para partes do corpo que não lhe foram destinadas pela natureza. Problema de quem a tem, à fé, e desde que não mova o seu comportamento no sentido da imposição do seu peculiar modo de ver o mundo aos outros, por mim tolerância absoluta.

Para haver uma piada no episódio acresce que a turba, apoiada pelo episcopado, se queixava de cristianofobia. Aqui me confesso: temo as religiões, sobretudo quando se transformam em turba. Esta gente, que acha natural termos de levar com a sua iconografia por tudo o que é sítio, esquece-se que isso ofende o comum dos mortais, já para não falar do notório mau-gosto. Algumas das obras de arte que mais mexem comigo representam JC na cruz, lamentos, deposições, e outros episódios da mitologia católica, mas logo por azar o que anda por escolas, hospitais, quartéis e outros espaços públicos é por regra cópia de obras vulgaríssimas.

Depois os muçulmanos é que são os únicos maus da fita, os fundamentalistas, etc. etc. Fossem todos ler poesia ao invés dos seus livros “sagrados”, e o mundo estaria muito melhor do que está.

Adenda: este texto, no centenário da Lei de Separação da Igreja do Estado, é dedicado aos milhares de portugueses que ao longo de séculos foram torturados, humilhados e assassinados por motivos religiosos, e a todos os que durante os mesmos séculos foram obrigados a professar e sustentar a religião oficial do estado.

Saúde e Fraternidade para todos, em particular para os comentadores que tanto se esforçaram para confirmar o que escrevi.

Engulam este esperma

Aqui está mais uma matéria a considerar pela troika, vulgarmente conhecida por FMI.

Por cá, habituaram-se a que tudo seja “à  borla”. A  polémica chega agora da maternidade Alfredo da Costa e o telejornal da SIC Notícias, dizia existir um grande mal estar pela decisão de exigir o pagamento pelo fornecimento de esperma a casais inférteis.

O citado artigo chega directamente de clínicas catalãs, especializadas neste tipo de ordenha e “diz-se que” cada unidade, monta até aos 350€, fazendo empalidecer qualquer bandeirada cobrada por outro bem conhecido sector de actividade. Os Estado português paga o produto e aplica-o a quem dele necessite. Um bom negócio para os fornecedores, até porque matéria prima não faltará, levando-nos a questionar o porquê de não existir por cá quem o faça. Resta-nos saber se os sempre excitados catalães ofertam a sementinha, ou se também cobram pelo serviço. Isto leva-nos a várias hipóteses, algumas delas bem passíveis de equívocos ou pelo menos, de umas boas gargalhadas.

Esta é mais uma e… lá se vai o ADN de Afonso Henriques. Já temos os Seats que chegam da Catalunha e agora, esperma pago pelos contribuintes e que  alguns pretendem receber gratuitamente. Com um bocadinho de surrealista lata, ainda poderão vir um dia dizer que o filho é “primo” de Salvador Dali.

Abandono escolar diminuiu: mais cosmética estatística

O secretário de Estado da Educação considerou esta terça-feira que Portugal fez “progressos notáveis” nos últimos anos, destacando a redução do abandono escolar em 2,5 pontos percentuais, no ano passado, para 28,7%, em parte devido às vias profissionais.

Os “progressos notáveis” no âmbito do combate ao abandono escolar só são possíveis graças a um governo constituído por especialistas em maquilhagem estatística, assim nas Finanças como na Educação, perdoai-lhes as ofensas (ou não).

As escolas, na realidade, não podem comunicar os casos de abandono escolar: há, portanto, alunos que estão matriculados, mas que não frequentam as aulas ou têm uma assiduidade baixíssima, mantendo-se no sistema, pelo menos, até ao final do ano, onde entrarão, no máximo, nas estatísticas das reprovações. Pelo meio, os professores ainda são obrigados a simular – é a palavra certa – planos de recuperação para alunos que, de facto, abandonaram a escola.

Aliás, o conceito de abandono escolar até poderia chegar ao ponto de incluir os alunos que vão às aulas e não trabalham ou não querem aprender. São tantos, ainda, os problemas por resolver na Educação em Portugal que a divulgação de estatísticas enganadoras só pode contribuir para agravar as deficiências, porque cria a ilusão de que se está no caminho certo.

A quantidade de vezes que os dois últimos governos já anunciaram números de sucesso na Educação poderia ser sintoma de que ultrapassámos a Finlândia. A comunicação social, como de costume, limita-se a desempenhar o papel de gravador colocado à frente dos responsáveis políticos: não é jornalismo, é publicidade eventualmente gratuita.

Abrantes goes to Nuevas Oportunidás*

É muito giro quando esses que assinam com nome fictício apresentam gráficos muito bonitos mas sem indicarem a fonte dos dados. É que a curva apresentada para Portugal em nada se assemelha a esta

Dívida Pública em percentagem do PIB 1850-2011

Bem, devem andar todos excitados depois de terem aprendido Excel nas Novas Oportunidades.

 

* Spanglês técnico

Governo adopta a política do «Não pagamos»*

Como já aqui referi algumas vezes, é muito fácil baixar o défice, para tal bastando não pagar a quem de direito.

Governo anula défice com gastos em atraso e serviços em ruptura

Governo anula défice com gastos em atraso e serviços em ruptura
20 Abril 2011

Execução orçamental do primeiro trimestre chegava para colocar as contas equilibradas no final do ano. Mas resultados estão a ser obtidos com relatos de restrições de gastos expressivas e vários atrasos de pagamentos. (…)

E no entanto, há esse grande líder que acusou ontem o PSD de “não estar a servir o país” por desvalorizar os fantasiosos fantásticos dados da execução orçamental. Que estraga as negociações para o resgate. Sim, porque como se sabe, tal como a maioria dos portugueses, esses senhores da troika apenas vão ler as notícias enviadas às mijinhas para os jornais, com dados parciais e preparados para jornalista ver a que os jornalistas depois dizem ter tido acesso. Além disso, sabemos perfeitamente que o governo tem sido exemplar na apresentação das contas ao longo dos seus seis anos de governação (se descontarmos os sucessivos orçamentos rectificativos, a sucessão de PECs e as sucessivas correcções aos valores do défice). Uns mal intencionados que só querem o pote, é o que é (excepto os socialistas que só lá querem ficar por amor).

* NÃO PAGAMOS, NÃO PAGAMOS, NÃO PAGAMOS, NÃO PAGAMOS!

jubilação

jubilação
Prof.Doutor Xavier Pina Prata, reconhecido como a figura chave na criação e desenvolvimento, em Portugal, da Terapia Familiar e na Concepção Sistémica da Intervenção Organizacional.
Ainda lembro desse ano de 1982, era o mês de Abril, todos me queriam explicar o que tinha acontecido messe mês, oito anos antes. A ditadura portuguesa tinha sido derrubada. O meu querido amigo Xavier (Pina Prata), que colaborava connosco para podermos ter um Conselho Científico que orientasse ao recentemente fundado ISCTE, em 1979, no edifício que hoje em dia denominamos velho, com uma catrefada de cientistas jovens, ou já doutores ou em vias de o ser, Doutores doutorados éramos apenas três: Mário Murteira, doutorado na Suborne com o comunista italiano Piero Sraffa, fugido da Itália devido à perseguição aos do seu partido, asilou-se em França entendeu que adquiria uma mais-valia aceitando o seu pedido de asilo.
Tinha sido professor de Maria Carrilho, antes de ser socialista e refugiada na Itália pela perseguição aos comunistas portugueses desse tempo, e Maria lutava dentro desse partido para derrubar a ditadura. [Read more…]

A minha guerra colonial

Setembro de 1972. Escola Prática de Infantaria, em Mafra. EPI – Entrada Para o Inferno. Vivia-se um dos períodos mais intensos da guerra colonial. Uma parte do convento abria- se diante de mim numa voragem de tácticas, de fogo real, de crosses para a Ericeira, de slides na foz do rio Lisandro. Granadas, G3, campo de infiltração, progressão nocturna que, no entendimento do capitão que metralhava de perdigotos os cadetes das redondezas, “às vezes demora dias”! E o alferes instrutor, bronco como um bacamarte, a inverter os pronomes nas respostas às questões dos cadetes instruendos em fase de aprendizagem acelerada nas artes da guerra: “Não foda-me, nosso cadete”. “Fique descansado, meu alferes.” O que eu queria era que não me fodessem a mim.

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TBD: actualizar as desculpas

desculpas que já não funcionamComo se sabe, o Parlamento emana sabedoria e exemplos para a vida. Por isso, duas iluminadas deputadas do PS propuseram em 2010 eliminar quatro feriados e programar outros junto ao fim-de-semana. Quando constatei que Ricardo Rodrigues, nessa altura, declarou que essas ideias mereciam o “consenso na bancada” socialista pressenti que nos iriam fanar alguma coisa. Fomos felizmente salvos pela justiça socrática, que é reconhecidamente bem menos assertiva do que a salomónica, e foi dada a benesse de uma tarde de tolerância de ponto para a função pública. Finalmente, recomendo aos leitores do Aventar que se abstenham de seguir as notícias do resto da semana, já que se  prevê uma enorme onda de indignação por parte das deputadas Teresa Venda e Rosário Carneiro, as proponentes desse projecto de resolução sobre os feriados.

 

cartoon primeiro saído aqui

Crónicas dos tempos de crise: o PCP, o BE e a Troika

Uma das recorrentes limitações da política portuguesa é a tentativa de tapar o sol com uma peneira. Outra, é passar incólume entre os pingos da chuva. Foi o que fizeram BE e PCP com a troika que por cá anda. No caso concreto, tentaram tapar o sol com as cartilhas que, coitadas, nem tapam o sol nem resistem à chuva.

Não é por não ser recebida por estes partidos que a troika se vai embora e é por não se quererem comprometer (por mero taticismo de imagem, vulgo marketing) que PC e BE não desempenham o papel político que deviam.

Muito mais pragmáticos, realistas, empenhados e positivos foram os sindicatos ou, por exemplo, o Observatório Permanente da Justiça do insuspeito (em relação às suas simpatias pelo FMI) Boaventura Sousa Santos. Dos primeiros espera-se pragmatismo terra-a-terra e que lutem pelos direitos dos trabalhadores que representam, a começar pelos ordenados no final da cada mês. Ora, estando a situação no ponto em que está, não estando nem estes garantidos (a começar pelo funcionalismo público) nada como ir “negociar” com os negociadores e vincar que existem linhas que não podem ser ultrapassadas. Do segundo, como intelectual reconhecido que é, espera-se visão , sentido de antecipação e marcação de terreno. Demonstrou-as, ainda que os resultados possam ser nulos.

Os partidos que dizem representar os trabalhadores, as classes operárias e desfavorecidas, as juventudes urbanas, etc., etc., decidiram não representar coisa nenhuma [Read more…]

Falar com agiotas? Nunca!

O BE e o PCP resolveram não brincar. Patrioticamente, não falam com agiotas, tal como miúdos que fazem uma birra. Dizem que só faz falta que está e acrescento que não vejo em que medida podem os interesses dos portugueses virem a ser defendidos por quem decide colocar-se de fora. Eu sei que o cheiro a eleições manda mais forte do que a racionalidade mas, neste caso, nem me parece que estes partidos venham a facturar votos com esta atitude. Demissionários já temos que baste.

Há gente que é de esquerda e não sabe

Paulo Ferreira, no seu texto de hoje, não perde a oportunidade para dar uma bicada nos partidos de esquerda, elogiando-os por se terem posto à margem da negociação com o FMI: “Merecem um sincero agradecimento. O país não tem tempo a perder – e discutir com eles é, na verdade, uma perda de tempo…”

No resto do texto, descontando a ideia de que o FMI é inevitável, Paulo Ferreira transforma-se em alguém com quem discutir será “uma perda de tempo”, chamando a atenção, imagine-se!, para os impactos negativos que as condições do empréstimo poderão ter sobre os sectores público e privado, sendo, portanto, necessário adoptar uma atitude firme. Pelo meio, ainda critica os dois maiores partidos, voltando a perder tempo.

No final do texto, Paulo Ferreira chega a ficar perigosamente parecido com um bloquista ou um comunista, ao reconhecer o seguinte: “Já sabemos de ciência certa que as loucuras dos nossos Governos e a montanha-russa das finanças e dos mercados internacionais nos roubaram, pelo menos, duas décadas de desenvolvimento sustentado e sustentável.”

Esperemos que Paulo Ferreira não releia o que escreveu: ainda pode ter a necessidade de tomar um anti-histamínico forte.