[Mar de Tranquilidade tem o patrocínio do grupo BES].
Um improvável viajante é desembarcado madrugada adentro algures longe do seu domicílio, regressado que vem do “estrangeiro”, esse país-longe. Dias antes, ao improvável viajante um grupelho de três pós-adolescentes embevecidos por másculas conversas automóveis havia danificado a viatura própria, segurada (ou talvez não) pela Tranquilidade (do grupo BES). Dias antes, isto já lá vai quase uma semana. A viatura fora já recolhida a estábulo próprio e, acredita-se, vistoriada já pelo Tranquilo vistoriador-perito que haveria de deliberar o conserto da mesma e o que mais houvesse.
Entretanto, o apeado cidadão indagara já do que haveria de ser a sua vida móvel daí a uns quantos dias, num tal regresso do estrangeiro-país, e isso haveria de acontecer a uma hora cardíaca, pouco dada a opções de transporte que não a viatura própria. O apeado tomador de seguro aguardaria um contacto, que nunca veio. A única coisa que veio da Tranquilidade foram, e sem atrasos ou delongas, fatia de salário que paga o respectivo prémio anual. Nada mais. E aos domingos não, o serviço de atendimento a clientes só funciona aos dias úteis depois das nove horas.
Entretanto, e porque tudo isto é Tranquilidade (do grupo BES), o apeado e improvável viajante de mil quilómetros e mais, aguarda que um comboio matutino o venha resgatar ao olvido previsível de uma companhia de seguro igual a tantas outras.
Aproveito as normas de procedimento, certamente regulado, e aprecio a Tranquilidade de uma noite de lua cheia.
Vá lá, podia ser pior, ao menos não chove. Obrigado, Tranquilidade!

Mar de Tranquilidade
Imunes à austeridade
Dizia-nos a propaganda, em Outubro de 2013, que “O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, uma proposta de lei que estabelece “regras apertadas para as remunerações da administração e dos quadros superiores dos bancos sob auxílios do Estado”.“. Os rendimentos dos visados estariam limitados a uns míseros 15 salários mínimos, coitados. Chegava a dar pena. [Read more…]
Masoquismos
Os telejornais insistem: um tal António Simões foi nomeado presidente, perdão, CEO, de um banco importante lá pelas terras inglesas. Os locutores anunciam-no com voz plena de enlevo patriótico. Parece que devíamos estar orgulhosos. Porque carga de água? – pergunto. Seja qual for o curriculum – ou o cadastro… – do homem. Não nos cansem. Estamos até aqui de geniais gestores bancários e outros que tais. Raio de mania de adorar “génios” de finanças!
Estamos rodeados de masoquistas?
Se estamos tão seguros caso a Grécia caia
porque raio estão hoje as bolsas e os bancos europeus a espalhar-se ao comprido? Perguntemos ao senhor Aníbal, ele deve saber a resposta.
Pretende enriquecer? Dedique-se à aldrabice bancária
Como fazer: adquira um banco, se possível grande demais para cair, contrate meia dúzia de corruptos, preferencialmente políticos caso venha a precisar de um resgate patrocinado pelo dinheiro do contribuinte, e inicie já a sua carreira na área da aldrabice bancária. A aldrabice bancária, ao contrário de outras formas de aldrabice convencionais, permite-lhe a utilização de várias técnicas e/ou instrumentos considerados pouco éticos ou mesmo ilegais mas nada disso interessa. O que interessa mesmo é que você lucre, doa a quem doer. Caso surja algum problema de natureza legal ou financeira, basta colocar um dos seus corruptos a funcionar. Não existem garantias de imunidade absoluta pelo que poderá ter que participar numa encenação judicial em que o seu bom nome será colocado na lama com a mesma velocidade a que os seus bens serão colocados no nome da sua esposa ou filho. Não desespere. Trata-se de uma situação passageira. Em pouco tempo estará de volta ao seu iate.
Isso explica muita coisa…
“Mais de metade dos membros do governo desde o 25 de Abril trabalharam na banca” (Público). Qualquer relação com os resultados desastrosos da banca nos últimos anos é pura especulação.
Recompensar a má gestão bancária
Foto@Econintersect
A edição online do jornal I revelou ontem que o conjunto dos 4 maiores bancos nacionais – BES, BPI, BCP e CGD – acumulou prejuízos na ordem dos 9,5 mil milhões desde que há quatro anos Portugal se submeteu ao plano de austeridade que teve no resgate dos bancos a sua principal prioridade. Claro que, e o jornal fez essa mesma referência, metade desta catástrofe bancária diz respeito à hecatombe BES, cuja custo directo para o contribuinte rondará já os 5 mil milhões de euros, valor esse que dificilmente será recuperado na totalidade. Mais uma factura das aventuras bancárias com a chancela do liberalismo económico a ser suportada pelos otários do costume: nós.
Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC
Ouvimos José Rodrigues dos Santos a fazer eco das vozes que apontam como principal problema da crise grega exemplos como o dos falsos paralíticos. O argumento cola bem quando se quer atiçar pobres contra pobres, mas a verdade é que o subsídio atribuído aos falsos paralíticos que enganavam fisco grego não se compara nem de perto nem de longe com o roubo gigantesco das “donas de casa” da HSBC. Dona de casa era uma das profissões virtuais declaradas por clientes do HSBC que na verdade eram industriais, artistas, jornalistas, princesas, traficantes de armas ou de droga. É esta diferença de campeonatos entre os paralíticos e as donas de casa que ajuda a compreender melhor a crise grega. As contas “especiais” (contas artilhadas para fugir ao fisco) do HSBC relacionadas com a Grécia ascendem a mais de 2,3 mil milhões de euros (~2,6 mil milhões de dólares). Por exemplo, um dos apanhados, o grego Lavrentis Lavrentiadis tinha sete contas no HSBC com ligações a outras contas bancárias (paraísos fiscais) onde detinha 4,6 milhões de dólares. O senhor Lavrentiadis não era paralítico, mas em 2012 foi acusado de fraude, lavagem de dinheiro, participação em associação criminosa e de emprestar a si próprio, cerca de 600 milhões de euros, através de um banco do seu próprio grupo. Esteve 18 meses em prisão preventiva e vai ser julgado em março deste ano.
Os portugueses da lista Falciani estão a ser investigados?
Desde ontem o CIJI (Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação) tem divulgado relevantes informações sobre uma gigantesca fraude fiscal ocorrida entre 2006 e 2008, relativa ao caso Falciani. Hervé Falciani ex-informático da filial suiça do banco HSBC, depois de uma evasão rocambolesca às autoridades suiças que procuravam proteger os interesses (mafiosos) do banco, conseguiu asilo em Espanha onde tem ajudado o fisco local a atuar contra variadíssimos casos de evasão fiscal – vale a pena ver o documentário (abaixo) que descreve a fuga de Falciani à fúria dos banqueiros suiços. As personalidades envolvidas na fuga fisco via HSBC vão desde artistas como David Bowie, John Malkovich até ao Rei da Jordânia ou o piloto Fernando Alonso. Em Portugal, estranhamente não se está a dar grande atenção ao caso, sobretudo quando é revelado que cerca de 850 milhões de euros estavam guardados em contas suspeitas da HSBC ligadas a negócios e clientes portugueses. Que negócios são esses? Que clientes são esses? Estão a ser investigados? Isto está ligado ao caso Monte Branco? Mais importante que divulgar nomes, é saber de que tipo de atividades e de que tipo de falhas na legislação estes esquemas beneficiaram.
É com pena que constato que não existe nenhuma entidade ou jornal português associado ao CIJI. Será miúfa de represálias dos grupos económicos que controlam os nosso principais órgãos de comunicação?.
Opções sexuais
Mais um felatio do governo aos bancos. “Foi uma opção política” – afirmou Hélder Amaral enquanto limpava um canto dos lábios.
Quando a realidade chateia a ficção
Lá se vai resvalando para a verdade: uma entrevista ao Público atesta o óbvio e desde sempre sabido papel dos bancos na crise, que é sobretudo deles e que estamos a pagar por eles, sejam portugueses, franceses ou alemães. O caso nacional é alvo do recente livro Jogos de Poder onde o jornalista Paulo Pena nos arrepia com uma descrição minuciosa dos bastidores financeiros da cedência aos interesses dos bancos, num país com leis bastaria uma citação que por ali anda para Carlos governador do Banco dito de Portugal dar com os costados numa cela.
Estas coisas incomodam os pacientes: quem vive na fantasia de uma crise provocada pelo socialismo sofre com o trauma de se desvendar que a crise é do capitalismo financeiro. João Miranda diz que tudo não passa da nossa mania de culpar os alemães (esse povo indómito, esse nação valente, esse império imortal). É o chamado nazi-complexo de perseguição, digno de quem acha muito bem que se tenha perdoado a dívida de guerra à pátria que esteve quase quase a derrotar os malvados dos comunas. Helena Matos não gosta do título e inventa com quatro pontos de exclamação que o conteúdo o desmente (a negação, ah, neguemos, neguemos até ao fim, para quem não leu resulta sempre).
O problema disto é que falamos de uma ficção todos os dias martelada de tal forma que, segundo as sondagens, 30% dos que se dispõem a votar ainda acreditam nela. Temo profundamente pela choque que esta gente vai sofrer no dia em que lhes caía mais um pedaço de verdade em cima.
Nas mãos dos abutres

Desde a década de 1960, existem em Espanha as “Viviendas de Protección Oficial” (VPO), casas cuja renda tem um valor limitado, estabelecido por lei, e a que apenas têm acesso cidadãos que reúnem certos requisitos. O objectivo é garantir que pessoas com rendimentos baixos tenham acesso à compra ou arrendamento de habitações dignas a preços acessíveis. A gestão destas VPO depende de cada uma das comunidades autónomas.
Em Julho de 2013, a Comunidade Autónoma de Madrid, vendeu 1.860 (um terço) das VPO que possuía em regime de arrendamento à norte-americana Magic Real Estate-Blackstone Group International Partners, por 125.5 milhões de euros. A Blackstone é aquilo a que se chama “fundo abutre”, fundos de capital de risco que investem em dívida pública de estados ou empresas em risco de falência. Compram títulos de dívida por valores abaixo do seu valor nominal num mercado secundário para depois pressionar as entidades devedoras a pagar o valor restante. [Read more…]
A banca ganha sempre

A notícia dá conta de que o Tribunal da Relação de Évora decidiu que a entrega de um imóvel ao banco não extingue o empréstimo para habitação quando a venda do imóvel é inferior ao valor em divida, e ordenou a penhora de salários.
Sem conhecer o caso, e apenas com base no que a notícia conta, constata-se a perfeição do sistema, qual engrenagem sofisticada de relojoaria suíça. Reparem: foi o próprio banco, o BCP, a comprar a casa que os antigos proprietários não podiam continuar a pagar. E como era o único interessado, comprou-a, claro está, abaixo do valor do empréstimo e até abaixo do valor da sua própria avaliação. Resultado: os devedores ficam sem casa, com uma dívida de 25.500 euros e os salários penhorados.
A cereja em cima do bolo: o valor do processo não permite recorrer para um tribunal superior.
Caso encerrado, a banca voltou a ganhar.
Foto: André Pais
Nestas casas houve gente

Imóveis da banca, retratos arrepiantes de casas penhoradas por André Pais, via P3.
Quando a Europa salva os bancos, quem paga?
Documentário do canal Arte com Harald Schumann, jornalista de investigação num diário berlinense, demonstrando quem foram os beneficiários dos resgates bancários na Europa; não foram os países, nem sequer os cidadãos que, com os seus impostos, pagam estes resgates.
Documentário extremamente sóbrio e objectivo, contêm entrevistas a vários ministros das finanças europeus (incluindo o alemão), ex-administradores de bancos, a activistas, etc. Mostra quem realmente beneficiou dos resgates e demonstra as profundas consequências destes resgates.
Toda esta informação não é novidade. Interroguemo-nos sobre os motivos de, sendo conhecida e estando bem documentada, não fazer todos os dias as primeiras páginas dos jornais. Desde o inicio da crise que é evidente o que se está a passar, pelo menos para quem acompanha estes assuntos. Em 2010 falávamos disto mesmo aqui no Aventar. Os próprios conselheiros da Sra. Merkel admitem em público que os resgates dos bancos dos países em dificuldades servem para salvar os próprios bancos alemães.
A legendagem foi feita por vários autores e leitores do Aventar. Se encontrar erros não hesite em contactar-nos.
Porta dos Fundos foi ao Banco
Aquele ali ao fundo não é secretário de estado? ou já foi?
Os bancos não são pessoas de bem
História do Presente: (quase) sem palavras
Para quem gosta de Política, Economia e Inteligência Económica em Música e em Vídeo
Os Bancos, o Esquema de Ponzi mundial, os Resgates e o regresso da Geopolítica
Diz que é preciso despedir funcionários públicos (5)
Os Bancos e o carácter Internacional da crise
Participação de João de Sousa no Opinião Pública da SIC Notícias 27/06/2013
Por Ergo Res Sunt
Diz que é preciso despedir funcionários públicos (2)
Afinal era um fardo para os contribuintes
Serão os accionistas dos bancos e os credores a pagar por futuras crises bancárias, e não os contribuintes como tem acontecido
No mundo bizarro do sistema bancário isto é uma novidade. Os responsáveis europeus, depois de anos a salvar bancos falidos, muitas vezes vítimas de crimes cometidos pelos seus próprios administradores, chegaram à conclusão que os cidadãos têm, de alguma forma, ser protegidos. Óptimo!
E aos Bancos também?
Portugal tem um mês para explicar apoios aos estaleiros de Viana.
Os bancos viveram acima das suas possibilidades,
com o nosso dinheiro: Lagarde diz que vão fechar bancos em países como Portugal.
Ministro das Finanças garante que medida semelhante em Portugal “está fora de questão”
Se o Gaspar diz isto, então é melhor irmos levantar as nossas poupanças…


















Recent Comments