Sem sentido de Estado

Hoje soubemos que a DBRS avisou que poderá baixar o rating da Caixa. E porquê? Porque governo e oposição andam há um mês  brincar com coisas sérias. Em particular, a oposição agarrou este osso, escalando sucessivamente, para fazer o maior estrago possível no governo. E o país? O resultado está à vista. Os meios não justificam os fins. Haja decoro, senhores políticos. Fazer oposição não significa destruir o país.

Uma oposição sem ideias precisa disto

Com que então, António Domingues entregou a declaração de rendimentos no TC. Depois de um mês neste braço de ferro, acabou a fazer o que disse que não faria, revelando a inutilidade de ter querido uma excepção legal para si. Acho bem que tenha saído, pois demonstrou ser um mau gestor, como é todo aquele que é incapaz de avaliar o contexto económico e político em que se move. Agiu infantilmente e agora leva tudo o que ficou a saber para a banca privada, onde, provavelmente, irá trabalhar.

Centeno não esteve bem por ter   cedido a Domingues em exigências que não eram compatíveis com a lei. Mas esteve pior ao não ter demitido a administração que se recusava a obedecer ao accionista. Devia tê-lo feito logo que Marcelo se pronunciou, evitando ao país todo esta encenação degradante e protegendo a Caixa desta prolongada instabilidade.

Pedir a demissão do ministro das finanças por isto não faz sentido. Faria, isso sim, pelos resultados fiscais, se para tal houvesse razões. Como não há, fazê-lo consiste em alinhar na estratégia de guerrilha de Passos Coelho, o qual quer com este caso criar a instabilidade que precisa para se segurar no cargo. Basta, até, ver que já deixou Centeno para trás, tendo agora galgado para pedir a cabeça de Costa. Não ficará por aqui e continuará a escalar. Agora pede esclarecimentos, como se não estivesse tudo claro, para poder dizer que, não os tendo recebido, é uma falta de respeito ao país. Ainda vai acabar a pedir uma comissão de inquérito e a demissão do primeiro-ministro, estando-se nas tintas para o país.

É esta a estratégia do PSD. Uma oposição que não apresenta uma alternativa política, apenas procurando destruir para emergir entre os destroços. Aos que apoiam o governo resta-lhes denunciar o oportunismo político e a ausência de ideias. Lembram-se como, no governo, Passos acusava repetidamente a oposição de não ter ideias? Ora aqui temos uma oposição sem ideias, basta encontrar o discurso.

Uma garrafinha de soro para a direita comatosa

ad

Hoje é um belo dia para quem, como eu, não está interessado em pagar salários obscenos a gestores públicos que não querem cumprir com as suas obrigações legais. É também um belo dia, talvez mais belo ainda, dada a travessia do deserto que caracterizou o último ano, para os partidos de direita com assento parlamentar e para as redacções, cronistas, blogues e snipers facebookianos ao seu serviço, que, durante semanas, fizeram das tripas coração para que a administração da CGD caísse, doesse a quem doesse. [Read more…]

CGD – Oportunidade de emprego

cgd demissão antónio domingues

Boas notícias para a direita, que galopou este caso, e para o(s) futuro(s)  administrador(es) a nomear. Enviar CV para emprego@portugal.gov.pt.

(via Filipe Caetano)

O surrealismo da loucura na Caixa

PSD quer ver “o acordo” do Governo com a Caixa
O prazo dado pelo PSD já terminou. Agora o líder da bancada laranja acredita que existe mesmo um entendimento escrito entre o executivo e a administração da Caixa Geral de Depósitos.

CGD: Governo garante que não há documento que dispense declaração de rendimento
Governo garante à TSF que não existe um documento escrito que dispense a equipa de gestão de António Domingues de apresentar a declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional.

Ultimatos e garantias. A Caixa Geral de Depósitos tornou-se num autêntico campo de batalha, com os guerrilheiros do PSD entrincheirados na única frente que lhes resta para fazer os estragos que o diabo não trouxe.

Mas se o governo está a conduzir este processo da nomeação de uma maneira completamente desastrosa, alguém em perfeito juízo acredita que esta forma de fazer oposição trará votos? A situação do banco público não é boa e a actuação da oposição tem por objectivo ainda a piorar mais. É a continuação da única estratégia que Passos Coelho teve enquanto líder da oposição, tanto no tempo de Sócrates, como agora com Costa: esperar que o pior chegue, para lhe abrir o caminho do poder.

Parabéns Passos Coelho, parabéns direita

O primeiro-ministro no exílio conseguiu a sua primeira grande vitória. A Caixa está pior agora, graças ao caso diariamente repescado na imprensa amiga. O salário do sujeito é pornográfico e tudo à volta da declaração de rendimentos é obsceno? É, sem dúvida. Falta saber, minto, sabemos, porque é que, no entanto, os telhados de vidro de quem atira pedras estão intactos. O país ficou melhor? Não, mas o governo ficou pior. É este o fiel das lutas que a direita escolhe. Parabéns, conseguiram.

O fiscalizador que fiscaliza mas não é alvo de (boa) fiscalização

tc

Estamos nós no auge do polémico caso da nova administração da CGD que não quer entregar as suas declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional, e eis que somos confrontados com novos factos, de requintada ironia. Então não é que dois juízes do TC, que por estes dias exigiram oficialmente que a equipa de António Domingues entregasse as suas declarações, “não cumprem as exigências de transparência que a lei determina” relativamente às suas próprias declarações de rendimentos? É sem dúvida um belo exemplo, este que nos chega de cima. [Read more…]

Exactamente, Paulo Baldaia

De mal a pior

E a tua declaração de rendimentos de 1999, Passos? Já apareceu?

ppc

Bem sabemos que, de esquemas para ocultar declarações de rendimentos, está o Parlamento cheio. E se o exemplo que vem de cima é este, não nos podemos admirar que outros tentem fazer pela vida. Que o diga o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, que por estes dias, moralista como só ele sabe ser, tem insistido na obrigação que o governo tem de exigir à nova administração da CGD a apresentação das suas declarações de rendimentos. O que me leva à dúvida existencial do dia: a declaração de rendimentos que Passos Coelho estava obrigado a entregar em 1999, já apareceu? Da última vez que fui ver, continuava em paradeiro incerto.

Deixem-se de merdas e cumpram a lei

acmc

Poucos debates espelham tão bem o país em que vivemos. Discutir se um gestor público, tal como qualquer governante, deve ou não apresentar a sua declaração de rendimentos é triste, acima de tudo, porque não deveria sequer gerar qualquer tipo de discussão. É óbvio que deve. Melhor: é obrigado a fazê-lo. Se existe uma lei que a isso mesmo obriga, qual é a dúvida? Se António Domingues e a sua equipa são tão fantasticamente espectaculares, como podem supor que estão acima da lei? Será que lhes foi prometida uma excepção à regra, que obviamente violaria a lei portuguesa, e eles, tão fabulosos, não perceberam que tal não era possível? Esperava-se mais de um indivíduo que vai auferir um salário astronómico sem mostrar serviço.  [Read more…]

E o Sérgio Monteiro, pá?

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Os media, António Domingues e Sérgio Monteiro, por Daniel Oliveira

António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática.

Foto: Estela Silva/Lusa@Esquerda.net

Mais um embaraço na CGD

adomigues

A fonte citada pelo Expresso é o Correio da Manhã, pelo que todo o cuidado é pouco. Porém, a confirmar-se, este dado leva toda a situação em torno da polémica contratação de António Domingues para outro nível. Como pode um gestor de um banco privado encomendar um estudo através de um banco público com o qual não tem qualquer vínculo? Se o estudo foi encomendado em Fevereiro, e Domingues só renunciou ao cargo no BPI em Junho, como se justifica que tenha imputado um custo de 3 milhões de euros ao Estado português?

Foto: José Caria@Expresso

A aldrabice do dia

js

Denunciada por João Semedo, trata-se de uma aldrabice muito simples. O Bloco apresentou um projecto de lei para impedir os salários à moda da direita na CGD, que foi chumbado, pelo que não tem nem a faca, nem o queijo não mão. Já David Dinis, com a faca e o queijo do Público na mão, em processo acelerado de observadorização, pode debitar estas coisas – é livre de o fazer – mas o verdadeiro objectivo por trás delas mais não é que uma nova tentativa de criar instabilidade o seio do acordo entre os partidos de esquerda.  [Read more…]

Políticas de esquerda, salários de direita

meme

Se o critério que norteia o enquadramento dos salários dos gestores da CGD não permite reduzir a factura – ou pelo menos não a aumentar – do custo que o seu conselho de administração tem para o erário público, existe, a meu ver, uma solução: alterar o critério. Existem, inclusive, propostas do PCP e do BE para limitar os salários dos gestores públicos ao salário do primeiro-ministro ou do presidente da República. Se existem, aqui vai uma lapalissada: é porque pode ser mudado. [Read more…]

A reeucaliptização da banca

reucaliptização

Existem enormes paralelismos entre um eucaliptal e a banca. Desde logo, ambos secam tudo à sua volta, a água no primeiro caso, o dinheiro dos portugueses no segundo. Registam o pico de ocorrências no calor da época veraneante de Agosto, como se constata com o incêndio do BES, a 3 de Agosto de 2014, e com as labaredas à vista na CGD, a 25 de Agosto de 2016. E é quando tudo arde, na floresta e na banca, que se ouve o chamamento pelo salvamento público e se descobrem miríades de peritos com diagnósticos e soluções que, quando apenas sobram cinzas, logo caem em esquecimento. É ainda neste período de desgraça que se constata que aqueles com a responsabilidade para prevenirem a catástrofe não o fizeram, apesar dos sucessivos sinais de perigo. 
[Read more…]

Bruxelas aprovou recapitalização da CGD que vai até 4,6 mil milhões

Mais dinheiro para bancos falidos. Será que o Berardo ou o Fino vão contribuir para a recapitalização?

Soares da Costa reestrutura dívida com o alto patrocínio do contribuinte português

SdCosta

Sempre que se fala em reestruturação ou perdão de parte da dívida portuguesa, um golfinho falece nas águas quentes e cristalinas de um paraíso fiscal caribenho. Indignada, a clique neoliberal coloca-se imediatamente em bicos de pés e vaticina um qualquer fim do mundo que há-de estar próximo. Honrar compromissos e pagar a quem nos emprestou para mostrar que somos pessoas disciplinadas e de bem são palavras de ordem nas paradas do nacional-liberalismo.

Coisa diferente acontece quando uma empresa, que durante anos distribuiu milhões por administradores, accionistas e afins, alguns deles ligados ao sector político que melhor se desenrasca no jogo das cadeiras, decide, ela própria, optar por um plano de reestruturação financeira e consegue um perdão parcial da dívida, em parte à custa dos contribuintes portugueses. Instala-se o silêncio absoluto no edifício do ministério da propaganda.

[Read more…]

A falta de vergonha é atrevida

“O tema da CGD foi colocado em cima da mesa pelo deputado do PSD António Leitão Amaro, que acusou o actual Governo de contribuir para a “degradação do principal e maior banco português”.” (Público)

Terem (o anterior governo) colocado o Banif sob a alçada da CGD foi o quê? E quando procuraram criar um banco banco de fomento (ui PSD a criar bancos – medo!), com funções que poderiam ser asseguradas pela Caixa, estavam a valorizar o banco? Memória selectiva, é o que é.

Uma comissão de inquérito como arma de jogo político

Ontem, ao fim do dia, os dois partidos anunciaram que retiravam, para já, do objecto do inquérito, a questão das negociações, em curso, entre o Governo Português e as autoridades europeias. [TSF]

Outras comissões de inquérito que poderiam ter existido:
– negociação da venda da TAP;
– negociação do salvamento do BES;
– negociação da venda da REN.

Três exemplos apenas para ilustrar a ideia. Se negociações em curso é matéria para comissões de inquérito, então muitas deviam ter sido constituídas até agora. Isso não aconteceu e nem faz sentido que tivesse acontecido. Reclamá-la agora para a CGD demonstra que o objectivo não é o apuramento da verdade, mas sim o jogo político.

Duas ou três coisas sobre a CGD e sobre o BANIF

1. CGD

carlos costa
Carlos Costa

O momento escolhido para a apresentação do plano quanto à CGD foi típico de quem o quer fazer sem levantar ondas. Não é a primeira vez que governos apresentam medidas impopulares em situações semelhantes e não há-de ser a última. Neste caso, houve uma feliz coincidência quanto à escolha do momento para o anúncio. Juntaram-se dois flops e só se estragou um dia.
[Read more…]

Perigo iminente de golpe de Estado em Portugal

PSD em negociações com o BE sobre o objecto da comissão de inquérito à CGD. A geringonça absoluta.

Às vezes, o tiro sai pela culatra

2016-06-16 tiro pela culatra

Recordando:

ADSE: «(…)o Tribunal de Contas refere que, em Setembro de 2015, a ADSE usou excedentes gerados em 2014 e receitas próprias de 2015 para pagar mais de 29 milhões de euros ao Serviço Regional de Saúde da Madeira que resultou da utilização de unidades de saúde por beneficiários da ADSE entre 2010 e 2015. O Tribunal considera que dois secretários de Estado do anterior Governo “comprometeram dinheiros da ADSE para fazer face a uma despesa que é do Estado e que devia ter sido satisfeita pela dotação orçamental do SNS.”»

CGD: “A Caixa Geral de Depósitos tem, pelo menos, 1.300 milhões de euros em risco no resgate ao Novo Banco.”
O BES foi só mais um prego entre os tiros que o antecederam (p.ex. BPN) e que lhe sucederam (p. ex. BANIF). Um mealheiro do bloco central.

[Read more…]

O bolso do contribuinte sempre à disposição…

Houve um tempo em que se discutiu a privatização da CGD. Apesar de ser contra a intervenção do Estado na economia, sou forçado a admitir que pública ou privada, a Banca em Portugal conta sempre com o bolso do contribuinte, pelo que a CGD não vai ser, nem o seria em qualquer situação excepção à prática vigente.

A grande vantagem da Banca privada seria à partida estar imune à instrumentalização partidária, se pensarmos que os maiores prejuízos agora revelados na CGD resultam da gestão de inspiração socrática de nos tempos em que foi liderada por Santos Ferreira e Armando Vara. Porém se nos lembrarmos que esta dupla também liderou o BCP numa espécie de nacionalização informal imposta pelo governo de então, sem esquecer o desastroso resultado da promiscuidade entre BES e empresas públicas, à cabeça das quais a PT, ou que a nomeação de gestores bancários por critérios de filiação partidária está longe de ser um exclusivo do PS, eu diria que o recente episódio da CGD é apenas mais um capítulo da novela “o estado a que isto chegou…”

A Caixa

image

Já foi o banco dos funcionários públicos. Já foi o maior banco português. Já foi uma fonte de receitas.

Depois, a europa disse que havia concorrência desleal,  a troika ditou que negócios lucrativos teriam que ser vendidos e o governo que foi além da troika, depois de concordar com entusiasmo, ainda transformou a caixa em fonte de capital para o buraco do BES.

Passos Coelho admite cenário de recapitalização da CGD por causa do BES
27 DE NOVEMBRO DE 2014, TSF

Passadas estas decisões ruinosas para o banco público, eis que, como esperado e desejado por muitos, a CGD é um problema para todos por ter sido a solução para alguns.

Havendo tanta má decisão a imputar aos governos anteriores, não se percebe porque razão a esquerda bloqueia um inquérito a este banco. Especialmente quando, historicamente, esta mesma esquerda tem tido um discurso crítico quanto à banca.

[imagem]

Nomeações políticas que não indignam o exército opinativo anti-esquerda

Há nomeações e nomeações. Algumas causam indignação generalizada porque, é sabido (e infelizmente legal), as clientelas partidárias mexem-se muito bem no topo da cadeia alimentar da gestão empresarial pública. As nomeações de Leonor Beleza e Rui Vilar para vice-presidentes da CGD, porém, parecem enquadrar-se numa categoria muito especial que, com excepção da fúria das redes sociais, que a poucos poupa, não causou indignação entre aqueles que assobiavam para o lado enquanto o anterior governo distribuía, a amigos e companheiros, por exemplo mas não só, centenas de nomeações na Segurança Social, mas que agora não perdem a oportunidade de berrar em plenos pulmões de cada vez que o actual governo repete o processo, de resto numa escala ainda a léguas do festim protagonizado pelos seus antecessores.  [Read more…]

Serão senis ou tomam-nos a todos por otários?

Lisboa, 30/07/2013 - Maria Luís Albuquerque, ministra de Estado e das Finanças, foi ouvida esta tarde na comissão Parlamentar de Inquérito à celebração de Contratos de Gestão de Risco Financeiro por Empresas do Sector Público para esclarecimentos sobre os swaps, na Assembleia da República em Lisboa. ( Steven Governo / Global Imagens )

Vamos lá escrever isto com cuidado não me vá aparecer um troglodita em fúria pela frente: o ser que surge na foto afirmou ontem, sem rodeios nem meias palavras, que reitera o que sempre disse: que os “contribuintes não serão chamados para cobrir prejuízo. Da venda do fabuloso banco bom pois claro!

Assim de repente vêm-me à cabeça Teixeira dos Santos a garantir ao país que o BPN não ia custar um euro aos contribuintes. Ou Cavaco Silva a afirmar que os portugueses podiam confiar no BES, para poucos dias depois se indignar com uma jornalista que o confrontou com essas declarações, afirmando não as ter feito. Confesso que no segundo caso estou mais inclinado para a senilidade.

Agora temos esta personagem, tímida aspirante a líder do PSD e ao cargo de chefe do governo, que não aparenta estar senil mas que parece tomar-nos a todos por otários. Vamos lá ver se nos entendemos: se houver prejuízo – e nesta fase só mesmo quem se deixa adormecer com contos de crianças para embalar jotas é que poderá acreditar em tal patranha – uma parte dessa factura sai do nosso bolso. O Fundo de Resolução tem como maior “accionista” a CGD, um banco público que irá registar perdas que, por ser uma instituição pública, são perdas de todos os portugueses. Tão simples quanto isto. Até Pedro Passos Coelho admitiu que esta solução pode gerar encargos para os contribuintes. Mas a mulher está parva ou quê?

Resta-nos cruzar os dedos para que esta inevitabilidade não seja apenas a ponta do icebergue.

Foto@Dinheiro Vivo

Com o bloco central quem paga é você!

tax payers banks

José Ramalho, vice-presidente do Banco de Portugal, a entidade supervisora que não supervisiona coisa nenhuma, disse ontem na comissão de inquérito do BES que seriam os bancos a pagar a factura do Novo Banco. Muitos contribuintes respiram de alívio ao ouvir estas palavras, pois não percebem que a Caixa Geral de Depósitos também é um banco, que por sinal é público e como tal de todos nós. Outros percebem isso mas esquecem-se que a contribuição de cada banco para o fundo de resolução é proporcional à sua quota de mercado e a CGD, nem de propósito, é quem tem a maior. Fica o lembrete. Seja o PS, seja o PSD, seja o BPN ou o BES, quem paga a factura, de uma maneira ou de outra, é sempre o mesmo. Sim meu caro, é você. Mas não se preocupe que o Sócrates está preso na cela nº44 e comeu cozido à portuguesa ao jantar. Se o Sócrates está preso é porque está tudo bem.

Comissão de inquérito ao caso BES ainda não começou

mas já promete ser uma anedota com o desfecho habitual. Para já ficamos com as recusas do Banco de Portugal, da CGD e do Novo Banco em disponibilizar os documentos requeridos pelos deputados. À vontade do freguês!

Um sistema bancário que respira saúde

Banco

 

(Reparem no semblante matador de Ricardo Salgado. As pobrezinhas da Comporta devem suspirar que nem umas malucas…)

Na pátria de grandes banqueiros como Oliveira e Costa e Dias Loureiro, o sistema bancário respira saúde. O BES é agora um Novo Banco mas as mil empresas Espirito Santo qualquer coisa ou qualquer coisa Espírito Santo continuam a causar estragos. A PT que o diga! Mas vêm aí os testes de stress do BCE e a “verdade” virá ao de cima. Aguardemos.

Por falar em testes de stress do BCE, parece que o BCP chumbou. Mas está tudo bem e nem os prejuízos acumulados ao mês de Setembro, uns irrisórios 98 milhões de euros, beliscam o optimismo da administração. O optimismo é tal que Nuno Amado fez questão de dizer que, se os testes fossem hoje, o BCP passaria com certeza. Essa malta do BCE é que escolheu aquela data mesmo para os lixar…

[Read more…]

Como vai a Caixa pagar o BES

Se a venda do Novo Banco for feita com prejuízo e a banca for chamada a pagá-lo, cada banco pagará de acordo com a sua quota de mercado. A quota de mercado da Caixa Geral de Depósitos é de cerca de 32%. Se retirarmos o BES, a Caixa fica com uma quota de 40%.

Luís Aguiar-Conraria