
REUTERS/Rafael Marchante
Encontro na blogosfera e nos jornais online referência ao cartaz da autoria do Bloco de Esquerda para festejar o ter sido aprovada a lei que autoriza casais do mesmo sexo a adoptar crianças. Vejo que Pedro Mota Soares, do CDS, ministro da Segurança Social no anterior governo, considera o cartaz “ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses”. Registo, com apreço e respeito, que Marisa Matias, ligada ao Bloco de Esquerda, considera esse mesmo cartaz “um erro”. Antes de prosseguir clarifico já a minha posição: é, de facto, um erro e um acto de estupidez que vai funcionar como um tiro no próprio pé desse movimento político. Nem mais errado nem mais estúpido do que as piadolas, às vezes ordinárias, que certos humoristas de serviço ao regime, assim como uns apresentadores sem tino, fazem à volta da Igreja Católica e seus valores. O amor do público por esses (erradamente) tidos por humoristas não tem aumentado, pelo contrário. A mim só me apetece perguntar aos piadistas e ao BE: porque se metem só com a Igreja Católica? Não há mais religiões praticadas em Portugal? Será porque quem se mete com as outras religiões leva, e o Charlie Hebdo que o diga? Como reagiriam se as pessoas fizessem chacota dos familiares directos dos chefes do BE? É que se não perceberam ainda o tipo de relação que os cristãos têm com as figuras sagradas, então não sabem em que mundo andam nem em que país vivem. Portanto, eu acho lamentável esse cartaz e concordo com a Marisa Matias (que alem de ser decente, é uma mulher inteligente e vê longe). Não me regozijo com esta mancada do BE, até tenho pena que um movimento em que há gente nova com tanto valor tenha caído nesta tentação estúpida e inútil. [Read more…]

HORA DOS PORTUGUESES é um programa da RTP-Internacional dedicado aos emigrantes espalhados pelo mundo. Há dias passou um esboço biográfico do jornalista Dale Brazão, há mais de 40 anos fazendo jornalismo de investigação no Toronto Star e um dos jornalistas mais premiados do Canadá. Vou contar um episódio passado com este algarvio que tanto honra Portugal no estrangeiro.







Tem 43 anos, foi professor de matemática e monitor de desportos de Inverno. Em estudante, serviu às mesas como é de uso entre os jovens canadianos durante o verão. É o novo primeiro ministro do Canadá e chama-se Justin Trudeau. Vai, com a sua bonita mulher, criar os seus filhos na mesma casa em que ele mesmo foi criado, na Sussex Ave, em Otava. Porque é filho de Pierre Trudeau, que foi primeiro ministro do Canadá de 1968 a 1984 e deixou uma marca inapagável no país. Homem de esquerda, pôs o Canadá independente com apoio de toda a população, mas manteve a chefia do estado nas mãos da Rainha Isabel II, o que é mais barato e evita as confrontações de tantos em tantos anos. Fixou a construção do Canadá sobre a base do multiculturalismo. Nascido francófono, Pierre Trudeau enfrentou com determinação patriota o movimento separatista do Quebeque. Era superiormente inteligente, culto, idealista e pragmático. Toda a nação se lhe rendeu. O seu funeral foi uma irrepetível emoção colectiva, a que se agregaram Fidel Castro e Jimmy Carter, bem como a hierarquia cristã do país. Impossível esquecer os que, nos campos e nas estações ferroviárias, esperaram horas para poder acenar a despedida ao comboio que levava a urna, de Otava até Montréal, para o seu túmulo.






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