A estratégia de Portugal

José-Manuel Diogo

Pedro Passos Coelho tem repetido até à exaustão, em todos os palcos possíveis, nacionais e internacionais, que Portugal não precisa de nem mais um tostão de ajuda externa para voltar aos mercados e sair da crise.
E o primeiro ministro tem razão. Apesar do desemprego aumentar, apesar de as empresas falirem, apesar de muitas as famílias entrarem em insolvência. O caminho escolhido pelo governo de Portugal foi e é o único possível.
Basta perceber o que aconteceu na vizinha Espanha quando o recém eleito Mariano Rajoy decidiu dar ares de toureiro e dizer em voz alta que “só para o ano que vem” diminuiria o défice. Caíram-lhe os mercados em cima e, daí para a frente, tudo piorou no pais de “nuestros hermanos”. A cotação da dívida pública, o rating, dos bancos. Mas pior. Espanha destronou Portugal no lugar de dama de honor no caminho para o “default”. Agora a imprensa internacional fala da Grécia , de Espanha e da Itália. Portugal desapareceu do coro dos PIGS. [Read more…]

Os mercados são “gajas”

Alexandre Teles

Os mercados são sensíveis, qualquer coisa que se lhes diga e pumba (acabam-se as actividades recreativas de quarto), de vez em quanto chateam-se connosco e nós não sabemos porquê, quanto tentamos fazer alguma coisa só pioramos a situação, pois afinal não é suficiente ou então é demais (e essa austeridade, não é assim), os mercados só gostam dos outros países, porque eles é que têm muito capital e porque eles é que têm um sistema fiscal melhore etc.., só os outros países lhes dão as prendas que eles querem, só sabem dizer que temos que os tratar bem e nos arranjar para eles (que é como quem diz, arranjar leis, desregulamentos) e que já não os tratamos como antigamente e que é por isso que agora já não nós passam credito, os mercados dizem que já não podem confiar em nós, já não merecemos a confiança deles, os mercados não só se zangam com o que dizemos e nós muitas vezes não sabemos o que é que dizemos, como pela maneira como dissemos( que pode levar a interpretações das acções e medidas futuras), são controladores e queixam-se de tudo o que fazemos que nunca esta bem e que à outros países a fazer melhor, os mercados são instáveis e emotivos e intuitivos, principalmente em alturas especificas, os mercados tentam gostar das mesmas coisas que nós e principalmente tentam que gostemos das mesmas coisas que eles, concluindo os mercados são “gajas”.

E o Homem conseguiu o seu máximo ao personificar uma “instituição” virtual criada por ele mesmo  controladora do mundo com a qual a única maneira de tentar controlar é namorá-la.

O fascinante mundo dos súbditos alemães

O germanófilo de hoje acorda a sonhar com a ordem como o de ontem, mas travestido de liberal. A culpa da crise foi dos governos despesistas, acha ele enquanto faz mais uma genuflexão aos mercados, do estado social e é claro, dos povos, os verdadeiros suínos no meio disto tudo.

O facto de a Grécia não conseguir cobrar à Alemanha o que esta lhe deve, ter continuado a comprar armamento mesmo depois de entrar em vertigem financeira, a coincidência de tal como Portugal se ter metido num euro feito à medida das potências europeias, as donas da vara que agora nos pretendem meter no curral, não tem importância nenhuma.

A culpa é dos gregos, hoje, como será em meio-ano dos portugueses, esses povos com a mania das grandezas que queriam ter um estado social e outros luxos a que nem os teutónicos terão direito.

Hoje falam da Grécia, amanhã serão os primeiros a aceitar o ultimato a Portugal. Devem esperar alguma recompensa no céu dos mercados. Sucede que Roma não paga a traidores e temos, portugueses e gregos, uns costumes históricos para vendedores de pátrias muito pouco compatíveis com os direitos humanos. É melhor prepararem a vossa emigração que a partir de agora já não é a brincar.

Hoje dá na net: Miedocracia, o poder do medo

O documentário que se segue é muito recente e foi emitido num canal de televisão espanhol há pouco mais de duas semanas, daí algumas referências à época natalícia. Descontando isso, que funciona como apêndice e “data” o programa, trata-se de um excelente trabalho e desmonta parte parte da situação que actualmente vivemos. Também, de certo modo, desmistifica os “mercados” e a falta de crédito ou de dinheiro. Quer investir? Desde que não seja em actividades produtivas há dinheiro de sobra para apostar na queda económica de Portugal, da Grécia ou até do euro. Mas não só…

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miedocracia, medocracia, o poder do medo

Moddy’s e mercados vencem a ‘Cimeira de Merkel’

Um par é sempre o dobro de um. Aritmeticamente é 2 = 1 + 1. Outra regra: a soma das parcelas é sempre maior do que qualquer partes. E por mais truques linguísticos que se inventem, matematicamente falando, Merkozy não é igual à soma Merkel + Sarkozy. É mera sinopse de linguagem.

Raciocínio complicado? Talvez. Serve, no entanto, para ilustrar que sendo Merkel uma fracção maior e Sarkozy um fragmento mínimo, a primeira parcela supera a segunda, criando uma falsa paridade à qual a Europa, excepto o RU de Cameron, está submetida.

Assim, a salvífica Cimeira de 9 de Dezembro, cujo desfecho foi aceite com subserviência por 17 + x países – e o x é simultaneamente uma incógnita e uma variável de 1 a 9 – está a corresponder a uma derrota para a Sra. D. Angel Merkel – e Sarkozy cai por arrasto. Não por acção do grego Papademos, do italiano Monti, do espanhóis Zapatero (de saída) ou Rajoy (de entrada), do português Passos ou de tantos outros que, na Áustria, Finlândia, Holanda e outras paragens, se juntam na confraria da sociedade do ‘bem estar e dominar’ alemão.

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O meu umbigo é melhor do que o teu

Celebrada por alguns, tomada como uma vitória sobre a poderosa Alemanha de Merkel, a mal sucedida cartada inglesa na cimeira de líderes europeus nada tem de europeísta, de defesa dos direitos dos europeus, ou de contributo para a ultrapassagem do impasse político com que a europa se debate. É apenas mais do mesmo e insistência no poderio desregulamentado dos mercados.

Cameron nada acrescentou (nem sequer tentou), excepto nacionalismo, liberalismo e autismo a uma conjuntura que sofre precisamente do excesso desses males. Louvá-lo é apostar no desmembramento da europa e na predominância dos mercados sobre os interesses dos povos e dos estados. Persistir nos erros que conduziram a este túnel cada vez mais apertado é estúpido e, na prática, não passa da outra face da moeda Merkozy. Não há nada a festejar quando as coisas são como estão.

Para onde vais, Europa?

Por toda esta Europa governos de direita ascendem ao poder político. A receita é global e comum a todos os estados membros. Austeridade e mais austeridade. A saída para esta crise, dizem os apologistas do fatalismo capitalista e da submissão aos ditos “mercados”, passa por constranger ao máximo o consumo publico e privado, pelo aumento dos impostos e pelo corte dos salários e subsídios associados, assim como uma redução drástica e catastrófica do chamado estado social, ou seja, uma redução drástica e catastrófica dos direitos constitucionais dos cidadãos e contribuintes.

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Um país doente e ignorante

Depois de, durante mais de trinta anos, os recursos do país terem sido ora mal geridos ora subaproveitados, o governo assumiu-se como mera comissão liquidatária do Estado, chegando ao ponto de usar o argumento de que devolver hospitais às misericórdias constitui um acto de justiça para com as instituições que foram prejudicadas pelas nacionalizações resultantes do 25 de Abril. É claro que Passos Coelho só quer acabar com o Estado e entregar aos privados negócios chorudos, como é o caso da Saúde, contribuindo para criar um país em que só os ricos poderão ter direito a bens que qualquer homem civilizado considera essenciais. É claro que Passos Coelho está a contribuir para que regressemos ao dia 24 de Abril.

No entanto, para manter aqui alguma abertura, proponho o seguinte: se se chegar à conclusão de que faz algum sentido devolver algo aos privados que tenham sido prejudicados pelas nacionalizações, que tal recuar mais um bocadinho e indemnizar as famílias de todos aqueles que o salazarismo privou de educação, de saúde, de dignidade, de pão, entre outras privações?

No Público de ontem, é possível ler um trabalho magnífico da Graça Barbosa Ribeiro (disponível em papel) em que ficamos a conhecer quatro casos de professores entre os 30 e os 41 anos, vivendo entre o desemprego e a incerteza, quatro casos de recursos desperdiçados, quatro vidas obrigadas a passar por dificuldades graças à incompetência de quem governa. Rita Vilas trabalha a 300 km do filho de seis anos, Cláudio Vieira está em casa, desempregado, com a mulher e um filho recém-nascido, Sandra Teixeira diz que está a adiar a grande desilusão da sua vida e Ana Teresa Morão declara que se sente traída pelo Estado. [Read more…]

Grécia: referendar a crise, ou como constipar os mercados

O anúncio de um referendo à “ajuda” europeia parece que deixou os mercados em pânico. Pudera: a dita ajuda destinava-se aos bancos credores, perante a óbvia conclusão que austeridade dá recessão, e com recessão ninguém paga dívidas.

Não sendo fácil de entender o que está por detrás deste referendo (já agora, convém lembrar que o PS lá do sítio está no governo depois do rebentar da crise, alternando com o PSD/PP respectivo, numa demonstração óbvia de que antes ou depois os pais das crises e sua continuidade são sempre os mesmos), é sintomático que um bocadinho de democracia assuste os mercados. Os mercados preferem tratar destas coisas com uns telefonemas franco-alemães, gente de confiança, banqueiros amigos no BCE, os mercados dão-se mal com a democracia, sempre foi assim, a democracia provoca correntes de ar e eles, coitados, constipam-se. [Read more…]

Liberdade de escolha – mais um embuste na Educação

Este texto do Fernando Moreira de Sá é elucidativo do modo de pensar de alguns (muitos?) empresários portugueses: o Estado deve estar ao serviço das empresas e não ao serviço do país. Nada que a prática governativa desminta.

Curiosamente, Pinto Balsemão frequenta um campo ideológico que defende a concorrência como uma solução absolutamente virtuosa. Para os sucedâneos portugueses do neoliberalismo, na esteira dos simplórios da direita americana, é o mercado que tudo resolve, com os consumidores a escolherem o melhor produto, obrigando as empresas a melhorarem continuamente ou a morrerem.

Não interessa muito saber se os simplórios são necessariamente mal-intencionados, mas são demasiado simplórios para que as propostas que apresentam – ou as decisões que tomam – se possam constituir como soluções aceitáveis, porque se limitam a impor ideias sem se preocuparem em analisar a realidade.

Atente-se no caso das televisões generalistas. Será que a concorrência introduzida pela chegada das privadas trouxe consigo um aumento da qualidade do produto? A verdade é que a televisão só poderia aumentar as audiências à custa de um abaixamento da qualidade, como se pôde verificar pela introdução dos reality shows ou pela telenovelização do horário nobre. A própria televisão pública, com a chegada das privadas, entrou na caça ao espectador e tornou-se numa coisa indecisa, sem ser serviço público de qualidade nem empresa de sucesso (embora, para isso, tenha contribuído, também, o facto de ser uma das muitas entidades para uso das clientelas partidárias). [Read more…]

Lixo? é o mercado, estúpidos!

A nossa dívida chegou a lixo. Custou mas foi.

Ora aqui está um belo dia para recordar aos eufóricos absolutistas do neo-liberalismo que tudo começou com os mercados, a liberdade dos mercados, a sacrossanta ditadura dos mercados.

Este artigo da wikipédia, incompleto e fraquinho, serve perfeitamente.

Não, não foi o “socialismo” (palavra que associada ao PS vale tanto como ligar PSD a social-democracia), nem o estado gastador, nem o raio que vos parta. Foi a especulação financeira, a ganância, a ditadura dos mercados sem qualquer controlo por parte dos governos que deveriam representar os povos.

Foram a Moody´s e restantes agências pagas por nós a preço de ouro, que não quiseram chamar lixo ao lixo, e agora inventam lixo onde nem o há com a única e obsessiva ideia de aumentar taxas de juro, logo os lucros do sistema financeiro, em particular dos bancos que tentam recuperar dos seus disparates de 2008-2009.

O resto é conversa, tal como o novo governo a fazer de coitadinho. Conversa de merda, que nem de treta merece o nome.

A Bélgica e a instabilidade política

Sempre que convém, o fantasma da estabilidade política é usado para assustar os portugueses, em particular, onde mais lhes toca: no bolso, via impostos a pagar caso os “mercados” (quem?!) se assustem com a dita instabilidade.

Foi essa a abordagem recente do PS quanto à possibilidade de haver em breve uma moção de censura; igual justificação para que se aprovasse o orçamento de estado foi usada; e esta mesma linha discurso teve lugar ad nauseam na última campanha eleitoral.

Acontece que os belgas estão há 7 meses sem governo. Serão loucos os belgas? Não terão eles medo dos “mercados”? Estará o país à beira do colapso? Parece que a resposta a estas questões é a mesma, um redondo não.

Portanto, senhores políticos, deixem-se de merdas e façam o que lhes compete. A saber, governar, uns, e outros, fiscalizar a governação. E fazer cair o governo quando este não se mostra capaz de fazer o que lhe compete. O que é mais do que notório há tempo demais.

Ah!, e pelo caminho, já que tanto gostam de fazer leis para tudo e mais alguma coisa, não se esqueçam de mudar as leis eleitorais para que, em caso de queda, se possa voltar a ter governo em apenas algumas semanas e sem períodos de defeso. Não estão sempre a usar os exemplos de outros países quando vos convém? Então, que olhem para os ingleses, que num mês caiu um governo, fizeram-se eleições e entrou em funções novo governo.

mercados

Ou comes a sopa ou chamo os mercados

s.f. Ralé, ínfima plebe. Crianças pequenas. s. m. Patife

A última pulhice da PT consiste em distribuir a correr os lucros da empresa pelos accionistas, antes que chegue Janeiro e tenham de pagar algum imposto que se veja.

Um dos donos de Portugal, Ricardo Salgado, avisou que caso o governo interferisse em tão patriótica pressa, os mercados iam ficar chateados, e ainda vinham aí dar tautau aos meninos.

O lucro do Banco Espírito Santo (BES) subiu 12,4% nos primeiros nove meses do ano, face a igual período de 2009, para 405,4 milhões de euros, devido sobretudo ao desempenho das operações internacionais. (Expresso)

Os bancos não pagam o mesmo IRC que a generalidade das empresas portugueses. Os bancos, como o BES, pedem emprestado ao BCE com juros a 1%  e depois compram a dívida pública portuguesa com juros na ordem dos 7%.

Sabem o que é um canalha?

Os Mercados

Nos dias que correm toda a gente fala numa coisa a que chamam “mercados”. Ninguém se dá ao trabalho de clarificar o que vem a ser isso dos mercados e parece-me que a maior parte dos “comentaristas” que falam nos nossos media não fazem a mais pequena ideia do que estão a dizer.

Há inclusive teorias de conspiração a circular que apresentam ideias mirabolantes para tentar explicar a situação em que estamos, sem apresentarem o mínimo resquício de prova do que estão a dizer. Por exemplo acabei de ouvir na televisão (SIC Notícias), numa tentativa muito débil de explicação, os seguintes argumentos:

  1. Estamos a ser vítimas de um ataque concertado pelos “mercados internacionais” (outro que defende este ponto de vista: Alegre critica silêncio de Cavaco sobre agitação dos mercados);
  2. Há outros problemas com indicadores tão maus como os de Portugal que não estão a ser tão castigados como nós;
  3. Há algo que não bate certo quando o BCE empresta a 1% aos bancos e estes por sua vez emprestam a 7% a Portugal (este último argumento nem se qualifica como tal). – (Ideia também repetida aqui: Louçã culpa bancos nacionais pela subida dos juros da dívida portuguesa)

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Os mercados estão em todo o lado

Os mercados estão em todo o lado. De repente somos submergidos por eles, os mercados. Sim, parecem ser um novo deus. Aos Católicos ouço dizer que Deus está em todo o lado. Para os políticos, comentadores, analistas e jornalistas, os mercados estão em todo o lado. Tal e qual aquele fulano que não nos larga. Enfim, um perseguidor.

Os mercados duvidam, os mercados estão atentos, os mercados desconfiam, os mercados isto e os mercados aquilo. Querem ver que os mercados são o ‘sistema’ do futebol, o ‘vocês sabem de quem estou a falar’ do Óctávio, o Brutos que também esfaqueou Júlio César, o ‘Adamastor’ que fez tremer os navegadores lusos?

Olha, mercado, se te posso tratar assim, vai dar uma volta ao bilhar grande e leva contigo os políticos, os comentadores, os analistas e os jornalistas que te vêm em todo o lado e que, acima de tudo, te dão demasiada importância. Não fossem eles, e tu não existias.

Pode sempre aumentar o IVA para 30%

Ou quem sabe, numa medida mais temerária, pôr os funcionários públicos a pagar para trabalhar. Há sempre maneira de acalmar os mercados

A isto, como é óbvio, chama-se proteger o Estado social… (risos)

UE – Integração ou dissolução?

A capacidade para o auto-engano é condição base para se tornar político.“

Fernando Pessoa, Livro da Inquietude

Hoje começo com uma breve tradução parcial de uma entrevista que o Ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer, deu ao magazine DER SPIEGEL (21/2010)

SPIEGEL: A UE já existia antes de existir o euro. Porque ela estaria no fim se a moeda comum não se impor?

Fischer: Não se trata só de uma moeda, trata-se do projecto europeu em si. Trata-se da questão se a Europa é suficientemente forte e se tem a vontade comum de defender este projecto contra ataques de fora, neste caso contra especuladores. Aqui é de importância central a unidade e determinação. Infelizmente desde a eclosão da crise em volta a Grécia, o nosso país tem reagido de forma totalmente diversa.

SPIEGEL: Mas com pode ser que um pequeno país como a Grécia lançe a UE para uma crise existencial?

Fischer: Desde o princípio não se tratava apenas da Grécia. Os mercados confrontaram a Europa duramente com a realidade. Todas as nossas bonitas ilusões – também as minhas próprias -, todo o nosso auto-engano, tudo isso foi varrido. Integração verdadeira ou dissolução, hoje é esta a alternativa.

SPIEGEL: A que ilusões se refere?

Fischer: Sempre se dizia que não se podia falar mais dos Estados Unidos da Europa. Dizia-se que o euro era capaz de funcionar só com base nos critérios de Maastricht, sem qualquer integração política. Os mercados nos mostraram que isto assim não funciona. Por isso, agora é preciso dar-se um passo corajoso para frente.

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A Universidade abre-se às empresas

As Universidades de Évora e Aveiro criaram as chamadas ” cátedras patrocinadas” em que uma empresa apoia financeiramente, com “know How” e o saber da experiência de quem está no mercado, a investigação de universitários e de investigadores com provas dadas em assuntos com grande potencial económico.

É o caso das energias renováveis e da biodiversidade já com parcerias a funcionar. Agora vão avançar outras Universidades como a da Madeira, do Porto e da Católica com matérias segundo o interesse das empresas, centradas num investigador com trabalho importante e reconhecido que poderá ser estrangeiro e que com os meios assim obtidos, poderá rodear-se de equipamentos e pessoas altamente prestigiadas.

As empresas ganham notoriedade por estarem envolvidas em investigação credível que poderá levar ao desenvolvimento de novos saberes e tecnologias e fazer o trabalho de transformar a investigação pura em produtos e serviços de mercado e, quanto à Universidade, adquire um músculo financeiro que só por si não  conseguirá alcançar.

Em Aveiro trabalha-se activamente nas tecnologias  das telecomunicações de onde já saíram ideias e produtos comercializados em todo o mundo.

No Alentejo, pela mão de Rui Nabeiro já foi criada uma cátedra com o seu nome e já conseguiu chamar um dos nomes mais importantes em Ecologia e Ambiente (Miguel Bastos Júnior) para desenvolver investigação sobre três pilares: promoção da investigação em biodiversidade e alterações globais, formação avançada em ecologia e divulgação.

Felizmente que a Universidade fechada sobre si própria, como um “bunker” onde só entravam os considerados “pares” e de onde nada saía de novo, está a travar o passo e a dar lugar a uma Universidade aberta à sociedade civil, às necessidade emergentes e aos mercados em parceria com o mundo económico.

Só retirando do palco o peso desmesurado do estado e da administração pública é que o país poderá avançar na senda do desenvolvimento. Enquanto tal não acontecer, continuaremos a ter o lamaçal dos negócios ílicitos, dos administradores “criados” do poder político, da cumplicidade entre poder económico e poder político , e o país a empobrecer!

7 000 000 de dependentes…

Esse é o número de pessoas que estão dependentes do Estado, melhor, à mercê do Estado ! Das suas políticas sociais, das suas políticas económicas, das suas políticas de repartição…

Este número representa 70% da população, e explica os silêncios, os escândalos sem castigo, a sociedade civil fraca e medrosa, a falta de homens e mulheres livres para criticar, para exigir respostas…

É a esta situação envergonhada que levam as políticas dos investimentos do Estado, as parcerias público/privadas cujos contornos são escandalosos, como ainda há dias um Juiz jubilado do Tribunal de Contas revelava.

A visão centralista e centralizadora dos governos do PS, em que os negócios são feitos à sombra do Estado, em que o dinheiro envolvido é dos contribuintes, abraçando como a jibóia, pagando favores e silêncios.

A livre iniciativa é filha bastarda, pode resultar em criação de riqueza e em mercados livres e regulados, não pelo Estado e os seus reguladores dependentes, mas pelo livre exercício do mérito e da competência. E essa liberdade não é consentida!

Silenciam-se os cidadãos, formata-se a comunicação social, nega-se uma justiça célere e transparente, lançam-se megainvestimentos que não deixam nada para mais nada, de que dependem empresários, banqueiros e trabalhadores, todos accionistas do regime, todos dependentes porque o Estado tudo controla, tudo filtra, tudo orienta…

E, para além da dependência financeira, temos a dependência na Saúde, na Segurança, na Educação e em vastas áreas sem as quais não vivemos, como a actividade dos transportes, da água, da luz, dos combustíveis, dos telefones, e até os serviços bancários já estão, em grande parte, dependentes do Estado!

Um Estado afundado em escândados e em corrupção, compadrios, partidarite, amiguismos, com a mentira das contas públicas e das contrapartidas dos negócios que ninguem explica. Há treze anos que o PS está no governo, há trinta que o PSD partilha a governação com o mesmo PS, chegamos ao fundo, somos os mais pobres, estamos condenados a empobrecer!

Sete milhões de pessoas, 70% da população, à mercê de um Estado corrupto e corruptor !

Por onde anda a indignação ?