Do abandono ao desprezo: como o PS virou costas à classe trabalhadora é o título do livro do economista francês Bertrand Rothé, que passa em revista 30 anos de história política e social em França. ” O PS nunca foi uma força de resistência face ao progresso do liberalismo da UE. Pelo contrário.”
Pensamentos socialistas do séc. XIX
As propostas socialistas como forma de construção de uma nova sociedade. ReferÊncias a Karl Marx e Engels, entre outros.
Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 8 – A civilização industrial no século XIX
Unidade 8.1. – O mundo industrializado
Proxenetismo fiscal
-O proxeneta como sempre é o Estado, incapaz de fazer dieta para emagrecer. As putas, são os portugueses. Não sinto qualquer vontade em voltar a trabalhar no meu país. O PSD é ainda mais socialista que o PS. Desde a promessa não cumprida pelo cherne do choque fiscal, que não voto na seita laranja. Se o CDS-PP continuar a ser muleta desta política, é simples, deixarei de votar.
Neoliberalismo
Deve ser a isto que alguns chamam neoliberalismo governamental.
Nos Braços da Alforreca Passos
Especialistas honestos acordam neste facto de límpida transparência: à grave crise internacional eclodida em 2008 somou-se a festiva dissolução imprudente, para não dizer amadora, dos recursos públicos perpetrada pelos Governos Socratesianos. Os dois factores conjugados tramaram Portugal. Álvaro Santos Pereira recorda, e bem, que a economia portuguesa começou a padecer de desequilíbrios graves sobretudo a partir do momento em que, sem o nomear, o Coração de Guterres veio distribuir o que não havia e habituar um Povo autónomo e capaz de se desenrascar às delícias da facilidade rendosa e do ócio fácil. [Read more…]
Não me inscrevo no PS, porque sou socialista
Foi o que Piteira Santos respondeu a Mário Soares e é aquilo que penso. Obrigado pela informação, Baptista Bastos.
Subsistência, mais-valia, reciprocidade
Este texto é parte das minhas aulas aos meus discentes do ISCTE, hoje IUL, proferida a 7 de Março de 2005. Adoeci gravemente, com cancro na tiroidea, mas escrevi o livro «O presente, essa grande mentira social. A mais- valia na reciprocidade», que reescrevo hoje, 14 de Novembro de 2011.

1. O título desta conferência tem vários conceitos que precisam de ser esclarecidos para entender a Antropologia da Economia e a falência em que este governo e o anterior nos fizeram cair. O primeiro é o de subsistência. Entendido este conceito, devemos lembrar o que se tem definido como objetivo da atividade humana. Esta foi exprimida in extenso por Adam Smith nas suas duas obras citadas [Read more…]
Heróis do Chile. Os operários

para Tiago Milagre daPC Médic, que informatizou o meu texto.
1º De Maio em Chicago de 1869
Falava um destes dias do dia do Roto Chileno, como ganharam a guerra a Confederação Perú-Boliviana pelo difícil e directo facto de assaltar o Morro de Arica, pelo lado do território chileno, inserindo a baioneta na dura rocha de 600 metros de altura, até atingir a plataforma de cima e entrando na vila de Yungay, território peruano, perdido para os chilenos, para os inquilinos, jornaleiros e operários convertidos em soldados de muito esforço, sem se queixar nem choramingar. [Read more…]
A filosofia da economia
A economia é dominada por duas grandes ideologias: o capitalismo e o socialismo. No essencial definimos capitalismo como o regime político que defende e promove os interesses do patronato e do grande capital, a banca, em detrimento da mão-de-obra assalariada. O socialismo pretende criar um regime político que defende o mundo do trabalho da exploração do patronato e da banca.
Baronesa Johanna Von Westphalen da Prússia, redactora e autora do Manifesto Comunista

«Finalmente pensaram a frase, pronunciada por Jenny: proletários do mundo, uni-vos. Quem finalmente escrevera o Manifesto Comunista fora Johanna von Westphalen, denominada a baronesa vermelha». (excerto do meu livro Marx, um devoto luterano (2010). Dedicado aos colegas aventares que são da minha cor e ideologia)
Muitas surpresas foram encontradas na pesquisa que fiz para este livro. A primeira, os comentários de Ratzinger sobre Karl Marx e o apoio que procurou nos seus conceitos para escrever o seu livro Jesu von Nazareth, Editora Vaticana, Estado Vaticano, Roma, traduzida ao português no mesmo ano como Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa. [Read more…]
Social-democracia de Esquerda
Isto de ser social-democrata de Esquerda é uma chatice.
Ontem participei na tertúlia organizada pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, sob o tema “Sá Carneiro visto pelos outros”. Os “outros” – eu, Tiago Barbosa Ribeiro, Tomás Vasques e Bruno Góis , os convidados, porque de Esquerda e Sá Carneiro, de Direita.
Ora, a social-democracia nasceu na Esquerda, oriunda dos marxistas que não aceitavam que as transformações sociais tivessem de ser feitas à custa de um processo revolucionário, mas antes no apuramento democrático rumo a uma sociedade socialista. E é este o meu espaço político, o daqueles que acreditam que é possível construir uma sociedade socialista por via da social-democracia. O que significa que não se tem partido político à escolha: o PS mantém o socialismo na gaveta e a social-democracia no armário; o PSD mantém a social-democracia da nomenclatura, pratica cada vez mais o liberalismo e foge ao socialismo quanto pode.
O modelo de social-democracia concebido por Sá Carneiro, não visa atingir o socialismo. Antes se baseia num modelo liberal de concepção da sociedade e do papel do Estado. Ou seja deslocou a social-democracia da Esquerda para a Direita.
Na interacção da tertúlia entre “os outros” e “os da casa”, defendeu-se que o pendor liberal da social-democracia tinha a ver com a génese portuense de Sá Carneiro, porque o Porto é uma cidade liberal.
Discordei e discordo, até porque muito do que o Porto conseguiu ao [Read more…]
a greve do 24 de novembro fracassada

É quase um delírio. Ver essas multidões a marchar para defender os seus direitos sindicais e cidadãos. É arrepiante ver como os direitos dos trabalhadores dos trabalhadores são avacalhados. Torno a dizer é quase um delírio, porque quem deve mandar em uma República, são os representantes dos trabalhadores. Mas, qual é essa representação? Ao modo de cada partido e não à moda dos direitos que o operariado tem. Cada partido político, tem a sua quota-parte do povo, nem todos da mesma classe social. Os partidos, ou dito de outra forma: união de muitas pessoas para um determinado fim, objectivos parciais, facçãofação, bando. Um partido político é um bando de pessoas unidas pelo mesmo objectivo. Eu diria que todos eles procuram meio para que os seus apoiantes possam lucrar. Lucros diferentes entre todos eles.
Mudanças

(adão cruz)
Casa nova, por sinal bem bonita e arejada. Hoje, quando fui ao Aventar, tive aquela sensação que se tem quando se muda de casa. Salas diferentes, cozinha e quartos diferentes, vistas diferentes. Pareceu-me, no entanto, que esta mudança se deu dentro do mesmo quarteirão, dado que os vizinhos são, praticamente, os mesmos, o que muito me alegrou porque a sensação de mudança torna-se, assim, mais suave. [Read more…]
marx, durkheim e a teoria da infância
As crianças no devem ser punidas, devem ser ensinadas
Para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2001-2002, que me motivaram para a pesquisa destas ideias. Estou agradecido, mudaram os meus pensamentos…
Não é à infância de Marx e Durkheim que eu me refiro. Refiro-me ao que eles afirmaram sobre a infância: meu tema preferido.
Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim ter usado, conjuntamente com a sua equipa, o método do materialismo histórico para a análise da vida social. E, no entanto, no seu livro escrito em 1888, publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, editada em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, sob o título Essais sur la conception materialiste de l’histoire.
Que Durkheim saiba de infância, é um dado adquirido. Que Durkheim se baseie na obra da Marx, é desconhecido.
No seu livro, também póstumo de 1925, L’Education Morale, Durkheim diz que o filho de um filólogo não herda um único vocábulo. O que a criança recebe dos seus pais, são faculdades muito gerais (…), há uma considerável distância entre as [Read more…]
A carga ideológica da constituição
Tal qual todas as outras esta constituição deve ser revista adequando-a aos tempos presentes. Retirando-lhe carga ideológica que não serve para nada, como se vê ao fim destes vinte anos, em que governados por um partido que se diz socialista e por outro que se diz social-democrata, temos um país mais pobre e mais desigual.
Se um partido ganha as eleições com um programa claro junto dos portugueses e não quer “caminhar para o socialismo”, nem considera adequado que o estado promova a saúde junto de todos os portugueses, só como exemplo, como se resolve a contradição? Manda a constituição ou o programa sufragado em eleições livres?
Nos países sociais democratas do centro e norte da Europa (os tais onde se vive melhor) quando chegaram à situação a que nós chegamos, com um Estado enorme e vazio, gastador e abafador da iniciativa privada que cria riqueza, não discutiram o fim do Estado Social, discutiram a forma de o manter. E a forma de manter o Estado Social ( a maior conquista de sempre na esfera social) foi libertar a sociedade civil, fortalecer o empreendorismo, apoiar quem tem ideias e determinação.
Não usam o banco nacional (Caixa Geral de Depósitos) para a economia de casino (conforme notícia de hoje e que vem confirmar o que já se sabia) para controlar empresas e bancos privados, nem usam “golden shares” para meter lá boys e girls, bem pelo contrário, apoiam as empresas inovadoras, de tecnologia, investigadores, pequenas e médias empresas que asseguram o essencial das exportações, do emprego e do PIB.
São os países sociais- democratas europeus onde se vive com níveis muito mais elevados do que nos pobres países onde a discussão se resume a ter um Estado que come 50% da riqueza ou, em alternativa, ter uma economia neoliberal, como se a social-democracia não esteja aí a dar lições de bem governar.
Não vale a pena agitar o papão dos “golpes de estado”. A democracia e o Estado de Direito são suficientemente fortes para garantir a defesa do Estado Social! Assim, na devida altura, não continuem a estar, militantemente, do lado errado da história!
Social – Democracia ! Começar de novo!
A Social – Democracia arrancando os povos à miséria e à guerra, atacada à esquerda por quem não apresenta nenhuma alternativa válida e à direita pelo Liberalismo feroz, soçobrou nos últimos 30 anos. Que fazer?
Começar de novo! Temos que aprender a criticar quem nos governa, agora mais do que nunca que somos governados por pigméus, eleitos por uma massa acritica e acéfola de pessoas que não aspiram à cidadania. O programa é vastíssimo, mas é concreto, consistente, pragmático ao contrário das”manhãs que cantam” e da “meritocracia” sem alma.
Novas leis, regimes eleitorais diferentes, restrições ao lobbying” e ao financiamento dos partidos, reconhecimento da tensão e do conflito de interesses, contrariando a tese de Adam Smith de que o enriquecimento de alguns arrasta o bem estar de todos. Queremos todos a mesmas coisas. É falso! O rico não quer o mesmo que o pobre! Como trazer as massas de trabalhadores para dentro do sistema, enquanto cidadãos e eleitores? As respostas da Social-Democracia foram muito superiores a tudo o que é conhecido, sem rupturas, sem revoluções, sem pulsões sociais.
É preciso “desmascarar” o Estado activista, que como vimos com Guterres e Sócrates é factor de injustiça, da criação de elites e de desigualdades, mas é preciso, pensar o Estado reabilitado, democrático, de “juris”, regulamentador, facilitador da ascensão social e criador de oportunidades. O Estado Soviético e totalitário tem que ser rejeitado, mas sem nunca se retirar a palavra “socialismo” , embora tenha falhado em todas as experiências, ao contrário da Social-Democracia que superou todos os sonhos dos seus criadores.
Falta retirar as lições da “3ª via”; falta equacionar as mudanças demográficas e a sua penosa influência no Estado Social; falta entranhar as mudanças na política internacional como é o caso da China e o seu “dumping social”; falta analisar os erros das privatizações mas tambem o sucesso da entrega de serviços públicos a privados como é o caso da Escola Pública na Suécia. (esta experiência dura há 20 anos com assinalável sucesso).
A vontade colectiva faz mexer o mundo, não devemos ter medo que a mais pequena mexida seja vista como uma medida revolucionária! A Social – Democracia é novamente a esperança!
PS: com Toni Judt
Sobe, sobe, IVA sobe !
E sobe mesmo, começou nos 1%, passou a 1.5% passou nos 2% e quedou-se nos 1% !
Como temos a garantia, mil vezes repetida, que os impostos não vão subir, só pode ser que o nosso primeiro tenha descoberto que aumentar o IVA não tem qualquer influência nos bolsos dos contribuintes por os preços não terem aumentado no último ano. É uma espécie de arredondamento para o “preço normal”.
Depois o IVA apanha todos por tabela, é o mais simples e o mais fácil de implementar, um dia depois já há dinheiro, sem mudanças na máquina e sem trabalho. Claro que isto vai ter uma grande influência negativa nas empresas (pagam sem primeiro receber a começar pelo Estado caloteiro, que recebe o IVA de operações que ainda não pagou) isto a acrescentar às enormes dificuldades de tesouraria e do aperto do crédito bancário.
As medidas tomada no PEC (Programa de Empobrecimento em Curso) não têm outro objectivo que não seja arrecadar mais dinheiro e tirar dinheiro dos bolsos de quem ganha menos e vive pior, não tem medidas de relançamento da economia. A isto chama-se empobrecer por vários anos, vamos todos viver pior! Há dez anos que é este o “fado socialista”, não crescemos, tornamo-nos num país mais injusto, mais desigual e mais pobre!
Desde Guterres que é assim! A última vez que convergimos com a UE foi com Cavaco Silva. A partir daí só divergimos, e estas medidas vão contribuir para emperrar ainda mais a criação de riqueza.
Pois é, a “esperançosa” palavra “socialismo” devia doer na boca destes crápulas mentirosos e indecentemente liberais!
marx,durkheim e a teoria da infância
Para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2001-2002, que me motivaram para a pesquisa destas ideias.
Não é a infância de Marx e Durkheim que eu refiro. Refiro-me ao que eles afirmaram sobra a infância, o meu tema preferido, o da criança.
O fundador da Sociologia francesa, espalhada pelo mundo,Émile Durkheim
Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim ter usado, em conjunto com a sua equipa, o método do materialismo histórico para a sua análise da vida social. No entanto, no seu livro escrito em 1888 e publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, tal como a descreve em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, no seu Essais sur la conception materialiste de l’histoire.
Que Durkheim saiba de infância, é um dado adquirido. Que Durkheim se baseie na obra da Marx, é desconhecido.
No seu livro, também póstumo de 1925, L’Education Morale, Durkheim diz que o filho de um filólogo não herda um único vocábulo. O que a criança recebe dos seus pais, são faculdades muito gerais…há uma considerável distância entre as qualidades naturais da infância e a forma especial que devem adquirir para serem utilizadas durante a vida…. Ao longo de duzentas páginas ou mais, o nosso autor desenvolve a sua teoria sobre a educação moral e a pedagogia, para acrescentar mais à frente que a existência de classes sociais, caracterizadas pela importante desigualdade de quem tem e de quem apenas possui a sua capacidade de produção como força de trabalho, torna impossível que contratos justos sejam negociados, entre um possuidor e um não possuidor de meios de produção (a minha síntese). O sistema de estratificação social existente, constrange uma troca igual de bens e serviços, ofendendo assim as expectativas dos povos das sociedades industriais. A exploração impossibilita…uma igualdade necessária para exprimir a vontade…. (a minha tradução).
As ideias expressas nas páginas 209 e seguintes, delimitam a sua ideia original do desenvolvimento das capacidades da criança. Estas parecem depender da classe social, como refere Durkheim e os seus comentaristas.
O socialismo morreu? (Memória descritiva)
No pórtico do seu livro “O Pós Socialismo” (“L’Après socialisme”) que recentemente reli, quase trinta anos depois de ter sido editado em Portugal), dizia Alain Touraine: «O Socialismo está morto. A palavra figura por todo o lado, nos programas eleitorais, no nome dos partidos e mesmo dos Estados, mas está vazia de sentido». Este reputado sociólogo francês, criador do conceito de sociedade pós-industrial, propõe uma acção apoiada, não em partidos ou em sindicatos, mas sim em movimentos sociais.
Note-se que Touraine fazia esta afirmação antes de, na Europa, a grande ofensiva dos partidos socialistas ter tido lugar – em 1981, François Miterrand vencia as eleições presidenciais francesas e Andreas Papandreu as legislativas da Grécia; em 1982, Felipe González ganhava as eleições legislativas em Espanha e em 1983, Mário Soares, as de Portugal. Embora em Itália, o Partido Socialista de Bettino Craxi não conquistasse votações significativas e o seu nicho no ecossistema político italiano fosse, desde 1976, preenchido pelo euro comunismo do Partido Comunista de Enrico Berlinguer, o socialismo parecia estar vivo. A realidade contrariava a tese de Touraine? Foi precipitada a sua afirmação?
Ele falava de uma coisa diferente – do ideal que com Saint Simon e Owen deu os primeiros passos, acertando depois a respiração pelo resfolegar das máquinas com que o capitalismo inaugurava a era industrial e, com Marx e Engels, passou da fase utópica à fase cientifica. Filtrado pela revisão leninista, definido como ponte entre o capitalismo e o comunismo, após o pesadelo estalinista, entrou na senda do «socialismo real».
Num livro mais recente, “Un nouveau paradigme” (2005), Touraine analisou o percurso histórico das difíceis relações entre política, economia e sociedade, assinalando três etapas na laicização e privatização da economia europeia. Na Idade Média, séculos XI e XII o poder político fugia à tutela da Igreja. Os senhores feudais e as casas reinantes começavam também a sacudir o jugo religioso e a consolidar as fronteiras e soberanias. Deu-se depois uma aliança entre o poder político e económico. Nobres e mercadores conciliaram interesses Os príncipes patrocinaram grandes empreendimentos mercantis (nomeadamente os descobrimentos). Só, séculos mais tarde, com o advento da era industrial e do liberalismo, o poder económico ganhou vida própria, fora da esfera do poder político. A economia de mercado faz a sua aparição e estabeleceu o seu império. [Read more…]
…a religião é o ópio do povo…
É bem sabido que esta frase não é minha. Foi escrita por Marx no seu livro de 1843, para criticar o seu antigo mestre Georg Hegel, que em 1820 tinha escrito o seu texto Filosofia do Direito, livro que desqualificava ao povo. Marx tinha sido educado na escola jesuíta de Triers a sua cidade e mais tarde no Ginásio de Triers, onde escrevera O amor de Jesus e a união dos cristãos, na base do Evangelho de São João.~
Marx era luterano e recebeu educação luterana e casou com uma baronesa da Prúsia, católica. Uniram se em matrimónio, e entre a fé de Marx e de Johanna von Westphalen, souberam lutar pela liberdasde de expressão especialmente essa do povo mal pagão que não tinha mais valia, era retirada pelos proprietários dos medios de produção nas vendas dos bens fabricado pelo operariado ao cobrar mais pela mercadoria do que pagavam em salários as suas ideias foram mudando e criaram a teoria do materialismo histórico, com base na economia e nas suas ideias de fé. Nada tinham contra a religião. Até a defendiam por ser parte das formas de pensar do povo, os seus amigos, que mais tarde denominaram o proletariado. [Read more…]
Le Temps des cerises (Memória descritiva)
Concluído em Novembro de 1870 o processo de unificação dos 25 estados germânicos, no dia 18 de Janeiro de 1871, passaram há pouco 139 anos, era proclamado o Império Alemão. Em Abril a Constituição ideada por Otto von Bismarck entraria em vigor. Nada disto seria de estranhar se Guilherme I, o soberano alemão, não tivesse sido coroado imperador do Segundo Reich na sala dos espelhos do Palácio de Versalhes. Foi uma humilhação excessiva aquela a que os franceses foram submetidos.
Era a consequência da derrota da França na recente guerra com a Prússia. A causa próxima desse conflito fora a candidatura de Leopoldo Hohenzollern ao trono de Espanha. Mais bem preparado, o exército prussiano, deflagrada a guerra em 19 de Julho de 1870, infligiu sucessivas derrotas aos franceses, aprisionou o imperador Napoleão III em Sedan, e em breve cercava Paris. Foi proclamada novamente a República na capital francesa, tomando posse um Governo Provisório de Defesa Nacional presidido por Louis Adolphe Thiers.
O Diabo por Belzebú
É o espírito que conduz o mundo e não a inteligência
Antoine de Saint-Exupéry
Em 9 de Novembro 1989 caiu o muro de Berlim. Existia então a seguinte situação com os seguintes ingredientes imateriais: um sóciosistema podre, não reformável e condenado, uma constelação astral propícia, o mês dos Escorpiões, Novembro, e uma banda chamada “Scorpions” (“Escorpiões”) que cantando a canção “Wind of Change”* augurava mudanças. E estas mudanças materializaram-se.
O que na altura não se viu ou não se quis ver, foi o facto que todo o sistema mundial estava podre e caduco. Assim, este, com a queda do muro e com a despedida do indispensável antagonista “socialismo”, ficou fora de equilibrio de vez. Mas nós, na nossa mania de vermos apenas vencedores e vencidos e não tanto o bem comum e o TODO, declarámos a vitória unilateral do capitalismo pensando que iamos viver felizes para sempre.
Todavia, como um mundo unipolar e sem antagonistas não funciona, tiveram que surgir outros “ismos” (islamismo, fundamentalismo religioso, etc.) para tomar o lugar do defunto socialismo. Por outras palavras: substituimos, a partir e 1989, o diabo por belzebú. Por isso, após 20 anos de vãs tentativas – Globalização – de alcançarmos a felizidade, bem-estar e a harmonia, os ventos da mudança, desde 1989 suprimidos, ignorados e não aproveitados na altura para criar uma nova ordem, fazem-se sentir com cada vez mais força para restabelecer o equilibrio e a harmonia perdidas. Quem se opõe corre perigo de sucumbir, temos é que acompanhá-los. Assim teremos uma boa oportunidade de chegarmos, após alguns sustos e sobresaltos, a um mundo melhor.
Penso que em breve a canção “Wind of Change” conhecerá uma nova edição – talvez em em Novembro de 2010?
RD – bloguer convidado
P.S. Por mais paradoxal que pareça: depois da grande mundança qualitativa teremos os dois antagonistas, capitalismo e socialismo (ou egocentrismo e sóciocentrismo), de volta – felizmente! Todavia, desta vez sem estarem bipolarizados e sob uma forma de pensar e agir que permita vencer a dualidade entre os dois: olhando para a frente e primeiro para o benefíco do próximo. É esta a receita para os tempos áureos que o mundo periodicamente tem conhecido e voltará a conhecer quando a grande “seca” acabar. E então, em vez de quaisquer “ismos” estúpidos, teremos novo crescimento e ascensão sócioeconómica, política, cultural e ecológica para todos, ou seja, para os mais ricos e os mais humildes. Claro, tudo isso até que um dia voltarmos ao comportamento linear que depois traz consigo novos “ismos”. A não ser que entretanto tenha chegado o momento em que se cumpre o seguinte vaticínio feito em 1969:
“O desenvolvimento espiritual da humanidade acontecerá em três épocas: 1º comportamento instintivo animalesco, 2º comportamento linear sob o lema: o que serviu ontem, também há-de servir hoje e 3º pensar e comportamento “em espiral”. Com o comportamento em “espiral” começará a reunificação entre natureza, homem e técnica e com ela a época mais nobre da humanidade.”
Professor Pannikar, catedrático para a filosofia hinduista da Universidade de Benares (Frankfurter Allgemeine Zeitung, 22.01.69)









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