Dentro dos meus olhos uma tela azul enorme, como a luz dos teus olhos onde encerrei todo o céu que pude.
Um mar imenso de mil cores, mil jardins de flores, mil flores à minha escolha, ao critério dos meus dedos, ao sabor dos meus segredos e dos medos de não ser capaz.
Azul e mais azul de amarelo fustigado, um rasgo genial de vermelho, um reflexo de sol e de céu.
Nada te dizem as cores da minha mão se tento escrever-te numa tela ou pintar teu rosto na letra de um verso.
Tu não queres puxar os cordéis das minhas pernas em sentido de fuga. Não deixas abrir as janelas do vagaroso comboio translúcido, carregando ruas estreitas e novas lojas de palavras velhas.
Nas estreitas ruas das minhas mãos há longuíssimas raízes que te prendem a um labirinto de espelhos.
Grande como o céu, tão alto e tão à mão, não sei pintar-te assim. Vou recriar-te dentro de mim em projectada incandescência de quadros brancos, sem palavras, sem fundo e sem fim.





Tive um professor absolutamente excepcional, de história e português, Dr. Carlos Bento, nos intervalos não se deslocava à sala de convívio dos professores, era da oposição, adorado pelos alunos escorraçado pelos colegas de profissão.
Há duas espécies, os que andam a mendigar na rua e os que andam a “sugar” no Estado Social. Os primeiros, embora menos apresentáveis e mais chatos (não nos deixam ler o jornal sossegados) são bem mais respeitáveis que os segundos.





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