Desemprego em Portugal

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A fumaça do dia, que não tapa um recém-nascido quanto mais funcionários do Citibank, é a descida do desemprego. Isto resultaria numa chatice para a esquerda e numa vitória para a direita. Fui ver, seguindo esta ligação, e deparo-me com dois funcionários de dois bancos, dizendo um, aliás uma:

 a população activa registou um declínio mais acentuado

e o outro que

O emprego aumentou, assim como a população ativa,

Cheirou-me a esturro, nada como ir à fonte. O INE é bem claro, nas suas estimativas:

A população empregada diminuiu 3,9% em relação ao trimestre homólogo de 2012 (182,6 mil pessoas) e aumentou 1,6% em relação ao trimestre anterior (72,4 mil). (…)

A população desempregada aumentou 7,1% em relação ao trimestre homólogo de 2012 (59,1 mil pessoas) e diminuiu 7,0% em relação ao trimestre anterior (66,2 mil).

Deixemos de lado o problema da população activa e de quem tecnicamente a forma, da emigração dificilmente contabilizável num espaço europeu, etc. etc. que fazem da taxa de desemprego um número pouco interessante porque dificilmente comparável. Um bom indicador económico, utilizado de forma homóloga como é óbvio, seria um aumento da população empregada; diminuiu e muito. O resto é tão sanzonal como a propaganda de todos os governos todos os anos repetindo a mesma coisa, como se fossemos muito estúpidos ou desconhecêssemos que os turistas chegam a partir do Abril em Portugal. E este ano até são muitos, ainda bem, sem dúvida que darão mais trabalho durante umas semanas a muita gente, óptimo, esperem pelos dados do 3º trimestre, vai ser um autêntico festival propagandistico de Verão em pleno Outono governamental.

À Procura da Cloaca Perdida

Considero um alívio a auto-evacuação de Joaquim Pais Jorge do Governo Passos II [um começo brilhante!], para mim a melhor notícia desde a sua prestação calamitosa no célebre briefing do secretário de Estado Lomba, adjunto do adjunto Maduro. Ainda que vítima da baixeza do Spin Socratista, Joaquim disse nada ter a ver com os swap do Citigroup, sendo ao tempo, em 2005, um seu alto quadro em Portugal. Ainda que vítima da baixeza do Spin Socratista, Joaquim disse que não tinha responsabilidades directas na venda de produtos derivados mascaradores da dívida nacional, de dívidas nacionais em geral. Esquisito e talvez fácil de desmentir, ainda que toda esta urdidura resulte em mais uma vítima da baixeza do Spin Socratista. Joaquim disse mais: que não se recordava de ter participado nas reuniões de promoção e venda desse artigo em reuniões com assessores em São Bento, quando São Bento era habitado pelo prodígio de carácter, visão e boa governança, Sócrates. Joaquim Pais Jorge nem sequer deveria ter sido convidado para este cargo que nem aqueceu, mas com a estratégia não recriminatória do socratismo com que Passos se atirou à governação, era de esperar que até um espirro mal dado servisse à Máquina de Spin Socratista no sentido de descredibilizar e somar fragilizações a este Governo, mesmo a esta segunda versão supostamente robusta.

Mas pronto, ainda que vítima da baixeza do Spin Socratista, Joaquim acaba de se auto-excretar. Ponto final. [Read more…]

Demitiu-se

Joaquim Pais Jorge, o secretário de estado que antes de o ser já não o era.

dísticos (5)

dizes:
o que eu faço é bom.
dizes:
o que eu faço é para o teu bem.

eu digo:
há quem não esteja contente contigo.
tu dizes:
cala-te.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (4)
dísticos (3)
dísticos (2)
dísticos (1)

Mas afinal é um bebé ou um elefante?

Sem título
Com o jeito dos actuais governantes para os números, não admira que o país esteja nesta situação…

A caminho da Comporta

pifaradas espirito santo

Pifaradas e Zambumbadas dos Pastores com BES em fundo, Coimbra.  Fotografia de Carlos Jorge (Cajó)

Pobre diabo!

“Precisamos de mais exorcistas” – Padre Duarte Sousa Lara

It’s The End Of The World As We Know It…

Captura de ecrã 2013-08-6, às 17.21.49

Ao longo dos últimos anos participei em dois projectos na blogosfera em paralelo com o Aventar. No Albergue Espanhol (até às legislativas) e depois destas no seu herdeiro, o Forte Apache. Sem nunca deixar de escrever no Aventar, a minha casa originária.

Hoje terminou um ciclo com o fim do Forte Apache. Foi um prazer, uma honra e um enorme orgulho partilhar ideias com todos os fundadores e participantes destes dois blogues. Permitam-me que saliente alguns em especial: o Pedro Correia, o Luís Naves, o Francisco Almeida Leite, o Carlos Abreu Amorim, o Rodrigo Saraiva, Adelino Maltez, João Villalobos e António Nogueira Leite. Pela relação de amizade que se estabeleceu e por tudo o que com eles aprendi. A eles e a todos os outros que fizeram parte deste projecto fica o meu público agradecimento.

Existia um ponto (no mínimo) em comum: acreditar que Pedro Passos Coelho e, posteriormente, o seu governo, seriam a solução para a mudança necessária que o país precisava. E disso fazer o devido eco na blogosfera. Aos poucos o blogue (Forte Apache) foi-se esvaziando dos seus fundadores. Mais tarde, alguns deixaram de escrever por variados motivos e até mesmo aqueles que ficaram responsáveis pela gestão do Forte começaram, como se diz na minha terra, a “perder a pica”. Foi o meu caso. E as razões são facilmente compreendidas por quem, mais atento, reparou/leu nas minhas opiniões ao longo dos últimos meses.

A vida é feita de ciclos e este (2009-2013) terminou. Pelo meio, grandes alegrias, enormes amizades, algumas tristezas e nos últimos tempos várias desilusões. É assim a vida. É assim a política.

Evolução

Da comida de plástico à de vidro.

Sejamos sérios

Diz-me o calendário que hoje é dia 6 de Agosto de 2013. Data assinalável a vários títulos.

Neste dia, há 68 anos, acontecia a bomba sobre Hiroshima. Eu era um garotinha atenta ao que ouvia à minha volta: a 2ª Guerra Mundial tinha acabado e em Luanda, onde vivia, tinha havido uma grande manifestação de regozijo, mas eu não percebi porque é que foi preso um homem que deu vivas à Rússia, um país aliado segundo diziam os mais velhos. Muitos anos depois, a conversar com o Raúl Indipo, do Duo Ouro Negro, entrámos nessas memórias e fiquei a saber que também ele tinha ficado confuso: julgou que estavam a dar vivas à Russa, má peça com toda a certeza porque quem a saudava era preso, mas ele nunca conseguiu saber quem era a matrona enquanto catraio. Naquele dia, há 68 anos, eu estava sentada na areia da praia onde vivia mais o Sérgio, o filho do cozinheiro que democraticamente andava na escola pública comigo por decisão da minha mãe. Contei ao Sérgio o que tinha ouvido sobre Hiroshima e adiantei que os americanos iam continuar a deitar bombas por todos os lados. Vem de longe esta desconfiança em relação aos camones e vá-se lá saber porquê. O Sérgio estava de olhos arregalados mas não tugiu nem mugiu. Quem o fez por ele foi o pai cozinheiro que, pelo anoitecer, se plantou diante da minha mãe com o filhote pela mão e declarou que ia dormir ao musseque porque queria morrer ao pé da família. O aranzel que aquilo deu. [Read more…]

dísticos (4)

dizes:
essa forma não se ajusta às nossas necessidades.

eu registo:
continuas usando o plural majestático.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (3)
dísticos (2)
dísticos (1)

Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATONão saber o que é um ano lectivo corresponde, na prática, a uma condição sine qua non para se ser Ministro da Educação em Portugal. Nisso, como em muita outras coisas, Nuno Crato tem-se mostrado à altura do cargo, não destoando dos seus antecessores.

Tentarei, de forma sumária e simples, ajudar os próximos ministros a perceber este conceito tão espantosamente simples.

Em primeiro lugar, é importante perceber que se trata de um período. Foi por isso que o inventor do conceito resolveu usar a palavra “ano”. Concedo, ainda assim, que a dificuldade do ministro não esteja neste termo. Talvez o problema esteja em “lectivo”, que os adjectivos são palavras terríveis.

Uma consulta a qualquer dicionário ajudará Nuno Crato a perceber que o adjectivo é equivalente a escolar. Poderemos, assim, concluir que “ano lectivo” se refere a um período em que há aulas. [Read more…]

Simulador de rescisões

Simulador de rescisoes

Governo lança simulador para quem queira rescindir com o Estado

Férias

ferias

A cultura também é um negócio

E cada um deve gerir o seu como bem entende. Chegado a Portugal, fui visitar uma livraria que desde sempre gosto de frequentar, com o intuito de abastecer livros que permitam satisfazer os meus hábitos de leitura durante meses. Saí de mãos a abanar. Não estou preparado para comprar livros escritos em brasileiro, exceptuando autores brasileiros, como é óbvio. Os autores ou editores, nem sei bem a quem imputar a responsabilidade, são livres de aderir ao A.O., mas eu não serei menos livre em escolher como e onde gastar o meu dinheiro. É que a leitura sempre foi para mim um prazer. Mas com esta ortografia na qual não me revejo, deixei de comprar jornais. Agora vão também os livros. Não gosto do A.O., prefiro reduzir drasticamente os meus hábitos de leitura. Ainda que acabe por ler títulos ou autores que considere mesmo indispensáveis, seguramente que o meu protesto visará atingir o ponto onde posso ser mais eficaz no protesto, evitando a compra. A escolha foi da indústria livreira, pois as escolhas têm consequências…

Vendo a minha colecção de postais ilustrados antigos

Alguém interessado ou mando para o lixo?

Grafias duplas e uniformização ortográfica

Lúcia Vaz Pedro é professora de Português e formadora do acordo ortográfico. Declarando estar ciente de que há, ainda, muitas dúvidas acerca do novo acordo ortográfico, promete dedicar o mês de Agosto a esclarecer “as questões mais problemáticas sobre esse assunto”, começando “por abordar a supressão das consoantes mudas”. Vale a pena acompanhar o esforço da articulista.

No segundo parágrafo, afirma que a dita supressão é a “maior alteração na ortografia da língua portuguesa, na variante lusoafricana [sic]”. Para além de existir um problema grave na solidez dos alicerces legais que sustentam a aprovação do chamado acordo ortográfico (AO90), a verdade é que, nos países africanos lusófonos, não está a ser aplicado. Conclui-se, portanto, que, na realidade, as alterações incidem, apenas, na variante lusa, sem a companhia da africana. De qualquer modo, seria bom que uma professora de Português, ainda mais se formadora do acordo ortográfico,  soubesse que, com ou sem AO90, se deve escrever luso-africana. Sim: com hífen.

A seguir, faz referência à possibilidade de haver duplas grafias, dependendo da “oscilação da pronúncia”, o que tornou possível o surgimento de oscilações ortográficas, no caso de palavras como espectador e sector, entre muitos outros exemplos. No mesmo parágrafo, aparentemente a propósito, recomenda que devemos ter presente a ideia de que “tendo cada variante a sua pronúncia, deve seguir-se a respetiva [sic] grafia.” Pela mão de Lúcia Vaz Pedro, estamos, mais uma vez, prestes a confirmar que o AO90 não trouxe uniformização ortográfica. [Read more…]

Mais Maias (?)

eçaO Expresso, sempre pronto para bizarrias editoriais, lançou mãos à empreitada de, não só editar o original de Os Maias, mas continuá-lo e dar-lhe um fim na convicção, porventura, de que Eça de Queirós, conquanto fosse um escritor diligente, não tinha fôlego para dar conta, sozinho, da tarefa ingente de concluir a obra. Para isso mobilizou escritores – como Peixoto e Agualusa – e outras pessoas – como Clara Ferreira Alves.

Não me entendam mal. Nada tenho contra o facto de estimular o emprego nos vários sectores da edição – desde o escritor ao livreiro – e reconheço que a vida está difícil para todos. Assim, o Eça, coitado, depois de ter visto editado um romance que ele próprio rejeitou (A Tragédia da Rua das Flores), vê agora continuado um romance que, na sua arrogante convicção, pensou ter acabado. Ele e os milhões de leitores – os voluntários e os em boa hora obrigados pelo programa do Ensino Secundário – que, na sua ingenuidade, julgavam ter lido a obra completa. Já nem falo dos muitos e ilustres ensaístas que dedicaram uma vida a trabalhar sobre este equívoco (embora Carlos Reis não hesite em incluir nisto a sua “Introdução à Leitura d’Os Maias”).

Por mim, confesso: tal como não li a “Tragédia…” – se o seu autor a abominava, eu respeitei a sua opinião – não faço a menor intenção de ler este folhetim escrito nas defuntas costas do seu autor. Há lá escritores estimáveis e dos quais gosto? Há. Mas, por mim, vão ficar a falar sozinhos. Embora possa ser estimulante para alguns ler a fulgurante conclusão que a Clarinha vai dar à obra-prima de Eça. Que, por este andar, ainda se transforma em obra-tia. A iniciativa do Expresso designa-se, no seu comemorativo conjunto, “Eça Agora”. Essa agora!!

Até parece que Mourinho lhe deve alguma coisa

«Não escupo no prato em que como»

A Irritante Busca da Verdade

Estamos pacificamente de acordo quanto à criminalidade subjacente ao caso BPN. Também deveríamos estar todos de acordo quanto ao processo manhoso, de dolo difuso, em que consistiu a nacionalização manhosa dos prejuízos do BPN, com manutenção privada dos suculentos activos SLN agregados ao mesmo Banco. O Bloco Central de Interesses vela por si mesmo, enquanto nos lixa sem piedade. Tem sido assim. E por vezes uma guerra para ver quem carrega com mais culpas ou o silêncio total quando não interessa escavar mais. Por isso, o que não percebo é por que motivo ainda não vi o visado a desmentir este incentivo aos swap em forma de despacho de 2009 ou alguém a entrevistar o Caimão para todos ficarmos a saber quem é que ilicitamente andou a ganhar dinheiro precisamente quando, em 2011, os juros da dívida portuguesa, nas diversas maturidades, rebentavam a escala e, por alguma razão mística, o Governo Português retardava o pedido de resgate. A busca da verdade é irritante, tirando o facto de andar pelos media um fermento de absolvição instantânea da Esquerda, se é que o PS é ou pode ser visto como tal coisa quando no poder. Esquerda ali é só para disfarçar outros desígnios que só o Caimão saberá.

Bem perguntado, mas já estava respondido

De quem é o Crivelli? Claro que é nosso.

dísticos (3)

dizes:
eu quero a paz.

sim, acredito.
já seria altura de gozares
o que ganhaste na guerra.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (2)
dísticos (1)

Cante Alentejano

cante alentejano

Estudo para um documentário sobre o Cante Alentejano. Realização de Sérgio Tréfaut. Veja aqui.

Ponte do Lima

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Liberdade no ensino

885

dísticos (2)

dizes:
é necessário construir o futuro.

agora compreendo porque afundas o presente:
para lançares os alicerces.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (1)

Más companhias

más companhias

Ontem o Correio da Manhã trazia uma foto dum casal a passear na rua e de uma outra pessoa a quem desfocaram a cara, como aqui se destaca, quiçá por receio de processo por parte de quem se retrate em más companhias.

Ex-Tutela Lava as Mãos

sem autorização, intervenção ou prévio conhecimento da tutela!

Números

815

dísticos (1)

dizes:
eu é que sei quais são os interesses de todos.

e não sabes
que todos sabem também quais são os teus interesses?

«dísticos»Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)