Mais um assassinato no SNS

O de um cidadão de 74 anos do Algarve, vítima de um AVC isquémico. 6 (inenarráveis) horas de espera nas urgências no Hospital de Faro até ser enviado o pedido para o São José que o recusou por falta de meios, acabando por ser transferido várias horas depois para os HUC onde viria a morrer. Levanto as mãos aos céus e pergunto-me como é que é possível que um doente com uma patologia que mata em minutos demore horas e cruze metade do país à espera que um hospital o aceite?

E o Ministério Público continua a dormir…

Perplexidades avulsas

O caso Banif é verdadeiramente inacreditável. Estive a ler o comunicado de imprensa da DG-Comp (Comissão Europeia), do dia 21 de Dezembro de 2015. Nesse comunicado, a DG-Comp diz a determinada altura o seguinte (sublinhados meus):

* “A Comissão Europeia aprovou os planos de Portugal para conceder cerca de 2,25 mil milhões de EUR de auxílio estatal para cobrir o défice de financiamento na resolução do Banco Internacional do Funchal S.A. (Banif), em conformidade com as regras em matéria de auxílios estatais da UE.

Uma outra medida de auxílio no valor de 422 milhões de EUR cobre a transferência de ativos depreciados para um veículo de gestão de ativos. Por último, a Comissão aprovou uma margem adicional de segurança sob a forma de uma garantia do Estado para prever eventuais alterações recentes no valor da parte vendida ao Banco Santander Totta, o que eleva o total das potenciais medidas de auxílio para quase 3 mil milhões de EUR“.
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Dividir para reinar

A 5 dias de um clássico que pode dar, em caso de vitória, uma moral adicional ao vencedor e, no caso do FC Porto, a maior vantagem pontual e moral da temporada sobre o Sporting, parece tudo coincidência, mas não é se não conhecessemos o modus operandi comunicacional de um certo clube do Norte. A Jorge Jesus é perguntado se um dia gostaria de treinar o FCP no mesmo dia em que os jornalistas do mesmo jornal perguntam a Pinto da Costa o que acha sobre o técnico e no mesmo dia em outro jornal, vocacionado do ponto de vista editorial para espalhar a semente da propaganda do clube do Norte dá como certo Carrillo no Porto no final da temporada e continua a dar ênfase à dívida que o Sporting terá que pagar ao fundo Doyen Sports (principal parceiro do FCP na aquisição de jogadores) devido à decisão judicial do TAS num processo em que o FC Porto, entidade exterior à transferência de Marcos Rojo, entidade que nada tem a ver com o assunto foi testemunha directa da Doyen no processo.

De fininho, o sistema continua a mexer-se com eficácia. Não nos poderemos esquecer que no Dragão vive-se um ano de tudo ou nada. O investimento financeiro que foi feito nos últimos dois anos tem que dar em título e tem que dar em Champions. Caso contrário, nas próximas duas temporadas, vai haver seca…

O Diabo que nos Impariu

Anatomia da fraude.

A saída suja, ou o último grande embuste de Passos e Portas

Banif

Havia no Largo do Caldas, um relógio em contagem descrescente até ao dia em que a Troika se haveria de ir embora. O discurso era heróico e, para a propaganda do hoje defunto PàF, a saída limpa assemelhava-se ao dobrar do Cabo da Tormentas. Por todo o lado, comentadores afectos ao regime, bloggers da corda e perfis falsos no Facebook anunciavam as boas novas da devolução da sobretaxa, dos cofres cheios (de dívida) e da tão almejada saída limpa. Eram bravos, os guerreiros eleitoralistas da coligação.

E contra as expectativas, até certo ponto, a coligação PSD/CDS-PP lá acabou por ganhar as eleições. Uma vitória de pirro, é certo, mas ainda assim uma vitória. Tramou-os a democracia representativa, essa expressão suprema do golpismo que em tempos integrava o leque de opções de Paulo Portas, o homem que, segundo a narrativa da actual oposição parlamentar, seria aquele que teria o PSD e Pedro Passos Coelho refém. [Read more…]

PSD: o denominador comum da fraude bancária em Portugal

banksters

Existe uma relação de promiscuidade entre parte significativa da nata do PSD e a banca falida. Uma relação tão íntima que permite que alguns dos mais altos quadros do partido estejam em todos os actos de criminalidade legal que envolva bancos, paraísos fiscais e dinheiro dos contribuintes. Muito dinheiro dos contribuintes.

A regra é serem todos imunes à justiça. Como se esta não existisse. Por vezes, quando a ira temporária dos plebeus assume uma dimensão passível de incomodar de forma leve a elite que nos comanda, simulam-se processos que, no limite, levam a prisões domiciliárias temporárias de muito curto prazo. Anunciam-se comissões de inquérito inconsequentes. Permite-se que uns quantos comentadores trucidem uns quantos gangsters da alta finança na praça pública. Males menores. No final do dia, o pior que pode acontecer é ter que pagar uma fiança. Os bens, esses, há muito que foram passando para o nome da esposa, do marido, do filho ou do primo. Parece fácil e na verdade é mesmo. [Read more…]

TVI24 censura ‘Fotografia Total’

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Luiz Carvalho

O FOTOGRAFIA TOTAL foi hoje alvo de uma decisão censória por parte da Direcção de Informação da TVI24, ao não ter transmitido o último programa, um Best Of que encerraria um ciclo de quase 4 anos e 185 programas.
Já não era a primeira vez que a censura da direção de informação se tinha manifestado, quando mostrei umas fotos com 30 anos de Marcelo em campanha. Depois de retirado o programa, passaram no mesmo espaço uma…entrevista ao Marcelo !!!
O último Fotografia Total destacava grandes momentos com personalidades grandes da cultura portuguesa, e não só, e eu referia a importância deste programa num canal de cabo.
Só não percebe um estarola que não sabe nada de televisão, um pateta a falar no écran, e durante anos viveu a olhar navios de um gabinete julgando agora que inventou a roda da TV.
Não tenho pena de deixar um canal que mancha a credibilidade de quem lá aparece e que além de ter ajudado a afundar um banco já afundou a credibilidade da estação de Queluz de Baixo.
Até breve. Viva o Fotografia Total.

A quem interessa a campanha contra Sérgio Figueiredo?

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Nos últimos dias o Director de Informação da TVI, Sérgio Figueiredo, tem sido alvo de uma campanha orquestrada, nas redes sociais, com duros ataques públicos, no seguimento do ” caso Banif “, tendo por base, os maiores e mais completos exercícios de imaginação, colocando em causa o seu carácter, a sua idoneidade e o seu profissionalismo.

Antes de mais quero esclarecer que nunca votei José Sócrates, não tenho, nem nunca tive pelo político ou pelo cidadão qualquer tipo de admiraçao pessoal ou política.

Por sua vez tenho pelo Sérgio Figueiredo uma enorme estima. Entendo mesmo que apenas um homem, com um grande carácter e com as ” mãos limpas ” poderia escrever um artigo de opinião no Diário de Noticias, dois dias após a detenção de José Sócrates, afirmando inequivocamente ” Gosto de Sócrates “.

Mais tarde em meados Junho, também no Diário de Notícias, o Sérgio Figueiredo, escreveu um novo artigo de opinião intitulado ” A entrevista que não aconteceu “.

Estes dois textos são de um homem que assume corajosamente as suas opiniões, sendo que tendo em linha de conta os respectivos momentos políticos, são artigos altamente polémicos, mas que dizem muito do carácter do homem que os escreveu e assinou por baixo.

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Prémio Cara de Pau 2015

Cara de pau

Passos Coelho foi um covarde. Maria Luís Albuquerque foi relapsa. Ambos foram calculistas, não quiseram pôr em risco a “saída limpa”.Enganaram a troika. Enganaram-nos a todos. Foi por isso que o BES estoirou um mês depois de a troika sair, quando seis meses antes as autoridades já sabiam, mas esconderam, que as contas do GES estavam aldrabadas? Saída limpa com mãos sujas. Em vez de ter ido à TVI com o impudor de uma suprema cara de pau, Maria Luís devia ser readmitida como ministra das Finanças só para ser demitida a seguir.

por Pedro Santos Guerreiro, esse perigoso ideólogo esquerdalho da mais extrema da extremas-esquerdas.

Imagem via blogue Portal no Ar

As urgências e os cortes no SNS

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Pedro Castro Rodrigues

Nunca faço posts a sério. Hoje vou fazer.

Há 6 anos que sou médico. No meu primeiro ano era escalado 4 vezes por mês para fazer urgências. Há uns anos por vezes comecei a ser escalado 3 vezes. Este mês estou escalado para fazer urgência 2 vezes.
Mesmo que quisesse fazer mais, não me deixavam.

Porquê? Porque para reduzirem os gastos com a Saúde há cada vez menos serviços de urgência. Actualmente em Lisboa há apenas 2 serviços de urgência abertos 24 horas 365 dias por ano (São José e Santa Maria). Nestes serviços fazem urgência os médicos destes hospitais e agora também os dos outros serviços de urgência que foram sendo fechados. Daí cada médico ser cada vez menos escalado para fazer urgências. Porque há menos serviços de urgência e quantos menos médicos lá estiverem, mais barato fica. Mas não há menos pessoas com problemas urgentes.

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A elegância da cegueira

“Pedro Passos Coelho – Pelo que fez nestes quatro anos. Foram anos para muita gente de sofrimento e miséria. Mas tudo teria sido pior sem a tranquilidade e constância do primeiro-ministro. Não houve nada que a esquerda não dissesse sobre ele: não houve insulto, nem calúnia, nem mentira que não saísse da sua habitual grosseria e desonestidade. Passos Coelho aguentou tudo e transmitiu ao país, no meio da catástrofe em que o meteu o PS, alguma confiança e algum ânimo. Merece o nosso respeito.” – Vasco Pulido Valente em “Os Melhores do Ano” – publicado na edição de hoje do Jornal Público.

Vasco Pulido Valente, ele próprio, de pena em riste, a escrever enquanto molha o 1001º Sonho da noite em Vinho tinto de Chipre.
Quem ler estas palavras ficará a imaginar que Passos Coelho, aquele que tudo aguentou, que tudo desmoronou, que tudo omitiu, que tudo trapaceou, que tudo escondeu, que economicamente tudo rompeu, foi de facto um grande Estadista, estoico até à medula. [Read more…]

Fascínio do fogo

Banif: preste atenção, este é um caso muito sério

O caso Banif é escandaloso e intrigante. Escandaloso pelos valores envolvidos, perto de 3 mil milhões de euros para resolver um banco menor, que não tem dimensão sistémica e que representa 3% do mercado nacional (é o 8º banco do país), pela sequência de eventos e pela precipitação dos últimos dias. Intrigante, porque há demasiadas coisas que não encaixam. Estive a estudar, apesar de ainda de forma algo superficial, a sequência de eventos e a diminuta documentação que é pública. Li muitos artigos na comunicação social, ouvi debates com vários intervenientes, desde políticos a pessoas ligadas a instituições bancárias, li e ouvi com espanto e indignação a reação de António Horta Osório exigindo uma auditoria externa ao país, ouvi as várias declarações públicas e ouvi, com muita atenção, a entrevista do Presidente do Banif – Jorge Tomé – ao jornalista José Gomes Ferreira no programa “Negócios da Semana” da SIC-Notícias.

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Jesus Cristo, o refugiado

Menino praia turca

Nesta época, mais de dois mil milhões de cristãos celebram o nascimento de uma criança refugiada, que, segundo os Evangelhos, foi levada da Galileia para o Egipto, fugindo da perseguição e da morte certa em Belém.

via Uma Página Num Rede Social

Dualidade de critérios

Os bancos que estoiram ao final da tarde de sábado tem que esperar até segunda-feira para serem assistidos pelo Estado?

Não há nem pode haver desculpa

Aventem o que quiserem: eu chamo-lhe homicídio. O que passou no Hospital de São José no passado foi puro homicídio. Não há nem podem haver desculpas.
Não existe teoria da conspiração possível para mascarar o que passou: Paulo Macedo sabia. Sabia demais. Tinha sido alertado pelo grupo parlamentar do Bloco. Tinha sido alertado pelos administradores hospitalares. Tinha sido alertado várias vezes pelas Administrações Regionais de Saúde. Não actuou. Matou. Por omissão, o que torna a situação muito mais grave. No São José, nas urgências do Garcia de Horta, no Hospital de Aveiro. Não tenho a menor dúvida quando penso que Paulo Macedo foi longe demais: a ruptura total do SNS tinha como objectivo claro fazer morrer gente para criar um fenómeno de desconfiança dos cidadãos para com o SNS. Quando o ser humano sente que um serviço nacional de saúde completamente desmembrado afecta-lhe o seu bem mais precioso e é uma máquina de criar mortandade, o ser humano pensa duas vezes. Foge. Tem medo. Vai para o privado onde sabe que, pagando, será bem atendido, será tratado na hora.

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O presépio que faltava

Presépio

Mais um notável conseguimento do Jovem Conservador de Direita, futuro líder do PSD.

Carta do Canadá: Os exemplos vêm de cima

Quando solicitado por Barak Obama a participar na luta contra o Estado Islâmico,  Justin Trudeau, o jovem primeiro ministro do Canadá, foi de meridiana clareza: o Canadá participa recebendo e ajudando refugiados, não entra em bombardeamentos.

(Nem tem que entrar porque, não tendo contribuído para o desastre do Médio Oriente, não tendo pretensões imperialistas, não precisando de petróleo porque o tem de seu, tudo quanto tem a fazer é  ajudar quem foi desgraçado pela guerra).

Quando chegou a primeira leva de refugiados sírios a Toronto, nos meados de Dezembro, Justin Trudeau esteve a recebê-los no aerroporto, acompanhado da chefe do governo do Ontário, Kathleen Wynne.  Soltos, descontraídos, sem discursos enfadonhos, deram as boas vindas aquelas famílias. O primeiro ministro, em mangas de camisa e revelando bom treino na matéria, ajudou as crianças a vestirem os robustos agasalhos com que por cá se enfrenta um inverno duro.

(Ambos estiveram bem fazendo as honras da casa em nome de todos os canadianos, dando abrigo e passaporte a quem chegou. Ficam os refugiados a salvo e, ao mesmo tempo, sob a lei do país. Se algum desrespeitar essa lei, responde por isso. É simples. O Canadá é um país libérrimo e generoso mas não é o da Joana).

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Neste Natal

António Aleixo

Neste Natal injectamos milhares de milhões de euros no Banif. Quem diria que uma saída limpa poderia ser tão cara?

Neste Natal morreu o David. A austeridade também mata e o David foi mais uma das suas vítimas. Que nunca se deixe cair um banco mas haja responsabilidade que o acesso à saúde é um privilégio e não devemos ser piegas.

Neste Natal existem refugiados enregelados por essa Europa fora. A Europa da liberdade e da tolerância. A Europa que vende as armas que se usam na guerra que obrigou a maioria destas pessoas a fugir. A Europa que agora desconfia que sejam todos terroristas. A Europa que bombardeou as suas escolas, hospitais e locais de culto. A Europa que recebeu e recebe, com honras de Estado, todos os ditadores, os que deixaram de ser bem-vindos e os que ainda o são.

Neste Natal quero desejar a todos os leitores e aventadores um Feliz Natal. Abracem os vossos, sejam felizes mas não se esqueçam que o tempo corre contra nós. E nada disto tem que ser assim. Existe pão de sobra para todos.

Feliz Natal

Aylan_Kurdi

Who do you love now?
Who do you love?
Who do you love, child?
I said, “Who, baby, who do you love?”

Night is dark, the sky was blue
Down the alley the ice wagon flew
Hit a bump, somebody screamed
Should’a heard just what I seen

Do you love him, babe?
Do you love her, yeah
Do you love me, babe?
Do you love it, yeah, yeah

The Doors, Who do you love, 1970.

Nacionalizadores de bancos

Sócrates nacionalizou o BPN. Passos e Portas nacionalizaram o BANIF. Ambos transformaram problemas privados em problemas públicos por causa de uma escassa quota de mercado (2% e 3%, respectivamente). Tenho a certeza que se arranjarão mais dois lugares em Évora.

Árvore da austeridade

(c) j. manuel cordeiro

Saída limpa

“Foi preciso que o caso de David chegasse aos jornais para que um problema que se arrasta desde 2013 fosse finalmente resolvido, lamentam vários profissionais de saúde” [P]

Feliz Natal

Desejo a todos os autores do Aventar, comentadores e leitores, sem excepção…

E só descobriram isso agora?

“O principal factor de morosidade nos tribunais está relacionado com a falta de funcionários judiciais, aponta o Conselho Superior da Magistratura no relatório anual de actividades relativo a 2014/15.” [Público]

E só descobriram isso agora?
Os oficiais de justiça sempre foram os parentes pobres da justiça. Quer em termos de vencimentos, quer de progressões na carreira. Enquanto as carreiras  dos oficiais de justiça foram congeladas, nas dos juízes e procuradores sempre houve progressões.
Mas se não forem os oficiais de justiça a colocarem os processos nos gabinetes e a dar cumprimento aos despachos os processos ficam parados. Infelizmente o poder não quer saber e a opinião pública desconhece.

Não é Natal, é um grande clube e um belo vídeo

Eh, eh, eh …

Saque e desfaçatez sem fim

Como é que se pode abordar a filhadaputice de um CDS a brincar a Pilatos? E de um PSD que nacionalizou o Banif, com dinheiro público, mas sem ter resolvido o problema, para agora procurar passar culpas a um governo em funções há três semanas? Sem retribuir o escarro que João Almeida e Luís Montenegro nos atiraram, não me ocorre forma de o fazer. Remeto, por isso, para os factos de Sérgio de Almeida Correia, que desmontam a falácia da direita.

A muleta laranja do PS

Muleta

Estrela maior do PSD radicalizado e tomado por interesses obscuros, Marco António Costa passou da sombra onde se refugiou durante a campanha eleitoral para a ribalta política e poucos são os dias em que não somos brindados com uma qualquer declaração do homem que conduziu a CM da Gaia à bancarrota absoluta, qual socrático dos quatro costados.

Numa das suas muitas aparições públicas recentes, em entrevista à Renascença a 4 de Novembro, o vice-presidente dos sociais-democratas sublinhou que “o PSD não vai ser muleta de um Governo ilegítimo”. Sendo Marco António Costa uma espécie de porta-voz do partido, é legítimo assumir que tal declaração vinculava, naqueles dias que precediam a moção de rejeição que fez cair o governo de gestão PSD/CDS-PP, a elite dirigente do PSD. Nas ruas, militantes e apoiantes da direita rejubilavam com esta posição de força e o discurso de ruptura disseminava-se pelas redes sociais. Acordos com a esquerdalhada? Nem mortos! [Read more…]

Ao menos saber o que está na conta a pagar!

Horta Osório Banif

António Horta Osório, presidente do gigante britânico Lloyds Banking Group, sobre o Banif (22.12.2015):

“Acho que é um assunto chocante e que tem que ser devidamente explicado (…). Eu acho que tendo o Banco recorrido a cerca de (…) menos de mil milhões de euros há dois anos atrás e agora ser injectado mais do dobro do valor, este valor é demasiado grande para não ter um apuramento (…) claríssimo das responsabilidades. E das duas uma, ou o valor que foi injectado há dois anos era um valor que não estava correcto – e não há nenhuma razão para pressupor que não estava –, ou então tem que se perceber o que é que nestes poucos anos aconteceu e eu acho que deve ser feita uma auditoria independente que mostre aos contribuintes portugueses exactamente que negócios é que foram feitos que originaram esta injecção de capital no Banco, que créditos é que foram concedidos que não foram pagos, porque dado que o mal está feito, acho que os contribuintes portugueses pelo menos merecem saber com transparência e com rectidão exactamente o que é que aconteceu, que dinheiro é que foi utilizado e acho que isso deve ser feito o mais rapidamente possível.”

Tout court: Auditoria independente vai para a frente!!!

Será necessária uma petição??

O que é que defende o interesse nacional no Banif?

Quando se aplica dinheiro público tem de existir informação rigorosa e transparência total. Este é um princípio geral. Atuar de forma diversa é inaceitável e constitui uma traição aos contribuintes e à própria democracia, correndo o risco de desperdiçar de forma negligente os parcos recursos públicos. Para além disso, a consciência geral sobre este princípio elementar seria um travão para estes “negócios” que são sempre mal explicados e que, mais tarde, revelam surpresas gigantescas que nunca conduzem a responsabilização.

Consequentemente, de forma alguma posso aprovar a solução proposta pelo Governo, pois não existe o mínimo de informação pública que permita ajuizar da sua razoabilidade. Devemos ter em conta o que aconteceu no BPN e no BES. As soluções apresentadas e executadas sem informação digna desse nome conduziram – nos casos já referidos do BES e do BPN – a surpresas que aumentaram em muito o problema. No caso do BPN apareceram vários esqueletos que não eram bem conhecidos, como por exemplo o Banco Insular, percebendo-se que estaria também no perímetro público. No caso do BES, só muito tempo depois se percebeu o “esquema” de “colocação fraudulenta” (por falta de informação aos investidores) de papel comercial das empresas do Grupo Espírito Santo através do BES. [Read more…]