“Não me deixe morrer, eu quero viver” – José Carlos Saldanha

ng3916542

Quem viu esta noite nos noticiários este doente de hepatite C, José Carlos Saldanha, certamente ficou chocado e se estavam a jantar ou a esperar pela refeição, certamente perderam a fome.

Sou neto, filho e irmão de farmacêuticos/as e desde miúdo que os temas relacionados com a saúde, a indústria farmacêutica, a política do medicamento e por aí fora são recorrentes à mesa. Histórias de doentes, sobretudo reformados, sem dinheiro para pagar os medicamentos, a contar tostões ao balcão da farmácia e a quem nunca ninguém deixava partir sem a caixa de comprimidos, o xarope ou a pomada naquele que era um verdadeiro serviço público discreto que centenas de farmácias e milhares de farmacêuticos realizavam sem queixume, sem apoio do Estado e sem reservas. Era uma questão de humanidade, de respeito pela vida e de bom senso. Já para não falar de dois conhecidos médicos, vizinhos da farmácia, que não cobravam um tostão pelas consultas aos mais pobres e os enviavam ali ao lado para receberem, gratuitamente, os medicamentos urgentes que tanto precisavam, numa verdadeira rede informal (e discreta) de solidariedade social. É assim quando não existe retaguarda e o Estado é fraco, incompetente e desleixado.

Nesta história do medicamento “Sofosbuvir”, se quisermos ser simplistas, existe um claro vilão: a Gilead, empresa que produz o medicamento. E existem 5000 vítimas e aqui estamos perante factos. Cinco mil doentes cuja cura pode ser o “Sofosbuvir”. Porém, existe muita incompetência, enorme lentidão e populismo em excesso. Incompetência, a ser verdade notícias como esta ou esta. Lentidão, nas negociações entre o Estado e o laboratório em causa provando, uma vez mais, que o Estado é forte com os fracos (basta ver a forma como provocou a lenta agonia e morte de boa parte das farmácias portuguesas) e fraco com os fortes (basta ver ao tempo que se arrastam as negociações com a americana Gilead). E excessivo populismo quando leio nas caixas de comentários dos jornais coisas como: “o custo de cada carro dos vários ministros e das dezenas de secretários de estado que por aí andam já dava para comprar os medicamentos em falta” ou, no sentido oposto, quando governantes afirmam “Pagar uma fortuna para aceder ao medicamento não nos parece uma coisa equilibrada“.

O que aqui está em causa é resolver, urgentemente, uma situação que é dramática. Primeiro salvar as vidas humanas e depois discutir as questões financeiras. O exemplo é dado pelo Estado, todos os dias, na sua relação com os contribuintes: primeiro o contribuinte paga e depois reclama. É natural que, em casos como este, se invertam os papéis: primeiro o Estado garante o fornecimento do medicamento e depois vai reclamar, pelas vias normais, o seu custo a quem de direito e usando todas as vias que o direito lhe fornece. Caso contrário, em toda esta história, vamos continuar, por muito que custe, a ter dois vilões. Um chama-se Gilead e o outro chama-se Governo da República. Cada um à sua maneira, cada um por diferentes motivos

Golshifteh Farahani

Golshifteh Farahani Por mera casualidade, descobri hoje Golshifteh Farahani, uma belíssima jovem iraniana.
Talvez por ser uma belíssima mulher vive exilada, longe do Irão.

Uma Família Humana, Comida Para Todos

Resume-se a isto. Comida para todos, saúde para todos, abrigo para todos, paz para todos.

Se nos limitarmos a pensar apenas em nós, em nos alimentarmos a nós, todos passamos mal, mas se nos ajudarmos uns aos outros, todos podemos estar alimentados. Uma pequena alegoria que vale para tanta coisa na vida.

 

Vamos ajudar o Igor a ir ter com o Pai?

aqui  e aqui vos falei do Igor e da sua família.

Vou acompanhando o caso dele conforme posso, muito raramente lá comunico com a mãe-coragem deste menino e infelizmente não posso ajudar esta família como gostaria de o fazer.

O que me leva a escrever este post é o facto desta família estar separada há muito tempo – demasiado tempo – e as crianças, sobretudo o Igor, sentirem muito a falta do pai.

Alguém imagina o que é viver com uma criança que constantemente chama pelo pai, quer o pai e não compreende que o pai não está ali, não pode estar ali porque tem que trabalhar noutro país para garantir ao seu filho alguns dos apoios que o Estado deveria por obrigação dar-lhe? Eu não imagino. Tenho duas filhas felizmente saudáveis, e não imagino como seria sermos uma família separada. Se a mim me custa tanto só pensar nessa possibilidade, nem imagino aquilo por que a mãe do Igor e da irmã passa.

[Read more…]

Rodrigo Moita de Deus é paneleiro

Como justifico a acusação deste título? ouvi dizer. Circula numa rede social.

É baixo? é. Tão baixo como publicar uma montagem de uma intervenção de Pablo Iglesias, onde caricatura o esquerdismo puro e duro, transformando a caricatura em afirmação, e fujam, a justiça proletária está de volta à península.

Mais baixo ainda: ser avisado na caixa de comentário e assobiar para o lado. Já não é só de paneleiro, é de paneleiro cobardolas. Não se fazem marialvas como antigamente.

Memórias de um Tempo Passado

Há dias recordei-me desta canção dos Corações de Atum, de quem o grande Manuel João Vieira é vocalista, e de imediato fiquei com vontade de escrever alguma coisa sobre o desaparecimento dos urinóis.

Verdade que nunca entrei num desses locais. Verdade que tresandavam e eu detestava passar por perto, mas muitos deles eram obras-primas da arquitectura urbana. Infra-estruturas úteis a quem as frequentava e que, como tão bem canta MJV, livravam postes e árvores de muitas micções dos aflitos-de-última-hora.

Haveria realmente necessidade de substituir tão belos e emblemáticos locais pelas assépticas casinhas com lavagem automática que funcionam à força de moeda, pois claro? Penso que não. Bastaria uma manutenção do local e alguns cuidados na sua higiene e manter-se-ia algo que contribuiria para a limpeza das ruas (hoje quem não tem moedinha e está longe de um centro comercial, bem volta a marcar território em torno de árvores e postes) e para o deleite de turistas.

Durante muito tempo evitei entrar nesses casinhotos desinfectados porque, por um lado, sou contra pagar para fazer o que a natureza me ordena que faça (para isso, pago e vou a um café de onde trago alguma coisita no bucho) e, por outro lado tinha pavor desses sítios tão fechados e correctamente desinfectados. Muito francamente, ainda hoje só entro para ir com alguma das minhas filhas à casa-de-banho e deixo sempre a porta aberta, tamanho é o receio que tenho de levar um banho desinfectante enquanto lá estou dentro.

É verdade, é possível ter-se saudades daquilo que nunca se usou, mas sempre se apreciou, sabendo que, se algum dia precisássemos, lá estaria para nos acolher de portas abertas.

 

Morte na fogueira

Estado Islâmico copia a Igreja Católica.

O Califado não tem fronteiras

O ataque ao Hotel Corinthia em Trípoli é a prova de que, conceptualmente, o projecto do restabelecimento do Califado Islâmico não obedece a fronteiras, apesar de ter bem definido a sua base terrestre entre a Síria e o Iraque.
A existência desta territorialidade é a novidade face à anterior proposta da Al-Qaeda, para além do élan histórico-psicológico que o Bilad Al-Sham, as Terras do Levante, têm na memória colectiva dos muçulmanos, particularmente dos árabes da região do Médio Oriente, com o estabelecimento do primeiro Califado (Omíada), cuja capital foi Damasco, após a morte do Profeta (não confundir com o primeiro Califa, após a morte deste). [Read more…]

Uma semana depois em Atenas

Peter_Paul_Rubens_The Virgin as the Woman of the Apocalypse

O fim do mundo não em cuecas mas na desgraça anunciada. Sete criancinhas comidas ao pequeno almoço. O horror. As prateleiras vazias nos supermercados. A tragédia. Trinta igrejas saqueadas. Enfim, o caos: em dois dias a bolsa de Atenas recupera todas as perdas desde as eleições.

Assim não há vacina que lhes valha.

Peter Paul Rubens, A Virgem no Apocalipse, (1624, para a Catedral de Freising, Alemanha

 

Os cães ladram e o Syriza passa

Syriza

As elites nervosas não largam o Syriza. Espumam-se todos os dias e fazem figuras tão patéticas que parecem estar a competir por um qualquer prémio de imbecilidade. Uns escrevem cartas hipócritas com excesso de vírgulas, outros, mais versados na arte da aldrabice, classificam as ideias do Syriza como sendo um “conto de crianças” com a mesma lata com que nos contaram aquele conto de embalar jotinhas em que o príncipe encantado social-democrata chegaria ao poder sem que tal implicasse aumentar impostos, cortar pensões ou vender os tais anéis. Que moral têm estes sujeitos para dar lições ao novo governo grego que ainda agora iniciou funções, principalmente depois daquilo que fizeram ao nosso país? Como é que é possível que pessoas com o mínimo de discernimento e bom senso confiem nesta gente de carácter altamente duvidoso, capaz de mentir sem qualquer tipo de reservas com o intuito único de se instalar no poder? Parafraseando Pedro Passos Coelho “Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?

Twitter PPC

[Read more…]

Radical é o capitalismo

Capture

Publicada a 29/01 no diário As Beiras.

Embora o Syriza inclua na composição da sua designação a palavra radical, está longe de poder ser considerado um partido radical. Trata-se de um autêntico partido de esquerda, de espectro largo, com algumas semelhanças com o nosso BE. Ocupa um espaço político deixado livre pela deriva dos socialistas para o centro e pelo isolamento do partido comunista, mais preocupado em assegurar a sua sobrevivência.

O que é radical na verdadeira aceção da palavra, é o capitalismo dos dias de hoje. A política do FMI é radical quando aplica uma taxa de 5% aos empréstimos à Grécia e a Portugal. Quantos negócios sérios dão lucros de 5% durante 5 ou 10 anos? Pior, como se pagam anos a fio 5% de juro quando o crescimento na melhor das hipóteses não descola de 1 ou 2%? O capitalismo financeiro é radical quando permitiu uma fraude de cerca de 130 mil milhões de euros, só em 2013, graças apenas a esquemas resultantes do segredo bancário (ver G. Zucman, “A riqueza oculta das nações”, Temas e Debates, 2014). Esta quantia seria suficiente para resolver a crise das dívidas de vários países europeus. O capitalismo financeiro é radical quando permite esquemas de otimização fiscal através de compra e venda a preços fictícios entre sucursais de multinacionais, como muito provavelmente fará a Jerónimo Martins e outras empresas com sede na Holanda.

A crise grega e a história que contaram aos alemães

Legendagem: Hélder Guerreiro

Esta é uma reportagem da televisão pública alemã sobre a crise na Grécia, sobre o dinheiro que foi de facto emprestado e sobre a história da carochinha que foi contada aos alemães.

Sabíamos que a Alemanha estava a beneficiar com a crise, mas não era claro a escala desse ganho.

A pobreza de Passos Coelho

Pedir esmolaDados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o risco de pobreza aumentou em 2013, informação desvalorizada por Passos Coelho, sempre pronto a imitar exemplos como o de Luís Montenegro. Segundo o primeiro-ministro, esses dados correspondem a “um eco daquilo por que passámos, não é a situação que vivemos hoje. reporta aquilo que foi a circunstância que vivemos, nomeadamente em 2013, que foi, talvez, o ano mais difícil em que o reflexo de medidas muito duras tomadas ao longo do ano de 2012 acabaram por ter consequências.”

Convém relembrar, muito a propósito, que 2012 e 2013 foram considerados anos de viragem por Passos Coelho.

Em 2015, ano-mesmo-mesmo-de-viragem-agora-é-que-é, o risco de pobreza, segundo o ainda primeiro-ministro, diminuiu, o que, mesmo que fosse verdade, faria uma enorme diferença a quem continuasse pobre ou em risco de empobrecer.

Entretanto, o valor das penhoras da Segurança Social subiu 11% em relação a 2013 e foram cobrados coercivamente mais 68,8 milhões de euros que em 2011, o que só pode ser sinal de enriquecimento dos portugueses.

António Bragança Fernandes e a homenagem de ontem

tigre maia

António Bragança Fernandes foi ontem homenageado na Maia pelos seus 25 anos de autarca. Que me desculpem os leitores mas isto não pode ser uma mera nota de rodapé noticioso.

Eu tive o privilégio de trabalhar directamente com Bragança Fernandes entre 2008 e 2011. Só isso já seria motivo para escrever sobre ele. Sem esquecer o facto de ter sido o meu primeiro trabalho como profissional de comunicação. Porém, existem muitos mais motivos. A sua singularidade como autarca não pode passar em claro. A sua importância para a história do concelho da Maia não pode ser remitida para um espaço exíguo. A ligação do povo da Maia a este maiato não pode ser limitada “por convite”. Não é justo para ele nem para os maiatos que o sentem como “um de nós”. Passo a explicar pedindo, desde já, as devidas desculpas por tão longo texto, algo que sempre se pretende evitar no Aventar. Porém, a personalidade e o facto em si assim exigem.

[Read more…]

Rui A. não percebe mas faz-se um desenho

Passos Coelho «foi muito para além da troika» em aumento de impostos, cortes nos salários e nas pensões e nas privatizações. Tudo o resto não existiu. Um exemplo? Justiça, por acaso o pilar sem o qual um país não funciona. Outros? É só ler o Memorando da Troika, onde estão medidas e prazos. Se tiver dificuldade em encontrar o documento, pode ler a tradução que o Aventar fez, essa mesma que o governo (da altura) tardou em apresentar aos portugueses.

A não ser que Rui A. esteja a falar dessa meia dúzia de páginas do guião da reforma do estado, rabiscadas por Paulo Portas em Times New Roman 16 -coisas grandes precisam de corpo grande, pedindo eu, nesse caso, desculpa por não ter percebido que era um artigo cómico.

O quê, privatizações e cortes nos salários e nas pensões correspondeu a 36% das reformas estruturais económicas?

Comissão Europeia indicou que Governo só cumpriu 36% das reformas estruturais económicas, mostra uma análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental 

Resistência e colaboracionistas

bomba euro

É evidente que assistimos a uma guerra económica que também nos atinge – se bem que nos atingiria menos, não fosse a ruinosa gestão do país conduzida pelos sucessivos governos, mas isso é  tema de outros artigos. Esta guerra trava-se com bombas financeiras, capazes de aniquilar um país com mais eficácia do que as bombas reais que a segunda guerra mundial lançou sobre as populações. Explodem agora mas foram sendo carregadas e armadilhadas ao longo das últimas décadas de construção de mercado europeu. Grupos como o eixo franco-alemão, agora claramente mais alemão do que francês, despejaram dinheiro a rodos noutras economias, tapando os olhos à corrupção e à real utilidade da forma como esse dinheiro estava a ser gasto, a troco de fecho de sectores da economia e da criação de um mercado interno, esse mesmo que tem permitido à Alemanha ser o colosso económico que hoje é.

Ironicamente, tal como na anterior guerra mundial, a Alemanha está no centro do conflito e a ela, novamente, se juntam colaboracionistas como é o caso dos reincidentes Portugal e Espanha. Em breve veremos se essas bombas rebentam com a Grécia e com outras ténues resistências que aqui e ali se manifestam. Até lá, fica a brilhante jogada de Tsipras ao defender que os seus interlocutores não são grupos cuja única legitimidade é o capital mas sim governos e instituições democraticamente eleitas. É o quebrar do ciclo de ausência de legitimidade das decisões na Europa, trazendo de volta o controlo à política e aos cidadãos.

A lição da Grécia

Ser português é trazer a Grécia dentro de si, diluída em azul e branco, há mais de mil anos. Porque o império grego não nos colonizou, com tropas de ocupação e impostos pagos a Atenas. Os seus barcos vieram em paz à nossa costa e, por via do comércio, os homens falaram, conheceram-se, entenderam-se, misturaram-se. E parece que muito e bem, tal é o laço afectivo. E isto faz-me lembrar o sábio Agostinho da Silva quando aconselhava Portugal a acabar com consulados e embaixadas, a granel, e a abrir tasquinhas com pastéis de bacalhau e tinto, se queria penetrar no coração dos povos.

Para mim, o sentir desta realidade começou com os compêndios de História do Prof. Mattoso quando, no Colégio de Tomar, eu lia e relia o encanto grego, e não ligava peva às arengas desbragadas do Ti Ilídio, antigo mestre de artes e ofícios em Angola por conta das chamadas Missões Laicas que a exaltação maçónica de Afonso Costa inventou para anular as missões católicas que sacrificadamente cumpriam o seu dever desde as descobertas, estado de coisas que terminou com o advento do salazarismo e abriu caminho ao bom homem para ensinar história aos meninos nas margens do Nabão. Mais tarde a pintora Sara Afonso, viúva de Almada-Negreiros, havia de trazer-ne a Grécia, sob a forma de sobressalto, quando, uma vez por semana, comia comigo o bife da Brasileira, no Chiado, e se ficava a conversar tarde fora, acendendo sucessivos cigarros com o auxílio duma enorme caixa de fósforos. Estávamos no final de 1974, já com as nuvens negras do PREC a esvoaçar, e Sara Afonso transmitiu-me a sua angústia: será que teremos um destino igual ao dos gregos, esses que, perdido o império, ficaram como que paralisados? Não estaríamos nós desmotivados desde a perda da India, onde tínhamos investido tudo? Quantas vezes tenho pensado nestas conversas! E hoje, tenho amigos gregos em Atenas e outros em Toronto. Nesta crise temos estado irmanados no desgosto, na revolta. E agora, na esperança.

[Read more…]

Passos Coelho em modo de economia de palavras

Lendo as entrelinhas, a citação completa será: Primeiro-ministro diz que “dados do INE sobre risco de pobreza não reflectem a minha situação actual”.

As pérolas do Henrique, número 24601

Eu concordo com o Henrique Raposo. Acho que chamar Ernesto ao filho é um disparate. Se é para dar nome de revolucionário a sério que chame Maximiliano à criança.

Sobre a engenharia política do desemprego

sofista

Passos Coelho, o sofista, afirmou ontem na Assembleia da República que o desemprego baixou, apesar deste ter aumentado entre os jovens.

Por outras palavras, quem nunca teve emprego está a ter mais dificuldade em o conseguir e baixou o número  de inscritos nos centros de emprego entre aqueles que já alguma vez trabalharam, já que esta é a definição de desemprego para fins estatísticos. Esta última situação acontece por várias razões:

[Read more…]

Onde assino?

Por vezes perco a paciência para guerrilhas esquerda vs. direita. Para Portugal há muito que a perdi. Com o meu dinheiro escusam de contar e mesmo trabalhando e vivendo fora da choldra, faz este ano uma década que voei pela última vez na “Take Another Plane”.

Querem um referendo? Pois que o façam, eu assino para promover a sua realização. E depois viabilizem financeiramente a coisa, escusam é de pedir o meu esforço, pois além de indisponível para financiar o elefante branco, alternativas não me faltam. Os contribuintes accionistas da Portugal S.A. que decidam…

 

O caso do pingback assassinado e dos trackbacks desaparecidos

No tempo em que os blogues falavam havia discussões entre os seus autores. Mais cordata, ou menos, pouco importa, o aparecimento de um media que coloca a todos em igualdade de circunstâncias permitindo a popularidade pelo talento e não pela selecção do costume teve pelo menos o condão de fazer renascer a polémica, mas que não seja uma variante literária velhinha e saborosa.

Usava-se mesmo a expressão blogoesfera, pretendendo significar que todos os pontos da sua superfície estavam à mesma distância do centro, embora eu prefira ver os blogues como um poliedro de mil faces, já que os seus campos são distintos e a tal distância era nuns casos mais igual que no dos outros. [Read more…]

Uma ministra em causa própria

image

A ministra da justiça inventou uma lei onde os autarcas não podem exercer advocacia, por suposta incompatibilidade, mas que permite aos deputados, que aprovam leis depois de as encomendar aos grandes escritórios de advogados, exercer essa mesma advocacia. Num grande escritório de advogados, claro.

Eis a ministra do “a impunidade acabou” em todo o seu esplendor. Mas tenho que lhe reconhecer a exactidão. Com efeito, legalizado-se a incompatibilidade, nada há a punir. Voilà.

Correlações

penis-size-21

Um economista finlandês decidiu analisar a correlação entre o tamanho do órgão sexual masculino e o crescimento económico. Foi desta anedota do reino das correlações idiotas que me lembrei quando Carlos Guimarães Pinto garantiu, com gráficos e tudo, que o miserável aumento do salário mínimo já tinha provocado desemprego em Portugal, piadola  de que o João Mendes já aqui se ocupou.

O tema é velho: enviesando um estudo tudo  é possível e concluímos o que nos apetece. Se pensarmos um bocadinho percebemos como o anunciado regresso da Grécia a uma salário mínimo na casa dos 700 euros é uma medida de crescimento económico: primeiro porque empresas que não o podem pagar merecem a falência, quem não obtêm proventos suficientes para prover com um salário minimamente digno os seus trabalhadores que se dedique a outra coisa, que não o esclavagismo. E segundo porque esse aumento dos salários vai ser gasto, logo como é óbvio vai aumentar a procura o que, dizem as regras, estimula a oferta, etc. etc.

Ora, e no entretanto, dizem que o desemprego baixou em Portugal, ou seja, aumentaram a formação e os estágios com que os números são aldrabados, e o governo investe directamente na economia, pela pior forma, baixando os custos com o trabalho.

Aguardo portanto um gráfico do Carlos Guimarães Pinto demonstrando que o salário mínimo em Portugal já desceu novamente. O que, verdade se diga e permitindo a legislação patronal recorrer a vários truques para não o aplicar (basta contratar formalmente a meio tempo e na prática aplicar tempo inteiro à vítima), confere com a realidade.

O graçolas

Há quem admire o estilo da criatura ( há gente para tudo ou “há de tudo nestes supermercados de Deus” como diz uma conhecida figura de banda desenhada). Mas os seus esforços para puxar o riso e a admiração basbaque dos seus limitados adeptos estão cada vez menos credíveis. A retórica e os efeitos de estilo pindéricos de Paulo Portas descem de nível dia a dia. Já só os indefectíveis e/ou os incuráveis idiotas acham graça às piadolas do paroquial comediante. Os jornalistas de serviço – uns com visível repugnância, outros com beata admiração – acotovelam-se para ouvir as palavras do graçolas. Mas o número está cada vez mais fraquito. As variações que o homem produziu ontem sobre a questão de género do nome do Syriza nem numa cena rasca de cabaret- piolho teriam lugar. A estrebaria cheira cada vez pior.

Euro sodomia

varr00
O infatigável César das Neves anda muito preocupado com a sodomia. E tem razão. Nesta imagem podemos observar o momento pós-coito anal que Varoufakis, ministro grego, aplicou a Dijsselbloem, burocrata profissional, ainda cambaleante.

Não se faz, pelo menos em público.

Detalhes em vídeo (com imagens de sexo explícito): [Read more…]

Uma rádio portuguesa, com certeza

TSF

Segundo uma rádio portuguesa, a página do Bloco de Esquerda publicou a carta aberta escrita por Alexis Tsipras, traduzida por um “blogue português”. Ora, para quem não souber, o “blogue português” referido pela rádio portuguesa é o AVENTAR. A-V-E-N-T-A-R. Exactamente: o Aventar.

Não percebo o motivo de a rádio portuguesa não ter dito que a página de um “partido português” tinha publicado uma tradução de um “blogue português”. Ou somos todos portugueses, ou há moralidade.

Agora, vamos ao *Handesblatt.

Em primeiro lugar, não é Handesblatt, é Handelsblatt. H-A-N-D-E-L-S-B-L-A-T-T. Se, na rádio portuguesa, lerem com atenção a tradução feita pelo “blogue português”, perceberão.

Cito:

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt.

Em segundo lugar, registo o facto de a rádio portuguesa referir — sem grande êxito, como se percebeu — o nome do jornal alemão e de não mencionar o nome do “blogue português”.

Como não sou mal-educado, ficai a saber que a rádio portuguesa que não menciona o nome do “blogue português” é a TSF.

Lamentável, lamentável, lamentável.

Vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso.

Actualização (31/01/2015): Entretanto, a TSF retractou-se. Causa finita est.

tsf retractação

Quem lhe desse com um sétimo selo de salomão no codex…

José Silva

Eu sei que é requentado e que deve ser aplicado o desconto de estar ultra editado, mas para quem, como eu, ainda não tinha tido o privilégio de ouver com os seus próprios ouvolhos, aqui fica um momento circense de primeira água! Será que o orelhas anda a investir na criação de um novo estilo jornalístico – o mirábolo-jornalismo histérico-engajado – inspirado na sua ficção de pacotilha?! Que dados lhe permitem afirmar que a maioria dos gregos faz declarações fraudulentas de impostos? Ou que “muitos” dos cidadãos – que é como quem diz, o grego comum – que passa à frente da casa do ministro da defesa são paralíticos? E que “muitos” taxistas – que é como quem diz, o comum dos profissionais do ramo – subornaram médicos para terem subsídios de cegueira? E a tibieza jornalística da incrível história dos pinguins homicidas (os gregos) e das focas leopardo predadoras (o resto da europa)? E a rigorosíssima asserção jornalística de que aquilo que os gregos querem é viver como antes da austeridade e que a Europa lhes pague os vícios? E onde está o estado de necessidade para a segurança das pessoas e o interesse público que pudesse fundamentar deontologicamente o recurso à câmara oculta no hospital onde não foi autorizado a filmar? A Comissão da Carteira e a ERC andam a dormir? A embaixada grega nada diz?

Agendas ideológicas e mau jornalismo: José Rodrigues dos Santos exposed

Videomontagem@TV em Directo

Extremismo, piscinas, a pequena corrupção, os paralíticos que não são paralíticos, as generalizações abusivas, pinguins, focas-leopardo e um jornalista experiente que aparentemente se esqueceu do significado da palavra “isenção”. Só lhe faltaram os unicórnios. Jornalistas de referência com agendas ideológicas, financiados pelos nossos impostos, são um insulto aos valores da imprensa livre e um insulto ainda maior aos portugueses que recebem informação falseada e distorcida. O video em cima ilustra na perfeição o que acabo de escrever.

[Read more…]