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Uma ponte contra o esquecimento

Ponte 25 de Abril
© Nuno Saldanha

Há uns quinze anos ou coisa que o valha, a propósito das pontes sobre o Tejo (a Vasco da Gama acabara de ser inaugurada), escrevi um texto defendendo que os nomes das grandes obras de Estado não deveriam mudar de nome com a mudança dos regimes. Fui muito atacada, e o editor fez questão de se livrar de toda e qualquer responsabilidade relativamente ao que escrevi, publicando uma caixa de texto dizendo isso mesmo. Defendia eu que não se deveria ter renomeado a ponte anteriormente designada por Ponte Salazar, não para celebrar a obra do ditador, Deus me livre, mas para que a memória de quem foi e do que fez ao povo português durante perto de 50 anos não fosse assim apagada, por renomeação decretada por impulso revolucionário, e pudesse dessa forma sobreviver ao esquecimento.

Continuo a pensar que estava certa, embora hoje não me passasse pela cabeça assinar semelhante texto, porque tenho sobre a memória histórica dos portugueses uma outra ideia, que deriva do que aprendi sobre a sociedade portuguesa. [Read more…]

Bravo António Costa

A linguagem da política já não serve. As palavras da política não prestam. Não basta dizer transparência a torto e a direito para que tudo fique visível – muito pelo contrário, pois a palavra transparência, que significa a verdade límpida, é um manto grosso de opacidade lançado sobre tudo o que a acção política esconde, ou aquilo em que é omissa. Não chega escrever transparência, ou honestidade, ou competência nos cartazes para sê-lo. É que já não basta parecê-lo. Talvez a palavra mais urgente seja clareza, a palavra clareza tornada claríssima por quem a pratica por intermédio de enunciados e acções claras. Nos cartazes que mandou imprimir para a campanha autárquica, António Costa foi bastante claro: “Preciso do seu voto”, disse sem mais rodeios nem transparências. [Read more…]

Abstenção, brancos, nulos e representatividade

Almada, CDU: abstenção=59,5% brancos=4,6% e nulos=4,1%
Arcos de Valdevez, PSD: abstenção=49,1%, brancos=4,2% e nulos=1,8%
Aveiro, PSD/CDS: abstenção=51%, brancos=5,3% e nulos=2,8%
Braga, PSD/CDS: abstenção=40,1%, brancos=3,2% e nulos=1,8%
Bragança, PSD: abstenção=45,4%, brancos=2,7% e nulos=2,4%
Calheta (Madeira), PSD: abstenção=47%, brancos=0,8% e nulos=3,2%
Castelo Branco, PS: abstenção=49,3%, brancos=4,2% e nulos=3,1%
Chaves, PSD: abstenção=46,2%, brancos=3,7% e nulos=2,9%
Coimbra, PS: abstenção=50,6%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Elvas, PS: abstenção=52%, brancos=2,9% e nulos=2,4%
Évora, CDU: abstenção=50,3%, brancos=3,8% e nulos=2,3%
Faro, PSD/CDS: abstenção=56,3% brancos=5,6% e nulos=3,4%
Fundão, PSD: abstenção=45%, brancos=4,9% e nulos=2,7%
Guarda, PSD/CDS: abstenção=40,5%, brancos=3,6% e nulos=4,6%
Ílhavo, PSD: abstenção=59,9%, brancos=6,7% e nulos=3,7%
Leiria, PS: abstenção=50,2%, brancos=8,4% e nulos=5,1%
Lisboa, PS: abstenção=54,9%, brancos=4% e nulos=2,9%
Mafra, PSD: abstenção=50,3%, brancos=6,6% e nulos=3,9%
Moimenta da Beira, PS: abstenção=45%, brancos=4,3% e nulos=2,7%
Montijo, PS: abstenção=60%, brancos=5% e nulos=3,2%
Olhão, PS: abstenção=58,4%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Ponta Delgada, PSD: abstenção=54,1%, brancos=2,1% e nulos=1,2%
Porto, Indep. R.Moreira: abstenção=47,4%, brancos=2,5% e nulos=1,9%
Santarém, PSD: abstenção=48%, brancos=4,8% e nulos=3%
Setúbal, CDU: abstenção=61,3%, brancos=4,6% e nulos=3,2%
Viana do Castelo, PS: abstenção=46,7%, brancos=5,1% e nulos=2,8%
Vila Real, PS: abstenção=40,8%, brancos=2,5% e nulos=2,1%
Viseu, PSD: abstenção=52%, brancos=5,4% e nulos=4%
Fonte da amostra: Público

Eleitos…

O Portal do Eleitor

e o serviço informativo via SMS para o 3838 nada informam sobre a secção de voto a que devemos dirigir-nos no Domingo. «O local específico da sua mesa de voto poderá ser consultado na Junta de Freguesia da sua área de residência.» Para quando o voto electrónico?

Mudar (o Novo Estado de Passos Coelho)

A inconsistência de Nuno Crato

Santana Castilho*

Não há nada como o querer do candidato autárquico Luís Filipe Menezes. Bastou o concorrente do PSD prometer que, se ganhar, todas as crianças do Porto terão Inglês no Básico, para Nuno Crato dar a pirueta da semana. O inconsistente ministro afirma agora que pretende tornar o Inglês obrigatório, incluindo-o no currículo do 1º ciclo do Ensino Básico. Num dia desvalorizou a disciplina (anulou a obrigatoriedade de inclusão nas Actividades de Enriquecimento Curricular do 1º Ciclo e reduziu-lhe a carga horária no 2º e 3º). No outro promoveu-a a fundamental. Depois disto e das mentiras que nos ofereceu na recente entrevista à SIC, alguém sensato pode confiar neste ministro catavento?

Para além da espuma da inconsistência, que produziu notícias, parece-me necessário fixar a substância da incompetência, que marca a realidade.

A incontinência conceptual caótica de Nuno Crato permite que tenhamos hoje crianças que poderão concluir o 1º ciclo do Básico com 4, 3, 2, 1 ou nenhum ano de Inglês. Tudo em nome da “livre escolha” e de uma cínica “autonomia”. E é nestas condições de “igualdade” que se prepara o percurso, a medir por mais um exame. [Read more…]

Com Deus e com o Diabo

Meu caro, grato pela réplica, permite-me que retribua mantendo a discórdia.

Infelizmente, goste-se ou não, no próximo Domingo todos vão querer saber duas coisas:

– quem ganhou e quem perdeu na sua terra;

– quem perdeu e quem ganhou no país.

E, queiras ou não, o PSD e o CDS vão dizer que o povo deu um voto de confiança às políticas que estão a ser seguidas e os partidos da oposição irão dizer que os resultados são um claro voto de protesto – falta saber apenas a cor do cartão, amarelo ou vermelho.

Dirás que a escolha do meu Presidente de Junta não pode ser exclusivamente dependente dos factores nacionais – subscrevo. Mas a dimensão nacional é mais um dos argumentos que deve pesar no momento do voto. Porque se há quem vote com o porco no espeto ou a ouvir Quim Barreiros, há quem faça as suas opções com base noutro tipo de argumentos. Eu próprio já assisti a vários encontros desse tipo e reconheço o mérito que têm, até porque levam alegria ao povo – e como ele precisa dela. O que não posso subscrever é a dificuldade de fazer uma campanha nessas condições. Difícil seria o Marco António e o Carlos Abreu Amorim irem, na próxima segunda de manhã, de madrugada para a porta do Centro de Emprego na Avenida da República falar com quem lá passa a noite – aí, sim, seria uma prática digna de aplausos. Agora, política como a que o PSD está a fazer? Difícil?

Mas, há outro motivo de discórdia – o comportamento dos dirigentes do PSD aflitos com o que aí vem – dois ou três exemplos: [Read more…]

A praxe é singular. Pode acabar.*

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«O que vemos é uma sucessão de humilhações consentidas – ou toleradas por quem, estando fora do seu meio, não tem coragem de dizer que não. A boçalidade atinge níveis abjectos. Os gritos alarves , a exibição de simulações forçadas de atos sexuais, o exercício engraçadinho do poder arbitrário de quem, por uns dias, não conhece qualquer limite. Tudo isso impressiona quem tenha algum amor próprio e respeito pela sua autonomia, liberdade e dignidade. Mas a questão é mais profunda do que a susceptibilidade de cada um. É o que aquilo quer dizer» (Daniel Oliveira, 19/10/2011)

É preciso dizer isto muitas vezes e não é preciso dizer muito mais que isto. A praxe é também, ou sobretudo, a reprodução de hierarquias bacocas e balofas, as mesmas hierarquias que os estudantes, tantas vezes, contestam baixinho nas salas de aula e nos órgãos das universidades. As práticas de praxe configuram rituais de passagem para lugar nenhum ou, pelo menos, não para o lugar que interessa – aquele onde aprender os elementares princípios de cidadania, de liberdade de pensamento e de expressão, de espírito criativo e crítico. Esse lugar a que, a quase todos nós portugueses, ainda nos falta chegar, fruto da história, do ‘jeitinho’, da ‘esperteza saloia’ e, no limite, da cobardia. [Read more…]

A troika

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Falar claro

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Os moralistas não gostaram do dedo de Peer Steinbrück, apanhado em falso para uma sessão fotográfica do Süddeutsche Zeitung (SZ), enquanto respondia a uma pergunta estúpida e sem relevância política alguma. A gaffe pode custar-lhe a vitória nas eleições alemãs do próximo fim-de-semana, mesmo se, e segundo as sondagens (esse remédio santo do marketing cujas antevisões costumam fazer subir a abstenção), ganhá-las esteja longe de ser uma possibilidade. A rubrica do SZ chama-se qualquer coisa como “Não digas nada agora”, e consiste em pôr uma celebridade do momento a responder gestualmente a perguntas provocadoras. [Read more…]

Extinção-relâmpago de 1165 freguesias

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“O que teremos no caso português é o pior da aprendizagem que estamos a fazer nos países europeus. Em vários dos países que há uns anos fizeram reformas comparáveis, nomeadamente nos casos inglês, sueco e holandês, constatou-se que, do ponto de vista da participação e do envolvimento dos cidadãos face à decisão local, a insatisfação foi crescendo. Basicamente, criou-se distanciamento do eleitor face ao eleito, e é isso que se deverá verificar também no caso português”, antecipa. E se nos países do Norte e do Centro da Europa “a reforma visou criar escala e aumentar a eficiência, aqui trata-se de uma mera tentativa de redução de custos”, ou seja, “não se ganha em eficiência e perde-se em termos de envolvimento dos cidadãos e de proximidade face à decisão política”, condena o académico.

Considerando que a reforma das freguesias peca por ignorar que o território português apresenta sérias lacunas em termos de coesão, sobretudo entre litoral e interior, Filipe Teles considera que “tudo isto foi acelerado e precipitado pela tentativa de mostrar trabalho perante a troika“. E que pretender resolver em seis meses problemas estruturais do país só pode dar maus resultados. “Nalguns dos países europeus que referi, as reformas duraram mais de uma década. E mesmo assim necessitaram de correcções posteriores. A Dinamarca introduziu a reforma em 2005 e corrigiu-a em 2007. Em Inglaterra, a mudança esteve 12 anos em curso…”

Natália Faria, Público, entrevista a Filipe Teles, professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro e especialista no tema da Reforma da administração local na Europa

Vítor Sousa Censura-se a Si Próprio no Facebook

Depois de há semanas ter censurado algumas perguntas publicadas (também) por mim na página de campanha do candidato Vítor Sousa, – e depois de me ter ali bloqueado, – Vítor Sousa comete o impossível e censura-se a si próprio, removendo uma nova (aparentemente) página de campanha “Eu sou Vítor Sousa”.
Entre alguns bracarenses, frequentadores do ‘Forum Cidadania Braga‘, ficou a impressão de que nova página terá sido removida por conter erros ortográficos. É uma explicação possível.

Definitivamente, a queda de um regime é sempre agonizante.

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Xeque ao ensino: o meu cheque-ensino é melhor do que o teu

escolaImaginemos uma pequena povoação em que existam três escolas, uma privada e duas estatais. Para que o cenário fique, apesar de tudo, verosímil, será importante afirmar que a primeira, ao longo dos anos, tem sido sempre a mais bem classificada nos rankings. Não reflictamos, para já e novamente, sobre as virtudes ou os defeitos dos ditos rankings, mas não esqueçamos, a bem da verosimilhança, que a escola privada tem sido frequentada, ao longo dos anos, por filhos de pessoas de estatuto socioeconómico elevado, uma vez que as mensalidades não estão ao alcance de todas as bolsas.

Entretanto, as duas escolas estatais têm sido frequentadas por jovens cujas famílias não têm possibilidades de os matricular na escola privada ou não estão interessadas nisso, o que pode acontecer por desinteresse ou por confiarem que os filhos podem ter acesso a um ensino de qualidade sem que isso dependa da frequência da escola privada. Aproveitemos, de qualquer modo, para fingir, por momentos, que o estatuto socioeconómico ou sociocultural não tem influência no rendimento e nos resultados escolares dos alunos.

Num país em que os rankings se transformaram, mal ou bem, num critério quase único para se avaliar a qualidade de uma escola, é natural que a maioria dos encarregados de educação da nossa pequena povoação gostasse de ver os filhos entrar na “melhor escola” da terra, ou seja, a privada. Por outro lado, o lugar nos rankings, mal ou bem, passou a ser uma preocupação das escolas, pelo que a privada tem recorrido, sempre que necessário, à selecção de alunos, preferindo os que possam garantir melhores resultados e convidando a sair os que acabem por ter um rendimento escolar mais baixo ou que tenham problemas de comportamento, ao contrário das estatais cuja autonomia é menor e cujo espírito é o de tentar integrar todos os alunos, independentemente das limitações e dos problemas. [Read more…]

Somos TODOS contratados

Em 1999, por ocasião das comemorações do 25 anos de Abril tive oportunidade de questionar pessoalmente o Engenheiro Guterres sobre a inexistência do subsídio de desemprego para os professores.

(confesso que só agora, ao ver estas imagens, me apercebi de uma confusão inicial, a que fui, claro, alheio)

Poderia até escrever que não nascemos hoje para a questão dos professores contratados e desde cedo percebemos que a luta pelo emprego não se fazia pelo lado dos contratados, mas pelo lado de acrescentar escola à Escola, isto é, só haverá mais emprego docente numa Escola Pública mais ampla, com mais e melhor oferta. Foi isso que aconteceu nos anos seguintes com a criação, por exemplo, do Estudo Acompanhado ou da Área de Projeto. Foi assim que Portugal teve mais de 150 mil professores.

Depois disso, longas lutas se seguiram por um direito que nos parecia óbvio. Foi uma luta ganha, fundamentalmente, porque conseguimos envolver a classe – “novos e velhos” – na sua exigência.

Um passo à frente na história docente mais recente e um outro momento em que a presença de todos foi a única forma de vencer – as manifestações durante a luta contra Maria de Lurdes Rodrigues. Um processo semelhante ao que foi vivido nas recentes greves de junho.

Apresento estes três momentos porque têm uma dimensão em comum: são momentos em que a luta dos professores produziu resultados. Foram momentos em que todos estiveram do mesmo lado.

Por isso, entendo onde querem chegar, mas creio que estão a ir pelo caminho errado e, pior ainda, estão a escolher mal o alvo.

Portugal:

paraíso para reformados… estrangeiros. E para todos os que queiram comprar os imóveis que os portugueses no Inferno entregam por estes dias aos bancos.

Pina Colada, outra maravilha das Antilhas

Com o Verão a entrar na curva descendente, não podia faltar nesta breve selecção de bebidas que aqui apresentei para refrescar a estação, a receita de Pina Colada, outra maravilha feita com rum e com a marca distintiva das bebidas que, originárias das Antilhas, se espalharam pelo mundo.

Reza a lenda que por falta de um coco dentro do qual servir uma bebida chamada Coco-Loco (em que a casca de coco fazia as vezes de copo), um barman decidiu usar um abacaxi para o efeito, tendo os bebedores ficado surpreendidos e deliciados com a forma como os sabores do abacaxi se misturavam com os outros ingredientes.

Com uma mistura de ingredientes aparentemente estranha, a pina colada é um daqueles frutos do acaso que funcionam e fazem as delícias dos apreciadores. E pode perfeitamente prepará-la em casa, seguindo esta receita.

Egipto: Irmãos muçulmanos e militares disputam o poder a qualquer preço

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© Bruno Charoy

«Eis o que se pensa no Ocidente sobre a situação egípcia: uma experiência democrática estava em curso, o exército quis por-lhe termo, instrumentalizou o descontentamento popular para fazer um golpe de Estado. E lamenta a ingenuidade do povo egípcio, que preferiria submeter-se aos militares a confiar no presidente islamista que ele próprio elegeu. Incapaz de se vergar à longa aprendizagem da democracia, o povo egípcio teria esquecido todos os males que o exército lhe infligiu…

Não, o povo egípcio não esqueceu. Não esqueceu o que sofreu durante os dezasseis meses em que o exército governou de forma directa o país. A iniciativa que entretanto tomou não é, de forma alguma, uma escolha entre os militares e os Irmãos Muçulmanos. Ela representa uma nova etapa na marcha que empreendeu para afirmar a sua autonomia cidadã. Pois o povo egípcio deixou de ser um comparsa no teatro de operações do palco político. Adquiriu, desde Janeiro de 2011, um estatuto de actor autónomo e decisivo. E adquiriu esse estatuto, qualitativamente novo, não porque tenha derrubado o autocrata Mubarak, mas porque recusou a legitimidade do seu poder. Até então, no país dos faraós e dos sultões, esse poder não era apenas exercido sem limites e sem controlo. Era, ainda por cima, legitimado pelo conjunto da população.  Por que razão aceitava, com a naturalidade de uma evidência indiscutível, um poder em relação ao qual não tinha qualquer ascendente? Porque esse poder, parecia-lhe, emanava de uma instância superior, transcendente. Porque representava, aos seus olhos, o reflexo na terra de um destino celeste. [Read more…]

Egipto: o longo caminho para a democracia

Ismail Serageldin

Ismail Serageldin, o director da nova Biblioteca de Alexandria, esteve recentemente em Portugal para receber o Prémio Calouste Gulbenkian 2013. Entrevistado para o jornal Público, falou daquilo em que acredita: no poder das ideias, e no pluralismo. No seu país vivem-se por estes dias momentos de confronto entre os partidários das velhas e das novas ideias, entre islamistas (que pretendem impor no Egipto a vontade da Irmandade Muçulmana) e todos os outros, que representam cerca de metade dos cidadãos eleitores. Islamistas que não costumam aparecer nos debates promovidos pela Biblioteca Alexandrina, “encontros de teor tendencialmente liberal [e não falamos de economia]”, diz Serageldin, de que compreensivelmente não participam, imaginando talvez que dessa forma essas outras ideias perderão relevância na sociedade. [Read more…]

Os pais fundadores

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Crescimento zero: a hora da França

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Apesar do que tem vindo a acontecer noutros países da Europa, François Hollande está pasmado:  com a estagnação a tornar-se estrutural, a sociedade francesa vai ter de levar uma grande volta.  E começa-se desde logo pelo Estado. Quel enfoiré!, dirão em coro os franceses de esquerda que votaram nele.

30 por turma é um crime

O Paulo chama a atenção para a singularidade do momento – Nuno Crato, Paulo Portas, Cavaco e Passos Coelho têm em mãos uma missão que passa por entregar a Escola Pública nas mãos do mercado.

O cheque ensino parece permitir aos pais a escolha da escola dos filhos, mas vai, na realidade, permitir a cada escola a escolha dos seus alunos e será, por isso, um instrumento muito interessante para dar uma mão ao ensino privado que está com a corda no pescoço.

É uma medida que mostra a marca ideológica desta gente, que, ao mesmo tempo que dá a mão ao privado, procura destruir a Escola Pública. Nos últimos anos trataram de diminuir a Escola Pública, retirando horas lectivas e apoio aos alunos. Hoje, dois anos depois, a Escola Pública está pior porque tem menos ferramentas para ajudar os alunos com mais dificuldades.

Dois anos depois, em pleno mês de Agosto, Crato volta à carga com mais um prego no caixão da Escola Pública. Continua a fazer crescer o número de alunos por turma o que, além do desemprego docente, vem prejudicar a qualidade da escola. [Read more…]

Isto é mesmo um filme

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas é um dos actores neste filme promocional do tão-apreciado Licor Beirão. Ora, se é este  “o licor de Portugal” (como o Governo, agora vem assim nos documentos oficiais), faz todo o sentido que um governante se associe a causas como esta.

Depois disto, se fosse eu à Martini convidava o Lomba para um vídeo-clip. A Sagres podia desafiar o Passos para uma campanha na Manta Rota. E o Portas ficava bem num anúncio da Quebramar.

 

O caso da ministra muito mentirosa

180140O governo CDS/PSD mantém uma ministra do governo PSD/CDS que mentiu descaradamente no parlamento. A coisa é de uma evidências tão óbvia que apenas o João Miranda, meia-dúzia de assalariados governamentais e o meu amigo Joaquim, que funciona pela fé e só acerta nas vitórias do FC Porto, ainda gesticulam em defesa de Maria Luís Albuquerque.

Adiante. Com muito mais interesse sobre a ainda ministra, e já não falando do emprego do marido na EDP, parece-me o seu curioso currículo académico.

Em 1987 ia para a Universidade Lusíada quem não tinha nota para entrar numa pública, ou na Católica.  Estávamos em pleno esplendor dos turbo-professores das turbo “universidades” privadas, dedicadas em exclusivo aos cursos de papel e caneta.

Curioso. Que foi para lá fazer a jovem? Como também o é afirmar que o seu pai, militar da GNR “foi militante do PSD, logo após o 25 de Abril.” Como toda a gente sabe a militância partidária é, e sempre foi, interdita a militares de carreira.

 

Desemprego: mais de 200 vítimas na Cova da Beira

Quando me deparo com certos comentadores e escribas da propaganda governamental que por aí circulam nas TV’s, nos jornais e na blogosfera, não os ouço nem leio. Cuspo, cuspo forte e sonoro de espontânea reacção pela náusea perante a falsidade, o artificialismo e o ardil de quem anda a impingir gato por lebre.

Por efeitos de experiência vivencial directa, regular e na maioria dos casos durante mais de 20 dias por mês, conheço com suficiente pormenor diversas regiões do interior; em especial o Alto Alentejo e as Beiras Baixa e Alta. Terras em continuado despovoamento, habitadas em grande maioria por idosos e com estruturas produtivas, incluindo agrícolas, abandonadas e muitas delas degradadas e destruídas.

Já sabia do triste desfecho, porque o processo se iniciou há meses. Contudo, o ‘Expresso’ acaba de confirmar: a Carveste, empresa têxtil de Caria, Belmonte, em processo de encerramento desde há tempos, vai expulsar para o desemprego mais de 200 trabalhadores.

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diz que é uma espécie de governo…

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Não se pode pedir a um homem de letras que saiba fazer contas…

António Costa, jurista e político português, é o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, desde 2007. Para ele, a matemática sempre foi uma ciência estranha, difícil de perceber o porquê de ter que ser exacta. Para ele, o aumento do passivo municipal em cerca de 163 milhões de euros nos últimos seis anos não passa afinal de uma redução em relação a 2011. 

Segundo as contas do Sr. Costa, o que deve ser comparado é quanto é que o próprio gastou em 2011 e quanto é que gastou em 2012, não interessando, portanto, se o valor de 2011 já era uma ode à má gestão. Interessa apenas que em 2012 – graças à sua negociata com o governo dos terrenos do aeroporto que lhe rendeu cerca de 300 milhões de euros – até conseguiu ter menos despesa. 

Quem tem medo dos cidadãos na política?

Ao cabo de 20 anos a acompanhar eleições de perto, mas por fora, aceitei um convite para participar numa candidatura à Junta da minha freguesia.

Passei metade da minha vida a ouvir falar da necessidade de levar os cidadãos para a política, de encararmos essa participação como um exercício de cidadania. Mas agora que aqui cheguei, constato que era tudo mentira. Menos de 24 horas depois de anunciar na rede que iria integrar uma candidatura, percebi que mexera num vespeiro. [Read more…]

Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado

FireShot Screen Capture #070 - 'portugal contemporâneo_ é um homem viril' - portugalcontemporaneo_blogspot_pt_2013_07_virilidade_html
Pedro Viril Arroja relembrando o saudoso deputado Morgado, via Declínio e Queda.

Deixo os versos de Natália Correia: [Read more…]