Postcards from the U.S. #5 (New York)

‘What do you mean? «My people»?’… and ‘some of you call it jazz, but it is not jazz, it is blues’

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Ontem à noite cheguei tarde a casa. A casa quero dizer, aquela que é a minha casa por 8 noites em Nova Iorque, o The Evelyn, um hotel bonito, limpo, extremamente bem localizado, mas cujo elevador demora dois dias a trazer-nos do átrio, onde há sempre excelente jazz, até ao nono piso, onde me encontro. O meu quarto é espaçoso. Na cama caberiam umas 4 pessoas como eu, à vontade e deve ser uma das mais confortáveis camas em que já dormi na vida. A vista, porém, não é grande coisa. Dá para um prédio, igualmente alto e isso faz com que , pelas grandes janelas, não entre muita luz.
 
Cheguei tarde porque fui ao Bar 55, na Christopher st. Um bar de Jazz & Blues, muito recomendado, onde tocam habitualmente nomes muitíssimo recomendáveis do jazz e dos blues. O Bar 55 – que fica sem surpresa na West Village, ou na fronteira entre este bairro e o Greenwich Village – ao contrário dos grandes bares de jazz que eram (e ainda são) famosos nos anos 50, como o Village Vanguard, o Birdland e o Blue Note, é um clube despretensioso, onde a cerveja custa 7 dólares, barata para os padrões nova iorquinos, portanto. Decidi que, por muito que gostasse, não tenho dinheiro para os bares de jazz que se tornaram agora lugares turísticos. O Bar 55 não é um lugar turístico e agradeço aos céus por isso. Fica numa cave, fresca, tem um ambiente absolutamente nova iorquino e, ontem pelo menos, eu devia ser uma das poucas turistas que lá estavam. Sweet Georgia Brown* foi a cantora de blues que ontem animou a minha noite. E de que maneira. A banda que a acompanhava era excelente e não se pode pedir mais de um clube de jazz & blues, se não isto. Hei-de experimentar, antes de me ir embora, o Smalls. Para ouvir jazz e não blues, como ontem à noite.
 

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Coisas silly da season

OTDIP

encontradas nesse antro de hereges que é a taberna d’Os truques da imprensa portuguesa. Mas desta vez compreende-se, Truques: Paulo Portas é um actor político irrelevante, que não desperta grande interesse mediático e que não exerceu os mais altos cargos de governação. Para quê gastar tempo de antena com ideias soltas que, só por coincidência, se ligam na perfeição e parecem indiciar um caso com contornos pouco transparentes? Ganhem mas é juízo, que estamos em Agosto. São coisas silly da season – e porreiras -, pá! [Read more…]

Parabéns, Brasil


Campeão olímpico de futebol masculino.

Postcards from the U.S. #4 (New York)

‘It was like a mountain falling on us’… or… where were you on 9/11?

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Visitei hoje o Memorial e o Museu do 11 de setembro. Passam, daqui a menos de um mês, 15 anos sobre os acontecimentos terríveis que o originaram. Independentemente do que podermos pensar sobre a política americana, sobre o modo como os Estados Unidos fazem política, penso que concordamos todos que os acontecimentos foram isso mesmo: terríveis. Lembro-me perfeitamente onde estava no momento em que as ‘torres gêmeas’ foram atacadas, com quem estava e o que estava a fazer. Lembro-me de ver as torres serem atacadas, de as ver cair. Provavelmente lembramos-nos todos. Não foi apenas o skyline de Nova Iorque que mudou, mas a paisagem de cada um de nós, suponho (sim, sei bem o que se pode dizer sobre outras paisagens e outros horizontes e estou de acordo com isso, mas não é disso que quero falar agora, neste momento em que escrevo este postal, à uma da manhã, no meu quarto de hotel, no coração de Manhatan).
 
O memorial é extraordinariamente comovente, com as duas ‘piscinas’ no lugar das torres, com as suas cascatas cujas águas se escoam para um buraco quadrado bem no centro de cada uma, como se escoaram as vidas dos milhares de pessoas que morreram naquele dia. Lembro-me das pessoas a voarem sem serem pássaros. E do desespero que tal deve ter representado para cada uma delas. Como Sylvia Pio Resta e o seu filho por nascer. Ou como Charles Vandevander. Ou Elsy Carolina Osorio. Podia continuar infinitamente. Como continuam os nomes inscritos no memorial. Infinitamente. Em alguns desses nomes há rosas brancas e é comovente. Tão comovente como a carta que George escreveu apressadamente à sua mulher e aos seus filhos, momentos antes de morrer na torre sul. ‘I always loved you, Barbara, and you, kids, be good and do always good things’.

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Desonestidade Intelectual?

Se o Turismo de Lisboa pode mostrar a Serra da Arrábida [distrito de Setúbal] como sendo Lisboa,

turismo_lisboa_arrabida_setubal[fonte]

podem os bracarenses mostrar o Parque Nacional Peneda-Gerês como sendo Braga?

parque_peneda_geres
Afinal, a distância é a mesma!

[foto: etel bande]

Pacheco Pereira sobre a possibilidade de um novo resgate

Existe um colete de forças que torna o decurso económico independente da mudança de governo, facto que  direita não quer ver. Esta opta pela justificação que lhe serve para o objectivo eleitoral. A esquerda também opta por uma leitura desligada deste percurso ao pretender que a situação está melhor. E até melhorou para as pessoas, mas sobra a dúvida se a melhoria pontual resistirá ao contexto macro. Uma coisa é certa, não é por o país ficar melhor que a situação individual melhora. Isso seria construir uma floresta sem árvores. O país melhora quando os seus cidadãos ficam melhor.

Aliás tudo o que está a acontecer agora não revela qualquer significativa inversão das tendências negativas dos últimos meses da governação PSD -CDS. Acresce que a verdadeira bomba -relógio do sistema bancário, que o governo Passos-Portas-Maria Luís deixou de herança, tinha-lhes rebentado nas mãos e, se compararmos a inépcia e a negligência criminosa do governo PSD-CDS nesta matéria, é provável que os estragos fossem maiores. Aliás, a causa mais provável para haver um novo resgate em Portugal é a situação da banca, e essa responsabilidade vai inteirinha para Passos, Portas e Maria Luís.

O impasse da política portuguesa é apenas este e este “apenas” é gigantesco: se quem manda hoje na Europa, a aliança da Alemanha com alguns países do Centro e Norte da Europa, continuar a impor as mesmas políticas de “ajustamento”, que hoje são criticadas até pelo FMI…, não aceitar proceder a uma mudança que passe pela restruturação das dívidas, pela baixa dos juros, pela maior flexibilidade na gestão dos défices, por políticas de investimento, e pela solidariedade activa dos países mais ricos com os mais pobres, na tradição dos fundadores da União, nem Portugal, nem a Europa sairão dos impasses actuais. [Pacheco Pereira, Visão, 19/08/2016]

Music is my drug…

Estou a ficar velho! É a conclusão que retiro quando dou conta terem passado 20 anos desde o lançamento de Placebo, álbum de estreia da banda londrina com o mesmo nome, fundada pelo genial Brian Molko & Stefan Olsdal… A 7 de Outubro sairá o álbum A Place For Us To Dream,” que revisitará a carreira desta banda que conta várias passagens por Portugal e uma legião de fãs de Norte a Sul…

Postcards from the U.S. #3 (New York)

The truth and nothing but…

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… about New York é que tudo parece familiar. Demasiados filmes do Woody Allen (entre outros), é o que é. Ontem à noite estava demasiado cansada para escrever o postal. Andei bastante, embora não tenha saído praticamente da 5ª Avenida, entre a 27 st e a 52 st., com uma incursão a Bryant Park e à Times Square. Vi, portanto bastantes das atrações mais populares de Nova Iorque. Resolvi despachar o folclore no primeiro dia: o Empire State Building, o Top of the Rock, a Times Square e, menos folclore, a NY Public Library e a Igreja de St. Patrick.
 
Saio do hotel, quase na esquina da 27 st com a 5ª Avenida – uma localização perfeita, limpo, confortável, arejado – para me dirigir primeiro ao Empire State Building que vejo mal dobro esquina. O edifício é imponente. As filas também. Mas compensa tudo quando se chega ao topo. A vista é sublime. Hei-de regressar depois das 11 da noite e é como nos filmes: quase esperamos ver um pedido de casamento ou um reencontro romântico entre dois amantes desencontrados. A lua quase quase cheia ajuda a criar o cenário. É sublime. Tenho pena que as fotografias noturnas – ainda tenho de aprender a mexer melhor na máquina – não façam jus ao que os olhos vêem.

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Valores limitados

Recep-Tayyip-ErdoganFoto: AP

A democracia é um comboio do qual se desce quando se chega ao destino”, Erdogan nunca deixou dúvidas quanto à sua convicção anti-democrática e, desde a fracassada tentativa de golpe, tem carta branca para a “caça às bruxas” que já levou à prisão mais de 40.000 pessoas – entre as quais militares, juízes, jornalistas, professores, polícias – e à suspensão de 80.000 funcionários públicos. As cadeias estão de tal modo sobrelotadas, que o governo anunciou que irá libertar 38.000 prisioneiros detidos antes do golpe, para arranjar lugar para todos os supostos simpatizantes do movimento Gülen, ao qual Erdogan achou por bem atribuir a tentativa de golpe. Segundo Erdogan, o golpe foi “um presente de Alá”, que o legitima a dar largas às ganas de liquidar tudo o que se lhe oponha, falando de expurgação, punição exemplar e de reintrodução da pena de morte. Para tudo isto Erdogan conta com o apoio ilimitado de uma substancial parte da população turca. No regresso a Istambul após a debelação do golpe, Erdogan foi recebido por milhares de pessoas no aeroporto, muitas das quais bradando “ordena-o e mataremos, ordena-o e morreremos”, e, sucessivamente, “Alá é grande!”. À gigantesca manifestação orquestrada pelo presidente três semanas depois do golpe, acorreram mais de um milhão de pessoas. Quem ainda se atreve a ter uma posição crítica, tem o destino marcado. A divisão de poderes foi desmantelada, a Turquia a caminho da ditadura.
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Apenas um dia?

direitos_humanos

Helena Ferro de Gouveia

Correm as horas. Vorazes. Dizemos que não temos tempo, quando nunca fomos tão livres para escolher o que fazer com ele. Vivemos num palco de extraordinárias expectativas, inatingíveis. Quantas vidas vivemos por procuração? Ou quanto medo temos de ser sentimentais, num mundo asséptico de sentimentos?

Mas há, na era do individualismo e da indiferença quem nos devolva candura, quem nos encha o firmamento de pontos de luz, quem se recusa a ver no sofrimento uma abstracção e age.

Estes anjos, e felizmente ainda há tantos, não precisam do meu agradecimento, mas faço-o “em nome dos que dormem ao relento/Numa cama de chuva com lençóis de vento/O sono da miséria, terrível e profundo”. O Natal? São eles. O eu pelo outro.

Hoje é dia mundial do Trabalhador Humanitário.

Bom dia

Shiny happy women laughing

 Catarina Veiga Miranda


Acabo de ler um artigo giríssimo sobre Chaunte Lowe, a atleta norte-americana, favorita em High Jump.

É a modalidade que Gosto de ver embora me tenha escapado olimpicamente desta vez. Nunca me interessou reparar na competição em altura. Estou a ver mulheres a voar e do sofá (ou da cama) parecem plena e finalmente felizes. Vê-las é uma Pedra.
Também sinto essa satisfação quando as vejo em desportos de equipa sobretudo futebol onde me emociono como no futebol (uma modalidade que passo o ano a detestar, literalmente, por estar em todo o lado sem qualquer alternativa)

Mas vejo-as libertas e a voarem.
A superarem-se a cada centímetro a mais que voam e sentem Prazer. Não me interessa o esforço, o sacrifício, o doping, ou as chatices…vejo-as só.
Haverá outras modalidades intelectuais que dão prazer (uma doce teima que tinha com d.)
Mas no Desporto nota-se muito. É físico.
Não há nada mais Giro e Compensador e Esperançoso do que ver mulheres felizes mesmo que sejam do Olimpo. Uma verdadeira inspiração para o comum de nós…de mim.
Elas dizem: “é Possível”

A lei? Olha quem fala…..

“As leis são boas consoante quem as aproveita”. E cumpri-las? Pois é, lembrei-me logo da Barragem do Tua!

Postcards from the U.S. #2 (Washington D. C.)

‘Life is like a short movie and your smile is like a million dollars’, the ethiopian taxi driver told me

 

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Devo sair do hotel às 11h da manhã, Não sei por que razão, mas o despertador não toca às 9h e meia… e eu acordo um bocado sobressaltada às 10h. Despacho-me e saio. Deixo as malas no hotel. Afinal ainda tenho algumas horas até ao comboio que me há de levar até Nova Iorque. Apanho um taxi em frente ao hotel para Georgetown, a viagem é curta e o preço é bastante barato. O taxista é falador e, venho a descobrir mais tarde, filósofo e poeta. Já não sei como a conversa começa, suponho que me perguntou de onde vinha eu. Disse-lhe. Ele não falou no Cristiano Ronaldo o que me pareceu logo um ponto a seu favor. Queria saber como era o país, a economia. Lá lhe contei resumidamente a situação. Perguntei-lhe de onde era. Da Etiópia, mas cidadão americano. Claro. Todos os taxistas, seja lá de onde forem originalmente,, me têm dito com orgulho que são cidadãos canadianos ou americanos, conforme o local onde me encontre.
Pergunta-me se gostei de Washington D. C., o que vi, etc. Fala bastante e é realmente simpático. Digo-lhe que vi isto e aquilo e aqueloutro e que agora queria dar um passeio de barco no rio Portomac e ver um bocadinho de Georgetown. Acha que faço muito bem. Que Georgetown é muito bonita e muitas pessoas importantes têm aqui vivido. Deixa-me junto ao porto. Pago-lhe (é bastante barato) e quero deixar-lhe uma gorjeta (aqui as gorjetas são quase obrigatórias): Além do que lhe paguei, só tenho 2 dólares, de dinheiro ‘pequeno’. Dou-lhos e digo que desculpe não ser muito mas que (como lhe expliquei) o meu país está numa situação económica complicada. Vira-se para mim e diz ‘a senhora’, assim em português e tudo, perguntando ‘lady is a senhora, right?’. ‘Right’. Continua dizendo que o dinheiro não interessa muito, que a vida ‘is like a short movie, you know’?. Que o que é importante é a saúde, a família, os amigos. Quando ele diz que a vida é como um ‘short movie’ rio-me’ e ele acrescenta à lista das coisas importantes: ‘your smile, you know? That is a million dollars’ smile’! Rio-me mais. E despeço-me. Ele pergunta como se diz em português ‘have a nice day’, digo-lhe ‘tenha um bom dia’ e ele repete.

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Pois é delas o Reino dos Céus

direitos_universais_da_crianca
“Art. 31
1 – Os Estados Partes reconhecem o direito da criança ao descanso e ao lazer, ao divertimento e às atividades recreativas próprias da idade, bem como à livre participação na vida cultural e artística.” – Declaração Universal dos Direitos da Criança, 1989.

Postcards from the U.S. #1 (Washington D. C)

‘Freedom is not free’ and a ‘stone of hope’

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De manhã, com o sol a entrar por entre as frestas dos estores das duas janelas do quarto, e depois de ter dormido algumas horas, o hotel parece-me muito menos mau que ontem à noite. No entanto, não é bom. É limpo e a cama é razoável e, já o disse ontem, tem ar condicionado. Chega para duas noites. Também não tem, como uma boa parte dos hotéis nos Estados Unidos, pequeno almoço incluído. Assim, saio do hotel e tomo o pequeno almoço no Starbucks mais próximo. Isto é um Starbucks em cada esquina, sempre idênticos, sempre com as mesmas coisas. O expresso é razoável, já o disse. E isso, por agora, tem de me chegar. Em frente ao hotel fica a Igreja dos peregrinos com uma torre muito alta e uma escultura bem bonita de Taras Shevchenko, poeta ucraniano. A estátua visa honrar o poeta que lutou pela liberdade no seu país. Porque está ali, não compreendo exatamente, mas, repito, é uma estátua bem bonita.
 
A área em redor do hotel, muito próximo de Dupont Circle, é afinal bastante agradável, com cafés e restaurantes e passeios largos e casas baixas. Aliás, os edifícios não são geralmente muito altos aqui. Batsante diferente de Toronto, a cidade e, seguramente, muito diferente de Nova Iorque. Basicamente a cidade vive de e para a política. Todas as instituições relevantes se concentram aqui: o tesouro, a casa branca, o banco dos Estados Unidos, o quartel-general do FBI, etc, etc, etc. Isso é dezenas de memoriais, a todos os presidentes mortos, a alguns senadores, a batalhas, a cientistas, a poetas estrangeiros como já se viu… Washington é a cidade da política e dos memoriais. Está visto.

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Diga ‘expectativa’!

expectativa2Prometi, ontem, que voltaria à expectativa, porque posso.

Vamos por partes, que é Agosto.

Os autores do chamado acordo ortográfico (AO90) valorizam aquilo a que chamam “critério fonético”. De modo simplista, isso quer dizer que devemos escrever conforme pronunciamos, o que, por sua vez, significa que não devemos escrever aquilo que não pronunciamos.

António Emiliano, entre outros, já explicou a impropriedade da expressão “critério fonético” e o disparate em que consiste. Mas deixemos isso, por instantes, porque a expectativa é grande.

Preocupados com o tal “critério fonético”, os autores do AO90 declaram basear-se numa certa e determinada norma culta. Confrontado com a dupla grafia da palavra “expectativa”, revisitei, mais uma vez, o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, em busca da transcrição fonética da palavra. Como puderam ver mais acima, embora se admitam duas realizações possíveis para a primeira sílaba, o C pronuncia-se. [Read more…]

Defender a Constituição…

…”mas a comissão entende que este abala o sigilo bancário e viola a Constituição.

Juro que não é embirranço

… mas precisei de parar a leitura para discernir o que é que ali estava escrito.

O QUESS também é referido pelo programa espacial chinês como “Micio”, em homenagem ao cientista e ótico da China Antiga, que há 2.500 anos inventou a primeira câmara escura. (DN)

Definição de “ótico” no Dicionário da Priberam da Língua Portuguesa

Sim, é uma palavra alterada pelo AO90, esse mesmo que, dizem, aproximou a escrita do português nos diversos países onde este é a língua oficial. Seria, então, de esperar que no Brasil se escreva “óptico” sem “p”, certo? [Read more…]

Postcard from between Niagara Falls and Washington D.C.

‘You are all set to go’ or ‘welcome to the land of the free and the home of the brave’

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Levanto-me às dez da manhã em Niagara Falls, com a vista absolutamente delirante das American Falls, ali mesmo à minha frente. Tomo banho, constato que tenho cada vez mais borbulhinhas de que não sei bem a origem (alergia ao calor, provavelmente… nunca me tinha acontecido) e saio para tomar o pequeno almoço. Tenho de fazer o check out até ás 11h, por isso despacho-me e regresso ao hotel. Pago e fico um bocado no átrio, à espera que sejam horas do meu autocarro para Burligton, onde hoje apanharei o comboio para Toronto. Não havia comboios diretos à hora que pretendia regressar e esta foi a solução encontrada.
 
O taxista que me levou a mim e ao trambolho que me acompanha, agora já com muita roupa suja dentro, fez um caminho diferente do de ontem. Não me falou no Cristiano Ronaldo e conduziu em silêncio. Até que eu lhe disse que o caminho por onde seguíamos, junto ao Niagara Parkway primeiro e depois serpenteando o rio, era muito bonito. Disse que sim e que todos os dias fazia dezenas de viagens por ali mas que lhe era impossível não ficar embasbacado a olhar para as cataratas. É mesmo. São poderosas. Já o disse ontem. E maravilhosas. E torrenciais, como convém a cataratas.
 
Apanho o autocarro, em frente à estação de caminhos de ferro. A viagem dura cerca de uma hora. Em Burlington a estação está em obras e não é muito agradável. O comboio das 14h07 foi cancelado, anuncia uma voz mecânica aos passageiros da plataforma 3. Teremos de apanhar o próximo, às 14h37, para a Toronto Union Station. Para ali ficamos. Fumo uns dois ou três cigarros. Ninguém me recrimina. O tempo está agradável, sem estar muito calor. Corre mesmo uma vaga brisa na estação. O comboio chega. É diferente do que tomei ontem, o rápido para Nova Iorque. Mais tarde neste dia hei-de arrepender-me de não ter apanhado hoje esse comboio, ou amanhã. Mas agora ainda não. A viagem de comboio dura mais uma hora. É simpática. Sossegada. Dá para ir apreciando a paisagem. Adoro viajar de comboio, já se sabe. Lamentavelmente tomei uma decisão errada: voltar para trás, para Toronto e apanhar o avião para Washington D. C. no aeroporto Billy Bishop, no meio do lago.
 

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As expectativas do acordo ortográfico

Ser professor dá-me, graças ao contacto com os jovens, a possibilidade de aprender, com bastante frequência, novas expressões e novas piadas, porque as modas, como é da sua natureza, vão variando entre o tempo e o espaço. Sendo um curioso da língua e da linguagem, fico sempre fascinado com a descoberta do desconhecido e é sempre com prazer que junto mais uma palavra ou mais uma frase à minha colecção de cromos linguísticos.

Recentemente, adquiri uma mutação humorística da célebre resposta “porque sim”, muito utilizada por pais cansados de explicar ordens. Trata-se da resposta “porque+forma do verbo poder”. Há pouco tempo, um jovem lançou como que uma adivinha: “Porque é que os romanos invadiram a Grã-Bretanha?”. Diante do desconhecimento revelado pelos ouvintes, respondeu “Porque podiam.” Simples e barato.

Na semana passada, li na revista dominical do JN uma entrevista a Rui Unas. A palavra “expectativa” surgiu grafada das duas maneiras aparentemente permitidas pelo chamado acordo ortográfico (AO90), como poderão verificar nas imagens publicadas mais abaixo. Por que razão é que o jornalista fez isso? Porque podia, claro, autorizado pelo Priberam, pela Infopédia e pelo Vocabulário Ortográfico Português. [Read more…]

A Protecção Civil e a prevenção dos fogos

João Faria Martins

seguro_incêndioNo que toca a tudo o que se relacione com fogos florestais, do que apreendo das notícias dos últimos dias, a Protecção Civil em Portugal funciona mais ou menos assim:

Imaginem um serviço nacional de saúde de um certo país no qual não existe qualquer tipo de medicina preventiva: não se fazem exames de rotina, não há consultas regulares com médicos de clínica geral nem tão-pouco com especialistas, ou um aconselhamento sobre modos de vida saudável. Quaisquer remédios ou tratamentos preventivos foram há muito abolidos; não se receitam comprimidos para a tensão alta, comprimidos para o colesterol, e afins. Jamais se trata em ambulatório, ou com medicação leve, só se opera. Não se encoraja o exercício físico, ou a alimentação saudável. Não se desencoraja o excesso de peso ou o tabagismo. [Read more…]

Um dia diferente

E a razão é simples: Évora não conseguiu a medalha.

Contudo, quanto ao resto, tudo exactamente na mesma:

Na falta de oposição, presumem-se verdadeiros os fatos?

Efectivamente, presumem-se verdadeiros os fatos.

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E o contacto é directo? Não, o contato é direto. Direto? Aliás, contato? Contato? Exactamente: contato.

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Como perguntou Barnardo, «who’s there?».

Melhor e actualizado, «is there anybody out there?»

Aparentemente, não.

A Força Aérea Portuguesa e os incêndios

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Tiago Cardoso Pinto

Não, a FAP não tem meios de combate a incêndios. Parem lá com a parvoíce. Já chateia tanta mentira e demagogia.
E não, não fica mais caro ao Estado alugar meios aéreos todos os anos. Ficaria muito mais caro comprar um elevado número de aeronaves para estarem paradas durante 9 meses. Os que falam dos restantes países europeus desconhecem que eles também alugam meios aéreos todos os anos. Com algumas excepções, é a protecção civil desses países que opera e gere os meios aéreos.
Deve o Governo investir em mais meios aéreos? Claro que sim, desde que fiquem na esfera da Protecção Civil e não dos militares, por diversas razões de ordem técnica e organizacional das forças de combate a incêndios no terreno. Um par de Berievs e mais dois Kamov dão conta do recado, quando aliados no Verão a meios aéreos alugados segundo concursos públicos transparentes e justos.
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Novidade mesmo é o parquímetro


© Osmat Fakih

Postcards from Canada #7

‘A raging torrent of emotion, that even nature can’t control – Niagara’*

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Há um filme de 1953, de Henry Hathaway, cujo trailer* começa assim… uma torrente de emoções que nem a natureza pode controlar… ao mesmo tempo que vemos as águas precipitando-se furiosa e descontroladamente formando as cataratas do Niagara. O filme tem, entre outros, Marilyn Monroe no papel de vilã. Há uma fotografia tirada durante a rodagem desse filme, no Tower Hotel, o mesmo onde estou. O restaurante do 26º piso chama-se também Marilyn.
 
Eu estou no 27º piso do Tower Hotel que basicamente parece um depósito de água. Uma coluna altíssima onde apenas existem os elevadores e no cimo dela 4 ou 5 andares, em redondo, formam o hotel. Quando reservei vi a torre, mas não me apercebi que o hotel era a própria torre. Reservei igualmente um quarto com ‘city view’, porque os com ‘falls view’ eram demasiado caros. Qual não foi, assim, o meu espanto, quando entrei no quarto, que é praticamente todo envidraçado, e dei de caras com as cataratas. Não as Horseshoe falls, as canadianas, mas as mais modestas (mas não menos impressionantes) American falls. Ganhei o dia e esqueci as vertigens. Passei longos momentos sentada no parapeito interior da janela a olhar para aquilo e a pensar ‘que maravilha’. É, de facto, uma maravilha a vista. Ainda há bocado as cataratas iluminaram-se de várias cores e eu estava feita parva, de boca aberta, do alto do depósito de água a olhar para aquilo e a sentir um misto de admiração e crítica.

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Censura no Facebook de Marco António Costa

Comentário apagado da página de Marco António Costa

Comentário apagado da página de Marco António Costa

Por duas vezes deixei um comentário num post de Marco António Costa e por duas vezes ele o apagou. A imagem acima é uma cópia desse comentário, quando colocado pela segunda vez. O post em causa é este: [Read more…]

«16,99 m Qualificação directa para a final!»

Efectivamente: directa. Parabéns, Nelson Évora.

«Nelson Évora entra hoje em Mação»?

Em Mação? Ah! Em acção! Efectivamente.

Postcards from Canada #6

‘One word isn’t all I am’

 
O Congresso acabou hoje. Da parte da tarde moderei as duas sessões do segundo grupo de trabalho que organizei com o Pavel que (creio que já o disse) não pode vir. A sessão é sobre os imaginários urbanos acerca do mundo rural e a forma como os mesmos moldam os territórios locais. Há apresentações da Irlanda, do Japão, da Islândia, dos Estados Unidos, da República Checa e a minha, de Portugal. É interessante observar que os processos e as dinâmicas de reconfiguração, por um lado, e as representações sociais (urbanas principalmente) sobre o rural, são idênticos em toda a parte. É a globalização, estúpida! Claro. Ou o McRural*, como eu gosto de lhe chamar. As apresentações são interessantes e a discussão, especialmente na última sessão, mais ainda. Fico contente com isto. Gosto do meu trabalho, e de trabalhar no que gosto, já se sabe. Gosto tanto que muitas vezes (talvez demasiadas, embora ultimamente menos) ocupo os meus ‘tempos livres’ a trabalhar.
 
A seguir ao fim do Congresso, resolvo vir a pé até ao hotel, com a desculpa de que, como hoje choveu em Toronto, está mais fresco e o passeio de cerca de 20 minutos far-se-á bem. De facto, choveu em Toronto e parece que se respira melhor nas ruas e que o ar não está tão pesado. Mas foi um erro vir a pé. Primeiro porque me enganei, por incapacidade de localizar o norte onde quer que me encontre. Quando dei por mim, tinha ido justamente para norte quando deveria ter caminhado para sul. Mal me apercebo do erro, uns 4 quarteirões depois, volto para trás pela Yonge st., passando novamente a Dundas Square e caminhando em direção à Queen st East. Quando chego a esta rua apercebo-me também do outro erro: não está mais fresco em Toronto. A humidade faz, juntamente com o calor, um efeito de sauna e estou a transpirar abundantemente (como, creio, nunca transpirei na vida). Sabe-se que não devemos estar numa sauna mais de 10 minutos seguidos, ao fim dos quais devemos tomar um duche frio. Pois. No meio da Queen st East não há, infelizmente, duches e a chuva parou de cair já há umas horas.
 

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Incêndios: o que tu podes fazer?

Aqui há anos – tantos que nem os sete dias da box me valem – havia uma piada entre os estudantes da Academia. A ideia era simples. Num primeiro momento, quando a malta se cruzava com Engenheiros, dizia:

– Os engenheiros são nossos amigos.

Ao que se seguia uma música:

– Vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida … lá … lá…

Desculpem lá a franqueza, mas é sempre disto que me lembro quando vejo  a paixão sazonal que os tugas e as tugas sentem pelos nossos bombeiros e pela floresta do nosso país. E, apetece-me gritar bem alto, vão todos para …, mas acho que o momento é o que é e já que aqui estamos, vamos ao debate.

Perante um problema desta dimensão, a frase feita do Presidente faz todo o sentido: o que podemos, cada um de Nós, fazer para ajudar a resolver isto?

Do ponto de vista da Escola, creio que a questão se pode colocar a dois níveis:

  • na formação dos mais novos,
  • na dinamização de projectos de intervenção local.

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