In

040114a

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Egídio Santos

estaleiros_navais_viana_castelo
© Egídio Santos. A exposição Rostos é composta por dois conjuntos de imagens. Expostas numa sala estarão as fotografias que fiz em 1991 no interior dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. São 30 imagens que mostram momentos diversos de um dia de trabalho dos Estaleiros. O outro grupo de imagens, mostradas num ecrã, realizadas nas manifestações de 7 e 13 de Dezembro de 2013, transmitem a tristeza e desilusão que assolou toda a comunidade de Viana do Castelo ao saber da decisão de fechar os ENVC, despedindo a totalidade dos trabalhadores. São rostos de revolta, tristeza. São centenas de famílias que se sentem abandonadas por um governo que as devia proteger. Esta exposição acaba por ser uma homenagem à alma dos Estaleiros de Viana: os seus trabalhadores.
A exposição inaugura dia 22 de Janeiro e encerra dia 19 de Fevereiro. Local: Casa do Vinho Verde, Rua da Restauração, 318, Porto.

Ferradosa

ferradosa_1974Antiga estação da Ferradosa, 1974, anos antes da barragem da Valeira.
O comboio cruza hoje o rio num outro local.(© desconhecido)

Estudantes da Lusófona – vocês são a vergonha dos universitários

6 de vós foram engolidos pelo mar antes do Natal. Um mês depois, mantém-se um pacto de silêncio sobre o que aconteceu. Em vez de contarem o que sabem, dando às famílias dos vossos ex-colegas a única coisa que elas desejam – respostas! – fecham-se em copas. Tudo para defenderem essa palhaçada ridícula a que chamam praxe.
Ignoram que a praxe devia ser um ritual colectivo de integração dos novos alunos e não um ritual de humilhação e de violência física e psicológica. Ignoram que na vossa Universidade não há hierarquias e que são todos iguais, tenham 5 matrículas ou sejam caloiros. Ignoram que aquilo que fazem aos outros ou que deixam que vos façam é indigno de uma sociedade civilizada e de jovens que serão o futuro deste país.
O vosso silêncio representa a segunda morte de 6 colegas. O vosso silêncio vai matando o que restou daquelas 6 famílias. Traidores da memória alheia – é o que vocês são. Confraternizaram com eles, partilharam experiências, receios e expectativas. Foram seus amigos. E agora matam-nos outra vez.
Não querem saber. Simplesmente não querem saber.
Vocês são a vergonha dos universitários portugueses. Que a vossa consciência vos deixe dormir no final de cada dia. A minha não deixaria.

Em Coimbra a 21 de Janeiro de 1974 (…) rua Antero de Quental

Uma cruz carrega-a quem quer, ou se sujeita. Faz 40 anos alombo a minha, uma delas, ainda sou do tempo – quando as cruzes também mediam o fígado -, porque me sujeitei e depois porque assim a mandei estar.

2013-09-19-18h01m29-1

Pago, custou caro, teve seu tempo. Pago o preço de fiel na seita, acreditando em deuses miraculosos que eram filhosdaputa fabulosos. Como todos os deuses em todas as seitas. Como se fecha um puto de 14 anos com dois polícias, uma tarde, num vão de escada com a luz de Janeiro a passar sobre a Praça, ali mesmo abaixo, e a máquina de escrever, seu peculiar silêncio e som, a banda sonora do interrogatório, tarde fora. [Read more…]

Conjugação

Eu trabalho / Tu trabalhas/ Ele trabalha/ Nós trabalhamos / Vós trabalhais/ Eles lucram.

Lusofonia Games 2014

Yeah, yeah: Lusofonia Games.

Lamento a grafia *aspetos da notícia apontada. Aliás, ‘aspetos’ é palavra extremamente interessante  — do ponto de vista da “unidade essencial da língua portuguesa”, claro.

Língua portuguesa: aquela que não é ‘primeira língua’ nos Jogos da Lusofonia. Sim, da Lusofonia.

O responsável [Artur Lopes] referiu que, tratando-se dos Jogos da Lusofonia, não se entende que a primeira língua não seja o português, com uma tradução em inglês: “Aqui é o inglês e, às vezes, existe uma tradução portuguesa”.

Actualização (22/1/2014): Recomendo a consulta desta nótula, na página da ILC contra o Acordo Ortográfico.

Um jornal que ainda não foi inventado

brushes030-300_Iphone_finger_drawn_copyright_jorge_colombo
© Jorge Colombo

Vi (ouvi) com interesse os participantes no Prós&Contras de ontem, dedicado aos «conteúdos» jornalísticos do futuro (devir próximo, sem dúvida). Mas também com tristeza, por verificar a que ponto os jornalistas profissionais da minha geração andam de facto «aos papéis», como bem disse Ana Sá Lopes. E andam aos papéis porque, creio eu, têm andado demasiadamente preocupados com o «modelo de negócio» e insuficientemente com o jornalismo propriamente dito. O que é compreensível, atendendo àquela que tem sido a realidade da generalidade dos jornalistas desde a morte anunciada da imprensa que constituiu a massificação do acesso à Internet.

De costas largas, a Internet tem desde há vários anos servido para justificar a destruição dos jornais, o despedimento de jornalistas, a reconstituição das redacções com recurso a jornalistas precários e estagiários, a redução de todos os meios, humanos uns e financeiros outros, a dispensa de revisores (tão importantes para a manutenção da qualidade dos textos) e outras etapas que paulatinamente têm vindo a ser queimadas, suprimidas no processo de produção da informação jornalística. Acrescente-se a esse panorama, já de si desolador, o «tráfico» de crónicas, por vezes a soldo zero, que cria espaço nos jornais para a defesa de interesses particulares e/ou de classes específicas da sociedade portuguesa.

Mas mais largas ainda do que as da Internet serão as costas do «novo paradigma», à boleia do qual se têm cometido todo o tipo de «erros estratégicos», [Read more…]

Remendos

Um dos sinais da crise é o regresso dos sapateiros. Não sei que fizeram durante aqueles 10 ou 15 anos em que nem quisemos ouvir falar de semelhante coisa, pôr meias-solas, que miserabilismo, mas aí estão eles de novo. Nunca deixei de ir aos sapateiros, sobretudo por causa daquele prodigioso alicate de estrela que abre furos nos cintos, mas nem sempre foi fácil encontrá-los na cidade.

Custa a crer que, na minha infância, o sapateiro mais importante da zona tivesse uns quantos ajudantes, que não eram mais que futuros profissionais que os pais entregavam nas mãos do sapateiro experiente para que ele os formasse ao longo dos anos. A oficina do Faria, o tal sapateiro, parecia saída de um romance de Dickens. Os clientes não entravam na oficina, assomavam-se ao balcão, e daí via-se todo o espaço. No centro, estava o Faria, ocupadíssimo, sem nunca se permitir uma brincadeira, segurando com os lábios finos os pregos que ia cravando num tacão, e com olhos inquietos, controlando tudo o que acontecia na oficina, sem nunca poder tranquilizar-se. Vestia uma bata que eu recordo azulada e cheia de remendos, usava óculos de lentes grossas e tinha um cabelo ralo e triste, muito pegado à cabeça. [Read more…]

Queres que te faça um desenho? Então, toma

sacrifícios

Estudo calcula que bancos europeus têm necessidades de capital de 767 mil milhões de euros

E esta, hein?

“Tudo o que temíamos acerca do comunismo – que perderíamos as nossas casas e poupanças e nos obrigariam a trabalhar eternamente por escassos salários e sem ter voz no sistema – converteu-se em realidade sob o capitalismo” – Jeff Sparrow

Privatiza, filho, privatiza!

Miró

Exactamente: “by decision of the Portuguese Republic“.

 

Leitões, ladrões e aldrabões.

Leitão

Muito resumidamente, a coisa foi assim: havia um congresso do CDS-PP em Oliveira do Bairro e, como seria de esperar, alguns congressistas estavam com fome no final do certame. A comitiva do CDS-Algarve, no seu percurso de volta a casa, decidiu parar na Mealhada para se deliciar com o famoso leitão à bairrada. Local? O conhecido restaurante Meta dos Leitões.

[Read more…]

A família

o-padrinho

Exacto, a família.

“Department of Corrections”,

escreve hoje Paul Krugman. Se isto vai parar a uns sítios que eu cá sei, é possível que apareçam umas *corretions.

Calma, é só fumaça

Tipología, por Jorge Alaminos, Tlaxcala

Apenas nos últimos dias:

1. Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de acções

2. Agostinho Branquinho, Secretário de Estado fez lobbying durante dois anos para conseguir abrir hospital privado

3. Empresa que levou a demissão no MAI custou mil euros

Não há aqui um padrão qualquer? [Read more…]

O Triângulo de Lousado

comboio_lousadoComboio Guimarães-Famalicão, anos 70. (© desconhecido)

Arrastão fecha as portas

Como tudo na vida, também a vida de um blog tem um fim. Digo ‘adeus’ ao Arrastão com um ligeiro sentimento de nostalgia mas sem sentimentalismos. Já foi um blog imprenscindível da esquerda mas, ao longo dos últimos tempos, perdeu fulgor e estava a mirrar.

Há uns anos atrás, frequentava-o com aguma frequência. Não diária mas pontual. Não lia tudo, mas alguma coisa. Não concordava com tudo, aliás discordava de muita coisa, mas era importante para perceber argumentos de alguma esquerda no debate de temas relevantes da sociedade portuguesa.

Agora o Arrastão fecha as portas. Até ao próximo.

Claudio Abbado (1933 – 2014)

Precioso

Um mapa histórico animado  com 3000 anos da Península Ibérica, ou de como iberos nos arrumámos no nariz da Europa, e arrumaremos, num universo de séculos nenhuma fronteira é imutável.

Mapas originais em diapositivos podem ser vistas por exemplo nesta História de Espanha em 8 minutos:

[Read more…]

Hoje, lembrei-me de Djavan

A que propósito? Já lá vamos.

Através do jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que Cavaco Silva se pronunciou acerca de Eusébio, nos seguintes termos: “uma pessoa de qualidades humanas excepcionais“.

Exactamente:

estadao

Curiosamente, sabendo nós aquilo que muito bem sabemos, o presidente da República terá de facto escrito excepcionais e a máquina devoradora de consoantes gerou este ‘excecionais’.

excecionais cavaco

Isto é, só recorrendo a um jornal brasileiro é que podemos ter uma ideia daquilo que o presidente da República Portuguesa efectivamente escreveu.

Sim, sem AO90, em Portugal e no Brasil, escreve-se ‘excepcionais’. Sim, com o AO90, no Brasil escreve-se excepcionais e em Portugal escreve-se excecionais — é um paradoxo, eu sei, mas a culpa não é minha.

***

Agora, Djavan.

Lembrei-me de Djavan, por causa [Read more…]

Portugal é campeão europeu

selnac

Portugal regressou hoje à segunda divisão europeia de hóquei indoor, ao conquistar o título de campeão da terceira divisão, disputado em Zelina, na Croácia. Escrevemos há alguns anos que o lugar de Portugal, em função da sua realidade, será na segunda divisão, podendo, em boas safras, ir esporadicamente à primeira divisão, onde pendulam as oito potências da modalidade. Por um conjunto de circunstâncias fortuitas, não ousávamos fixar-nos. Agora, que conquistámos esse desiderato, há que trabalhar para nos mantermos.

Portugal começou bem a prova, como escrevemos na sexta-feira, cilindrando a Hungria e a Finlândia. Ora, o segundo dia de prova mostrava-se à partida muito complicado, dado que iríamos defrontar o País de Gales e a Croácia, apontados á partida como os favoritos. [Read more…]

Eu também estive lá e vi!

Sim Francisco, o Paulo Fonseca é um treinador muito fraco. Não podemos acertar sempre! Mas esse vídeo que partilhas e ao qual o seu criador chama “O maior roubo da história do futebol” é no mínimo uma brincadeira de crianças à beira deste que agora te trago e que com certeza te lembrarás. O árbitro? O incontornável João Ferreira. E mesmo com a arbitragem escandalosa, a mais escandalosa que alguma vez vi, a melhor equipa em campo ganhou. Eu estive lá e vi! E não me lembro de ver comentários do Jorge Jesus sobre o sucedido 🙂

Praxes, Meco, loucura e morte

Uma excelente compilação de notícias, e hoje a confirmação. A praxe mata.

O lado errado da história

O Canadá mandou  uma delegação  de grande peso político ao funeral de Mandela:  o actual primeiro ministro, Steven  Harper, e três antigos primeiros ministros, os conservadores Brian Mulroney e Kim Campbell, e o liberal Jean Chrétien. A Mandela, desde que saíu da prisão e acabou com o apartheid, foi oferecida a cidadania canadiana, com passaporte e toda a parafernália burocrática inerente. Era, pois, um homem a quem o Canadá amava  e a quem honrava. O governador geral não foi ao funeral porque a chefe do estado canadiano, Raínha Isabel II,  já  estava representada pelo Príncipe Carlos. O mesmo se diga da Austrália e da Nova Zelandia. A Commonwealth não é uma treta: funciona e tem poder.

Brian Mulroney, em entrevista que todo o país viu, explicou o tratamento dado a Mandela: “em todas as situações, temos de ter o maior cuidado para não ficarmos do lado errado da história”.  E disse bem, porque é importante um país ficar do lado certo. Nenhum povo gosta de ficar do lado errado. Por uma daquelas travessuras em que a política é fértil, depois de Mulroney os barões do seu partido, o conservador, trataram de tornar impossível a eleição da primeira ministra provisória Kim Campbell, uma senhora que teria proporcionado ao país um enorme salto qualitativo, graças à sua notável qualidade política e cultural, o que representou uma garantida e duradoura estagnação. O Canadá não gostou de ter perdido o comboio da história e esse mal estar é cada vez mais evidente. [Read more…]

As Assembleias Distritais

A reforma do Estado é um tema actual e toda a gente fala disso (embora eu ache que para este  governo essa reforma seja despedir funcionários públicos, privatizar serviços/ áreas da administração e cortar nos vencimentos, mas isso são contas de outro rosário).

Assim trago hoje para aqui um exemplo de algo anacrónico na nossa administração pública, as Assembleias Distritais. São orgãos que ainda hoje existem, com património próprio e com pessoal.

Para que servem e o que fazem? Pois……..

Uma leitura rápida (são duas páginas e pouco) pelo Decreto-Lei 5/91 de 8 de Janeiro de 1991 que definem o que são, competências, etc, é esclarecedora!

Combustível Repsol nos Túneis da Madeira*


Deus protege os audazes até ao dia em que se cansa…
* ou Açores?

Ary morreu há 30 anos

As canções: Um Homem na Cidade, os Retalhos, o Cavalo à Solta. Os poemas: a Arte Peripoética, o João Ratão. Sim, foi há 30 anos.

ary

O Escravo

Maria de Almeida

adenor gondimFoto: Adenor Gondim

As previsões meteorológicas diziam que era o dia mais quente daquele verão. E a verdade é que por muito leve que fosse a roupa, o corpo teimava em produzir água para combater o estio que se sentia.

No mesmo local onde Abdul estivera, destilava-se, naquela tarde.

A porta e a janela aberta, com a pequena corrente de ar que provocavam, não chegavam para fazer baixar a temperatura que se fazia.
[Read more…]

“Direção” também leva aspas

Se o Sul Informação tinha como objectivo seguir a boa prática dos jornais A BolaExpressoDiário de Notícias, ainda há determinados aspectos que devem ser melhorados. Se *espetaculares leva aspas, *Direção (Regional de Cultura) também tem de levar. Não sendo *Direção brindada com aspas, não se percebe o motivo de estas ornamentarem o *espetaculares. Tertium non datur.

sul informação

O referendo – ontem, hoje e amanhã:

No dia em que Pedro Passos Coelho apresenta a sua candidatura a presidente do PSD aos militantes do Norte de Portugal e um dia depois do que aconteceu na Assembleia da República, deixo aqui palavras antigas sobre o tema ditas por Pedro Passos Coelho. As mesmas que lhe ouvi num dos jantares com blogues realizado em Lisboa (e depois reproduzido na comunicação social):

 

Captura de ecrã 2014-01-18, às 02.49.31

 

É por isso que ainda não percebo o que se passou.