Postcards from Romania (14)

 Elisabete Figueiredo

As mãos peganhentas e o cheiro a ferrugem

Reparo numa senhora a fumar. Proibido? Penso em pedir-lhe que me deixe fotografá-la. Mas está longe e não peço e fotografo-a na mesma.

O comboio para em todas as estações e em todas elas, até menos de meio caminho, até Augustin, saem ciganos e sacos e caixas. Em todas as estações há carroças puxadas por cavalos e eles sobem para elas numa alegria sem fim. No comboio, há longos minutos, um miúdo cigano canta, desalmadamente, com a voz cheia de trinados. [Read more…]

Manuais escolares usados, onde encontrar

Pode começar por ir à página principal do Movimento pela reutilização dos livros escolares. Entre outras coisas, ficará a saber que se trata de “um movimento informal de cidadãos que promove a criação e divulgação de bancos de recolha e troca gratuita de livros escolares em todo o País.”

Caso queira saber qual dos 97 bancos existentes fica mais perto de sua casa, pode consultar esta lista.

A alforreca Borges

Postcards from Romania (13)

Elisabete Figueiredo

O comboio para Sighisoara

Nunca vi um comboio tão velho, tão ferrugento, tão sujo. Sento-me e imediatamente a minha pele se entranha no cheiro a ferrugem. Ao meu lado uma família. À minha frente senta-se uma senhora. Ponho a mala na grade. Que grade, senhores! Juro que nunca vi nada assim. Entrei noutro filme do equivalente romeno do Kusturica e desta vez, desta vez, é a sério. Mil olhos. Quem dera, para guardar tudo. Para ver tudo, para experimentar tudo aquilo.

Peço à senhora da frente se me olha pelo saco em cima do banco. Vou à plataforma fumar um cigarro. Diz que sim, com a cabeça. A viagem, diz-se, demora 3 horas. É proibido fumar no comboio. Depressa me darei conta que, também isto, não faz qualquer sentido.

Ao fumar penso que raio, por que raio não vou no rápido uma hora mais tarde. Digo de mim para mim por que raio não hei-de ir neste. Sabe-se lá se voltarei a andar num comboio assim, Foram precisos 45 anos para andar num comboio assim. Reentro. Abro a janela. Sento-me.

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António Ferreira – Respirar debaixo de água

Coimbra filmada por quem a sabe, provavelmente pela primeira vez sem um único plano-postalinho com torre ao fundo. Aliás Coimbra sem universidade, só nós, os coimbrinhas, e como a gostamos. [Read more…]

Fotografias imaginadas: Lennon e Che


John Lennon não esteve com Che Guevara

Postcards from Romania (12)

Elisabete Figueiredo

Ainda em Brasov, a caminho de Sighisoara, este postal é para o José Guimarães

Faz-me falta o meu amigo, quando me sento nas esplanadas a ver passar as pessoas. As romenas são giras, Zé. Mas teríamos material de análise para os próximos 25 anos, te asseguro.

Teria mil postais hoje. Mil. Tal como tenho, às vezes, mil olhos, sendo certo que nunca serão suficientes.

Do centro vou para a estação dos caminhos-de-ferro. Compro o bilhete para o próximo comboio, bem vejo que é regional, mas ainda assim compro o bilhete. Espero meia hora na estação. Está cheia de ciganos (politicamente correto seria dizer ‘roma people’). Homens, mulheres, crianças. Os putos, especialmente os rapazes, assumem um ar muito másculo, nas suas camisolinhas de alças. Alguns escarram para o chão. Outros carregam sacos e saquinhos, empurram carrinhos. Como os pais.

Os ciganos representam cerca de 2% da população romena. A algazarra de sacos é imensa. Compreende-se, muitos, quase todos, serão nómadas ou perto disso, andam com a casa atrás. Nada a dizer. Se eu tivesse que carregar a minha casa às costas para trás e para diante, o que faria? De repente, ao pensar nisto lembro-me do Moonlight Kingdom, do Wes Anderson, que vi em Lisboa, agora. A rapariga quando foge de casa leva uma mala. Como é uma miúda bem arranjada, de sombra colorida nos olhos, espera-se que a mala contenha roupa. Um dia ela abre-a. A mala está cheia de livros. Para mim, é a cena mais bonita do filme. [Read more…]

Já sei quem é a Margarida Rebelo Pinto

Perguntei porque nos últimos tempos estava a levar com tal nome feed do Facebook . Já me explicaram tudo. Trata-se de uma senhora anorética que detesta árvores e se dedica a matá-las no formato papel pintado em forma de letras. Ao desalinhar umas palavras no pasquim do arquitecto homocoiso, e tendo levado com sol na moleirinha, debitou em 2010 umas idiotices desengraçadas sobre as senhoras que não são anoréticas. As senhoras que não são anoréticas e os senhores que gostam de senhoras em geral dedicaram-se a facebookar este Verão sobre o assunto. A maior coça que jamais alguém levou por aquelas paragens, deixando o estado comatoso em que ficou a EDP a Kilowatts de distância. Tantas levou que pelos vistos rendeu-se:

Espero que tenha tido bom proveito. E já agora que deixe de contribuir para a eucaliptização pátria, já basta a Cristas (que por acaso não é anorética, até é capaz de ser gordinha, mas eu sou muito mau a servir de balança às pessoas).

Tipo bónus, segue o texto de uma gordinha bem alimentada: [Read more…]

Coisa feia, a inveja.

Este era o slogan publicitário do Peugeot 307. Devem estar lembrados…

Às vezes sentimo-nos ameaçados pela inveja dos outros tal como o carrinho de pano cosido à mão e cravado de alfinetes do cartaz da marca francesa.  

Alberoni, o conhecido sociólogo italiano, escreve também sobre este tema. Recorro a ele para perceber melhor isto da inveja que «é um sentimento universal»:

As mulheres invejam-se entre si e os homens a mesma coisa. A inveja surge quando nos apercebemos que somos ultrapassados por alguém que estava ao nosso mesmo nível. (…) surge quando não conseguimos competir com ele. Nesse momento temos à nossa frente dois caminhos. Ou aceitamos o seu sucesso (…) ou então começamos a desejar o seu fracasso. Na inveja, renunciamos a agir, renunciamos até à meta. O invejoso, perante as dificuldades da competição, procura destruir o seu ideal. (in O Optimismo, Bertrand, 1995, p. 111-112)

Alberoni aconselha a agir, a fazer melhor, a procurar novos caminhos e a admirar quem foi melhor.

Postcards from Romania (11)

Elisabete Figueiredo

Looking good, mudda fucker

Na descida do monte da Citadela, perco-me, naturalmente. Doesn’t look so good. Até que encontro um rapaz a concertar uma bicicleta e lhe pergunto o caminho para o centro. Diz-me que sempre para baixo. Certo. O castelinho é outra recriação romântica. Outra Walt Disneylização. O costume. Penso nesta febre moderna (ou pós-moderna. ou o raio) de tudo patrimonializar, folclorizando tudo. Aborrecem-me estes lugares. Podia estar em qualquer sítio, na verdade.

Lembro-me que não sei dizer amor em romeno. Parece-me grave e ao jantar pergunto às miúdas do café como se diz amor. Dizem-me ‘te iubesc’ e acrescentam que é o que devo dizer ao meu boyfriend. Agradeço-lhes, mas não fico satisfeita. No hotel pergunto à rapariga da receção. Diz-me que ‘te iubesc’. Eu digo-lhe amor, amor, love, amour, amore… como se diz em romeno? Não quero dizer amo-te. Quero dizer amor. Ou melhor saber dizer amor em romeno. ‘Dragoste’ ou ‘iubire’. Multumesc. Buna seara ou noapte buna.

(Henrique Gil, este postal é para ti. Ou melhor, para o André Gil. E para ti. Pronto.)

(Brasov, 9 de Agosto de 2012)

RTP: sempre a diabolização do Estado

A febre de privatizar que atacou os governantes portugueses tem, aparentemente, origem no princípio básico e respeitável de que é necessário poupar. A verdade, no entanto, é que, escavando um bocadinho, descobre-se que o desperdício do dinheiro que é preciso, agora, poupar foi da responsabilidade de muitos amigos e conhecidos desses mesmos governantes. Diante destes factos, o governante esquece-se das pessoas e ataca o Estado, considerando-o um mau gestor, porque é mais fácil culpar abstracções do que companheiros de partido. [Read more…]

Postcards from Romania (10)

Elisabete Figueiredo

Boa tarde, senhor Anselmo

Da Sinagoga, atravesso a Porta Schei e percorro uma rua longa até à Piata Unirii. Vou devagar. Às vezes chove. Mas está calor. Vou reparando em tudo, acho que em tudo, pelo menos em tudo o que é possível.

Aqui nasceu um revolucionário e é bonito, além uma roda de bicicleta espreita de uma esquina, ali uma porta vermelha engraçada. De repente vejo uma senhora de lenço na cabeça que limpa um parapeito. Que bonita, penso e olho para ela. Que me devolve o olhar, embora seguramente não o pensamento. Fico enternecida, vá-se lá saber porquê. E pergunto-lhe com gestos se posso tirar-lhe uma fotografia à janela. Olha-me surpresa e eu digo em italiano apontando para ela: è bella! Ri-se. Deve ter ganho o dia, ou talvez não. Há quanto tempo não lhe dirão que é bonita? Diz-me que sim e eu tiro a fotografia. Devíamos dizer mais vezes às pessoas que são bonitas.

Da Piata Unirii onde não está ninguém, apenas um pedinte e duas senhoras que conversam em frente ao supermercado e alguns taxistas, depois de comer bolas de queijo, uma salada e beber uma Ursus preta, decido que não me apetece andar os 3 ou 4 km até à Cidadela. Apanho um dos táxis da praça. O taxista fala francês. Falo também. Fico muitas vezes contente de saber falar algumas línguas. De as compreender. Percebe-se melhor o que há para perceber do mundo. [Read more…]

A Constituição é uma chatice

Agora por causa da RTP, ontem porque o Tribunal Constitucional funcionou, a direita volta a carga com as suas pieguices sobre a Constituição.

No intervalo passam à leitura selectiva (mais um que leu o artº  38º só até onde lhe interessou, esquecendo-se do nº 6), ou fingem não perceber .

Até compreendo que prefiram a de 1933, mas isso tem bom remédio: mesmo com os limites à sua própria revisão, dois terços dos deputados chegam perfeitamente para arrasar de vez com aquilo. Ah, não têm os tais dois terços e o PS ainda não optou pelo suicídio final… que chatice.

À boa maneira estalinista, há sempre outra opção: demitir o povo e eleger outro. Ou então emigrem.

Eu casualmente conheci Pacheco…

Eu casualmente conheci Pacheco. Tenho presente, como num resumo, a sua figura e a sua vida. Pacheco não deu ao País nem uma obra, nem uma fundação, nem um livro, nem uma ideia. Pacheco era entre nós superior e ilustre ùnicamente porque «tinha um imenso talento». Todavia, meu caro sr. Mollinet, este talento, que duas gerações tão soberbamente aclamaram, nunca deu, da sua força, uma manifestação positiva, expressa, visível! O talento imenso de Pacheco ficou sempre calado, recolhido, nas profundidades de Pacheco! Constantemente ele atravessou a vida por sobre eminências sociais: deputado, director-geral, ministro, governador de bancos, conselheiro de Estado, par, presidente do Conselho –– Pacheco tudo foi, tudo teve, neste País que, de longe e a seus pés, o contemplava, assombrado do seu imenso talento. Mas nunca, nestas situações, por proveito seu ou urgência do Estado, Pacheco teve necessidade de deixar sair, para se afirmar e operar fora, aquele imenso talento que o sufocava.

Eça, A Correspondência de Fradique Mendes (Carta VIII), Lisboa, Ed. “Livros do Brasil”, 1999 (de acordo com a 1.ª Edição, 1900), pp.161-2.

Ora custou-nos 3,7 mil milhões

Venda-se a RTP por 100 milhões de euros. Cheira bem, cheira a BPN.

Gordura é formosura ou não?

 

Parece que a tendência é de aumentar as curvas.

“Publicações  mudam rumo e adicionam volume às figuras de capa.”

Durante dezenas de anos, as revistas de moda “usaram e abusaram de programas de edição de imagem” de forma a «emagrecer» manequins e estrelas de Hollywood.

Mas as coisas estão a mudar, após décadas de idolatria ao culto da magreza. “Cada vez mais, as revistas querem mulheres curvilíneas, volumosas e mais gordas nas suas capas”. (DN, 27/8).

Estas publicações fazem o que for preciso para vender mais. Só isso.

Não se gera a confusão nalgumas cabeças?

3,7 mil milhões depois…

Segundo os cálculos a RTP custou aos contribuintes, de 2003 até 2011, mais de 3,7 mil milhões de euros.

Numa época em que só se fala de milhões, este número até pode passar despercebido mas não deve. A pergunta que importa fazer, agora, é: em quê?

Qual a diferença entre a RTP1 e as restantes estações de televisão? Nenhuma. O mesmo tipo de concursos, de programas da manhã, de noticiários, de indiferença a tudo o que se passa para lá de Vila Franca a Norte e Setúbal a Sul, os mesmos debates sobre bola, etc. Se assim foi e é, qual o motivo para ter de pagar tanto dinheiro dos meus impostos num putativo serviço público de televisão?

O que deveria, nesta altura, preocupar a Impresa e a Media Capital era, isso sim, a concorrência desleal da RTP1 que os copia mas gastando o dinheiro dos outros – o nosso, para ser mais preciso.

E a RTP2? Passando ao lado daqueles que mais a defendem agora são os mesmos que se deliciam com o AXN, a FOX, o Discovery Channel e o Odisseia raramente vendo a RTP2, vamos ao que interessa. Os noticiários da RTP2 são diferentes dos da SICN ou da TVI24? Os programas culturais da 2 diferenciam-se daqueles que se pode ver na cabo? Tanto num caso como noutro, não me parece. Logo, a discussão deveria ser outra: defender que a SICN, a TVI24 e mais dois ou três canais culturais da cabo possam fazer parte do pacote da TDT.

O resto é conversa da treta.

O Mel e o Acordeão

Uma das imagens que me ficará deste verão: um casal de idosos com a sua carrinha de caixa aberta estacionada no parque de uma praia de Peniche.

Estavam ali várias horas por dia tentando vender mel. Ao lado dos frascos, um acordeão. Ingenuamente pensei que ainda ouviria o homem tocar…

Aproximei-me deles, curiosa para ver o que ele estava a fazer, debruçado sobre uma mesa onde um estojo de pequenas ferramentas serviam para consertar uma harmónica. A mulher falou por ele, concentrado que estava. O instrumento tinha mais de cinquenta anos e já não funcionava bem.

Acabei por saber que o acordeão era também para vender. «Ontem vendi um», disse o velho músico.

O homem estava a vender o mel da sua vida. As coisas como estão obrigam-no a separar-se até dos seus instrumentos, com que ao longo de uma vida deram doçura e alegria à sua vida (e à vida dos outros).

Um acordeão e um frasco de mel… não é surreal como me tinha parecido à primeira vista.

Não ouvi o acordeão nem a triste harmónica. As coisas não estão para isso.

Postcards from Romania (9)

Elisabete Figueiredo

No monte Tampa, afinal, é Portugal

No monte Tampa, afinal, é também Portugal. Bem sei que não é belo postal ilustrado. Mas não interessa, ou interessa? Há nisto qualquer coisa de caseiro, digamos. Reconfortante, se quiserem, de uma maneira absolutamente absurda.

Encontro a família de romenos que fotografei ontem em Bran. Acenam-me muito. Aceno-lhes muito, de volta. Rimo-nos. Que podemos fazer mais?

O café romeno sabe a caganitas de rato. Juro. Nunca provei caganitas de rato, mas tenho a certeza, ao beber este café impossível, que é assim que sabem. Desço o monte, outra vez de teleférico. Venho eu, apenas, e o maquinista que me ensina (agradeço-lhe a distração) a pronunciar corretamente ‘multumesc’. Ensino-lhe a dizer obrigada. La revedere e vou em direção à Biserica Neagra, que é como quem diz a Igreja Negra. Sosseguem, nada tem a ver com cultos satânicos ou vampiros. Apenas com um incêndio que a deixou negra, ainda que intacta. Lá dentro um enorme órgão de tubos, desenhado por Bucholz. Gosto de órgãos de tubos e de acender velas nas igrejas. Por causa das velas, não das igrejas. Se calhar é o mesmo. Na Biserica Neagra não há velas, de modo que me sento a observar o órgão que é impressionante. 4000 tubos. Belíssimo. [Read more…]

Junto à Linha

do Minho.

Acordo ortográfico: a displicência dos professores

A classe docente vive embrutecida, especialmente desde o consulado de Maria de Lurdes Rodrigues. Devido a uma quantidade brutal de medidas lesivas da Educação e da sua condição profissional, os professores quase se limitam a reagir e a fugir em frente, ficando privados de tempo para pensar, actividade que deve constituir, evidentemente, o cerne da profissão. Assim, sabemos que há, por exemplo, demasiados professores que estarão, neste momento, angustiados face a vários factores que vieram criar uma instabilidade profissional injustificada, entre muitos outros problemas. [Read more…]

Genial

O problema da RTP está no BE e no PCP que a querem controlar. Com Barras deste nível a apoiá-lo, o governo cai sózinho.

Postcards from Romania (8)

Elisabete Figueiredo

Brasov, subindo o monte Tampa

Tenho vertigens. Muitas. Ao ponto de as cidades e os campos se porem a rodar quando me atrevo, o que é quase sempre, a subir muito alto. Uma vez subi num teleférico de esqui mais de 2000 metros. Foi em Salzburgo e posso jurar que as montanhas estavam vivas e rodopiavam… sim, uma alusão fácil ao filme ‘Música no Coração’. Whatever.

Apesar das vertigens, resolvo subir o monte Tampa de teleférico. 1000 metros ‘apenas’. O teleférico é pequeno, não caberão mais de 10 pessoas. Vamos 10 exatamente.  Começa a subir e é quase a pique que a traquitana vai.

Penso na balança que vi no dia anterior no castelo de Bran. Uma balança para pesar almas. Parece que as almas dos aprendizes de satanás, podia ler-se, são mais leves que as das outras pessoas. É curioso. Se alguma vez tivesse pensado nisto, diria que era justamente o contrário. E começo a desejar que sejamos todos aprendizes de satanás, dentro do teleférico, just in case.

Lá em cima, a vista compensa os maus pensamentos. Evito chegar-me à beira dos varandins. Gosto de sítios altos porque tudo, cá de cima, parece um mapa. Quer dizer, acho eu que é por isto. Que outra razão poderia haver para me sujeitar a tal suplício?

O teleférico conduz-nos a um bosque, caminho uns bons 20 minutos até chegar às traseiras das letras gigantes:

B R A S O V

que se veem de toda a cidade.

(Brasov, 9 de Agosto de 2012)

O Descobrimento do Brasil

Longa-metragem de 1936, realizada por Humberto Mauro a partir da carta de Pero Vaz de Caminha. Há partes interessantes sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral e a chegada ao Brasil.
ficha IMDb

Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

Dúvida de Verão

Quem é a Margarida Rebelo Pinto?

Agora que eu estava a ficar com saudades do exilado em Paris

Obrigado André Azevedo Alves. Passou-me num instantinho.

Quando a premissa é falsa, quero lá saber do programa do governo

Programa do ainda “actual Governo“:

O Grupo RTP deverá ser reestruturado de maneira a obter-se a uma forte contenção de custos operacionais já em 2012 criando, assim, condições tanto para a redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes quanto para o processo de privatização.

Sendo mentira, a parte da “redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes“, ficaria por aqui, deixemos agora o Marques Mendes que descapitalizou a RTP acabando com a taxa de radiodifusão ou a taxa/EDP que foi inventada na curta estadia de Durão Barroso em S. Bento, tudo às ordens do tio Balsemão que agora se descobre enquanto aprendiz de feiticeiro, nem estou virado para discutir o caso privatização da RTP propriamente dito, uma toleirada de Agosto inventada à pressa para tapar o absoluto e definitivo falhanço das metas orçamentais. Mas ao procurar no tal programa de governo não pude deixar de ler um parágrafo anterior:

As mudanças em curso (v.g. a Televisão Digital Terrestre, que deverá cobrir todo o País em 2012, e as novas gerações de banda larga) exigem especial cuidado de forma a garantir que não há cidadãos excluídos particularmente por razões económicas, pelo que o Estado compromete-se combater qualquer tipo de exclusão, actuando de forma rigorosa na esfera legislativa e reguladora.

Perante factos, nem vale a pena gastar argumentos. Esta gente é tão rasca que ainda acordo com saudades do exilado parisiense um dia destes. E aí, não respondo pelos meus actos.

Fonte do gráfico.

Sobre a R.T.P.

Uma vez mais o governo português parece andar à deriva. Por um lado pretende mostrar serviço à troika, por outro tem medo da opinião pública interna e não quer efectivamente colocar em causa as vacas sagradas, neste caso a RTP, preferindo optar pela cosmética à efectiva mudança. Pela parte que me toca defendo há muito a total privatização de todos os elefantes brancos que muito dinheiro custam ao contribuinte, mas servem, tem sido assim ao longo de décadas, aos partidos políticos para colocar boys em jobs bem remunerados. A RTP é apenas mais um triste exemplo. Bem sei que na U.E. existe a tradição de manter um ou mais canais públicos de televisão, mas existe mundo desenvolvido para lá do espaço da U.E., onde as televisões e não só, mesmo privadas, são exemplos de isenção e independência face ao poder político. Nos E.U.A. por exemplo, já provocaram a demissão a um presidente e condicionaram a manutenção no poder ou eleição a inúmeros políticos.  [Read more…]

«Na cama com Deus»

Foi assim que a jornalista do Público, Susana Moreira Marques, intitulou o seu artigo sobre o escritor inglês Graham Greene (Público, 25/8), na rubrica «Os Livros também têm biografia» que sai aos sábados. Transecrevo parte o artigo:

Em 2012, as histórias que rodeiam O Fim da Aventura – um livro que falta reeditar em Portugal – estão talvez fora de moda. Graham Greene marcava o fi m de uma época – em que se conhecia o desespero e a glória, e Deus era uma questão pertinente. (…) Poucos livros incluem Deus como personagem, e quando assim acontece, normalmente não são um sucesso. Quando O Fim da Aventura saiu em 1951, Deus já estava fora de moda.

Não gostei: 1º) afirma que o livro O Fim da Aventura, daquele autor, «falta reeditar em Portugal», o que não é verdade; 2º) refere que, no tempo em que nos encontramos, as histórias que rodeiam este livro «estão talvez fora de moda» (não percebo como uma história, seja ela qual pode estar desactualizada); 3º (o ponto fulcral que me levou a escrever este post) “Quando O Fim da Aventura saiu em 1951, Deus já estava fora de moda“; 4º a jornalista julga que na altura em que foi escrito o livro, “Deus era uma questão pertinente“, ou seja, hoje já não é…

Para a jornalista, as histórias desta obra «estão talvez fora de moda» porque Deus é personagem nela.

Por sorte, Susana M. Marques transcreve um excerto do prefácio assinado por Jorge de Sena que é também quem traduz a obra: “Em que medida um católico de consciência e de prática com o talento extraordinário de Greene pode ser, para o mundo de hoje [estava-se em 1953], uma figura extremamente importante?”

Não será Deus a questão de todos os tempos, negando-o ou aceitando-o?

Deus não é uma moda. Logo não pode dizer-se que «estava» ou está fora de moda. E no entanto…

Portugal, que estado?

A identificação ideológica do actual governo é das mais claras desde o 25 de abril. Quer nas decisões, quer nas declarações são várias as marcas muito identificadoras de uma visão nunca antes vista por estas bandas.

Seria importante, num momento em que parece que tudo tem um preço de mercado, definir com clareza o que se pretende do Estado. Os incompetentes que nos gerem usam a máxima “menos estado, melhor estado”.

Mas isso significa o quê?

O serviço público de saúde deverá ser um exclusivo do serviço nacional de saúde ou os privados e a igreja devem também ter um papel?

E na Educação? A Escola Pública deve ser para todos ou ” o TODO” deve ser assegurado, em parte pelo privado? E que parte?

E na comunicação social? Deve ou não haver canais públicos e rádios públicas asseguradas pelo estado?

E na justiça ou na segurança? Que papel para o privado?

Cada um dos laranjinhas que rapidamente surgem a defender qualquer estupidez dos amigos do Relvas poderia aproveitar o desafio e responder a estas perguntas. Talvez assim se ficasse a saber melhor o que pretendem.

E não me custa nada adivinhar que o povo é capaz de não gostar do que aí vem…