7 de Outubro: milhares de alunos sem centenas de aulas

Num mundo governado por gente que gosta tanto de exibir números, é bom que o leitor repare bem no título: por ser dia 7 de Outubro, estamos na quarta semana de aulas e há milhares de alunos sem aulas. Se juntarmos todas as aulas que não houve até hoje, não deve ser difícil chegar às centenas.

Raquel Abecasis, uma representante da direita idiota (pleonasmo?) chegou a dizer que a culpa é dos sindicatos e dos comunistas, ou seja, dos professores, essa classe poderosíssima que, na realidade, manda no Ministério da Educação. Uma pessoa mais impressionável pode chegar a imaginar que os ministros e os secretários de Estado nem conseguem chegar aos respectivos gabinetes, impedidos por uma horda de perigosos barbudos e barbudas revolucionários que ocuparam o edifício da 5 de Outubro em Abril de 1974 e ainda de lá não saíram. José Manuel Fernandes, sempre na palhaçada (ou não fosse membro da direita idiota), conseguiu declarar que isto dos concursos dos professores é tão difícil que não há computador que aguente e a culpa, já se sabe, é de Mário Nogueira e dos guerrilheiros entricheirados na sala de fotocópias do Ministério.

Entretanto, no dia 7 de Outubro de 2014, há milhares de alunos sem centenas de aulas. Pensai nestes números e, antes de organizardes milícias para combater os comun… os professores, lede. Lede muito. Lede, até, o texto de João Miguel Tavares, um homem de uma certa direita que, por vezes, contraria os pleonasmos. É o primeiro da lista.

Caro Nuno Crato: ainda aí está? – João Miguel Tavares

O que se passa nas escolas? Os casos contados pelos leitores

Eles ainda estão à espera de um dia de escola normal

À quarta semana de aulas há milhares de alunos com furos

Escola em Lisboa encerrada por falta de professores

Professores contratados admitem que “caos nas escolas” se mantenha na próxima semana

Adenda: texto fresquinho do Paulo Guinote – Implosão do Ministério da Educação e Ciência: objectivo atingido

À escolha do freguês

Acompanhar a abertura de cada um dos anos letivos deste governo é quase tão interessante como seguir a casa dos segredos ou as conferências de imprensa do Flopetegui. E, não fosse o pequeno detalhe de ainda estarem uns milhares de alunos sem aulas, até daria para rir.

O número de alunos por turma subiu até níveis completamente insuportáveis e com claro prejuízo para todos, em especial para os alunos com mais dificuldades, a quem se torna quase impossível dar qualquer tipo de ajuda extra.

E, o mais interessante é que no primeiro dia do mês de outubro os professores continuam sem saber o resultado de parte importante dos seus concursos. Houve imensas trapalhadas com a colocação dos docentes dos quadros, nomeadamente permitindo a gente com menor graduação obter uma colocação melhor, mas enfim…

Agora, no caso dos docentes contratados, o nó parece impossível de desfazer – duas semanas para corrigir uma fórmula matemática?

Nos últimos dias chegou à caixa de mail dos professores uma mensagem que ilustra a confusão do processo. Diz a administração que

nessa data, deverá (o professor) então exercer a sua preferência, aceitando o horário que melhor se ajustar à sua pretensão, sendo que ambos serão considerados horários anuais para todos os efeitos.

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Alunos da Escola Pública

Três alunos portugueses ganharam duas medalhas de ouro e uma de bronze nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática.

Quem percebe de Educação? Os gestores, claro! (3)

Carlos Guimarães Pinto (CGP), apesar de se ter sentido ofendido com as minhas críticas, ainda se deu, generosamente, ao trabalho de contestar um outro texto meu.

Nesse seu sofrido comentário, continua a não responder a nenhuma das perguntas que lhe coloquei em qualquer um dos textos anteriores e faz deduções que são, no mínimo, cómicas.

Desta vez, vem armado até aos dentes com gráficos que, no seu entender, são suficientes para explicar a realidade, gráficos cujos dados, aliás, dependem da informação transmitida pelos governos, que, como se sabe, são entidades absolutamente competentes, impolutas e desinteressadas.

Em primeiro lugar, continua a não resistir ao fascínio do “rácio” professor-alunos, “rácio” esse que é suficiente para concluir que há professores a mais. É claro que, mais uma vez, CGP não explica, por exemplo, de que modo são contabilizados os professores. No entanto, a decisão de contratar mais ou menos professores não se pode limitar à comparação com outros países, mas, para compreender isso, lá está!, CGP teria de estudar mais. Ou melhor: teria de estudar.

Depois, atira mais umas tiradas, declarando, por exemplo, que os professores passam pouco tempo nas escolas a desempenhar outras funções para além das docentes, (como se fosse possível saber isso com base nos dados que utiliza), que os professores ganham mais do que alguém com as mesmas habilitações (o que não é o mesmo que dizer que os professores ganham bem) ou que os professores não andam a perder poder de compra. [Read more…]

Opinião de um pai sobre a chamada avaliação de professores

O texto de João Fraga de Oliveira no Público de hoje merece uma leitura atenta, pelo que revela de poder de síntese e de sensatez. Eis o título: “Avaliação de professores: o “politiquês” em discurso directo?”

Vale a pena relembrar que a Educação não é um problema exclusivo dos professores, mas da sociedade. Vale a pena, ainda, relembrar que os problemas dos professores são, também, problemas da Educação e, portanto, da sociedade. Coisas fáceis de perceber, independentemente da área ideológica que se frequente.

A propósito de coisas fáceis de perceber, ou seja, a propósito de bom senso, realce-se e releia-se a seguinte proposta de João Fraga de Oliveira: “Apesar de ser controverso (qualquer candidato a professor é titular de inerente licenciatura, para o que aí, na universidade, deverá ser exigentemente avaliado), é de admitir que, para o início (e não já depois de vários anos) do exercício de uma profissão tão socialmente responsabilizante e responsabilizável como é a de professor (ainda para mais vinculado ao Estado), deva haver um processo (e não só, necessariamente, uma mera prova escrita) prévio de avaliação/integração, visando efectivamente garantir “conhecimentos e capacidades” fundamentais para o desempenho de tal profissão, tão fulcral do (no) ensino esta é.” (perdoe-se-me o abuso do bold, mas, repito, o bom senso merece ser realçado).

Ainda o erro do exame de Português de 12º

A propósito do erro no recente exame de 12º de Português, aqui ficam a sequência dos factos e algumas observações.

1 – no Grupo II, pedia-se aos alunos que classificassem o acto ilocutório presente em “Como um dia veremos.” A citação corresponde ao último período de um texto de Lídia Jorge sobre Eça de Queirós publicado na revista Camões. Na versão online, faltam os dois períodos finais: “O que não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos.”

2 – a primeira versão dos critérios de classificação do exame impunha que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta “Acto ilocutório compromissivo”. Só nesse caso, os alunos poderiam ser contemplados com o meio valor previsto, o que, parecendo ínfimo, pode ser decisivo em diversas circunstâncias.

3 – vários professores, no entanto, afirmaram que se trataria de um acto ilocutório assertivo, o que deveria obrigar, no mínimo, a aceitar as duas respostas. Os interessados em distinguir os dois actos ilocutórios poderão, facilmente, obter a informação necessária. Se estiverem interessados na fonte oficial, poderão visitar a página do dicionário terminológico, escolher o separador “Procurar” e escrever “acto ilocutório”.

4 – o IAVE (Instituto de Avaliação Educacional), num primeiro momento, negou a existência de um erro, dando instruções para que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta prevista nos critérios.

5 – as opiniões dividiram-se o suficiente para que o IAVE acabasse por reconhecer a existência de um problema, passando a permitir que ambas as respostas fossem consideradas correctas.

Passemos às observações: [Read more…]

Exames de Português

Hoje vi, ali no centro do terreno, o que este jogo faz aos putos. Mais uma vez, detestei.

Mas, aqui ficam as provas de português (formato pdf) que os meninos do ensino básico fizeram:

– 4º ano: caderno 1 | caderno 2 | critérios de classificação .

– 6º ano: prova | critérios de classificação.

Quarta-feira há mais.

Os alunos chegam à universidade sem saber ler nem escrever

O Paulo Guinote publicou uns recortes do Independente de 28 de Fevereiro de 1992, de onde imprimi isto:

estudantes analfabetos

Calha ser do Vasco Pulido Valente, é detalhe, toda a gente o dizia, reparem no ano: 1992.

Em 1992 já levava meia-dúzia de lectivos em sala de professores, recomendava aos meus alunos que lessem o Expresso para se prepararem a prazo para a PGA, uma tentativa cavaquista de regresso do exame de admissão nas universidades que se escafedeu a si própria, já estava portanto habituado, conversa favorita de profe velho depois repetida pela sociedade em geral ainda mais ciosa dos seus diplomas da 4ª classe antiga do que hoje: os alunos de agora são uma desgraça e a futura desgraça da nação. [Read more…]

Cursos vocacionais: e agora?

muito se escreveu sobre os cursos vocacionais e o que há para escrever servirá apenas para tornar ainda mais negras as cores deste fundamentalismo ideológico de Nuno Crato. O modelo escolar alemão claramente dividido em duas vias está mais do que experimentado e muito longe de produzir os resultados esperados, isto dando de barato que é possível importar modelos organizacionais tal como se importa um opel ou uma salsicha.

Os cursos vocacionais estão a ser espaços para as coisas mais absurdas, nomeadamente, agressões bárbaras a colegas de escola, a professores e a funcionários. A coisa está em tal estado que já há diretores a pedir a colegas que aguentem as coisas até ao fim do ano porque não há nada mais a fazer.

Aprendizagens zero, com taxas de insucesso muito perto dos 100%.

Só que agora, temos um problema. Alguns cursos do 2º ciclo chegam agora ao fim do equivalente ao 6º ano e a estes alunos só resta uma de duas coisas:

– passam nos exames nacionais e podem transitar de via, entrando no ensino regular (7º ano);

– não passando, ficam retidos no 2ºciclo ou então a escola é obrigada a criar um vocacional de 3º ciclo (equivalência a 7º, 8º e 9º) para continuar a desgraça.

A primeira hipótese é tão provável como o Porto ser prejudicado por um árbitro – é uma hipótese possível, mas apenas académica.

No segundo caso, fazer avançar a cangada para o terceiro ciclo resulta apenas numa forma de continuar a fazer de conta. Manter o grupo no 2ºciclo é apenas repetir o erro.

E, enquanto isso, professores, funcionários e direções desesperam com um retrocesso aos anos 80, ao tempo em que a minha geração abandonou a escola algures entre o 7º e o 8º…

Repare caro leitor que estes vocacionais são claramente promotores (indutores!) de abandono escolar, num país que tem uma escolaridade de 12 anos. Dirão os menos atentos que quem não quer estar na escola, deve sair.

Pois, mas saindo, vão para algum lado, não?

Para as prisões? Ou para as Juventudes Partidárias?

Palpita-me que estamos perante a quadratura do círculo.

O exame não resolve, complica

Parece-me que o país começa a perceber o que está a acontecer à Escola Pública. Nas revistas de sábado alguém (tenho que voltar a procurar) escrevia sobre o desespero da e na Escola Pública. É um tema que merece uma atenção muito especial, porque a coisa complicou mesmo! Mas, por agora, vamos ao exame.

A questão do exame está longe, MUITO longe de ser uma questão central. É uma questão importante (MUITO!) para os professores, mas é uma medida completamente acessória. Ou, antes pelo contrário, é uma medida que só vem complicar.

Com Nuno Crato a sua (dele!) Escola passou a ter professores a mais: [Read more…]

Matrículas por sorteio puro

Agrada-me a ideia do João:

Para todos os efeitos tal obrigaria a um sistema de matrículas único. E aí está o argumento com que deve ser confrontado a partir de agora Nuno Crato: cheque-ensino? vamos a isso, mas incluindo a obrigatoriedade de as escolas aceitarem aleatoriamente os alunos candidatos à matrícula, sem qualquer possibilidade de selecção humana. Depois veremos como ficam os rankings e quantos colégios aceitam jogar de igual para igual com as escolas públicas.

Num comentário a um post anterior sobre este tema alguém questionava qual seria o problema deste tipo de informação ser tornada pública:

Os pais, se puderem, colocam o filho na escola que melhores garantias de futuro lhe dá. Sinceramente, nunca entendi esta polémica toda que todos os anos se verifica com os rankings. Desde quando ter informação é algo de negativo? [Read more…]

Ranking das Escolas

Eles aí estão: Expresso, Público, JN.

Ainda sem muito tempo para analisar, mas palpita-me que os colégios privados vão aparecer no topo das listas e à frente no alinhamento dos telejornais. Agora, com o cheque – ensino na mão o pessoal da Fonte da Moura ou do Viso vai todo a correr para o Luso-francês, ou não!

Apetece-me deixar uma pergunta sobre esta brincadeira, bem séria dos rankings: o que ganhou a Escola Pública e os seus alunos com estas divulgações?

Aprender matemática

Há duas maneiras de fazer a coisa, sim, essa, a complicada: M-a-t-e-m-á-t-i-c-a!

Uns pensam uma Escola Pública que é de todos e para todos! Outros terão da Escola Pública uma visão diferente. No que diz respeito à matemática a visão não poderia ser mais diversa:

– David Justino faz uma opção.

Mas há outras!

Cursos Vocacionais

Nuno Crato não é tão incompetente como alguns querem fazer crer. Sabe o que quer e está a tratar de desenvolver a política certa para a sua missão: reduzir a Escola Pública ao espaço de formação das classes trabalhadoras, deixando à esfera privada a formação das elites e da classe média que, diga-se, está cada vez mais pequena.

Só assim se entendem os cortes, brutais, na Escola Pública ao mesmo tempo que se investe mais nas Escola Privadas – no orçamento para 2014 aumenta o dinheiro disponível para os colégios.

Na mesma linha de desinvestimento na Escola Pública segue a opção de Nuno Crato pelos cursos Vocacionais. Começaram por ser uma experiência piloto (pdf) que, sem qualquer tipo de avaliação, se generalizaram. [Read more…]

Acho que vou dar melhores notas

Se as notas de matemática são assim tão importantes, caramba, vamos a isso, pela felicidade nacional!

Nota: um excelente vídeo para mostrar a todos os estudantes e, já agora, a todos os pais.

A Escola, a crise e a fome no dia Mundial da alimentação

Hoje, um pouco por todas as escolas do país comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação.cocas

Diziam-me que os putos insistem em ir para as aulas sem pequeno-almoço  e decidi, por isso, aproveitar a aula de hoje para trabalhar a questão. Lá perdi umas horitas a procurar os conteúdos certos, nomeadamente, um vídeo e um jogo, recursos sempre eficazes nestas matérias… E lá fui.

A caminho da escola, no meio do trânsito, pensei em fazer algo mais – um cocas do pequeno almoço. Lá fui a correr comprar o papel colorido e …

Com tudo isto acabei por perder muito mais tempo a preparar a aula do que a …

Quando me cruzei com uma colega – daquelas que eu gostaria que fosse professora dos meus filhos – que me falou nos cortes, ainda ironizou quando lhe falei da actividade que tinha desenvolvido.

“és de bom tempo” (…) “o que eles querem é isso, que a gente continue a trabalhar para os alunos”

Caramba!

Fiquei a pensar no que ela me disse, no corte de mais de 25% que Passos e Coelho fizeram, como governantes, na Educação. Em todas as maldades que Nuno Crato tem feito e até no crescimento orçamental para apoiar o ensino privado.

Tens razão!

Está na altura de desistir!

Tudo começa

com um bom Professor.

Crato do dia

EB 2/3 de Gueifães quase a parar por falta de funcionários

Nunca mais acaba o início do ano lectivo

Escolas continuam sem docentes de educação especial mas há 3560 disponíveis

Escola do Porto fecha por falta de funcionários

Se mais depressa escrevia, mais depressa …

Uma posição que deveria ser seguida por muitos – em causa está a segurança dos alunos e a qualidade das aprendizagens. Segundo a nota que pode ser lida no site da Escola:

A DIREcÇÃO DO AGRUPAMENTO INFORMA QUE POR FALTA DE FUNCIONÁRIOS A ESCOLA NÃO CONSEGUE ASSEGURAR A SEGURANÇA DOS SEUS ALUNOS NO EDIFÍCIO SEDE PELO QUE SERÁ FORÇADA A INTERROMPER O NORMAL DESENROLAR DAS AcTIVIDADES NA TARDE DE QUINTA E SEXTA FEIRA ( TARDES DOS DIAS 3 E 4 DE OUTUBRO ).

A DIRETORA DO AGRUPAMENTO, ROSÁRIO QUEIRÓS

Professores a colocar meninos nas filas e a limpar salas

A Escola Pública está a viver um momento muito delicado  porque o poder político pretende desmontar este pilar da nossa Democracia aos mercados. E o Governo recorre a diferentes estratégias, uma das quais passa por criar dificuldades nas mais elementares práticas do dia-a-dia – a ausência de funcionários é a mais evidente e um dos maiores problemas das escolas.

E a ausência de auxiliares, que poderá parecer um problema menor, coloca dificuldades ao nível da higiene e da segurança dos espaços e das crianças. Cria também imensas dificuldades nos “pequenos” procedimentos de apoio às práticas lectivas.

E se a Escola é mais do que um espaço onde se toma conta de crianças, também não é possível que o Ministro da Educação e os Directores pensem que podem substituir os funcionários por docentes, por exemplo, em horário zero.

O Estatuto da Carreira Docente é muito claro. No seu artigo 35º define o conteúdo funcional da profissão, dos quais destacaria

“leccionar as disciplinas; planear, organizar e preparar as actividades lectivas; conceber, aplicar, corrigir e classificar os instrumentos de avaliação das aprendizagens; elaborar recursos e materiais”.

Pois bem, são muitas as escolas que colocam os docentes a limpar salas ou a tomar conta de meninos nas filas da cantina. São várias as questões complicadas que estas situações colocam:

 – estão a ser usados recursos excessivamente caros para as tarefas em causa, quando podiam (deviam!) ser usados no apoio aos alunos;

– os alunos identificam os docentes em diferentes planos, criando confusões e dificuldades posteriores na gestão de sala de aula, isto é, os putos pensam: “se na cantina ele está aqui a fazer de funcionário, se calhar poderei também falar com ele como”…

– há necessidade de colocar funcionários nas escolas, mas isso não acontece porque há alguém a tapar o buraco.

Claro que esta argumentação não se coloca no plano do “somos melhores do que eles” ou “somos um intelectuais que não podemos fazer isto ou aquilo”. Nada disso. A dignidade de cada função passa pela sua qualificação e não pela sua desvalorização. Ou irá agora o Presidente da SAD do Real colocar o CR7 a porteiro do estádio? Poderá o Juíz vir limpar os vidros do tribunal?

A Escola Pública é melhor do que este governo e se cada um de nós colocar um travão a estas ilegalidades, então estaremos a defender a Escola Pública.

Cratilinárias

CatilináriasRecentemente, Passos Coelho, licenciado em Economia, descobriu que as pessoas, por ganharem menos, gastam menos. Já Vilaça, personagem de Os Maias, comentava a formatura de Carlos, dizendo a si mesmo: “Grande coisa, ter um curso!” Grande coisa Passos Coelho ser economista, que, mais tarde ou mais cedo, chega quase a perceber o que se passa com os cidadãos. [Read more…]

Carta de uma professora aos governantes

Encontrei a referência no Paulo Guinote e resolvi deixar aqui uma tradução da carta que a professora Judy Willner enviou ao governador Tom Corbett e ao mayor Michael Nutter. Qualquer um deles poderia integrar o governo português, pois ambos se dedicam também à destruição da escola pública.

Caros governador Corbett e mayor Nutter

Por favor, venham visitar a sala do meu terceiro ano e explicar-me como ensinar 32 alunos, 24 dos quais são rapazes. Por favor, expliquem-me como lidar com crianças malcriadas e desrespeitadoras e manter, ainda assim, o controlo da minha aula. Por favor, expliquem-me como poderei criar grupos de leitura ou fazer planos de aula que possam melhorar a educação destas crianças. Por favor, expliquem-me como devo manter a calma, quando tenho crianças a correr pelos corredores e à volta da sala, incomodando os colegas. Por favor, expliquem-me como é possível ensinar um programa de Matemática sem livros e sem papel. Por favor, venham explicar-me como posso planear o meu dia de trabalho de modo a que não me limite a disciplinar as crianças. Por favor, ajudem-me a ajudar aqueles que querem aprender. Por favor, venham explicar-me como poderei ajudar todas estas crianças, quando sou apenas uma pessoa.

Salvo erro, cada um dos senhores tem pessoal que vos ajuda a dirigir a cidade e o Estado. Corrijam-me se estiver enganada, mas tenho a certeza de que ninguém grita convosco, ninguém vos ignora, ninguém vos insulta, ninguém foge do gabinete enquanto vos atira com alguma coisa. Corrijam-me se estiver enganada, mas penso que têm o material de que precisam para que os vossos gabinetes funcionem. Corrijam-me, ainda, se estiver enganada – alguém está a tirar-vos parte do salário e dizer-vos que é vossa obrigação pessoal “resolver o problema do orçamento”?

Não me venham dizer que outras regiões têm os mesmos problemas e que também terei de suportar tudo isto até ao fim do ano. Não se atrevam a dizer-me que não me preocupe com aqueles que não querem aprender e que me concentre naqueles que querem. Não me digam que estão a trabalhar para melhorar a situação de Filadélfia. Finalmente, nunca, nunca culpem os professores pelos problemas que afectam a nossa região.

Assim, façam o favor de me contactar quando estiverem dispostos a tomar conta dos meus alunos durante uma hora. Tenho a certeza de que não aguentarão dez minutos.

Ana ina não

ficas tu eu não.

Hoje é dia de querer inglês.

Amanhã logo se verá.

Nota: se esta merda continua assim, chamo o Jesus para resolver isto!

Quando pontual faz lembrar irrevogável

Tal como irrevogável foi o adjectivo escolhido por Paulo Portas para caracterizar a sua demissão, é lógico que Nuno Crato use “pontual” para classificar cada um dos vários problemas que continuam a ocorrer neste princípio de ano lectivo.

O problema de Crato não é a incompetência. Sobre Educação e escolas nada sabe e nada quer saber, do mesmo modo, afinal, que um assassino contratado não pode sentir pena das vítimas, sob pena de não conseguir assassinar, quebrando, desse modo, os compromissos assumidos.

Não é bonito encher um texto com hiperligações, mas não é possível ignorar o caos lançado sobre as escolas por um ministro que é tão sério como pontuais são os inúmeros casos que afectam a vida de alunos, pais e escolas. Há para todos os gostos: falta de professores e de funcionários, alunos sem aulas, manuais surpreendentemente desactualizados, tudo razões suficientes para que um ministro sentisse vergonha ou fosse demitido.

 Casos pontuais

Um caso pontual

Casos pontuais?

Novos manuais de Matemática e de Português lançam caos nas escolas

Mais de mil alunos de Tavira sem aulas por falta de resposta da tutela

Maior escola básica de Palmela fechada por falta de pessoal auxiliar

Mais de 500 turmas do 1º ciclo ainda sem aulas

Escolas recorrem a plano de substituição para ocupar alunos

Escolas: “Faltam preencher 1991 horários”

Maioria das escolas sem professores está na região de Lisboa

Tudo normal

Até um pai perder a cabeça

Centros de estágio nas escolas

A EB23 Santa Marinha não tem, a EB de Canidelo também não…

E a lista poderia continuar. São escolas, em Vila Nova de Gaia, que não têm pavilhão para a prática da Educação Física.

Mas, isso é um detalhe porque há outros valores em cima da mesa. Há orçamentos para a construção de um pavilhão numa freguesia cá do burgo que é inferior a um milhão de euros, quando uma Associação tem que gastar quase mil euros por mês no aluguer de um espaço. Aliás, há já freguesias onde a Escola utiliza o pavilhão “público” existente lá ao lado. Assim, os 16 milhões gastos no apoio a uma empresa poderiam ser usados para construir espaços de qualidade em cada freguesia, não?

O que seria melhor para a população?

Nota: poderia escrever o mesmo ou pior sobre o Seixal, mas isso é do outro lado do rio…

Delmira Figueiredo

coragemEu posso responder por ele, Delmira?

Ele tem consciência. Não pode haver dúvidas quanto a isso. É intencional o ataque desta gente à Escola Pública. Tal como é intencional o ataque ao Sistema Nacional de Saúde e à Segurança Social.

Faz parte da estratégia desta gente estragar, até ao limite do impossível, tudo o que há de bom na escola. Eles não suportam a Escola Pública de sucesso.

São de Direita e isso, no nosso país, significa, estar do lado errado da história!

Sérgio Niza explica:

“Este ministro aparenta estar absolutamente convencido de que está a fazer o melhor, mas ele não é um homem da educação. Até presumo que tenha sido escolhido por ser um bom comunicador político – ele tinha uma receita conservadora de reforço do ensino tradicional, e conseguiu passá-la nos media – e é economista com especialização em estatística – o que é importante para fazer contas e tornar a educação mais barata. Infelizmente, o senhor ministro não tem uma cultura acrescentada sobre a escola nem um conhecimento, para além do senso comum, sobre educação” (revista A página)

Listas de colocação de Professores

Agora é a correr para começar as aulas

O vídeo Pornográfico da Professora na sala de aula

Nas escolas o ano lectivo já vai longo, considerando o trabalho já desenvolvido e que basicamente se divide em duas grandes dimensões:mirandela

 – a administrativa que é da responsabilidade do Director e que passa pela definição dos cursos que vão funcionar, da constituição de turmas, da distribuição de serviço e da elaboração dos horários; infelizmente, nos últimos anos estas funções, que deveriam ser geridas no âmbito da autonomia de cada projecto educativo, são cada vez mais comandadas pelo poder central numa lógica que faz cada vez menos sentido. Continuo sem perceber como é que alguém, sentado num gabinete de Lisboa consegue definir que cursos poderão existir, por exemplo, na minha freguesia.

– a pedagógica que é dinamizada, em primeira linha pelos docentes e que passa por recolher e analisar informação sobre os alunos, bem como preparar, geralmente em equipa, as aulas para todo o ano lectivo (as chamadas planificações). É também o momento de aferir critérios de actuação, por exemplo, ao nível da gestão da indisciplina.

E, obviamente, uma parte muito significativa do sucesso ao longo do ano lectivo depende em grande parte do trabalho desenvolvido neste mês. Há tempo para emendar a mão, mas é quase impossível mudar algumas coisas com o ano lectivo em andamento. [Read more…]