
Armando Vara, figura proeminente do Partido Socialista na era socrática, foi deputado, secretário de Estado, ministro e exerceu ainda as funções de administrador da CGD e de vice-presidente do BCP. Apesar do percurso de “poderoso”, Vara está a cumprir o terceiro ano de uma pena de cinco, no Estabelecimento Prisional de Évora. Hoje foi condenado a mais dois anos de prisão efectiva, por crime de branqueamento de capitais. Serão, no total, sete anos de prisão efectiva.
A justiça portuguesa não goza – nunca gozou – de grande popularidade. Por culpa própria e da incompetência/cumplicidade dos legisladores que, efectivamente, tomam decisões. Não obstante, e perante os desenvolvimentos dos últimos meses, e, em particular, das últimas semanas, não me recordo de outro momento, na história deste país, em que tantos intocáveis tenham perdido a aura inimputável como hoje. Nem em quase cinco décadas de democracia, muito menos no tempo do regime estruturalmente corrupto de Salazar. E isso, num tempo em que a democracia é diariamente atacada por aqueles que querem regressar ao autoritarismo estruturalmente corrupto e totalmente impune, é digno de registo.








Queriam muito que Centeno falasse, que fosse a comissões, que enfrentasse o que eles não se cansam de chamar o “escrutínio da comunicação social”. Ora, o ministro, pressionado pelas circunstâncias, sim, enredado em telenovela menor, sim, mas compreensivelmente farto desta feira e resolvendo despachar este expediente, foi-se a eles num conferência de imprensa. Fez uma declaração e ficou em pose de “venham eles, quantos são, quantos são”. E eles acometeram. Nas sedes dos vários canais estavam todos a postos. Finalmente a caça tinha caído na armadilha. Comentadores sortidos – sortidos de cara, não de cor – afiavam a faca sentadinhos nas suas cadeirinhas de comentar. Começou a conferência, o ministro declarou, o ministro foi respondendo, o espectáculo não dava as broncas que se esperavam. Centeno respondia a perguntas às centenas. E como a coisa não estava a dar o resultado previsto e não havia foguetório, os vários canais foram deixando cair a emissão em directo e passando a palavra aos tais comendadores, perdão, comentadores, para que eles dissessem o que Centeno queria dizer com o que disse e, sobretudo, com o que não disse, com o que deveria ter dito e, até, com o que quase disse mas não disse. O resto ficará para o falar viscoso do Lobo Xavier. 












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